Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 21 de outubro de 2017

A Devoção à Sagrada Face de Nosso Senhor Jesus Cristo, não Diminui e nem Atrapalha a Devoção ao Sagrado Coração.


A expressão de Santa Margarida Maria Alacoque: – “O Amor não é amado” – ecoou profundamente no coração de Madre Maria Pierina. No ano de 1935, para alcançar meios de erigir no centro do pátio da escola, uma bela estátua de mármore do Sagrado Coração de Jesus, organizou rifas, teatrinhos, etc., até conseguir a soma desejada. E fazendo gravar no pedestal da imagem estas palavras – DULCE COR JESU, SIS AMOR MEUS – com grande solenidade consagrou a escola ao Sagrado Coração do Divino Mestre.

Ainda hoje se vê em ato o seu desejo: Quem entrar na casa da Vila Elba, seja acolhido pelo dulcíssimo sorriso de Jesus. É que verdadeiramente o seu coração estava cheio de amor por Ele.

No Diário da casa, a 16 de julho de 1936, escrevia:

Oh! O amor de Jesus! Vale a pena morrer a todos os outros amores! Queria que todos os corações, vibrassem ao uníssono com o seu, em dar louvor e amor a Jesus...

Na adoração noturna da primeira sexta-feira da quaresma, Jesus faz a Madre Maria Pierina participar dos Seus tormentos espirituais na Agonia do Getsêmani.

Raptada em êxtases dolorosos, de novo escuta o convite do Esposo Divino, que lhe diz profundamente triste, mostrando-lhe a Face ensanguentada:


Desejo que seja mais honrada a Minha Face, que reflete as penas íntimas de Minha Alma e o amor do Meu Coração. Quem Me contempla Me consola”.

A Madre fala a esse respeito às suas Filhas, sem nada revelar de seus colóquios com Jesus. Somente distribui a todas a imagem, reprodução da Sagrada Face, incitando-as a contemplá-La com amor, pensando nos Seus sofrimentos e na Sua ilimitada bondade.

Na terça-feira da Paixão, ouve dos lábios puríssimos de Jesus uma dulcíssima Promessa e uma animação:


Toda vez que alguém contemplar a Minha Face, Eu derramarei o Meu amor nos corações e por meio de Minha Sagrada Face se obterá a salvação de muitas Almas”.

Madre Maria Pierina arde em desejos de executar os pedidos de Jesus, porém, antes de tudo, submete-se à obediência do seu Diretor Espiritual o Rev. Pe. Rossi, S.J.

Na primeira terça-feira de 1937, Jesus se dignou instruí-la a respeito desta devoção, e acrescentou:


Talvez possa acontecer que algumas almas temam que a devoção e o culto à Minha Sagrada Face diminuam a que se consagra ao Meu Coração. Dize-lhes que, pelo contrário, será esta completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão dos Meus sofrimentos, sentirão a necessidade de amar e de reparar. E não é isto, a verdadeira devoção ao Meu Coração?”

Bem depressa teve ela ocasião de advogar a causa da Sagrada Face junto de um Confessor. Este, talvez para prová-la, opõe quantas objeções, às quais a Madre fortalecida com as palavras de Jesus, responde com segurança. Depois de um longo colóquio no confessionário (as Irmãs foram convidadas a deixar o recinto da Capela pela Irmã X, visto que a Madre sem se advertir levantava a voz ao falar e poderia ser ouvida) dirigindo-se a Irmã X exclamou:

– “O Padre quis confundir-me, mas a Jesus ninguém confunde, a Irmã Pierina, sim, ouve bem: a devoção à Sagrada Face não diminui a devoção ao Sagrado Coração – ao contrário, a completa”.

Escreve a 17 de junho de 1938 ao Rev. Padre Rossi, S.J.

Venerando Padre

JESUS!


