Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A Boa e a Má Educação dos Filhos, Segundo S. Afonso M. de Ligório.



Os Pais Perante Deus

Os pais que se ocupam em educar bem seus filhos não serão confundidos, no juízo particular e no juízo universal. Triste, porém, será o juízo de pais empenhados em apenas gozar a vida e despreocupados da educação de sua prole.

Neste sentido, é notório o conflito entre duas categorias de pessoas: os que desejam bem formar suas famílias de acordo com esses ensinamentos tradicionais; e aqueles que, devido às influências do neo-paganismo atual -- como as provenientes da televisão, que invade incontáveis lares com suas telenovelas e programas de teor anticatólico -- procuram se adaptar às máximas da mentalidade moderna.

Como poderoso auxílio aos pais de família, transcrevemos alguns princípios que o grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, fundador dos Redentoristas, proclamou em seus Sermões.

"Quando Deus abençoa os pais dando-lhes filhos, o que Ele tem em vista não é a vantagem da casa; mas que os filhos sejam educados no santo temor e formados para a salvação eterna. Daí estas palavras de São João Crisóstomo: 'Olhemos os filhos como precioso depósito, velemos por eles com toda a solicitude possível'. Se os filhos fossem um dom oferecido apenas aos pais, estes poderiam dispor deles como quisessem; mas como são um simples depósito, os pais deverão prestar contas a Deus por cada filho que se perca por sua negligência”.


Consequências de uma Boa ou Formação

"Para nos fazer compreender que os pais, vivendo segundo a vontade de Deus, atraem as bênçãos celestes sobre eles e sobre toda a casa, a Sagrada Escritura diz: 'Para que suceda bem a ti e aos teus filhos depois de ti, tendo feito o que é agradável aos olhos do Senhor' (Deut. 12, 25). Quem quiser saber se a conduta de um pai de família é boa ou má, examine a conduta do filho. 'Pelo fruto conhecereis a árvore' (Mt 12, 33), diz Nosso Senhor. Quando um pai de família morre, mas deixa um filho, é como se ele não tivesse morrido, pois este filho o perpetua, o continuará. 'Este homem morre, mas é como se não tivesse morrido, pois ele deixa em seu filho um outro ele mesmo depois dele' (Ecl. 30, 4). Pelos filhos que blasfemam, que dizem palavras impuras ou roubam, pode-se perceber os vícios do pai. Pois, diz o Eclesiástico, 'Um homem conhecesse pelos filhos que deixa' (Ecl. 11, 30).


Responsabilidade dos Pais

"Tranquila e feliz será a morte dos pais e mães de família que formam seus filhos na vida cristã. 'Aquele que se ocupa em bem educar seus filhos, no dia da morte não será consternado nem confundido' (Ecl. 30, 5). E diz São Paulo: 'Elas serão salvas por causa de seus filhos' (1Tim. 2, 15). Graças à boa educação que lhes terão dado. Ao contrário, bem triste, e mesmo desesperada, será a morte desses pais que unicamente cuidam em aumentar a fortuna e o brilho de sua casa, para gozar a vida, sem se preocupar nem um pouco em educar seus filhos. 'Se alguém – diz ainda São Paulo -- não tem cuidado com os seus, e principalmente com os de sua casa, negou a fé, e é pior do que um infiel' (1Tim. 5, 8).…

"Se ao menos certos pais cuidassem de seus filhos tanto quanto por seus animais! Quanta solicitude para que nada falte a estes! Que atenção para que a comida seja dada no tempo certo! E, com a atenção inteiramente posta nisso, não se preocupam se seus filhos conhecem ou não o catecismo, se assistem à missa e se confessam. 'Sim -- lamenta São João Crisóstomo – cavalos e animais de carga lhes tomam mais o coração que os próprios filhos!'.


Consequências da Negligência dos Pais

"É uma grande desgraça para os filhos terem maus pais, não somente incapazes de educá-los, mas, pior ainda, indiferentes às suas condutas: que veem seus filhos em más companhias, discutindo, divertindo-se em relacionamentos ruins, e, em vez de repreendê-los e puni-los, os escusam dizendo: 'Não se pode fazer nada, são coisas da juventude'. Bela máxima... bela educação!.…

"Assim como é fácil aos filhos, ainda crianças, adquirirem bons hábitos, é difícil ao homem maduro corrigir-se dos maus hábitos contraídos na mocidade”.

