Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA E O ESCAPULÁRIO



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Nas aparições de Nossa Senhora de Fátima, estão contidas as duas principais devoções marianas que resistiram à dura prova do tempo: A do Rosário e a do Escapulário. Dadas aos homens na Idade Média, trazem-nos ambos privilégios inestimáveis relacionados com a perseverança, a salvação da alma e a conversão do mundo. Sempre foram importantes e atuais, mas com as revelações de Fátima estas devoções tornaram-se ainda mais necessárias e urgentes.

No auge das aparições, no dia 13 de Outubro, enquanto transcorria o grande milagre do Sol visto por mais de 50 mil pessoas, a Mãe de Deus mostrou-se aos pastorzinhos sob a invocação de Nossa Senhora do Monte Carmelo, apresentando-lhes nas mãos o Escapulário. Certamente que, transcorrendo no momento mais alto entre todos os fenômenos passados na Cova da Iria, esta aparição não é um detalhe sem importância. Pode-se concluir até que os privilégios inestimáveis ligados ao Escapulário são parte integrante da Mensagem que nos deixou a Mãe de Deus em Fátima, juntamente com o Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria.

De facto, as referências ao Inferno, ao Purgatório, à necessidade de penitência e à intercessão de Nossa Senhora contidas na Mensagem estão em inteira consonância com as promessas anexas ao Escapulário.

Quem deitar atenção sobre o verdadeiro sentido das aparições concluirá naturalmente que o atendimento completo dos pedidos de Nossa Senhora de Fátima impõe que se conheça a importância do dom do Escapulário, e que este seja difundido o mais amplamente possível. Concluirá também, certamente, que o paulatino abandono em que caiu a devoção ao Escapulário deu-se paralelamente ao crescente desconhecimento do sentido profundo da Mensagem da Mãe de Deus.

Assim, na comemoração dos 750 anos da entrega do Escapulário a São Simão Stock, não poderia haver melhor ocasião para os devotos de Nossa Senhora de Fátima trabalharem com denodo a fim de restabelecer o uso deste sacramental que a incomensurável bondade da Mãe de Deus nos legou. Será um grande passo no cumprimento da missão que a Santíssima Virgem confiou a todos os portugueses: estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria.

A FAMÍLIA ESPIRITUAL DE SANTO ELIAS

No cenário exuberante e poético da Galileia, num pequeno promontório sobre o Mar Mediterrâneo destaca-se o Monte Carmelo, refúgio de muitos varões santos que, no Antigo Testamento se retiravam àquele lugar ermo para rezarem pela vinda do Divino Salvador. Mas nenhum deles, contudo, impregnou de tanta virtude aquelas rochas abençoadas quanto Santo Elias.

monte-carmelo-israel-1024x682Quando o Profeta do zelo ardente para aí se retirou, por volta do Século IX antes da Encarnação do Filho de Deus, havia três anos que uma implacável estiagem encerrava os céus da Palestina, castigando a infidelidade dos hebreus para com Deus. Enquanto rezava com fervor, pedindo que o castigo fosse aliviado pelos méritos dAquele Redentor que haveria de vir, Elias enviou o seu servo ao cume do monte, ordenando-lhe: “Vai, e olha para o lado do mar”… Mas o servo nada viu. E, descendo, disse: “Não há nada”. Confiante, o Profeta fê-lo retomar sete vezes a infrutuosa escalada. Por fim, o servo retornou, dizendo: “Vejo uma nuvenzinha do tamanho da pegada de um homem”. De facto, a nuvem era tão pequena e diáfana que parecia destinada a desaparecer ao primeiro sopro dos abrasados ventos do deserto. Mas não; a pouco e pouco cresceu, alargou-se no céu até cobrir todo o horizonte e precipitou-se sobre a terra em forma de abundante chuva. Foi a salvação do povo de Deus.

A pequena nuvem era uma figura da humilde Maria cujos méritos e virtudes excederiam os de todo o gênero humano, atraindo para os pecadores o perdão e a Redenção. O Profeta Elias havia vislumbrado em sua contemplação o papel mediador da Mãe do Messias esperado. Foi, por assim dizer, o seu primeiro devoto.

