Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 30 de abril de 2017

Domingo do Bom Pastor



Jesus, o Bom Pastor1

Ego sum pastor bonus. Bonus pastor animam suam dat pro ovibus suis – “Eu sou o Bom pastor. O Bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas”.2


I. Assim diz Jesus Cristo mesmo no Evangelho deste dia: Ego sum pastor bonus – “Eu sou o Bom pastor”. O ofício de um bom pastor não é outro senão guiar as suas ovelhas para bons pastos e defendê-las contra os lobos. Mas, ó meu dulcíssimo Redentor, que pastor levou jamais a sua bondade tão longe como Vós, que quisestes dar o vosso Sangue e a Vida para salvar as vossas ovelhas, que somos nós, e livrar-nos dos castigos merecidos? Vós mesmo, diz São Pedro, levastes os nossos pecados em vosso Corpo pregado na Cruz, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça: pelas vossas chagas fomos curados: Cuius livore sanati estis.3 Para nos curar de nossos males, este Bom Pastor tomou a si todas as nossas dívidas e pagou-as com o seu próprio Corpo, morrendo de dor sobre a Cruz.

Este excesso do amor de Jesus para conosco, as suas ovelhas, fazia Santo Inácio Mártir arder do desejo de dar a vida por Jesus Cristo, dizendo, assim como se lê numa carta sua: Amor meus crucifixus est – “O meu amor foi crucificado”. Quis o Santo dizer: Como! Meu Deus quis morrer crucificado por meu amor, e eu poderei viver sem desejo de morrer por Ele? – Com efeito, que grande coisa fizeram os Mártires dando a vida por Jesus Cristo, que morreu por amor deles! Ah! A morte que Jesus Cristo padeceu por eles, suavizava-lhes todos os tormentos, os açoites, os cavaletes, as unhas de ferro, as fogueiras e as mortes mais dolorosas.

Não se contentou, porém, o nosso Bom Pastor com dar a vida pelas suas ovelhas; ainda depois de sua morte quis deixar-lhes na Santíssima Eucaristia o seu próprio corpo, já sacrificado uma vez na Cruz, a fim de que fosse o alimento e sustento das suas almas. O ardente amor que nos dedicava, diz São João Crisóstomo, levou-o a unir-se a nós e fazer-se uma coisa conosco: Semetipsum nobis immiscuit, ut unum quid simus.

II. “O mercenário”, assim continua o Evangelho, “e o que não é pastor, vê o lobo vindo e deixa as ovelhas e foge, porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas”. Não é assim que faz Jesus Cristo, o Bom Pastor, ou antes o melhor de todos os pastores. Cada vez que vê as suas ovelhas assaltadas pelo lobo infernal e estas lhe bradam por socorro, logo acode a defendê-las e a combater por elas.

Quando vê uma ovelha tresmalhada, que não faz, quantos meios não emprega para reavê-las? Jesus Cristo não deixa de buscá-la enquanto não a achar. E depois de a achar, a põe contente sobre seus ombros, chama aos seus amigos e vizinhos (isto é, os Anjos e os Santos), e convida-os a alegrarem-se com Ele, por ter achado a ovelha que se tinha perdido: Congratulamini mihi, quia inveni ovem meam quae perierat.4 – Quem, pois, não amará com todo o afeto a este Bom Senhor, que se mostra tão amoroso mesmo para com os pecadores que lhe viraram as costas e quiseram voluntariamente perder-se?

Ah, meu amável Salvador! Eis aqui a vossos pés uma ovelha perdida: afastei-me de Vós, mas Vós não me abandonastes; fizestes todo o empenho para me reaver. Que seria de mim, se Vós não tivésseis pensado em me buscar? Ai de mim, que passei tanto tempo longe de Vós! Pela vossa misericórdia espero agora estar na vossa graça. Se outrora fugia de Vós, já não desejo outra coisa senão amar-Vos e viver e morrer abraçado aos vossos pés. Mas enquanto vivo, estou em perigo de Vos abandonar. Por piedade, prendei-me com os laços de vosso santo amor e não permitais que em tempo algum eu me desprenda de Vós. – “Ó Pai Eterno, que pela humilhação de vosso Filho levantastes o mundo prostrado, concedei-me alegria perpétua, para que, assim como me livrastes da morte eterna, me façais gozar dos prazeres eternos”.5 Fazei-o pelo amor de Jesus Cristo e de Maria Santíssima, minha querida Mãe.6


O Bom Pastor7

Jesus justificou o seu título de Bom Pastor

Infinitamente feliz em Si mesmo e não necessitando de nós, o Verbo Eterno dignou-se lançar um olhar para a nossa humanidade decaída, mas um olhar que engendrou um mundo de maravilhas por um efeito de seu poder, posto a serviço do amor infinito. Desejando preservar-nos do Inferno, baixou do Céu para no-lo abrir, veio tornar-nos dignos dEle. Para isso, quantos sacrifícios teve Ele de impor-se! Do seio das grandezas e glória da Pátria Eterna, desceu à obscuridade do nosso exílio; palácio lhe foi um estábulo; berço régio, um presépio, e repousa sobre a palha, leito dos mais vis animais. Oh! Dedicação incompreensível!