"Passaremos ao segundo ponto, e eu vos suplico, pais e mães de família, de reterdes bem isto que vos direi sobre a maneira de bem educar vossos filhos".


A Disciplina Compreende o Ensinamento da Religião e da Moral

"No que consiste precisamente a boa educação dos filhos? São Paulo nos diz claramente em duas palavras: 'Educai vossos filhos na disciplina e na correção do Senhor' (Ef. 6, 4).

"Em primeiro lugar, por disciplina, é preciso compreender tudo que os pais devem fazer para formar os filhos nos bons costumes. Consiste em instruí-los e dar-lhes o bom exemplo.

"Que os pais tenham antes de tudo o dever de ensinar aos filhos o temor de Deus e a fuga do pecado. Assim fazia o justo Tobias em relação a seu filho. Com efeito, lemos na Sagrada Escritura: 'Ao qual ensinou desde a infância a temer a Deus e abster-se de todo o pecado' (Tob. 1,
10).

"Que consolações e que alegrias o Céu reserva em recompensa pela solicitude dos pais cristãos! Sim, diz o Sábio: 'Educa bem o teu filho, e ele consolar-te-á e será as delícias da tua alma' (Prov. 29, 17). Mas, se o filho bem instruído é a alegria de seus pais, os filhos ignorantes os enchem de tristezas; pois, ignorar as regras da vida cristã e se conduzir mal, é uma só coisa.

"Conta Thomas de Cantimpré que, em 1248, um sacerdote foi encarregado de fazer um discurso ao clero de Paris reunido em Sínodo. Este sacerdote era muito ignorante e, estando na presença de seu auditório, se confundiu completamente. Então o demônio veio em sua ajuda e lhe sugeriu que pronunciasse as seguintes palavras: 'Os príncipes das trevas saúdam os príncipes da igreja, e nós lhes agradecemos vivamente pela negligência em instruir ao povo. Pois, as almas estagnadas na ignorância, seguem o caminho do mal e chegam ao inferno'. Linguagem semelhante bem se poderia dirigir a certo pais". (Sermons de S. Alphonse de Liguori, Analyses, commentaires, exposé du système de sa prédication, par le R.P. Basile Braeckman, de la Congrégation du T. S. Rédempteur, Tome Second. Jules de Meester-Imrimeur-Éditeur, Roulers, pp. 464-472).



Os Deveres dos Filhos em Relação aos Pais

"Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longamente e te suceda tudo de bom nesta terra"

Do insigne Doutor da Igreja Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787):

Honrar pai e mãe -- Este Mandamento tem como principal objeto os deveres dos filhos para com os pais; mas ele compreende também os deveres dos pais para com os filhos, bem como os deveres recíprocos de senhores e servidores, de marido e mulher.

Um filho deve a seus pais Amor, Respeito e Obediência. Portanto, em primeiro lugar ele é obrigado a amá-los.


Como se Peca Contra o Amor que se Deve aos Pais

1. Comete pecado grave quem deseja o mal a seu pai ou a sua mãe em matéria grave. Peca até duplamente: contra a caridade e contra a piedade filial.

2. Peca quem fala mal dos pais. Comete então três pecados: um contra a caridade, outro contra a piedade filial e outro contra a justiça.

3. Peca quem não socorre os pais em suas necessidades, sejam temporais, sejam espirituais. Assim, quando um pai está perigosamente doente, o filho é obrigado a adverti-lo e induzi-lo a receber os Sacramentos.

Quando o pai ou a mãe se encontram numa grave necessidade, o filho é obrigado a sustentá-los a suas expensas. Ajudai vosso pai em sua velhice, nos diz o Espírito Santo: Fili, suscipe senectam patris tui (Ecli. III, 14). Nossos pais nos alimentaram em nossa infância; é justo que nós os alimentemos em sua velhice.