“… Padre, a Sagrada Face é tudo para mim, porque me leva diretamente ao Seu Coração como se fosse a porta de entrada, e de todas, a que mais considero, procuro aí esquecer-me completamente de tudo e mergulhar-me nEle…”

Entretanto, Jesus de novo se manifesta, aparecendo-lhe gotejando Sangue e lhe diz com muita tristeza, a 21 de novembro de 1938, durante a Adoração Noturna:

Santo Sudário de Turim e o Santo Rosto de Manoppello

Vês como sofro? E no entanto, são pouquíssimas as almas que Me compreendem. Quantas ingratidões recebo daqueles mesmos, que dizem amar-Me! Dei ao mundo o Meu Coração como objeto sensível do Meu Grande amor pelos homens, agora dou a Minha Face como objeto sensível da Minha dor pelos pecados dos homens, e quero, seja Ela honrada com uma Festa particular, na terça-feira da Quinquagésima, festa precedida de uma Novena, durante a qual todos os fiéis façam reparação Comigo, unindo-se e compartilhando da Minha dor”.

Com obediência cega, a Madre se submete Àquele que a dirige e se abandona à divina vontade. Grande é então o seu fervor!



Fonte: “Mensageira da Sagrada Face – Irmã Maria Pierina de Micheli”, por Ir. Maria Ildefonsa Rigamonti, Caps. XIII e XIV; Editora Lar Católico, Juiz de Fora/MG, 1960.

domingo, 15 de outubro de 2017

ORAÇÃO UNIVERSAL



(De S. Tomás de Aquino)

Para tudo que respeita a salvação,
e que rezava todos os dias
o SS. Papa Clemente XI (1700-1721).


Credo, Dómine sed credam firmius. Spero, Dómine! Sed aperem secúrius. Amo, Dómine! Sed amem ardéntius. Dóleo, Dómine! Sed dóleam vehementius.

Adóro te, ut primum principium, desidero, ut finem últimum: laudo, ut benefactórem perpétuum: invoco, ut defensórem propitium.

Tua me sapiéntia dirige: justitia cóntine: cleméntia soláre: poténtia prótege.

Offero tibi, Deus, cogitánda, ut sint ad te: dicénda, ut sint de te: faciénda, ut sint secúndum te: ferénda, ut sint propter te.

Volo, quod vis: volo, quia vis: volo, quómodo vis; volo, quámdiu vis.

Oro, Dómine! Intelléctum illumines; voluntátem inflámmes: corpus emúndes; ánimam sanctifices.

A supérbia non inficiar; adulatióne non afficiar; a mundo non decipiar; a Sátana non circumvéniar.

Grátiam praesta memóriam purgándi, linguam frenándi, óculos cohibéndi, sensus coercéndi.

Défléam praetéritas iniquitátes: repéllam futúras tentatiónes: córrigam vitiósas propensiónes: éxcolam idóneas virtútes.

Tribue mihi, bone Deus, amórem tui; ódium mei; zelum próximi: contémptum mundi.

Stúdeam superióribus obedire: inferióribus subvenire: amicis consúlere: inimicis párcere.

Memimerim, o Jesu, mandáti tui et exémpli, inimicos diligéndo, injúrias sufferendo persequentibus benefaciéndo, pro calumniatóribus orándo.

Vincam voluptátem austeritáte: avaritiam largitáte: iracúndiam lenitáte; tepiditátem pietáte.

Redde me prudéntem in consillis; constántem in periculis; patiéntem in advérsis; húmilem in prósperis.

Fac, Dómine, ut sin in oratióne atténtus: in épulis sóbrius: in múnere sédulus: in propósito firmus.

Curem habére innocéntiam interiórem: modéstiam exteriórem: conversatiónem exemplárem: vitam regulárem.

Natúre invigilem domándae: grátiae fovéndae: legi servándae; salúti promeréndae.

Sanctimóniam ássequar sincéra peccatórum confessióne, férvida córporis Christi communióne, continua mentis recollectióne, pura cordis intentióne.

Discam a te, Deus, quam ténue, quod terrénum; quam grande, quod divinum; quam breve, quod temporáneum: quam durábile, quod aetérnum.

Da, mortem praevéniam: judicium pertímean: inférnum effúgiam: paradisum obtineam. Per Christum Dóminum nostrum. Amen.


Tradução

Creio, Senhor, espero, amo, arrependo-me, dai-me, porém, fé mais firme, esperança mais segura, amor mais ardente, pesar mais profundo.

