Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Novena em Honra da Sagrada Família (2º Dia)



Segundo Dia

Ato de Contrição, e oração preparatória, como no primeiro dia.

MEDITAÇÃO
Da Purificação, e Apresentação de Jesus no Templo.

Impunha a lei antiga dois Preceitos por ocasião do nascimento dos primogênitos: devia a Mãe, como imunda, permanecer em casa durante quarenta dias, e, decorridos eles, ir purificar-se. Os pais deviam levar o primogênito ao Templo e oferecê-lo ao Senhor.

Quis a Santíssima Virgem, pela Sua humildade, cumprir ambos estes Preceitos, ainda que não fosse obrigada pela lei da purificação, tendo, como tinha, ficado sempre Virgem e pura. Por conseguinte tomou o Seu divino Filho, e, em companhia de São José, que levava duas rolas ou pombas, para oferecer a Deus em sacrifício, dirigiu-se ao Templo. Lá a humilde Virgem apresentou-se ao Sacerdote, e, cumprida a lei da purificação, apresentou-lhe também o Seu Divino Filho. Consideremos aqui o espírito de piedade e devoção, com que Maria fez ao Eterno Pai este oferecimento, em Seu nome e no de todo o Gênero Humano, dizendo: “Eis aqui, ó Deus Eterno, o Vosso Unigênito Filho, enquanto Deus, e o meu Primogênito enquanto homem: eu Vo-lO ofereço como Vítima, para aplacar a Vossa justiça irritada contra os pecadores; dignai-Vos de aceitá-lo, ó Deus misericordioso, e tende piedade da nossa miséria; e por amor deste Cordeiro Imaculado restituí os homens a Vossa graça.”

Consideremos ainda, como à oferta de Maria se uniu também a de Jesus: eis-Me aqui, disse o adorável Infante, eis-Me aqui, ó meu Eterno Pai, Eu Vos consagro a Minha vida: enviastes-Me ao mundo, para o resgatar com o Meu Sangue: tomai-O, e tomai todo o Meu Ser, que Eu Vo-los ofereço pela sua salvação.” Não houve nunca sacrifício nenhum tão agradável a Deus, como o oferecimento, nesta hora feito por Seu amado Filho, constituído desde a Sua infância Sacerdote e Vítima pela nossa salvação. Se todos os homens e todos os Anjos houvessem oferecido juntos a sua vida, este sacrifício, sendo finito, não teria sido de tanto valor aos olhos de Deus, como o de Jesus Cristo, pois que, com esta única oferta de Jesus, recebeu o Eterno Pai uma satisfação e honra infinitas.

Pois bem, se Jesus ofereceu por nosso amor a Sua vida ao Eterno Pai, justo é que nós em prova, ainda que débil e mesquinha da nossa gratidão, ofereçamos também a nossa a este Cordeiro Imaculado. Ofereçamos-Lha, lavando a nossa alma das culpas, que a desfeiam, purificando-a nas águas salutares da penitência, e formando um firme propósito de nunca mais ofender a um Deus, que por nosso amor se deu todo a nós, para que nós, em agradecimento, nos dessemos todos a Ele. É este o Seu desejo, como Ele se dignou manifestar à Beata Ângela de Foligno, dizendo-lhe: “Eu Me ofereci por teu amor, para que tu te ofereças pelo Meu.”

Meditação…, Petição…, e Gozos…
(como no primeiro dia)

Oração Jaculatória: Meu Jesus e meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas. (Indulgenciada).

Obséquio: Por amor de Jesus, Maria e José visitarei uma igreja e recitarei a Ato de Consagração à Sagrada Família.

ORAÇÃO

Ó dulcíssimo Jesus, Infante e Cordeiro divino, que Vos entregastes à morte pela vida da minha alma, eu Vos amo, e só a Vós quero amar, pois fora de Vós não encontro quem pela minha salvação tenha dado a sua vida. Sim, ó meu Jesus, eu me arrependo de todo o meu coração de Vos haver ofendido, quando Vós Vos haveis sacrificado por meu amor. Fazei que de hoje em diante eu só a Vós ame, e nada mais Vos peço. Ó Virgem puríssima; Vós, ainda que mais pura do que os Céus, mais alva do que a neve, e mais brilhante do que o sol, quisestes apresentar-Vos no Templo como impura e carecida de purificação: peço-Vos por esta humildade inefável que me ajudeis a purificar das minhas culpas, empregando os meios que me haveis ensinado.