Santo Ambrósio (Exam. L. 5, C. 16) diz das cegonhas que, quando veem seu pai e sua mãe na velhice e sem condição de procurar alimento, elas têm o cuidado de lho trazer. Que ingratidão num filho, beber e comer copiosamente, enquanto sua mãe morre de fome!


Exemplo de Piedade Filial

Escutai a narração de um admirável exemplo de piedade filial.

Havia no Japão, em 1604, três irmãos ocupados em obter um meio de sustentar sua mãe. Não conseguindo, o que fizeram eles? O imperador tinha ordenado que quem entregasse um ladrão nas mãos da justiça, receberia como recompensa uma soma considerável.

Os três irmãos combinaram que um dentre eles, designado à sorte, consentiria em passar por ladrão, e seria entregue pelos dois outros. Desse modo obteriam a recompensa prometida e poderiam socorrer sua mãe.

A sorte caiu sobre o mais jovem que, fazendo-se passar por ladrão, teve que se resignar a morrer, pois o roubo era punido com a morte. Foi então atado e conduzido à prisão. Mas os circunstantes notaram que os acusadores e o acusado, ao se despedirem, abraçavam-se vertendo lágrimas.

O juiz foi logo avisado e ordenou que se vigiassem os dois jovens, para saber aonde iam. Tão logo chegaram à casa, a mãe, tendo sabido o que se passara, declarou que preferiria morrer ela mesma a permitir que seu filho morresse por sua causa. "Devolvei o dinheiro, dizia ela, e restituam-me meu filho".

O juiz, inteirado do fato, deu conhecimento do mesmo ao imperador. Este ficou de tal modo tocado, que concedeu uma larga pensão aos três generosos irmãos. Foi assim que Deus os recompensou pelo amor que tinham testemunhado à sua mãe.


Deus Castiga os Maus Filhos

Ouvi, pelo contrário, como Deus quis punir um filho ingrato. O bispo Abelly (Vérités princ. instr. 28) cita um fato contado por outro autor, Thomas de Cantimpré, como acontecido em seu tempo na França.

Um homem rico, tendo um filho único, desejava casá-lo com uma moça de posição bem mais elevada. Mas os pais desta impuseram como condição para o casamento, que esse homem e sua esposa cedessem tudo o que possuíam ao filho, do qual receberiam depois a subsistência; o que foi aceito.

O filho começou por tratar bastante bem o pai e a mãe. Mas ao fim de algum tempo, para agradar à mulher, obrigou-os a se retirarem de casa e passou a lhes conceder um parco auxílio.

Certo dia convidou amigos para um banquete em sua casa. Tendo seu pai vindo-lhe pedir alguma assistência, despediu-o com palavras duras. Mas escutai o que lhe aconteceu.

Quando se sentou à mesa, apareceu um sapo hediondo que, de um salto, se fixou no seu rosto de tal maneira que foi impossível retirá-lo. Não se podia tocar nesse sapo, sem causar ao infeliz uma dor insuportável.

Arrependeu-se então de sua ingratidão e foi confessar-se ao Bispo. Este lhe impôs, como penitência, percorrer todas as províncias do reino com a face descoberta, contando por toda a parte o que atraíra sobre si este castigo, a fim de que servisse de exemplo aos outros.

Thomas de Cantimpré diz ter tomado conhecimento desse fato por um religioso da Ordem de São Domingos, o qual, estando em Paris, tinha visto ele próprio o culpado com o sapo colado ao rosto e o tinha ouvido narrar estas coisas.


Vossos Filhos vos Tratarão como Tiverdes Tratado vossos Pais

Sede, pois, zelosos em amar vossos pais e, se eles são pobres, ou prisioneiros, ou doentes, tende cuidado em ajudá-los. Senão, preparai-vos para os justos castigos de Deus, que permitirá, pelo menos, que vossos filhos vos tratem como tiverdes tratado vossos pais.

Verme narra, em sua Instrução, que um pai, tendo sido expulso de casa por seu próprio filho, e encontrando-se doente, entrou num hospital, de onde mandou pedir a este mesmo filho dois lençóis. Este encarregou seu jovem filho de os levar, mas a criança não entregou senão um dos lençóis ao seu avô. Tendo seu pai lhe perguntado a razão disto, respondeu: "Guardei o outro para ti, quando fores para o hospital". -- Compreendeis o que isto significa: como os filhos tratam os pais, do mesmo modo serão tratados por seus filhos.