Eu vos adoro, Primeiro Princípio; eu vos desejo, Fim último; eu vos louvo, Benfeitor perpétuo; eu vos invoco, propício Defensor.

Seja minha luz vossa sabedoria, minha regra vossa justiça, meu consolo vossa clemência, meu amparo vossa onipotência.

Sejam, Senhor, meus pensamentos só em Vós; meus discursos só de Vós; meus atos a Vós conformes, minhas penas por Vós sofridas.

Quero o que Vós quereis, porque quereis, como quereis, enquanto quereis.

Rogo-Vos, Senhor! Iluminai-me o entendimento, incendei-me a vontade, purificai-me o corpo, santificai-me a alma.

Não me contamine a soberba, não me entre a lisonja, não me engane o mundo, não me enrede Satanás.

Venha-me Vossa graça limpar a memória, refrear a língua, guardar os olhos, conter os sentidos.

Fazei-me chorar os pecados passados, repelir as futuras tentações, reprimir as más inclinações, praticar as necessárias virtudes.

Concedei-me, Deus de bondade, o amor de Vós, o ódio de mim, o zelo pelo próximo, o desprezo do mundo.

Proponho obedecer aos superiores, ajudar os inferiores, cuidar dos amigos, perdoar os inimigos.

Lembrarei, Senhor Jesus, Vossa ordem e exemplo para amar os inimigos, sofrer as injúrias, beneficiar aos que me perseguem, orar pelos que me amaldiçoam.

Fazei-me moderar os sentidos com a austeridade, a avareza com a esmola, a ira com a brandura, a tibieza com a devoção.

Tornai-me prudente nas empresas, constante nos perigos, paciente na desgraça, prudente na prosperidade.

Fazei-me, Senhor, atento na oração, sóbrio no alimento, diligente nas obrigações, firme nos propósitos.

Seja meu cuidado a pureza do coração, a modéstia exterior, o trato edificante, a vida regular.

Farei por domar a natureza, aproveitar a graça, observar a lei, merecer a salvação.

Espero santificar-me com a sincera Confissão, Comunhão fervorosa, contínuo recolhimento e pureza de intenção.

Ensinai-me, Senhor, quão pequeno é, o que é da terra, quão grande o que é de Deus, quão breve o tempo, quão dilatada a eternidade.

Concedei-me, que me prepare para a morte, tema o Juízo, escape do Inferno, entre no Paraíso. Por Cristo Senhor Nosso. Amém.


Fonte:GOFFINÉ – Manual do Cristão”, Cap. “Exercício Quotidiano – Oração Universal”, pp. 23-25; traduzido da 14ª Edição Francesa por um Padre da Congregação da Missão, Colégio da Imaculada Conceição (Botafogo), Rio de Janeiro, 1940.


Outra Tradução

Meu Deus, em Vós creio, mas fortificai a minha fé; em Vós espero, mas firmai a minha esperança; amo-Vos, mas redobrai o meu amor; arrependo-me de haver pecado, mas aumentai o meu arrependimento.

Adoro-Vos como o meu Primeiro Princípio, desejo-Vos como o meu Fim último, agradeço-Vos como ao meu Benfeitor perpétuo, invoco-Vos como o meu soberano Defensor.

Meu Deus, dignai-Vos de me dirigir pela Vossa sabedoria, conter pela Vossa justiça, consolar pela Vossa misericórdia, proteger pelo Vosso poder.

Eu Vos consagro os meus pensamentos, palavras ações, sofrimentos, para que de agora em diante, não pense senão em Vós, não fale senão de Vós, não proceda senão como quereis, e não sofra senão por Vós.

Senhor, quero o que quereis, porque o quereis, como o quereis, e quando o quereis.

Peço-Vos esclarecer o meu entendimento, inflamar a minha vontade, purificar o meu corpo e santificar a minha alma.

Meu Deus, ajudai-me a expiar os meus pecados passados, a vencer as tentações no futuro, a corrigir as paixões que me dominam, e a praticar as virtudes do meu estado.

Enchei o meu coração de ternura para com as Vossas bondades, aversão contra os meus vícios, zelo da salvação do meu próximo, e desprezo do mundo.

