Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 3 de junho de 2015

As Inesgotáveis Riquezas do Sagrado Coração de Jesus (Ensaio em Fase de Conclusão) 4

 

Introdução

Ninguém põe em dúvida a popularidade da devoção ao Coração de Jesus no século dezenove e nas primeiras décadas do século vinte.

Na primeira sexta-feira de cada mês, numerosos fiéis assistiam à Santa Missa e acorriam à Mesa Eucarística. Floresciam as irmandades. Muitas Congregações de Religiosos entregavam-se a essa devoção. O Diretório Católico para a Inglaterra e o País de Gales arrola seis Congregações de homens e dezessete de mulheres que professam sua fidelidade à devoção, de acordo com o nome que ostentam, e muitas outras sociedades, especialmente os Jesuítas, fizeram (e ainda fazem) grandes esforços para difundir a devoção entre o povo.

Infelizmente, temos que reportar o pensamento ao entusiasmo do passado, visto que a devoção arrefeceu sensivelmente nas últimas décadas, até mesmo entre religiosos pertencentes a Congregações do Sagrado Coração de Jesus. Efetuou-se, em 1966, uma pesquisa na Grã-Bretanha e Irlanda. O resultado foi bastante desanimador, pois, os questionários haviam sido encaminhados unicamente a Congregações de Religiosos, cuja espiritualidade enfoca esse culto. Oitenta por cento dos que responderam ao questionário opinavam que a devoção, como era comumente encarada naquele tempo, carecia de atualização para conservar sua força espiritual e importância na Igreja. Os outros vinte por cento achavam-se divididos em grupos iguais. O primeiro grupo estava totalmente satisfeito com a devoção tradicional e o segundo julgava que a devoção estava simplesmente ultrapassada1. Não ficando a situação restrita a este país, facilmente podemos entender porque a Encíclica Haurietis Acquas” defende longamente a devoção contra ataques e porque o melhor livro escrito sobre o assunto, desde a Segunda Guerra Mundial (“O Coração do Salvador”, por Stierli, Rahner e Gutzwiller) começa por um capítulo intitulado “Objeções”...2

Uma Invenção do Século XVII?

Eis uma acusação frequentemente ouvida: Esta devoção não é verdadeiramente baseada na Escritura e na Tradição; surgiu no século dezessete e procede exclusivamente das revelações particulares a Santa Margarida Maria. Isso é uma grave acusação, pois a vida cristã deve encontrar sua última inspiração na Escritura e na Tradição. Revelações feitas a um Santo não são, por si, base suficiente para solidificar uma devoção. Considerando o assunto de capital importância, estudemos as raízes que esta devoção encontra na Escritura e na Tradição3.


Breve Histórico

A devoção para com o Sagrado Coração de Jesus tem o seu gérmen na origem da humanidade.

Foi no Paraíso, depois da queda primitiva de Adão e Eva, que o Filho de Deus recebeu, pela primeira vez, o justo tributo da veneração e de amor.

Apresentado e prometido por Deus mesmo ao gênero humano, como Redentor, suspiravam por Ele incessante e ardentemente todas as nações. Com seu Nascimento, exultaram de alegria os descendentes de Adão, por virem realizados os seus votos. Desde esta data gloriosa surgiu e foi-se desenvolvendo, rapidamente, a devoção para com o Divino Coração.

O Fundador do Cristianismo ainda não havia instituído os Santos Sacramentos, nem lançado os alicerces inabaláveis destinados a sustentar o edifício grandioso da Igreja Católica, e já se venerava e adorava o seu Sagrado Coração. Já naquele tempo, era este o objeto do amor entranhado da Virgem Mãe de Deus e de São José.

Anjos do Céu aparecem cá na terra convidando os homens a renderem ao Salvador recém-nascido as suas homenagens. Aos coros angélicos se unem os bons pastores, os três Reis Magos do Oriente, porfiando em testemunhar os sentimentos de fé e confiança, de gratidão e respeito, de submissão e amor ao Sagrado Coração de Jesus. Ao contemplá-lO, todos ficaram cativos e extasiados.

E, com efeito, o que há de mais nobre e sublime, se acha concentrado no Amantíssimo Coração de Jesus, como na sua fonte original. O seu amor transcende todos os afetos, por mais puros que sejam. Símbolo tocante, imagem perfeita e personificação do amor infinito de Deus para com os homens é o seu Sagrado Coração.

Nele habita a plenitude da Divindade, estão encerrados todos os tesouros da ciência e sabedoria e o Pai Eterno pôs Nele todas as suas complacências, é portanto, digníssimo de louvor, veneração e adoração.

No reino glorioso do Céu, não há um só Santo, que não houvesse sido devoto do Sagrado Coração”.4

O Novo Testamento: Torrentes de Água Viva

Desde os primórdios do Cristianismo, o Coração transpassado de Cristo foi contemplado como um símbolo de Sua personalidade íntima, principalmente, de Seu amor. Essa Tradição origina-se, preponderantemente, de duas passagens do Evangelho de São João, a saber 7, 37-39; 19, 31-37.

No capítulo sete, São João nos relata os acontecimentos da Festa dos Tabernáculos. Era um dia de ação de graças pela safra. Num país semelhante à Palestina, com suas imensas regiões semi-áridas, isso resultava num agradecimento pela chuva. Nesse dia, as cerimônias no Templo lembravam aos judeus um acontecimento semelhante e particularmente extraordinário, a saber, a intervenção de Deus no deserto do Sinai, quando outorgou a Moisés o poder de produzir água, ferindo a rocha5, e destarte salvou seu povo que estava morrendo de sede.

Nosso Senhor observava as cerimônias e subitamente disse à multidão que tudo isso realizar-se-ia n'Ele mesmo: 'Se alguém tiver sede, venha a Mim, e beba o que crê em Mim!' Pois, a Escritura afirmou isto de Mim: 'Correrão do seu seio rios de água viva'6. E, se alguém não entendesse que essa água é o Espírito Santo, São João acrescenta: 'Referia-se ao Espírito que haviam de receber os que acreditassem n'Ele'7.

