Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 23 de novembro de 2013

Beato João Paulo II: O Homem das Dores e dos Milagres.


Depois do atentado de 1981, soube que lhe foi fornecido sangue infectado por um vírus não descoberto. O Papa teve que lutar durante meses contra o vírus. Eu tentava me lembrar se o Papa parecia sofrer, especialmente nas últimas semanas e nos últimos dias, mas eu sabia que era um esforço sem esperança. Karol Wojtyla nunca deixava transparecer o sofrimento. Eu me lembro de uma recepção na Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O Papa proferiu um discurso, depois desceu as escadas e caiu no chão. Parecia mal, seu Secretário, D. Stanislaw Dziwisz queria levá-lo imediatamente ao hospital, mas o Papa se recusou. Ele insistiu em cumprimentar pessoalmente todos os aproximadamente duzentos Delegados da FAO, apertar a mão de cada um. Somente depois deixou que o levassem ao hospital. E se revelou que ele dera a mão aos Delegados com um braço quebrado. O Papa João Paulo II não era homem inclinado a reclamar.

“Esse Karol Wojtyla sofredor se tornou uma potência. Desde a operação no intestino, em 1992, dizem que sempre tem febre, e desde a operação nos quadris, em abril de 1994, parece que nunca mais ficou sem dores, ele não consegue sentar, nem andar, nem ficar em pé sem sentir dores”.

“Eu sei”, disse eu, “ninguém pode dizer, mas todos sabem que a operação nos quadris foi um erro, alguém cometeu um engano aí”.

“Mas exatamente esse Papa sofredor e lutador”, completou meu interlocutor; “se tornou uma incrível potência. Pense! Hoje as coisas acontecem como antigamente seria inconcebível. Mesmo a Ortodoxia, que nos odeia há quase mil anos, de repente quer se reconciliar com Roma, os Chefes de Estado aparecem no Vaticano, novamente temos a juventude ao nosso lado. Pela primeira vez desde séculos somos alguém no cenário político mundial, e isso graças a um homem e seu sofrimento, porque ele é tão infinitamente convincente, um lutador que mostra algo único: que a Religião pode fazer bem, que Papas podem fazer mais do que se deixar carregar numa cadeira na Basílica de São Pedro, que podem criar paz sem possuir um exército. Os soviéticos passaram por isso”...

… A mídia, naturalmente eu também tinha rido dele. Tinha rido de sua tentativa de alcançar os jovens. Parecia uma piada sem graça que um homem velho quisesse ser aceito em todo o mundo por milhões de jovens, e com algo tão antigo como a mensagem da Igreja Católica. Nem mesmo a  indústria do entretenimento consegue alimentar os jovens do mundo com modas constantemente novas. A moda muda a cada semana, os brinquedos eletrônicos já parecem antigos quando chegam ao mercado, e esse homem da Polônia queria vender a mensagem com dois mil anos de idade de um filho de marceneiro de Nazaré? E quando conseguiu, o mundo não compreendeu que vários milhões de jovens não só iam à Love Parade, mas também peregrinavam para o Papa. Cada um que esteve presente naqueles anos sabe por que Karol Wojtyla conseguiu conquistar os jovens, entusiasmá-los. Ele levava a sério o que dizia. Ele não fazia tudo aquilo para ganhar dinheiro ou ser reeleito; ele não queria ensinar as pessoas. Ele acreditava no que dizia e estava pronto a dar tudo por isso. E ele também sabia que muitos no Vaticano lhe davam as costas exatamente quando era necessário.

Nunca tinha visto isso de maneira tão drástica como no dia 8 de novembro de 1999. A delegação do Vaticano chegou da Índia e todos tinham se intoxicado com a comida na nunciatura em Nova Délhi. Os Cardeais sofriam de dores de barriga, arrepios, febre alta e depois do pouso em Tiflis, na Geórgia, todos fugiram o mais rápido possível para o hotel ou para a nunciatura, para quartos e camas confortáveis. Eles deixaram Karol Wojtyla voar sozinho para a antiquíssima catedral em Mtskheta para um encontro com os Bispos da Geórgia, o Papa que estava igualmente doente, que tremia tanto que não conseguia segurar uma vela. Na época eu temia que ele perdesse a consciência.

