Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Impetratórios Louvores ao Divino Menino Jesus


Degraus da Divina Infância
de Nosso Senhor Jesus Cristo1

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que descestes do seio de vosso Pai para nos salvar, fostes concebido do Espírito Santo, sem vos causar horror o seio de uma Virgem, e assumistes, Verbo feito carne, a forma de Servo, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós. (Repete-se esta invocação depois de cada degrau ou rogativa).

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que por meio da Santa Virgem, vossa Mãe, visitastes Santa Isabel, enchestes do Espírito Santo o vosso Precursor, João Batista, e o santificastes no seio de sua mãe, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que tão ardentemente desejado por Maria e São José antes do vosso Nascimento, vos oferecestes como Vítima a Deus vosso Pai, para a salvação do mundo, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que nascido da Virgem Maria em Belém, envolto em panos, deitado numa manjedoura, anunciado pelos Anjos e visitado pelos pastores, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que circuncidado ao oitavo dia depois do vosso Nascimento, recebestes o Nome de Jesus, e vos mostrastes desde então Salvador nosso, tanto por este nome glorioso, como pela efusão do vosso Sangue, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que revelado aos três reis magos por uma estrela, recebestes nos braços de vossa Mãe as suas adorações e presentes misteriosos, o ouro, o incenso e a mirra, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que apresentado no templo pela Santa Virgem, vossa Mãe, recebido nos braços do santo velho Simeão, e revelado a Israel pela profetisa Ana, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que perseguido mortalmente pelo iníquo Herodes, transportado ao Egito por São José e vossa Mãe, escapado por meio à cruel matança dos Inocentes, e glorificado pelo seu Martírio, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que desterrado para o Egito com a vossa Mãe Santíssima, a Virgem Maria, e o Patriarca São José, aí ficastes até a morte de Herodes, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que retornado do Egito para a terra de Israel com Maria e São José, depois de ter sofrido muito nesta viagem, vivestes oculto na cidade de Nazaré, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que morastes na Santa Casa de Nazaré, humildemente submisso à Maria e São José, vivendo no seio da pobreza e dos trabalhos, crescendo em sabedoria, idade e graça, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. Dulcíssimo Menino Jesus, que perdido na cidade de Jerusalém na idade de doze anos, procurado com dor por Maria e São José, e, três dias depois, encontrado por eles com alegria entre os doutores, tende compaixão de nós. R. Tende compaixão de nós, ó Jesus Menino, tende compaixão de nós.

V. O Verbo se fez carne.
R. E habitou entre nós.

Oremos: Deus onipotente e eterno, Senhor do Céu e da terra, que vos revelais aos humildes, fazei, nós vos pedimos, que, meditando e honrando dignamente os Mistérios da Santa Infância de Jesus, vosso divino Filho, e nos aplicando a imitar as suas virtudes, como é o nosso dever, possamos chegar ao Reino dos Céus, prometido aos humildes. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Assim seja.


Oferecimento dos Méritos do Menino Jesus2

Por havermos ofendido a Deus, merecemos ser condenados à morte eterna; a justiça divina quer com razão ser satisfeita; que devemos fazer? Desesperar? Oh! Não. Ofereçamos a Deus este terno Menino, que é seu Filho, e digamos-lhe cheios de confiança.3

Pai celeste, miserável pecador sou, digno do Inferno; ai! Nada tenho para vos oferecer em expiação dos meus pecados; mas ofereço-vos as lágrimas, as penas, o Sangue, a morte do Inocente Jesus, vosso Filho, e vos peço misericórdia pelos seus merecimentos. Se não tivesse este divino Menino para vos oferecer, perdido estaria, não haveria mais esperança para mim; mas, vós O me haveis dado a fim de que, oferecendo-vos os seus merecimentos, possa esperar a minha salvação. Senhor, infame tem sido a minha ingratidão, maior é, porém, a vossa misericórdia. E que maior misericórdia podia esperar de vós do que me dardes o vosso divino Filho para Redentor e Vítima de expiação pelos meus pecados? Pelo amor, pois de Jesus Cristo, perdoai-me; arrependo-me de todo o meu coração de vos ter desagradado, ó Bondade infinita! Pelo amor de Jesus Cristo, concedei-me também a santa perseverança. Ah! Deus meus, se vos ofendesse ainda depois de me haverdes esperado com tanta paciência, e esclarecido com tantas luzes e perdoado com tanto amor, não seria necessário um inferno de propósito só para mim? Por piedade, meu Pai, não permitais que me separe mais de Vós. Meu Jesus, ó doce Menino, prendei-me a Vós pelos laços do vosso amor; amo-vos, e amar-vos quero para todo sempre. Não permitais que me separe mais de Vós. Amo-vos também, ó minha Mãe Maria; dignai-vos igualmente amar-me, e como garantia deste amor obtende-me a graça de nunca cessar de amar o meu Deus.


Ladainha do Amor de Deus
(Composta pelo Santo Padre, o Papa Pio VI)

A vós, que sois o amor infinito, amo-vos, ó meu Deus.
A vós, que me haveis prevenido pelo vosso amor, amo-vos, ó meu Deus.
A vós, que me mandais que vos ame, amo-vos, ó meu Deus.

De todo o meu coração, amo-vos, ó meu Deus.
Com toda a minha alma, amo-vos, ó meu Deus.
Com todo o meu entendimento, amo-vos, ó meu Deus.
Com todas as minhas forças, amo-vos, ó meu Deus.
Sobre todos os bens e honra, amo-vos, ó meu Deus.
Sobre todos os prazeres e gozos, amo-vos, ó meu Deus.
Mais do que a mim mesmo e tudo o que me pertence, amo-vos, ó meu Deus.
Mais do que a todos os meus parentes e amigos, amo-vos, ó meu Deus.
Mais do que a todos os homens e Anjos, amo-vos, ó meu Deus.
Mais do que a todas as coisas criadas no Céu e na terra, amo-vos, ó meu Deus.
Unicamente por amor de Vós, amo-vos, ó meu Deus.
Porque Sois o soberano Bem, amo-vos, ó meu Deus.
Porque Sois infinitamente digno ser amado, amo-vos, ó meu Deus.
Porque Sois infinitamente perfeito, amo-vos, ó meu Deus.
Ainda que não me houvésseis prometido o Céu, amo-vos, ó meu Deus.
Ainda que me ameaçásseis com o Inferno, amo-vos, ó meu Deus.
Ainda que me provásseis pela miséria e pelo infortúnio, amo-vos, ó meu Deus.
Na abundância e na pobreza, amo-vos, ó meu Deus.
Na prosperidade e na adversidade, amo-vos, ó meu Deus.
Nas dignidades e nos desprezos, amo-vos, ó meu Deus.
Nos prazeres e nos sofrimentos, amo-vos, ó meu Deus.
Na saúde e na doença, amo-vos, ó meu Deus.
Na vida e na morte, amo-vos, ó meu Deus.
No tempo e na eternidade, amo-vos, ó meu Deus.