Em outras palavras, o Espírito de Deus brotará do Coração de Cristo como água viva, de uma fonte. Como a água traz nova vida à terra ressequida, salvando a colheita e o povo que dela depende, assim Jesus, o novo Moisés, trará salvação para Seu povo. Durante as cerimônias desse dia de ação de graças, os sacerdotes cantavam as palavras de Isaías: 'Com alegria haurireis a água nas fontes da salvação'8. Aqui, no meio deles, estava quem fora esperado, há tantos anos, quem traria salvação por Sua Morte e Ressurreição.

Do Lado Aberto

Há uma íntima relação entre o texto citado e a cena descrita por São João no capítulo dezenove. Lá vemos o Coração de Jesus transpassado, saindo Sangue e Água de Seu lado. Lemos: 'Um soldado lhe transpassou o lado com a lança, e, no mesmo instante, saiu Sangue e Água. Aquele que viu dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro. E ele sabe que diz a verdade, a fim de que também vós acrediteis. Pois, tudo isso sucedeu para que se cumprisse a Escritura: 'Nenhum osso lhe será quebrado'. E a Escritura diz também: 'Contemplarão aquele que transpassaram'9. Notemos como São João nos afirma ter presenciado tudo isso com seus próprios olhos. Não apenas para ressaltar que Cristo morreu realmente. A Bíblia de Jerusalém observa: 'A importância do acontecimento é destacada por dois textos da Escritura. O Sangue mostra que o Cordeiro foi verdadeiramente imolado para a salvação do mundo; a Água, símbolo do Espírito, mostra que o Sacrifício é rico manancial de graças'. E assim, o Prefácio da Missa do Sagrado Coração possui verdadeira inspiração bíblica quando anuncia: 'Torrentes de amor e graças brotaram do lado aberto'.

A Tradição

Os Primeiros Séculos: Nas obras de Santo Irineu, Bispo de Lyon, morto em 202, encontramos a referência mais antiga ao mistério do Coração de Cristo. Era ele discípulo de São Policarpo de Esmirna, o qual, por sua vez, conhecera pessoalmente a São João. Ele escreveu: 'A Igreja é o manancial de água-viva que mana do Coração de Cristo para nós. Onde estiver a Igreja, aí estará também o Espírito de Deus, e onde estiver o Espírito de Deus, aí estará a Igreja e toda a graça. Mas o Espírito é verdade. Portanto, quem não participar deste Espírito não é alimentado no seio da Mãe Igreja e não pode beber da fonte cristalina que emana do Corpo de Cristo'.

Alguns dos antigos Padres desenvolveram mais amplamente essa ideia. A água-viva torna-se o símbolo de todos os dons que de Cristo vem até nós: os Sacramentos, e até mesmo a Igreja.

A Idade Média: A Idade Média acrescenta um elemento muito pessoal e subjetivo à doutrina. As ideias dos Teólogos moveram os Místicos medievais a uma veneração pessoal do Coração de Cristo. Descobriram, no lado aberto, o coração do esposo ferido com amor; e as dádivas que fluem deste Coração eram consideradas dádivas do amor pessoal de Cristo. Grandes místicos e Santos, como Bernardo e Boaventura, Gertrudes e Matilde, Alberto Magno, Suso, Catarina de Sena, e, mais tarde, os Cartuxos, praticaram essa devoção com grande fervor e entusiasmo.

Pelo fim da Idade Média, a contemplação do Coração alanceado de Cristo começou a difundir-se entre o povo mais simples. Tudo corria maravilhosamente. É digno de nota que a Companhia de Jesus, então recentemente fundada, foi fortalecida por uma devoção sempre maior ao Coração de Cristo. Foi isso bastante providencial, pois, preparou o terreno e favoreceu a missão de Santa Margarida Maria”.10

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus Cristo não era inteiramente desconhecida, quando Nosso Senhor a revelou à Santa Margarida Maria Alacoque.

No século XIII, Santa Gertrudes e Santa Matilde a haviam praticado com grande fervor, após terem recebido a respeito revelações sensíveis de Nosso Senhor, e mencionaram-na nos seus escritos. Nos séculos seguintes Jesus Cristo favoreceu ainda diversos Santos com a visão de Seu divino Coração, os quais praticaram também esta devoção, relatando às vezes nas suas obras as graças que haviam recebido.

São Francisco de Sales, que fundou em 1610, com Santa Joana de Chantal, a Ordem da Visitação de Santa Maria, tinha uma ardente devoção ao Sagrado Coração de Jesus, do qual fala diversas vezes em seus escritos.

O Bispo de Coûtance, na Normandia, dedicou em 1688 a igreja de seu Seminário aos Corações de Jesus e de Maria; o Padre J. de Galliffet relata a respeito o seguinte, no seu notável livro 'L'excellence de la dévotion au Coeur adorable de Jésus-Christ':

'Nela foi celebrada separadamente, com grande solenidade, a Festa destes Sagrados Corações, com Oitava e Ofícios próprios: e nela foi estabelecida, com o título dos Corações de Jesus e de Maria, uma Confraria que o Papa Clemente X já permitira erigir com uma Bula de indulgências, datada de 4 de outubro de 1674 e que só foi publicada em 1688'11.

São João Eudes pediu e obteve em 1674, por seis Breves do mesmo Papa Clemente X, a autorização de celebrar separadamente a Festa dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, para as igrejas de sua Congregação, 'com permissão de erigir nelas Confrarias com o título dos Sagrados Corações de Jesus e Maria'12.

A Ordem de São Bento, na França, começava também a celebrar naquela época essa mesma Devoção, com Missas e Ofícios próprios, e o mesmo faziam os Irmãos Menores da Grande Província de França, com um Ofício particular13.

Desde várias décadas, muitos Arcebispos e Bispos vinham concedendo aprovações pastorais relativas à Devoção, ao Ofício e à Festa dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, todos eles confirmados por um legado 'a latere', e mesmo pela Santa Sé Apostólica14.

Constata-se pois, que as revelações de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria, para a instituição da Devoção ao Sagrado Coração, foram feitas numa época em que os católicos começavam a aspirar por esta devoção”.15

Devoção Franciscana16

Entre os franciscanos, como em toda a Igreja, o culto ao Coração de Jesus teve duas origens: alguns chegaram a ele através da meditação privada da Paixão; outros, através da revelação bíblica ou particular.

