Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Triságio à Santíssima Trindade


Origem do Triságio

O Santíssimo Triságio não é invenção do engenho humano, senão obra do mesmo Deus, que Ele inspirou ao Profeta Isaías (Is. 6, 1-5), quando este ouviu que o cantavam os Serafins, para exaltarem a glória do Criador.

Na escola dos mesmos Serafins e na dos outros Coros angélicos foi onde o aprendeu milagrosamente aquele menino, que, como São Paulo, foi arrebatado ao Céu, segundo referem as Histórias Eclesiásticas. No ano 447, e sendo Teodósio Júnior Imperador do Oriente, sentiu-se um terremoto quase universal, violentíssimo, e que pela sua duração e espantosos estragos se fez o mais célebre de todos quantos até então se tinham visto. Foram incalculáveis os prejuízos que seis meses de abalos quase contínuos causaram nos mais suntuosos edifícios de Constantinopla e em toda a famosa muralha do Chersoneso.

Abriu-se a terra em muitos pontos, e, ficaram sepultadas em suas entranhas cidades inteiras; secaram-se as fontes e apareciam outras novas; e era tal a violência dos abalos que arrancava árvores corpulentíssimas, apareciam montanhas onde primeiro havia planícies, e profundos abismos onde havia antes montanhas. O mar lançava às praias peixes de grandeza enorme; e as praias e navios ficavam sem águas, que iam inundar grandes ilhas.

Em semelhante conflito, achou-se prudente abandonar os povoados, e assim o fizeram os habitantes de Constantinopla com o Imperador Teodósio, sua irmã Pulcheria, São Proclo, então, Patriarca daquela igreja e todo o Clero. Reunidos num lugar chamado o Campo, dirigem ao Céu grandes clamores e fervorosas súplicas, pedindo socorro em necessidade tão apertada. Um dia, entre oito e nove horas da manhã, foi tão extraordinário o abalo que fez a terra, que pouco faltou para que não causasse os mesmos estragos que o Dilúvio universal. A este espanto, sucedeu admiração do prodígio seguinte: Um menino de poucos anos foi arrebatado pelos ares à vista de todos os do Campo, que o viram subir até perdê-lo de vista. Depois de algum tempo desceu à terra, do mesmo modo que subira ao Céu, e logo em presença do Patriarca, do Imperador e da multidão pasmada, contou que sendo admitido nos Coros Celestes, ouviu os Anjos cantarem estas palavras: Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tende misericórdia de nós; e que ao mesmo tempo lhe mandaram que comunicasse a todos esta visão. Ditas estas palavras, aquele inocente menino morreu.

São Proclo e o Imperador, ouvida esta relação, mandaram unanimemente que todos entoassem em público este sagrado cântico, e imediatamente cessou o terremoto, e ficou quieta a terra. Daqui nasceu o uso do Triságio, que o Concílio Geral Calcedonense prescreveu a todos os fiéis, como um formulário para invocar a Santíssima Trindade nos tempos funestos e nas calamidades; daqui veio merecer a aprovação de tantos Prelados da Igreja, que apoiaram o uso dele, enriquecendo-o com o Tesouro das Indulgências, e daqui, finalmente, veio que se pusesse em método, que se imprimisse e reimprimisse tantas vezes, e sempre com universal aplauso e aceitação dos fiéis, que o consideram como um escudo impenetrável contra todos os males que Deus manda à terra em castigo de nossos pecados.

O Papa Clemente XIV concedeu 100 dias de indulgência para cada dia que se reze; 100 mais três vezes no dia, nos Domingos, na Festa da Santíssima Trindade e durante Oitava, e indulgência Plenária a quem o rezar todos os dias durante um mês seguido, confessando e comungando no dia do mês que se escolher.


Oferecimento
para ganhar as indulgências,
os que rezarem o Triságio.

Te rogamos Senhor, pelo estado da Santa Igreja e Prelados dela; pela exaltação da Fé Católica, extirpação das Heresias, paz e concórdia entre os Príncipes Cristãos, conversão de todos os infiéis, hereges e pecadores; pelos agonizantes e caminhantes; pelas benditas Almas do Purgatório e mais piedosos fins de nossa Santa Madre Igreja. Amém.