Uma bela tradição diz-nos que, a exemplo de Santo Elias, sempre houve no Monte Carmelo eremitas que ali viveram e pregaram, recuperando e transmitindo a outros o espírito eliático. E aquele lugar santificado por homens contemplativos reclamava outros contemplativos.

Por volta do Século IV, quando começaram a aparecer os primeiros monges solitários do Oriente, as encostas rochosas do Monte Carmelo acolheram uma ermida, no estilo das comunidades bizantinas, cujos traços ainda hoje se vê. Mais tarde, por volta do Século XII, um grupo de novas vocações, desta vez vindas do Ocidente no grande movimento das Cruzadas, acrescentou novo fervor ao antigo movimento. Logo se edificou uma pequena igreja onde a comunidade se entregava à vida de oração, sempre animada pelo espírito de Elias. A pequena “nuvenzinha” crescia cada vez mais.

O crescimento do número dos irmãos de Nossa Senhora do Monte Carmelo tornava necessária uma organização mais aprimorada. Em 1225, uma delegação da Ordem dirigiu-se a Roma para pedir à Santa Sé a aprovação de uma Regra, efetivamente concedida pelo Papa Onório III em 1226.

Com a invasão dos lugares santos pelos muçulmanos, o superior do Monte Carmelo deu permissão aos religiosos para se trasladarem ao ocidente e aí fundarem novas comunidades, o que muitos fizeram depois da queda do último baluarte de resistência cristã, o Forte São João d’ Acre. Os poucos que lá ficaram foram martirizados enquanto cantavam a Salve Rainha.

SÃO SIMÃO STOCK

Pietro_Novelli_Nossa_Senhora_CarmeloNo Continente Europeu os frades do Carmo começaram a vaguear como membros de uma Ordem quase desconhecida, mal-admirada e à beira do desaparecimento. A família religiosa de Elias parecia um tronco seco e velho, fadado a se desmanchar em pó.

Era o instante esperado por Nossa Senhora para fazer florescer, no alto da ressecada vara, uma flor: São Simão Stock. Esse inglês de reconhecida virtude havia sido eleito para o cargo de Geral da Ordem. Todavia, não exercia uma autoridade efetiva sobre os seus súditos, pois o Carmo não possuía ainda uma estrutura jurídica coesa e uniforme, capaz de conservar um espírito, promovê-lo e transmiti-lo à posteridade.

A virtude compensava, porém, a falta de autoridade. Rezando a Nossa Senhora com muito fervor, São Simão implorou-Lhe que não permitisse o desaparecimento da Ordem Carmelita. Nessa aflitiva situação, a Virgem Santíssima apareceu ao seu bom servo [em 1251] e entregou-lhe o Escapulário, para ser usado sobre as vestes.

Naquela época os servos usavam uma túnica como traje civil. Sobre ela vestiam uma túnica menor, que indicava, pela cor e por características peculiares, a identidade do seu senhor. O escapulário do Carmo era semelhante a essa pequena túnica. Nossa Senhora entregava, portanto, a S. Simão Stock uma libré própria aos seus servos, para ser usada por todos os carmelitas, e prometia:

“Recebe, filho diletíssimo, o Escapulário da tua Ordem, sinal de minha amizade fraterna, privilégio para ti e todos os carmelitas”.
Aqueles que morrerem revestidos deste Escapulário não padecerão o fogo do Inferno. É um sinal de salvação, amparo e proteção nos perigos e aliança de paz para sempre”.

Esta maravilhosa promessa da Santíssima Virgem não é de pequena monta para o cristão que realmente deseja salva a sua alma. Muitos Papas e teólogos têm explicado que, quem tenha devoção ao Escapulário e o use efetivamente, receberá de Maria Santíssima a graça da perseverança final ou a graça da contrição. É uma promessa semelhante à dos cinco primeiros sábados.

O PRIVILÉGIO SABATINO

Mas, uma segunda promessa de Nossa Senhora do Carmo veio dar um novo grau de importância à devoção do Escapulário. Numa aparição ao Papa João XXII, referindo-se aos que trouxerem o escapulário durante a sua vida, a Santíssima Virgem diz o seguinte:

escapulario1“Eu, Mãe de bondade, descerei no primeiro sábado após a sua morte e quantos achar no purgatório, livrarei e levarei ao monte santo da vida eterna”.