No século XII, os teólogos transmitiram a tradição da Teologia do Coração de Jesus. Nos séculos seguintes (XIII e XIV), essa planta cresceu e tornou-se uma árvore. Esse desenvolvimento foi preparado por uma grande devoção à Paixão de Cristo, por um amor especial ao apóstolo João e por um grande número de comentários sobre o Cântico dos Cânticos. Os grandes responsáveis por isso foram os franciscanos, as religiosas de Helfta e os dominicanos. Vamos nos ocupar agora com os franciscanos.

A Ordem Seráfica contribuiu muito para a preparação e propagação do atual culto ao Coração de Cristo. Isso aconteceu no longo período de transição da idade patrística até as ‘revelações’ de Margarida Maria, com afirmações de ordem doutrinal, ascética e devocional, que se inserem particularmente no apogeu da devoção mística medieval (1250-1350) e constituem, para a própria ordem, a base das sucessivas manifestações e práticas de piedade. Dois fatos suscitaram e favoreceram essa contribuição: a espiritualidade e devoção de são Francisco à humanidade de Cristo, particularmente aos mistérios da Paixão, e a renovação desses mistérios na própria vida do Patriarca estigmatizado – dois fatos novos e inspirantes que mantiveram a atenção dos franciscanos voltada para o Redentor e para são Francisco.

A representação característica de são Francisco abraçado pelo crucificado e querendo beijar-lhe a chaga do lado (pintura de Murilo) encontrou, assim, uma feliz correspondência na apaixonada contemplação franciscana dos sofrimentos e das cinco chagas de Cristo, especialmente da chaga do lado. Dessa contemplação, aconteceu uma passagem, fácil e natural, ao próprio Coração de Cristo, em si mesmo e como símbolo do amor e fonte de toda a graça. Podemos dizer que uma devoção explícita ao Coração de Jesus nasceu no ambiente de espiritualidade cristocêntrica e de misticismo criado em torno às ordens beneditina e franciscana.

O franciscano São Boaventura, no seu Itinerarium Mentis in Deum, guia do coração do peregrino em seu itinerário em busca de Deus, afirma que o único caminho para o Pai é um grande amor ao Senhor crucificado. Esse amor deve levar a uma verdadeira comunhão de corações, com Cristo e os irmãos. E no seu livro Vitis Mystica, encontramos um primeiro aceno explícito à devoção ao Coração de Jesus: “O Coração de nosso Senhor foi transpassado por uma lança para que através da ferida visível possamos ver a ferida invisível do seu amor”. São Boaventura pode ser considerado um dos primeiros devotos do Coração de Jesus.

Muito cedo, os frades menores fizeram do Coração de Cristo objeto de meditação e pregação, de estudo e ilustração ascético-doutrinal, de invocação e culto, chegando a ver no Coração de Cristo a síntese e a verdadeira meta de toda a sua espiritualidade ligada ao divino Redentor. Com Boaventura, a verdadeira devoção, a espiritualidade e o culto do Coração de Jesus começam a tomar forma concreta na Ordem Seráfica. Ele já falava de um duplo objeto do culto ao Coração de Jesus: o Coração físico e o simbólico. Tratou ainda da finalidade do culto e das práticas devocionais. Afirmou que o objeto desse culto é o infinito amor, a infinita ternura do Coração de Cristo. Que o Coração de Jesus é o símbolo de seu grande amor pela humanidade. É um amor pleno, total e permanentemente novo. Disse também que o nosso amor por Cristo também precisa ser assim, porque a finalidade da devoção ao Coração de Cristo é exatamente a resposta de amor a esse amor do Senhor.

Constata-se assim, as Revelações do Divino Espírito Santo:

Sou Eu que te falei pelos Profetas,
e multipliquei-lhes as visões;
e por meio dos mesmos Profetas
Me descobri (a vós) sob diferentes figuras.
Acaso poderei Eu ocultar a Abraão
o que estou para fazer...
O Senhor Deus não faz nada sem
ter revelado antes o Seu segredo
aos Profetas Seus Servos;
porque (é Ele) quem anuncia
a Sua Palavra ao homem,
(e) o Seu Nome é: Senhor Deus dos Exércitos”17.


1N. Harnan, M.S.C., na Revista do Clero – Clergy Review – 1967, p. 621.
2C. Sondermeijer, S.C.J., “A Devoção ao Sagrado Coração de Jesus em Nossos Dias”, pp. 5-6; Traduzido do inglês por Pe. Otto Seidel, S.C.J., Edições Paulinas, 1975.
3C. Sondermeijer, S.C.J., ob. cit., p. 9.
4“A Vida e o Culto de Santo Antônio”, por Fr. Luiz, O.F.M., 1ª Parte, Cap. XXIII, pp. 238-240; 3ª Edição, Kevelaer Butzon e Bercker Editores Pontifícios, 1907.
5Êxod. 17, 1-7.
6Jo. 7, 38.
7Jo. 7, 39.
8Is. 12, 3.
9Jo. 19, 34-37.
10C. Sondermeijer, S.C.J., ob. cit., pp. 9-14.
11Pág. 25, Paris.
12Pe. J. de Galliffet, op. cit., p. 25-26.
13Pe. J. de Galliffet, op. cit., p. 26.
14Pe. J. de Galliffet, op. cit., p. 132.
15“Compêndio da Vida da Irmã Margarida Maria Alacoque, Religiosa da Visitação de Santa Maria”, pelo Pe. João Croiset, S.J., “Prólogo”, XIII-XV, Tradução do Texto Original Francês por Roberto de Vasconcellos; Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1950.
16http://sagradocoracaobebedouro.com.br/devocao.php
17Os. 12, 10; Gên. 18, 17; Am. 3, 7; 4, 13.


terça-feira, 2 de junho de 2015

As Inesgotáveis Riquezas do Sagrado Coração de Jesus (Ensaio em Fase de Conclusão) 3



Coletânea de Orações
em Honra do
Sagrado Coração de Jesus


A Glória de Servir e de se Consagrar
ao Sagrado Coração de Jesus

Se soubesses quanto Mérito e Glória há em honrar este amável Coração do adorável Jesus! Qual será a recompensa dos que, depois de consagrados a Ele, só procuram honrá-Lo! Sim, parece-me que esta única intenção dará mais Méritos e Satisfação às suas ações diante de Deus, do que tudo que pudessem fazer sem esta aplicação” (S. Margarida M. Alacoque, Carta 27).