Não contente de preferir-nos aos Anjos, que deixou perecer um grande número, percorreu, em nossa procura, os montes, as colinas e os vales, trabalhando, afadigando-se, sofrendo fome, sede e inclemências do tempo; suportou todas as injúrias, deixou-se esbofetear, flagelar, cobrir-se de escarros e de contusões e sofreu toda sorte de vilanias para salvar-nos. Esgotado, cai sob o peso de uma Cruz.

O seu Corpo ensanguentado, suas carnes dilaceradas, sua fronte coroada de espinhos e seu belo rosto coberto de Sangue clamam eloquentemente a todos que Ele é o Bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas. O mercenário foge e abandona o rebanho aos dentes dos lobos; Jesus, porém, sobe ao Calvário, toma sobre Si as nossas enfermidades e padece voluntariamente a morte para nos salvar. Ó admirável efusão da vontade divina! Inestimável ternura da caridade infinita! A fim de reconduzir escravos, ovelhas errantes e tresmalhadas, o Filho de Deus sacrifica-se por nós.

Mas nós não éramos apenas ovelhas desgarradas; éramos também rebeldes; à força de carícias, Jesus triunfou das nossas revoltas insensatas. Mesmo quando os homens O ultrajavam e lhe davam a morte, Ele cumulava-nos de bens. Do alto da Cruz em que expirou, deu-nos a Igreja, deixou-nos sua Mãe e legou-se a nós na Sagrada Eucaristia. Não cessemos jamais de agradecer ao Bom Pastor por nos haver dado benefícios em vez de castigos, para conquistar os nossos corações obstinados.

Jesus, que Vos retribuirei por tantos benefícios? Não Vos posso dar nada melhor do que o meu amor. Fazei que esse amor: seja dócil, sempre pronto a obedecer-Vos ao menor sinal da vossa vontade; seja dedicado, disposto a seguir-Vos em tudo e em toda parte segundo o Vosso beneplácito; seja forte e generoso, isto é, resolvido a suportar privações e a impor-se sacrifícios para Vos permanecer fiel, ó amantíssimo Pastor.


Jesus justifica diariamente o seu título de Bom Pastor

Jesus afirma em São Lucas ser Ele o Pastor cheio de amor, que, perdida uma das cem ovelhas, deixa as noventa e nove e corre em procura da tresmalhada. Que bondade generosa! Um Deus, a grandeza infinita, a procurar uma criatura, um nada, apesar da ingratidão e infidelidade que ela diariamente comete, fugindo do Pastor e do rebanho!

Encontrada a ovelha após inúmeras fadigas, vendo-a fraca e desfalecida, em vez de puni-la sente compaixão dela; em vez de fazê-la caminhar a custo, fustigando-a com o seu cajado, toma-a carinhosamente sobre os ombros e leva-a ao aprisco. Tocante imagem da sua misericórdia e da doçura da sua graça para com o pecador arrependido! Com que amor o levanta e encoraja, facilitando-lhe a volta! Isaías diz: “Mal ouviu ele a prece de um coração contrito, apressa-se em responder-lhe e perdoar-lhe”.8 Quantas vezes não temos sido o objeto dessa bondade de Jesus! Recordemos o nosso passado e não cessemos de agradecer a Jesus a sua ternura para conosco.

Chegada a casa, o Bom Pastor convoca seus amigos e vizinhos e diz-lhes: “Congratulai-vos Comigo, porque tornei a achar a ovelha perdida. Haverá no Céu mais alegria, continua o Salvador, pela conversão de um pecador do que por noventa e nove justos que não tem necessidade de penitência”.9 Ó caridade inefável do nosso Deus! A ovelha é que se deveria alegrar por haver encontrado o seu Pastor e seu aprisco; mas, não, o Salvador aqui fala só da sua própria alegria e da dos Anjos; é que seu coração se inflama de amor para com a alma que a Ele se volve.