Em união do amor com que vos amam no Céu todos os Anjos e Santos, amo-vos, ó meu Deus.
Em união do amor com que vos ama a Bem-aventurada Virgem Maria, amo-vos, ó meu Deus.
Em união do amor infinito com que eternamente vos amais, amo-vos, ó meu Deus.

Oremos: Ó meu Deus, que possuis em abundância incompreensível tudo o que pode ser perfeito e digno de amor, extingui em mim todo o amor criminoso, sensual e desordenado às criaturas, e acendei no meu coração o fogo puríssimo do vosso amor, para que não ame senão a Vós e por Vós, até que sendo enfim consumido pelo vosso santíssimo amor, vá amar-vos eternamente com os eleitos no Céu, pátria do amor. Assim seja.


Oração ao Divino Menino Jesus de Praga
(Revelada, afirma-se, pela Santíssima Virgem ao Pe. Cirillo, carmelita)

A Vós recorro, ó Menino Jesus. Peço-vos, pela vossa Santíssima Mãe, assisti-me nesta necessidade (aqui se expõe o objeto da súplica), porque firmemente creio que a vossa Divindade pode me socorrer. Cheio de confiança, espero alcançar a vossa santa graça. Amo-vos de todo o coração e com todas as forças da minha alma. Arrependo-me sinceramente dos meus pecados; e a Vós suplico, ó Bom Jesus, dar-me a força de triunfar deles. Tomo a resolução de não vos ofender mais; e a Vós venho me oferecer disposto a antes sofrer tudo do que vos desagradar. De agora em diante, quero vos servir com fidelidade. Por vosso amor, ó Deus Menino, amarei a meu próximo como a mim mesmo. Poderosíssimo Menino, ó Jesus, novamente peço, assisti-me nesta circunstância (nomeai-a novamente), concedei-me a graça de possuir-vos eternamente com Maria e São José no Céu, e adorar-vos com os santos Anjos. Assim seja.



Fonte: Rev. Pe. Saint-Omer, CSsR., “As Mais Belas Orações de Santo Afonso de Ligório”, Terceira e Quarta Partes, pp. 415-418, 479-480, 466-467, 495; Impresso pelos Estabelecimentos Casterman Editores S.A., Tournai (Belgique), Bélgica, 1921.

1300 dias de indulgência, por uma vez cada dia.
2IV. 26 Dez.
3IV. Disc. 2.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Alerta aos Pais e as Mães, através desta Denúncia Grave do Procurador da República, Dr. Guilherme Schelb.

video

video

video

Nossa Senhora do Bom Sucesso
avisou sobre a 
Destruição da Inocência nas Crianças

 
"Porque te faço saber que, do término do século XIX até um pouco mais da metade do século XX..., extravasarão as paixões e haverá uma total corrupção de costumes por reinar quase Satanás nas Seitas maçônicas, a qual visará principalmente à infância, a fim de manter com isto a corrupção geral. Ai dos meninos deste tempo! Dificilmente receberão o Sacramento do Batismo, nem o da Confirmação. O Sacramento da Confissão, só en­quanto permanecerem nas escolas católicas, que o Diabo porá todo empenho em destruir, valendo-se de pessoas au­torizadas.

... a Seita, havendo-se apoderado de todas as classes sociais, possuirá tanta sutile­za para introduzir-se nos ambientes domésticos que perderá as crianças e o Demônio se gloriará de alimentar-se com o requintado manjar dos corações dos meninos.

Nesses tempos infaustos mal se encontrará a inocência infantil. Desta forma per­der-se-hão as vocações para o Sacerdócio, e será uma verdadeira calamidade..." (Nossa Senhora do Bom Sucesso avisou com mais de 400 anos de antecedência). 

Confira: http://cumpetroetsubpetrosemper.blogspot.com.br/…/profecias….

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Natal: O Dia da Realização das Promessas do Amor de Deus.


Promessas Divinas

Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao se calcanhar.”1

Este povo que andava nas trevas, viu uma grande luz; aos que habitavam na região da sombra da morte nasceu-lhes o dia.

Porquanto um Menino nasceu para nós, e um Filho nos foi dado e foi posto o Principado sobre o seu ombro; e será chamado Admirável, Conselheiro, Deus Forte, Pai do século futuro, Príncipe da Paz”.

O seu Império se estenderá cada vez mais, e a paz não terá fim; sentar-se-á sobre seu Reino, para o firmar e fortalecer pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre; fará isto o zelo do Senhor dos Exércitos.”2

“… Então a glória do Senhor se manifestará, e todos os homens verão ao mesmo tempo o que a boca do Senhor falou...”3

Ouvi, pois, casa de Davi: … Pois por isso, o mesmo Senhor vos dará este sinal: Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel.”4


Realizações das Promessas Divinas

E, (estando Isabel) no sexto mês, foi enviado por Deus o Anjo Gabriel a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um varão, que se chamava José, da casa de Davi, e o nome da Virgem era Maria. E, entrando o Anjo onde Ela estava, disse-lhe: Deus te salve cheia de graça, o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.

E Ela, tendo ouvido estas coisas, perturbou-se com as suas palavras, e discorria pensativa que saudação seria esta. E o Anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus. Este será grande, e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó; e o seu reino não terá fim.

E Maria disse ao Anjo: Como se fará isso, pois Eu não conheço varão? E, respondendo o Anjo, disse-lhe: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. E, por isso mesmo, o Santo, que há de nascer de ti, será chamado Filho de Deus. Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se diz estéril; porque a Deus nada é impossível. Então disse Maria: Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. E o Anjo afastou-se dela…

E, naqueles dias, saiu um edito de César Augusto, para que se fizesse o recenseamento de todo o mundo. Este primeiro recenseamento foi feito por Cirino, governador da Síria. E iam todos recensear-se, cada um à sua cidade. E José foi também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi, que se se chamava Belém, porque era da casa da família de Davi, para se recensear juntamente, com Maria, sua esposa, que estava grávida.

E, estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que devia dar à luz. E deu à luz o seu Filho Primogênito, e O enfaixou, e reclinou numa manjedoura; porque não havia lugar para eles na estalagem.