Que penetrante dor transpassou a Vossa alma, ó glorioso Patriarca São José, à vista do Sangue precioso do divino Salvador, vertido na Sua dolorosa Circuncisão! Mas também, que puro gozo inundou o Vosso Coração ao ouvir impor-Lhe o doce nome de Jesus! Por esta dor e por este gozo alcançai-me que depois de haver purificado a minha alma das muitas faltas, com que ofendi ao meu Senhor, possa morrer invocando com os lábios e com o coração o nome divino de Jesus. Amém.

EXEMPLO

O Beato Gaspar Bono, religioso mínimo, era muito devoto da Sagrada Família de Nazaré, e trazia constantemente no coração e nos lábios os nomes sagrados de Jesus, Maria e José. Era edificante ouvir este bom religioso, quer fosse perguntando, quer fosse respondendo, principiar sempre e acabar pelos doces nomes de Jesus, Maria e José. Em sua última enfermidade, quis que os religiosos assistentes lhe repetissem continuamente estes nomes sagrados, para lhe suavizarem com eles as dores da agonia e as angústias da morte. E com efeito, no mesmo instante, em que pela última vez a sua língua acabou de pronunciar – Jesus, Maria e José, expirou placidamente, deixando grandemente edificados a quantos o haviam conhecido.

JACULATÓRIAS

Amado Jesus, Maria e José, o meu coração Vos dou e a minha alma.

Amado Jesus, Maria e José, assisti-me na última agonia.

Amado Jesus, Maria e José, expire em paz entre Vós a minha alma.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Novena em Honra da Sagrada Família (1º Dia)


Extraída da Obra intitulada “A Sagrada Família”,
por um Padre Redentorista

Tradução do Espanhol pelo Cônego
Manuel Moreira Aranha Furtado de Mendonça

Estabelecimentos Benzinger & Co. S. A.
Tipógrafos da Santa Sé Apostólica

EINSIEDELN, Suíça.

1898


Ato de Contrição

Meu Senhor Jesus Cristo, Criador, Pai e Redentor meu, em quem creio e espero, e a quem amo e desejaria ter amado sempre sobre todas as coisas; pesa-me uma e mil vezes de Vos haver ofendido, por serdes Vós quem sois, bondade infinita; pesa-me também por haver merecido as terríveis penas do Purgatório, e, talvez, ai de mim, as eternas chamas do Inferno. E Vós, cheio de misericórdia, me haveis adiado o castigo. Proponho firmemente nunca mais pecar, e afastar-me das ocasiões de Vos ofender, ajudado pela Vossa divina graça. Concedei-me, ó meu Jesus, a felicidade de me confessar com as devidas disposições, para obter copiosos frutos, emendar a minha vida e perseverar em Vosso santo serviço até a morte. Eu Vo-lo peço, Senhor, pelo Vosso preciosíssimo Sangue, pelas dores de Vossa aflita Mãe e pela intercessão do glorioso Patriarca São José. Assim seja.

Oração Preparatória
para recitar todos os dias
diante da Imagem da Sagrada Família
(Indulgenciada)

Ó meu amorosíssimo Jesus, que por meio de inefáveis virtudes e exemplos de Vossa vida doméstica, santificastes a Família, por Vós escolhida aqui na terra, olhai compassivo para esta família, que aqui prostrada diante de Vós, Vos pede, Lhe sejais propício. Lembrai-Vos de que é Vossa, pois que a Vós está especialmente dedicada e consagrada. Assisti-Lhe benigno, defendei-a de todos os perigos, socorrei-a em todas as necessidades e dai-Lhe a graça suficiente para perseverar constantemente na imitação da Vossa Santa Família, a fim de que servindo-Vos fielmente, e amando-Vos na terra, possa depois bendizer-Vos eternamente no Céu.

Ó Maria, minha Mãe dulcíssima, a Vossa intercessão recorremos, seguros de que o Vosso divino Filho, há de ouvir as Vossas súplicas. E Vós também, ó glorioso Patriarca São José, ajudai-nos com a Vossa poderosa intercessão, e oferecei a Jesus os nossos votos pelas mãos de Maria Santíssima. Assim seja.


