Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Místico diálogo da Alma, com Deus, que morre só com o Pecado Original

Momento da fecundação do óvulo pelo espermatozóide

“Que aos 40 dias, pouco mais ou menos, sendo varão, ou aos 80, sendo fêmea, é criada a alma imediatamente por Deus e infundida no corpo organizado no ventre materno, e ficam os dois, corpo e alma, uma criatura humana vivente. No mesmo instante, ao nosso modo de explicar, fala a alma com Deus, que a criou do nada, à Sua semelhança, e lhe rende as graças por tão grande benefício, submergida no profundo conhecimento do seu nada e no claro conhecimento do imenso mar do Ser Divino.

Alma: Senhor de infinita grandeza, (diz a alma falando com Deus), que a tudo o que tem ser criastes do nada, para glória Vossa: rendo-Vos as graças pelo incomparável benefício de me criardes do nada, e de me fazerdes à Vossa semelhança. Donde mereci, meu infinito bem, gozar de tão grande benefício? Neste instante próximo passado era nada, se é que o nada tem ser: e agora sou um espírito perfeito, mui semelhante aos espíritos angélicos na sua criação. Já sei, pelo conhecimento que me dais, que sou criada para Vos gozar por toda a eternidade, e para Vos honrar, por serdes digno de toda a honra e glória. Mas ai de mim, Senhor, que visto ser preciso unir-me com este corpo, organizado por virtude da natureza no ventre materno, com especial concurso da Vossa providência, receio muito, que me seja contrário nos progressos da vida, e que venha, por causa de seus apetites, a perder-Vos por toda a eternidade! É possível, meu Deus, que, sendo criada em vosso agrado, tão pouco tempo hei de lograr este bem! Que no instante, que me unir a este corpo, imundo pelas imperfeições da natureza corrupta e horroroso pelas máculas da culpa, hei de ficar asquerosa aos Vossos Divinos olhos! Que sem remédio hei de contrair o reato da culpa de Adão e Eva, só com me unir a este corpo, que deles traz sua origem! Que hei de ficar exposta a tantos trabalhos da vida humana, em perigo de vos perder por toda a eternidade! Com tudo, Senhor, rendo-me de boa vontade às Vossas divinas determinações; pois conheço que são inescrutáveis Vossos juízos (Apoc. 16, 7).

Levado da Sua infinita bondade, fala Deus à alma e a consola, para que entre a informar o corpo, por ser isto muito do Seu divino agrado.

Deus: Filha Minha, a quem do nada criei à Minha semelhança, e a quem tenho um amor infinito. Bem vejo que és mais escolhida que o sol, mais formosa que a lua e mais resplandecente que a estrela d’Alva (Cânt. 6, 9); e que, com a união que estás para fazer com este corpo, imundo pelo pecado, hás de ficar asquerosa como lepra, e horrorosa como a noite escura; porém, atendendo à Lei que pus a Adão e Eva, como eles transgrediram o Meu Preceito, não há remédio senão que informes esse corpo amaldiçoado, e que fiques contraindo a culpa de Adão. Executa com submisso rendimento esta Minha determinação, que te darei meios, como dei aos primeiros pais, para que chegues a lograr a Minha Bem-aventurada vista, com mais realce da Minha graça. Dou-te a vontade livre, para que, chegando tu e o corpo, teu companheiro, à luz do dia e à luz da razão, escolhas o que melhor te estiver a gosto, ou salvação ou condenação eterna. Para te segurares no melhor partido: na Minha Igreja tens uma Lei e um Batismo, os quais, juntos com boas obras, são porta franca para a Minha glória (S. Jo. 3, 5). Entra já, e não temas.

Novamente falando a alma com Deus, lhe expressa seus temores, para entrar à união do corpo.

Alma: Muito me agradará, Senhor e Deus meu, o dar cumprimento à Vossa divina Vontade, que devo antepor a todo o meu desejo; porém, oh, quanto temo que a entrada neste corpo hediondo seja para minha perdição eterna! Este corpo sempre será contrário ao espírito; e só por milagre da Vossa Divina Onipotência se sujeitará às leis da razão. De certo teremos uma guerra contínua toda à vida (Jó 7, 1), ainda que espere na Vossa infinita bondade o subjugarei, quanto for possível, para que siga as leis da razão, e não as do apetite, em termos que se siga a Vossa glória, e eu chegue a lograr a Vossa vista. Mas ai, que não sei se este corpo, que me mandais informar, para que tenha espírito de vida, é gerado de pais gentios, ou de maometanos, ou de hebreus, ou de hereges, ou de cismáticos, que não Vos conheçam ou não Vos amem! E, neste lance, dificultosa será a minha salvação; porque, pela criação, que nos hajam de dar, ficarei instruída em erros, sem o Vosso santo temor, sem conhecimento de Vosso Santo Nome e sem Batismo e quando não seja condenada a penas eternas, por não ter cometido pecados atuais em matéria grave, ficarei sem gozar para sempre da Vossa vista! Ó Senhor, a quem adoro submergida na profundeza do meu nada: que é isto, a que me expõe Vossa ciência infinita?