Ora, naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. E eis que apareceu junto deles um Anjo do Senhor, e a claridade de Deus os cercou, e tiveram grande temor. Porém, o Anjo disse-lhes: Não temais; porque eis que vos anuncio uma grande alegria, que terá todo o povo. Nasceu-vos na cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. E eis o (que vos servirá de) sinal: Encontrareis um Menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, subitamente, apareceu com o Anjo uma multidão da milícia celeste louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus no mais alto dos Céus, e paz na terra aos homens, (objeto) da boa vontade (de Deus).5


1ª Meditação6

Jesus nascendo mostra-se nosso Salvador

Havia quatro mil anos que o mundo esperava um Salvador; os Patriarcas e os Profetas O chamavam com os seus suspiros e as suas lágrimas: porque, se não viesse, estaríamos todos perdidos. Ele desce finalmente ao presépio, onde o seu primeiro cuidado é salvar-nos, satisfazendo pelos nossos pecados7. Se do seu berço eleva as suas mãozinhas ao Céu, é para aplacar a justiça de seu Pai; se verte lágrimas, é para lavar as nossas máculas e extinguir o fogo da ira celeste; se solta vagidos, é para chamar sobre nós a misericórdia divina. A sua voz é ouvida. Ó espetáculo admirável! Jesus está no presépio satisfazendo por nós; e Deus está em Jesus aceitando esta satisfação. Jesus está no presépio, pobre e humilhado; e Deus está em Jesus aceitando essas humilhações e pobreza em expiação da nossa soberba e do nosso amor das riquezas. Jesus está no presépio, padecente, manso, obediente, e Deus está em Jesus aceitando esse padecimento, essa mansidão, essa obediência, em expiação dos nossos prazeres, das nossas impaciências e das nossas revoltas8. É assim que, desde a sua entrada no mundo, o Homem-Deus se apressa em sofrer e fazer penitência em nosso lugar. Ó primeiras lágrimas que o meu Salvador derramou sobre os meus pecados, eu adoro-vos e venero-vos; primeiros grito que Ele fez ouvir por mim a seu Pai, como preludio desse grande grito, pelo qual devia, ao morrer, consumar o seu Sacrifício e a nossa Redenção, oxalá retumbeis até ao fundo do meu coração, o enterneçais, o comovais, e me façais tomar a minha salvação mais a sério!


2ª Meditação9

Jesus nascendo mostra-se nosso Mestre10

Os mais sábios filósofos de Atenas e de Roma não fazem mais do que gaguejar ao pé desse divino Menino, e as suas mais doutas lições empalidecem na presença do presépio. Ali Jesus prega a sabedoria não com palavras, mas com fatos11. Ele que podia obter todos os gozos da vida, alimenta-se das suas lágrimas, dorme no chão, treme com frio, e entrega aos rigores da estação o seu Corpo delicado, tão sensível às impressões da dor, principalmente nesta idade. É assim que nos ensina a não lisonjearmos os nossos sentidos, a não buscar as nossas comodidades, a nossa sensualidade, os nossos gostos, e a não sermos impacientes nos incômodos. Ele que, Senhor do Céu e da terra, podia nascer no seio da opulência, nasce na extrema pobreza, nos embaraços de uma viagem, em que os mais cautelosos carecem de muitas coisas, no meio da noite, em um presépio abandonado. É assim que Ele nos ensina a não sermos tão ávidos das riquezas, a arrancar do nosso coração a paixão de acumular, princípio de todas as injustiças. É assim que Ele, o Rei da glória, baixa ao mais ínfimo grau da humilhação, parece ter dificuldade em achar um lugar bastantemente desprezível para fazer a sua entrada no mundo: desce a uma estrebaria meio arruinada, que encontra no seu caminho. É assim que Ele nos ensina a não cedermos à paixão da honra e da estimação, ao desejo de nos fazermos conhecidos, e a aceitarmos o abandono e o desprezo, quando se apresentarem. Ó Jesus, quão admiráveis são as vossas lições! Quem poderia, diante de vosso presépio, desejar ainda prazeres, riquezas e glória!

3ª Meditação12

Jesus nascendo mostra-se o enlevo do nosso coração13

Quando contemplo, dizia São Bernardo, o Filho de Deus no seio de seu Pai, sinto-me penetrado de respeito, e tremo de assombro diante da sua incomparável Majestade; mas, quando O vejo no presépio, não posso já teme-lO: não posso senão amá-lO14. Amo-O ocultando essa Majestade, que assombra, encobrindo essa glória, que surpreende, abaixando essa elevação, que espanta, para não descobrir senão o amor e a bondade, que atraem. É um Menino recém-nascido; quem O temeria15? Basta que nos aproximemos d'Ele para O amarmos, para nos enternecermos16. Se as lágrimas de um menino abandonado, ainda que fosse para nós um estranho, um desconhecido, nos comoveriam; quanto mais não devemos comover-nos, vendo este Menino Deus, terna Vítima, que padece e chora em nosso lugar, que estende amorosamente para nós as suas mãozinhas, a fim de nos pedir o nosso coração e nos dizer com a sua vista, na falta da palavra: Meu filho, dá-Me o teu coração17. Quem ousaria, com a sua covardia e tibieza, entristecer este divino Menino, e arrancar dos seus inocentes olhos novas lágrimas? Ah! Vamos antes ao altar recebê-lO com grande amor, apertá-lO ao nosso peito, pedir-lhe que venha nascer em nós e fazer do nosso coração o seu berço. Do altar como do presépio pode-se dizer: Em sua pequenez, quanto é amável18! E, todavia, como temos nós O amado até agora? Como O amamos ainda? Ó meu coração, ama, pois, finalmente, um Deus tão amável; não respires já senão amor para com o Deus do presépio; e inaugure para ti, a grande Festa do Natal, uma vida toda de amor.



1Gênesis 3, 15.
2Isaías 9, 1-7.
3Isaías 40, 1-8.
4Isaías 7, 12-14.
5Lucas 1, 26-38; 2, 1-14.
6M. Hamon, “Meditações para todos os dias do ano”, Tomo 1º, 25 de Dezembro, pp. 118-119; traduzidas da terceira edição francesa por Francisco Luiz de Seabra, Pároco de Cácia, Livraria Lello & Irmão, Editores, Porto-Lisboa, 1940.
7Natus est vobis hodie Salvator (Luc. II, 11).
8Deus erat in Christo mundum reconcilians sibi (II Cor., V, 19).
9M. Hamon, ob. cit., pp. 119-120.
10Apparuit gratia Dei… erudiens nos (Tit. II, 11-12).
11Ipsa infatilia membra clamant (S. Bern., de Nativ.).
12M. Hamon, ob. cit., pp. 120-121.
13Benignitas et humilitas apparuit Salvatoris nostri Dei (Tit. III, 4).
14Magnus Dominus et laudabilis nimis; parvulus Dominus et amabilis nimis (S. Bern., de Nativ.).
15Nolite timere (Luc., II, 10).
16Parvulus Dominus et amabilis nimis (S. Bern., de Nativ.).
17Praebe filii mi, cor tuum mihi (Prov. XXIII, 26).
18Parvulus Dominus et amabilis nimis.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Os olhos milagrosos da Virgem de Guadalupe. É impossível, cientificamente, que sejam olhos pintados: são olhos vivos!

olhos-de-guadalupe

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A Imaculada Conceição, da Bem-aventurada e Sempre Virgem Maria, Mãe de Deus.


