Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 30 de junho de 2019

Da Lembrança dos Inumeráveis Benefícios de Deus



1. Alma Fiel. Abri, Senhor, o meu coração a Vossa lei e ensinai-me a trilhar o caminho dos Vossos Mandamentos.

Fazei-me conhecer a Vossa vontade e, com grande respeito e diligente atenção, rememorar todos os Vossos benefícios, gerais e particulares, para Vos dar as devidas graças.

Bem sei e confesso que, nem pelo amor de Vossos dons, sou capaz de Vos louvar e agradecer dignamente.

Sou inferior a todos os bens que me haveis dado, e quando considero a Vossa Majestade, desfalece-me a alma diante de tanta grandeza.

2. Tudo o que temos na alma e no corpo, todos os bens internos ou externos, naturais ou sobrenaturais que possuímos, são benefícios Vossos, que proclamam a munificência, a misericórdia e a bondade Daquele de quem recebemos todos os bens.

E ainda que uns recebam mais, outros menos, tudo vem de Vossas mãos, e sem Vós ninguém possuiria bem algum.

Aquele que recebeu mais não pode gloriar-se do seu merecimento, nem exaltar-se acima dos outros nem insultar ao que recebeu menos, porque maior e melhor é Aquele que se tem em menos conta e agradece com mais humildade e fervor.

Quem se julga mais vil e mais indigno de todos está mais disposto a receber maiores dons.

3. Aquele, porém, que recebeu menos não deve entristecer-se nem indignar-se nem ter inveja aos mais favorecidos, mas por os olhos em Vós e louvar de todo o coração a Vossa bondade, sempre disposta a repartir os Seus dons generosamente, gratuitamente e sem aceitação de pessoas.

De Vós procedem todas as coisas e, por isso, em todas deveis ser louvado.

Sabeis o que convém dar a cada um; e, porque este recebeu menos, aquele mais, não nos compete a nós discernir, mas a Vós, diante de quem estão definidos os merecimentos de cada homem.

4. Por isso, Senhor, meu Deus, considero também singular benefício o não me haverdes dado grande abundância de dons que apareçam exteriormente e atraem louvor e glória aos olhos dos homens. Assim, considerando a própria indigência e vileza, longe de conceber desgosto, tristeza ou desalento deve cada um sentir consolação e grande alegria; porque Vós, Deus meu, escolhestes para Vossos servos e amigos os pobres, os humildes e os desprezados do mundo.

Testemunhas disso são os Vossos próprios Apóstolos a quem constituístes príncipes sobre toda a terra.1

Viveram neste mundo sem queixas, alheios a toda malícia e engano, tão humildes e simples, que até se regozijavam de padecer afrontas por Vosso Nome; e com grande amor abraçavam tudo a que o mundo tem horror.

5. Nada, pois, deve causar tanta alegria a quem Vos ama e conhece a grandeza de Vossos benefícios como o cumprimento de Vossa vontade e de Vossos eternos desígnios a respeito dele.

Com isto deve contentar-se e consolar-se tanto que de boa vontade consinta em ser o menor como outro desejaria ser o maior; e se conserve tão tranquilo e satisfeito no último como no primeiro lugar; e tão gostosamente queira ver-se desprezível e abjeto, sem nome e sem reputação, como querem outros gozar as honras e grandezas do mundo.

Porque a Vossa vontade e o amor de Vossa glória devem para ele estar acima de todas as coisas e dar-lhe mais prazer e consolação que todos os benefícios que lhe fizestes ou lhe podeis ainda fazer.2


1ª Reflexão3

Na consideração dos benefícios, que recebes de Deus, deves atender: – ao número e grandeza desses benefícios; – ao amor infinito do Supremo Senhor que os dispensa, apesar de tu não os mereceres.

Se a tua vida durasse mil anos e a gastasses em agradecer a Deus um só benefício, ainda assim o teu agradecimento não seria digno da Majestade de Deus. Como poderás, pois, agradecer dignamente todos os dons da natureza e da graça com que o Senhor te enriquece a cada momento cá na terra, para um dia te coroar com os da glória no Céu? Podes contar os anos e os dias da tua vida, não podes porém contar o número, nem medir a grandeza dos benefícios, que Deus te concede numa só hora.

Estás como que rodeado de uma infinidade de criaturas visíveis e invisíveis que, por ordem de Deus, trabalham para ti.

Mas como tens tu até aqui usado dos benefícios de Deus? Terrível pergunta esta para a tua consciência! Mesmo aos olhos dos homens do mundo, parece de todo o ponto repreensível que se aproveitem os benefícios e se esqueça o Benfeitor: que crime será pois na balança da divina justiça desaproveitares, inutilizares os benefícios que Deus te concede para bom fim? Lembra-te que és depositário e não senhor absoluto dos bens que recebes; dia virá em que Deus te exija rigorosa conta de todos os talentos, que te entregou.

Se muito recebemos, muito temos que agradecer; depois de admirarmos os dons recebidos, justo é que beijemos, com profundo reconhecimento, a mão benfazeja que no-los prodigalizou. Pela consideração dos benefícios, devemos subir até ao trono do Sumo Benfeitor, para lhe oferecermos a homenagem de um coração puro e humilhado. Quem não é humilde também não pode ser verdadeiramente agradecido. Humilha-te pois na presença do teu Criador e Redentor, pede-lhe perdão das ingratidões passadas e dispõe-te a começar uma vida nova.


2ª Reflexão

Aproveitemos a graça que nos é dada, sem nos importar se outros a receberam mais abundante. Deus comunica-se como e quando Lhe apraz, é Senhor de Seus dons, e deles dispõe segundo Seu beneplácito; e quem somos nós para Lhe pedir contas? Demos-Lhe graças pelos que nos concede em Sua bondade toda gratuita, e também pelos que nos recusa, reconhecendo-nos indignos do menor de Seus benefícios.

Se fores humilde, não aspirarás a favores extraordinários; e se não tiveres humildade, longe de te serem úteis esses favores, não serviriam talvez senão para perder-te, nutrindo em ti a vã complacência do orgulho. Uma viva gratidão para com o Senhor, uma submissão perfeita à Sua vontade, a fidelidade em seguir o caminho por onde te leva, eis o que deves desejar. Com isto descansarás em paz, porque descansarás em Deus, e Nele acharás o auxílio contra as tentações, a paz nos padecimentos, a consolação nas misérias e trabalhos da vida, e finalmente, o amor que tudo faz suave.

Oh! Quão pouco pensaríamos em desejar um estado mais elevado ou mais aprazível, se amássemos verdadeiramente! Mas nós não sabemos amar. Gemamos ao menos de nossa tibieza e supliquemos ao divino Mestre, que se digne aquecer, abrasar nosso coração frouxo, para que possamos dizer com o Apóstolo: “Quem poderá separar-me do amor de Cristo? A tribulação? As angústias? A fome? A nudez? Os perigos? As perseguições? A espada? Mas nós triunfamos de todas estas coisas pela virtude Daquele que nos amou. Porque estou certo que, nem a morte, nem a vida, nem os Anjos, nem os Principados, nem as Virtudes, nem o presente, nem o futuro, nem a força, nem a altura, nem a profundeza, nem alguma outra criatura poderá separar-me do amor de Deus, o qual está em Jesus Cristo Nosso Senhor”4.5


3ª Reflexão

Um dos maiores pecados que os homens cometem, é o desconhecimento das graças que recebem de Nosso Senhor. Esta culpa muitas vezes procede da ignorância, que tolhe ao homem a consideração do muito que deve à Soberana bondade, que lhe liberaliza tantas graças e bens. Mas, quando essa ingratidão está no entendimento, oh! Certamente, é péssima e perigosa; pois, de ordinário, passa para a vontade, e de tal sorte a vicia, que ela se esquece totalmente do reconhecimento que deve a Deus; o que é um gravíssimo mal, e dos impedimentos à graça, é este um dos maiores que se pode ter.6


Orações

Ó meu divino Salvador, fogo infinito de amor, entranhas de Pai misericordioso! Porque não Vos amo, bom Jesus, de todo o meu coração? Porque gasto o momento da vida fora do Vosso amor e serviço? Oh! Se assim me empregasse com todo o cuidado em Vós, como Vos empregais em me salvar! Quando, Senhor meu, me verei desta maneira? Que longo quando, e quanto tarda? Apressai-Vos, meu divino Pastor a me tomar, a me cativar de Vosso amor, e pôr em Vós todo meu desejo e cuidado, pois só isto é o que Vos contenta, e sem Vós o fazerdes o não posso ter. Bastam as penas que Vos tenho dado com meus pecados, não permitais que vo-las acrescente com minha perdição. Aqui me rendo a Vós, desta hora para sempre, tomai-me por Vosso, crucificai-me e salvai-me.7

Ó Deus! Que vício medonho e formidável é esta ingratidão! Santo Agostinho nem por sombras a incorria; pelo contrário, sentia-se tão devedor e obrigado ao divino Salvador de nossas almas, que o tinha desligado dos laços de seus pecados, de modo que se perdia e consumia no amor a Seu Benfeitor e Libertador; e muitas vezes, em suas meditações, este reconhecimento lhe acendia tão fortemente o coração, que ele se desfazia de amor para com Aquele que tão grandes misericórdias lhe fizera.8

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1Ps. XLIV, 17.
2Imitação de Cristo, nova tradução portuguesa pelo Pe. Leonel Franca, S.J., Livro III, Cap. XXII, pp. 129-132. 4ª Edição, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro/São Paulo, 1948.
3Imitação de Cristo, novíssima edição, confrontada com o texto latino e anotada por Monsenhor Manuel Marinho, Livro III, Cap. XXII, pp. 192-193. Editora Viúva de José Frutuoso da Fonseca, Porto, 1925.
4Rom., VIII, 35-39.
5Imitação de Cristo, Presbítero J. I. Roquette, Livro III, Cap. XXII, pp. 239-240. Editora Aillaud & Cia., Paris/Lisboa.
6Imitação de Cristo, Versão portuguesa por um Padre da Missão, Livro III, Cap. XXII, p. 202. Imprenta Desclée, Lefebvre y Cia., Tornai/Bélgica, 1904.
7Presbítero J. I. Roquette, Ob. cit.
8São Francisco de Sales, Sermão para o dia de S. Agostinho.

domingo, 23 de junho de 2019

Canta Extasiado, o Coração Imaculado da Virgem Maria: MAGNIFICAT ÁNIMA MEA DÓMINUM.


A Apoteose da Humildade1

Nos dias que se seguiram à Encarnação do Verbo, permaneceu Maria como aniquilada sob o pensamento, de que Deus se dignara lançar os olhos à pobre órfã de Nazaré, para constituí-lA Mãe do seu Filho. E, contudo, não era um sonho: as palavras do Anjo ressoavam-lhe ainda aos ouvidos, e por outra parte o fogo novo que lhe abrasava o Coração, patenteava de um modo irrecusável a presença do Deus de amor.

Quanto mais revolvia estes pensamentos em seu espírito, tanto mais se lhe expandia a alma em efusões de reconhecimento para com Aquele que a elevara, apesar da sua indignidade, a tal excesso de honra. Faltava-lhe uma coisa só: era um confidente que pudesse receber-lhe o segredo e associar-se à sua felicidade. Mas este segredo, preciso lhe era sepultá-lo no mais profundo da sua Alma, até o dia em que aprouvesse a Deus revelá-lo. Só Ele, o Autor do grande Mistério, podia derramar nos espíritos quanta luz era precisa, para dele lhes dar a inteligência.

Inspirou então o Senhor a Maria o pensamento de ir visitar a sua prima Isabel, cujas inesperadas alegrias o Arcanjo lhe descobrira. E não era justo rodeá-la com os seus cuidados piedosos nessa circunstância da vida, alegrar-se com ela e ajudá-la a agradecer ao Senhor? Era preciso empreender uma viagem de trinta léguas, por montanhas, através dos desertos de Judá; mas a caridade não conhece nem dificuldade nem fadigas. Por outro lado, o Deus que nela morava impelia-A com inspirações irresistíveis a pôr-se a caminho.