Quando nos consagramos e dedicamos por completo a este Coração adorável, para amá-Lo e honrá-Lo, com todos os nossos meios, entregando-nos de todo a Ele, Ele cuida de nós e nos faz chegar ao porto da salvação, apesar de todas as borrascas” (S. Margarida M. Alacoque, Carta 33).


Hoc fac et vives – Faze isto e viverás:


Ato de Consagração do Gênero Humano
ao Sagrado Coração de Jesus1

Dulcíssimo Jesus, Redentor do Gênero Humano, lançai Vosso olhar sobre nós, humildemente prostrados diante do Vosso Altar. Nós somos e queremos ser Vossos; e para nos unirmos mais firmemente a Vós, cada um de nós neste dia se consagra espontaneamente ao Vosso Sacratíssimo Coração.

Muitos há que nunca Vos conheceram; muitos desprezaram os Vossos Mandamentos e Vos negaram. Misericordiosíssimo Jesus, tende piedade de uns e outros, e conduzi-os todos ao Vosso Sacratíssimo Coração.

Senhor, sede Rei, não só dos fiéis que jamais se separaram de Vós, mas também dos filhos pródigos que Vos abandonaram; fazei que breve regressem à casa paterna para não perecerem de miséria e de fome.

Sede Rei dos que vivem no erro, ou separados de Vós pela discórdia; trazei-os ao Porto da Verdade e à Unidade da Fé, para que em breve haja um só Rebanho e um só Pastor.

Sede, enfim, Rei de todos os que estão ainda sepultados nas trevas da idolatria ou do Islamismo, e não recuseis chamá-Los todos à luz do Vosso Reino.

Olhai com misericórdia os filhos do povo que outrora foi Vosso preferido; que sobre eles desça, mas hoje em batismo de vida e redenção, o Sangue que um dia sobre si invocaram.

Concedei, Senhor, à Vossa Igreja uma liberdade segura e sem peias; concedei a todos os povos ordem e paz; fazei que de um ao outro polo do mundo, ressoe uma só voz: Louvado seja o Coração Divino que nos trouxe a salvação! A Ele glória e louvor por todos os séculos dos séculos. Amém.

Consagração ao Sagrado Coração de Jesus2

Ó meu Jesus, para Vos testemunhar meu reconhecimento e em reparação das minhas infidelidades: eu N. Vos dou o meu coração, consagro-me inteiramente a Vós e proponho com a Vossa divina graça nunca mais pecar. Amém.3

Ato de Consagração das Famílias
ao Sagrado Coração de Jesus


Sagrado Coração de Jesus, que manifestastes a Santa Margarida Maria o desejo de reinar sobre as famílias cristãs, nós viemos hoje proclamar Vossa Realeza absoluta sobre a nossa família.

Queremos, de agora em diante, viver a Vossa Vida, queremos que floresçam, em nosso meio, as virtudes, as quais prometestes já neste mundo a paz. Queremos banir para longe de nós o espírito mundano que amaldiçoastes.

Vós reinareis em nossas inteligências, pela simplicidade de nossa fé; em nossos corações, pelo amor sem reservas de que estamos abrasados para convosco, e cuja chama entreteremos pela recepção frequente da Vossa Divina Eucaristia.

Dignai-Vos, Coração Divino, presidir as nossas reuniões, abençoar as nossas empresas espirituais e temporais, afastar de nós as aflições, santificar as nossas alegrias, aliviar as nossas penas.

Se, alguma vez, um de nós tiver a infelicidade de Vos ofender, lembrai-Lhe, ó Coração de Jesus, que sois Bom e Misericordioso para com o pecador arrependido.

E quando soar a hora da separação, nós todos, os que partem e os que ficam, seremos submissos aos Vossos eternos desígnios. Consolar-nos-emos com o pensamento de que há de vir um dia em que toda a família, reunida no Céu, poderá cantar para sempre a Vossa glória e os Vossos benefícios.

Digne-se o Coração Imaculado de Maria, digne-se o glorioso Patriarca São José, apresentar-Vos esta consagração e no-la lembrar todos os dias de nossa vida.

Viva o Coração de Jesus, nosso Rei e nosso Pai! Amém.

Oração da Família ao Sagrado Coração de Jesus


Glória ao Coração de Jesus! Como foi grande a Vossa misericórdia para com os felizes servos deste lar! Escolhestes a nossa família como herança de amor e santuário de reparação, que Vos daremos pela ingratidão dos homens. Confusos, Senhor, aceitamos a grande honra de Vos ter como Chefe da Família. Nós Vos adoramos em silêncio, felizes porque quereis tomar parte em nossas alegrias e tristezas em nossas fadigas e penas. Não somos dignos que entrei nesta humilde morada. A Vossa palavra, porém, revelou a bondade do Vosso Coração. Nossas almas tem sede de Vós, e acham na Chaga do Vosso lado as águas da Vida Eterna.

Por isso, contritos e confiantes, viemos entregar-nos a Vós, Vida imortal. Permanecei entre nós, ó Sagrado Coração, pois estamos desejosos de Vos amar e fazer-Vos amado. Sois a fornalha ardente que há de abrasar o mundo para regenerá-lo. Seja esta casa para Vós, o refúgio de Betânia, onde repousareis na companhia de almas dedicadas, que escolheram como melhor parte a feliz intimidade de Vosso Coração. Divino Salvador, seja esta casa asilo carinhoso, como foi o Egito, quando fostes desterrado por Vossos inimigos. Vinde, Senhor! Nesta nova Nazaré, amamos com profundo amor a Virgem Maria, a Mãe tão terna de Vós, que sois o Caminho, a verdade e a Vida.

Fazei-nos compreender as palavras que dirigistes a Zaqueu: “É preciso que desde hoje Me deis hospedagem em Vossa casa”. Estabelecei aqui a Vossa casa de repouso, para que vivamos de Vosso amor e de Vossa Companhia. Nós Vos precisamos nosso Rei. Não queremos outro, senão Vós tão somente. Seja sempre amado, bendito e glorificado neste lar. Venha a nós o Vosso Reino! Amém.