Reflexões1

O Senhor possuiu-me desde o princípio de seus caminhos”2. Quem senão esta filha favorecida do Céu, a quem a Igreja aplica estas palavras, é que pode gloriar-se de não haver estado nunca debaixo da escravidão do Demônio? É uma pura criatura que Deus escolheu por Mãe desde a eternidade. Admiraremos à vista disso que o Senhor haja sido tão zeloso da posse de seu Coração, e que se haja reservado as suas primeiras homenagens? É um Templo, onde deve residir toda a plenitude da Divindade.

É necessário que Maria seja isenta do Pecado Original, por que o Filho de Deus deve nascer em seu seio como em seu Templo; e o primeiro emprego e a sua primeira função merece o privilégio dessa santidade.

Aprendamos da Igreja a reverenciar em Maria uma prerrogativa tão singular, sem querer aprofundar este Mistério com uma curiosidade infiel. Mas, que instrução devemos tirar nós daqui, sendo filhos da ira? Podemos acaso evitar a triste desgraça em que fomos envolvidos desde o primeiro momento da nossa origem? Por certo que não; mas, podemos inferir desta prerrogativa a ideia que é preciso formar da graça santificante, vendo a distinção que Deus faz de Maria, dando-lhe desde o primeiro instante de sua origem; e outrossim o horror que Deus tem ao pecado, e o que nós devemos ter, visto que Deus isenta Maria da Lei Comum para não se unir a uma carne inclinada pelo funesto hálito do pecado.


Meditações

Primeiro Ponto: Considera que pela Imaculada Conceição da Santíssima Virgem se entende aquele insigne privilégio, pelo qual preservou Deus a esta ditosa criatura da mácula do Pecado Original, que infeccionou toda a posteridade de Adão. Todos sabem que o privilégio é uma lei particular, que exime as pessoas, objeto dele, de uma Lei Comum, a que todos os outros estão sujeitos. O privilégio pois é tanto mais apreciável, quanto a lei, de que exime, é mais universal e mais dura. Maria em sua Conceição foi subtraída à lei que sujeitava os homens ao pecado. E houve jamais lei mais dura e mais comum? Imagina, se é possível, o preço, a grandeza, a excelência do privilégio da Imaculada Conceição de Maria. É tal este privilégio, dizem os Doutores e os Santos Padres, que se se houvesse deixado à escolha de Maria, ou o ser Mãe de Deus, ou o ser concebida sem pecado, haveria preferido a Imaculada Conceição a todas as preeminências, e à própria Maternidade divina. Conhecendo a Deus, e amando-O naquele grau, em que O conhecia, nenhuma prerrogativa, nenhuma graça, nenhuma dignidade a haveria indenizado da desgraça do ter estado um só momento na inimizade de Deus. Aprendamos daqui a ideia que devemos formar do pecado. Na verdade, se a Augusta dignidade de Mãe de Deus pedia que fosse isenta de toda a corrupção depois da sua morte, e de toda a mancha de Pecado Venial durante sua vida; quanto mais não pedia esta incompreensível dignidade, que fosse isenta do Pecado Original?

Suposta esta verdade, a Virgem Santíssima foi cumulada dos maiores favores neste primeiro momento, e neste primeiro momento foi cheia de graça: “Vós sozinha possuís, diz São Bernardo, todas as virtudes e méritos de todos os Santos juntos”. Com que devoção, pois, e com que culto não se deve honrar e celebrar o primeiro momento da mais Santa vida?! “Assim como todos os rios, diz São Boaventura, entram no mar, assim todas as torrentes de graças e bênçãos, que saem do Seio de Deus, e se repartem por todos os Santos, se reuniram no Coração de Maria no primeiro momento de sua vida, no qual foi santificada. Quão devido e justo é celebrar este ditoso momento com todas as demonstrações de regozijo e da mais acabada solenidade! Um filho bem criado considera como a mais natural e justa obrigação tomar toda a parte possível nas prosperidades e glórias de sua mãe. A natureza, a razão, o reconhecimento, inspiram estes sentimentos a todos os filhos. Tem-se visto, e veem-se todos os dias soberanos que decretam a suas mães as honras do triunfo, que eles mesmos recusaram para si, desejando que os povos festejem suas mães. Qual não deve ser pois o gozo, a veneração, a alegria de todos os verdadeiros fiéis neste dia? Com que devoção, com que gosto, com que fervor não devemos celebrar a Festa da Imaculada Conceição da Mãe de Deus? De todas as festas, instituídas em sua honra, que outra lhe será mais agradável, e em que outra se comprazerá mais? A nossa tibieza e indiferença nesta ocasião não seria uma prova do nosso pouco reconhecimento, da nossa pouca confiança e do nosso pouco amor? O não ter senão uma devoção medíocre à Imaculada Conceição da Mãe de Deus poderia ser uma prova sensível da nossa veneração e ternura?

Segundo Ponto: Considera que nesta admirável santificação há três prerrogativas singulares, três notas que jamais se encontraram juntas na santificação de outra pura criatura: a santificação da Virgem foi original, inalterável, e sempre em aumento. Os Anjos, Adão e Eva foram criados na graça santificante, mas podiam perdê-la; e de fato, Adão e Eva a perderam como também os Anjos rebeldes. Porém, Maria em sua Conceição Imaculada foi cheia de uma graça, que jamais perdeu, e que era incapaz de perder, não por natureza, mas por privilégio.

Os Apóstolos foram confirmados na graça depois da vinda do Espírito Santo; mas além de terem sido pecadores, não estavam isentos de faltas leves; ao passo que Maria desde o primeiro instante de sua existência, foi imutavelmente unida com Deus, e por um particular favor, isenta toda a sua vida de faltas, ainda mesmo leves. Os Bem-aventurados no Céu estão livres de toda a imperfeição; mas esta santidade não pode crescer, nem ser mais perfeita; porém, a de Maria sempre foi crescendo, multiplicando-se todo o tempo que esteve sobre a terra. Esta primeira graça foi acompanhada dos Dons do Espírito, dos Hábitos infusos, de Virtudes Morais e Intelectuais, dos Dons de Profecia, de Milagres, de Inteligência das Sagradas Escrituras, no mais alto grau de perfeição. As névoas que ofuscam o entendimento das outras crianças, não escureciam as luzes do entendimento de Maria. O seu Coração não se ocupou desde então, senão em amar ardentemente aquele Divino Esposo, de quem havia de vir a ser Mãe; e o tempo que é perdido para o resto dos homens, foi para Ela um tempo de mérito e de bênçãos.

Que graça, que glória a de Maria neste primeiro momento! Não é possível dizer, nem se pode compreender o que valeu este privilégio. Pois, que progressos não faria na santidade uma alma que tinha mais graça que todos os Serafins, e que não sentia nenhuma das imperfeições da natureza corrompida. A que grau de contemplação não deveu elevar-se a que não sentia o peso do seu corpo, e a que tinha um espírito tão ilustrado? Qual não deveu ser o excesso de amor a Deus, pois longe de que lho entibiassem as outras paixões, podia fazer servir todas as suas paixões para mais e mais se inflamar a cada instante? Qual não deve ser, Deus meu, a nossa admiração, a nossa ternura, a nossa veneração para com vossa Mãe neste primeiro instante de sua Conceição! E com que devoção devemos celebrar esta festividade!