Numerosas caravanas se dirigiam então para Jerusalém por ocasião das festas da Páscoa. Maria juntou-se com os peregrinos, atravessou a toda a pressa as colinas de Efraim, saudou de caminho a cidade santa, e metendo-se pelas gargantas das montanhas, chegou, após cinco dias de viagem, à velha cidade2 de Hebron.3

Tudo era calma e silêncio na casa do sacerdote ancião. Mudo e solitário desde a visão no templo, meditava nos grandes destinos da criança que Isabel trazia no seio. E esta, nadando em gozo, passava os dias louvando a Deus que se apiedara do seu desamparo e amarguras. Não esperava de modo algum a visita da sua prima, quando de repente aparecendo-lhe no limiar da porta, lhe dirigiu Maria a saudação costumada: “O Senhor seja contigo!”

Ao som dessa voz mística, Isabel, impressionada até ao fundo da alma, sentiu que a criatura lhe exultara de alegria no seio. Ao mesmo tempo o seu espírito, iluminado do alto, compreendeu claramente a causa desse jubilo miraculoso. O menino acabava de ser santificado no claustro materno, tal como o Anjo predissera a Zacarias. Purificado da Mancha Original, inundado de graças, dotado do uso da razão, lá do fundo do seu cárcere saudou João ao seu Salvador invisível e desempenhando já o seu papel de Precursor, revelava-O a sua Mãe.4

Iluminada de súbito pelo Espírito Santo, já não viu mais Isabel em sua prima uma mulher ordinária, mas uma criatura mais graciosa que os Anjos do Céu. Irrompeu-lhe do peito esta grande exclamação: “Bendita és tu5 entre todas as mulheres, e bendito seja o fruto do teu ventre!” Exclamação de entusiasmo e de amor que por todos os séculos à fora irão repetindo todos os corações fiéis em honra da Virgem Mãe; e logo ajuntou Isabel:6 “Donde a mim tal ventura que se digne visitar-me a Mãe do meu Deus?7 Ó Maria, mal ouvi a tua voz,8 logo a criatura de que sou mãe, exultou de alegria em meu seio. Feliz de Ti que acreditaste na Palavra de Deus, pois tudo o que Ele predisse se cumprirá”.

Até este momento, assombrada diante de tantas maravilhas, conserva-se em silêncio a Virgem de Nazaré, mas ao ouvir os louvores proféticos de Isabel, o seu Coração, como um vaso que transborda, não pode conter os sentimentos. A sua Alma elevou-se até Deus, único Ser a quem se deve todo o louvor. Arrebatada em espírito, respondeu aos parabéns da prima com este hino sublime em honra do Eterno:9


A minha Alma10 glorifica11 ao Senhor,12 e o meu Espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador.13

Porque se dignou lançar um olhar sobre a sua pobre serva,14 e eis que de agora em diante me chamarão Bem-aventurada todas as nações.

Porque operou em mim coisas grandes15 Aquele que é poderoso e cujo Nome é Santo.

Aquele que de idade em idade estende a Sua misericórdia sobre os que O temem; e que ostentando o poder do Seu braço, destruiu os soberbos e lhes confundiu os pensamentos orgulhosos.16

Ele precipitou os poderosos do alto dos seus tronos, para elevar os pequenos e humildes;17 Ele saciou os famintos e despediu com as mãos vazias os opulentos deste mundo”.18

No seu êxtase, como que via, a Virgem, inspirada, passar diante dos seus olhos os Faraós, os Holofernes, os Nabucodonosores, os Antíocos, todos esses opressores de Israel, que desapareceram como sombras com um sopro de Javé. E contemplava Maria a esse povozinho de Deus, sempre abatido, mas sempre levantado pela mão Onipotente do seu Senhor. Logo, sucedeu à visão do passado a visão do futuro. Parando com a sua vista profética sobre a pátria escrava e sobre as nações escravizadas pelos espíritos do abismo, lembrou-se que trazia no seio o Redentor de Israel e do mundo: “Javé, exclamou Ela, lembrou-se das Suas misericórdias: vai levantar a Israel,19 Seu servo, conforme prometeu a Abraão e à sua posteridade20 por todos os séculos”.21


Assim cantou a Virgem de Nazaré ao anunciar à terra a vinda do Divino Redentor. Assim devem ter cantado os Anjos quando pela primeira vez contemplavam a Majestade do Altíssimo. Assim cantaram Adão e Eva à sombra do Paraíso ao admirarem as magnificências da terra e dos Céus. Assim, tomando da Virgem o Seu hino de amor, canta na terra toda a alma remida, quando, ao declinar do dia, se lembra das grandezas e misericórdias de Jesus, Filho de Maria.

Três meses ficou a humilde Virgem com sua prima; três meses decorridos demasiado depressa em piedosas e suaves conversas. Despediu-se então Maria dos seus parentes muito queridos. Isabel e Zacarias verteram lágrimas ao partir Aquela que levava o Deus dos seus corações, e Maria chorava também, porque um certo pressentimento a advertia de que após estes três meses do Céu, iam começar para Ela dias de provação...22

Sois a Honra e a Alegria de nossa raça”.
(Judit., 15, 10)


Bibliografia

1. Rev. Pe. Berthe, C.Ss.R., “Jesus Cristo – Sua Vida, Sua Paixão, Seu Triunfo”. Estabelecimentos Benziger & Co. S.A., Editores E Impressores da Santa Sé Apostólica, Einsiedeln/Suíça, 1925.

2. Synopse Evangélica ou Texto Harmonizado dos Quatro Evangelhos, Segundo os Últimos Dados da Ciência”, por um Pe. da Congregação da Missão (Rev. Pe. L. X. P.), com a licença dos respectivos Superiores. Estabelecimentos Brepols, A. G., Editores Pontifícios, Tournhout/Bélgica/Europa, 1913.

3. Os Santos Evangelhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, por um Pe. da Congregação da Missão, com notas da Edição Francesa dos Padres da Assunção. Tradução portuguesa segundo a Vulgata Latina. Colégio da Imaculada Conceição (Botafogo), Rio de Janeiro/RJ, 1905.

4. Novo Testamento – Os Santos Evangelhos, por Mons. Dr. José Basílio Pereira. Tradução portuguesa segundo a Vulgata Latina, com anotações extraídas dos Santos Padres e de Teólogos eminentes, antigos e modernos, e referências às decisões da Comissão Pontifícia DE RE BIBLICA, e às proposições sobre a Sagrada Escritura, condenadas pelo decreto Lamentabili Sane Exitu. Editores – Os Religiosos Franciscanos, Tipografia de S. Francisco, Bahia/BA, 1912.

5. Concordância dos Santos Evangelhos ou Os Quatro Evangelhos Reunidos em Um Só, Côn. Duarte Leopoldo, Vigário de Santa Cecília. 4ª Edição, Linográfica, São Paulo/SP, 1951.

6. O Santo Evangelho de Jesus Cristo, pelo Pe. José Lourenço, O.P. 3ª Edição da União Gráfica, Lisboa, 1939.

7. Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, por Mons. Vicente Zioni, Reitor do Seminário Central de S. Paulo, com uma adaptação do comentário do Pe. Eusébio Tintori, O.F.M. Versão portuguesa segundo a Vulgata Latina, Edições Paulinas, São Paulo/SP, 1949.

8. Bíblia Sagrada, traduzida da Vulgata e anotada pelo Rev. Pe. Matos Soares, Professor do Seminário do Porto. 13ª Edição, Edições Paulinas, São Paulo/SP, 1961.

9. Vida de Cristo, por Sr. Dr. D. Fulton J. Sheen, Bispo Auxiliar de Nova Iorque. Editora Educação Nacional de Adolfo Machado, Porto, 1959.

10. Bíblia das Escolas Católicas, pelo Pe. Tiago Ecker, Doutor em Teologia e Filosofia, Professor de Exegese e de Língua Hebraica no Seminário Episcopal de Treves. Obra honrada com um Breve de S. S. Pio X. 7ª Edição Brasileira. Tradução feita pelo Exmo., Sr. Bispo do Maranhão, D. Francisco Silva. Editora Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1958.


As Grandezas do MAGNIFICAT23


1ª Parte

O cântico do “Magnificat”. Foi a resposta que a Santíssima Virgem deu aos louvores com que a elogiara Santa Isabel; por isso este sublime cântico é muito digno de ser meditado e conhecido por todos os devotos de Maria.

1º – Excelência e Sublimidade do Magnificat, – Bastaria saber que tinha brotado dos lábios virginais da nossa Mãe, para que não nos fosse indiferente…, porém, muito menos o há de ser se considerarmos as suas circunstâncias. – Trata-se de um cântico que Maria, cheia do Espírito Santo e de alegria divina de que se sentia possuída ao ver-se Mãe de Deus, dirige ao Senhor, para O louvar.

Disse-se que é o cântico de louvor à Redenção. – Quem poderia cantar a Redenção melhor do que Maria? – Fora de Deus, ninguém havia mais capaz de enaltecer e sublimar essa obra… a mais excelsa do Senhor…; nem os mesmos Anjos do Céu… Por isso, foi a Santíssima Virgem que de uma maneira pública e oficial, apregoou a todas as gerações o poder e o amor, que na Redenção humana o Senhor tinha cumulado.

2º – É cântico de amor e de agradecimento de Maria. – Como o seu Coração palpitaria de profundíssima emoção ao ir expressando com os seus puríssimos lábios o que encerrava na sua Alma! – Como se contempla uma joia riquíssima guardada em cofre, de imenso valor…, como se admiram as relíquias milagrosas dos Santos, guardadas em sepulcros suntuosos e venerados… do mesmo modo deves contemplar e admirar esta joia, esta relíquia que Maria guardava em seu Coração e que hoje descobre à Humanidade neste cântico.

Nunca poderemos chegar a compreender toda a força de expressão, que Ela soube dar a estas palavras.

Quanto mais meditares nelas, mais tesouros encontrarás…, não julgues porém, que chegarás a entender todo o seu formosíssimo significado. – Seria necessário amar como só Maria sabe e pode amar… teríamos que conhecer os Mistérios que só Ela chegou a penetrar. – Vê com quanto fervor e devoção deves frequentemente repetir este cântico, pois bem sabes que é o desabafo do Coração Santíssimo de Maria e a síntese do seu agradecimento a Deus. Especialmente quando tiveres de dar graças ao Senhor por alguma graça ou benefício particular que te haja concedido, poderás fazê-lo com outras palavras mais expressivas do que estas mesmas do “Magnificat”? – Haverá cântico que mais agrade ao Senhor do que este, que Lhe recorda o amor intenso de quem o compôs e que pela primeira vez o pronunciou?…

3º – É o cântico que encerra a sublime oração de Maria. – Quantas vezes terás desejado saber como oraria a Santíssima Virgem!… Aqui tens então um exemplo maravilhoso da sua altíssima oração. Nisto não há suposições nem imaginações…, são as mesmas palavras Dela, com as quais nesta ocasião falou com Deus… porém, em voz alta para que Dela aprendêssemos, a expandir o nosso coração na presença do Senhor.

Um dia, os Apóstolos, pediram ao Mestre que os ensinasse a orar, e Jesus compôs-lhes a oração do “Pater Noster”. – Por isso, não há oração alguma que se compare com esta, pois foi feita pelo próprio Deus. – Supõe que pedes a Maria alguma coisa de semelhante; e Ela, Mestra da oração, te ensina e te canta o seu belíssimo “Magnificat”. – De maneira que se o Pater Noster é a oração de Jesus, o Magnificat é a oração de Maria.