Responde Deus à alma e lhe diz: que não esquadrinhe os inescrutáveis segredos da Sua Providência!

Deus: Não te compete, Minha filha, saber os segredos da Minha Providência. Sou Senhor Onipotente; e na Minha poderosa mão está o fazer vasos de escolha ou de injúria: sem fazer injustiça aos vasos, não obstante serem todos fabricados do mesmo barro (Rom. 9, 21). Determino-te que informes este corpo, e com tua união fique em estado de vivente; e assim como receias que seja oriundo de pais que, pelos seus maus costumes, te desviem da Minha Lei e da Minha Graça, e que sejam causa motiva da tua condenação eterna: também podes informar um corpo oriundo de pais virtuosos, que te dirijam pelos caminhos da santidade, e gozes para sempre da Minha gloriosa vista. O certo é que, ou os pais deste corpo que informas sejam bons ou maus, se morreres sem Batismo, será a tua sorte a de ires ser habitante do lugar do Limbo, nas profundezas da terra, até o dia Juízo; e se chegares a sair à luz do dia e à luz da razão, na tua vontade fica escolher boa ou má sorte, ou de salvação ou de condenação: pois não hei de faltar em te assistir com todos os meios para te salvar. Ainda que em Minhas mãos poderosas estejam todas as boas sortes, na vontade, que te deixo livre, está o poderes escolher da Minha mão uma sorte boa. Entra já a informar este corpo, e não inquiras mais os segredos da Minha Providência; porque estes não estão subordinados à vontade das criaturas e só saem à luz, quando são executados pelas Minhas determinações soberanas.

Fala a alma ao corpo, antes de o informar; expressando o grande horror que lhe tem.

Alma: Irmão corpo, a quem vejo, como sepultado, no apertado túmulo do ventre materno, cheio de fealdades, tendo mais demonstrações de monstro, do que de homem: a quem tua mãe, pouco tempo há, concebeu em pecados, elevada em seus apetites: Dou-te parte, que és, e não outro, aquele a quem, por determinação da Divina Vontade, venho informar com espírito de vida. Comigo hás de viver unido, e inseparável, em todo o tempo que formos peregrinos no mundo. Por esta união ficarei (oh desgraça maior) contraindo o Pecado Original, que tu e teus ascendentes contraíram em Adão (Rom. 5, 12). Uniformemente seremos participantes dos trabalhos e dos gostos da vida: e depois da morte, a que ficamos sujeitos, seremos participantes, a seu tempo, ou da salvação ou da condenação, por séculos sem fim. Hás de entender, irmão corpo, que sou um espírito nobilíssimo, criado imediatamente por Deus, e que tu és vil, oriundo da terra, vaso de barro e frágil. Se, pelo benefício de te dar alentos de vida e te associar a mim com estreita união, me fores fiel companheiro, conseguiremos uma boa sorte, que é, na vida mortal, amar a Deus e depois na vida, que esperamos, o goza-Lo para sempre. No meu domínio e na tua obediência, estará a nossa dita.

Responde o corpo à alma, agradecendo-lhe o benefício de o fazer vivente e de admiti-lo à sua companhia.

Corpo: Nobilíssimo espírito, imediatamente criado por Deus, com evidentes demonstrações de Sua imagem: Seja em boa hora a tua vinda a informar-me com espíritos de vivente. Faço-te saber que sou tão miserável, que, tendo minha origem da terra, e neste cárcere materno, onde me vês, tenho aparências de monstro. Tão hediondo estou, que, se desta sorte, que me queres informar, fosse visto do mundo, a todos causaria espanto. Porém, rogo-te, alma, que me infundas os espíritos de vivente; que espero no Senhor, que te criou, de te ser fiel em tudo. Advirto-te, que não te fies nas minhas promessas; porque, como sou barro (Gên. 5, 19), sou quebradiço, e como sou pó, qualquer vento me leva, e tudo depois acaba em ruína. Bem conheço a diferença que há entre mim e ti: que eu sou corpo caduco, e tu és espírito perfeito; eu sou criado, e tu és senhora; eu sou vil, e tu és nobilíssima; imortal, à tua parte compete o mando, e à minha, a obediência. Se me tratares com rigor, serei fiel servo; e se me lisonjeares com amor, ser-te-ei ingrato. Usa alma, do teu direito, se queres ter em mim domínio: eu estou pronto para te obedecer; porém, não faltes em me subjugar. Havendo entre nós esta economia, haverá em nós vida, graça e glória.