Oração

Virgem Santa, Virgem Imaculada, eu creio firmemente que Deus vos possuiu desde o princípio; creio que não só a vossa Conceição, mas toda a vossa vida passou sem mancha, e que amastes a Deus sem interrupção alguma até ao último instante de vossa vida. Fazei, Virgem Santa, que por esta confiança que tenho em vossa bondade, entre na amizade do vosso Filho, para a não perder jamais; e que, honrando toda a minha vida a vossa Imaculada Conceição, o melhor que me seja possível, alcance por vossa intercessão a graça de uma santa morte. Amém.


Todos os que celebram, ó Virgem Santa,
vossa Conceição Imaculada,
experimentem os efeitos de vossa proteção.




1Rev. Pe. Croiset, S.J., “Ano Cristão ou Devocionário Para Todos os Dias do Ano”, Vol. XII, 8 de Dezembro, pp. 110-113; Traduzido do francês, revisto e adaptado às últimas reformas litúrgicas pelo Rev. Pe. Matos Soares, Professor do Seminário do Porto, Porto, 1923.
2Provérbios 8, 22-35.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A Doutrina Católica Sobre o Verdadeiro Ecumenismo

 
 Carta Encíclica Mortalium Animos, de Sua Santidade o Papa Pio XI,
Sobre a Promoção da Verdadeira Unidade de Religião
 
 
(Apud Acta Apostolicae Sedis, anno XX, vol. XX, n.1, p.5, 10/01/1928)
Carta Encíclica aos Rev.mos Senhores Padres Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos e outros Ordinários dos lugares em paz e união com a Sé Apostólica:
 
 



Veneráveis Irmãos,
Saúde e Bênção Apostólica.

1. Ânsia universal de paz e fraternidade

Talvez jamais em uma outra época os espíritos dos mortais foram tomados por um tão grande desejo daquela fraterna amizade, pela qual em razão da unidade e identidade de natureza – somos estreitados e unidos entre nós, amizade esta que deve ser robustecida e orientada para o bem comum da sociedade humana, quanto vemos ter acontecido nestes nossos tempos.

Pois, embora as nações ainda não usufruam plenamente dos benefícios da paz, antes, pelo contrário, em alguns lugares, antigas e novas discórdias vão explodindo em sedições e em conflitos civis; como não é possível, entretanto, que as muitas controvérsias sobre a tranquilidade e a prosperidade dos povos sejam resolvidas sem que exista a concórdia quanto à ação e às obras dos que governam as Cidades e administram os seus negócios; compreende-se facilmente (tanto mais que já ninguém discorda da unidade do gênero humano) porque, estimulados por esta irmandade universal, também muitos desejam que os vários povos cada dia se unam mais estreitamente.

2. A Fraternidade na religião. Congressos ecumênicos

Entretanto, alguns lutam por realizar coisa não dissemelhante quanto à ordenação da Lei Nova trazida por Cristo, Nosso Senhor.

Pois, tendo como certo que rarissimamente se encontram homens privados de todo sentimento religioso, por isto, parece, passaram a Ter a esperança de que, sem dificuldade, ocorrerá que os povos, embora cada um sustente sentença diferente sobre as coisas divinas, concordarão fraternalmente na profissão de algumas doutrinas como que em um fundamento comum da vida espiritual.

Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembleias e pregações, com não medíocre frequência de ouvintes e para elas convocam, para debates, promiscuamente, a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e à sua missão.

3. Os Católicos não podem aprová-lo

Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que julgam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império.

Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas afasta-se inteiramente da religião divinamente revelada.

4. Outro erro. A união de todos os cristãos. Argumentos falazes.

Entretanto, quando se trata de promover a unidade entre todos os cristãos, alguns são enganados mais facilmente por uma disfarçada aparência do que seja reto.

Acaso não é justo e de acordo com o dever – costumam repetir amiúde – que todos os que invocam o nome de Cristo se abstenham de recriminações mútuas e sejam finalmente unidos por mútua caridade?

Acaso alguém ousaria afirmar que ama a Cristo se, na medida de suas forças, não procura realizar as coisas que Ele desejou, ele que rogou ao Pai para que seus discípulos fossem "UM" (Jo 17,21)?

Acaso não quis o mesmo Cristo que seus discípulos fossem identificados por este como que sinal e fossem por ele distinguidos dos demais, a saber, se mutuamente se amassem: "Todos conhecerão que sois meus discípulos nisto: se tiverdes amor um pelo outro?" (Jo 13,35).

Oxalá todos os cristão fossem "UM", acrescentam: eles poderiam repelir muito melhor a peste da impiedade que, cada dia mais, se alastra e se expande, e se ordena ao enfraquecimento do Evangelho.

5. Debaixo desses argumentos se oculta um erro gravíssimo

Os chamados "pancristãos" espalham e insuflam estas e outras coisas da mesma espécie. E eles estão tão longe de serem poucos e raros mas, ao contrário, cresceram em fileiras compactas e uniram-se em sociedades largamente difundidas, as quais, embora sobre coisas de fé cada um esteja imbuído de uma doutrina diferente, são, as mais das vezes, dirigidas por acatólicos.

Esta iniciativa é promovida de modo tão ativo que, de muitos modos, consegue para si a adesão dos cidadão e arrebata e alicia os espíritos, mesmo de muitos católicos, pela esperança de realizar uma união que parecia de acordo com os desejos da Santa Mãe, a Igreja, para Quem, realmente, nada é tão antigo quanto o reconvocar e o reconduzir os filhos desviados para o seu grêmio.

Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras oculta-se um gravíssimo erro pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé.

6. A verdadeira norma nesta matéria

Advertidos, pois, pela consciência do dever apostólico, para que não permitamos que o rebanho do Senhor seja envolvido pela nocividade destas falácias, apelamos, veneráveis irmãos, para o vosso empenho na precaução contra este mal. Confiamos que, pelas palavras e escritos de cada um de vós, poderemos atingir mais facilmente o povo, e que os princípios e argumentos, que a seguir proporemos, sejam entendidos por ele pois, por meio deles, os católicos devem saber o que devem pensar e praticar, dado que se trata de iniciativas que dizem respeitos a eles, para unir de qualquer maneira em um só corpo os que se denominam cristãos.
7. Só uma Religião pode ser verdadeira: a revelada por Deus

Fomos criados por Deus, Criador de todas as coisas, para este fim: conhecê-lO e serví-lO. O nosso Criador possui, portanto, pleno direito de ser servido.