Portanto, depois do “Pater Noster” e da Ave-Maria”, não deve haver para ti nenhuma oração melhor do que a mesma oração de Maria, a do seu cântico do “Magnificat”…

4º – Palavras de Maria. – Neste cântico, temos, finalmente, o maior número de palavras de Maria. O Evangelho apenas nos cita algumas soltas; são porém tão poucas… que não satisfazem os seus filhos e devotos. – Mas no “Magnificat”, temos não um extrato ou uma ideia, senão, as suas mesmas palavras e além disto, todas as que Ela pronunciou.

Não foi sem profundíssima razão que tudo isto se fez, pois parece que nos quis indicar deste modo, quão parca era em palavras quando falava com os homens e até com os próprios Anjos, não perdendo tempo em dizer palavras ociosas, senão, as necessárias e convenientes.

E ao contrário, vê como prolongou o tempo quando se pôs a falar com Deus. – Aqui não mede o tempo, nem as palavras, senão, que deixa ao Coração expandir-se quanto quiser. – Medita na reserva e prudência que supõe a atitude tomada no primeiro caso e no amor e fervor que supõe a tomada quando falava com Deus.

Imita-A na reserva em falar com os homens, assim como no amor ao tratar com Deus, e longe de a encurtares, prolonga a tua oração com Ele, e aprecia mais a sua conversação do que as da terra. – Pede-lhe, enfim, que esta oração e este cântico, te seja infinitamente querido por ser Dela e por ter sido inspirada pelo Espírito Santo, para que assim o digas também com aquele fervor e devoção, com que Ela o disse diante do Senhor…

2ª Parte

O “Magnificat”. São tão admiráveis e cheias de sentido as palavras do Magnificat, encerram um conjunto tão maravilhoso de louvores, de agradecimento e de virtudes práticas, que não é possível passá-las por alto e é de grande conveniência determo-nos a saborear as suas doçuras e a estudar os seus ensinamentos.

1º – A minha alma engrandece ao Senhor. – É o fim do homem… louvar e engrandecer ao Senhor. Dulcíssima obrigação, mas obrigação. – Deus criou tudo para a sua glória, mas, propriamente a glória na terra só lha pode dar o homem… A glória é um conhecimento seguido de louvor… não podemos louvar o que não conhecemos. E como as outras criaturas não têm conhecimento, parece que nos encarregam a nós, de nelas vermos e conhecermos a Deus, para que em seu nome O louvemos. Eis o nosso ofício…: recolher essas notas de bondade, sabedoria, poder, formosura e caridade, que Deus depositou nas criaturas e com elas formar um hino de gratidão que devemos entoar em louvor de Deus. – Ofício Magnífico e sublime! Como o cumpres?

Nós, o mais que fazemos muitas vezes é engrandecer a Deus com a língua, porém, não com todo o nosso ser. – Quando pecamos, ainda que seja só venialmente, diminuímos a Deus em nós…; e quando pecamos mortalmente como que O fazemos desaparecer da nossa alma.

Todos os Santos engrandeceram a Deus com as suas obras, e cada dia O engrandeciam mais com a sua santidade; mas, nem sempre…, também eles tiveram faltas e imperfeições…, também algumas vezes amesquinharam o Senhor em seus corações. – Só Maria é a única, que nem um só momento deixou de O engrandecer e sempre… sem cessar… foi crescendo e engrandecendo a Deus.

Sabes louvar a Deus? Trabalhas por conhecê-lO para melhor O amar. – Pensa que quando não fazes assim faltas ao teu dever…, és uma nota discordante que desafina horrivelmente nesse concerto de louvores…; por tua culpa e ignorância não sabes interpretar o cântico que toda a Criação te confia. – E por tua culpa… – que vergonha!

Repara em Maria. – As suas primeiras palavras são para recolher os louvores e grandezas que Santa Isabel lhe diz para os dirigir a Deus… a Ele só a glória e a honra… Que belo, o princípio deste magnífico cântico!

Vê além disso, como Maria engrandece ao Senhor com toda a sua Alma e Coração – em sua puríssima Alma. – Por isso, Lhe disse no tempo presente: “A minha alma engrandece”, não disse engrandeceu ou engrandecerá… senão agora e sempre engrandece. – Parece ser essa a sua ocupação perpétua, o seu principal ofício…, como se não tivesse outro…

Mergulha o teu espírito neste exemplo e pensa em ti, comparando-te com Maria. – Oh! Se sempre engrandecêssemos ao Senhor, ou ao menos, se nunca O diminuíssemos em nós, qual não seria já a nossa santidade?

Pouco podemos e pouco valemos, mas com esse pouco e do modo que podemos, proponhamos louvar e engrandecer ao Senhor, como Maria…

2º – E o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador. – Maria alegra-se e regozija-se, ou antes, encontra-se inundada de um gozo perene. – Com que se regozija? – Não com coisas terrenas… nem com coisas materiais. – É um gozo íntimo, espiritual que tem o próprio Deus por objeto. – Regozija-se e alegra-se em Deus… na posse plena e perfeita do Senhor.

Santa Isabel recorda-Lhe as grandes graças e privilégios, e ainda que sejam motivo suficiente para alegrar-se e regozijar-se neles, no entanto, parece que não liga tanta importância aos dons, como ao Autor e Doador dos mesmos dons. – Santo Agostinho dizia ao Senhor: “Não me dês tuas coisas, mas dá-me a Ti mesmo”… isto é o que com maior razão a Santíssima Virgem nos indica nestas palavras. – Não sabemos procurar a Deus e, por isso, não conseguimos regozijar-nos Nele.

Que doçuras não tem comunicado sempre àqueles que O amam! – Quais comunicaria então à Santíssima Virgem?! – Que é pois de estranhar que a sua Alma santíssima saltasse de gozo e de alegria divina?

Repara, porém, que não diz que o seu gozo está somente em Deus, senão em Deus Salvador. – Esta é a raiz e fundamento da alegria espiritual e do gozo eterno que esperamos…, o fato de Deus ser o nosso Salvador. – Estávamos condenados às tristezas e eternas amarguras do Inferno. – Graças ao nosso Salvador converteram-se em alegria sempiterna… Que alegria para a alma ver ali o seu Criador!… mas sobretudo, ao ver o seu Salvador e Santificador!… Pois, que valeria ter-nos criado, se não nos tivesse salvado e santificado?

Regozija-te com a Virgem Santíssima neste pensamento e alegra-te por teres um tão grande e sublime Redentor e Salvador. – Repara bem que este gozo há de ser no espírito, isto é, um gozo puríssimo, sem mistura de coisa alguma carnal, e portanto, deves fomentá-lo por ser um gozo verdadeiro. Ainda que o corpo sofra com a penitência e mortificação, se o espírito se regozija e se alegra, isto é o que importa.

Finalmente, reflete que o gozo de Maria não foi em Si mesma, senão em Deus só…, quer dizer, não em um gozo egoísta, que procura a sua comodidade e complacência, senão um gozo de amor…, que se alegra de amar e ver amado o objeto do seu amor, ainda que por este amor sofra e padeça. – Maria via-se a Si mesma, e em Si via a Jesus nas suas próprias entranhas e esta vista causava-lhe o seu gozo em Deus.

Também podes ver a Deus dentro de ti, e no teu coração O deves encontrar…; quanto mais O vires deste modo, mais felicidade sentirás. – Aplica também este pensamento à Sagrada Comunhão. – Não tens Jesus dentro de ti como O tinha Maria? – Sabes vê-lO como Ela?... – Sabes apreciar o gozo e a alegria da sua Presença Real?… Vê-lO assim deste modo muitas vezes ao dia?

Pede à Santíssima Virgem, que te ensine a ver Jesus…, a estreitar amorosamente a Jesus contra o teu peito…, a deleitar-te com as doçuras divinas de Jesus…, em cuja comparação são amargas todas as doçuras da terra…

3ª Parte

1º – Porque olhou para a pequenez ou humildade da sua serva. – É admirável a lição prática de humildade que aqui nos dá a Santíssima Virgem. – Acaba de ser saudada por um Anjo da parte de Deus…, acaba de ser elevada à dignidade de sua Mãe…, acaba de ser proclamada bendita entre todas as mulheres, como lhe disse Santa Isabel…, e Ela, empenhando-se em abismar-se no mais profundo da Sua humildade…, reconhece que não é mais que uma simples escrava do Senhor.

Com isto diz-nos que tudo o que n’Ela há é de Deus, pois tudo provém de Deus ter posto os olhos n’Ela…, e “olhar” na linguagem bíblica significa olhar com bons olhos e amar… E assim, tudo procede desse olhar de amor de Deus para Ela…, pois de contrário, não teria sido senão uma de tantas filhas de Eva.

Medita muito nestas palavras e impregna-te desta verdade, que se se aplica a Maria, muito mais se pode aplicar a ti. Que és tu?… e sobretudo, que és diante de Deus?…, que tens de teu e que tens d’Ele?… Se Deus te pedisse quanto te tem dado e que por isso lhe pertence, na ordem da natureza e da graça…, bens físicos e espirituais…, dons interiores e exteriores… que te ficaria?…, apenas uma coisa: o pecado… esse é exclusivamente teu. – Tudo o resto é de Deus. – Portanto, não podes dizer que Deus te viu com bons olhos e que por isso te cumulou de bens e te deu quanto possuis?

Vê pois como com maior razão que a Santíssima Virgem, deves não só reconhecer, senão praticar a humildade, já que isto é a única coisa justa e racional que te fica bem.

Além disso, considera como Maria nos ensina que o fundamento de todos os bens do Senhor e de todas as graças que d’Ele recebemos, é exatamente a humildade…, e por isso diz que louva ao Senhor e se regozija em Deus seu Salvador, porque olhou para a humildade da Sua serva. – Desta maneira estarás muito longe de te louvares a ti mesmo, como fez o fariseu do Evangelho que atribuía aos seus méritos todas as suas boas obras…; pelo contrário, a cada instante reconhecerás a bondade e misericórdia de Deus, que te levanta do pó e da miséria, à altura da santidade…, e tanto mais alto te levantará o Senhor quanto tu mais te empenhares em viver uma vida abatida e escondida na tua humildade.

2º – Eis porque todas as gerações me chamarão bem-aventurada. –É uma confirmação das palavras anteriores. O humilde encanta o Coração de Deus, e Deus não repara em meios para o levantar e o exaltar. – Quanto não exaltou e sublimou a todos os Santos! – Mas sobretudo a Maria! – Quem mais humilde do que Ela?… Por isso mesmo, todas as gerações A chamarão Bem-aventurada… Ela humilha-se e Deus exalta-A.

Contempla esta divina porfia. Maria procurando rebaixar-se diante de Deus…, e Ele levantando-A acima de todos os homens…, de todos os Anjos…, e a introduzi-lA nos mesmos segredos altíssimos da Divindade. – Ninguém tão humilde como Maria…, e ninguém mais elevado do que Ela! Perder-te-ás no exame da Sua humildade porque não chegarás ao fundo do Seu abatimento… Se meditas na Sua exaltação igualmente a não compreenderás, porque quem é capaz de a seguir no seu voo para Deus, ajudada e elevada pelo mesmo Deus?

O que será a humildade?… Que verá Deus n’Ela, para que seja condição indispensável para lhe agradar? – Se Maria não se tivesse feito escrava, não seria agora Rainha, Senhora, e Mãe do próprio Deus.

Portanto, a soberba e a vaidade não são só contra a razão…, mas, sob o ponto de vista de um santo egoísmo, são completamente inúteis e infrutuosas. O soberbo nada consegue…, e o humilde tudo alcança. – Compreendes agora como, até por conveniência própria, deveríamos trabalhar por adquirir esta maravilhosa virtude…, e desterrar todo o assomo da asquerosa soberba? – Com quanta razão São Bernardo chamou ao “Magnificat” o “êxtase da humildade” de Maria!…, pois dessa virtude, fez brotar todas as Suas grandezas e maravilhas…

Vê, finalmente, que estas palavras encerram uma profecia…; Ela disse: que “a chamariam Bem-aventurada...” Fala de um futuro que devia desconhecer e não obstante, com toda a segurança afirma que será assim.

