Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Dedo de Deus Está Aqui (Êxod. 8, 19; 31, 18; Salm. 8, 3; Luc. 11, 20)


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A Prodigiosa Menina Teresinha de Jesus1

Pareceu-me oportuno dar aqui ao leitor alguma sumária notícia das crescidas virtudes desta prodigiosa menina.2 Nasceu, a 6 de Outubro de 1622, na cidade de Sanlúcar de Barrameda (Cádis-Andaluzia-Espanha), situada onde o rio Quadalquivir deságua no Oceano (Atlântico). Foi filha de Francisco Henriques, piloto, e de sua mulher Maria Urbina. Consagrou as primícias da sua língua, pronunciando distintamente:3 Padre, Filho e Espírito Santo, três Pessoas realmente distintas, e um só Deus verdadeiro; tinha então 21 meses, e o rosto lhe resplandecia. Pouco depois de cumprir dois anos, querendo-lhe mudar o nome no de Maria, repugnou, dizendo que não merecia nome tão soberano. Nesta mesma idade tomou um livro espiritual e leu com devoção e destreza, posta de joelhos, sem a terem ensinado. Aos vinte e dois meses, pediu o Hábito das Descalças Mercenárias, e lho deu publicamente na igreja o Padre Fr. Francisco da Cruz, fazendo-lhe primeiro uma prática espiritual. Desde então, guardou a Regra, quanto em si era e lhe permitiam: dormia sobre tábuas nuas, com um ladrilho por cabeceira, cortava o cabelo, usava de sacos, fazia Oração Mental duas horas por dia, ou prostrada ou de joelhos. Às Sextas-feiras, disciplina inviolavelmente; jejum além das Sextas-feiras, também aos Sábados, e todas as Vésperas de Nossa Senhora, e dos Santos seus advogados. Apertava na cabeça uma coroa de espinhos; observava grande modéstia e composição nas ações; não consentia afagos nem abraços, ainda de seus irmãos e pais; a estes chamava irmãozinhos; só para Deus e Maria Santíssima Senhora nossa, guardava os nomes de pai e mãe.4 Tinha consigo, na sua pobre cama, uma imagem de talha do Menino Jesus. Entrando na igreja, prostrava-se, adorando o Santíssimo; e, tomando da Água Benta, dirigia-se diretamente para o Altar-mor, onde persistia imóvel junto do acólito, ouvindo duas a três Missas de joelhos, com tal atenção que, entrando na igreja uma dança de ciganos, com muitos rapazes que faziam alvoroço, não voltou a cabeça para olhar; ainda, então, apenas passava dos três anos e meio. A um menino, que tremia de frio, disse compassiva: De que lloras, mi alma? Tienes frio? Anda aca a la iglesia, y te aclentarás, que alla me caliento yo.5 A uma pejada (grávida), que temia o parto, disse que pariria a um menino na Sexta-Feira; e tudo se cumpriu assim. Outras muitas coisas profetizou. Na doença de que morreu, sendo-lhe a água proibida pelo médico, e Padre espiritual, ela nem olhava para onde facilmente poderia tomá-la, não obstante que se abrasava de sede. Encontrando na rua a um Sacerdote, que ia com passo acelerado, ajoelhou e pôs as mãos levantadas, dizendo a uma sua irmã e outras meninas, que com ela iam ouvir Missa, que fizessem o mesmo. E, perguntando elas: para que haviam de ajoelhar no meio da rua? Replicou: Não vedes que vai ali o Santíssimo Sacramento? Deram parte do sucedido; chamado o clérigo e perguntado se levava o Santíssimo oculto para algum moribundo? Respondeu que não.6 Porém, que acabando de dizer Missa, saíra com pressa, por urgência de um negócio. Daqui se ficou entendendo, que o Senhor mostrara a Teresa as espécies Eucarísticas que se conservavam ainda no peito daquele Sacerdote. E resultou deste caso, emendarem-se muitos que não davam graças depois de celebrar, e ordenou o duque de Medina Sidônia, D. Manuel Alonso Teles de Gusmão, que não saísse o Viático aos enfermos sem toda a pompa eclesiástica; e ele mesmo o acompanhava sempre, ainda que saísse 10 vezes no dia. Com ser tanta a pureza e discrição desta alma, e a devoção que tinha ao Santíssimo Sacramento, não lhe concederam licença para O receber, nem por Viático, atendendo ao reparo público que podia originar-se desta singularidade, porque ela não passava de 5 anos, 1 mês e 17 dias: breve esfera para tantos giros do sol de suas luminosas virtudes. Porém, assim como há pecadores de cem anos, que morrem meninos, isto é, carentes de virtudes, que são os anos do espírito, conforme aquilo de Isaías: Puer centum annorum morietur, et peccator centum annorum maledictus erit,7 assim, há meninos que morrem como santos de cem anos, cheios de dons e merecimentos.8 Esta arvorezinha anã carregou de frutos temporãos; colheu-os o Senhor dela, porque eram do seu gosto, como se dissesse pelo seu Profeta: Praecoquas ficus desideravit anima mea.9


