Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 25 de novembro de 2012

O NIÓBIO está sendo roubado, e VOCÊ É O CULPADO!




O LADO MALDITO DA MINERAÇÃO DO NIÓBIO

O LADO MALDITO DA MINERAÇÃO DO NIÓBIO


A MAIOR MINA DE NIÓBIO DO PLANETA – ARAXÁ
(Nome oriundo da tribo dos índios araxás)

Ultimamente o nióbio assumiu merecido e importante papel na internet. Internautas bem pouco tempo desavisados passaram a tomar conhecimento deste mineral de nome estranho, chegando alguns a conhecer a sua importância e virtudes estratégicas.

Solo, água e ar contaminados resultam dos poluentes liberados da atuação mineradora da CBMM. Não é necessário ser médico ou especializado na área de saúde ambiental para chegar à conclusão de que dezenas de milhares de toneladas por ano de poeira abundante em suspensão de ferro, tório, chumbo, fosfato e demais minerais é deletéria a saúde. Agredida por tais minerais estranhos a normalidade do funcionamento do organismo humano e ambiental, a população apresenta aumento de doenças respiratórias juntamente com doenças degenerativas, demência assim como câncer.

Juntamente com os problemas de saúde que afligem os residentes de Araxá, merece ser registrado que indústrias mineradoras, entre as quais a fábrica de ácido sulfúrico da Bunge Fertilizantes distante apenas 4 km do centro da cidade e 1 km do parque ecológico do Barreiro onde está situado o Grande Hotel Tauá, produzem chuva química causando devastação nas plantações e do meio ambiente, flagelando a saúde e o bem-estar da população. Como pode ser concluída, chuva química profusa em bário, amônia, enxofre e diversidade de poluentes, causam vários males a saúde ambiental e humana de uma maneira geral, em uma localidade precária em assistência a saúde.

Desde 1965 – por ocasião da fundação da DEMA (Distribuidora e Exportadora de Minérios e Adubos) que mais tarde passou a ser CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) – a mineração e industrialização do nióbio e fosfato incrementaram o turismo e o desenvolvimento econômico e social no município de Araxá. Porém, em virtude do extrativismo causar problemas ambientais, as relações das companhias com a população primaram em diversas oportunidades pelo caminho do conflito.

Relatório emitido pela CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) recomendou a não utilização de aterros provindos das áreas de atuação da CBMM por estarem contaminados com rejeitos químicos – liga de ferro-fósforo, escória altamente tóxica metalúrgica e radiativa, além de chumbo e tório – resultantes do beneficiamento do pirocloro para obtenção do nióbio. Há relatos que em Araxá casas e obras públicas, Bucaranã (Praça de Esportes) foram construídas em aterros oriundos da CBMM.

Em relações comerciais, as negociações envolvendo venda de produtos visam transações que resultam em lucros financeiros que permitem aplicação em volumes maiores dos produtos em futuras negociações. É natural o impacto negativo resultante da tomada do conhecimento que a comercialização do nióbio não atende esta regra comercial.

Antônio Ribas Paiva, presidente do “Grupo das Bandeiras”, no “Fórum do Clube do Hardware”, no artigo “O Nióbio é Nosso!”, faz a seguinte observação: “A maioria dos brasileiros não sabe o que é o Nióbio, e muito menos que o Brasil é o único produtor mundial deste importante mineral. O Brasil poderia pagar sua dívida externa só com nióbio, que é um dos muitos minerais contrabandeados daqui. Acho extremamente importante que este assunto seja colocado em evidência, pois é o futuro do nosso país que está em jogo”.

Caso o comentário precedente sobre a questão comercial exterior do nióbio do qual o Brasil é exportador absoluto não seja suficiente, vejamos o que diz o jornalista Jorge Serrão no artigo “Roubo do Nióbio” no jornal “Alerta Total”: “A classe média de assalariados brasileiros nem precisaria pagar R$ 35 bilhões por ano de Imposto de Renda, se o Brasil não fosse vítima do maior escândalo de subfaturamento fiscal do mundo. O País deixa de arrecadar R$ 210 bilhões de reais por ano por causa da manobra que sonega impostos da exportação de nióbio – um metal raro, usado em todas as aplicações de tecnologia de ponta da indústria moderna, e do qual o Brasil detém 98% das reservas mundiais. O Brasil exporta 81 mil toneladas do metal por ano. O quilograma do metal sai daqui vendido por R$ 16, o que rende R$ 1 bilhão e 296 bilhões – sobre os quais recaem tributos. Acontece que o nióbio é negociado na Bolsa de Londres por até U$ 1.200 dólares por quilograma. Se o Brasil não fosse lesado na operação, e empregasse a soberania do País no negócio, a operação com o nióbio renderia (como rende aos ingleses) US$ 97 a 100 bilhões de dólares – sobre os quais recairiam os impostos”.


(*) Médico – Diretor Executivo do Sistema Raiz da Vida  www.raizdavida.com.br
 
Autor: Dr. Edvaldo Tavares
 
  

Nióbio: a riqueza desprezada pelo Brasil

Países ricos gostariam de tê-lo extraído do seu solo, enquanto o Brasil dispensa pouca importância a esse mineral com tão vastas qualidades e de incontáveis aplicações

por Edvaldo Tavares*
19 de fevereiro, 2008

article imageO nióbio, símbolo químico Nb, é muito empregado na produção de ligas de aço destinadas ao fabrico de tubos para condução de líquidos. Como curiosidade, o nome nióbio deriva da deusa grega Níobe que era filha de Tântalo que foi responsável pelo nome de outro elemento químico, tântalo.

O nióbio é dotado de elasticidade e flexibilidade que permitem ser moldável. Estas características oferecem inúmeras aplicações em alguns tipos de aços inoxidáveis e ligas de metais não ferrosos destinados à fabricação de tubulações para o transporte de água e petróleo a longas distâncias por ser um poderoso agente anti-corrosivo, resistente aos ácidos mais agressivos, como os naftênicos.

Inúmeras são as aplicações do nióbio, indo desde as envolvidas com artigos de beleza, como as destinadas à produção de jóias, até o emprego em indústrias nucleares. Na indústria aeronáutica, é empregado na produção de motores de aviões a jato, e equipamentos de foguetes, devido a sua alta resistência a combustão. São tantas as potencialidades do nióbio que a baixas temperaturas se converte em supercondutor.

O elemento nióbio recebeu inicialmente o nome de “colúmbio”, dado por seu descobridor Charles Hatchett, em 1801. Não é encontrado livre no ambiente, mas, como niobita (columbita). O Brasil com reserva de mais de 97%, em Catalão e Araxá, é o maior produtor mundial de nióbio, e o consumo mundial é de aproximadamente 37 mil toneladas anuais do minério totalmente brasileiro.

As pressões externas que subjugam o povo brasileiro

Ronaldo Schlichting, administrador de empresas e membro da Liga da Defesa Nacional, em seu excelente artigo, que jamais deveria ser do desconhecimento do povo brasileiro, chama a atenção sobre a “Questão do Nióbio” e convoca todos os brasileiros para que digam não à doutrina da subjugação nacional. Menciona que a história do Brasil foi pautada pela escravidão das sucessivas gerações de cidadãos submetidos à vergonhosa doutrina de servidão.