Como se Peca Contra o Respeito Devido aos Pais

Deus quer que cada um honre seu pai e sua mãe, não lhes faltando jamais ao respeito, seja por atos, seja por palavras, e suportando seus defeitos com paciência inalterável: In opere et sermone, et omni patientia, honora patrem tuum (Ecli. III, 9).

É pois pecado falar a seus pais com aspereza ou com tom elevado. Pecado ainda maior é zombar deles, opor-se à sua vontade, amaldiçoá-los, ou proferir contra eles termos injuriosos, como os de louco, imbecil, ladrão, bêbado, bruxo, celerado, e outros deste gênero. Se palavras dessas são proferidas em sua presença, o pecado é mortal.

Sob a Antiga Lei, aquele que injuriava o pai ou a mãe era condenado à morte: "Qui maledixerit patri suo vel matri, morte moriatur" (Ex. XXI, 17). Agora, se não é mais condenado à morte, é contudo amaldiçoado por Deus, que o condena à morte eterna: "Et est maledictus a Deo, qui exasperat matrem" (Ecli. III, 18).

O pecado seria ainda mais grave se erguesse a mão contra seu pai ou sua mãe, ou se ameaçasse agredi-los. Aquele que ousou pôr as mãos sobre seu pai ou sua mãe, deve esperar morrer logo; pois a Escritura promete uma vida longa e feliz para aquele que honra os pais: "Honora patrem tuum et matrem..., ut longo vivas tempore, et bene sit tibi in terra" (Deut. 5, 16).

Assim, quem maltrata os pais viverá pouco tempo e será infeliz na terra.

São Bernardino de Siena (T. 2, s. 17, a. 3, c. 1) narra que um rapaz, tendo sido enforcado, ficou com a face coberta por uma longa barba branca, como a de um velho. Foi revelado ao Bispo, que rezava por aquele infeliz, que ele teria vivido até a velhice se não tivesse merecido, por respeitar pouco seus pais, ser abandonado por Deus a ponto de ser levado a cometer os crimes que lhe causaram a morte.

Mas escutai um fato ainda mais horrível, citado por Santo Agostinho (De Civ. D. l. 22, c. 8).

Na província de Capadócia, uma mãe tinha vários filhos. Um dia, o mais velho, após havê-la injuriado, começou a agredi-la, sem que os outros o impedissem como deviam. Então a mãe, irritada por este tratamento indigno, cometeu outro pecado: correu à igreja, e diante do batistério em que seus filhos tinham sido batizados, amaldiçoou-os a todos, pedindo a Deus que lhes infligisse um castigo que espantasse o mundo inteiro.

Imediatamente os filhos sentiram um grande tremor em seus membros e se dispersaram por todos os lados, levando consigo os sinais da maldição pela qual estavam atingidos. À vista desse castigo, a mãe foi tomada de tal dor que, entregando-se ao desespero, enforcou-se.

Santo Agostinho acrescenta que, encontrando-se numa igreja onde se veneravam as relíquias de Santo Estêvão, viu chegar dois destes filhos amaldiçoados, que todos viam tremer. Porém, em presença das relíquias do glorioso Mártir, obtiveram por sua intercessão serem libertados do mal que os afligia.


Como se Peca Contra a Obediência que se Deve aos Pais

Deve-se obedecer aos pais em tudo que é justo, segundo diz São Paulo: "Filii, obedite parentibus vestris in Domino" (Eph. VI,1): Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor.

Portanto, há obrigação de obedecer-lhes naquilo que diz respeito ao bem da família e sobretudo aos bons costumes. Assim, peca o filho que não obedece aos pais quando eles o proíbem de se entregar ao jogo, ou de frequentar certa má companhia, ou de ir a uma casa suspeita (Santo AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, Oeuvres Complètes -- Oeuvres Ascétiques, Casterman, Tournai, 1877, 2ª ed., t. XVI, pp. 463 a 470).