Como é suave, para nós, ver o exato cumprimento destas palavras! – Reúne os títulos de Maria…, os Seus Santuários e Templos…; conheces alguma igreja que não tenha um ou vários altares em Sua honra?… Haverá povoação, por grande ou pequena que seja, que não possua alguma imagem da Santíssima Virgem e que não celebre a Sua festa com alegria e esplendor?…

Recorda o Mês de Maio…, pensa no dia da Imaculada Conceição…, lembra as principais festas da Santíssima Virgem…, e verás que o povo cristão corre a ajoelhar-se aos pés de Maria. – Sobe ao Céu e vê a todos os Santos reconhecendo a santidade da Virgem Santíssima…, e a todos os Anjos, que juntamente, com os homens não cessam de a proclamar “Bem-aventurada”… Que esplêndida confirmação, a desta profecia!…

4ª Parte

1º – Porque o Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas e santo é o seu Nome. – Como compreendemos mal a humildade!… Julgamos que consiste exteriormente em dizer mal de nós… em não reconhecer o bem que fazemos… e em não ver as graças que o Senhor nos concede… e nada disto é a humildade.

Escuta Maria: “Todas as gerações me chamarão Bem-aventura”. – “O Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas”…, e, no entanto, isto é humildade. – Não esqueças que a humildade é a verdade, simplicidade e sinceridade.

Reconhece pois o bem que em ti há, não porém para te louvares…; então seria soberba. – Compreende a grandiosa e vasta obra de Deus no teu coração…; que isto porém te sirva para O louvares mais e mais…, para corresponderes melhor…, para cada dia O amares com maior fervor e entusiasmo, como consequência natural do teu agradecimento.

A que coisas se referia a Santíssima Virgem ao dizer que Deus tinha operado n’Ela grandes maravilhas?… Em que pensaria quando dizia estas palavras? – Pensa e trabalha por adivinhá-lo, percorrendo como Ela percorria os favores e dons que do Senhor tinha recebido.

Lembra-te da Sua predestinação desde a eternidade…, da Sua existência na Mente divina gratíssima para Deus. E lembra-te a seguir do inefável privilégio da Sua Conceição Imaculada, com todas as graças inerentes a esse privilégio…: passariam pela Sua imaginação e teria presentes todas as maravilhas que em Seu Coração quis o Senhor acumular, e recordar-se-ia da saudação do Anjo…, do Mistério da Incarnação do Verbo…, e então, aparecer-lhe-ia diante dos olhos o milagre dos milagres…: que Ela criatura!…, escrava do Senhor!… fosse ao mesmo tempo Sua Mãe!… e como para isso foi necessário fazer uma coisa extraordinária e desconhecida no Céu e na terra, isto é, o ser Mãe sem deixar de ser Virgem. – Por isso, extasiada ao ver tudo isto…, penetrando no valor e significação de tudo, com grande fervor exclama: “O Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas”.

Vês bem? Tudo, tudo atribui ao poder de Deus…, ao Todo-Poderoso!…, à santidade de Deus!…, ao Seu Santo Nome!… – Deus, com a Sua santidade, bondade e divina misericórdia, determinou fazer tudo isto…, e fê-lo com o Seu poder infinito.

Faz uma aplicação destas palavras à tua alma. – Não poderás também dizer que fez em ti grandes coisas o poder, e sobretudo, a bondade de Deus?… Não é um efeito da Sua liberalidade… (sem mérito algum da sua parte…), tudo quanto o Senhor te tem dado generosamente? – Demora-te a recordar tudo desde o teu nascimento até ao momento presente…; recorda, sobretudo, as vezes que te tem perdoado os pecados…; que te tem transformado de um abismo de misérias que eras num abismo de graças e formosura. – Reconhece isto assim, que não é soberba… Mas louva-O, a Ele, como Maria.

Bendiz o seu poder… Glorifica a Sua bondade…, venera com amor o Seu Santo Nome.

2º - “E a sua misericórdia se estenderá de geração em geração para com todos os que O temem”. – Eis outra faceta delicadíssima da humildade. – Maria regozija-se em estender aos outros esta misericórdia do Senhor, que usou para com Ela.

Quanto Deus fez de grande em Sua Alma, fa-lo-á com todos os que O temem…; não quer ser a única…; compras-se em publicar a participação que todos podem ter nesta bondade de Deus. – Ah! Como é humano querer ser dos primeiros!…, e muito mais ainda ser os únicos! A verdadeira humildade, não é exclusiva…, nem ambiciosa…, muito menos, invejosa do bem alheio…; isso é demasiado humano…, e Maria é divina! Por isso não é assim, nem mesmo assim pensa…

Além disso esta misericórdia e bondade é para os que O temem. – Não se refere ao temor servil, próprio dos servos, senão ao temor reverencial e filial dos bons filhos. – É aquele santo temor de Deus, de que fala a Sagrada Escritura, que é o princípio de toda a Sabedoria…, e por isso mesmo, o princípio da santidade e o fundamento do amor. – Teme, e ama!…, são duas coisas inseparáveis para Deus… Deves pois temer com amor, e deves amar com temor. – Temor de ti…, dos teus pecados e recaídas…, da tua miséria…, da tua pouca gratidão e correspondência… Como Deus é bom para com os que O temem!… Que será para com os que O amam! – Teme a Sua justiça, mas sobretudo, ama a Sua bondade…, confia na Sua misericórdia, e verás como se cumprirão em ti as palavras de Maria.

Regozija-te de teres um Deus tão misericordioso, que não nega a Sua misericórdia a ninguém, e trabalha com toda a tua alma por estender, com a tua oração…, com a tua penitência…, com o teu amor, este Reino da bondade e da misericórdia, não só em tua alma, senão em todo o mundo, como Deus quer…, em todos os justos…, nos tíbios…, e até nos grandes pecadores, para quem não brilha ainda esta infinita misericórdia do Senhor.

5ª Parte

1º - “Com o seu braço fez obras magníficas. – Aqui exalta a Santíssima Virgem o poder de Deus, que se manifesta especialmente nalgumas das Suas obras. – São todas, fruto desse poder infinito de Deus, porém, nalgumas manifesta-se mais claramente essa onipotência. Olharia a Santíssima Virgem para o Céu e veria nele as estrelas imensas…, luminosíssimas…, incalculáveis no seu número…, com uma vida e movimento incessantes…, no meio de uma ordem admirável.

Que bela obra a do Céu, com as suas estrelas, para se ver nela a onipotência de Deus! – E a terra?…, com as suas plantas e animais…, com os seus rios e mares…, etc.

Percorre pois tudo isto com a imaginação e pergunta a ti mesmo: não é isto obra do braço poderoso de Deus? – Quem, senão Ele, podia conceber, ou fazer coisa semelhante?

Depois, veria também o homem…, os Anjos…, e toda a brilhante corte que cerca o trono de Deus…, e sobretudo, ver-se-ia a si mesma… Onde poderia descobrir melhor a força do braço poderoso de Deus senão no seu coração e na sua alma puríssima e imaculada?

Pensa bem no que isto quer dizer. – Ao fazer Deus todas as Suas obras, parece que as fez sem esforço algum…, bastou a Sua Palavra…, o Seu querer…; porém, na obra da Incarnação, ao nosso modo de entender, não é certo que não a podemos explicar senão como obra em que Deus teve que pôr toda a Sua onipotência e fazer, se assim se pode dizer, um grande esforço?

Para a Criação não teve nenhuma resistência a vencer…, tudo foi feito do nada. – O esforço é tanto maior, quanto maior é a resistência que se opõe ao nosso trabalho. – Se pois na Criação, a resistência não existia, porque as coisas jaziam do nada…, na Incarnação não foi assim… Teve primeiro que violentar, por assim dizer, a Divindade… Teve de fazer-se violência a Si mesmo para diminuir, tornar pequeno e aniquilar o próprio Deus!…, e assim poder encerrá-lO num corpo humano e no seio de Maria.

E teve de fazer esta obra única e jamais repetida, de escolher uma mulher e fazê-lA Sua Mãe…, e torná-lA por isso receptáculo dos prodígios e maravilhas de toda a Criação…, e fazê-lA Imaculada…, e Virgem e Mãe ao mesmo tempo.

Tudo isto não supõe um imenso esforço do braço poderoso de Deus?

Foi tão grande este esforço, que chegou a esgotar, se assim se pode dizer, todo o Seu poder… Deus pode criar milhares de mundos…, milhares de seres…, milhões de Anjos e céus mais belos…, mais esplendorosos, que os atuais. – Porém…, não pôde fazer uma obra de maior grandeza que Sua Mãe…, pois era impossível que houvesse Mãe superior à Mãe de Deus.

Não podes aplicar isto mesmo à Sagrada Comunhão?… Não é outro esforço do Seu braço?…

Não esgota aí também a sabedoria e o poder e até o amor de Deus?… Com ser onipotente…, Deus pode dar-te alguma coisa maior do que a Sagrada Comunhão?

2º - “Confundiu os soberbos nos pensamentos dos seus corações. – Eis outra prova do poder do Seu braço. – A Sua onipotência manifesta-se nas obras da misericórdia e da bondade…, e também nas da Sua justiça. – E assim como vai para os humildes toda a Sua misericórdia, assim a Sua justiça descarrega-A sobre os soberbos. – Como se lembraria a Santíssima Virgem da diferença da Sua exaltação até ao trono de Deus, para ser Rainha e Imperatriz do Céu, com a estrondosa queda de Lúcifer das alturas até ao mesmo Inferno! – Ela subiu pela Sua humildade, este caiu pela sua soberba…

E nota bem que Ela diz: “aos soberbos de inteligência e de coração… Cristo refere-se, claramente, à soberba interna, não precisamente à externa, que é uma falta de tino… A interior é mais refinada…, isto é, parecer humilde no exterior, e interiormente ter entronizada a soberba, é que é sutil e tão fina, que penetra até ao mais íntimo sem darmos conta.

Fixa-te nesta distinção: soberba de espírito…, é o próprio parecer… o não querer ceder…, o desejar que nos deem sempre razão…, o não sofrer uma contradição…, enfim, é o não condescender especialmente quando julgamos ter razão…; e depois repara na soberba de coração…; que há de ser esta soberba senão o terrível amor-próprio que tão profundamente se enraíza no nosso coração?

Pede à Santíssima Virgem que te liberte desta dupla soberba, do espírito, e do coração, e assim, pela Sua mediação, te vejas livre da Justiça divina, que, segundo a própria Virgem Santíssima, tão duramente há de castigar esta soberba interna…

6ª Parte

1º - “Depôs do trono os poderosos e exaltou os humildes. – Assim como no verso anterior expôs o que o Senhor faz sempre com os soberbos de espírito e de coração, assim agora nos fala da manifestação dessa soberba por meio da vaidade, do orgulho, da fome de mandar…; estes são os poderosos da terra… – os que mandam e não gostam de obedecer. – Eis porque a obediência é irmã inseparável da humanidade. – A uma e a outra convém esse espírito de submissão e de simplicidade que tanto agrada a Deus. Quantos poderosos não havia então na terra?!…; com luz vinda do Céu a Santíssima Virgem via-os a todos gozando nos seus palácios…, mandando em seus servos e escravos que perante eles se prostravam como se fossem deuses…

Escuta porém a frase enérgica de Maria…: a esses o Senhor os porá fora dos seus tronos, e das suas cadeiras de vaidade, e com desprezo os abandonará. – Estas expressões parecem não condizerem com a doçura e compaixão de Maria!… Nós não podemos compreender quanto Deus detesta toda essa presumida vaidade da terra: – Nem sequer para ela olha, nem lhe tem alguma consideração. – Para procurar Maria, não A procura entre os grandes da terra, senão entre os humildes…; e quando nasce em Belém, manda aos Anjos anunciar a grande nova aos pastorinhos simples…, e dos grandes e poderosos nem se lembra… Como deve ser terrível este desprezo de Deus!… Que imenso castigo Maria anunciou por palavras tão fortes!