Schlichting, de forma oportunista, desperta na consciência de todos que “qualquer tipo de riqueza nacional, pública ou privada, de natureza tecnológica, científica, humana, industrial, mineral, agrícola, energética, de comunicação, de transporte, biológica, assim que desponta e se torna importante, é imediatamente destruída, passa por um inexorável processo de transferência para outras mãos ou para seus ‘testas de ferro’ locais”.

Identificam-se, nos dizeres do membro da Liga de Defesa Nacional, as estratégias atualmente aplicadas contra o Brasil nesta guerra dissimulada com ataques transversais, característicos dos combates desfechados durante a assimetria de “4ª Geração”.  Os brasileiros têm que ser convencidos de que o Brasil está em guerra e que de nada adianta ser um país pacífico. Os inimigos são implacáveis e passivamente o povo brasileiro está assistindo a desmontagem do país. Na guerra assimétrica, de quarta geração de influências sutis, não há inicialmente uso de armas e bombardeios com grande mortandade. O processo ocorre de forma sub-reptícia, com a participação ativa de colaboracionistas, entreguistas, corruptos, lobistas e traidores. O povo na sua esmagadora maioria desconhece o que de gravíssimo está ocorrendo na sua frente e não esboça nenhum tipo de reação. Por trás, os países hegemônicos, mais ricos, colonizadores, injetam volumosas fortunas em suas organizações nacionais e internacionais (ONGs, religiosas, científicas, diplomáticas) para corromperem e corroerem as instituições e autoridades nacionais para consequentemente solaparem a moral do povo e esvaziar a vontade popular. Este tipo de acontecimento é presenciado no momento no Brasil.

As ações objetivas efetuadas

A sobretaxação do álcool brasileiro nos EUA; as calúnias internacionais sobre o biodiesel; a não aceitação da lista de fazendas para a venda de carne bovina para a União Europeia (UE); a acusação do jornal inglês “The Guardian” de que a avicultura brasileira estaria avançando sobre a Amazônia; as insistentes tentativas pra a internacionalização da Amazônia; a possível transformação da Reserva Indígena Ianomâmi (RII), 96.649Km2, e Reserva Indígena Raposa Serra do Sol (RIRSS), 160.000Km2, em dois países e o conseqüente desmembramento do norte do Estado de Roraima e incontáveis outras tentativas, algumas ostensivas, outras insidiosas. Elas deixam claro que estamos no meio de uma guerra assimétrica de quarta geração, que o desfecho poderá ser o ataque de forças armadas coligadas (OTAN), lideradas pelos Estados Unidos da América do Norte.

É importante chamar a atenção dos brasileiros para o fato de que a RII é para 5.000 indígenas e que a RIRSS é para 15.000 indígenas. Somando as duas reservas indígenas dão 256.649Km2 para 20.000 silvícolas de etnias diferentes, que na maioria nunca viveram nas áreas, muitos aculturados e não reivindicaram nada. Enquanto as duas reservas indígenas somam 256.649Km2 para 20 mil almas, a Inglaterra com 258.256Km2 abriga uma população de aproximadamente 60 milhões de habitantes.

Esta subserviência do Brasil vem de longa data conforme pontifica Ronaldo Schlichting. Ela vem desde “o Império”, sendo adotada já no alvorecer da “República” e pode ser exemplificada por “ONGs, fundações, igrejas, empresas, sociedades, partidos políticos, fóruns, centro de estudos e outras arapucas”.

As diversas aplicações do Nióbio

Entre os metais refratários, o nióbio é o mais leve prestando-se para a siderurgia, aeronáutica e largo emprego nas indústrias espacial e nuclear. Na necessidade de aços de alta resistência e baixa liga e de requisição de superligas indispensáveis para suportar altas temperaturas como ocorre nas turbinas de aviões a jato e foguetes, o nióbio adquire máxima importância. Podem ser exemplificados outros empregos do nióbio na vida moderna: produção de aço inoxidável, ligas supercondutoras, cerâmicas eletrônicas, lente para câmeras, indústria naval e fabricação de trens-bala, de armamentos, indústria aeroespacial, de instrumentos cirúrgicos, e óticos de precisão.

O descaso nas negociações internacionais

A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a maior exploradora mundial, do Grupo Moreira Salles e da multinacional Molycorp, em Araxá, exporta 95% do nióbio extraído de Minas Gerais.

Segundo o artigo de Schlichting, que menciona o citado no jornal Folha de São Paulo, 5 de novembro de 2003: “Lula passou o final de semana em Araxá em casa da CBMM do Grupo Moreira Salles e da multinacional Molycorp…” E, complementa que “uma ONG financiou projetos do Instituto Cidadania, presidido por Luiz Inácio da Silva, inclusive o ‘Fome Zero’, que integra o programa de governo do presidente eleito”.

O Brasil como único exportador mundial do minério não dá o preço no mercado externo, o preço do metal quase 100% refinado é cotado a US$ 90 o quilo na Bolsa de Metais de Londres, enquanto que totalmente bruto, no garimpo o quilo custa 400 reais. Na cotação do dólar de hoje (R$ 1,75), R$ 400,00 = $ 228,57. Portanto, $ 228,57 – $ 90,00 = $ 138,57. Como conclusão, o sucesso do governo atual nas exportações é “sucesso de enganação”. O brasileiro é totalmente ludibriado com propagandas falsas de progressos nas exportações, mas, em relação aos negócios internacionais, de verdadeiro é a concretização de maus negócios.

Nas jazidas de Catalão e Araxá o nióbio bruto, extraído da mina, custa 228,57 dólares e é vendido no exterior, refinado, por 90 dólares. Como é que pode ocorrer tal tipo de transação comercial com total prejuízo para a população do país? É muito descaso com as questões do país e o desinteresse com o bem-estar do povo brasileiro. Como os EUA, a Europa e o Japão são totalmente dependentes do nióbio e o Brasil é o único fornecedor mundial, era para todos os problemas econômicos, a liquidação total da dívida externa e de subdesenvolvimento serem totalmente resolvidos.

Deve ser frisada a grande importância do nióbio e a questão do desmembramento de gigantescas fatias de territórios da Amazônia, ricas deste metal e de outras jazidas minerais já divulgadas. As pressões externas são demasiadas e visam a desmoralização das instituições brasileiras das mais diversas formas, conforme pode ser comprovado nas políticas educacionais e nos critérios de admissão de candidatos às universidades. Métodos que corrompem autoridades destituídas de valores morais são procedimentos que contribuem para a desmontagem do país. Uma gama extensa de processos que permitam os traidores obterem vantagens faz parte para ampliar a divulgação da descrença, anestesiando o povo, dando a certeza de que o Brasil não tem mais jeito.

A questão do nióbio é tão vergonhosa que na realidade o mundo todo consome 100% do nióbio brasileiro, sendo que os dados oficiais registram como exportação somente 40%. Anos e anos de subfaturamento tem acumulado um prejuízo para o país de bilhões e bilhões de dólares anuais.

Ronaldo Schlichting, no seu artigo publicado, ressalta que “no cassino das finanças internacionais o jogo da moda é chamado de ‘mico preto’, cujo perdedor será aquele que ao fim do carteado ficar com a carta do mico, denominada dólar”. É, devido à incompetência do governo brasileiro e do ministro da Fazenda, quem ficou com o mico preto foi o povo brasileiro, o papel pintado, falso, sem valor, chamado de dólar.