Renovação da Consagração das Famílias
ao Sagrado Coração de Jesus4

Dulcíssimo Salvador, humildemente prostrados a Vossos pés, renovamos a consagração da nossa família ao Vosso Divino Coração. Sede sempre nosso Rei; pomos em Vós plena e inteira confiança; que nossos desejos, pensamentos, palavras e obras sejam impregnados do Vosso espírito; abençoai os nossos atos, tomai parte em nossas alegrias, tristezas e trabalhos. Concedei-nos a graça de melhor Vos conhecermos e amarmos, e de Vos servirmos sem desfalecimento. Que de um polo ao outro do mundo ressoe esta exclamação: Bendito, amado e glorificado seja sempre e em toda a parte o Coração triunfante de Jesus. Amém.

Consagração5


Prostrado em Vossa Divina Presença, reconheço e adoro a Vossa Suprema Majestade, ó Jesus, meu Deus, meu único Bem, meu último Fim! Ó Esposo meu caríssimo, ó meu Tudo, dou-me e me entrego totalmente ao Vosso Divino Coração! Ofereço-Vos o meu coração em sacrifício e perfeito holocausto; e protesto que, deste este momento, separado para sempre das criaturas, ele só pertence ao Vosso Coração.

É a doação, é a oferenda que hoje Vos faço, ó Verbo Humanado. Aceitai-a por piedade! Tomai posse do meu coração como de coisa toda Vossa. Sede para ele o Mestre, a Luz e o Calor, a Força e o Asilo seguro. Sede para ele a Consolação nas penas, e o Guia que o leve felizmente ao desejado porto da salvação.

E permiti, ó meu amável Jesus, que Vos dirija uma humilde súplica para pedir-Vos um presente que há muito desejo, e que estimo e amo muito mais, sem comparação alguma, do que de tudo quanto existe no mundo: o rico presente que Vos peço é o Vosso Divino Coração. Dai-me-o, ó Jesus, sem atender à minha indignidade; dai-me o Vosso Coração, como O destes a algumas almas por Vós particularmente queridas, de cujo número quero ser. Por serdes Vós tão infinitamente Bom, é que tomo a confiança de fazer-Vos tão grande pedido! Concedei-me esse Divino presente: ó meu liberal Senhor, dai-me o Vosso Coração.

Já Vos dei e torno a dar-Vos o meu, para que seja sempre todo Vosso; a fim de que, por Vossa Graça e Misericórdia, de hoje em diante, até o fim da minha vida, eu Vos ame, Vos sirva, Vos imite, sem culpa alguma, mortal ou venial voluntária.

Renovai hoje a minha alma, ó meu Divino Jesus; tomai plena e perfeita posse do meu coração e de todo o meu ser, que dedico, consagro e entrego, em perpétuo sacrifício de amor, ao Vosso amante Coração.

Fazei do meu pobre coração um paraíso de Vossas delícias, um jardim fechado, rico de belas flores e dos frutos que mais Vos agradam, que são as Virtudes: a Simplicidade, a Mansidão, a Humildade, a Caridade, das quais o Vosso Divino Coração é Fonte, Mestre e Modelo.

Abrasai-me no vivo e ardente desejo de amar-Vos cada vez mais. Meus pensamentos e meus afetos, o meu espírito e o meu coração, todos os meus sentidos e todos os meus atos nunca tenham outro fim ou outro objeto, senão, agradar-Vos. Para que, depois de uma vida toda de amor, eu venha a morrer de Vosso Amor e por Vosso Amor, para assim Vos poder amar eternamente. Assim seja”.

Reparação e Desagravo

Queres dar-me teu coração para fazer repousar o Meu Amor sofredor, que todo o mundo despreza?”.6

Quero que te prostres a Meus pés para pedir desculpas ao Meu Amor, oferecendo a Meu Pai Eterno o Sacrifício Sangrento da Cruz, para este efeito e oferecendo o teu ser para render homenagem ao Meu e para reparar as indignidades que recebo”.7

Ato de Desagravo ao Santíssimo Coração de Jesus8

Ó Coração amantíssimo do meu Redentor, penetrado da mais viva dor em vista das ofensas, que tendes recebido e recebeis ainda todos os dias no Sacramento do Altar; me prostro na Vossa Presença, para desagravar-Vos. Oxalá pudesse eu com as minhas homenagens e o meu respeito, reparar a Vossa honra menos prezada! Oxalá me fosse dado apagar com as minhas lágrimas e até com o próprio sangue tantas irreverências, tantas profanações, tantos sacrilégios, como se cometem contra Vós! Oxalá eu pudesse suprir com chamas de um incêndio de amor a frieza e criminosa indiferença de tantos maus cristãos! Oh! Por quão bem empregada daria a minha vida se lograsse dá-la por uma causa tão sublime! Outorgai-me, ó meu Deus, o perdão que imploro, para tantos ímpios, que de Vós blasfemam; para tantos infiéis, que Vos desconhecem; para tantos hereges e cismáticos, que Vos desonram; para tantos católicos ingratos, que profanam o Mistério do Vosso Amor; finalmente, para mim, que com tanta frieza Vos hei tratado e com tanta frequência Vos injuriei. Lembrai-Vos, ó meu Jesus, que Vosso Coração Sagrado, oprimido pelo peso de minhas culpas, entristeceu até à morte, não permitais que Vossa Paixão e Morte fossem em vão para mim. Mudai este meu coração delinquente em outro, que seja conforme ao Vosso. Dai-me um coração contrito e humilde, um coração puro e sem mancha, um coração consagrado ao Vosso serviço e vítima do Vosso Amor. Eu, quanto a mim, ó meu Salvador, prometo-Vos reparar no futuro as cometidas irreverências e sacrilégios, com a minha solicitude em visitar-Vos, com a minha devoção e meu fervor em receber-Vos. Dignai-Vos, Senhor, conceder-me esta graça, aumentando o meu amor para convosco, e olhai com agrado o desejo e a resolução que Vós mesmo me haveis inspirado. Amém.

Ato de Reparação
ao Sagrado Coração de Jesus9


Dulcíssimo Jesus, cuja infinita Caridade para com os homens é destes tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos: Eis-nos aqui prostrados diante do Vosso Altar, possuídos do desejo de reparar, por homenagem especial, a sua culpável indiferença e as nefandas injúrias com que a todo o momento ferem o Vosso amantíssimo Coração.