Examina se tens esse espírito mundano em qualquer das suas manifestações…, nalgum dos seus graus, ainda que te pareça muito pequeno…, olha para ti mesmo e se queres ver quão distante estás desta presumida soberba e vaidade, vê em que estado te encontras e em que alturas estás quanto à obediência…, submissão e humildade…, e assim compreenderás a que distância te encontras do grande prêmio que Maria anuncia para os humildes. – Para estes, a exaltação, o engrandecimento…, um trono muito levantado no Céu. Compara essas duas expressões da Santíssima Virgem: a do castigo do desprezo para com os poderosos…, a da exaltação gloriosa dos humildes e simples.

2º - “Cumulou de bens aos famintos e despediu os ricos de mãos vazias”. – Mas… ainda mais? – Não acaba a Santíssima Virgem de exaltar a humildade. Quanto a ama! Porque estas palavras são uma confirmação ou repetição das anteriores.

Aqui fala de outra manifestação da humildade, que é a pobreza…, e da soberba, que é a abundância e as comodidades. – A pobreza real e atual…, a pobreza de espírito. – Jesus quis nascer, viver e morrer abraçado a ela. – Se soubéssemos quanto esta virtude agrada a Jesus, como a apreciaríamos!

Ao menos, havemos de procurar e desejar a pobreza de espírito. – Não apegar-se a nada…, não desejar nem invejar nada…, não querer o bem-estar e comodidades das riquezas…, ter gosto em que nos falte alguma coisa, e que nem tudo saia à medida do nosso desejo… E, enfim, no afã de despojarmo-nos de tudo…, despojarmo-nos de nós próprios.

Só um coração despojado do amor carnal, do amor de si mesmo pode agradar a Deus. Nosso Senhor quer que nos revistamos d’Ele, mas para isso temos de despojar-nos de nós mesmos.

Quando deitamos massa num molde, se quisermos que esta chegue a todas as formas e desenhos, é preciso que o molde esteja bem limpo de tudo…; quaisquer aderências que tenha, impedirão que se imprimam perfeitamente todas as suas linhas. – Pois bem: Maria e Jesus querem moldar-se no teu coração…, para que este seja uma cópia exata d’Eles.

Porém, não admitem companhia, porque não há nenhuma digna de Jesus e de Maria… É necessário, e a todo o custo indispensável, que limpes bem o coração…, que o desprendas e arranques dele ainda que seja com violência…, e com dor, tudo o que não seja Jesus e Maria. – Pensa nisto, em modo particular na ocasião da Comunhão e não esqueças que tu e Jesus não cabeis juntos no coração… Se queres que Ele entre, terás que sair tu… Ele só, é bem capaz de o encher. – Esta é a fome de que fala Maria. – Vai com verdadeira fome receber a Jesus e sentirás a verdade destas palavras: “aos famintos cumulou-os de bens”. – Porém, aos outros…, a esses…, deixa-os sem nada… que é o que lhes pertence.

7ª Parte

1º - “Tratou ou socorreu a Israel, seu servo, recordando-se da sua misericórdia”. – Aqui recorda a Santíssima Virgem a grande misericórdia usada com Israel. – Era um povo escravizado pelos Faraós, a quem o Senhor milagrosamente tirou daquela escravidão e os conduziu através do deserto…; ali alimentou-os com o Maná do Céu; depois de os livrar triunfantemente dos seus inimigos levou-os à terra opulenta da promissão. – Enfim, tomou-o como coisa Sua…, fê-lo seu povo escolhido…, e tratou-o como a um membro de família, com carinho e providência admiráveis.

Aplica tudo isto, ponto por ponto, ao que Deus tem feito contigo e verás aí uma sombra da realidade. – Tirou-te do cativeiro do Demônio, infinitamente pior que o dos Faraós…, protegeu-te sem cessar no deserto desta vida…, alimenta-te com o verdadeiro Maná divino do Seu Corpo e Sangue…, e conduz-te carinhosamente pela Sua mão à terra prometida que é o Céu.

Mas, há mais ainda: a Israel deu-lhe o título de Seu servo doméstico – grande favor, sem dúvida, servir a Deus! –, porém, a ti chama-te e dá-te o título e honras de filho…, de irmão de Jesus Cristo…, de herdeiro do Seu trono… Que sublime e magnífica realidade! Não duvides de que ainda que Maria fala apenas da misericórdia de Deus com Israel, pensava também na que usaria contigo e tinha-a bem presente.

O que não diz a Santíssima Virgem é a correspondência de Israel ao Senhor…; bem a sabes: dureza de coração…, desconfiança d’Ele no deserto…, um total esquecimento de Deus nas delícias da terra da promissão, chegando a procurar outros deuses para os adorar…, e, finalmente, expulsando a Seu Filho quando veio a salvar-nos, dando-lhe morte cruel na Cruz…

Eis o que Deus recebeu da misericórdia usada para com aquele povo. – Mas…, também nisto será figura de ti? – Também terás imitado neste ponto a Israel, na sua negra e enorme ingratidão?…

Poderá também dizer de ti o Senhor, que da Sua vinha eleita, que era Israel, não tirou mais do que uvas silvestres, azedas, amargosas?… Pelo menos nalgumas ocasiões, reconhece com humildade e com santa vergonha, que assim tem sido…, mas promete firmemente que já não será assim para o futuro…

2º - “Como tinha prometido a Abraão e aos seus descendentes, por todos os séculos dos séculos”. Como Deus é fiel à Sua palavra! – Assim o prometera a Abraão, e a seus filhos, os outros grandes Patriarcas do Antigo Testamento…, e como o prometeu assim o cumpriu. – Ele não ignorava o que aquele povo ia fazer dos Seus benefícios, e apesar disso…, não volta atrás e não desfaz a Sua promessa. – Como o Senhor é fiel!

Mas nota, como, segundo as palavras da Santíssima Virgem, esta fidelidade e exatidão de Deus, é por todos os séculos…, isto é, que como cumpriu o prometido então, também o cumprirá no que prometa depois.

E efetivamente, segundo São Paulo, esta fidelidade de Deus manifesta-se em três coisas: a) em não permitir ao Demônio que nos tente mais do que nós podemos resistir, pois é bem claro que se o deixasse, ninguém o venceria…, tanta é a sua astúcia! Tanto o seu poder e sabedoria! b) é fiel em não abandonar-nos durante a tentação…; não é como as amizades terrenas, que nas provas e dificuldades da vida, em especial na mais terrível, a da morte, nos deixam sós e nos abandonam…, não nos servem para nada. – Mas o Senhor não é assim: quanto maior for a tentação e a necessidade, tanto mais nos assiste com a Sua ajuda e com a Sua graça…, de tal modo, que nos dá esta na medida daquela, sem que nunca nos falte…, apesar de tantas vezes nós O deixarmos; c) enfim, é fiel em dar-nos um prêmio eterno, se soubermos, com a Sua graça, lutar e vencer…; esta fidelidade de Deus, é o fundamento da nossa esperança…, o Céu!…, a posse de Deus!…, e isto com certeza, pois Ele não falta à Sua palavra… Que consolação e que alento nos dá na vida este olhar para Deus…, para o Céu…, para a coroa que nos espera!…

Vê o que deves dizer ao Senhor perante este Seu exemplo de fidelidade que te recorda a Santíssima Virgem. – Que pena e que vergonha que tenhas sido tantas vezes infiel e inconstante nas tuas palavras e promessas feitas ao Senhor! – Se tivesses cumprido só metade das coisas que tantas vezes tens prometido, qual não seria a tua santidade a esta data? Pede a Maria a graça da exatidão…, da fidelidade…, da constância no cumprimento das tuas palavras.

3º – Resumo e conclusão. – Como é sublime o cântico do Magnificat! – Que formosíssima a oração de Maria. – Quantas coisas não encerra! – É o cântico da gratidão da Sua Alma a Deus! – O cântico da Redenção, em que publica as maravilhas e grandezas que nesta obra fez o braço poderoso do Senhor e a Sua misericórdia! – Enfim, é o cântico da humildade! – Assinala-nos o caminho que temos de seguir…, não há outro… Nem Ela nem Jesus encontraram, e menos ainda seguiram outro… Lança-te generosamente por ele!…, a imitar a Jesus e a Maria na Sua humildade!… Portanto procura uma devoção terna e fervorosa a este sublime cântico e repete-o diariamente na Comunhão para dar graças ao Senhor…, ao mesmo tempo que te deves examinar da tua fidelidade na promessa que hoje lhe fazes de segui-lO na humildade.


Excertos Luminosos


Que direi deste divinal cântico?
Mais me convida ao silêncio
do que a falar,
a sua simplicidade e elevação,
que excede minha inteligência”.
(Jacques-Bénigne Bossuet)

São João Crisóstomo: “O Poderoso fez em Ti maravilhas, e foi-Te dado todo o poder no Céu e na terra; nada Te é impossível, até da Glória dás a esperança aos que já estão desesperados”.24

Adolfo Tanquerey: “Maria causa exemplar”: Depois de Jesus, Maria é o mais belo modelo que é possível imitar: O Espírito Santo que, em virtude dos merecimentos de Seu Filho, n’Ela vivia, fez d’Ela uma cópia viva das virtudes desse Filho… Jamais cometeu a mínima falta, a mínima resistência à graça, executando à letra o fiat mihi secundum verbum tuum. E, assim, os Santos Padres, em particular Santo Ambrósio e o Papa São Libério, representam-na como o modelo acabado de todas as virtudes, “caritativa e atenciosa para com todas as Suas companheiras, sempre pronta a lhes prestar serviço, não dizendo nem fazendo nada que lhes pudesse causar o mínimo desgosto, amando-as a todas e de todas amada”25…, a Sua humildade, que resplandece na perturbação em que a lançam os elogios do Anjo, na declaração de ser sempre a escrava do Senhor no próprio momento em que é proclamada Mãe de Deus, naquele Magnificat anima mea Dominum, que foi chamado o êxtase da Sua humildade, no amor que mostra para com a vida oculta, quando, pela qualidade de Mãe de Deus, tinha direito a todas as honras...26

Pe. Teodoro Ratisbonne: De onde me vem esta ventura de ser visitada pela mãe do meu Senhor?”27

I“Há maior felicidade em dar do que em receber”.28 Esta bela palavra de Nosso Senhor verificou-se de maneira surpreendente nos Mistérios da Visitação. A Santíssima Virgem recebera a plenitude das graças e o próprio Deus se lhe dera em toda a profusão do Seu amor. A Virgem, no entanto, no apogeu da glória e enriquecida dos tesouros celestiais, goza com calma Sua inefável felicidade; e na resposta que dá ao Arcanjo não se observa expansão alguma da Sua ventura: “Eis a serva do Senhor; faça-se em mim conforme a tua palavra”.29 Mas quando, obrigada a partilhar Suas emoções com Santa Isabel, reconhece os maravilhosos efeitos de Sua visita; quando, por Sua presença, a casa inteira de Zacarias é inundada de paz e alegria divinas, sente então que já não é a única a desfrutar a Sua ventura; traz a outrem a felicidade; tornou-se Medianeira dos dons de Deus, Dispensadora das graças; e Seu Coração transborda de gratidão, desfaz-se nos ardentes acordes do Cântico: “De hoje em diante todas as nações me chamarão bem-aventurada”.30