Fonte: Ven. Pe. Manuel Bernardes, Orat., “Nova Floresta ou Silva de vários Apoftegmas e Ditos sentenciosos, Espirituais e Morais, com Reflexões em que o útil da Doutrina se alia com o vário da Erudição, assim Divina como Humana”, Tom. V, Letra “E”, Título II - “Esperança”, Cap. XXI, pp. 22-29; Nova Edição com Preâmbulo de J. Pereira de Sampaio (Bruno), Livraria Lello & Irmão – Editores, Porto – Aillaud & Lellos, Ltda, Lisboa, 1949.


1Não é a Doutora da Igreja, mas sim, um exemplo do poder de Deus.
2Fr. João da Apresentação, no livrinho que compôs da sua vida.
3Prov. VIII, 6.
4Mat. XXIII, 9.
5Salm. XXXVIII, 4.
6Cânt. XXIX: En ipse stat post parietem nostrum.
7Is. LXV, 20.
8Salm. CXIII, 13: Benedixit omnibus, qui timent Dominum; pusillis cum maioribus.
9Miq. VII, 1.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A CRUZ, A FOICE E O MARTELO.

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Dom Fernando Arêas Rifan*

Em sua visita à Bolívia, no começo deste mês, o Papa Francisco recebeu do presidente Evo Morales uma cruz em forma de foice e martelo, símbolo do comunismo, tendo nela Jesus Crucificado, símbolo do cristianismo. Era uma réplica da escultura criada pelo jesuíta espanhol Padre Luis Espinal, ligado à Teologia da Libertação, como forma de diálogo ou mesmo simbiose entre o comunismo e o catolicismo.

Ao ver o rosto constrangido do Papa, lembrei-me do constrangimento de Dom Antônio Santos Cabral, arcebispo de Belo Horizonte, ao ser convidado por Juscelino Kubicheck para benzer a Igreja da Pampulha, em forma de foice e martelo. O arcebispo recusou, dizendo que a obra modernista de Oscar Niemeyer ia de encontro ao aceitável pela Igreja.

Deixando de lado a análise da impertinência do insólito presente de Evo Morales, consideremos apenas o significado de tal crucifixo em forma de foice e martelo.

Na entrevista no avião, o Papa explicou que o Pe. Luis Espinal pertencia à linha da Teologia da Libertação que utilizava a análise marxista da realidade. Segundo o Papa, Espinal era um entusiasta dessa análise da realidade marxista e também da teologia usando o marxismo. O Papa lembrou que, nesse tempo, o Superior Geral da Companhia de Jesus mandou uma carta a toda a Companhia sobre a análise marxista da teologia, dizendo que isso não podia, não era justo, pois são coisas diferentes. E o Papa Bergoglio lembra os documentos da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o assunto (CDF Libertatis nuntius e Libertatis conscientia).