Às vezes eu me envergonho por todos esses anos, me envergonho de tê-lo olhado durante duas décadas, de não tê-lo perdido de vista, mesmo quando ele simplesmente não podia mais. Ele não só o suportou como ele assim o quis. Essa era sua mensagem. Teria sido tão fácil para ele dizer simplesmente: agora chega! Eu não posso mais. Eu fico no Vaticano e não quero mais essas centenas de câmeras, mas ele não o fez. Ele queria até o fim ser um pescador de homens, como Pedro. E para mim é muito difícil acreditar que Deus não existe quando me lembro como o vento folheou a Bíblia sobre seu caixão.

Como ele disse no dia 29 de maio de 1994: “Quando estou diante dos poderosos do mundo...” e já essa parte da frase era incrível. Todos os poderosos do mundo, Mikhail Gorbachev, Ronald Reagan e Helmut Kohl e muitos outros já tinham reconhecido que ele era um dos homens mais influentes do mundo. Mas ele mesmo não via a coisa assim, ele não se contava entre os homens poderosos do mundo, ele se via diante dos poderosos como um mendigo. Então, na época, ele disse: “Quando estou diante dos poderosos do mundo, então o que posso dizer a não ser falar sobre o sofrimento? Eu quero lhes dizer: compreendam por que o Papa precisa ir novamente ao hospital, porque ele precisa sofrer, compreendam, pensem sobre isso”. A debilidade do homem Karol Wojtyla tornou-se uma parte importante de sua mensagem, ele parecia ser um montezinho de miséria, mas acompanhado por um Deus todo poderoso. “O Papa escreveu quatorze Encíclicas, e uma, a mais importante e última, ele não escreveu, viveu-a. Seu sofrimento se tornou parte de sua mensagem”. Assim descreveu o então porta-voz do Papa Joaquín Navarro-Valls depois da morte de Karol Wojtyla.

E agora, aparentemente, esse Papa estava novamente doente, tão doente que examinavam em segredo seu sangue. Será que Deus deixava esse homem sofrer para mostrar que o homem era seu instrumento e falava em Seu Nome? Era nisso que o Papa acreditava...

“Quem esquecerá sua última aparição na janela de seus aposentos? Esforça-se para falar, mas não lhe sai a voz. Com um último esforço, então, lança o Sinal da Cruz sobre a multidão reunida na praça e abençoa a todos. Retira-se, mais curvado ainda, como que pedindo desculpas por não poder falar aos seus amados filhos. Mas não se entrega. Precisa deixar sua última mensagem. É seu secretário particular por quase 40 anos que nos conta:

            - Ao deixar a janela, escreve em um papel pela última vez: Totus Tuus.[1][2]

Totus Tuus


Fonte: Andreas Englisch, “O Papa dos Milagres – João Paulo II”, Cap. “O Poder do Papa Sofredor”, pp. 74-82; Universo dos Livros Editora Ltda, São Paulo, 2011.




[1]   Totus Tuus = “Todo Teu”. Esse último Totus Tuus foi escrito a Maria, a Jesus e a todos nós. Expressando que o Papa tinha dado tudo o que poderia ser dado.
[2]   Extraído do Prefácio, p. 11.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

“Essas inovações se afastam do Evangelho, do Espírito Santo, da paz e da sabedoria e da glória de Deus, da beleza de Deus“.


Espírito de Recolhimento

Papa: 

Nossa Senhora não é um chefe dos correios, 

que dá mensagens diárias a videntes.