O próprio Pontífice confirmou esta indulgência plenária na célebre Bula Sabatina, de 3 de Março de 1322, confirmada posteriormente por vários Papas como Alexandre V, Clemente VII, Paulo III, S. Pio V e São Pio X. Em 1950 o Papa Pio XII escreveu sobre o escapulário, exprimindo o seu desejo de “que seja o símbolo de consagração ao Imaculado Coração de Maria, do qual estamos muito necessitados nestes tempos tão perigosos”. O Papa João Paulo II também o tem recomendado insistentemente.

De início, o Escapulário era de uso exclusivo dos religiosos carmelitas. Mais tarde, a Igreja, querendo estender os privilégios e benefícios espirituais desse piedoso hábito a todos os católicos, simplificou o seu tamanho e autorizou que a sua recepção ficasse ao alcance de todos.

A partir dessa misericordiosa intervenção da Mãe de Deus, a Ordem carmelitana refloresceu e conheceu outros períodos de glórias, acentuando por toda a Igreja Católica a devoção à Santíssima Virgem. Nesta Ordem, nasceram três sóis, para não citar senão eles, que hão de reluzir por todo o sempre no firmamento da Igreja: Santa Teresa, a Grande, São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus.

EXEMPLOS DE CONVERSÃO E MILAGRES

O Escapulário não é somente o sinal da certeza da indulgência no instante do último suspiro. É um sacramental que atrai as bênçãos divinas para quem o usa com piedade e devoção. Inúmeros milagres e conversões vincaram o seu uso entre os fiéis. Nas Crônicas do Carmelo temos inúmeros exemplos. Vejamos apenas alguns:

1. No mesmo dia que S. Simão Stock recebeu da Mãe de Deus o Escapulário e a promessa foi chamado a assistir um moribundo que estava desesperado. Quando chegou, pôs sobre o pobre homem o Escapulário que acabara de receber, pedindo a Nossa Senhora que mantivesse a promessa que lhe acabara de fazer. Imediatamente o impenitente arrependeu-se, confessou-se e morreu na graça de Deus.
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2. Santo Afonso de Ligório morreu em 1787 com o Escapulário do Carmo. Quando transcorria o processo de beatificação do santo bispo, ao abrir-se o seu túmulo, constatou-se que o corpo estava reduzido a cinzas assim como o seu hábito. Apenas o seu Escapulário estava completamente intacto. Esta preciosa relíquia conserva-se no Mosteiro de Santo Afonso, em Roma. O mesmo fenômeno de conservação do escapulário se verificou quando se abriu o túmulo de São João Bosco, quase um século depois.

3. No Hospital de Belleview, de Nova York, foi internado um ancião. A enfermeira que o atendeu, vendo sob as suas vestes um Escapulário castanho escuro, tratou logo de chamar um sacerdote. Enquanto este recitava a oração dos agonizantes, o doente abriu os olhos e disse: “Padre, eu não sou católico”. Então, porque usa este Escapulário? – Prometi a um amigo que o usaria sempre e de rezar todos os dias uma “Ave-Maria”. Mas, estás à beira da morte. Não quer tornar-se um católico? – “Sim, Padre, quero. Desejei-o toda a minha vida”. O sacerdote preparou-o rapidamente, batizou-o e ministrou-lhe os últimos sacramentos. Pouco tempo depois, o pobre senhor morria docemente. A Santíssima Virgem havia tomado sob a Sua proteção aquela pobre alma que se revestira do seu escudo.

CONCLUSÃO

No ápice das aparições em que Nossa Senhora proclama a verdade da sua realeza, sob a forma do triunfo do Imaculado Coração de Maria, Ela aparece revestida do traje da sua mais antiga devoção – a do Carmo. E, desse modo, realiza uma síntese entre o historicamente mais remoto (O Monte Carmelo), o mais recente (A devoção ao Imaculado Coração de Maria) e o futuro glorioso, que é a vitória e o reinado desse mesmo Coração.