O que está ocorrendo é que o Brasil está vendendo todas as suas riquezas de qualquer jeito e recebendo o pagamento em moeda podre, sem qualquer valor, ficando caracterizada uma traição ao país e ao povo brasileiro.

* Edvaldo Tavares é coronel-médico da Reserva do Exército e diretor executivo do Sistema Raiz da Vida


China detém 15% da produção brasileira de Nióbio, metal raro e estratégico

20/01 às 16h50 - Atualizada em 20/01 às 16h52



Em setembro de 2011, um consórcio chinês formado pelo Taiyuan Iron and Steel Group, o conglomerado financeiro do Citic Group e o Baosteel Group adquiriu, por US$ 1,95 bilhão, 15% da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), maior produtor mundial de nióbio, um metal abundante no Brasil e utilizado em indústrias de automação, nuclear e defesa. A CBMM fica localizada em Araxá, em Minas Gerais.

Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o Brasil concentra quase 100% da oferta mundial de nióbio. A posição estratégica do país na produção do metal, e a negociação envolvendo a CBMM, levantam a questão a respeito de como o governo e as empresas nacionais lidam com as riquezas naturais brasileiras, levando em conta os próprios interesses estratégicos. O négócio fechado com a China, apesar de polêmico, gerou quase nenhum questionamento em Minas Gerais, ao contrário, por exemplo, da privatização da Vale, ocorrida em 1997, e alvo de um verdadeiro levante popular.

A reportagem do Jornal do Brasil entrou em contato com o Ministério de Minas e Energia (MME) para saber se, com a negocição da CBMM, os interesses nacionais não estariam sendo contrariados. A assessoria de imprensa do MME não respondeu até o momentoJá o governo de Minas Gerais, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não foi comunicado sobre a venda "por se tratar de uma operação entre entidades privadas".

A reportagem também buscou o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão diretamente vinculado à atividade mineradora. A assessoria de imprensa do DNPM disse que retornaria com informações, mas ainda não o fez.

Questões econômicas e políticas

Segundo o artigo "A questão do nióbio", do administrador de empresas e membro da Liga da Defesa Nacional, Ronaldo Schlichting, publicado pelo jornal A nova democracia, o Brasil se subjuga, e deveria dar mais valor às suas riquezas naturais. Ele lembra que o país detém 98% das reservas mundiais exploráveis de nióbio, e o mundo consome, anualmente, cerca de 37 mil toneladas do minério, totalmente retiradas do território nacional. Em sua opinião, o preço do nióbio refinado, com 99,9% de pureza, tem um preço na Bolsa de Metais de Londres meramente simbólico, já que o Brasil praticamente é o único produtor mundial. Ele chega a dizer que o metal, a este preço, é como "um barril de petróleo vendido a US$ 1".

No texto, Schlichting acusa o governo brasileiro de "negligência com a seriedade das questões", e diz ainda que supostos interesses "escusos" estariam moldando a forma de lidar com o valor do nióbio.

Ao fim de seu artigo, o empresário afirma que "o Brasil está pagando para ter todo o seu nióbio roubado, e que os nossos últimos 'governantes', para não perderem os seus assentos em Davos, Washington, Zurick, Frankfurt, Nova Iorque, Amsterdã e..., vão continuar fiéis discípulos e feitores da pavorosa doutrina da subjugação nacional".
  
Ásia no Brasil

A CBMM começou a operar em 1955, e pertence ao grupo Moreira Salles. Ela é pioneira na extração, utilização e nas tecnologias do nióbio. Segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, a China aumentou suas importações do metal a uma velocidade anual de 10%, por isso, os negócios duplicaram nos últimos 4 anos.

Ainda, a China compete na compra de nióbio e outros recursos naturais com outros gigantes asiáticos, como Japão e Coreia do Sul, que, em março de 2011, já haviam formado um consórcio de companhias (JFE Holdings, Nippon Steel e Posco, entre outras) para comprar 15% da CBMM por US$ 1,8 bilhão.

Nióbio

O nióbio é um metal bastante raro no mundo, mas abundante no Brasil, e de extrema importância para muitas indústrias. Sua utilização varia, mas a aplicação mais importante do nióbio é como elemento de liga para melhorar propriedades em produtos de aço, especialmente nos aços de alta resistência e baixa liga, além de superligas que operam a altas temperaturas em turbinas das aeronaves a jato. Existem somente três minas de nióbio em todo o mundo.  


VEJA COMO O BRASIL É ROUBADO DIARIAMENTE: Nióbio – um elemento químico de muita utilidade…


No Brasil, muitos servidores públicos são muito mal pagos e, mesmo assim, cumprem sua missão essencial para a Nação. Mas, neste mesmo País, alguns funcionários muito bem pagos para servir à Pátria se corrompem e praticam a omissão. Um dos mais escandalosos exemplos de omissão oficial, entre tantos outros, é o descaminho e o subfaturamento do nióbio brasileiro.

O Brasil detém quase a totalidade das reservas mundiais deste mineral estratégico. O metal é explorado em Araxá (MG), Catalão (GO), Ouvidor (GO) e Presidente Figueiredo (AM). O nióbio em Minas Gerais, onde existe a maior reserva em exploração, é comercializado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração. Já as minas de Catalão e Ouvidor são exploradas pela Anglo American of South Africa, estrangeira 100%. A exploração da columbita da mina de Pitinga, no município de Presidente Figueiredo (AM) está a cargo da Mineração Taboca, empresa do Grupo Paranapanema.

Quase 100% do nióbio comercializado no mundo é brasileiro. Mas não ditamos o preço, nem nosso País se beneficia do mineral como deveria. Estima-se que percamos US$ 100 bilhões por ano com o descaminho ou comercialização subfaturada do metal – muitas vezes exportado, sem que as estatísticas registrem, em meio a toneladas de minério de ferro bruto.
Nosso nióbio é essencial para a humanidade – que dele depende. O Nb tem elasticidade e flexibilidade que o tornam moldável. É um agente anti-corrosivo. Resiste aos ácidos mais agressivos. Mesmo submetido a elevadas temperaturas, oferece alta resistência à combustão. A baixas temperaturas se converte em supercondutor. É essencial na indústria nuclear. Suas ligas são usadas na fabricação de magnetos para tomógrafos de ressonância magnética.

Na indústria aeronáutica, é empregado na produção de motores de aviões a jato, e equipamentos de foguetes. Na indústria do petróleo, serve para compor ligas de aço destinadas ao fabrico de tubos para condução de líquidos, desde água até petróleo. Também serve para fabricar cerâmicas eletrônicas, em lentes para câmeras, jóias e até artigos de beleza.

Na indústria aeronáutica, o nióbio é empregado na produção de motores de aviões a jato, e equipamentos de foguetes. O trem bala, tão sonhado pela presidenta Dilma Rousseff, depende do nióbio em vários processos de sua montagem e implantação. Se a Dilma não sabe, está na hora de se ligar no nióbio. Os militares podem até lhe dar uma aula sobre o tema que tem importância globalitária.

A exploração dos minerais raros do Brasil é uma das preocupações estratégicas da Oligarquia Financeira Transnacional – que controla o mundo e as maiores empresas transnacionais. Agora, o esquema globalitário acaba de formalizar mais um ilusionismo empresarial, para forjar a impressão de que o caso do oligopólio do nióbio não é tão preocupante assim – como andam pensando muitos militares esclarecidos.