Primeiro Dia

MEDITAÇÃO

A Sagrada Família em Belém

Consideremos os terníssimos colóquios de Maria e José durante a viagem de Nazaré à Belém, sobre a misericórdia de Deus, que enviava o Seu divino Filho ao mundo, para resgatar o gênero humano; e sobre a caridade do Filho de Deus, em baixar a este vale de lágrimas, a expiar com os Seus sofrimentos e com a Sua morte, os pecados dos homens. Consideremos também, qual seria a angústia de José, quando, chegado a Belém, viu que ninguém lhes queria dar hospedagem, nem a Maria nem a ele, de maneira que se viram obrigados a recolher-se num estábulo. Oh! Como ele devia sofrer, vendo a Sua Santíssima Esposa, jovem donzela de quinze anos, prestes a dar à luz o Seu divino Filho, tremendo de frio naquela gruta úmida e desabrigada. Pôde, porém, logo consolar-se, ouvindo a Maria que o chamava e lhe dizia: “Vem, José, vem adorar o Nosso Deus Menino, que acaba de nascer neste estábulo; vem admirar a Sua beleza, ver aqui, nesta manjedoura, nestas poucas palhinhas o Rei do Universo; vem ver como treme com frio, Ele que inflama os corações dos Serafins; vem ouvir como chora Aquele que é a alegria do Paraíso!” E José, ao contemplar com Seus próprios olhos o Filho de Deus, feito homem, naquela pobre gruta, inundada de luz celestial, e ao ouvir os Coros dos Anjos entoando hinos ao Seu Deus recém-nascido, caiu de joelhos, e, chorando de ternura, disse: “Eu Vos adoro, ó Deus e Senhor meu! Quão ditoso sou por haver sido, depois de Maria, o primeiro a quem foi dado ver-Vos, e por saber que perante o mundo haveis de ser tratado e passar por filho meu! Permiti-me, pois, que Vos chame por esse nome e Vos diga desde já: Meu Deus e meu Filho, eu me consagro eternamente à Vós: minha vida já não será minha, mas inteiramente Vossa; hei de empregá-la toda em Vos servir, ó meu divino Mestre.” Consideremos, por último, como subiu ao seu auge o gozo de José, ao ver chegar naquela mesma noite os pastorinhos, que o Santo Anjo havia convidado a vir adorar o Salvador recém-nascido, e quando os Magos, pouco depois, vieram do Oriente prestar suas homenagens ao Rei dos Céus, que baixava à terra para salvar as Suas criaturas.


*Façam-se aqui, por alguns instantes, breves reflexões sobre a matéria da precedente meditação, pedindo em seguida as graças que se desejam alcançar. Em seguida, recitam-se ou cantam-se os seguintes versos:

GOZOS

CORO

Oh! Vinde, pastorinhos,
O Rei vinde adorar,
Que lá dos Céus à terra
Acaba de baixar.

Vede, em rústico teto
Que se veio abrigar;
Tem por berço um presépio,
Por templo e por altar;
E em leito de palhinhas,
Nuzinho repousar,
Aquele, que astros mil
A seus pés vê brilhar.

Vede esse astro formoso,
Que O veio anunciar
Aos magos do Oriente,
Pra que O fossem buscar,
E ante o Rei de Judá
Humildes se prostrar,
De incenso, ouro e mirra
Trino dom Lhe ofertar.

Sem ricas oferendas
Não temais lá chegar,
Que é grato o Deus Menino,
A quem fé Lhe prestar;
Até do campo as florinhas
Tem por certo agradar,
A Quem com seu sorriso
As faz desabrochar.

A Mãe nos ternos braços
O está a acalentar,
E quer adormecê-lO
Com seu doce cantar,
E um Anjo lhe responde
Em tom de acompanhar,
Honra a Deus nas alturas,
Paz veio aos homens dar.”

Vede esbelto mancebo
Humilde ajoelhar,
Que as águas do Jordão
Fora puras libar;
E Jesus que o contempla
Com meigo doce olhar;
E um alvo cordeirinho
Ali perto a balar…

Coração, alma e vida
Lhe vamos ofertar;
Que o Deus, pobre e menino
Quer-nos, meigo, abraçar;
E seus bracinhos ergue,
Como pra nos chamar;
Vinde, vinde, repete
Com terno bracejar.