É sinal inequívoco de que o católico zeloso do cumprimento dos pedidos da Mãe de Deus encontrará nesta devoção uma fonte abundante de graças para a sua conversão pessoal e para o seu apostolado, especialmente nestes dias de profunda descristianização da nossa sociedade. Este “Vestido de Graça” fortalecerá a sua certeza de que, ao fechar os olhos para esta vida e ao abri-los para a eternidade, encontrará o seu fim último, Cristo Jesus, na Glória Eterna.

QUESTÕES PRÁTICAS SOBRE O ESCAPULÁRIO

1 – Goza dos privilégios aquele que se torna membro da família carmelitana recebendo o escapulário, que deve ser necessariamente imposto pelo sacerdote, segundo o ritual previsto. Em caso de perigo de morte, sendo impossível buscar um sacerdote, até mesmo o leigo o pode impor, recitando uma oração a Nossa Senhora e utilizando um escapulário já bento.

2 – Qualquer sacerdote ou diácono pode efetuar a imposição do Escapulário. Para isso, deve utilizar uma das fórmulas para a bênção, prevista no Ritual romano.

3 – O escapulário dever ser usado de maneira moralmente contínua (mesmo durante a noite); permitindo-se em caso de necessidade, como para lavar-se, retirá-lo, sem perder o benefício da promessa.

4 – O escapulário é benzido apenas uma vez, na imposição, para toda a vida. A bênção do primeiro escapulário é transmitida aos demais.

5 – A medalha escapulária – O Papa S. Pio X concedeu a faculdade de substituir o escapulário de tecido por uma medalha, que deve ter numa das faces o Sagrado Coração de Jesus e, na outra, qualquer imagem de Nossa Senhora. Pode-se usá-la ininterruptamente (ao pescoço ou de outro modo) e gozar dos mesmos benefícios. Contudo, a medalha não pode ser imposta, mas deve apenas ser utilizada como substituição ao de tecido já recebido. É recomendável que não se deixe completamente de usar o de tecido (por exemplo, portá-lo durante noite). De qualquer forma, a cerimônia de imposição deve necessariamente ser feita com o escapulário de tecido. Quando se troca a medalha, não é necessária outra bênção.

CONDIÇÕES PARA BENEFICIAR DAS PROMESSAS

1- Para beneficiar da promessa principal, a preservação do Inferno, não existe qualquer outra condição que o próprio uso do escapulário, desde que se tenha recebido com reta intenção, e que o traga efetivamente na hora da morte. Supõe-se, para este efeito, que a pessoa continuou a portá-lo, se for privada dele sem o consentir, como no caso dos doentes nos hospitais.

2 – Para beneficiar do “privilégio sabatino”, faz-se necessário preencher três requisitos.

a) Portar habitualmente o Escapulário (ou a medalha).
b) Conservar a castidade, consoante ao próprio estado (total, para os célibes (solteiros); e conjugal para os casados). Note-se que esta é uma obrigação de todo e qualquer cristão, mas só gozará deste privilégio aqueles que viverem habitualmente em tal estado.
c) Recitar quotidianamente o pequeno Ofício de Nossa Senhora. Contudo, o sacerdote, ao fazer a imposição, tem o poder de comutar esta obrigação, um pouco complicada para o leigo comum. Costuma-se substituí-lo pela recitação diária do terço. As pessoas não devem recear pedir ao sacerdote esta comutação.

3 – Aqueles que recebem o escapulário e depois o deixam de portar não cometem qualquer pecado. Somente deixam de receber os benefícios. Aquele que voltar a portá-lo, mesmo que o tenha deixado por um longo tempo, não necessita de nova imposição.

Indulgências ligadas ao Escapulário

a)É concedida indulgência parcial àquele que, portando piedosamente o Escapulário, ou a medalha, faça um acto de união com a Santíssima Virgem ou com Deus através do Escapulário, por exemplo, beijando-o, formulando uma intenção ou um pedido.

b)É concedida uma indulgência plenária (remissão de todas as penas do purgatório) no dia em que se recebe pela primeira vez o escapulário, e também nas festas de Nossa Senhora do Monte Carmelo, 16 de Julho; de Santo Elias, 20 de Julho; de Santa Teresa do Menino Jesus, 1 de Outubro; de todos os Santos da Ordem do Carmelo, 14 de Novembro; de Santa Teresa de Jesus, 15 de Outubro; de São João da Cruz, 14 de Dezembro e de São Simão Stock, 16 de Maio.