Informa a alma ao corpo, e ficam um composto vivente, companheiros inseparáveis por toda a vida.

Surgimento do embrião em poucos dias

Alma: Sem demora, irmão corpo, te dou alentos de vida; porque assim o determina o Autor da Natureza e da Graça. Recebe em boa paz este íntimo abraço que te dou. É tão íntimo e apertado este abraço, que durará em perfeita união por toda a vida caduca, e depois do Juízo Final durará, com nova reunião, por toda a eternidade. Oh, praza à Majestade Divina, que esta nossa união seja para glória eterna, e não para eterna pena! Irmão corpo: Enquanto estivermos encerrados neste cárcere materno, me sujeito a todos os teus movimentos; porque me acho em estado de não poder usar de minhas potências. Estou adormecida, mais com aparências de morta, do que com realidades de viva: porém, se sairmos à luz do mundo, usarei a seu tempo do meu direito. Espero que me reconheças por senhora, e a ti por servo, para que, em tudo, trabalhemos com acerto, e Deus seja em nós glorificado.

Alma e corpo agradecem a Deus o estado de viventes, em que se acham no ventre materno: lamentando-se da sua prisão e do perigo, em que existem, de não saírem à luz do dia, pelo nascimento, e à luz da Graça, pelo Batismo.

Logo o feto está pronto e flutua suavemente 
no interior do ventre materno

Alma e Corpo: Altíssimo Deus, Criador de tudo e Salvador nosso: Infinitas graças Vos sejam dadas pelo incomparável benefício de nos tirardes do nada para o ser, e de nos dardes alentos de vida. Aqui estamos em perfeita união neste cárcere materno, rendidos às determinações de Vossa Santíssima Vontade; e intimamente desejamos que se cumpra em tudo que for de glória Vossa. Pedimo-Vos, porém, se não encontra Vossas Divinas determinações, que nos livreis de perigos de vida nesta escura prisão; pois são sem número os que nos acometem: e será grande desgraça nossa não chegar pelo nascimento à luz do dia, para conseguirmos pelo Batismo a luz da Graça e ficarmos em via de merecer a Vossa glória. Senhor valha-nos a Vossa poderosa mão, para que saiamos deste miserável mar às praias do mundo, e que não aconteça que, por descuido de nossa mãe, ou por algum infortúnio, passemos deste escuro cárcere para as regiões da eternidade, sem esperança de lograr o bem de Vossa Bem-aventurada vista.

Consola Deus aos dois companheiros, alma e corpo, animando-os, para que estejam conformes com Sua Santíssima Vontade em todo o infortúnio, que lhes possa acometer no ventre materno.

Entre o quinto e sexto mês de gestação, 
a silhueta está completa

Deus: Criaturas Minhas, a quem fiz à Minha semelhança, e a quem dei o ser e a vida, por altos fins da Minha Providência: Chegam a Meus ouvidos vossas vozes, e ferem Meu Coração vossas misérias. Tende paciência nos trabalhos e confortai-vos nos infortúnios. Ide continuando os movimentos de viventes nesses apertos do útero e nessas escuridades do ventre, para que a seu tempo chegueis a sair à região dos peregrinos. A natureza, de quem Sou Autor, também concorrerá com o que lhe toca à sua parte; causados pela negligência dos pais e pela malícia das criaturas. Com minha mão poderosa poderia desviar tudo; porém, como deixo obrar as causas segundas, por não revogar as Minhas determinações primeiras, daí se segue ficarem algumas vezes frustradas muitas coisas, que determinava em bem de Minhas almas. Dou-Vos a Minha Santa Bênção, e continuai com o movimento de viventes neste lugar em que vos achais.

Por descuido da mãe, ou por indisposição da natureza, ou por industriosa malícia de alguma criatura, morre no útero o feto animado; e em tal infortúnio se aparta a alma do corpo, caminhando um e outro para o seu lugar determinado, e lamentando sua infelicidade.