Se tivéssemos o desinteresse de Jesus, far-lhe-íamos, em retorno da sua generosa ternura, o sacrifício completo da vida tíbia, distraída e dissipada na qual passamos os nossos melhores anos sob o pretexto de negócios e ocupações, que não nos dispensam dos deveres para com Ele. As minhas ovelhas fiéis, disse Ele: 1º Me conhecem; e com quanta leviandade estudamos esse adorável Pastor nos mistérios das suas grandezas, de seus rebaixamentos, da sua Vida e Morte! – 2º Ouvem a Minha voz, disse Ele também; e como ouvi-la senão por uma vida recolhida que nos faça agir para fins sobrenaturais e em espírito de oração? – 3º As minhas ovelhas, conclui o Divino Mestre, seguem-Me constantemente, isto é, agem, os olhos sempre fixos em seu amável Pastor, para entrar em suas intenções, conformar-se aos seus sentimentos e praticar as virtudes de que Ele lhes deu o exemplo. Examinemos se temos esses característicos das ovelhas de Jesus.


Domingo do Bom Pastor10

Jesus Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais suas pisadas”. Será este exemplo por ventura muito seguido? Jesus Cristo, depois de haver feito todas as despesas da nossa Redenção, depois de se ter posto à frente de todos os escolhidos na qualidade de nossa Cabeça, encontrará muitas pessoas que sigam suas pisadas? Contudo, Ele é o caminho; qualquer que O não segue extravia-se. Este caminho é estreito, áspero, está semeado de cruzes, é verdade; mas é o caminho que Jesus Cristo nos ensinou, e que Ele próprio trilhou: este caminho é a lei evangélica, molesta sim aos sentidos e ao amor-próprio, mas o Salvador não nos ensinou outro caminho; antes nos diz terminantemente que qualquer outro caminho afasta da salvação e vai dar à infelicidade eterna. É verdade que há outros muitos caminhos, todos muito espaçosos, planos e floridos, mas não há nenhum que não conduza à perdição: Et multi sunt qui intrant per eam: é muito grande, nos diz o Senhor, o número dos que andam por eles. Não se vê outra coisa do que pessoas que vivem contentes em ponto de salvação, porque esquecem o costume e obram como os outros: esta é a linguagem ordinária dos mundanos, esta é a máxima do mundo; vive-se, obra-se, pensa-se, fala-se como os outros; mas obrar como os outros é obrar como a multidão, e a multidão segundo o oráculo de Jesus Cristo toma pelo caminho da perdição: Quae ducit ad perditionem. Não há caminho mais fácil de trilhar do que o da perdição; é amplo, é espaçoso, está-se nele com comodidade, tudo deleita, tudo lisonjeia: por isso, nada mais fácil do que perdermo-nos no mundo, e contudo, vive-se nele, como se não fosse possível o condenarmo-nos.


Meditação

Primeiro Ponto. – Considera que não há, ao parecer, coisa que o Salvador nos haja querido inculcar tanto como a misericórdia e a mansidão, com que olha os pecadores: sua Incarnação, os Mistérios de sua Paixão e Morte, seus Discursos, suas Expressões, as Parábolas de que se serviu, tudo nos prega, tudo nos demonstra esta misericórdia e esta predileção, para assim dizer, com os pecadores. Non veni vocare justos sed peccatores. Sua misericórdia é o mais glorioso de seus atributos, e é o atributo, de que mais se preza. Miserationes ejus super omnia opera ejus. De fato, que coisa de maior pasmo, do que um Deus querer fazer-se homem para salvar os homens perdidos pelo pecado? Compreende, se é possível, o incompreensível mistério da Incarnação, e compreenderás a grandeza imensa e a incompreensibilidade de sua infinita misericórdia.

Este Pastor, sentindo a perda de uma só de suas ovelhas que, extraviando-se, está em risco de ser devorada, deixa as noventa e nove para ir em busca da que se perdeu: tendo-a encontrado, carrega com ela às costas para lhe poupar a fadiga da caminhada, muito contente de a ter tornado a encontrar.

Mas por que título quer Ele ser reconhecido como o Bom Pastor? Dando a vida por suas ovelhas, alimentando-as de sua própria Carne. Podia, o Senhor dar-nos uma ideia mais clara de sua bondade, doçura e infinita misericórdia?

Segundo Ponto. – Considera que a grande misericórdia de Deus para com os pecadores, é para eles um grande motivo de confiança, mas não deve servir-lhes de pretexto para perseverar em seu pecado. Não há coisa mais perniciosa, nem mais criminosa, que a falsa confiança.