Um consórcio do Japão e da Koreia do Sul, incluindo as empresas Japan’s Nippon Steel and South Korea’s Posco and National Pension Service (NPS), acaba de divulgar mundialmente que pagará US$ 1.95 bilhão por 15% das ações da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração. A CBMM passa por constantes alterações no capital social. Tempos atrás, tinha o capital dividido entre o “Grupo Moreira Sales e a Molybdenium Corporation – Molycorp, subsidiária da Union Oil, empresa do grupo Occidental Petroleum – Oxxi.

A CBMM explora as minas de nióbio em Araxá. Faz isto junto com a Companhia de Mineração de Minas Gerais – COMIG, uma última “estatal”. Só que as duas empresas criaram uma terceira empresa, a Companhia Mineradora de Pirocloro da Araxá – COMIPA, para lavrar, com exclusividade, os minérios de nióbio existentes no município de Araxá, que são destinados ao estabelecimento metalúrgico da primeira empresa.

O fato gravíssimo e criminoso é denunciado pelo grupo de estudos União Nacionalista Democrática (UND). Nossos governos nunca coibiram o subfaturamento ou o descaminho nas exportações de Nióbio. O prejuízo anual médio, para a economia brasileira, é de 100 bilhões de dólares. Desde 1996 já são 1,4 trilhão e quatrocentos bilhões de dólares. Há que dar um basta nessa sangria.

Esse verdadeiro crime de lesa-pátria apenas confirma o maldito conceito de que o Brasil, desde que foi descoberto. Somos uma rica colônia de exploração, mantida artificialmente na miséria e no subdesenvolvimento, para servir de estratégica plataforma de exportação de recursos (financeiros, naturais e até humanos).

Eis a realidade para qual precisamos acordar e mudar o conceito. Enquanto ainda dá tempo… As riquezas do Brasil podem e devem servir ao mundo, mas antes devem servir para bancar o desenvolvimento brasileiro. Por isso, brasileiros têm o dever de conhecer, abaixo, o trabalho de patriotas como Adriano Benayon, Antônio Ribas Paiva, Roberto Gama e Silva e Ronaldo Schlichting – que há anos vêm denunciando o questão do nióbio, sem que os governos nada façam. Os artigos por eles escritos reproduzimos abaixo.

Até quando vamos suportar, impunemente, nossas perdas internacionais com o Nióbio?


O NIÓBIO está sendo roubado, e VOCÊ É O CULPADO

Qui, 18 de Agosto de 2011 13:04 Jorge Aramuni - Administrador

ladrao_niobio
Estive lendo os comentários das pessoas em notícias sobre o ROUBO, SUBFATURAMENTO E CONTRABANDO do nióbio brasileiro, e é incrível como as pessoas gostam de JOGAR A CULPA nos políticos, nos industriais, enfim, NOS OUTROS. A culpa, meu querido, NÃO É DOS OUTROS, a culpa É SUA. Esta é a forma DIRETA de se dizer a VERDADE PURA E SIMPLES. As pessoas estão deitadas em suas poltronas, com as pernas e braços cruzados, assistindo as imbecilidades hipnóticas da televisão, e com seu jornal na mão, apenas dizem: "estes políticos brasileiros são todos uns ladrões!". E então jogam seu jornal sobre a mesa, pegam novamente seu copo de cerveja, e OLHO NA TELEVISÃO para torcer pelo seu time! E enquanto o povo tem esta atitude de ZUMBI ALIENADO, alguns, mais espertos, he he... , vão ROUBANDO O NIÓBIO BRASILEIRO.

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Se você não sabe, o NIÓBIO é um mineral de ALTÍSSIMA PUREZA E RESISTÊNCIA, que praticamente SOMENTE O BRASIL PRODUZ. O Brasil tem nada menos de 98 POR CENTO DAS RESERVAS MUNDIAIS de nióbio! Do nióbio se produz uma liga PURÍSSIMA E SUPER RESISTENTE, que é utilizada em turbinas de aviões, naves espaciais, tubulações especiais,  super condutores, circuitos de computadores etc. (eu prefiro omitir que é usado também em equipamentos nucleares, pois sou CONTRA este crime contra a humanidade que são as usinas nucleares). Ou seja, o nióbio é um mineral DA MAIS EXTREMA IMPORTÂNCIA para o presente e o futuro.

Entretanto o nióbio brasileiro, que É PROPRIEDADE DO POVO BRASILEIRO, ou seja, é SUA PROPRIEDADE, repetindo, é SUA PROPRIEDADE, é vendido a PREÇO DE BANANA, banana PODRE, diga-se, pois uma banana madura custa MUITO MAIS do que o nióbio brasileiro. O nióbio é vendido de forma SUB FATURADA, por algumas MIGALHAS, enquanto poderia estar sendo vendido por VÁRIAS DEZENAS DE BILHÕES DE DÓLARES. Um volume IMENSO de dinheiro que poderia resolver praticamente TODOS os problemas do nosso país, como a fome e desemprego do povo.

Por exemplo, os Estados Unidos, toda a Europa e o Japão DEPENDEM EXCLUSIVAMENTE do nióbio brasileiro! O Brasil poderia, e DEVERIA, estar VENDENDO CARO este nióbio, e faturando alto, enquanto GERARIA EMPREGO para o povo e MOVIMENTARIA SUA ECONOMIA. Mas o que existe é o SUB FATURAMENTO do nióbio, e ainda ROUBO E CONTRABANDO imenso. Há uma conivência criminosa de políticos e demais pessoas envolvidas em todo o processo, mas a ORIGEM do problema NÃO É ESTA, a origem do problema é a OMISSÃO DO POVO BRASILEIRO, a OMISSÃO DAS PESSOAS, que DEVERIAM SE PREOCUPAR COM O QUE É REALMENTE IMPORTANTE, em vez de se preocupar com TOLICES E IMBECILIDADES.

niobio_liga
O povo brasileiro precisa ACORDAR, sair do TRANSE HIPNÓTICO E ALIENADOR da televisão, e VOLTAR SUAS ATENÇÕES PARA O QUE É REALMENTE IMPORTANTE. E tudo isto, meu caro, COMEÇA POR VOCÊ. Mude você a sua atitude, volte sua atenção para o que é realmente importante. É na MUDANÇA DE ATITUDE das PESSOAS, do POVO, que está a SOLUÇÃO PARA TODOS OS PROBLEMAS. Passe a ser um CIDADÃO esclarecido, informado, ativo, participativo e influente na sociedade, e então a realidade começará a mudar.

Porque um cidadão ativo não fica apenas culpando os políticos. Um cidadão ativo TOMA UMA ATITUDE, como por exemplo PRESSIONAR MACIÇA, CONSTANTE E INCESSANTEMENTE os políticos. A pressão popular é IRRESISTÍVEL, não existe NADA NEM NINGUÉM que possa resistir à pressão de um povo esclarecido, ativo e influente, que COBRA A TODO MOMENTO os seus direitos.

Portanto, meu caro, FAÇA ALGUMA COISA para evitar o roubo do nióbio. VOCÊ é a solução, a resposta e a diferença.




quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O papel do exorcista na atualidade à luz do Direito Canônico

Pe. Gabriele Amorth, exorcista de Roma.