Últimos instantes… o bebê está pronto para nascer

Alma: Irmão corpo (lamenta a alma), com quem, poucas horas, ou poucos dias, ou poucos meses há, me uni tão estreitamente: É possível que, entre tantas almas e corpos que, ao depois de criados, tiveram a felicidade de sair à luz do dia, de receberem a luz da Graça, de terem a luz da razão, de possuírem a luz da Fé e de gozarem a luz da glória, só nós não havíamos de ter esta alegria! Deste escuro cárcere do ventre materno, onde estamos com prisões tão apertadas, havemos de ir, tu para um monturo, a converter-te em terra, e eu para o Limbo, para estar na companhia de outras almas, pouco afortunadas, a esperar em obscuridade a vinda do Senhor a Juízo Final, para sermos outra vez reunidos, sem esperanças de ver a Divindade do Altíssimo por toda a eternidade! Vai, irmão corpo, seguindo o teu caminho para este monturo: converte-te em terra (Gên. 3, 19), e nela descansa até o Juízo Último; que então virei informarte outra vez, para sermos inseparáveis companheiros no lugar, à que Deus nos mandar ter nossa habitação por toda a eternidade.

Despede-se também o corpo da alma, lamentando sua desgraça em não chegar à luz do dia e em perder o direito da glória.

Corpo: Alma minha e muito amada senhora: Oh, quanto glorioso estava, por me teres dado alentos de vida, e por possuir a esperança de merecer no mundo com boas obras a Bem-aventurança eterna! E agora quão triste me afasto da tua sociedade! Vou ser lançado na terra, como se fosse terra; e a mesma mãe, que me concebeu, é a primeira que aborrece minha presença. Serei lançado em um monturo com nojo, e quando falarem em mim será com espanto. Serei desprezado, como se não chegasse ao ser da vida, e minha lembrança ficará sepultada na mesma terra, onde me derem o jazigo. Vou esperar nesse monturo a Ressurreição dos Mortos; e então virás com virtude superior informar esta pouca terra, que de mim se conservará, e ressurgirei melhorado; porque por virtude Divina crescerei a estatura perfeita, sem estas imperfeições, que agora tenho. Esse será o dia, em que nos ajuntaremos com união tão inseparável, que jamais nos dividiremos por séculos sem fim. É verdade que seremos sempre acompanhados da pena de não podermos ver a Deus na glória, ainda que, com todos os mais filhos de Adão, teremos a alegria de ver no dia do Juízo ao Redentor do Mundo, Jesus Cristo Nosso Rei (S. Mat. 24, 30), não quanto ao Ser Divino, senão quanto ao ser Humano. Depois de assistirmos ao Juízo Universal e de vermos a Cristo, triunfante de Seus inimigos, subir com Glória e Majestade para a Bem-aventurança, com todos os Anjos e Justos na Sua Companhia; e depois de vermos submergidos nas entranhas da terra aos condenados e ficarem nos Infernos penando por toda a eternidade (S. Mat. 25, 41): ficaremos no nosso competente lugar para sempre, com todos os mais corpos e almas, a quem coube esta nossa sorte. Vai com Deus, alma, para esse cárcere do Limbo, louvar aos altos juízos do Senhor; que eu cá te espero para a ressurreição geral, e serás para sempre minha inseparável companheira.

Parte a alma para o Limbo, lugar no centro da terra, e mutuamente se saúda com as almas, que estão naquele lugar, consolando-se com a sua sorte.