É bom notar que as indulgências são recebidas se preenchidas as condições: Confissão, comunhão, desapego de todo o pecado, mesmo os veniais, e oração pelas intenções do Santo Padre (costuma-se rezar um “Pai-Nosso”, uma “Ave-Maria” e o “Glória”.

NOTA IMPORTANTE 

Não é preciso dizer que aqueles que se permitem deliberadamente viver uma vida de pecado, julgando que por usarem o escapulário irão salvar-se, fazem muito mal. Deus poderá permitir que morram sem ele.

Porém, não devemos combater o uso do escapulário pelos pecadores. São Cláudio La Colombiére, jesuíta, em um sermão sobre a Virgem do Carmo que pregou na Igreja dos Carmelitas de Lyon, diz: “Não vos quero lisonjear: de nenhum modo se pode passar de uma vida pecadora e desordenada para a vida eterna, se não pelo caminho da sincera penitência; porém, esse sincero arrependimento, de tal modo o saberá facilitar a mais carinhosa das mães que, quando menos pensardes, fará brilhar nas vossas almas um raio de luz sobrenatural que num instante vos fará ver o engano”.

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O Santo Padre recomenda o Escapulário no 750º aniversário: “Caríssimos, este feliz acontecimento envolve não apenas os devotos de Nossa Senhora do Carmo, mas toda a Igreja porque, ao longo dos tempos, graças também à difusão da devoção do Santo Escapulário, o rico património mariano do Carmelo tornou-se um tesouro para todo o povo de Deus. Deveis haurir constantemente deste admirável património espiritual, para ser, em cada dia, testemunhas credíveis de Cristo e do seu Evangelho.”

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O Escapulário é um sacramental

“Não, não basta dizer que o Escapulário é um sinal de salvação. Eu sustento que não há outro que faça nossa predestinação tão certa…” (São Cláudio La Colombière, S.J.)

1. É um sinal de aliança com Nossa Senhora. Por seu uso, exprimimos a nossa consagração a Ela.
2. É um sinal de salvação. Quem morrer com ele não padecerá o fogo do inferno.
3. A Santíssima Virgem livrará do purgatório, no primeiro sábado depois da morte, todos os que o portarem.
4. É um sinal de proteção em todos os perigos.

FÓRMULA BREVE PARA IMPOSIÇÃO DO ESCAPULÁRIO

Recebe este escapulário sinal de união especial com Maria, a Mãe de Jesus, a quem te empenharás em imitar. Este escapulário te recorde a tua dignidade de cristão, a tua dedicação ao serviço dos outros e a imitação de Maria. Usa como sinal da sua protecção e como sinal da tua pertença à família do Carmelo, disposto a cumprir a vontade de Deus e a empenhar-te no serviço pela construção de um mundo que responda ao seu plano de fraternidade, justiça e paz.

(Retirado da pag. WWW.ecclesia.pt/ordem-do-carmo/escapulário99.htm)

 http://www.assistencialaparecida.org.br/devocao/o-escapulario-de-nossa-senhora-do-carmo-em-fatima/

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Dedo de Deus Está Aqui (Êxod. 8, 19; 31, 18; Salm. 8, 3; Luc. 11, 20)


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A Prodigiosa Menina Teresinha de Jesus1