Reza o cânon 1172, § 2.º que o ordinário local pode nomear um exorcista

Edson Sampel

SÃO PAULO, terça-feira, 20 de novembro de 2012 (ZENIT.org) - Reza o cânon 1172, § 2.º que o ordinário local pode nomear um exorcista. Para adimplir esse delicado mister, deve-se dar a licença devida a um padre que se distinga pela piedade, ciência, prudência e integridade de vida (... presbytero pietat, scientia, prudentia ac vitae integritate). Desse modo, um diácono ou um leigo não possui autorização legal para a prática do exorcismo. O bispo, é claro, dispõe de tal permissão,  malgrado o cânon em exame empregue a palavra presbytero (presbítero=padre). Observa-se in casu o princípio jurídico segundo o qual quem pode mais (plus) pode   menos (minus).

Exorcista canadense Françoise-Marie Dermine.

O exorcismo é um sacramental. Na sua forma menor, é realizado quando da administração do sacramento do batismo. A modalidade solene, igualmente conhecida como grande exorcismo, constitui o objeto do cânon 1172. A finalidade do exorcismo é “expulsar os demônios ou livrar da influência demoníaca, e isto pela autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1673). Os casos de genuína possessão demoníaca são raros, porquanto, consoante explica dom Manoel João Francisco, a ciência “tem demonstrado que, dos casos tidos como possessão diabólica, no passado, apenas 3% podem ser levados a sério.” (Apresentação da edição em língua portuguesa do Ritual de Exorcismos e outras Súplicas).

Exorcista Pe. Rufus Pereira.

Quais os sinais de obsessão diabólica? De acordo com uma praxe comprovada, os aludidos sinais são: “(...) falar muitas palavras numa língua desconhecida ou entender alguém que a fala; manifestar coisas distantes ou ocultas; mostrar forças superiores à idade ou às condições físicas.” (Ritual de Exorcismos de outras Súplicas, n. 16). Além disso, eventualmente caracterizam a possessão outras vicissitudes, sobremaneira de ordem moral e espiritual, como, por exemplo, forte aversão a Deus, ao santíssimo nome de Jesus, à bem-aventurada virgem Maria e aos santos, à Igreja, à palavra de Deus, a coisas, ritos, e imagens sacras (Ritual, n. 16).

Exorcista Pe. José Antônio Fortea.

É extremamente importante que tenhamos bom senso. De fato, escreve dom Manoel Francisco na já referida apresentação do Ritual: “(...) espera-se, portanto, a superação de duas tendências opostas(...). A primeira consiste num certo satanismo que vê presença do maligno em toda parte, submetendo as pessoas à psicose do medo irracional do demônio. A segunda tende a considerar o diabo como personificação simbólica do mal e não como indivíduo, agente pessoal e responsável por grande parte desse mesmo mal.”

Possessão de Anneliese Michel

Estamos vivendo um tempo de absurda violência no Brasil. É óbvio que a responsabilidade por esse ingente mal é 99% das pessoas que perpetram os mais variados crimes, os quais são, também, pecados. Sem embargo, Satanás e seu séquito de anjos maus jamais deixam de tentar o ser humano, instigando-o ao cometimento de toda sorte de maldades. Nem tudo são autênticas possessões; os demônios, ainda, influenciam de outros modos. Neste sentido, creio que seria altamente recomendável que os bispos nomeassem padres exorcistas para as dioceses. É uma forma canônica e litúrgica de se institucionalizar uma instância eclesiástica com o fim de combater o mal e dar uma resposta aos fiéis católicos que se encontram estupefatos diante das inumeráveis atrocidades veiculadas dia a dia pela imprensa.

Edson Luiz Sampel. Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano. Professor do Instituto Teológico Pio XI (Unisal) e da Escola Dominicana de Teologia (EDT). Autor do livro “Reflexões de um Católico” (Editora LTR).


Famoso ator homossexual é ameaçado de morte por sua oposição à adoção gay

Rupert Everett

LONDRES, 20 Nov. 12 / 01:41 pm (ACI/EWTN Noticias).- O inglês Rupert Everett, um ator abertamente homossexual, denunciou que recebeu mensagens de ódio e inclusive ameaças de morte desde que se opôs publicamente à adoção gay em setembro deste ano, assegurando que não pode “pensar em nada pior do que ser criado por dois pais gays”.

Everett, de 53 anos e famoso por filmes como “Shakespeare apaixonado” e por emprestar sua voz ao personagem do Príncipe Encantado nas animações de Shrek denunciou recentemente que, como resultado de sua oposição à paternidade homossexual, “tenho recebido todos estas correspondências de ódio e também ameaças de morte”.

Em declarações recolhidas pelo jornal britânico The Daily Telegraph, Everett assinalou que seus comentários críticos sobre a paternidade homossexual o converteram no “inimigo público número um” do lobby gay.

“Todas as rainhas (gays) lá fora me querem fazer mal. Sou odiado por eles. Tive que tomar medidas evasivas”, assegurou o ator britânico.

Um estudo apresentado em junho deste ano pelo Professor Mark Regnerus, da Universidade do Texas (Estados Unidos), respalda o que foi afirmado por Rupert Everett, ao assegurar estatisticamente que as crianças criadas por casais homossexuais enfrentam maiores dificuldades em sua idade adulta, que aquelas criadas por uma família estável constituída sobre um homem e uma mulher.

O relatório científico evidenciou que crianças criadas em lares homossexuais apresentam uma média mais baixa em níveis de lucros econômicos quando se tornam adultos, e sofrem mais problemas de saúde física e mental, assim como maior instabilidade em suas relações de casal.

O estudo revelou que os menores criados neste tipo de ambiente mostraram maiores níveis de desemprego, tabagismo, necessidade de assistência pública e envolvimento em crimes.


 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Inquietação e a Realização do Espírito Humano


Ó Jesus Cristo, amável Senhor, por que, em toda a minha vida amei, por que desejei outra coisa senão Vós? Onde estava eu quando não pensava em Vós?

Fizeste-nos para Ti [Senhor], e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti.


Com um secreto e doloroso sofrimento, provocas em mim a inquietude, para que eu me mantivesse insatisfeito, até que Te tornasses uma certeza ao meu olhar interior.


Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu Te procurava do lado de fora! Eu, como um monstro, lançava-me sobre as belas formas das Tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava Contigo. Escravizavam-me longe de Ti as Tuas criaturas, que não existiriam se em Ti não existissem. Tu me chamaste, e Teu grito rompeu a minha surdez. Resplandeceste e brilhaste e a Tua luz afugentou a minha cegueira. Espalhaste a Tua fragrância e, respirando-a, suspirei por Ti. Eu Te saboreei, e agora eu tenho fome e sede de Ti. Tu me tocaste, e agora eu estou ardendo no desejo de Tua paz.


Ah! Senhor Jesus! Que, pelo menos, a partir deste momento o meu coração somente deseje a Vós e por Vós se abrase. Desejos de minha alma, correi, porque já bastante tardastes; apressai-vos para o Fim a que aspirais; procurai em verdade aquEle que procurais. Ó Jesus, anátema seja quem não Vos ama. Aquele que não Vos ama seja repleto de amarguras. Ó doce Jesus, sede o amor, as delícias, a admiração de todo coração dignamente consagrado à Vossa glória. Deus de meu coração e minha partilha, Jesus Cristo, que em Vós o meu coração desfaleça, e sede Vós mesmo a minha vida. Acenda-se em minha alma a brasa ardente de Vosso amor e se converta num incêndio todo divino, a arder para sempre no altar de meu coração; que inflame o íntimo do meu ser, e abrase o âmago de minha alma; para que no dia de minha morte, eu apareça diante de Vós, inteiramente consumido em Vosso amor... Amém”.