Reconhecendo porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a Vossa misericórdia, prontos a expiar não só as próprias culpas, mas também as daqueles que, errando fora do caminho da salvação, se obstinam em sua infidelidade, recusando servir-Vos, a Vós, seu Pastor e Guia, ou sacudindo o jugo tão doce da Vossa Lei, calcam aos pés as Promessas do seu Batismo. De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos desagravar-Vos, principalmente da licença dos Costumes e imodéstia nos vestidos, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra Vós e Vossos Santos, dos insultos ao Vosso Vigário e a todo o Vosso Clero, de desprezo e das horrendas profanações do Sacramento do Divino Amor, e enfim, dos atentados e rebeldias oficiais das Nações contra os Direitos e Magistério de Vossa Igreja. Oh! Quem pudera lavar em sangue tantas iniquidades!

Para reparar a Honra Divina ultrajada, nós Vos oferecemos, juntamente com os méritos da Divina Mãe, de todos os Santos e Almas piedosas, aquela infinita satisfação que na Cruz oferecestes ao Eterno Pai, e que não cessais de renovar todos os dias em nossos altares.

Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da Vossa graça, para podermos, como é nosso firme propósito, com viveza de Fé, pureza de Costumes, e fiel observância da Lei e Caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e pelo nosso próximo, impedir por todos os meios, novas injúrias à Vossa infinita Majestade e atrair ao Vosso serviço o maior número possível de almas.

Recebei, benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria Santíssima Reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo e concedei-nos a graça de perseverar constantes, até à morte, no fiel cumprimento de nossos deveres, para alcançarmos chegar à Pátria Bem-aventurada, onde, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais para todo o sempre. Amém.

Ato de Reparação e Desagravo10


Ó amabilíssimo Coração de Jesus, como Vos fez o amor tão sensível às nossas misérias! Ó meu Deus e Salvador, que bondade, que prodígio, que excesso de amor Nos mostrais, fazendo-Vos Vítima por nós na adorável Eucaristia, e oferecendo-Vos, cada dia, milhões de vezes, em sacrifício, por nosso amor! Quais deveriam ser os nossos sentimentos de gratidão! Entretanto, que achais no coração da maior parte dos homens, senão tristeza, revolta contra Vossos convites, ingratidão aos Vossos benefícios!

Ah! Meu Bom Jesus! Assim pois, não era bastante que Vos tivesses entregado uma vez a mais cruel agonia, oprimido sob o peso de nossos pecados, no Jardim das Oliveiras? Não era bastante haverdes resgatado as nossas almas com o preço de Vosso Sangue, de Vossa Paixão e de Vossa Morte?

Por que Vos quisestes expôr a novas injúrias neste inefável Sacramento de Amor? E por que sofreis que filhos Vossos, ingratos e infiéis, ousem cada dia renovar os tormentos que padecestes na Vossa Paixão, e dilacerar com novas chagas o Vosso Divino Coração? Ah! Deus meu! Quanto sente o Vosso amante Coração todas essas ingratidões? E como há corações tão duros, que não se comovem com as ofensas que sofreis em Vosso Amor!

Permiti, ó meu Redentor que, prostrado e aniquilado diante de Vós, eu Vos desagrave hoje de todas as injúrias com que os homens continuamente Vos ultrajam, e de todas as amarguras com que oprimem o Vosso Coração. Desejaria regar e purificar com minhas lágrimas, todos os lugares em que indignamente Vos ofendem; e reparar com os afetos do meu mais ardente amor, o abuso e desprezo que se faz de Vossas Graças, os escândalos, as profanações e os sacrilégios que se cometem entre Vossos filhos; gostaria de, principalmente, dispor de todos os corações, para Vo-los oferecer em sacrifício, e com essa homenagem consolar-Vos da culpada indiferença dos que não quiseram conhecer-Vos, ou não Vos amaram depois de Vos ter conhecido. Oferecer-me-ei, pois, eu mesmo, a Vós: imolai-me, Senhor, consumi-me como vítima Vossa; fazei que comece a amar unicamente a Vós, e não Vos tire mais do meu coração, depois de vo-Lo ter oferecido e consagrado. Fazei que, em todo o tempo, ache em Vosso Coração o meu abrigo, a minha paz na hora da morte, e a minha Bem-aventurança na eternidade. Assim seja”.

Oração ao Sagrado Coração de Jesus11

Ó Divino Coração de Jesus, eu Vos adoro com todas as potências da minha alma: vo-las consagro, para sempre, juntamente com meus pensamentos, palavras, obras e tudo quanto me pertence; ofereço-Vos todos os atos de adoração, amor e glória, que Vós destes a Vosso Eterno Pai. Ah! Sede Vós o Reparador dos meus defeitos, o Protetor da minha vida, meu Refúgio e Asilo na hora da morte. Concedei-me, pelos gemidos e amargura de que por mim esteve sempre cheio Vosso Coração durante a Vossa Vida, uma verdadeira e perfeita contrição dos meus pecados, perseverança final na Vossa graça, desprezo de todo o visível, ardente desejo da glória e uma viva confiança de me ver unido aos Vossos eleitos. Ó Amante Coração de Jesus, apresento-Vos estas humildes súplicas, não só por mim, mas também por todos aqueles que a mim se unem no intuito de Vos obsequiar: recebei-as e diferi-as pela Vossa imensa piedade. Recomendo-Vos e rogo-Vos, pela Santa Igreja nossa Mãe, por todas as almas justas, por todos os pecadores, pelos aflitos, pelos que estão agonizando nesta hora e por quantos existam sobre a terra. Fazei que não fique sem efeito o preço daquele Sangue Divino, que tão generosamente derramastes, para remédio do mundo: dignai-Vos igualmente aplicá-lo pelas benditas Almas do Purgatório, e, muito em particular, pelas dos Vossos devotos e por aquelas que são de minha maior obrigação. Amém.

Dir-se-á depois um Credo ao Sagrado Coração de Jesus.