A natureza do Matrimônio fica absolutamente subtraída à liberdade humana.
Quem se casa fica, por conseguinte, preso às leis e propriedades essenciais
desta Instituição divina” (Rev. Pe. Geraldo Pires de Souza, C.Ss.R., “As Três Chamas do Lar”,
Cap. II, 9, p. 23, 2ª Edição, Ed. Vozes, 1939).


"O cristão que não é apóstolo é apóstata"(Papa Pio XI).


domingo, 25 de outubro de 2015

Discurso de São Luís de Gonzaga aos Jovens do Mundo inteiro



Regresso à Patria (Roma, 1590-1591)1

A revelação da proximidade do seu fim produziu em Luís um grande desejo de morrer em Roma, berço da sua vida religiosa, onde se encontravam algumas pessoas a quem estava unido pelos laços da mais pura amizade. “Se na terra tenho alguma pátria, essa é Roma, a cidade que me viu nascer para Cristo”, diz ele por este tempo numa carta. 2

Creio que facilmente compreenderá a consolação que sinto com a ordem de regressar ao Colégio Romano; com efeito, vou ver novamente os Padres e Irmãos, entre os quais desejo vivamente encontrar-me. Em breve, pois, e confio na bondade de Deus que com mais proveito do que até aqui, tomarei parte nas suas santas práticas e nas de tantos outros conhecidos, a quem peço me recomende, como me recomendo ao colégio em geral com todo o coração, ex toto corde, mente et animo. 15 de de abril de 1590”. 3
 
No primeiro de Maio pôs-se a caminho a pequena caravana. Na viagem Luís exercitava as suas costumadas virtudes com tanta perfeição que todos o apontavam a dedo como um Santo. Por causa da escassez de víveres que então reinava na Itália, viam-se deixados ao abandono na região dos Apeninos centenas de corpos, prostrados pela fome. Ao ver isto disse um dia o Pe. Mastrilli que deviam agradecer à bondade de Deus não os ter deixado cair na mesma miséria; ao que Luís respondeu, que era maior felicidade, e graça muito mais apreciável não terem nascido muçulmanos. Como advertisse que os dois Padres lhe dispensavam muita consideração e deferência, deixou a sua companhia para se ir juntar aos outros que pareciam fazer menos caso dele. Em Sena, ajudou à Missa ao Pe. Alagona e recebeu a sagrada Comunhão na casa e quarto de Santa Catarina, a quem tinha muita devoção.

No colégio desta cidade pediram-lhe para dirigir aos alunos algumas palavras. Foi à igreja orar e recolher-se uns instantes e, retirando-se em seguida ao quarto, apontou algumas ideias, inspiradas naquelas palavras da Escritura: estote factores verbi et non auditores tantum4, sobre as quais fez um discurso muito fervoroso. Depois da sua partida, encontrou-se num volume de São Bernardo o seguinte esquema desta prática, lançado à pressa, como se vê, ao papel. A folha foi venerada como uma relíquia, distribuindo-se várias cópias; com ser tão breve deixa bem entrever o gênero de exortação que dirigiu a estes jovens da nobreza; por isso, não parece descabida aqui para proveito de todos.


Discurso

De três modos fala Deus à alma: primeiramente por inspiração interior.5 Deste primeiro modo com que Deus nos fala diz São Bernardo, que é secreto, e que o devemos conservar não só pela lembrança, nam sic sciencia in flat: sed sicut servatur panis. Verbum enim Dei panis vivus est, et cibus mentis; quandiu panis in arca est, potest a fure tolli, a mure corrodi, vetustate corrumpi; ita verbum Dei etc. Trajiciatur igitur in viscera tua, transeat in affectiones et mores tuos. É o que diz também S. Tiago: Estote factores. Lê-se no segundo livro de Moisés, que o maná qui non servabator ad vescendum in die sabbati, se corrompia: o mesmo sucede com a Palavra divina: corrompe-se, quando não se conserva ad vescendum.