Fonte: Textos coligidos das Obras de Santo Agostinho: “Confissões”, Liv. I, I. 1; Liv. VII, VIII. 12; Liv. X, XXVII. 38; Oração “Tu es Christus, Pater meus”).


A MELHOR CERVEJA DO MUNDO


                                                          Dom Fernando Arêas Rifan*
   
Segundo noticiou a revista O Globo de 4 de novembro último, foi eleita a melhor cerveja do mundo, por milhares de fãs de mais de 60 países, a Westvleteren 12. A sua qualidade e raridade são tais que, para se comprar uma modesta cota de duas caixas de Westvleteren 12, na cidade do mesmo nome na Bélgica, é preciso telefonar antes para o fabricante, cadastrar o número de telefone e placa do carro, que serão usados para que o candidato não tente repetir a compra pelos dois meses seguintes, e ir buscar pessoalmente as preciosas garrafas. Os admiradores não têm dúvidas de que tamanho esforço e dedicação valem a pena. Os importadores de fora, quando a têm, vendem-na a R$ 180,00 a garrafa.


A Westvleteren 12 é produzida unicamente pelos monges trapistas do Mosteiro Saint Sixtus (www.westvleteren.com). Bem, assim como Jesus não foi culpado pelos que talvez tenham abusado do excelente vinho miraculoso das Bodas de Caná, os monges trapistas não são culpados se alguém bebe sem sobriedade a sua preciosa e especial cerveja.


O que é interessante, e mostra porque é tão rara essa cerveja, apesar de tão boa, é que os monges só fazem a quantidade necessária para sustentar o mosteiro, e nenhuma a mais. Ano passado, tiveram que produzir mais para consertar o muro da abadia, que estava ruindo.


Só produzem o necessário para viver. Não visam o lucro supérfluo. Isso passa pela cabeça de qualquer pessoa hoje, no mundo atual consumista, materialista e cobiçoso, que faz do lucro o motivo de tudo?! As pessoas de hoje, nós mesmos, contentamo-nos com o necessário e o conveniente, ou queremos sempre mais e mais, até as coisas mais supérfluas?!


São Paulo Apóstolo nos adverte: “Nos últimos tempos... os homens serão egoístas, gananciosos (no original grego: amigos de si mesmo, amigos do dinheiro)” (2 Tm 3,2); “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1 Tm 6. 9-10). Sim, do amor desordenado ao dinheiro vêm a avareza, os roubos, as desavenças, os ódios, as invejas, as traições, as impurezas, os adultérios, os crimes de toda espécie: “Nada é mais criminoso do que o avarento, pois chega a pôr à venda a própria alma” (Eclo 10, 9).

Jesus, no sermão da montanha, resumo do seu Evangelho, nos ensina: “Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6, 24). O cristão, discípulo de Cristo, pode usar do dinheiro, mas não servir ao dinheiro. Servir a alguém ou algo é considera-lo como seu senhor, como seu deus, a quem se dedica a vida, a quem se sacrifica tudo o mais. Por isso, quem serve ao dinheiro, a ele sacrifica a honra, a moral, o pudor, o corpo, a saúde e a vida.

Santo Agostinho dizia que o dinheiro é algo tão vil que Deus o dá até para os maus! Usemos bem do dinheiro, sem servirmos a ele e sem colocar nele a razão do nosso viver: “Não ajunteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, ajuntai para vós tesouros no céu... Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6, 19-21).




*Bispo da Administração Apostólica Pessoal 
São João Maria Vianney


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

As Heresias do Corifeu do Marxismo na Teologia

Album de Família: netinhos carinhosos de Bela Khun



O que é a Teologia da Libertação?

Que é então a “teologia da libertação”? É uma reviravolta de todo o Cristianismo sub specie marxismi. O próprio Boff confessa no artigo Marxismo na teologia[1]: “Que tipo de marxismo pode ser útil à teologia? Podemos agora responder: o marxismo como teologia científica das realidades sócio-históricas. Ele nos ajuda a entender, não a Deus, a graça, o Reino, mas a formação, os conflitos e o desenvolvimento das sociedades humanas”. É o chamado materialismo histórico. Ouçamos um pouco mais a confissão marxista de Boff: “O marxismo não entra em todas as partes da construção teológica; entra no momento da apreensão que o teólogo faz da realidade social; utiliza este método e não outro porque lhe parece mais adequado para denunciar as falsificações ideológicas do capitalismo, ocultando as verdadeiras causas que geram o empobrecimento que é principalmente a acumulação da riqueza em poucas mãos com a exclusão das grandes maiorias. Este tipo de análise se afina melhor com a intenção da Fé”. (grifos nossos). E arremata Boff: “O que propomos não é teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da teologia”.

Para dar somente alguns exemplos dos erros de Leonardo Boff[2]:

- Eclesiogênese, pp. 79-80, em que afirma que um leigo, não ordenado, pode, em caso de necessidade, tornar Cristo presente sacramentalmente;

- Jesus Cristo Libertador, pp. 11-285, em que nega a Divindade e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Recomendamos vivamente a crítica feita ao livro na Revue Thomiste, nº 79 (1979), pelo consagrado teólogo dominicano Marie-Vincent Leroy;

- Una Iglesia que nace del pueblo[3], em que nega a Igreja Institucional em favor de uma Igreja Popular. Recomendamos a leitura da Carta do Papa João Paulo II aos Bispos da Nicarágua, de 29-6-1982[4], em que o Santo Padre condena formalmente a chamada “Igreja Popular” ou “Igreja-que-nasce-do-povo”. Recomendamos também a crítica feita ao livro de Boff pelo Pe. A. Perego, S.J., na revista DivusThomas, de Piacenza, 83.3 (1980), pp. 289-291;

- Igreja: Carisma e Poder[5], em que nega ou relativiza diversos Dogmas Católicos, dentre os quais os referentes à estrutura da Igreja, à concepção do próprio Dogma, ao exercício do Poder sagrado e ao profetismo. Conferir a Notificação sobre o livro “Igreja: Carisma e Poder – Ensaios  de Eclesiologia Militante”, da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, de 11-3-1985, aprovada e mandada publicar pelo Papa, e em que se diz na Conclusão: “Ao tornar público o que acima ficou exposto, a Congregação sente-se na obrigação de declarar, outrossim, que as opções aqui analisadas de Frei Leonardo Boff são de tal natureza que põem em perigo a sã Doutrina da Fé, que esta mesma Congregação tem o dever de promover e tutelar”. Recomendamos também a crítica feita ao livro pelo teólogo franciscano, hoje Bispo - Auxiliar de Salvador-BA, Dom Boaventura Kloppenburg, na revista Communio[6], pp. 126-147, como também em seu livro Igreja Popular[7], 179-186. Recomendamos ainda a crítica do saudoso Pe. Paulo Bannwarth, S.J., no seu livro Em Defesa das Sagradas Escrituras[8], pp. 45-52 e 61-71;

- Os Sacramentos da Vida e a Vida dos Sacramentos, pp. 9-80, em que afirma que os Sacramentos instituídos por Jesus Cristo não são sete, como ensina a Igreja, mas que existem sacramentos naturais, que toda religião cristã ou pagã possui também uma estrutura sacramental; que o dia a dia é cheio de sacramentos, como o “sacramento da caneca” (p. 16) e o “sacramento do toco de cigarro” (p. 21);

- A Ressurreição de Cristo – A nossa ressurreição na morte[9], pp. 9-109, em que nega a Ressurreição de Cristo e a nossa, tal como ensina a Santa Igreja Católica. Recomendamos a crítica do Pe. Paulo Bannwarth, S.J., ainda no seu livro Em Defesa das Sagradas Escrituras, pp. 73-83. Conferir também Armando Bandeira, O.P., La Muerte de Jesucristo en la Cristologia de Leonardo Boff[10].