Vaticano, 14 de novembro de 2013 (Por TMNews.it- Tradução: Fratres in Unum.com ) – O espírito de curiosidade gera confusão e nos afasta do espírito de sabedoria, que, todavia, nos dá a paz: afirmou esta manhã o Papa na Missa celebrada na Capela da casa Santa Marta, no Vaticano. Bergoglio condenou alguns videntes, que consideram Nossa Senhora como “um chefe dos correios, que envia mensagens diárias” e convidou os fiéis a entender que “o Reino de Deus está no meio de nós ” e não necessita  “olhar para coisas estranhas ” .
Conforme informado pela Rádio Vaticano, a homilia do Papa começa com um comentário sobre a primeira leitura, tirada do livro bíblico da Sabedoria, que descreve “o estado de espírito do homem e da mulher espiritual”, do verdadeiro cristão e da verdadeira cristã, que vivem “na sabedoria do Espírito Santo. E essa sabedoria os leva avante com este espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil“, um “espírito de Deus”, que “ajuda a julgar, a tomar decisões de acordo com o coração de Deus” e que “dá paz
Pelo contrário, no Evangelho – ressaltou o Papa – “somos confrontados com um outro espírito, contrário àquele da sabedoria de Deus: o espírito de curiosidadeÉ quando queremos aproveitar o projeto de Deus, o futuro da coisas, saber tudo, ter tudo na mão… os fariseus perguntaram a Jesus : ‘Quando é que virá o Reino de Deus?’ . Curiosos! Eles queriam saber a data, o dia… O espírito de curiosidade nos afasta do espírito de sabedoria, porque ele só está interessado nos detalhes, notícias, pequenas notícias todos os dias. E o espírito de curiosidade não é um bom espírito: é o espírito de dispersão, de afastamento de Deus, o espírito de falar muito. E Jesus também vai nos dizer algo interessante: esse espírito de curiosidade, que é mundano, nos leva à confusão.”
A curiosidade – prosseguiu Bergoglio – nos impulsiona a querermos sentir que o Senhor está aqui ou acolá, ou podemos dizer: “Mas eu conheço um vidente, uma vidente que recebe cartas de Nossa Senhora, mensagens de Nossa Senhora.” E o Papa disse: “Mas, veja, Nossa Senhora é Mãe, eh! E ela nos ama a todos. Mas ela não é um chefe dos correios, para enviar mensagens diárias“.
Essas inovações -- disse novamente – se afastam  do Evangelho, do Espírito Santo, da paz e da sabedoria e da glória de Deus, da beleza de Deus“. Porque “Jesus diz que o reino de Deus não vem para atrair a atenção: vem na sabedoria“. “O Reino de Deus está entre vós“, diz Jesus: é “esta ação do Espírito Santo que nos dá a sabedoria, que nos dá a paz. O Reino de Deus não se dá na confusão, assim como Deus não falou ao profeta Elias no vento, na tempestade“, mas “ele falou em meio a brisa suave, a brisa da sabedoria“: “Então, Santa Teresa – Santa Teresa do Menino Jesus – dizia que ela tinha sempre que parar à frente do espírito de curiosidade. Quando ela conversava com outra freira e esta  contava uma história, algo que a família, as pessoas, às vezes, passavam para outro tópico, e ela queria saber o final dessa história. Mas ela sentia que não era o espírito de Deus, porque era um espírito de dispersão, de curiosidade. O Reino de Deus está entre nós: Não se aproximem de coisas estranhas, não se aproximem dessa nova curiosidade mundana. Deixem que o Espírito os levem avante, com a sabedoria que é uma brisa suave. Este é o Espírito do Reino de Deus, do qual fala Jesus“.



"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos Anjos, se não tiver Caridade... não sou nada..." (1ª Cor. 12, 1-13).


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“O Papa não teve medo de me abraçar. Enquanto ele me acariciava, eu só sentia seu amor”: este é o testemunho de Vinício, o homem desfigurado a quem o Papa Francisco abraçou na semana passada e cujas fotos circularam pelo mundo inteiro.
 
Entrevistado pelo jornal italiano “Panorama“, Vinício, de 53 anos, falou com muita emoção sobre o carinho que recebeu do Papa na Praça de São Pedro, há alguns dias.
 