II – Abençoada as almas que atraem as visitas de Maria e por Seu intermédio recebem as provas do Divino amor. Mais felizes ainda as que, imitando Maria, tornam-se, por sua vez, anjos de benemerência e de consolação! A Santíssima Virgem, cheia de Deus que A vivifica, derrama profusamente sobre todas as montanhas da Judeia graças a mãos-cheias. Também a nós cabe, depois de fortalecidos pelo Pão dos Anjos, espalhar ao redor de nós, por nosso exemplo, nossas palavras e ações, os perfumes da fé, da piedade, da caridade. A edificação que a nossa conduta produzir nos outros redundará em benefício próprio, e o bem que proporcionarmos aos outros contribuirá para a nossa felicidade presente e futura.31

Santo Afonso Maria de Ligório: “Levantando-se Maria, foi apressadamente às montanhas, a uma cidade de Judá”.32

I – Eis que a Santa Virgem chega à casa de Isabel. Ela já é Mãe de Deus, mas, apesar disso, é a primeira a saudar Sua parenta: “Ela entrou e saudou Isabel”.33 Esta, iluminada pelo Senhor, sabe que o Verbo se fizera carne e Filho de Maria; pelo que A chama bendita entre as mulheres e bendiz o fruto das Suas entranhas: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre”.34 Cheia de confusão, bem como de alegria, exclama Isabel: Como podia esperar a suprema ventura de a Mãe de Deus me vir visitar?35

Que responde a humilde Maria? Responde: “Minha alma engrandece o Senhor”.36 Como se dissesse: Isabel, tu me louvas; mas eu louvo o meu Deus, que quis exaltar a sua humilde escrava, à dignidade de sua Mãe: Porque lançou os olhos para a baixeza da sua escrava”.37 Ó Maria Santíssima, já que dispensais tantas graças àquele que vo-las pede, rogo me deis a Vossa humildade. Vós, Vos julgastes um nada diante de Deus; mas eu sou menos do que o nada, por ser nada e pecador. Vós me podeis fazer humilde. Fazei-o pelo amor desse Deus, que Vos fez Sua Mãe.

II – Apenas Maria Santíssima saúda Isabel, que acontece? “E aconteceu que, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo”.38 O menino João exulta de alegria ao receber a graça divina já antes de nascer; Isabel foi cheia do Espírito Santo, e pouco depois Zacarias, o pai de João, é consolado pela restituição da fala. – É, pois, pura verdade, ó minha Rainha e Mãe, que por Vosso intermédio são dispensadas as graças divinas e santificadas as almas. Não Vos esqueçais de mim, Vosso pobre servo, que Vos ama e pôs em Vós todas as suas esperanças.39

III – Apenas encarnado, o Verbo divino, desejando dispensar aos homens os primeiros frutos da Redenção, inspira à Virgem-Mãe visitar Sua prima Isabel... Mistério consolador! Isabel representa a Igreja, e João Batista, os fiéis encarnados em seu seio. A Igreja recebe o divino Paráclito por intermédio de Maria; e os fiéis se santificam igualmente. É a Mãe de nossas almas que nas Suas dores nos deu à luz para a graça e a glória; que não nos poderia esquecer depois das tocantes recomendações de Seu Filho, e que recebeu a missão de dispensar-nos as graças divinas.

Ó verdade deliciosa! Não me atrevo a apresentar-me ao meu Juiz, embora morto por mim, e não obstante tenho de falar-lhe, suplicar-lhe, receber Seus favores. Vendo o meu embaraço, enviou-me Sua Mãe; e, a fim de que Ela me inspirasse mais confiança, fê-lA também minha Mãe e tornou-A minha nutriz para transmitir à minha alma o alimento espiritual necessário à salvação. Minha terna Mãe, que me amais com ternura e constância invencíveis, Sois a Dispenseira das graças que me santificam. Tu dispensatrix omnium gratiaram. Posso, pois, dirigir-me a Vós sem temor de ser rejeitado. Ó excesso de misericórdia, que me facilita a confiança e me assegura o Paraíso!

Ó Mãe de minha alma, todos os tesouros da Redenção estão em Vossas mãos; ouvi o Vosso Coração para no-los distribuir. “Fostes feliz porque crestes”,40 disse-Vos Isabel; felizes de nós se crermos no poder da Vossa mediação, nas riquezas das graças em Vós depositadas, no amor generoso que Vos move a no-los prodigalizar...41

Pe. Dr. Erasmo Raabe, S.A.C.:

1 – Os primeiros privilegiados que ouviram este canto maravilhoso foram Santa Isabel , Zacarias e, sobretudo, João Batista que, ao escutá-lo, exultou também ele, no seio materno.

As mesmas palavras do Profeta Rei,42 que o Apóstolo43 aplicou aos pregadores do Evangelho, podem ser aplicadas também ao Magnificat da Santíssima Virgem: “Por toda a terra se espalhou a sua voz e até às extremidades da terra chegaram as suas palavras”.

Diz o ilustre Bossuet dos acordes desse cântico, que “são, primeiro, os transportes de uma alma ardente e depois, a paz de um murmúrio celeste”.

O erudito Cornélio a Lápide chama esse cântico “o mais esplêndido de toda a Sagrada Escritura”.

E o melífluo São Bernardo exclama: “Oh! O Magnificat é o êxtase da humildade de Maria”.

A Santa Igreja inseriu, oficialmente, o Magnificat nos seus Ofícios Divinos como cântico de ação de graças, devendo ser recitado ou cantado, em sinal de respeito e de júbilo, sempre de pé e perfumado com a incensação do turíbulo.

Por Seu “Magnificat”, a Mãe de Deus constituiu na Igreja um “Apostolado melodioso, perene, universal de homenagens, de louvor e gratidão”, que as criaturas devem ao Criador.44

Pe. Croiset, S.J.: A resposta da Santíssima Virgem foi humilde e modesta. Para ocultar o que poderia redundar em Seu louvor, atribuiu ao Senhor a glória de tudo, e não falou senão das obrigações que lhe devia. Animada do Espírito Santo de que estava cheia, entreteceu então esse cântico, o primeiro do Novo Testamento, que excede todos os antigos pelo espírito de piedade de que está saturado, pela nobreza dos sentimentos e pela majestade do estilo; é o mais alto monumento da profunda humildade de Maria e a ata mais autêntica do Seu reconhecimento, e o mais excelente modelo de ações de graças que possuímos: “A minha alma engrandece ao Senhor...”. Foi assim que a Santíssima Virgem viu em um relancear de olhos, por uma luz sobrenatural, as antigas promessas e um perfeito cumprimento; mil vezes mais esclarecida nessa parte e mais privilegiada do que todos os Profetas juntos.

Mostrou-se bem neste admirável colóquio de Maria e Isabel, diz Santo Ambrósio, que profetizavam ambas pelo Espírito Santo, de que estavam cheias e pelos méritos de seus filhos: Duplici miraculo prophetante matres espiritu parvulorum...

Esta visita que a Virgem fez a Santa Isabel encerra tão grandes maravilhas e é tão gloriosa para Maria, que a Igreja quis que se renovasse todos os anos a Memória dela pelo estabelecimento de uma fasta particular. De fato, é este o primeiro dia em que a Virgem é publicamente reconhecida como Mãe de Deus e honrada como tal. Foi pela palavra de Maria que Jesus santificou o Seu Precursor; por isso, com razão se tem dito que a santificação de São João foi o primeiro milagre que Deus fez por intermédio da Virgem. Nada manifesta melhor o poder que o Salvador deu a Sua Mãe, diz São Bernardino depois de São Bernardo, do que a conduta deste Salvador na distribuição de Suas graças. Quer Ele santificar o Seu Precursor antes mesmo de ter nascido? É por intermédio de Maria que lhe concede esta graça. É necessário manifestar-se ao mundo pelo primeiro de Seus milagres, mudando a água em vinho nas bodas de Caná? Espera que Maria lho peça; querendo fazer-nos ver por isso, dizem os Padres, que assim como não quis dar-se-nos senão por Maria, também não quer que recebamos as Suas graças senão por Seu intermédio: “Nihil nos Deus habere voluit, quod per Mariae manus non transiret” .45

Santo Ambrósio fica transportado de admiração ao representar esta visita célebre, assinalada por tantos Mistérios, Profecias e Prodígios. “Isabel, diz este Padre, é a primeira a ouvir a voz de Maria, e João sente ao mesmo tempo a graça de Jesus Cristo. As duas mães publicam as maravilhas da graça, e João sente as suas operações. Jesus Cristo encheu São João da graça, inerente ao múnus de Seu Precursor, e São João antecipa as suas funções por um duplo milagre; enfim, Maria e Isabel, interiormente animadas do Espírito de seus filhos, entretecem a sua conversação de oráculos e profecias”.

A presença de Jesus, diz Santo Agostinho, faz estremecer de alegria a João nas estranhas de sua mãe”. Isabel fica cumulada das graças do Espírito de Deus em presença de Maria; a alegria, a humildade e o reconhecimento da Virgem, manifestam-se de uma maneira inteiramente divina nesse cântico admirável, que lhe brota em resposta às bênçãos, de que a cumula Santa Isabel, e uma e outra, diz Santo Ambrósio, pronunciam tantos oráculos, como palavras.

Que Mistérios! Que instruções veladas nesta santa visita! Eis queficam, os motivos que nos devem mover naquelas visitas que nós fizermos, e o uso que devemos fazer das que Deus nos conceder interiormente; aí se depara uma prova bem assinalada, do crédito onipotente que Maria tem junto de Deus, e um motivo bem consolador, da confiança que devemos ter em Maria. As virtudes brilhantes que mostra nessa visita, de honestidade e de caridade devem instruir-nos; assim como as maravilhas que opera por meio da Santíssima Virgem, devem reanimar a nossa terna devoção para com esta divina Mãe e fazer-nos sentir com quanta razão, nos convida a Igreja a invocá-lA sem cessar, como a vida, a consolação e a esperança dos fiéis junto de Jesus Cristo.

Posto ter sido este Mistério desde o nascimento da Igreja, o objeto da veneração dos fiéis, a festa só foi instituída pelo Papa Urbano VI, e confirmada ou publicada pelo seu Sucessor Bonifácio IX, no ano de 1389, para obter de Deus por intercessão da Santíssima Virgem, a extinção do terrível Cisma, que dividia a Igreja e fazia gemer todas as pessoas de bem.

Parece, pela Bula do Papa Bonifácio, que o seu Predecessor tinha desejado que se jejuasse na vigília desta festa e na da Natividade, como se jejuava na da Assunção, e que lhe tinha destinado uma oitava. O Concílio de Basileia renovou a instituição da mesma festa para o mesmo fim, isto é, para pedir a Deus a paz da Igreja. Foi de fato estabelecida, como festa de Preceito na Itália e em França. Os Religiosos de São Francisco, celebravam-na em sua Ordem desde o ano de 1263; assegura-se até, que tinha sido já estabelecida muito tempo antes na igreja oriental. Os ingleses, depois do seu funesto Cisma, só conservaram o nome em seu calendário. Mas esta festa celebra-se com toda a solenidade, em toda a Igreja Católica.

São Francisco de Sales, fundador da Ordem de Irmãs, hoje tão célebre na Igreja, e que se tem espalhado tão prodigiosamente por toda a parte, objeto de admiração e de edificação de todos os povos, quis que fossem chamadas Irmãs da Visitação de Santa Maria, pensando a propósito que, como as admiráveis virtudes que a Virgem praticou nessa misteriosa visita, eram o fundamento e o fim deste Instituto, esse título augusto devia fazer de alguma sorte, o seu característico.46

Pe. Gabriel Roschini, O.S.M.: Mestra sem par no calar quando se devia calar, mostrou-se também Mestra sem par no falar a tempo, no lugar e do modo que convinha: tempus loquendi, isto é, no falar quando e quanto convém para dar glória a Deus e fazer bem aos homens. Também aqui são os fatos que provam. Falou ao Arcanjo São Gabriel e não podemos deixar de admirar a prudência de Suas palavras. Falou à Sua parenta Santa Isabel e Suas palavras fizeram exulatar de alegria pura, mesmo antes de nascido, o futuro Precursor do Filho; Suas palavras foram uma profissão de humildade, de gratidão, um cântico de louvor, um hino sublime de agradecimento ao Onipotente: Magnificat ánima mea Dóminum. Falou com o Filho no Templo e Suas palavras foram uma demonstração admirável de Materno afeto e solicitude. Falou nas Bodas de Caná e com Suas palavras, ficou patente Sua compassiva misericórdia para com os necessitados e Sua ilimitada confiança em Deus. Ó admirável prudência de Maria, prudência incomparável tanto no falar quanto no calar! Ó Virgem prudentíssima! “Virgo prudentíssima!”.47

Pe. Henrique Optz, S.J.: “Se não vos fizerdes como as criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus”.