Fonte: Paulo Rodrigues, “Igreja e Anti-Igreja – Teologia da Libertação”, pp. 27; 36-37; T.A. Queiroz, Editor, São Paulo, 1985.




[1]   in Jornal do Brasil, de 6 de Abril de 1980.
[2]   Elevado em 1982 pela CNBB à categoria de teólogo da Comissão Episcopal de Doutrina.
[3]   Ed. Sígueme, Salamanca, 1979.
[4]   in L'Osservatore Romano, ed. Em português, de 15-8-1982.
[5]   Ed. Vozes, Petrópolis, 1981.
[6]   Ed. Brasileira, nº 2 de 1982.
[7]   Ed. Agir, Rio de Janeiro.
[8]   Rio de Janeiro, 1973.
[9]   Ed. Vozes, Petrópolis, 1973.
[10] Universidade de Navarra, Espanha, 1981.



Entrevista de Leonardo Boff pela Revista "Isto é"

"O Papa deveria renunciar"
Teólogo diz que Bento XVI infantiliza os fiéis, é complacente com os pedófilos e fechou as portas para as outras religiões.
Débora Crivellaro
 

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CRISE

Para o ex-frei, a Igreja ainda funciona como na Idade Média

O brasileiro Leonardo Boff, 71 anos, e o alemão Joseph Ratzinger, 83, têm uma longa história em comum. Intelectuais de fôlego, respeitados fora dos muros da Igreja Católica, os teólogos se conhecem há mais de 40 anos, quando conviveram na universidade, em Munique, Alemanha. O atual pontífice já era um cultuado professor, admirado pelo jovem franciscano que frequentava como ouvinte suas conferências, enquanto preparava a tese de doutorado – que contou com a ajuda providencial do alemão para ser publicada. Tempos depois, os dois trabalharam juntos em uma prestigiosa revista de teologia.

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"A Igreja Católica é mais que Bento XVI. É também o papa
João XXIII, é dom Helder Câmara, é a Irmã Dulce (foto)"

Durou pouco, pois as contendas ideológicas provocaram a saída de Ratzinger. Mas o encontro mais marcante aconteceu em 1985, quando ambos estavam, definitivamente, em trincheiras opostas, dentro da mesma instituição. Boff já era o grande mentor por trás da Teologia da Libertação, movimento que interpreta o Evangelho à luz das questões sociais. E Ratzinger já havia se tornado o temido cardeal que punia severamente quem se atrevesse a mudar, uma vírgula que fosse, a interpretação oficial da “Bíblia”. O embate terminou com o silêncio forçado do franciscano e sua posterior saída da ordem, em 1992. Vinte e cinco anos depois desse encontro, casado com Márcia Miranda, padrasto de seis filhos e autor de mais de 60 livros traduzidos para diversas línguas, Boff analisa a Igreja da qual nunca se afastou e seu líder máximo. Que ele conhece como poucos.