Pareceu-me oportuno dar aqui ao leitor alguma sumária notícia das crescidas virtudes desta prodigiosa menina.2 Nasceu, a 6 de Outubro de 1622, na cidade de Sanlúcar de Barrameda (Cádis-Andaluzia-Espanha), situada onde o rio Quadalquivir deságua no Oceano (Atlântico). Foi filha de Francisco Henriques, piloto, e de sua mulher Maria Urbina. Consagrou as primícias da sua língua, pronunciando distintamente:3 Padre, Filho e Espírito Santo, três Pessoas realmente distintas, e um só Deus verdadeiro; tinha então 21 meses, e o rosto lhe resplandecia. Pouco depois de cumprir dois anos, querendo-lhe mudar o nome no de Maria, repugnou, dizendo que não merecia nome tão soberano. Nesta mesma idade tomou um livro espiritual e leu com devoção e destreza, posta de joelhos, sem a terem ensinado. Aos vinte e dois meses, pediu o Hábito das Descalças Mercenárias, e lho deu publicamente na igreja o Padre Fr. Francisco da Cruz, fazendo-lhe primeiro uma prática espiritual. Desde então, guardou a Regra, quanto em si era e lhe permitiam: dormia sobre tábuas nuas, com um ladrilho por cabeceira, cortava o cabelo, usava de sacos, fazia Oração Mental duas horas por dia, ou prostrada ou de joelhos. Às Sextas-feiras, disciplina inviolavelmente; jejum além das Sextas-feiras, também aos Sábados, e todas as Vésperas de Nossa Senhora, e dos Santos seus advogados. Apertava na cabeça uma coroa de espinhos; observava grande modéstia e composição nas ações; não consentia afagos nem abraços, ainda de seus irmãos e pais; a estes chamava irmãozinhos; só para Deus e Maria Santíssima Senhora nossa, guardava os nomes de pai e mãe.4 Tinha consigo, na sua pobre cama, uma imagem de talha do Menino Jesus. Entrando na igreja, prostrava-se, adorando o Santíssimo; e, tomando da Água Benta, dirigia-se diretamente para o Altar-mor, onde persistia imóvel junto do acólito, ouvindo duas a três Missas de joelhos, com tal atenção que, entrando na igreja uma dança de ciganos, com muitos rapazes que faziam alvoroço, não voltou a cabeça para olhar; ainda, então, apenas passava dos três anos e meio. A um menino, que tremia de frio, disse compassiva: De que lloras, mi alma? Tienes frio? Anda aca a la iglesia, y te aclentarás, que alla me caliento yo.5 A uma pejada (grávida), que temia o parto, disse que pariria a um menino na Sexta-Feira; e tudo se cumpriu assim. Outras muitas coisas profetizou. Na doença de que morreu, sendo-lhe a água proibida pelo médico, e Padre espiritual, ela nem olhava para onde facilmente poderia tomá-la, não obstante que se abrasava de sede. Encontrando na rua a um Sacerdote, que ia com passo acelerado, ajoelhou e pôs as mãos levantadas, dizendo a uma sua irmã e outras meninas, que com ela iam ouvir Missa, que fizessem o mesmo. E, perguntando elas: para que haviam de ajoelhar no meio da rua? Replicou: Não vedes que vai ali o Santíssimo Sacramento? Deram parte do sucedido; chamado o clérigo e perguntado se levava o Santíssimo oculto para algum moribundo? Respondeu que não.6 Porém, que acabando de dizer Missa, saíra com pressa, por urgência de um negócio. Daqui se ficou entendendo, que o Senhor mostrara a Teresa as espécies Eucarísticas que se conservavam ainda no peito daquele Sacerdote. E resultou deste caso, emendarem-se muitos que não davam graças depois de celebrar, e ordenou o duque de Medina Sidônia, D. Manuel Alonso Teles de Gusmão, que não saísse o Viático aos enfermos sem toda a pompa eclesiástica; e ele mesmo o acompanhava sempre, ainda que saísse 10 vezes no dia. Com ser tanta a pureza e discrição desta alma, e a devoção que tinha ao Santíssimo Sacramento, não lhe concederam licença para O receber, nem por Viático, atendendo ao reparo público que podia originar-se desta singularidade, porque ela não passava de 5 anos, 1 mês e 17 dias: breve esfera para tantos giros do sol de suas luminosas virtudes. Porém, assim como há pecadores de cem anos, que morrem meninos, isto é, carentes de virtudes, que são os anos do espírito, conforme aquilo de Isaías: Puer centum annorum morietur, et peccator centum annorum maledictus erit,7 assim, há meninos que morrem como santos de cem anos, cheios de dons e merecimentos.8 Esta arvorezinha anã carregou de frutos temporãos; colheu-os o Senhor dela, porque eram do seu gosto, como se dissesse pelo seu Profeta: Praecoquas ficus desideravit anima mea.9


Fonte: Ven. Pe. Manuel Bernardes, Orat., “Nova Floresta ou Silva de vários Apoftegmas e Ditos sentenciosos, Espirituais e Morais, com Reflexões em que o útil da Doutrina se alia com o vário da Erudição, assim Divina como Humana”, Tom. V, Letra “E”, Título II - “Esperança”, Cap. XXI, pp. 22-29; Nova Edição com Preâmbulo de J. Pereira de Sampaio (Bruno), Livraria Lello & Irmão – Editores, Porto – Aillaud & Lellos, Ltda, Lisboa, 1949.