A misericórdia não salva aqueles, para os quais é um motivo de condenação. Que deve operar a misericórdia de Deus no pecador? Um desejo sincero de converter-se; pois este é um dos efeitos da misericórdia de Deus; mas é um veemente sinal de que não há mais misericórdia para um homem, quando se serve dela para não se converter. A misericórdia deve inspirar a confiança, mas uma confiança inseparável do arrependimento. Não pode ser mais requintada a malícia, do que quando chega a abusar da misericórdia de Deus, da sua paciência, para perseverar no deleito: porque Deus é bom, posso eu ser impunemente mau; não devo temer apurar-lhe a paciência; Deus é misericordioso, nada arrisco em ultrajá-lO; quando estiver cansado de O ofender, então recorrerei à sua misericórdia: se Deus fosse mais severo e menos bom, eu seria menos mau, teria mais contemplações, e andaria com mais cautela. Deus é infinitamente misericordioso, é verdade, e essa infinita misericórdia manifesta-se bastante na bondade com que acolhe os maiores pecadores, desde que arrependidos voltam para Ele com contrição e confiança. Mas, quando vê que a ideia desta infinita misericórdia alimenta no pecador a inclinação e afeição ao pecado, não será digno da justiça de Deus não usar já de misericórdia com um tão monstruoso pecador?

Senhor, eu espero demasiado em vossa bondade, e tenho uma ideia demasiado justa de vossa misericórdia, para que não me aconteça jamais tal desgraça.


Aspirações Piedosas para Durante o Dia

Misericórdias Domini in aeternum cantabo.11
Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

Véniant mihi miserationes tuae, et vivam.12
Senhor, fazei-me sentir os efeitos de vossa misericórdia e viverei.


__________________________
1“Meditações para Todos os Dias do Ano” - tiradas das Obras Ascéticas de Santo Afonso Maria de Ligório, pelo Pe. Thiago Maria Cristini, C.Ss.R., Tomo Segundo, 3ª Semana depois da Páscoa – Segundo Domingo depois da Páscoa, pp. 37-39; versão portuguesa do Pe. João de Jong, C.SsR.; Herder & Cia. Livreiros – Editores Pontifícios, Friburgo em Brisgau (Alemanha), 1921.
2Jo. 10, 11.
3I Pedr. 2, 24.
4Luc. 15, 6.
5Or. Dom. curr.
6II 288.
7“Meditações para Todos os Dias do Ano – Segundo a Doutrina e o Espírito de Santo Afonso Maria de Ligório, para Uso de todas as Almas que Aspiram à Perfeição: Sacerdotes, Religiosos e Leigos”, Tomo I, Segunda Semana depois da Oitava da Páscoa – Jesus, o Bom Pastor, pp. 321-324; traduzida da 13ª Edição Francesa pelo Pe. Oscar das Chagas Azeredo, C.Ss.R.; III Edição, Editora Vozes Ltda., Petrópolis – RJ, 1959.
8Is. 30, 19.
9Luc. 15, 7.
10Rev. Pe. Croiset, S.J., “Ano Cristão ou Devocionário para Todos os Domingos, Dias de Quaresma e Festas Móveis”, Vol. XIV, Cap. Domingo do Bom Pastor, pp. 295-297; traduzido do francês, revisto e adaptado às últimas reformas litúrgicas pelo Rev. Pe. Matos Soares, Professor do Seminário do Porto, Porto, 1923.
11Salm. 88, 2.
12Salm. 118, 77.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

A Falsidade do Islamismo 2


Maomé com suas esposas

A Vida Sensual de Maomé

No começo da sua carreira, Maomé era o reformador do paganismo de seus patrícios. Tendo sido bem-sucedido nesta empresa, tornou-se legislador e chefe civil, setor em que brilhou com incontestável valor. Organizando seu exército, de pilhagem no início e de conquistas depois, tornou-se o guerreiro valente e avassalador. Ainda aqui, é um homem superior, que mostra uma coragem e uma perspicácia acima do comum.

Absorvido nestas empresas de grande alcance, o profeta vivia na fidelidade à sua esposa Khadidja, sem que a história citasse escândalos notáveis de incontinência em seu proceder. Levado, porém, ao pináculo da glória e do poder, e deixando para seus auxiliares a parte ativa da guerra e das conquistas, Maomé recai sobre si mesmo, e mostra aos seus próprios correligionários e ao mundo inteiro, o que era no fundo de seu temperamento irrequieto: um sensual e um efeminado, envolto no manto da mais negra hipocrisia e do mais deslavado cinismo. Parece um outro Maomé, ou pelo menos, um Maomé degenerado…

É a página triste e sombria desta vida de grande homem; página berrante de aviltamento moral.

Parece que uma tremenda sensualidade, recalcada até então, apoderou-se dele e o lançou na vida mais vergonhosa para um grande homem.

Desde a sua chegada a Medina, Maomé havia organizado um lar, semelhante aos dos saids árabes. Tal, como os outros chefes, fez vários casamentos de amor ou de política, e não se privou, além disso, de algumas concubinas, belas escravas que lhe tinham sido dadas de presente ou que eram cativas de guerra.