O Divino Salvador reprova o orgulho e a ambição dos grandes deste mundo. O Divino Mestre quer corações verdadeiramente humildes como os das crianças e deseja que nos deixemos guiar pela Providência do Pai Celeste, como os filhinhos são guiados pela mão da mãe.

Quem se distingue mais que todos os Santos na virtude da humildade? Não é Maria Santíssima? O Onipotente, para honrar a Maria, lhe concede graças e prerrogativas que não concedeu a mais ninguém. A humilde Senhora, porém, não se gaba disso: atribuindo tudo a Deus, canta o Magnificat.

O Enviado Celeste saúda a Senhora em termos da mais profunda veneração e anuncia-lhe que foi escolhida para a sublime dignidade de Mãe do próprio Deus. Entretanto, assim exaltada, mais se humilha, a ponto de exclamar: “Eis aqui a escrava do Senhor”. Que humildade!

Toda inflamada no amor divino, canta Maria o hino da imensa bondade de Deus: “Magnificat!. Minha alma louva o Senhor!”. Ardendo em desejo de cumprir a Santíssima vontade de Deus, consente na Maternidade divina: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra!”.

Quando Jesus pregava publicamente a doutrina celeste admirada por todos; quando manifestava Sua Onipotência divina, fazendo estupendos milagres; e quando as multidões preparavam ao Salvador solene e triunfante entrada em Jerusalém: Maria não quis aparecer, antes preferiu o retiro humilde, furtando-se às vistas do mundo, fugindo aos aplausos humanos. Na Sexta-feira da Paixão, porém, quando o Filho açoitado e coroado de espinhos ia padecer e morrer na Cruz por nosso amor, a aflitíssima Mãe permaneceu ao Seu lado até à morte no Calvário – para com Ele beber o cálice de todas as amarguras, para tomar parte nas Suas mais cruéis humilhações. Que lição! Que profunda humildade!

Vó, Congregados (e Filhas de Maria), sereis verdadeiros filhos dessa Mãe tão humilde, quando compreenderdes que sois pó, e nada possuís de que vos glorieis, nem pelo que desprezeis aos outros; quando não cobiçardes estima; quando gostardes de desculpar, perdoar e julgar o próximo com clemência e caridade; quando, enfim, cheios de terna e respeitosa confiança em Deus, suportardes com paciência, se tiverdes que sofrer uma calúnia ou juízos menos caridosos dos demais.

O humilde filho(a) de Maria, desprezando a si mesmo, pensa sempre: cometi muitos pecados, pratiquei poucas virtudes e também essas poucas virtudes – ainda imperfeitamente!

Exemplo

Santa Teresa, ouvindo uma vez que seus adversários faziam mau conceito dela e lhe dirigiam palavras ofensivas, disse com um sorriso: “Oh! Não me conhecem bem; se soubessem os meus pecados todos, diriam insultos ainda maiores!”

Um dia, certos fidalgos, falando a São Luís Beltrão, lançam-lhe em rosto que é “o maior malfeitor”. “Agradeço-vos, senhores – respondeu-lhes o humilde servo de Deus – o que estais dizendo é a pura verdade. Vós me conheceis melhor do que eu mesmo”.

Eis aí a humildade cristã que nos faz pequenos na terra. A violeta mais aromática floresce na penumbra. A humildade prospera nos corações que bem conhecem a própria miséria e indigência, persuadidos intimamente de que todo o bem procede de Deus.48

Matthias Joseph Scheeben: Pela graça fazemo-nos verdadeira e misteriosamente semelhantes à Mãe de Deus. Não podia o Filho de Deus adornar a alma de Sua Mãe, nem tampouco a Sua, com uma perfeição especificamente superior à que recebemos pela graça, embora lhe pudesse conferir uma plenitude infinitamente superior à nossa. Mesmo assim, pela graça reproduz-se em nós, de certo modo, o Mistério da Maternidade divina. O mesmo Espírito que desceu ao seio de Maria para torná-lo fecundo, desce à nossa alma para nela formar espiritualmente o Filho de Deus. Maria tornou-se Mãe de Deus segundo a carne e segundo o espírito, quando escutou a palavra do Anjo e cumpriu a palavra do Pai celeste. Também a nós quer Ele dar Sua graça, com a condição de aceitarmos pela fé a Palavra de Deus e lhe obedecermos; então nossa alma reproduz em si própria o Filho de Deus segundo o espírito. Acrescentemos ainda que Cristo, segundo a carne, vem a nós na Comunhão, e em nós habita, como habitou em Maria durante nove meses. Quer Ele ser uma só coisa conosco na carne, como foi com Sua Mãe. Admirar-nos-emos, então, da palavra de Jesus: Aquele que faz a vontade de meu Pai celeste, este é minha mãe, meu irmão e minha irmã? Sejamos reconhecidos a Deus por Sua graça inefável, e cantemos com Maria: Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque operou em mim grandes coisas aquEle que é Onipotente.49

Em razão de Sua Maternidade, Maria devia ser absolutamente pura e Santa; nem a sombra do pecado podia dEla aproximar-se. Repugna sequer pensarmos pudesse Ela ter ofendido o Filho com a menor falta, e mais ainda com uma ofensa grave. Nossa união com Cristo deve bastar-nos para concebermos como um mal incomensurável o menor pecado.50

Por um Cônego Premonstratense da Abadia de Marchatal, na Baviera:

1 – O Anjo enviado pelo Senhor tecera a Maria os maiores elogios, anunciando que se tornaria a Mãe do Filho de Deus. Mas ninguém soube dos lábios de Maria o que o Anjo falara. Ninguém a viu exibir-se por demonstrar em público, deste ou daquele modo, a Sua qualidade de Mãe do Messias. Continuou a comportar-se qual se fora uma criatura vulgar.

Ainda que terna a Sua afeição para José, Seu esposo, e muito íntima que fosse a caridade de ambos os Corações, a José nunca falou Maria sobre as palavras do Anjo. Quando da visita a Isabel, já esta se encontrava ciente do Mistério. Maria, porém, não se aproveitou dessa favorável circunstância para ainda mais instruir a prima, senão que a Deus deixava o cuidado de manifestar, quando julgasse oportuno, os segredos que tão gloriosos lhe eram.

Toda a aplicação do Seu espírito estava no constantemente se ater à Sua própria humildade. Assim, aos olhos dos homens, oculto havemos de ter o que formos aos olhos de Deus, bem como o que de Sua liberalidade recebermos. Uma virtude escondida sempre se acha em maior segurança.

Só a Deus compete “tirar a luz debaixo do alqueire e pô-la sobre o candelabro”.

Quem quer que exponha aos olhos de todos o seu tesouro, arriscar-se-á a perdê-lo. Até as cores mais firmes não resistem por muito tempo ao ar livre, senão que cedo esmaecem. Marta diz à sua irmã: aí está o Mestre, e Ele te chama”,51 mas é em voz baixa que assim fala. ‘Os homens”, sempre cegos e “sensuais”, não estimam ou mesmo “não concebem” o que está acima dos sentidos, “o que é do Espírito de Deus”.52 A tais homens falar dessas coisas é expor aos seus motejos o que há de mais santo.

Em segredo é que se comunica o Espírito de Deus. Por isso, Ele quer que a alma favorecida conserve em segredo todos os favores recebidos.

Só um homem entre mil homens escolhido”53 pode e deve mesmo conhecer as tuas riquezas espirituais, a fim de que te ensine a delas usares com proveito.

O que é neste mundo Ministro de Deus, só este tem o direito de te instruir e conduzir pelos caminhos da salvação e da perfeição. Quanto aos outros, seja diante deles o teu exterior como o das pessoas virtuosas: humilde, modesto, igualmente humorado, porém, fechado conserva sempre o teu interior. Que mesmo te julguem pouco integrado na vida espiritual, bem diferente mesmo do que és, recebe isso como feliz precaução para te conservar em lugar seguro as graças concedidas por Deus.

Com ardor deseja Deus que palmilhemos os Seus caminhos. Porém, grande vantagem há em caminharmos sem ruidosos sinais de nossa presença.

Não poucas almas, depois que de Deus receberam favores singulares, logo se perderam por muitas reflexões a esse respeito, exercitando-se em vãs complacências, tornando-se motivos de admiração para os que não as deveriam conhecer jamis.

Se aquelas almas tivessem a interior disposição da Santa Virgem, esse espírito de humildade, que traz sempre consigo centelhas da luz divina, teriam numa prudente desconfiança o meio infalível de vencer a tentação do espírito da soberba. Nunca será demasiada a precaução que tiveres por não te enganares na vida espiritual, máxime nos casos extraordinários. Se te faltar esta precaução, o mais celestial licor poderá transformar-se em mortalíssimo veneno.

2 – Ó Deus infinitamente bom, que me tendes concedido tantas graças espirituais e temporais, desde que estou na terra, ofereço-vos, como tributo de gratidão, todos os sentimentos de reconhecimento de Maria pelos Vossos benefícios enquanto viveu, porém, particularmente, quando entrou na casa de Zacarias e de Isabel. Esta louvava a Maria com os mais merecidos louvores. Quis, porém, Maria que Isabel esquecesse aquela que recebera os benefícios para só pensar no Benfeitor. Ela teria desejado que todas as criaturas se houvessem unido a Ela para Vos bendizer, ó meu Deus, por todos os dons concedidos. Ela só se estimava feliz, porque o Todo-Poderoso se dignara “baixar o olhar sobre a humildade de sua serva”, a fim de mostrar quanto Ele é misericordioso.

Ai! Senhor, bem longe de ver em mim tais sentimentos, após os sinais inúmeros que me destes de Vosso amor, em mim nada mais vedes do que um ingrato! De Vós recebo os bens e aos homens é que agradeço. Se vingam os projetos, logo à minha habilidade é que atribuo os sucessos alcançados.

Mas, sobretudo, o que sou de mim mesmo e por mim mesmo, quando se trate de salvação? Nem cuido de Vos agradecer os socorros que me enviais para ser bem sucedido nesse importantíssimo negócio!

Se em mim existe algo de agradável aos Vossos olhares, a Vós somente o devo, e sem Vós não o posso conservar. Certo é que coopero livremente com a Vossa graça, mas esta cooperação não é para mim senão motivo de arrependimento, porquanto nenhum bem eu quero e faço sem ser com o escudo da Vossa graça!

Miséria e fraqueza extrema de minha alma! Se me abandona a Vossa graça, que será de mim, Senhor? E em que deploráveis abismos não me precipitarão as minhas desgraçadas inclinações? Só na convicção de minha fraqueza é que vejo segurança para mim. De igual modo, no reconhecimento que devo ter pelas graças com que Vós sustentais a minha fraqueza.

Não consintais, ó meu Deus, que a infidelidade me faça indigno de receber os Vossos benefícios e a ingratidão me faça esquecê-los. A inclinação dominante no Vosso Coração é fazer o bem.

Cem vezes mereci que me privásseis dos suaves efeitos de Vossa misericórdia; quisestes, porém, vencer meu coração à força de benefícios.