Alguns tentaram justificar a amálgama entre marxismo e cristianismo, alegando que se poderia “batizar Marx” assim como Santo Tomás de Aquino “batizou” Aristóteles. Mas esses se esquecem de que Aristóteles era pagão, tinha uma filosofia natural, mas não era anticristão, ao passo que Marx, sua filosofia, sociologia, materialismo dialético, negação da propriedade, etc. são visceralmente antinaturais e anticristãos. Impossível ser batizado! Coisas irreconciliáveis!

O documento citado pelo Papa Francisco relembra a advertência do Papa Paulo VI: “Seria ilusório e perigoso o esquecimento do íntimo vínculo que os une de forma radical, aceitar os elementos da análise marxista sem reconhecer suas relações com a ideologia, entrar na prática da luta de classes e de sua interpretação marxista deixando de perceber o tipo de sociedade totalitária que conduz esse processo” (Octogesima adveniens, 34).

Essa concepção totalizante (de Marx) impõe sua lógica e leva ‘as teologias da libertação’ a aceitar um conjunto de posições incompatíveis com a visão cristã do homem... A nova hermenêutica, inserida nas ‘teologias da libertação’ conduz a uma releitura essencialmente política da Escritura... A luta de classes como caminho para uma sociedade sem classes é um mito que impede as reformas e agrava a miséria e as injustiças. Aqueles que se deixam fascinar por este mito deveriam refletir sobre as experiências históricas amargas às quais ele conduziu...” (Libertatis nuntius).
  

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*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

terça-feira, 7 de julho de 2015

Carta de São Simão Stock, ao Receber o Santo Escapulário.



Meus queridos Irmãos:

Bendito seja Deus que não tem abandonado aqueles que põem nele toda sua confiança, e que não tem desprezado as orações de seus servos. Bendita seja também a Santíssima Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, lembrando-se dos dias passados, e das tribulações que, por todas as partes, vos tem cercado; lembrando-vos que os que querem piamente viver em Jesus Cristo, padecem perseguição, vos envia a palavra que vós recebereis com alegria do Espírito Santo; eu suplico a este Espírito que dirija minha língua, para que eu possa comunicar-vos esta palavra convenientemente. Quando derramava minha alma em presença do Senhor, ainda que sou pó e cinza, e, com toda confiança, suplicava a minha Senhora, a Virgem Maria, que, assim como queria que nós nos chamássemos seus, mostrasse Ela que era nossa Mãe, livrando-nos da perseguição e dando-nos alguma mostra sensível da consideração e estima particular que nos tem, para confundir aos que nos perseguem; quando eu lhe dizia com ternos suspiros: “Flor do Carmelo, Vinha florida, Esplendor do Céu, Virgem fecunda, e singular. Mãe bondosa e intacta, aos Carmelitas dai privilégios, Estrela do mar!”, me apareceu a Soberana Senhora, escoltada de inumeráveis Anjos, e tendo em suas mãos o hábito da Ordem (o santo Escapulário), me disse: “Meu muito amado filho; recebe este Escapulário da tua Ordem, sinal da minha confraternidade, privilégio para ti e todos os Carmelitas; quem com ele morrer, não padecerá o Fogo eterno. Eis o sinal da salvação, proteção nos perigos, contrato de paz e aliança eterna”. Como a gloriosa presença da Virgem Santíssima me alegrava além do concebível, e eu, miserável como sou, não podia suportar a vista de sua Majestade, me disse, ao desaparecer, que não me restava, senão enviar uma deputação ao Papa Inocêncio, Vigário de seu Filho, que não deixaria de dar remédio a nossos males. Conservando, pois, meus Irmãos, esta palavra em vossos corações, esforçai-vos em assegurar vossa salvação com boas obras e nunca pecar. Dai ações de graças, por tão grande benefício, orai, sem intermissão, para que o que me foi comunicado, se verifique, para glória da Santíssima Trindade, do Pai, de Jesus Cristo, do Espírito Santo e da Virgem Maria, para sempre bendita. Amém.1


1Rev. Pe. Everaldo Bon Robert, “Bebendo nas Fontes”, Cap. 15, p. 202; Literatura Privada da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte Carmelo – Sodalício de Campos dos Goytacazes – RJ, 2014.

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