Deus fala-nos também na Sagrada Escritura pelos Profetas no Antigo Testamento e por Jesus Cristo no Novo. Assim o ensina S. Gregório e o confirma a Escritura: Saepe olim loquens Deus patribus in prophetis, novissime autem in Filio suo. S. Tiago diz também deste modo com que Deus nos fala: Estote factores. De fato, pouco aproveitam ao cristão os Sagrados Livros, se não vive conforme aos seus Preceitos.6 Pouco lhe aproveita ter os Mandamentos dados por Deus no Antigo Testamento, se com eles não ajusta a sua vida; para pouco serve conhecer as Bem-aventuranças enunciadas por Cristo no alto da montanha, se… etc.; pouco vale saber em que consiste a perfeição, se nos entregamos à imperfeição… A estes a Sagrada Escritura serve apenas para lhes meter nas mãos a Carta que contém a sentença de morte, como Urias que levava a Joab a ordem em que Davi decretava a morte do mesmo Urias.

Em terceiro lugar, Deus fala-nos por meio dos seus benefícios. São Bernardo perguntando… de que modo fala Deus à alma e a alma a Deus, responde: Verbi língua favor dignationis ejus est, animae vero devotionis affectus. Itaque locutio Verbi, infusio doni: responsio animae cum gratiarum actione. O Apóstolo diz também deste modo de falar: estote auditores et factores. Não se contentando com nos recomendar que o ouçamos, pede-nos que o ponhamos em execução, porque devemos não só reconhecer os benefícios de Deus – e isto é, ouvir a sua palavra – mas também fazê-los voltar ao mesmo Deus, que isto significa facere verbum ejus. Todas as fontes brotam do mar e para ele voltam. Omnium virtutum et scientiarum mare est Dominus Jesus Christus. Ab hoc continentia carnis, cordis industria, voluntatis rectitudo emanat: non solum ista, sed si quis callet ingenio, nitet eloquio, si quis moribus placet, ab eu fonte est. A ele pois devem voltar todos os dons: porque assim como as águas estagnadas que não correm para o mar, se convertem em charcos e se corrompem, assim os dons de Deus, a saúde, a força, o talento, a eloquência: os estudantes em particular, hão de oferecer a Deus os seus talentos, como S. Agostinho aconselha ao jovem Licínio. Ouvistes já os três modos com que Deus fala à alma e a maneira como havemos de fazer o que Ele nos diz: agora é conveniente considerarmos porque motivo o devemos fazer e com que fervor.

A razão desta obrigação parece-me que se baseia nisto: Deus falou! Se bastou que Deus dissesse faça-se o mundo, para que o mundo fosse criado, para nos convertermos, para corrermos para Ele conforme a sua vontade, não há de bastar uma ordem sua? Dizei-me: se o vosso grão-duque, a quem estais esperando, à sua chegada mandasse chamar o homem mais pobre desta cidade, e lhe prometesse adotá-lo como filho e fazê-lo participante do governo, que por direito só compete ao verdadeiro filho; se além disso, lhe declarasse que enquanto vivesse se havia de interessar por ele como se realmente o fosse, e que depois da morte lhe deixaria em herança todos os seus estados, com a condição única de viver e se portar como filho de um duque, abandonando por conseguinte a sua pobre choupana para ir habitar no palácio do príncipe, despindo-se dos pobres andrajos para se vestir de vestidos mais ricos, deixando a companhia e costumes do povo para frequentar a amizade dos grandes e do filho do grão-duque, – quem de entre vós, dizei-me, alegre com semelhante oferecimento o não aceitaria imediatamente?

Ora, o Senhor a quem é devida toda a honra, quer-nos receber a todos no reino do Céu como a filhos; promete velar por nós na terra com uma providência toda paternal, lembrando-se de nós mais do que a mãe se recorda do filho, como diz por Isaías: Numquid potest etc?7; e depois desta vida quer-nos dar a herança eterna, como nota S. Agostinho a propósito destas palavras, cum dederit suis somnum etc! Em troca, apenas pede que abandonemos a pobre casa de nossos pais, na realidade ou em espírito, segundo a nossa vocação, que habitemos no palácio do Rei do Céu, onde o Senhor é Deus e os Anjos seus servidores; que nos despojemos dos miseráveis farrapos do amor próprio para nos vestirmos com os vestidos de gala do amor; que abandonemos os costumes da gente ordinária e baixa, isto é, que renunciemos às imperfeições e pecados, para adotarmos os hábitos de filhos de Deus, a mansidão, a piedade, a justiça, o temor de Deus, e todas as outras virtudes. Quem de nós se contentaria com receber tal convite e com ouvir semelhante proposta sem a aceitar? Parece-me que só seria capaz de o fazer, quem não entendesse a Palavra de Deus ou não compreendesse tudo o que ela promete.