Depois da morte de Khadidja, sua primeira esposa, que ele respeitara sempre durante 20 anos, embora mais velha do que ele, caiu Maomé num verdadeiro marasmo de volúpia e de mania de casamentos! Desposou Saioda, viúva de Sokarn, porque a sua primeira amante, a menina Aicha, filha de Abou-Bakr, casada com ele aos 9 anos, não era de idade núbil. Casou também com Hafça, filha de Omar. Mais tarde enamorou-se de Om-Selma, viúva de um emigrado da Abissínia, etc.

Tudo isso era já fora da lei, ditada por ele, mas pelo menos, era ainda conforme à lei pagã dos árabes, que admitiam a poligamia – porém, há fatos mais graves que destoam de toda a lei e de todos os costumes, até dos árabes pagãos.

Maomé tinha um filho adotivo a quem muito amava, Zeid, (o bem-amado do profeta) o qual era casado com Zeinab, a mais bela moça de sua tribu.

Esta beleza foi um objeto de tentação para o profeta.

Zeid descobriu furtivamente o novo namoro do seu benfeitor, e para evitar violências ou talvez a morte, resolveu transformar a necessidade em virtude, e apesar do grande amor que tinha a sua única esposa, resolveu repudiá-la, para evitar de contrariar o seu mestre e permitir-lhe que a desposasse.

Comunicou a sua resolução a Maomé, e fez o repúdio legal. Transcorrido o tempo, a bela Zeinab fê-lo saber a Maomé. Este desejava tê-la por esposa, porém, envergonhou-se, porque a lei proibia a união com a mulher de um filho adotivo…

O profeta logo afastou o impedimento. No dia seguinte, ele comunicou ao povo e à sua nova namorada, que São Gabriel lhe havia transmitido uma revelação: Pode o profeta de Deus casar-se com qualquer mulher, fosse ela até a sua própria filha adotiva, pois, um filho adotivo não tem os direitos de um filho natural.1

O banquete das núpcias foi grande: comeu-se e bebeu-se dia e noite – mas também o escândalo não foi menor e suscitou amargas observações, no meio de seus inimigos e amigos.

Uma nova revelação irá desta vez tirar do embaraço o profeta libidinoso.

Alguns homens, pouco acostumados com a vida efeminada do profeta, ficaram a noite inteira a beber na casa da nova esposa. O profeta ficou nervoso. Queria visitar a sua nova companheira, mas estes visitantes importunos o retinham longe dela. Resolveu, entretanto, seu aborrecimento, e com calma mandou dizer aos visitantes que se retirassem.

No dia seguinte, nova mensagem para o profeta, chamada o versículo da cortina. Disse a revelação:

Ó crentes, não entreis sem permissão nas casas do profeta. Quando fordes convidados a entrar, e quando tiverdes comido, retirai-vos e não vos empenheis familiarmente em conversas. O profeta não ousa vo-lo dizer, quando isso o contraria, mas Deus não teme dizer a verdade. Se quereis pedir alguma coisa às suas mulheres, peçais através de uma cortina, assim se conservarão puros os vossos corações e os delas. Evitai desgostos ao enviado de Deus. Não desposeis nunca as mulheres com as quais ele tiver tido comércio!”

As esposas do profeta eram “as mães dos crentes”. Não deviam casar-se após a sua morte. O harém do profeta devia ser uma espécie de família sagrada, devota e voluptuosa.

Pouco depois de seu casamento com Zeinab, Maomé mandou seu exército atacar os Banou Bakr. Após a vitória, as tropas regressaram com os despojos e o Cheik, inimigo preso.

A luta havia sido encarniçada e horripilante pela voluptuosidade dos muçulmanos, que violavam todas as mulheres prisioneiras, e passaram a noite em orgias sem nome.

A filha do Cheik, Jou Waria, cativa, foi implorar a clemência do profeta em favor de seu pai. Maomé ao ver surgir esta bela beduína, cuja doçura e graça eram excepcionais, sentiu-se desvanecido por um ataque amoroso. Quis casar-se com a nova prisioneira, custasse o que custasse.

Houve novo escândalo… vieram-se às armas, mas logo, o profeta recebeu nova mensagem do céu, que lhe disse: O profeta deve casar com a beduína, para assim selar, com um pacto de amizade, a paz entre os vencidos e os vencedores.