1Não é a Doutora da Igreja, mas sim, um exemplo do poder de Deus.
2Fr. João da Apresentação, no livrinho que compôs da sua vida.
3Prov. VIII, 6.
4Mat. XXIII, 9.
5Salm. XXXVIII, 4.
6Cânt. XXIX: En ipse stat post parietem nostrum.
7Is. LXV, 20.
8Salm. CXIII, 13: Benedixit omnibus, qui timent Dominum; pusillis cum maioribus.
9Miq. VII, 1.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A CRUZ, A FOICE E O MARTELO.

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Dom Fernando Arêas Rifan*

Em sua visita à Bolívia, no começo deste mês, o Papa Francisco recebeu do presidente Evo Morales uma cruz em forma de foice e martelo, símbolo do comunismo, tendo nela Jesus Crucificado, símbolo do cristianismo. Era uma réplica da escultura criada pelo jesuíta espanhol Padre Luis Espinal, ligado à Teologia da Libertação, como forma de diálogo ou mesmo simbiose entre o comunismo e o catolicismo.

Ao ver o rosto constrangido do Papa, lembrei-me do constrangimento de Dom Antônio Santos Cabral, arcebispo de Belo Horizonte, ao ser convidado por Juscelino Kubicheck para benzer a Igreja da Pampulha, em forma de foice e martelo. O arcebispo recusou, dizendo que a obra modernista de Oscar Niemeyer ia de encontro ao aceitável pela Igreja.

Deixando de lado a análise da impertinência do insólito presente de Evo Morales, consideremos apenas o significado de tal crucifixo em forma de foice e martelo.

Na entrevista no avião, o Papa explicou que o Pe. Luis Espinal pertencia à linha da Teologia da Libertação que utilizava a análise marxista da realidade. Segundo o Papa, Espinal era um entusiasta dessa análise da realidade marxista e também da teologia usando o marxismo. O Papa lembrou que, nesse tempo, o Superior Geral da Companhia de Jesus mandou uma carta a toda a Companhia sobre a análise marxista da teologia, dizendo que isso não podia, não era justo, pois são coisas diferentes. E o Papa Bergoglio lembra os documentos da Congregação para a Doutrina da Fé sobre o assunto (CDF Libertatis nuntius e Libertatis conscientia).

Alguns tentaram justificar a amálgama entre marxismo e cristianismo, alegando que se poderia “batizar Marx” assim como Santo Tomás de Aquino “batizou” Aristóteles. Mas esses se esquecem de que Aristóteles era pagão, tinha uma filosofia natural, mas não era anticristão, ao passo que Marx, sua filosofia, sociologia, materialismo dialético, negação da propriedade, etc. são visceralmente antinaturais e anticristãos. Impossível ser batizado! Coisas irreconciliáveis!

O documento citado pelo Papa Francisco relembra a advertência do Papa Paulo VI: “Seria ilusório e perigoso o esquecimento do íntimo vínculo que os une de forma radical, aceitar os elementos da análise marxista sem reconhecer suas relações com a ideologia, entrar na prática da luta de classes e de sua interpretação marxista deixando de perceber o tipo de sociedade totalitária que conduz esse processo” (Octogesima adveniens, 34).

Essa concepção totalizante (de Marx) impõe sua lógica e leva ‘as teologias da libertação’ a aceitar um conjunto de posições incompatíveis com a visão cristã do homem... A nova hermenêutica, inserida nas ‘teologias da libertação’ conduz a uma releitura essencialmente política da Escritura... A luta de classes como caminho para uma sociedade sem classes é um mito que impede as reformas e agrava a miséria e as injustiças. Aqueles que se deixam fascinar por este mito deveriam refletir sobre as experiências históricas amargas às quais ele conduziu...” (Libertatis nuntius).
  

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*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

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