V. Bendita seja a Santa e Individua Trindade, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos.
R. Amém.
,V. Abri, Senhor, os meus lábios.
R. E a minha boca anunciará vossos louvores.
V. Meus Deus, em meu favor benigno atende.
R. Senhor, apressai-vos em socorrer-me.
V. Glória seja ao eterno Pai. Glória seja ao eterno Filho. Glória ao Espírito Santo. Pelos séculos dos séculos. Amém. Aleluia.

No tempo da Quaresma se diz: Louvor seja a Ti, Senhor, Rei da eterna glória.

Ato de Contrição

Amorosíssimo Deus, Trino e Uno, Pai, Filho e Espírito Santo, em quem creio, em quem espero, a quem amo com todo o meu coração, corpo, alma, sentidos e potências; por serdes Vós meu Pai, meu Senhor e meu Deus, infinitamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas; pesa-me, Trindade Santíssima, pesa-me, Trindade misericordiosíssima, pesa-me, Trindade amabilíssima, de vos ter ofendido só por serdes Vós quem sois; proponho, e vos dou palavra, de nunca mais vos ofender e de morrer antes do que pecar; espero de vossa suma bondade e misericórdia infinita, que me perdoareis todos os meus pecados, e me dareis graça para perseverar num verdadeiro amor e cordialíssima devoção a vossa sempre amabilíssima Trindade. Amém.

Hino

Já se afasta o sol radioso,
Ó Luz perene, ó Trindade,
Infunde em nós ardoroso
O fogo da caridade.

Na alvorada te louvamos
E na hora vespertina;
Concede-nos que o façamos
Também na glória divina.

Ao Pai, e ao Filho e a Ti,
Espirito consolador,
Sem cessar como até aqui
Se dê eterno louvor. Amém.

Oração ao Pai

Ó Pai eterno, fora o prazer de vos possuir, eu não vejo mais do que tristeza e tormento, embora digam outra coisa os amadores da vaidade. Que me importa que diga o sensual, que sua felicidade está em gozar de seus prazeres? Que me importa que diga também o ambicioso, que seu maior contentamento é gozar de sua glória vã? Eu, pela minha parte nunca cessarei de repetir com vossos Profetas e Apóstolos, que a minha suma felicidade, meu tesouro, e minha glória é unir-me a meu Deus e manter-me inviolavelmente unido a Ele.

Um Pai Nosso, uma Ave Maria e nove vezes:

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos, cheios estão os Céus e a terra de vossa glória.

E o coro responde:

Glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao Espírito Santo.

Oração ao Filho

Ó Verdade eterna, fora da qual eu não vejo outra coisa senão enganos e mentiras. Oh! E como tudo me aborrece, à vista de vossos suaves atrativos! Oh! Como me parecem mentirosos e asquerosos os discursos dos homens, em comparação das palavras de vida, com as quais Vós falais ao coração daqueles que vos escutam. Ah! Quando será a hora em que Vós me tratareis sem enigma e me falareis claramente no seio de vossa glória? Oh! Que trato! Que beleza! Que luz!

Um Pai Nosso, uma Ave Maria e nove vezes:

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos, cheios estão os Céus e a terra de vossa glória.

E o coro responde:

Glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao Espírito Santo.

Oração ao Espírito Santo

Ó Amor, ó Dom do Altíssimo, Centro das doçuras e da felicidade do mesmo Deus; que atrativo para uma alma ver-se no abismo de vossa bondade, e toda cheia de vossas inefáveis consolações! Ah, prazeres enganadores! Como haveis de poder comparar-vos com a menor das doçuras, que um Deus, quando quer, sabe derramar sobre uma alma fiel? Oh, se uma só partícula delas é tão gostosa, quanto mais será quando Vós as derramardes como uma torrente sem medida e sem reserva? Quando será isto, meu Deus, quando será?

Um Pai Nosso, uma Ave Maria, e nove vezes:

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos, cheios estão os Céus e a terra de vossa glória.

E o coro responde:

Glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao Espírito Santo.

Antífona

A Ti, Deus Pai ingênito, a Ti, Filho unigênito, a Ti, Espírito Santo paráclito, santa e indivídua Trindade, de todo coração te confessamos, louvamos e bendizemos. A Ti seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

V. Bendigamos ao Pai, ao Filho e ao Espirito Santo.
R. Louvemo-lo e exaltemo-lo em todos os séculos.

Oração

Senhor Deus uno e trino, dai-me continuamente vossa graça, vossa caridade e a vossa comunicação, para que no tempo e na eternidade vos amemos e glorifiquemos, Deus Pai, Deus Filho, Deus Espirito Santo, numa Deidade por todos os séculos dos séculos. Amém.


