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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Não se Desculpar




Ó Jesus, que quisestes calar-Vos diante daqueles que Vos condenavam à morte, ensinai-me a arte de não me desculpar.

1 – Em presença de qualquer defeito, culpa ou erro pessoal, o nosso eu busca instintivamente uma desculpa; é a tática do orgulho, que não quer reconhecer as suas culpas e se engenha por as encobrir sob um pretexto mais ou menos falso, encontrando sempre maneira de as atribuir a outras pessoas ou às circunstâncias. Tal foi a conduta de Adão e Eva depois do pecado e tal é o comportamento instintivo de todo o homem quando cai nalguma falta. Mas isto traz um grande dano à alma, porque é impossível corrigir-se de defeitos que não se querem reconhecer; é necessário, por isso, ter coragem para derrubar as engenhosas mas inconsistentes construções do amor próprio, para pôr a nu nossos próprios defeitos e enfrentá-los tal como são, sem os atribuir aos outros mas sim a nós próprios. “Quando caímos em alguma falta – dizia Santa Teresa do Menino Jesus – não devemos atribuí-las às causas físicas, como à doença ou ao mau tempo, mas reconhecer que esta queda provém da nossa imperfeição, sem nunca desanimarmos. Não são as ocasiões que tornam o homem fraco, mas descobrem o que ele é” (CL.).

Desculpar as próprias faltas pode satisfazer o orgulho, mas na realidade, é cegar-se voluntariamente, é tornar-se incapaz de entender a verdade da própria situação e assim a pobre alma não só não pode avançar, mas está condenada a andar às apalpadelas na escuridão, sem possibilidade de saída. Pelo contrário, reconhecer sinceramente as próprias culpas é já dar o primeiro passo para se corrigir. Todavia, não basta não se desculpar diante dos outros, quer dizer, depois de ter reconhecido diante de Deus as nossas culpas, é necessário também reconhecê-las diante dos homens, para aceitar humildemente a correção e reparar o mau exemplo que porventura se deu. Por outro lado, bem pouco valeria aceitar em silêncio uma acusação, uma repreensão, se a alma não renunciasse, mesmo à custa de lutas e esforços, a desculpar-se interiormente.

2 – Muitas vezes te ressentes com as correções, porque não as achas inteiramente proporcionadas aos teus defeitos, às tuas faltas. E não pensas que isto é uma consequência inevitável das limitações humanas; só Deus que lê no coração, pode julgar com perfeita justiça as nossas ações; os homens só veem o exterior e, ainda quando têm a obrigação de nos corrigir, nem sempre chegam a conhecer exatamente a nossa falta, podendo enganar-se por excesso ou por defeito. Se apenas queres aceitar as observações que correspondem perfeitamente aos teus defeitos, estarás exposto muitas vezes a desculpar-te, a protestar, a apresentar as tuas razões, e se não puderes fazê-lo exteriormente, fá-lo-ás sem dúvida no teu interior, perdendo assim todo o benefício que poderias tirar das correções que então recebesses. Santa Teresa de Jesus convida as almas que querem chegar à união com Deus, a uma grande generosidade neste ponto, isto é, a aceitar sem se desculpar, qualquer correção ou repreensão, mesmo que não seja de todo merecida ou até completamente injusta. “É uma grande humildade – diz a Santa – ver-se condenar sem culpa e calar; é a perfeita imitação do Senhor que tomou sobre Si as nossas culpas. O verdadeiro humilde deve desejar ser tido em pouco, perseguido e condenado sem culpa, ainda em coisas graves. Porque, se quer imitar o Senhor, em que melhor o pode fazer do que nisto? Aqui não são necessárias forças corporais nem ajuda de ninguém, senão de Deus”. E acrescenta com muito acerto: “Bem vistas as coisas, nunca nos culpam sem razão e seria mentira dizer que não temos pecado... Ainda que não seja naquilo em que nos culpam, nunca estamos de todo sem culpa como estava o bom Jesus” (Cam. 15, 1-4).

“Jesus calava-se” (Mat. 26, 63), diz o Evangelista, apresentando-nos o Senhor acusado nos tribunais. A alma que aspira à união íntima com Jesus deve saber unir-se ao Seu silêncio diante das acusações, mesmo as mais injustas. E se motivos particulares – como evitar o escândalo ou desgostar o próximo – exigem que se desculpe, fá-lo-á somente quanto é necessário, com muita medida e ponderação, para não perder a graça da humilhação.

Fonte: “Vivendo a Quaresma”, pp. 231 – 233, Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, Edições Apostólica, Campos – RJ, 2010. 


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