Oração jaculatória: Jesus, Maria e José, iluminai-nos, socorrei-nos e salvai-nos. Amém. (Indulgenciada).

Obséquio: Por amor da Sagrada Família, fazei todas as obras deste dia com a pura intenção de agradar a Deus, procurando dirigi-las sempre do mesmo modo.

ORAÇÃO

Perdoai-me, ó meu dulcíssimo Jesus, por amor de Maria e de José, e concedei-me a graça de Vos ver um dia no Céu, de lá Vos amar, e louvar a Vossa bondade inefável, que Vos levou a fazer-Vos menino por nosso amor. Eu Vos amo, ó Bondade infinita, ó meu Jesus e meu Deus, meu amor e meu tudo.

E Vós, ó Maria, Mãe de Deus e minha Mãe, encomendai-me ao Vosso divino Filho, e alcançai-me dEle o perdão dos pecados que tenho cometido, e a graça de não tornar a pecar.

Ó meu amado Patriarca, pela amargura que sentiste ao ver o divino Verbo nascido num estábulo, em meio de tanta pobreza, sem berço nem abrigo, e ao ouvi-lO chorar de frio, suplico-Vos que me obtenhais uma verdadeira dor de meus pecados, que foram a causa das lágrimas de Jesus; e, pelo gozo que tiveste ao contemplar a Jesus Menino no presépio, tão belo e encantador, que Vosso peito, desde então, se sentiu inflamado no mais ardente amor para com um Deus, tão amante, e tão digno de ser amado; alcançai-me também, a graça de O amar na terra com amor intenso e de possui-lO no Céu eternamente. Assim seja.

EXEMPLO

Havia um piedoso comerciante que tinha uma grande devoção à Sagrada Família. Todos os anos, em dia de Natal, assentava três pobres à sua mesa, um velho, uma mulher e um menino, e servia-os como se houvesse recebido a Jesus, Maria e José pessoalmente. Este procedimento foi-lhe largamente recompensado. Depois da morte o caritativo comerciante apareceu a algumas pessoas que rogavam a Deus por ele, agradecendo-lhes a sua caridade, e disse-lhes, que Jesus, Maria e José nos últimos momentos da sua vida, o haviam vindo visitar, e lhe disseram: “Já que tu durante a vida nos convidava a todos Três para a tua mesa, agora vimos Nós convidar-te para a nossa.” E acrescentou que naquele mesmo instante, lhe tomaram a alma e a levaram ao eterno festim.

JACULATÓRIAS

Amado Jesus, Maria e José, o meu coração Vos dou e a minha alma.

Amado Jesus, Maria e José, assisti-me na última agonia.

Amado Jesus, Maria e José, expire em paz entre Vós a minha alma.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Carta de um Bom Pastor a um Sacerdote Caído


Foto de D. Vital 


(Que serviria a todos os Sacerdotes desviados,

ou, para aqueles, que ainda hão de desviar-se)





Mas voltemos ao Sr. Bispo D. Vital. Um rasgo muito para notar em sua fisionomia moral, tão desfigurada pelo sr. Barão de Penedo, e que vamos agora fazer sobressair, é a caridade terna, afetuosíssima deste virtuoso Prelado, para os mesmos que tanto o amarguravam e perseguiam. Era um coração que nunca se azedou contra ninguém, e que as mais desvairadas ovelhas tratou com mimos e afetos que lembram o Bom Pastor. Como este, soube repreender áspero a hipocrisia dos fariseus, enxotar a látego os profanadores do Templo; mas todo se desfazia em doçura e misericórdia com os pobres pecadores, para os reconduzir à penitência.



Eis aqui uma carta que ele escreveu de sua prisão a um Sacerdote caído. Não sabemos que haja nas vidas dos grandes Bispos nada mais comovente:



De minha prisão, a 16 de Maio de 1875.



Meu caro Padre e Irmão, com o coração dilacerado de mágoa, dirijo a V. Rvm. do fundo de minha prisão um conselho de amigo, uma súplica de irmão, uma afetuosa advertência de pai estremecido. Não bastavam já tantas e tão dolorosas angústias que torturam o coração terníssimo de nossa caridosa Mãe, a Santa Igreja de Deus? Não bastava que Ela fosse injustamente perseguida em todas as nações pelo poder das trevas? Não bastava a imensa dor de ver o seu Patrimônio Temporal usurpado, seu Augusto Chefe prisioneiro, suas Ordens Religiosas abolidas ou proscritas, seus Pastores encarcerados ou desterrados, seus filhos atormentados e oprimidos?