Aicha, a pequena esposa preferida de Maomé, havia acompanhado um dia o profeta numa das expedições armadas, carregada por um camelo em rica liteira. Tendo saído uns instantes sem avisar os condutores do camelo, e tendo ficado adormecida à sombra das árvores, a expedição continuou a viagem, sem dar pela falta da preferida do profeta. Um dos guerreiros, seguindo à retaguarda do exército, reconheceu Aicha, fê-la montar em seu camelo e levou-a para junto do exército, onde, ao espanto de todos, constaram estar a liteira vazia.

Houve escândalo… suspeitas… ciúmes… e línguas malévolas pretendiam acusar o jovem guerreiro e a jovem Aicha.

O profeta não sabia o que fazer, colhido entre a sua desconfiança e o seu amor.

O céu tirou de novo o profeta do embaraço, e uma nova revelação veio pacificar os ânimos. Maomé ditou os novos versículos da Surata da luz, que proclamaram a inocência de Aicha e repreenderam os caluniadores.2

Maomé desposou ainda Riana e depois Sofia, uma outra judia tomada nos despojos de Khaibas. Ensinou-lhe a responder: Aaron é meu pai, Moisés meu tio e Maomé o meu esposo! Parece que não gostou muito tempo da bela judia, pois, pouco tempo depois, a repudiou, chamando-a mulher estéril e de mau agouro.

Chegou até a se casar com uma viúva cristã, por procuração, nos estados do Negus de Abissínia. Era Ramia, filha de Abon Sofian, viúva de um hanif cristão emigrado.

Sabendo deste casamento de sua filha com o seu inimigo, o pai exclamou furioso: Não há freio que domine este camelo lascivo!

Mais tarde, Maomé casou-se ainda com Maimouna, cunhada de El Abbas, o que lhe valeu o auxílio do sobrinho desta, o valente general Khalid.

Desposou mais tarde ainda duas mulheres, das quais repudiou uma, por razão de moléstia, outra, por razão de orgulho.

Possuiu ainda várias concubinas. A sua lascividade era tão conhecida pelas mulheres, que várias se ofereceram voluntariamente, julgando uma honra ter relações com o enviado de Deus, o que excitou o ciúme e a raiva de Aicha, a preferida. Como é que uma mulher se oferece assim! Gritou ela um dia. Maomé lhe respondeu com calma, citando o versículo trazido por São Gabriel, dando este privilégio ao enviado de Deus.

O ciúme reinava bastante no grande harém do profeta: daí discussões, brigas, insultos.

Às vezes o profeta irritava-se com tais disputas e exclamava: O inferno está povoado de mulheres, desconfiai das suas intrigas.

Naturalmente, replicava Aicha, a preferida, confiante em seu poder. A mulher é um cavalo difícil de domar!

Omar Selma presente retrucava: Estou vendo, as tuas outras mulheres não tem, a teus olhos, a menor importância! E rompeu a injuriar a favorita.

A fim de evitar novas recriminações, Maomé afastava-se umas horas, dando-se por doente, o que fazia dizer a Omar: Quando o profeta está doente, suas mulheres enxugam os olhos vermelhos de lágrimas, quando lhe volta a saúde, elas agarram-no pela garganta.

Magoado, o profeta separou-se um mês de suas mulheres. Estas suspeitavam um repúdio, porém, o profeta limitou-se em citar-lhes a nova revelação trazida por São Gabriel: “Se ele vos repudiar, Deus poderá dar-lhe novas esposas melhores que vós, mulheres muçulmanas, crentes, piedosas, desejosas de se arrependerem, submissas, observando o jejum, tanto mulheres anteriormente casadas, como virgens”.

Para evitar novas revoltas ciumentas, por ordem de São Gabriel, o profeta prometeu-lhes não desposar doravante novas mulheres legítimas, promessa essa, sancionada pelo Corão,3.

Não parece duvidoso que o Islã tenha modificado a sorte da mulher na Arábia. “No tempo do paganismo, declara Omar, nenhum valor dávamos às nossas mulheres. Este estado de coisas cessou, quando Deus fez revelações a este respeito e designou os direitos que lhe deviam ser outorgados”.

Entre os fiéis, dizia o profeta, o mais perfeito é aquele que se distingue pela delicadeza para com sua mulher.
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Rev. Pe. Júlio Maria

Como se vê pelos exemplos citados, o pobre do profeta, na sua idade madura, livre das grandes preocupações das conquistas, tornou-se um homem sensual, voluptuoso, todo efeminado, e servia-se das suas pretensas revelações para desculpar e autorizar a sua vida escandalosa e lasciva.

Tudo lhe era permitido. As próprias leis, ditadas por ele, para orientar e moralizar os muçulmanos, eram desprezadas e pisadas sob os pés.