Lembre-me eu, Senhor, de ser submisso aos meus superiores, caridoso para com os meus inferiores, fiel aos meus amigos, indulgente para com os meus inimigos.

Vinde em meu socorro para vencer a sensualidade pela mortificação, a avareza pela esmola, a cólera pela doçura, a tibieza pela devoção.

Meu Deus, tornai-me prudente nas empresas, corajoso nos perigos, paciente nas dificuldades, humilde nos bons sucessos.

Não me deixeis jamais esquecer de ter atenção nas minhas orações, temperança nas minhas refeições, exatidão nos meus deveres, constância nas minhas resoluções.

Senhor, inspirai-me o cuidado de ter sempre consciência reta, exterior modesto, conversação edificante e procedimento regular.

Fazei que eu me aplique sem cessar a domar a natureza, favorecer a graça, guardar a lei e merecer a salvação.

Meu Deus, descobri-me a pequenez da terra, a grandeza do Céu, a brevidade do tempo, a perpétua duração da eternidade.

Concedei-me a graça de me preparar para a morte, temer o Vosso Juízo, evitar o Inferno, e alcançar, em fim, o Paraíso. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim seja.


Fonte:As Mais Belas Orações de Santo Afonso de Ligório”, pelo Padre Saint-Omer, CssR, Parte Quinta, pp. 743-745; Imprimé par les Etablissements Casterman, S.A. Tournai, Belgium, 1921.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O Rosário de Nossa Senhora




É a obra-prima da Oração.

Ensina-nos a orar!” diziam os Discípulos ao Senhor Jesus. O ROSÁRIO nos ensina a ciência da prece. É a arte de falar a Deus e aos Santos, intercessores da Pátria celeste. Oração a Maria. Oração em união com Jesus. Oração de petição, oração de louvor. Tudo no Rosário se encontra.

Quem tiver bem rezado seu Rosário pode ficar certo, firmemente convencido, disse a Deus o essencial do que lhe devia dizer, e lhe disse do melhor modo possível.

Esse “Terço” de Nossa Senhora que levo comigo e que tomo nas mãos como tomaria o meu livro de orações, e que meus dedos vão passando de conta em conta, como a folhearem as páginas do livro, é modesto, simples, primitivo, se quiserem, mas é tão humano, tão cristão e divinal! Esse instrumento da prece me inspira uma atitude, me comanda uma postura e diz: ORA”, como um instrumento de artesão diz ao operário: TRABALHA”.

E até mesmo, se na alma nada orasse, enquanto nas mãos se empunha o Rosário, esse simples movimento dos dedos que desfiam contas de um Terço bento surtiria efeito, fazendo o seu ofício, prosseguindo o gesto da oração. E não seria insignificante, não.

Mas com as palavras que acompanham o gesto, o convite à prece se torna mais claro e mais premente ainda.

Que esplêndida “antologia” de orações cristãs! O PADRE NOSSO composto da mais pura medula das fórmulas da Antiga Lei e que passaram pelos lábios de Jesus e receberam todas as graças da Nova Aliança. Oração do Senhor, oração definitiva. A AVE MARIA na qual se entrelaçam as mais lindas saudações que recebeu nossa Divina Mãe: a saudação do Anjo na Anunciação e a que lhe dirigiu a Santa Prima na Visitação, palavras inspiradas que encerram como num grande clamor unânime a voz de toda a Cristandade. A SANTA MARIA, a súplica ardorosa e firmada pela Igreja de Deus. Finalizando, coroa os esplendores das preces do Rosário o louvor eternal dos Eleitos: O GLÓRIA”.

A “forma” aperfeiçoa a matéria. Foi deveras um achado, essa revelação ao Nosso Bem-aventurado Pai São Domingos. Nossa Senhora o privilegiou. Essa cantilena sagrada de “Ave Marias” entrecortada pelo Pai Nosso e realçada pelo “Glória” dir-se-ia um canto de “treino” para o trabalho dos obreiros na labuta, quando disfarçam a pena entoando hinos: ou então das crianças que dão, cantando, às suas brincadeiras, mais vida e movimento. O efeito se torna irresistível. É o encanto da oração o Rosário de Maria.