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"O cristianismo (dos padres cantores, como Marcelo Rossi)
não pode funcionar como um ansiolítico que nos alivia"
Istoé - A Igreja Católica está em crise?
Leonardo Boff - A Igreja possui uma crise própria: até hoje ela não encontrou seu lugar no mundo moderno e  no mundo globalizado. Suas estruturas são medievais. Ela é a única monarquia absolutista do mundo, concentrando o poder em pouquíssimas mãos. Nesse sentido ela está em contradição com o sonho originário de Jesus que foi o de criar uma comunidade fraterna de iguais e sem nenhuma discriminação.
Istoé - Mas a Igreja Católica pode se modernizar sem perder a essência de seus princípios e, consequentemente, sua identidade?
Leonardo Boff - A Igreja se engessou em suas doutrinas, em suas normas, em seus ritos que poucos entendem e num direito canônico escrito para legitimar desigualdades e conservadorismos. Os homens de hoje têm o direito de receber a mensagem de Jesus na linguagem de nossa cultura moderna, coisa que a Igreja não faz. Ela coloca sob suspeita e até persegue quem tenta fazer.
Istoé - O que o sr. acha que a Igreja Católica deveria fazer para sair dessa crise?
Leonardo Boff - Ela deveria ser menos arrogante, deixando de se imaginar a exclusiva portadora dos meios de salvação, a única verdadeira. Ela se diz perita em humanidade, mas maltrata a muitos desta humanidade internamente e ofende a vários direitos humanos. Por isso que até hoje não subscreveu a Carta dos Direitos Humanos da ONU, sob o pretexto de que ela não faz nenhuma referência a Deus, e retirou seu apoio ao Unicef, porque ele aconselha o uso de preservativos para combater a Aids e fazer o planejamento familiar. Uma igreja que afirma constantemente que fora dela não há salvação, ela mesma precisa de salvação.
Istoé - O sr. acha que os escândalos de pedofilia contribuem para a debandada católica, com fiéis migrando, no Brasil, principalmente, para as igrejas evangélicas?
Leonardo Boff - Muitos cristãos não aceitam ser infantilizados pela Igreja como se nada soubessem e tivessem que receber a comida na boca. Estes estão emigrando em massa. Mas é uma emigração interna. Continuam se sentindo dentro da Igreja, mas não identificados com as doutrinas deste papa, nem com o estilo com o qual ela se apresenta no mundo, com hábitos e símbolos palacianos que os tornam simplesmente ridículos. As igrejas evangélicas crescem porque a católica deixou um espaço vazio.
Istoé - Muitos vaticanistas dizem que Bento XVI pensa em termos de séculos e não está preocupado em conquistar mais fiéis. O sr. concorda?
Leonardo Boff - Bento XVI é fiel a uma esdrúxula teologia que sempre defendeu e da qual eu ainda como estudante e ouvinte dele discordava. Ele é um especialista em Santo Agostinho, grande teólogo. Santo Agostinho partia do fato de que a humanidade é uma “massa condenada” pelo pecado original e pelos demais pecados. Cristo a redimiu. Criou um oásis onde só há salvação e graça. Esse oásis é a Igreja. Ocorre que esse oásis é uma fantasia. Ele é tão contaminado como qualquer ambiente, haja vista os pedófilos e outros escândalos financeiros.
Istoé - Como o sr. avalia o pontificado de Bento XVI?
Leonardo Boff - Do ponto de vista da fé, este papa é um flagelo. Ele fechou a Igreja de tal forma  sobre si mesma que rompeu com mais de 50 anos de diálogo ecumênico, vive criticando a cultura moderna, desestimula qualquer pensamento criativo, mantendo-o sob suspeita. Todo papa tem a missão imposta por Jesus de “confirmar os irmãos e as irmãs na fé”. Esta missão, a meu ver, não está sendo cumprida.
Istoé - Por quê?
Leonardo Boff - Bento XVI cometeu vários erros de governo com respeito aos muçulmanos, aos judeus, às mulheres e às religiões do mundo. Reintroduziu o latim nas missas em que se reza ainda pela conversão dos judeus, reconciliou-se com os mais duros seguidores de Lefebvre (Marcel Lefebvre arcebispo católico ultraconservador, que morreu em 1991), verdadeiros cismáticos. Enquanto trata a nós teólogos da libertação a bastonadas, trata os conservadores com mão de pelica. É um papa que não suscita entusiasmo. Mesmo assim, convivemos com ele, porque a Igreja é mais que Bento XVI. É também o papa João XXIII, é dom Helder Câmara, é a Irmã Dulce, a Irmã Doroty Stang, é dom Pedro Casaldáliga e tantos e tantas.
Istoé - O sr. acha que ele deveria renunciar?
Leonardo Boff - O papa, para o bem dele e da Igreja, deveria renunciar. Devemos exercer a compaixão: ele é um homem doente, velho, com achaques próprios da idade e com dificuldades de administração, pois é mais professor que pastor. Em razão disso, faria bem se fosse para um convento rezar sua missa em latim, cantar seu canto gregoriano que tanto aprecia, rezar pela humanidade sofredora, especialmente pelas vítimas da pedofilia, e se preparar para o grande encontro com o Senhor da Igreja e da história. E pedir misericórdia divina.
Istoé - Como foi a convivência dos srs. no mesmo ambiente acadêmico?
Leonardo Boff - Ouvi-o muitas vezes, pois era um apreciado conferencista. Teve um papel importante na publicação de minha tese doutoral, que, por seu tamanho – mais de 500 páginas –, encontrava dificuldades junto às editoras. Ele encontrou uma, arranjou-me boa parte do dinheiro para a impressão em forma de livro. Depois fomos colegas nas reuniões anuais da revista internacional “Concilium”. Mas ele se desentendeu com a linha da revista e criou uma outra, a “Communio”, em franca oposição à “Concilium”.
Istoé - Anos depois, em 1985, já na  Congregação para a Doutrina da Fé, ele o puniu. Como foi esse encontro?
Leonardo Boff - Ele me fez sentar na cadeira onde sentou Galileo Galilei,  no famoso edifício, ao lado do Vaticano, do Santo Ofício e da antiga Santa Inquisição. Foi meu “inquisidor”, interrogando-me por mais de três horas sobre o livro “Igreja: Carisma e Poder”, que me custou o “silêncio obsequioso”, a deposição de cátedra e a proibição de publicar qualquer coisa. Mas devo dizer que é uma pessoa finíssima, extremamente elegante na relação, mas determinado em suas opiniões. E muito, mas muito, tímido.
Istoé - O sr. é a favor da ordenação de mulheres pela Igreja Católica?
Leonardo Boff - Não há nenhuma doutrina ou dogma que impeça as mulheres de serem ordenadas e até de serem bispos. O patriarcalismo intrínseco à instituição, governada só por homens e celibatários, faz com que não se tenha apreço pelas mulheres nem se reconheça o imenso trabalho que fazem dentro da Igreja. E, no entanto, devemos reconhecer que as mulheres, nos evangelhos, nunca traíram Jesus, como fez Pedro, foram as primeiras testemunhas do fato maior para a fé cristã, que é a ressurreição, e também foram discípulas.
Istoé - O sr. também é a favor do fim da obrigatoriedade do celibato?
Leonardo Boff - O primeiro papa, Pedro, era casado. Aceito o celibato livremente assumido pelos que se propõem a servir às comunidades cristãs. Seria tão enriquecedor para a própria Igreja se houvesse, como há em outras igrejas, padres casados e padres celibatários. Mas o celibato desempenha uma função importante no estilo autoritário da instituição: ela pode dispor totalmente dos celibatários, sem laços com a família, transferi-los para onde quiser e ver-se livre de problemas de herança.
Istoé - O sr. acha que os casos de pedofilia cometidos por padres têm relação com a obrigatoriedade da castidade?
Leonardo Boff - Entre a pedofilia e o celibato há um denominador comum que é a ­sexualidade. A educação sexual que os candidatos ao sacerdócio recebem é carregada de suspeitas e distorções e é feita longe do contato com as mulheres. Hoje sabemos que o homem amadurece sob o olhar da mulher e vice-versa. Quando se tolhe um desses polos da equação, pode surgir o recalque, a sublimação e as eventuais distorções. A pedofilia é uma distorção de uma educação sexual mal realizada. Ademais, a pedofilia é um pecado e um delito.
Istoé - O sr. pode explicar melhor?
Leonardo Boff - A Igreja só via o pecado que podia ser perdoado, e tudo terminava aí. Não via as vítimas, que eram crianças e adolescentes que sofreram violência. Ela não via o delito que deve ser levado aos tribunais para ser julgado e receber a punição adequada. Este lado sempre foi mantido em sigilo, para não prejudicar a imagem da Igreja. Isso configura cumplicidade no crime. Graças a Deus, o papa agora acordou, se redimiu, reconheceu o delito e exige a denúncia dos pedófilos aos tribunais civis.
Istoé - Quando o sr. era frei franciscano, soube de casos de abuso sexual?
Leonardo Boff - Nunca soube de nada.
Istoé - O que o sr. acha da Renovação Carismática Católica?
Leonardo Boff - É um movimento forte, que trouxe muitos elementos positivos, pois tirou o monopólio dos padres. Agora o leigo fala e inventa orações, coisa que não ocorria. Deu certa leveza ao cristianismo, muito centrado na cruz e na paixão e menos na alegria e na celebração. Mas, a meu ver, ela ficou a meio caminho.
Istoé - Por quê?
Leonardo Boff - Não se pode pensar no cristianismo sem justiça social e preocupação com os pobres. Todo carismatismo corre o risco de alienação. Eles se perdem no louvor, no cantar e dançar.
Istoé - E como o sr. avalia os padres cantores, como Marcelo Rossi e Fábio de Melo?
Leonardo Boff - Eles produzem um tipo de evangelização adequada ao que é dominante hoje, que é o mercado. Mas com as limitações que o mercado impõe, tenham eles consciência disso ou não. É sempre problemático, do ponto de vista teológico, transformar a mensagem cristã numa mercadoria de fácil consumo e de pacificação das consciências atribuladas. Noto que as grandes questões sociais estão ausentes em seus discursos e cânticos.
Istoé - Por quê?
Leonardo Boff - Eles falam sobre questões subjetivas. O cristianismo não pode funcionar como um ansiolítico que nos alivia, mas deve falar às consciências para que as pessoas tomem decisões que vão na direção do outro. Para mim, a mensagem cristã não significa buscar um porto seguro onde ancoramos para repousar. Mas é um chamado para irmos ao mar alto, para enfrentar as ondas perigosas. E não pedimos a Deus que nos livre das ondas, mas que nos dê força e coragem para enfrentá-las.

 Leonardo Boff e sua companheira Márcia Miranda

Istoé - O sr. ainda é católico?
Leonardo Boff - Sou católico apostólico franciscano. Acho que São Francisco foi o último cristão verdadeiro e talvez o primeiro depois do Único, que foi Jesus Cristo. O franciscanismo me inspira mais do que o romanismo porque o romano é apenas uma qualificação geográfica. 

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