Ah! Como se fosse ainda pouco tudo isto, um novo golpe vem feri-lA, desfechado não por mão estranha ou inimiga, mas pela de um de seus filhos mais caros, pela de um de seus Ministros, pela sua!



Meu caro Irmão, que fez? Porque se revoltou contra a Autoridade da Igreja? Se se julga injustamente suspenso pelo governador do Bispado, porque em lugar de resistir-lhe em face, não se dirigiu ao seu humilde Prelado? Porque, se queria desconhecer a jurisdição de seu Bispo, não recorreu, como sempre é lícito, ao Sumo Pontífice, nosso Superior espiritual e Chefe supremo da Igreja Católica?



Ah! Nada tinha-me ainda tanto afligido, nem as injúrias e as calúnias da impiedade, nem a injusta sentença dos homens, nem os sofrimentos da prisão, nem a iniquidade cometida contra os heroicos governadores de minha Diocese, nem a violenta deportação dos inocentes Padres Jesuítas, nem a perseguição de meus Sacerdotes e leigos fiéis!



Não, nada disto abalou-me a coragem, pelo contrário, tudo me alegrava no Senhor. Eu lhe dava mil ações de graças; eu derramava doces lágrimas de consolação à vista da inabalável constância do rebanho fiel, cometido a minha ternura e vigilância; à vista da firmeza apostólica e união admirável do Clero de Olinda, que se serrava em torno de seu humilde Pastor, como as cordas estão unidas a lira, segundo a bela expressão de Santo Inácio, Mártir.



Mas, oh dor! O ato de V. Rvm. meu filho, é sem dúvida, efeito da humana fragilidade, fruto de um momento de irreflexão e de cólera. O dardo atirado justo e, vindo direto ao meu coração, enterrou-se em minha alma, feriu-me dolorosamente, fez-me mais profunda ferida que a rebeldia de um filho querido pode abrir no peito de um pai amante.



V. Rvm. saiu do caminho da verdade, para seguir o declive vertiginoso do erro! Vejo bem agora a gravidade de sua triste e perigosa posição!



Oh! Meu caro filho, do mais íntimo de minha alma, rogo a V. Rvm. com toda a veemência de que é capaz o coração de um Bispo, não fique neste declive escorregadio! Ah! Não vá mais longe, não desça até o fundo do abismo! Por piedade, poupe este golpe ao peito já tão aflito de nossa querida Mãe, a Igreja Católica! Poupe esta dor ao Vigário de Jesus Cristo, já saciado de tantas amarguras! Poupe esta angústia à infeliz Diocese de Olinda! Poupe este escândalo ao Brasil, nossa Pátria entristecida! Não aumente a aflição ao aflito, traspassando o coração de vosso Pai e Pastor.



Meu Irmão, é tempo, não vá mais longe; pare, volte a casa paterna. Lance-se contrito nos braços de nossa terna Mãe, que será indulgente e terá entranhas de misericórdia para o arrependido.



Oh! Pelo precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo amor da Imaculada Virgem Maria, pela salvação eterna de sua alma, não vá mais longe, eu lhe peço com as lágrimas nos olhos!



Sim, eu, seu Pastor, seu Pai, seu Bispo, rogo-lhe por quanto há de mais sagrado, não resista à vontade de Deus, não dispense o chamado do Céu, não feche os ouvidos à voz do Senhor que o exorta por minha boca. – Vinctus Christi Jesu.



Fr. Vital. Bispo de Olinda.





Quanto isto é belo! Quanto é sublime! Nada aqui de concertado. É uma ingênua expressão. É um grito eloquente, como o que escapa do peito da mãe ao ver o filho precipitar-se em medonha voragem!



 
Brasão de D. Vital

Fonte: D. Antônio de Macedo Costa, Bispo do Pará, “A Questão Religiosa – Perante a Santa Sé, ou, A Missão Especial a Roma em 1873, a Luz de Documentos Publicados e Inéditos”, Cap. VIII, pp. 139-141; Imp. na Tipografia da “Civilização”, Maranhão, 1886.

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