Oração Reparadora
em Honra
do Sagrado Coração de Jesus12


Divino Salvador Jesus! Dignai-Vos baixar um olhar de misericórdia sobre Vossos filhos da Guarda de Honra, sobre os Vossos devotos que reunidos em um mesmo pensamento de Fé, de Reparação e de Amor, vem chorar a Vossos pés suas infidelidades, e as de seus irmãos, os pobres pecadores.

Possamos nós, pelas promessas unânimes e solenes que vamos fazer, tocar o Vosso Divino Coração, e dele alcançar misericórdia para nós, para o mundo infeliz e criminoso, e para todos aqueles que não tem a felicidade de Vos amar!

Daqui por diante, sim, todos nós vo-Lo propomos:

Do esquecimento e da ingratidão dos homens, nós Vos consolaremos, Senhor!
Do abandono em que sois deixado no Santo Tabernáculo, nós Vos consolaremos, Senhor!
Dos crimes dos pecadores, nós Vos consolaremos, Senhor!
Do ódio dos ímpios, nós Vos consolaremos, Senhor!
Das blasfêmias que se vomitam contra Vós, nós Vos consolaremos, Senhor!
Das injúrias feitas a Vossa Divindade, nós Vos consolaremos, Senhor!
Dos sacrilégios com que se profana o Vosso Sacramento de amor, nós Vos consolaremos, Senhor!
Das imodéstias e irreverências cometidas em Vossa Presença adorável, nós Vos consolaremos, Senhor!
Das traições, de que Vós sois a Vítima adorável, nós Vos consolaremos, Senhor!
Da tibieza do maior número de Vossos filhos, nós Vos consolaremos, Senhor!
Do desprezo que se faz de Vossos convites cheios de amor, nós Vos consolaremos, Senhor!
Das infidelidades daqueles que se dizem Vossos amigos, nós Vos consolaremos, Senhor!
Do abuso de Vossas graças, nós Vos consolaremos, Senhor!
De nossas próprias infidelidades, nós Vos consolaremos, Senhor!
Da incompreensível dureza de nossos corações, nós Vos consolaremos, Senhor!
De nossa longa demora em Vos amar, nós Vos consolaremos, Senhor!
De nossa frouxidão em Vosso santo serviço, nós Vos consolaremos, Senhor!
Da amargurada tristeza em que sois abismado pela perda das almas, nós Vos consolaremos, Senhor!
Do Vosso longo esperar às portas dos nossos corações, nós Vos consolaremos, Senhor!
Das amargosas repulsas de que sois saciado, nós Vos consolaremos, Senhor!
De Vossos suspiros de amor, nós Vos consolaremos, Senhor!
De Vossas lágrimas de amor, nós Vos consolaremos, Senhor!
De Vosso cativeiro de amor, nós Vos consolaremos, Senhor!
De Vosso martírio de amor, nós Vos consolaremos, Senhor!

Oração

Divino Salvador Jesus, que do Vosso Coração deixastes escapar esta queixa dolorosa: Eu procurei consoladores e não os achei. Dignai-Vos de aceitar o pequeno tributo de nossas consolações, e assistir-Nos tão poderosamente com o socorro de Vossa graça, que para o futuro, fugindo cada vez mais de tudo o que Vos poderia desagradar, nos mostremos em tudo, por toda parte e sempre, Vossos filhos os mais fiéis e dedicados. Nós vo-Lo pedimos por Vós mesmo, que sendo Deus com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais, nos séculos dos séculos. Amém.

Invocações ao Sagrado Coração de Jesus
pedindo a Saúde para os Enfermos13


  1. Coração de Jesus, oceano imenso de bondade e manancial inexaurível de misericórdia, dignai-Vos ouvir nossas súplicas!
  2. Coração de Jesus, cujas delícias consistem em estar com os filhos dos homens, Vos comprazendo em conceder-Lhes benefícios, dignai-Vos ouvir nossas súplicas!
  3. Coração de Jesus, nossa consolação nas penas, nosso remédio nos males e nosso conforto nas misérias, dignai-Vos ouvir nossas súplicas!
  4. Coração de Jesus, que, emocionado pelas súplicas veementes de um Régulo, Lhe curastes um filho já moribundo, sarai também o nosso (ou nossa) doente!
  5. Coração de Jesus, que por vossa admirável clemência salvastes a vida à filha de um chefe de Sinagoga, salvai também o nosso doente!
  6. Coração de Jesus, que, comovido pela Fé intensíssima do Centurião, houvestes por bem curar-Lhe um seu servo pela simples virtude de vossa palavra, sarai também o nosso doente!
  7. Coração de Jesus, que com uma ternura verdadeiramente paterna, curastes de uma febre ardente a sogra do vosso Apóstolo São Pedro, restabelecei também a saúde do nosso doente!
  8. Coração de Jesus, que, vendo levar para o túmulo o filho da viúva de Naim, Vos compadecestes vivamente e o ressuscitastes, compadecei-Vos também do nosso doente!
  9. Coração de Jesus, que pelas súplicas e clamores da Cananeia Lhe concedestes a cura e salvação de sua filha, sarai também o nosso doente!
  10. Coração de Jesus, que, chorando com Marta e Maria junto do túmulo de seu irmão Lázaro, o chamastes para a vida, salvai também o nosso doente!
  11. Coração de Jesus, que para fazer brilhar a vossa Glória e fazer admirar vossa onipotência, deste saúde a milhares de doentes, sarai também o nosso doente!
  12. Coração de Jesus, a quem foi dado na terra e no Céu todo o poder para a salvação temporal e espiritual dos fiéis, salvai também o nosso doente!
  13. Coração de Jesus, que viestes para assumir a defesa dos oprimidos e ternamente nos livrais das amarguras que nos afligem, livrai também o nosso doente!
  14. Coração de Jesus, o melhor, o mais suave, o mais condoído e indulgente de todos os corações, aliviai também o nosso doente!

Em memória de Vossa agonia na oração do Jardim das Oliveiras, ouvi-nos, ó Divino Coração!

Em memória das Chagas que recebestes por nós sobre a Cruz, ouvi-nos, ó Divino Coração!

Em nome de Vossa imensa bondade e de Vossa infinita Misericórdia, ouvi-nos, ó Divino Coração!