Ó grande Deus, resistência não Vos oponho mais. Doravante serei inteiramente Vosso. Como só por Vós é que eu vivo, só para Vós também quero viver!

Mas, fazei, por graça Vossa, que a minha vida transcorra sempre em rogar as Vossas bondades e vo-las agradecer.

E sejam, Senhor, contínuas as minhas súplicas. Tão contínuas como são as minhas necessidades e contínuos como os Vossos benefícios!54

_______________________________

1Rev. Pe. Berthe, C.Ss.R., “Jesus Cristo – Sua Vida, Sua Paixão, Seu Triunfo”, Cap. III, pp. 26-29. Estabelecimentos Benziger & Co. S.A., Editores E Impressores da Santa Sé Apostólica, Einsiedeln/Suíça, 1925.
2Provavelmente Hebron, pequena cidade situada nas montanhas da tribo de Judá, ou talvez Juttah, pouco distante de Hebron.
3São Lucas diz vagamente (1, 39), que a Virgem se dirigiu para uma cidade de Judá, in civitatem Judá. Julgamos com muitos autores que se trata da cidade sacerdotal de Hebron; posto que outros, seguindo uma tradição da Idade Média, colocam a habitação de Zacarias na pequena aldeia de Ajin Karin, a cerca de duas léguas de Jerusalém.
4S. Ambrósio julga que João, naquela hora, tivesse recebido também o uso da razão, o que S. Agostinho nega.
5O Arcanjo Gabriel (vers. 28) e Santa Isabel, reverenciando Maria com idênticas palavras, indicam a veneração que os Anjos e os homens Lhe tributam (São Beda, o Venerável).
6Isabel julga-se indigna de ser visitada “pela Mãe do meu Senhor”, isto é, do Messias. Note-se a distância entre Isabel e Maria, a quem todavia os Protestantes costumam chamar uma mulher como qualquer outra do Antigo Testamento.
7Isabel chama Senhor Àquele mesmo a quem, há pouco, chamara fruto bendito do ventre de Maria. Vê-se que ela reconhece perfeitamente as Duas Naturezas, Divina e Humana, do Messias prometido, e, porque essas duas naturezas pertencem à mesma Pessoa, Maria é também Mãe de Deus.
8É de notar que a voz de Maria foi o sinal sensível da operação da graça, que santificou a João Batista, como para mostrar que, por Seu intermédio, é que chegam aos homens as graças do Redentor.
9Na primeira estrofe, vv. 46-50, do cântico exprime a Santíssima Virgem a gratidão e o regozijo da sua Alma pelas singulares graças que recebeu, louvando a bondade do Senhor, que se dignou elevar a humilde serva à sublime dignidade da Divina Maternidade, e celebrando a grandeza da obra divina, na qual resplandecem o auge do poder, a infinita celsitude e santidade, e sobretudo, a imensa misericórdia de Deus para com todos “os que O temem”. Na segunda estrofe, vv. 51-53, Ela passa a engrandecer em geral a soberania de Deus no governo do Gênero Humano. Na terceira estrofe, vv. 54-55, volta ao fato da Redenção que começou a realizar-se na Conceição do Messias. O povo de Israel, a que Isaías já havia chamado “o servo do Senhor”, v. Is., 41, 8 ss. 42, 19, ss., no longo período de humilhações, da parte dos gentios, estava como que abandonado e reprovado por Deus. Mas agora, lembrando-se o Senhor de Sua misericórdia, tornou a acolhê-lo para cumprir o que prometeu aos pais desde os tempos antigos.
10O Magnificat é o canto de alegria mais sublime, que saiu dos lábios de uma criatura. É em tudo digno da Mãe de Deus.
11O cântico de Maria lembra e resume os vaticínios dos Profetas e prediz o futuro, mostrando-nos a veneração dos povos, prostrados diante da Virgem. Pode-se dizer que é um Compêndio dos Evangelhos, pelos louvores divinos, pelo cuidado dos pobres e humildes. Este canto, bem como as notícias relativas à infância de Jesus, São Lucas no-las conservou dos lábios de Maria, segundo a Tradição.
12O Magnificat é o cântico de ação de graças da Virgem Maria. A Mãe de Jesus tem em vista, louvar a Deus não somente pela graça insigne que acabava de receber, mas também, pelos imensos benefícios que a Incarnação devia conferir aos judeus e à Humanidade inteira.
13Maria nunca pecou, nem teve mesmo o Pecado Original, e entretanto, Ela chama a Jesus seu Salvador! Maria foi preservada do Pecado Original pelos merecimentos de Jesus Cristo, e nós somos dele purificados pela graça do Batismo. Jesus foi mais perfeitamente Salvador para Sua Mãe do que para qualquer um de nós.
14Esta humildade de Maria foi a causa ocasional da Incarnação do Verbo.
15Grandes coisas, isto é, a exceção do Pecado Original, sua Maternidade virginal, suas prerrogativas incomparáveis. – Estas palavras encerram uma profecia de honra insigne que, em todos os tempos, devia a Igreja render à Santíssima Virgem.
16Destruiu os planos perversos que, no coração, formavam os orgulhosos.
17O Messias de Israel estava a caminho e aproximava-se o momento em que Deus se manifestaria na terra e na carne. Profetizou até as qualidades do Filho que havia de nascer Dela: seria cheio de justiça e de misericórdia. Terminou o seu cântico proclamando a revolução que o Messias ia desencadear, depondo os poderosos e exaltando os humildes.
18Desde o momento da Incarnação, o Filho de Deus age de encontro às leis da sabedoria humana; é, sobretudo, aos pobres e aos pequeninos que Ele se manifesta. Quanto são enganadores os juízos dos homens, quando contrários aos do Salvador! Quantas obras baqueiam, quanto bem deixamos de fazer por não seguirmos esta regra!
19Isto é, amparou todo povo de Israel, recordando-se das misericordiosas promessas que havia feito a Abraão e à sua raça.
20Isto é, com efeito, o cumprimento de todas as promessas feitas, desde o começo do mundo, particularmente ao povo judeu: é a misericórdia de Deus que se manifesta, enfim, e que tudo muda. Não esqueçamos que o bem, que porventura fazemos, tem por causa primeira a bondade e a misericórdia de Deus.
21O Magnificat é o primeiro cântico do Novo Testamento, e poderia servir de conclusão ao Antigo. Tem relações de semelhança com muitos outros, sobretudo com o de Maria, irmã de Moisés, e de Ana, mãe de Samuel. Mas a Alma da Santíssima Virgem é mais unida a Deus, mais pura e mais santa; a sua linguagem tem mais calma, elevação e majestade. É o prelúdio da voz do Salvador. – A conduta de Deus, no estabelecimento do Cristianismo, é aqui admiravelmente delineada. Maria tem diante dos olhos todos os acontecimentos que vão se realizar: a Sinagoga condenada, a Igreja fundada, os Apóstolos glorificados, os gentios enriquecidos de graças, enfim, todas as promessas magnificamente realizadas. – À saudação de Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres”, a Santíssima Virgem responde com uma predição tão precisa quanto maravilhosa: “Todas as gerações me chamarão Bem-aventurada”. Ora, Ela viu durante a vida, e nós vemos ainda todos os dias, a realização deste oráculo. – Os sentimentos expressos neste cântico são exatamente os que devia ter a Mãe de Jesus, depois do favor incompreensível que tinha recebido. Tal devia ser a sua fé, a sua humildade, a sua gratidão; tal o seu arrebatamento sobre a sabedoria, poder e bondade de Deus na Redenção do mundo. Que admirável modelo para as almas interiores que o Céu favorece com as suas graças! – Notai, enfim, quanto estava a Santíssima Virgem afeita e habituada à linguagem dos escritores sagrados. Ela não emprega uma expressão que não se encontre no Salmista e nos Profetas. Toda a diferença está na profundeza e sublimidade dos seus conceitos, na elevação dos seus sentimentos.
22Luc., 1, 39-56; Mat., 1, 18-25.
23Dr. D. Ildelfonso Rodriguez Villar, “Pontos de Meditação sobre a Vida de Nossa Senhora”, tradução da 4ª edição, revisto pelo Pe. Manuel Versos Figueiredo, S.J., Meditações 32ª à 38ª, pp. 142-174. Livraria Figueirinhas, Porto, 1946.
24Pe. Fr. Mateus Maria do Souto, O.F.M.Cap., “Verdade e Luz”, Vol. II, Vida Cristã, p. 238. Casa do Castelo – Editora, Coimbra, 1952.
25J. V. Bainvel, Le saint Coeur de Marie, p. 313-314.
26Compêndio de Teologia Ascética e Mística, 1ª Parte, Cap. II, Art. I, § III, Ponto I, n. 159, pp. 94-95. 5ª Edição, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1955.
27Luc. 1, 43.
28Atos 20, 35. Sentença que os Santos Evangelhos não conservaram.
29Luc. 1, 38.
30Luc. 1, 48.
31Migalhas Evangélicas, Suplemento, 2 de Julho – Visitação de Nossa Senhora, pp. 423-424. Editora Vozes Ltda., Petrópolis/RJ, 1941.
32Luc. 1, 39.
33Luc. 1, 40.
34Luc. 1, 42.
35Luc. 1, 43.
36Luc. 1, 46.
37Luc. 1, 48.
38Luc. 1, 41.
39Meditações para todos os dias e festas do ano, tiradas das Obras Ascéticas de Santo Afonso Maria de Ligório, pelo Pe. Thiago Maria Cristini, C.Ss.R., versão portuguesa do Pe. João de Jong, C.Ss.R., Tomo II, 2 de Julho – Festa da Visitação de Nossa Senhora, pp. 354-356. Friburgo em Brisgau (Alemanha), Herder & Cia., Livreiros – Editores Pontifícios, 1921.
40Luc. 1, 45.
41Pe. Luís Bronchain, C.Ss.R., Meditações para todos os dias do ano – segundo a Doutrina e o Espírito de Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, para uso de todas as Almas que aspiram à perfeição: Sacerdotes, Religiosos e Leigos, traduzidas da 13ª Edição Francesa, pelo Pe. Oscar das Chagas Azeredo, C.Ss.R., Tomo II, 2 de Julho – Festa da Visitação, pp. 193-194. 3ª Edição, Editora Vozes Ltda., Petrópolis/RJ, 1959.
42Salm., 18, 5.
43Rom., 10, 18.
44Regina Mundi – Considerações doutrinal-práticas em trinta e três capítulos, para os meses e festas de Maria, Cap. VII, pp. 42-45. 2ª Edição, Edições Paulinas, São Paulo/SP, 1954.
45S. Sern.
46Ano Cristão ou Devocionário para todos os Dias do Ano, traduzido do Francês pelo Pe. Matos Soares, Professor do Seminário do Porto, Vol. VII, 2 de Julho – Visitação da Santíssima Virgem, pp. 25-29. Depositário: O Tradutor. Seminário do Porto, Porto, 1923.
47Instruções Marianas, Instrução XV, Cap. II, Art. 1, pp. 167-168. Tradução do Italiano de José Vicente, Edições Paulinas, São Paulo/SP, 1960.
48“Escola de Maria – Leituras espirituais para Congregações Marianas”, Cap. IX, Ponto 2, p. 70; Cap. XXIII, Ponto 1, pp. 160-162. 5ª Edição, Editora Vozes Ltda., Petrópolis/RJ, 1956.
49Lc 1, 46-47.
50As Maravilhas da Graça Divina, Livro Primeiro, Cap.XIII, Ponto 2, pp. 72-73. 2ª Edição, Editora Vozes Ltda., Petrópolis/RJ, 1956.
51Jo 11, 28.
521 Cor 2, 14.
53Esd 7, 29.
54Imitação de Maria, – Obra Modelada pela Imitação de Cristo, por um Religioso Anônimo, Caps. XIV e XXIV, pp. 46-48 e 71-73. 4ª Edição, Editora Vozes Ltda., Petrópolis/RJ, 1956.

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