Por certo, poderia Deus Ter estabelecido apenas uma lei da natureza para o governo do homem. Ele, ao criá-lo, gravou-a em seu espírito e poderia portanto, a partir daí, governar os seus novos atos pela providência ordinária dessa mesma lei. Mas, preferiu dar preceitos aos quais nós obedecêssemos e, no decurso dos tempos, desde os começos do gênero humano até a vinda e a pregação de Jesus Cristo, Ele próprio ensinou ao homem, naturalmente dotado de razão, os deveres que dele seriam exigidos para com o Criador: "Em muitos lugares e de muitos modos, antigamente, falou Deus aos nossos pais pelos profetas; ultimamente, nestes dias, falou-nos por seu Filho" (Heb 1,1 Seg).

Está, portanto, claro que a religião verdadeira não pode ser outra senão a que se funda na palavra revelada de Deus; começando a ser feita desde o princípio, essa revelação prosseguiu sob a Lei Antiga e o próprio Cristo completou-a sob a Nova Lei.

Portanto, se Deus falou – e comprova-se pela fé histórica Ter ele realmente falado – não há quem não veja ser dever do homem acreditas, de modo absoluto, em deus que se revela e obedecer integralmente a Deus que impera. Mas, para a glória de Deus e para a nossa salvação, em relação a uma coisa e outra, o Filho Unigênito de Deus instituiu na terra a sua Igreja.

8. A única religião revelada é a Igreja Católica

Acreditamos, pois, que os que afirma serem cristão, não possam fazê-lo sem crer que uma Igreja, e uma só, foi fundada por Cristo. Mas, se se indaga, além disso, qual deva ser ela pela vontade do seu Autor, já não estão todos em consenso.

Assim, por exemplo, muitíssimos destes negam a necessidade da Igreja de Cristo ser visível e perceptível, pelo menos na medida em que deva aparecer como um corpo único de fiéis, concordes em uma só e mesma doutrina, sob um só magistério e um só regime. Mas, pelo contrário, julgam que a Igreja perceptível e visível é uma Federação de várias comunidades cristãs, embora aderentes, cada uma delas, a doutrinas opostas entre si.

Entretanto, cristo Senhor instituiu a sua Igreja como uma sociedade perfeita de natureza externa e perceptível pelos sentidos, a qual, nos tempos futuros, prosseguiria a obra da reparação do gênero humano pela regência de uma só cabeça (Mt 16,18 seg.; Lc 22,32; Jo 21,15-17), pelo magistério de uma voz viva (Mc 16,15) e pela dispensação dos sacramentos, fontes da graça celeste (Jo 3,5; 6,48-50; 20,22 seg.; cf. Mt 18,18; etc.). Por esse motivo, por comparações afirmou-a semelhante a um reino (Mt, 13), a uma casa (Mt 16,18), a um redil de ovelhas (Jo 10,16) e a um rebanho (Jo 21,15-17).

Esta Igreja, fundada de modo tão admirável, ao Lhe serem retirados o seu Fundador e os Apóstolos que por primeiro a propagaram, em razão da morte deles, não poderia cessar de existir e ser extinta, uma vez que Ela era aquela a quem, sem nenhuma discriminação quanto a lugares e a tempos, fora dado o preceito de conduzir todos os homens à salvação eterna: "Ide, pois, ensinai a todos os povos" (Mt 28,19).

Acaso faltaria à Igreja algo quanto à virtude e eficácia no cumprimento perene desse múnus, quando o próprio Cristo solenemente prometeu estar sempre presente a ela: "Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos?" (Mt 28,20).

Deste modo, não pode ocorrer que a Igreja de Cristo não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista como inteiramente a mesma que existiu à época dos Apóstolos. A não ser que desejemos afirmar que: Cristo Senhor ou não cumpriu o que propôs ou que errou ao afirmar que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Ela (Mt 16,18).

9. Um erro capital do movimento ecumênico na pretendida união das igrejas cristãs

Ocorre-nos dever esclarecer e afastar aqui certa opinião falsa, da qual parece depender toda esta questão e proceder essa múltipla ação e conspiração dos acatólicos que, como dissemos, trabalham pela união das igrejas cristãs.

Os autores desta opinião acostumaram-se a citar, quase que indefinidamente, a Cristo dizendo: "Para que todos sejam um"... "Haverá um só rebanho e um só Pastos"(Jo 27,21; 10,16). Fazem-no todavia de modo que, por essas palavras, queriam significar um desejo e uma prece de cristo ainda carente de seu efeito.

Pois opinam: a unidade de fé e de regime, distintivo da verdadeira e única Igreja de Cristo, quase nunca existiu até hoje e nem hoje existe; que ela pode, sem dúvida, ser desejada e talvez realizar-se alguma vez, por uma inclinação comum das vontades; mas que, entrementes, deve existir apenas uma fictícia unidade.

Acrescentam que a Igreja é, por si mesma, por natureza, dividida em partes, isto é, que ela consta de muitas igreja ou comunidades particulares, as quais, ainda separadas, embora possuam alguns capítulos comuns de doutrina, discordam todavia nos demais. Que cada uma delas possui os mesmos direitos, Que, no máximo, a Igreja foi única e una, da época apostólica até os primeiros concílios ecumênicos.

Assim, dizem, é necessários colocar de lado e afastar as controvérsias e as antiquíssimas variedade de sentenças que até hoje impedem a unidade do nome cristão e, quanto às outras doutrinas, elaborar e propor uma certa lei comum de crer, em cuja profissão de fé todos se conheçam e se sintam como irmãos, pois, se as múltiplas igrejas e comunidades forem unidas por um certo pacto, existiria já a condição para que os progressos da impiedade fossem futuramente impedidos de modo sólido e frutuoso.

Estas são, Veneráveis Irmãos, as afirmações comuns.

Existem, contudo, os que estabelecem e concedem que o chamado Protestantismo, de modo bastante inconsiderado, deixou de lado certos capítulos da fé e alguns ritos do culto exterior, sem dúvida gratos e úteis, que, pelo contrário, a Igreja Romana ainda conserva.

Mas, de imediato, acrescentam que esta mesma Igreja também agiu mal, corrompendo a religião primitiva por algumas doutrinas alheias e repugnantes ao Evangelho, propondo acréscimos para serem cridos: enumeram como o principal entre estes o que versa sobre o Primado de Jurisdição atribuído a Pedro e a seus Sucessores na Sé Romana.

Entre os que assim pensam, embora não sejam muitos, estão os que indulgentemente atribuem ao Pontífice Romano um primado de honra ou uma certa jurisdição e poder que, entretanto, julgam procedente não do direito divino, mas de certo consenso dos fiéis. Chegam outros ao ponto de, por seus conselhos, que diríeis serem furta-cores, quererem presidir o próprio Pontífice.

E se é possível encontrar muitos acatólicos pregando à boca cheia a união fraterna em Jesus Cristo, entretanto não encontrareis a nenhum deles em cujos pensamentos esteja a submissão e a obediência ao Vigário de Jesus Cristo enquanto docente ou enquanto governante.