De ser uma prece maquinal, rotineira e servil, acusa-se com frequência o “Terço”. E se a maneira com que o recitam alguns, deu pretexto a tais juízos, não é menos verdade, porém, que encerram tais apreciações mesquinho e formalista conceito da prece. Acusam de psitacismo a quem reza seu Terço, ao passo que aos seus detratores cabe o querer pela atitude hostil, reduzir a oração a mero verbalismo. Não. O ROSÁRIO é prece perfeita: súplica e meditação.

Que vem a ser a oração perfeita? Palavras curtas ou extensas ultimadas por um grande silêncio no qual Deus nos absorve o pensamento. As palavras são “muletas” de que se serve a alma, disse alguém, para se elevar insensivelmente ao que chamaríamos o “estado de oração”, coroa e remate do “ato de oração”.



É o ROSÁRIO também a obra-prima da devoção.

Não é tão somente oração o Santo Terço de Maria. É uma verdadeira devoção.

A “devoção”, é o ato primordial e o mais profundo da virtude de Religião. É um movimento da vontade que a inclina e leva a se dedicar a Deus, uma presteza, um anseio que não conhece descanso, que não nos deixa até que tenhamos feito alguma coisa para Deus, para Jesus, para Maria. Se a oração é a arte de falar com Deus, a devoção é uma como que necessidade de ficar aplicada a alma cristã no serviço fiel do seu Senhor.


Realiza o ROSÁRIO excelentemente esse ofício. Sob a recitação das preces faz passar a prática da devoção perseverante. Para isto, pormenoriza e especifica bem os Mistérios de Jesus e de Maria, que são também Mistérios “nossos”. Leva-nos a meditá-los, saboreá-los, e de certo modo, renová-los. Recorda as circunstâncias desses Passos sagrados da Vida, da Morte, e da Glória do Senhor. Põe a alma em face da história feliz da Incarnação, do Drama doloroso da Redenção e da Apoteose do Cristo e da sua Santa Mãe.

As “Ave Marias” que uma a outra se sucedem, dizendo a mesma coisa sem se repetir jamais, transportam a alma na atmosfera da prece, ambiente da devoção.

Além, para o além das palavras, quinze vezes, a fio, contempla a alma os Mistérios que lhe são causa de júbilo, ou de dores, ou de triunfos.

Parecendo verbal, é essa prece do Santo Rosário a mais espiritual de todas as preces; parecendo escrava, é a mais liberta de todas; parecendo rudimentar, é de todas a mais contemplativa e se pode tornar a mais particular de todas as orações.

No esboço que a alma forma no recitar das “Ave Marias”, a meditação livre, natural, delineia a imagem viva dos Quinze Mistérios. E quem poderá calcular o que existe de original e forte nas contemplações de muitos “humildes”, na aparência, curvados sobre as contas do Terço, mas voando bem longe nas asas das aves divinas? Para eles se torna o Rosário como infindo regalo, em Deus Nosso Senhor. Na direção indicada, pelos lábios em prece, a alma sobe, se eleva até ao Coração de Cristo, até ao Coração maternal da Virgem Santíssima. Tal é a riqueza sem par dessa oração dos simples, dessa oração dos doutos. É o Rosário, ao mesmo tempo, a mais profunda das preces e a mais singela, a mais acessível a todo o mundo.

O povo cristão se apegou ao Rosário, de século em século, com incrível fidelidade. Essa perseverança é o magno sinal da sua conveniência com a humanidade cristã.

Unção do Rosário! Militante ou Padecente, toda a Cristandade se embalsama com esse perfume marial do Santo Terço. Toda alma cristã se inebria com o perfume dessas Rosas benditas. E até, existem almas que se acham de tal modo impregnadas desse odor do Rosário que, se tornam mesmo como um Rosário vivo, e fazem da vida um Rosário Perpétuo.

F. L. P.

(Do “Mensageiro do Santo Rosário”, de Setembro de 1940).



Fonte:Quero Bem ao meu Rosário – Leituras Meditadas”, colhidas em Bossuet e Monsabré, por F. L. Palha, O.P., Introdução, pp. 5-9; 2ª Edição, Edições do “Mensageiro do Santo Rosário”, 1941.


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