Deprecação Devota à Santíssima Trindade

V. Pai eterno, onipotente Deus.
R. Toda criatura vos ame e glorifique.
V. Verbo divino, imenso Deus:
R. Toda criatura vos ame e glorifique.
V. Espirito Santo, infinito Deus.
R. Toda criatura vos ame e glorifique.
V. Santíssima Trindade e um só Deus verdadeiro.
R. Toda criatura vos ame e glorifique.

Rei dos Céus, imortal e invisível: Toda criatura vos ame e glorifique.
Criador, Conservador, Governador de todo o criado: Toda criatura vos ame e glorifique.
Vida nossa, em quem, de quem e por quem vivemos: Toda criatura vos ame e glorifique.
Céu divino de excelsitude majestosa: Toda criatura vos ame e glorifique.
Céu supremo do céu, oculto aos homens: Toda criatura vos ame e glorifique.
Sol divino e incriado: Toda criatura vos ame e glorifique.
Círculo perfeitíssimo de capacidade infinita: Toda criatura vos ame e glorifique.
Alimento divino dos Anjos: Toda criatura vos ame e glorifique.
Belo Iris, Arco de clemência: Toda criatura vos ame e glorifique.
Astro primeiro e trino, que ilumina o mundo: Toda criatura vos ame e glorifique.

De todo mal de alma e de corpo: Livrai-nos, Trino Senhor.
De todo pecado e ocasião de culpa: Livrai-nos, Trino Senhor.
De vossa ira e indignação: Livrai-nos, Trino Senhor.
De morte repentina e imprevista: Livrai-nos, Trino Senhor.
Das insídias e assaltos do Demônio: Livrai-nos, Trino Senhor.
Do espírito de desonestidade e das suas sugestões: Livrai-nos, Trino Senhor.
Da concupiscência da carne: Livrai-nos, Trino Senhor.
De toda ira, ódio e má vontade: Livrai-nos, Trino Senhor.
Das pragas de peste, fome, guerra e terremoto: Livrai-nos, Trino Senhor.
Dos inimigos da Fé Católica: Livrai-nos, Trino Senhor.
De nossos inimigos e de suas maquinações: Livrai-nos, Trino Senhor.
Da morte eterna: Livrai-nos, Trino Senhor.
Por vossa Unidade em Trindade e Trindade em Unidade: Livrai-nos, Trino Senhor.
Pela igualdade essencial de vossas Pessoas: Livrai-nos, Trino Senhor.
Pela sublimidade do Mistério de vossa Trindade: Livrai-nos, Trino Senhor.
Pelo inefável Nome de vossa Trindade: Livrai-nos, Trino Senhor.
Pelo portentoso de vosso Nome, Uno e Trino: Livrai-nos, Trino Senhor.
Pelo muito que vos agradam as almas, que são devotas de vossa Santíssima Trindade: Livrai-nos, Trino Senhor.
Pelo grande amor com que livrais de males aos povos, onde há algum devoto de vossa Trindade amável: Livrai-nos, Trino Senhor.
Pela virtude divina, que nos devotos de vossa Trindade Santíssima, reconhecem os Demônios contra si mesmos: Livrai-nos, Trino Senhor.

Nós pecadores: Rogamo-vos, ouvi-nos.
Que saibamos resistir ao Demônio com as armas da devoção à vossa Trindade: Rogamo-vos, ouvi-nos.
Que embelezeis cada dia mais, com as cores da vossa graça, vossa Imagem que está em nossas almas: Rogamo-vos, ouvi-nos.
Que todos os fiéis se esmerem em ser muito devotos de vossa Santíssima Trindade: Rogamo-vos, ouvi-nos.
Que todos alcancemos as muitas felicidades que estão vinculadas para os devotos dessa vossa Trindade inefável: Rogamo-vos, ouvi-nos.
Que ao confessarmos o Mistério de vossa Trindade, se desfaçam os erros dos infiéis: Rogamo-vos, ouvi-nos.
Que todas as Almas do Purgatório, gozem muito refrigério, em virtude do Mistério de vossa Trindade: Rogamo-vos, ouvi-nos.
Que vos digneis, ouvir-nos pela vossa piedade: Rogamo-vos, ouvi-nos.

Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, livrai-nos, Senhor, de todo mal.


Obséquios ou Oferecimentos à Santíssima Trindade

1. Ó Beatíssima Trindade, eu vos prometo que com todo esforço e empenho, hei de procurar salvar minha alma, visto como Vós a criastes a vossa Imagem e Semelhança e para o Céu. E também por amor vosso procurarei salvar as almas de meu próximo.

2. Para salvar a minha alma e dar-vos glória e louvor, sei que hei de guardar a Divina Lei; eu empenho minha palavra de a guardar como a menina de meus olhos, e procurar, outrossim, que os outros a guardem.

3. Aqui na terra hei de exercitar-me em louvar-vos e espero fazê-lo depois com maior perfeição no Céu; e por isso, com frequência rezarei o Triságio e o verso: Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo. E procurarei além disso, que os outros vos louvem. Amém.


Santo Antão

Ao Abade Antão no deserto foi revelado: “Na cidade há alguém semelhante a ti, médico de profissão, o qual distribui aos indigentes o que tem de supérfluo, e o dia inteiro canta o Triságio com os Anjos”.


Fontes:

Santo Antônio Maria Claret, “Caminho Reto e Seguro para Chegar ao Céu”, tradução do Espanhol, pp. 163-173; 5ª Edição, Administração da Revista “Ave Maria”, São Paulo, 1909.

Apoftegmas – A Sabedoria dos Antigos Monges”, tradução do grego e notas de D. Estêvão Tavares Bettencourt, O.S.B., Cap. Letra Alfa – A, parág. 24, p. 17; Edições “Lumem Christi”, Rio de Janeiro, 1979.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Vitória da Presença Real de Jesus Cristo na Eucaristia sobre os Demônios

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No século XVI, no auge das guerras de religião, houve um caso de possessão diabólica e de exorcismo que teve enorme repercussão em toda a França e mesmo em toda a Cristandade. Todos, católicos e protestantes, consideraram este caso como uma possessão absolutamente certa; o resultado, porém, veio a ser grande confusão e desmoralização para os protestantes e um triunfo para os católicos.



1º – Uma Aparição.



Uma senhora de Vervins, recém-casada e cercada de afeição pelo marido, rezando no túmulo da família, viu aparecer um fantasma, envolvido numa mortalha branca. Volta para casa, toda trêmula, e lá se lhe depara a mesma aparição. Deita-se e sente o fantasma pesar-lhe sobre o peito, asfixiando-a, a ponto de não poder gritar. Ela foi confessar-se; voltando, porém, a casa, encontra a mesma visão, não mais envolvida na mortaha, mas com o rosto descoberto. Não te confessaste bem”, disse a aparição; e acrescentou: “não tenhas medo, eu sou teu avô”. Nicole, era este o nome da pessoa, reconheceu perfeitamente seu avô, morto havia dois anos. Desmaiou e pensou que ia morrer. O fantasma afinal lhe diz os motivos de suas visitas: está no Purgatório e pede romarias, Missas, orações e esmolas.



Nicole, então, decide-se a falar e logo se celebram as Missas, dão-se as esmolas e fazem-se as romarias pedidas. Mas, enquanto se celebra a Missa, Nicole sente-se atormentada de um modo extraordinário, e quando os seus voltam da igreja, encontram-na escondida debaixo da cama de seu pai, enrijecida, sem sentidos, e com as mãos como que soldadas uma à outra. Chamado o Padre, lhe diz: “Espírito imundo, quem quer que sejas, eu te ordeno, em Nome de Deus, solta as mãos”. Soltou. Mas, desde então, a pobre mulher aparece, ora rija e dura como uma pedra, ora agitada por uma espécie de fúria, batendo com a cabeça contra as paredes, e como que querendo lançar-se ao fogo.



2º – Primeiro Exorcismo.



Naturalmente, já se conjecturava que se tratasse de alguma intervenção diabólica, quando chegou a Vervins, para pregar o Advento, um santo religioso da Abadia de Vally, Padre de la Motte. Este foi encarregado de fazer o exorcismo.