Afirmam eles que tratariam de bom grado com a Igreja Romana, mas com igualdade de direitos, isto é, iguais com um igual. Mas, se pudessem fazê-lo, não parece existir dúvida de que agiriam com a intenção de que, por um pacto que talvez se ajustasse, não fossem coagidos a afastarem-se daquelas opiniões que são a causa pela qual ainda vagueiem e errem fora do único aprisco de Cristo.

10. A Igreja Católica não pode participar de semelhantes reuniões

Assim sendo, é manifestamente claro que a Santa Sé, não pode, de modo algum, participar de suas assembleias e que, aos católicos, de nenhum modo é lícito aprovar ou contribuir para estas iniciativas: se o fizerem concederão autoridade a uma falsa religião cristã, sobremaneira alheia à única Igreja de Cristo.

11. A verdade revelada não admite transações

Acaso poderemos tolera – o que seria bastante iníquo - , que a verdade e , em especial a revelada, seja diminuída através de pactuações?

No caso presente, trata-se da verdade revelada que deve ser defendida.

Se Jesus Cristo enviou os Apóstolos a todo o mundo, a todos os povos que deviam ser instruídos na fé evangélica e, para que não errassem em nada, quis que, anteriormente, lhes fosse ensinada toda a verdade pelo Espírito Santo, acaso esta doutrina dos Apóstolos faltou inteiramente ou foi alguma vez perturbada na Igreja em que o próprio Deus está presente como regente e guardião?

Se o nosso Redentor promulgou claramente o seu Evangelho não apenas para os tempos apostólicos, mas também para pertencer às futuras épocas, o objeto da fé pode tornar-se de tal modo obscuro e incerto que hoje seja necessários tolerar opiniões pelo menos contrárias entre si?

Se isto fosse verdade, dever-se-ia igualmente dizer que o Espírito Santo que desceu sobre os Apóstolos, que a perpétua permanência dele na Igreja e também que a própria pregação de Cristo já perderam, desde muitos séculos, toda a eficácia e utilidade: afirmar isto é, sem dúvida, blasfemo.

12. A Igreja Católica, depositária infalível da verdade

Quando o Filho Unigênito de Deus ordenou a seus enviados que ensinassem a todos os povos, vinculou então todos os homens pelo dever de crer nas coisas que lhes fossem anunciadas pela "testemunha pré-ordenadas por Deus" (At. 10,41). Entretanto, um e outro preceito de Cristo, o de ensinar e o de crer na consecução da salvação eterna, que não podem deixar de ser cumpridos, não poderiam ser entendidos a não ser que a Igreja proponha de modo íntegro e claro a doutrina evangélica e que, ao propô-la, seja imune a qualquer perigo de errar.

Afastam-se igualmente do caminho os que julgam que o depósito da verdade existe realmente na terra, mas que é necessário um trabalho difícil, com tão longos estudos e disputas para encontrá-lo e possuí-lo que a vida dos homens seja apenas suficiente para isso, com se Deus benigníssimo tivesse falado pelos profetas e pelo seu Unigênito para que apenas uns poucos, e estes mesmos já avançados em idade, aprendessem perfeitamente as coisas que por eles revelou, e não para que preceituasse uma doutrina de fé e de costumes pela qual, em todo o decurso de sua vida mortal, o homem fosse regido.

13. Sem fé, não há verdadeira caridade

Estes pancristãos, que empenham o seu espírito na união das igrejas, pareceriam seguir, por certo, o nobilíssimo conselho da caridade que deve ser promovida entre os cristãos. Mas, dado que a caridade se desvia em detrimento da fé, o que pode ser feito?

Ninguém ignora por certo que o próprio João, o Apóstolo da Caridade, que em seu Evangelho parece ter manifestado os segredos do Coração Sacratíssimo de Jesus e que permanentemente costumavas inculcar à memória dos seus o mandamento novo: "Amai-vos uns aos outros", vetou inteiramente até mesmo manter relações com os que professavam de forma não íntegra e incorrupta a doutrina de Cristo: "Se alguém vem a vós e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem digais a ele uma saudação" (2 Jo. 10).

Pelo que, como a caridade se apoia na fé íntegra e sincera como que em um fundamento, então é necessário unir os discípulos de Cristo pela unidade de fé como no vínculo principal.

14. União irracional

Assim, de que vale excogitar no espírito uma certa Federação cristã, na qual ao ingressar ou então quando se tratar do objeto da fé, cada qual retenha a sua maneira de pensar e de sentir, embora ela seja repugnante às opiniões dos outros?

E de que modo pedirmos que participem de um só e mesmo Conselho homens que se distanciam por sentenças contrárias como, por exemplo, os que afirmam e os que negam ser a sagrada Tradição uma fonte genuína da Revelação Divina?

Como os que adoram a Cristo realmente presente na Santíssima Eucaristia, por aquela admirável conversão do pão e do vinho que se chama transubstanciação e os que afirmam que, somente pela fé ou por sinal e em virtude do Sacramento, aí está presente o Corpo de Cristo?

Como os que reconhecem nela a natureza do Sacrifício e a do Sacramento e os que dizem que ela não é senão a memória ou comemoração da Ceia do Senhor?

Como os que creem ser bom e útil invocar súplice os Santos que reinam junto de Cristo - Maria, Mãe de Deus, em primeiro lugar - e tributar veneração às suas imagens e os que contestam que não pode ser admitido semelhante culto, por ser contrário à honra de Jesus Cristo, "único mediador de Deus e dos homens"? (1 Tim. 2,5).

15. Princípio até o indiferentismo e o modernismo

Não sabemos, pois, como por essa grande divergência de opiniões seja defendida o caminho para a realização da unidade da Igreja: ela não pode resultar senão de um só magistério, de uma só lei de crer, de uma só fé entre os cristãos. Sabemos, entretanto, gerar-se facilmente daí um degrau para a negligência com a religião ou o Indiferentismo e para o denominado Modernismo. os que foram miseravelmente infeccionados por ele defendem que não é absoluta, mas relativa a verdade revelada, isto é, de acordo com as múltiplas necessidades dos tempos e dos lugares e com as várias inclinações dos espíritos, uma vez que ela não estaria limitada por uma revelação imutável, mas seria tal que se adaptaria à vida dos homens.

Além disso, com relação às coisas que devem ser cridas, não é lícito utilizar-se, de modo algum, daquela discriminação que houveram por bem introduzir entre o que denominam capítulos fundamentais e capítulos não fundamentais da fé, como se uns devessem ser recebidos por todos, e, com relação aos outros, pudesse ser permitido o assentimento livre dos fiéis: a Virtude sobrenatural da fé possui como causa formal a autoridade de Deus revelante e não pode sofrer nenhuma distinção como esta.

Por isto, todos os que são verdadeiramente de Cristo consagram, por exemplo, ao mistério da Augusta Trindade a mesma fé que possuem em relação dogma da Mãe de Deus concebida sem a mancha original e não possuem igualmente uma fé diferente com relação à Encarnação do Senhor e ao magistério infalível do Pontífice romano, no sentido definido pelo Concílio Ecumênico Vaticano.