“Primeiro, eu segurei a mão dele e, enquanto isso, com a outra mão, ele acariciou minha cabeça e minhas feridas. Depois, ele me deu um abraço bem forte, abraçou minha cabeça. Eu apoiei minha cabeça no peito dele e seus braços me envolveram. Ele me apertou forte, forte, como se quisesse me mimar, e não soltava. Tentei falar, dizer-lhe alguma coisa, mas não consegui: a emoção era forte demais. Isso durou pouco mais de um minuto, mas pareceu uma eternidade.”
 
Nascido em Isola, uma pequena cidade da província de Vicenza (Itália), ele mora com sua irmã menor, Morena, com sua tia, Caterina, que cuida dos dois sobrinhos. Como sua irmã (que apresenta uma forma menos severa), ele sofre de neurofibromatose tipo 1 (também conhecida como doença de Recklinghausen) desde os 15 anos. Esta doença provoca dolorosos tumores em todo o corpo. Ainda não existe cura para este mal.
 
“Os primeiros sinais apareceram depois dos meus 15 anos. Disseram-me que, aos 30, já estaria morto. Mas ainda estou aqui”, declarou, antes de voltar do emocionante encontro.
 
“As mãos do Papa são muito ternas. Ternas e bonitas. Seu sorriso é claro e aberto. Mas o que mais me impressionou foi o fato de ele não pensar duas vezes antes de me abraçar. Eu não tenho uma doença contagiosa, mas ele não sabia disso. Ele simplesmente foi lá e fez: acariciou todo o meu rosto e, enquanto fazia isso, eu só sentia seu amor.”
 
Nem é preciso dizer que as pessoas com neurofibromatose muitas vezes são marginalizadas devido à sua aparência. “Vinicio, de alguma maneira, teve sorte: sua tia o ama profundamente e o abraça todo dia”, explicou a jornalista.
 
Nos casos mais severos, a neurofibromatose deforma tanto a pessoa, que até os médicos mantêm distância. “Uma vez, no hospital, eu estava trocando de roupa quando um médico africano entrou na sala. Ele olhou para mim e ficou imóvel – explicou Vinício. Um pouco mais tarde, ele foi me pedir desculpas. Contou-me que, na África, ele tinha visto doenças terríveis, mas nunca tinha se deparado com algo tão devastador. Suas palavras me impressionaram muito.”
 
Em Isola, Vinício é aceito por quase todo mundo. Ele tem seu grupo de amigos, com quem sai para comer pizza e ver partidas de futebol. E corteja todas as enfermeiras, gastando com flores parte dos 130 euros que ganha por mês trabalhando em um asilo.


Caridade do Papa Francisco emociona novamente o mundo e questiona o egoísmo institucionalizado da sociedade moderna.

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O Papa Francisco voltou a comover o mundo hoje, quando, durante o percurso antes das tradicionais audiências das quartas-feiras na praça São Pedro, parou para cumprimentar um homem visivelmente desfigurado por alguma anomalia.
 
Francisco, que insistentemente prega sobre a necessidade da Igreja ir ao encontro dos mais necessitados, esteve por alguns segundos com o homem, que recebeu um fraternal abraço do Papa.
 
Há algumas semanas, o Santo Padre havia emocionado o mundo com um gesto semelhante ao ir ao encontro de um fiel, chamado Vinício Riva, gravemente doente que sofria de neurofibromatose, doença esta que causa tumores neurais na pele e deformidades ósseas.
 
Segundo Riva, “o Papa nem parou para pensar se ia abraçar ou não. Minha doença não é contagiosa, mas ele não sabia”. “Ele não disse nada, mas eu senti o seu amor. Durou pouco mais de um minuto, mas para mim parecia uma eternidade. Meu coração estava indo tão rápido que eu pensei que ia morrer”, revelou à imprensa.
 
O Papa costuma, durante as audiências, percorrer a praça São Pedro com um papamóvel descoberto, cumprimentando os fiéis, e em especial, as crianças e pessoas doentes. (VH)

 Fonte: Ecclesia




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