Na igreja, na presença do povo, diante da cruz e Santíssimo Sacramento, o religioso procede às conjurações rituais. O Demônio ruge e esbraveja. O Padre lança mão da Santa Hóstia. Nicole começa a inchar de um modo horrível; o rosto torna-se espantoso; ela dá gritos que se ouvem ao longe. Satanás, intimado a dizer quem é, declara com espanto da assistência que é Belzebu em pessoa. Saiu no mesmo instante do corpo da possessa, mas, apenas acabada a cerimônia, tornou a entrar. O Padre pede socorro, isto é, implora em toda parte orações para conseguir libertar a pobre mulher. “Ah, tu te fortificas contra mim, disse o Demônio, eu também me fortifico, chamarei todos os diabos para me ajudarem”. “E eu, disse o religioso, chamarei todos os Anjos para derrotar-te. Vai dizer a Lúcifer que, com Deus, não tenho medo de ti, nem de todos os Demônios”.



3º – Segundo Exorcismo.



A luta ia tomando proporções gigantescas. O Bispo de Laon, Mons. Bours, decide intervir pessoalmente. Chegou a Vervins com dois Padres, grandes teólogos. No dia seguinte, celebrou a Santa Missa na presença de uma grande multidão de pessoas. Nicole estava deitada em uma cama atrás do altar, donde podia assistir ao Santo Sacrifício. Depois da Missa, é trazida à presença do Bispo, este procedeu ao exorcismo.



Qual é o teu nome?

Belzebu.

Qual o número de teus companheiros?

Somos doze.

Eu te ordeno, pelo poder de Deus, que saias desta criatura com teu exército.

Sim, sairei, mas por enquanto não.



O Bispo, sem prestar atenção a estas palavras que compreenderá somente mais tarde, adjura Satanás, queima o seu nome, apresenta-lhe a cruz e a Hóstia Santa. O maldito foge, mas é para voltar pouco depois, como fizera com o religioso, Padre de la Motte. A saída e a volta de Satanás se deram várias vezes, de sorte que o Bispo voltou para sua cidade episcopal, deixando o povo sob a impressão penosa de insucesso.



4º – Os Protestantes Confundidos.



Numerosos, naquele tempo e naquela região, os protestantes quiseram aproveitar o ensejo para intervir. No entanto, não estavam nada satisfeitos com Belzebu e isto por dois motivos: primeiro, porque os católicos tiravam um argumento a favor da Presença Real de Jesus Cristo na Hóstia Sagrada, já que por duas vezes o Demônio tinha fugido diante dela; em segundo lugar, porque havia dois meses o Diabo não cessava de chamar os protestantes de “meus amigos, meus filhos, meus criados que fazem minha vontade”.



Que vitória para eles e que demonstração de não serem eles amigos do Diabo, se conseguissem expulsar Satanás de onde os Padres e o próprio Bispo não conseguiram alijá-lo. Vão, pois, atacar o Diabo, não com exorcismos, mas com textos da Bíblia, textos até em versos. O pastor Tournevèle se aproxima e começa a ler Salmos.



– “Pensas tu, lhe diz Belzebu, que um diabo pode expulsar outro Diabo?

– “Tu és pior que eu, eu creio e tu não crês, (naturalmente faz alusão à Presença Real) e por isto, por não creres, eu te aprecio muito, a ti e a todos os meus bons amigos protestantes”. E Belzebu insinua ainda que Tournèvele é mais doente que Nicole, já que ele tem o espírito maligno na inteligência, enquanto ela só o tem no corpo; depois virando-se para o pastor Ribemont, zomba deles e lhes põe nomes.



Tournevèle replica:



– “Peço ao Senhor que assista a esta pobre criatura”.



E o Diabo acrescentou:



– “Peço a Lúcifer que não te largues, mas te traga sempre bem preso. Ide, ide, não farei nada em vosso favor, não me despejareis, porque sou vosso senhor, e vós sois todos meus escravos”. Para cúmulo de humilhação, os protestantes, tem de ver o Padre de la Motte acalmar com a Sagrada Comunhão a possessa, que também se pôs a zombar dos Salmos em versos. A Comunhão, sim, acalmava; mas era sempre uma calma provisória. Belzebu, apenas saído, voltava.



– Nossa Senhora.