E, como naturalmente se levantavam censuras e críticas, no ambiente adverso, pois toda reforma suscita uma oposição, o profeta atribuía a São Gabriel a sua lascividade e o seu feminismo, como lhe atribuía a sua doutrina e as suas leis. É o próprio Anjo, e por ele, o próprio Deus que está em contradição consigo mesmo, que proibia o mal, e depois ordenava cometê-lo.

Hoje Deus proíbe, e amanhã permite. Ele se corrige, ele muda, ele se retrata… Logo, tal doutrina não é de Deus, é uma doutrina falsa, porque Deus é um só, é imutável, não se contradiz nunca.

Bastaria a presente página, para nos convencer que Maomé não tinha recebido nenhuma missão de Deus, mas, não passava de homem obsediado por um ideal religioso, uma espécie de auto-sugestão.

Sincero, ao início de sua carreira, foi-se deixando dominar gradualmente pela ambição do poder, da dominação, e no fim pela sensualidade carnal, que, perante os séculos, o arrancou de seu trono de reformador, para assimilá-lo a um vulgar libertino.

Ele mesmo sentia a sua queda e para escondê-la, lança sobre ela o manto da hipocrisia, fingindo revelações para legitimar a sua vida dissoluta.

Fiz questão de citar estes vários exemplos, porque, melhor que outras minúcias da sua vida, indicam e formam a personalidade do pseudo-profeta, como apontam as numerosas incoerências e mudanças de sua doutrina moral.


Fonte: Rev. Pe. Júlio Maria de Lombaerde, S.D.N., “São Gabriel, Maomé e o Islamismo”, Cap. XI, p. 81-89; 1ª Edição; Editora “O Lutador”, Manhumirim – MG, 1954.

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1Cop. XXXIII - § 73. Os conjurados.
2Cap. XXIV – 64 parágrafos. Lê-se no § 12: “Neste livro encontra-se a verdade e a luz; Aicha é inocente e não merece nenhum castigo”.
3XXXIII – 52.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Desejo uma Santa e Feliz Páscoa para Todos.



Cântico1

O Triunfo da Cruz2

E a vós, que estáveis mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão (ou desordem) da vossa carne, vos deu vida, juntamente, com Ele, perdoando-vos todos os pecados; cancelando o quirógrafo do decreto que nos era desfavorável, que era contra nós, e o aboliu inteiramente, encravando-o na Cruz; e, despojando os Principados e Potestades (infernais), levou-os (cativos) gloriosamente, triunfando em público deles em Si mesmo (pela Cruz)” (Col. 2, 13-15).

I

É a Cruz, sobre a terra, mistério profundíssimo, que não se conhece sem muitas luzes. Para compreendê-lo é necessário um espírito elevado. Entretanto, é preciso entendê-la para que nos possamos salvar.

II

A natureza a abomina, a razão a combate; o sábio a ignora e o Demônio a aniquila. Muitas vezes o próprio devoto não a tem no coração e, embora diga que a ama, no fundo é um mentiroso.

III

A cruz é necessária. É preciso sofrer sempre: ou subir o Calvário ou perecer eternamente. E Santo Agostinho exclama que somos réprobos se Deus não nos castiga e nos prova.

IV

Vai-se para a Pátria pelo caminho das cruzes, que é o caminho da vida e o caminho dos reis; toda pedra é talhada proporcionalmente, para ser colocada na Santa Sião.

V

De que servirá a vitória ao maior conquistador, se não tiver a glória de vencer-se sofrendo, se não tiver por modelo Jesus morto na Cruz, se, como um infiel, o lenho repelir?

VI

Jesus Cristo por ela acorrentou o Inferno, aniquilou o rebelde e conquistou o Universo; e Ele a dá como arma aos seus bons servidores; ela encanta ou desarma as mãos e os corações.

VII

Por este sinal vencerás, disse Ele a Constantino. Toda vitória insigne se encontra nela. Lede, na história, seus efeitos maravilhosos, suas vitórias estupendas na terra e nos Céus.

VIII

Embora contra os sentidos e a natureza, a política e a razão, a verdade nos assegura que a cruz é um grande dom. É nesta princesa que encontramos, em verdade, graça, sabedoria e divindade.

IX

Deus não pode defender-se contra sua rara beleza. A Cruz o fez baixar à nossa humanidade. Ao vir ao mundo Ele disse: “Sim, quero-a, Senhor. Boa Cruz, coloco-vos bem dentro do coração”.

X

Pareceu-lhe tão bela que nela pôs a sua honra, tornando-a a sua eterna companheira e a esposa de seu Coração. Desde a mais tenra infância Seu Coração suspirava unicamente pela presença da cruz que amava.