Nem se pode admitir que as verdade que a Igreja, através de solenes decretos, sancionou e definiu em outras épocas, pelo menos as proximamente superiores, não sejam, por este motivo, igualmente certas e nem devam ser igualmente acreditadas: acaso não foram todas elas reveladas por Deus?

Pois, o Magistério da Igreja, por decisão divina, foi constituído na terra para que as doutrinas reveladas não só permanecessem incólumes perpetuamente, mas também para que fossem levadas ao conhecimento dos homens de um modo mais fácil e seguro. E, embora seja ele diariamente exercido pelo Pontífice Romano e pelos Bispos em união com ele, todavia ele se completa pela tarefa de agir, no momento oportuno, definindo algo por meio de solenes ritos e decretos, se alguma vez for necessário opor-se aos erros ou impugnações dos hereges de um modo mais eficiente ou imprimir nas mentes dos fiéis capítulos da doutrina sagrada expostos de modo mais claro e pormenorizado.

Por este uso extraordinário do Magistério nenhuma invenção é introduzida e nenhuma coisa nova é acrescentada à soma de verdades que estando contidas, pelo menos implicitamente, no depósito da revelação, foram divinamente entregues à Igreja, mas são declaradas coisas que, para muitos talvez, ainda poderiam parecer obscuras, ou são estabelecidas coisas que devem ser mantidas sobre a fé e que antes eram por alguns colocados sob controvérsia.

16. A única maneira de unir todos os cristãos

Assim, Veneráveis Irmãos, é clara a razão pela qual esta Sé Apostólica nunca permitiu aos seus estarem presentes às reuniões de acatólicos por quanto não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela.

Dizemos à única verdadeira Igreja de Cristo: sem dúvida ela é a todos manifesta e, pela vontade de seu Autor, Ela perpetuamente permanecerá tal qual Ele próprio A instituiu para a salvação de todos.

Pois, a mística Esposa de Cristo jamais se contaminou com o decurso dos séculos nem, em época alguma, poderá ser contaminada, como Cipriano o atesta: "A Esposa de Cristo não pode ser adulterada: ela é incorrupta e pudica. Ela conhece uma só casa e guarda com casto pudor a santidade de um só cubículo" (De Cath. Ecclessiae unitate, 6).

E o mesmo santo Mártir, com direito e com razão, grandemente se admirava de que pudesse alguém acreditar que "esta unidade que procede da firmeza de Deus pudesse cindir-se e ser quebrada na Igreja pelo divórcio de vontades em conflito" (ibidem).

Portanto, dado que o Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja, é um só (1 Cor. 12,12), compacto e conexo (Ef. 4,15), à semelhança do seu corpo físico, seria inépcia e estultície afirmar alguém que ele pode constar de membros desunidos e separados: quem pois não estiver unido com ele, não é membro seu, nem está unido à cabeça, Cristo (Cfr. Ef. 5,30; 1,22).

17. A Obediência ao Romano Pontífice

Mas, ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores legítimos.

Por acaso os antepassados dos enredados pelos erros de Fócio e dos reformadores não estiveram unidos ao Bispo de Roma, ao Pastor supremo das almas?

Ai! Os filhos afastaram-se da casa paterna; todavia ela não foi feita em pedaços e nem foi destruída por isso, uma vez que estava arrimada na perene proteção de Deus. Retornem, pois, eles ao Pai comum que, esquecido das injúrias antes gravadas a fogo contra a Sé Apostólica, recebê-los-á com máximo amor.

Pois se, como repetem frequentemente, desejam unir-se Conosco e com os nossos, por que não se apressam em entrar na Igreja, "Mãe e Mestra de todos os fiéis de Cristo" (Conc. Later 4, c.5)?

Escutem a Lactâncio chamado amiúde: "Só... a Igreja Católica é a que retém o verdadeiro culto. Aqui está a fonte da verdade, este é o domicílio da Fé, este é o templo de Deus: se alguém não entrar por ele ou se alguém dele sair, está fora da esperança da vida e salvação. é necessário que ninguém se afague a si mesmo com a pertinácia nas disputas, pois trata-se da vida e da salvação que, a não ser que seja provida de um modo cauteloso e diligente, estará perdida e extinta" (Divin. Inst. 4,30, 11-12).

18. Apelo às seitas dissidentes

Aproximem-se, portanto, os filhos dissidentes da Sé Apostólica, estabelecida nesta cidade que os Príncipes dos Apóstolos Pedro e Paulo consagraram com o seu sangue; daquela Sede, dizemos, que é "raiz e matriz da Igreja Católica" (S. Cypr., ep. 48 ad Cornelium, 3), não com o objetivo e a esperança de que "a Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade" (1 Tim 3,15) renuncie à integridade da fé e tolere os próprios erros deles, mas, pelo contrário, para que se entreguem a seu magistério e regime.

Oxalá auspiciosamente ocorra para Nós isto que não ocorreu ainda para tantos dos nossos muitos Predecessores, a fim de que possamos abraçar com espírito fraterno os filhos que nos é doloroso estejam de Nós separados por uma perniciosa dissensão.

Prece a Nosso Senhor e a Nossa Senhora

Oxalá Deus, Senhor nosso, que "quer salvar todos os homens e que eles venham ao conhecimento da verdade"(1 Tim. 2,4) nos ouça suplicando fortemente para que Ele se digne chamar à unidade da Igreja a todos os errantes.

Nesta questão que é, sem dúvida, gravíssima, utilizamos e queremos que seja utilizada como intercessora a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da graça divina, vencedora de todas as heresias e auxílio dos cristãos, para que Ela peça, para o quanto antes, a chegada daquele dia tão desejado por nós, em que todos os homens escutem a voz do seu Filho divino, "conservando a unidade de espírito em um vínculo de paz" (Ef. 4,3).

19. Conclusão e Bênção Apostólica

Compreendeis, Veneráveis Irmãos, o quanto desejamos isto e queremos que o saibam os nossos filhos, não só todos os do mundo católico, mas também os que de Nós dissentem. Estes, se implorarem em prece humilde as luzes do céu, por certo reconhecerão a única verdadeira Igreja de Jesus Cristo e, por fim, n'Ela tendo entrado, estarão unidos conosco em perfeita caridade.

No aguardo deste fato, como auspício dos dons de Deus e como testemunho de nossa paterna benevolência, concedemos muito cordialmente a vós, Veneráveis Irmãos, e a vosso clero e povo, a bênção apostólica.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia seis de janeiro, no ano de 1928, festa da Epifania de Jesus Cristo, Nosso Senhor, sexto de nosso Pontificado.

Pio, Papa XI.



http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=documentos&subsecao=enciclicas&artigo=mortalium&lang=bra



Redes Sociais

Continue Acessando

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...