Aristóteles no décimo livro da ética demonstra com muitas razões que os prazeres do espírito são incomparavelmente superiores aos da carne: e perguntando depois porque é que, apesar da sua superioridade, os não buscamos, diz, que é porque os não conhecemos. Traz para exemplo o filho de um rei que, não tendo ainda o uso da razão prefere o leite da ama, ou o brinquedo que lhe dá um criado, à herança paterna; mas deixai-o chegar à idade madura e vereis o seu desprezo por estas bagatelas e a sua preferência pela herança. O mesmo sucede conosco; não conhecemos os bens que Deus tem preparado aos que O amam e por isso preferimos as consolações da terra, os parentes, o pai, a mãe, etc., ao patrimônio do Céu. Mas, se Deus nos conceder a graça de alcançarmos a plenitude da idade do espírito, então, saberemos apreciar tudo pelo seu justo valor e compreenderemos que todas as grandezas da terra são nada, em comparação dos bens que Deus nos promete: Super altitudines terrae sustollam te”8. 9


1Rev. Pe. M. Meschler, S.J., “São Luís Gonzaga – Protetor da Juventude Cristã”, 2ª Parte, Cap. 17, pp. 253-258; 2ª Edição, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1953.
2Bolland., p. 1005, D. E.
3Ol. Jozzi, Lettere di S. L. G., p. 54.
4“Sede, pois, fazedores da palavra e não ouvintes somente” (Tiag. 1, 22).
5Cf. S. Bernardo, Serm. 32...
6Êxod. 31.
7Is. 49.
8Is. 58, 14.
9Cfr. Cepari, Edição de 1863 (Apêndice), p. 461 ss.

sábado, 24 de outubro de 2015

O que diz Medjugorje? A sua mensagem prova que esta é também uma falsa aparição.


221

por Ir. Miguel Dimond e Ir. Pedro Dimond

www.igrejacatolica.pt

“A Nossa Senhora enfatiza sempre que existe um só Deus, e que as pessoas forçaram uma separação não-natural. Uma pessoa não pode verdadeiramente crer, ser um verdadeiro cristão, se não respeitar de igual modo as outras religiões.”1 — “Vidente” Ivanka Ivankovic

“A Nossa Senhora disse que as religiões encontram-se separadas na terra, mas as pessoas de todas as religiões são aceites por seu Filho.”2 — “Vidente” Ivanka Ivankovic

Pergunta: “Está a Santa Mãe a chamar todos os povos a serem católicos?” Resposta: “Não. A Santa Mãe diz que todas as religiões são prezadas por ela e pelo seu Filho.”3— “Vidente” Ivanka Ivankovic

Isto é apostasia total na Mensagem de Medjugorje. É uma rejeição do dogma católico; é uma rejeição do dogma Fora da Igreja Não Há Salvação; e é uma rejeição total do ensinamento claro do Evangelho sobre a necessidade de crer em Jesus Cristo, o Filho de Deus, para a salvação. Isto prova que Medjugorje, como o resto das falsas aparições modernas, é um embuste do Demônio. Aqueles que estão a par destes fatos e recusam-se a repudiar Medjugorje como uma falsa aparição rejeitam a fé católica.

Notas finais:

1  The Apparitions of Our Lady of Medjugorje, Franciscan Herald Press, 1984.
2  The Apparitions of Our Lady of Medjugorje, Franciscan Herald Press, 1984.
3  Janice T. Connell, The Visions of the Children, The Apparitions of the Blessed Mother at Medjugorje, St. Martin’s Press, Agosto de 1992.

 

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