Lembraram-se de recorrer a Nossa Senhora de Liesse. Poucos dias mais tarde, um carro levava àquele Santuário Nicole, mais atormentada que nunca, acompanhada da mãe, do marido e do Padre de la Motte. Sob o carro ouvem-se terríveis denotações. A possessa torna-se tão pesada que os cavalos não podem mais avançar. O Padre lhe dá a Comunhão; no mesmo instante, os cavalos lançam-se com tal ímpeto, que parecem voar e rapidamente chegam a Liesse.



No dia seguinte, Missa, sermão, procissão e exorcismo. Vinte e seis Demônios saem de Nicole com um barulho infernal. Era o socorro que Satanás havia pedido. Todos os esforços do exorcista são impotentes contra a resistência de Belzebu e três companheiros. Disse Satanás: “Tu podes ficar aqui e pelejar até meia-noite e durante cem anos, nenhum de nós sairá. Os vinte e seis que saíram mandei-os para Genebra (o centro do protestantismo ou calvinismo).



6º – Terceiro Exorcismo.



Decidem recorrer de novo ao Bispo e por isto tomam o caminho de Laon. Passando pelo Santuário de Pierrepont, célebre pelas suas relíquias, Nicole vê-se livre de um dos quatro Demônios que ainda a possuíam. O Bispo a exorciza na Catedral. O Diabo zomba, injuria, e à vista da Hóstia Santa, enfurece-se. Ouvem-se, então, como saindo dos tubos de um órgão, o grunhido de um porco (Astaroth), e o latido de um cachorro (Cerberes) e o mugido de um touro (Belzebu), e todos três, porco, cachorro e touro agitam-se no corpo de Nicole que seis homens mal podem segurar. Depois da Comunhão, ficou calma; mas, ainda uma vez calma transitória, já que o Demônio se obstina em voltar, após cada expulsão. Todavia, o prodígio produziu uma grande e salutar impressão. Parecia claramente que só o Deus dos católicos tinha poder sobre Satanás. Em toda a região só se falava nisto. Deram-se muitas conversões; os confessionários eram tomados de assalto. Os protestantes agitavam-se como Demônios. Procuraram fazer acreditar que tudo era embuste, que Nicole era adestrada pelos Padres e que era deles que aprendia as insânias que proferia nos exorcismos. Parece mesmo que procuraram envenená-la; o Diabo o disse em um dos exorcismos, como revelou também que os mesmos acabavam de cometer uma horrível profanação da Hóstia Consagrada. “Oh, acrescentou o Demônio, se Jesus Cristo ainda andasse neste mundo, eu, com os meus protestantes, lhe faríamos maior mal que os judeus”.



7º – A Libertação.



O Bispo não desanimou; multiplicou os jejuns, as orações e convidou as autoridades religiosas e civis da cidade para uma suprema e solene conjuração. Tanto a assistência como a cerimônia foram imponentes. Com os católicos, havia muitos protestantes. Belzebu rugia mais forte que nunca. Nicole não tinha mais figura humana: a boca excessivamente aberta, a língua pendente, a face inchada. Os protestantes tinham conservado o chapéu na cabeça. “Abaixo os chapéus”! Gritaram os católicos. Foi grande a briga. Feita a calma, o Bispo apresentou a Belzebu o Santíssimo Sacramento. Diante de Deus Todo-poderoso, enfim, Satanás assinala sua retirada definitiva por uma coluna de fumaça, dois raios e dois trovões.



A pobre mulher ficou para sempre liberta da horrível possessão de Satanás. Voltou para Vervins, onde viveu como boa e fervorosa católica. Só faltava transmitir à posteridade a relação destes fatos extraordinários. Foi obra de Jean Boulaire, Padre e professor de letras hebraicas. Publicou em dois volumes, em 1575 e em 1578, o resultado de suas pesquisas: “Tesouro da Vitória do Corpo de Deus sobre Belzebu”, e, “Manual da Admirável Vitória do Corpo de Deus sobre o espírito maligno”. Dá os depoimentos das testemunhas. Seu trabalho foi aprovado pelos Papas Pio V e Gregório XIII (Segundo o L'Ami du Clergè, 1909, pág. 167).



Fonte: Pe. Guilherme Vaessen, C.M., “Satanás – Sua Natureza, Existência e Atuação”, Cap. XV, pp. 107-113; Edições Paulinas, Caxias do Sul – RS, 1958.

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