XI

Desde a juventude, ansioso a procurou. De ternura e de amor, em seus braços morreu. “Desejo um batismo”, exclamou Ele um dia: “a Cruz querida que amo, o objeto de meu amor!”

XII

Chamou a São Pedro Satanás escandaloso, quando ele tentou desviar Seus olhos da Cruz aqui na terra. Sua Cruz é adorável, Sua Mãe não o é. Ó grandeza inefável, que a terra desconhece!

XIII

Esta cruz, dispensa por tantos lugares da terra, será ressuscitada e transportada para os Céus. A cruz, sobre uma nuvem, cheia de brilho rutilante, julgará, por sua visão, os vivos e os mortos.

XIV

Clamará vingança contra seus inimigos, alegria e indulgência para todos os seus amigos. Dará glória a todos os Bem-aventurados e cantará vitória na terra e nos Céus.

XV

Durante sua vida os Santos só procuraram a cruz, seu grande desejo e sua escolha única. E, não contentes de ter as cruzes que lhes dava o Céu, a outras, inteiramente novas, cada um se condenava.

XVI

Para São Pedro, as cadeias constituíam honra maior do que ser o Vigário de Cristo na terra. “Ó boa Cruz”, exclamava, cheio de fé, Santo André: “Que eu morra em ti, para que me dês a vida!”

XVII

E vede, São Paulo esquecia seu grande êxtase para se glorificar tão somente na cruz. Sentia-se mais honrado em seus cárceres horrendos que no êxtase admirável que o arrebatou aos Céus.

XVIII

Sem a Cruz a alma se torna lenta, mole, covarde e sem coração. A cruz a torna fervorosa e cheia de vigor. Permanecemos na ignorância quando nada sofremos. Temos inteligência quando sofremos bem.

XIX

Uma alma sem provações não tem grande valor. É alma nova ainda, que nada aprendeu. Ah! Que doçura suprema goza o aflito que se rejubila com sua pena e dela não é aliviado!

XX

É pela Cruz que se dá a bênção, é por ela que Deus nos perdoa e concede remissão. Ele quer que todas as coisas tragam este selo, sem o qual nada lhe parece belo.

XXI

Colocada a cruz em algum lugar, torna-se sagrado o profano e desaparecem as manchas, porque Deus delas se apodera. Ele quer a Cruz em nossa fronte e em nosso coração, antes de todos os atos, para que sejamos vencedores.

XXII

Ela é nossa proteção, segurança, perfeição e única esperança. É tão preciosa que uma alma que já está no Céu voltaria alegremente à terra para sofrer.

XXIII

Tem este sinal tantos encantos, que no altar o Sacerdote não se vale de outras armas para atrair Deus lá do Céu. Faz sobre a hóstia vários sinais da Cruz e, por esses sinais de vida, dita-lhe suas leis.

XXIV

Por este sinal adorável prepara-lhe um perfume cujo odor agradável nada tem de comum; é o incenso que lhe dá uma vez consagrado, e é com esta coroa que desejaria ser ornado.

XXV

A Eterna Sabedoria procura, ainda hoje, um coração bem fiel, digno deste presente. Quer um verdadeiro sábio, que goste apenas de sofrer e com coragem, leve a sua cruz até morrer.

XXVI

Devo calar-me, ó Cruz, rebaixo-te ao falar. Sou um temerário e um insolente; já que te recebi de coração constrangido e não te conheci, perdoa meu pecado!

XXVII

Ó Cruz querida, já que nesta hora te conheço, faze de mim tua morada e dita-me tuas leis. Cumula-me, ó princesa minha, com teus castos amores, e faze que eu conheça os teus mais secretos encantos!

XXVIII

Ao ver-te tão bela, bem queria possuir-te, mas meu coração infiel me prende ao meu dever; se queres, Senhora minha, animar meu langor e sustentar minha fraqueza, dou-te o meu coração.

XXIX

Tomo-te para minha vida, meu prazer e minha honra, minha única amiga e única ventura. Imprime-te, eu te rogo, em meu coração e no meu braço, na minha fronte e na minha face. Não me envergonharei de ti!

XXX

Tomo, para minha riqueza, tua rica pobreza, e, por ternura, tuas doces austeridades. Que tua prudente loucura e tua santa desonra sejam toda a glória e grandeza de minha vida!

XXXI

Minha vitória estará em ser derrotado por tua virtude e para tua maior glória. Não sou, porém, digno de morrer sob teus golpes, nem de ser contrariado por todos.

 _________________
1Extraído das Obras do Bem-aventurado de Montfort, edição Fradet, 1932.
2A fim de conservar, o mais fielmente possível, a linguagem do Santo e o sentido teológico deste Cântico, tentamos tão somente uma tradução em prosa. (N.T.)

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