Oração

Ó Sagrado Coração de Jesus, não nos recuseis o ansioso e especial pedido que agora Vos dirigimos. Jamais Vos deixaremos, ó amabilíssimo Coração, enquanto não Vos dignardes dizer: “Eu Sou a Vossa salvação” e enquanto não Nos prometerdes: “Eu quero que ele (ou ela) melhore”. Sim, não queirais abandonar-nos à dor que tanto nos dilacera! Não queirais agora desatender-nos e repelir-nos, Vós que fostes sempre e Sois dulcíssimo de Coração.

E Vós, ó Coração de Maria, o mais terno e compassivo coração de Mãe, falai também a Jesus em nosso favor! Suplicai-Lhe que atenda propício a estas nossas preces! Sim, que nos conceda a cura do nosso doente, se for para o bem de sua alma e a maior glória de Deus.

Ó Coração terno de Maria, protegei-nos!

Ó Coração dulcíssimo de Jesus, atendei-nos!

Assim seja.

Aspirações ao Coração de Jesus14

Coração de Jesus, protegei-me.
Luz do Coração de Jesus, esclarecei-me.
Chamas do Coração de Jesus, abrasai-me.
Espinhos do Coração de Jesus, penetrai-me.
Cruz do Coração de Jesus, fortificai-me.
Sangue do Coração de Jesus, inebriai-me.
Água do Coração de Jesus, purificai-me.
Chaga do Coração de Jesus, sede meu asilo,
a fim de que eu fique em Vós,
nos séculos dos séculos.
Amém.

O Tercinho do Sagrado Coração15
(Reza-se no Terço comum de cinco dezenas)

Na Cruz:

Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, purificai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó Bom Jesus, ouvi-me.
Dentro de Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que eu me separe de Vós.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós.
Para que com os Vossos Santos Vos louve.
Por todos os séculos dos séculos. Amém.

Nas Contas Grandes:

V. Jesus, manso e humilde de Coração.
R. Fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.

Nas Contas Pequenas:

V. Doce Coração de Jesus.
R. Fazei que eu Vos ame cada vez mais.

No Fim de Cada Dezena:

V. Doce Coração de Maria.
R. Sede a minha salvação.

Ao Terminar:

Jesus, Maria, José, eu vos dou meu coração, meu espírito, minha vida.
Jesus, Maria, José, assisti-me em minha última agonia.
Jesus, Maria, José, fazei que eu morra em Vossa Santa Companhia.

Novena Eficaz
ao Sagrado Coração de Jesus16


Divino Coração de Jesus, que dissestes: pedi e recebereis, batei e abrir-se-Vos-á, procurai e achareis: eis-me prostrado a Vossos pés, cheio de confiança nas sagradas promessas ditadas pelo Vosso Sacratíssimo Coração e pronunciadas pelos Vossos Lábios Divinos.

Peço-Vos, pois... (aqui se pede a graça).

A quem hei de recorrer ó Doce Jesus, senão a Vós cujo Coração é manancial inesgotável de todas as graças e merecimentos.

Onde hei de encontrá-la, senão no tesouro que contém todas as riquezas de Vossa Clemência e Bondade?

Onde baterei, senão à porta do Vosso Sagrado Coração, pelo qual o próprio Deus vem a nós e nós vamos a Ele?

A Vós pois, recorro ó Coração de Jesus.

Em Vós, acho consolação quando aflito, proteção quando perseguido, força quando oprimido de tristeza, e luz quando envolto nas trevas da dúvida.

Creio firmemente que podeis conceder-me a graça que Vos peço, ainda que para isso fosse preciso um milagre.

Sim, ó meu Jesus, se Vós quiserdes, a minha súplica será atendida. Confesso que não sou digno dos Vossos favores, mas isto não é razão para desanimar. Vós Sois um Deus de misericórdia e não sabereis recusar nada a um coração contrito e humilde. Olhai-me com piedade, eu vo-Lo peço.

O Vosso compassivo Coração achará nas minhas misérias e fraquezas, motivo imperioso para atender a minha súplica. – Mas, Divino Coração de Jesus, qualquer que venha a ser Vossa decisão no tocante ao meu pedido, nunca Vos deixarei de amar, adorar, louvar e servir.

Dignai-Vos receber, ó meu Jesus, este meu ato de perfeita submissão aos Decretos do Vosso Adorável Coração, que sinceramente desejo ver glorificado, tanto por mim, como por todas as criaturas agora e sempre. Amém.


1Da Encíclica de Leão XIII sobre o Coração de Jesus, 11 de Junho de 1899; modificado por Pio XI, 17 de Outubro de 1928.
2Jóia da Alma Piedosa, p. 138; Editores-Typographos da Santa Sé Apostólica, Benziger &Co., em Einsiedeln, Suíça, 1892.
3100 dias de indulgência uma vez por dia, e plenária uma vez no mês, recitada todos os dias diante de uma imagem do Sagrado Coração, confessando-se, comungando e orando segundo as intenções do Sumo Pontífice. (Pio VII, 9 de Junho de 1807)
4200 dias de indulgências uma vez no dia, quando a família reunida recita esta oração – Card. Mercier, 17 de Jan. de 1913.
5Santa Margarida Maria Alacoque.
6S. Margarida M. Alacoque, Escrito por ordem de Madre de Saumaise, 24.
7S. Margarida M. Alacoque, Escrito por ordem de Madre de Saumaise, 29.
8“Manual do Devoto de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro”, por um Padre Redentorista, pp. 156-159; Traduzido da edição castelhana pelo Dr. P. José Rodrigues Cosgaya, 4ª Edição, Estabelecimentos Benziger & Co., S.A., Einsiedeln, Suíça, 1899.
9Para se dizer em todas as Cerimônias Públicas.
10Santa Margarida Maria Alacoque.
11“Manual do Devoto de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro”, ob. cit., pp. 159-161.
12“Manual das Missões e Devocionário Popular”, por um Padre da Missão, pp. 230-232; 1908.
13Reimprime-se, Aparecida, 22/01/1959. P.A.M., C.Ss.R., por especial Comissão do Emo. Sr. Card.-Arceb. de S. Paulo.
14“Manual das Missões e Devocionário Popular”, por um Padre da Missão, p. 235; 1908.
15Reimprimatur. Campanha, 2/8/1960. Mons. Mesquita.
16Com Aprovação Eclesiástica.

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