Alma: Almas, que estais encerradas neste estreito lugar do centro da terra: Aqui sou chegada à vossa companhia, para vos fazer perpétua sociedade na vossa pena. A vossa sorte em tudo foi como a minha: disposições foram do Altíssimo, cujos segredos são incompreensíveis ao entendimento criado. Consolemo-nos umas com as outras, e rendamos contínuos louvores ao Senhor, que assim foi servido. Esta consideração nos alentará neste lugar; porque suposto não seja bastante para nos aliviar a saudade, procedida da certeza de não podermos ver a Face de Deus, sempre nos consolará na nossa pena; e porque estamos livres da mágoa, que tem os que ofenderam ao nosso Criador com alguma culpa atual. Não nos seja pesada esta prisão, até a Segunda Vinda do Senhor, a julgar ao mundo; pois os Santos Padres antigos também experimentaram aqui semelhante prisão, até a Primeira Vinda do mesmo Senhor a remir com Sua Morte aos homens do cativeiro do pecado. Algum dia há de ter fim esta nossa prisão, e dizem que será para o dia do Juízo Final, quando cada um de nós for informar, por virtude Divina, o corpo, seu antigo companheiro, para viver com ele de sociedade para sempre. Iremos naquele tremendo dia com os mais filhos de Adão a juízo, unidas aos nossos corpos (S. Mat. 25, 32): e então teremos a consolação de ver ao nosso Criador, a Maria Santíssima, Sua Mãe e nossa Irmã, aos Anjos, aos Bem-aventurados, e aos nossos pais, parentes e irmãos, dos quais pode ser que uns subam em triunfo com o Redentor para a Glória, e outros desçam em confusão com Lúcifer para o Inferno. Então, segundo se afirma, ficaremos povoando o mundo reformado e vivendo em contentamento e alegria, como haviam de viver os nossos primeiros Pais no Paraíso, se não decaíssem da Graça Original. Também, segundo a mais pia opinião, veremos daquele lugar onde habitarmos, a Humanidade de Cristo Senhor Nosso na Bem-aventurança, a presença de Maria Santíssima e a dos Bem-aventurados. Porém (ó saudade sem limite), não veremos a Divindade e Glória de Deus; porque não tivemos a fortuna de entrar na Igreja Militante pela porta do Batismo e pela luz da Fé, que são as portas, por onde o Senhor franqueia a entrada para a Bem-aventurança. Consolemonos, caríssimas irmãs, pois assim o dispôs o Altíssimo; e como esta é a nossa fortuna, determinada pela Sua Divina Vontade, devemos conformar-nos com ela e fazer ao mesmo Senhor contínuas canções de louvor e glória.

Correspondem as almas do Limbo à alma, sua nova companheira, com semelhantes consolações.

Almas do Limbo: Nossa irmã caríssima: Bem-vinda sejais para a nossa sociedade. Agradecemos muito a consolação, que nos dais nas vossas palavras, fundadas em tanta razão e em tão bons princípios. Muitas de nós aqui estão encarceradas há muitas centenas de anos, e sempre temos estado conformes com a Vontade Divina. Serve-nos de grande consolação considerarmos que isto foram disposições do Altíssimo para glória Sua. De certo entendemos que o Senhor nos fez uma incomparável mercê em nos criar do nada à Sua semelhança e que, suposto não esperemos gozar da Sua Divindade, sempre temos a confiança, que havemos de gozar para sempre da Sua Bênção e do Seu Amor. Depois que informarmos os nossos corpos na Ressurreição Geral, teremos os dotes naturais em grau perfeito, e gozaremos neste lugar, que Deus nos permitir, que dizem será o mundo reformado, todas as delícias castas e divertimentos honestos. Serão tais estes regozijos, que nunca haverá no mundo semelhantes, enquanto for habitado dos mortais; e segundo já nos insinuastes, teremos, conforme a opinião de alguns autores, grandes consolações com a vista da Santíssima Humanidade de Cristo, de Maria Santíssima, dos Anjos e dos Bem-aventurados. Os astros e planetas, que sempre seguiram seu curso, nos darão benignas influências, e os elementos nos serão em extremos saudáveis. Veremos desta nossa habitação estes horrendos calabouços, principalmente o lugar e os tormentos dos condenados, sem termos da sua desgraça alguma pena, porque eles assim o mereceram pelas suas culpas. Com muitas danças honestas e canções devotas, louvaremos ao Senhor em alegria e, desta sorte, aliviaremos a saudade de não ver a Sua Divina Face. Passarão as continuadas rodas dos séculos e voltarão a principiar, sem nunca terem fim; e em disposição perfeita, com notável agilidade, e com grande contentamento, viveremos enquanto Deus for Deus. Esta é a sorte, que nos espera depois de sairmos deste cárcere subterrâneo, e dela gozaremos, nós que somos milhões de almas que aqui estamos: sendo a causa desta nossa sorte, em umas, o não chegarem a ver a luz do dia; porque expiraram no ventre de suas mães; em outras, porque nasceram ao mundo e morreram sem Batismo; e, em outras, porque sendo filhas de gentios, maometanos, hebreus e de hereges, acabaram a vida sem Batismo e sem cometerem culpa mortal”.

Fonte: Fr. Antônio do Sacramento, da Sagrada Religião dos Observantes da Província de Portugal, “Ventura do Homem Predestinado e Desgraça do Homem Precito”, Diálogo I, pp. 15-29, 1ª Edição Brasileira, Ed. Vozes, 1938.

Fonte das Imagens: http://www.gestantes.net/fotos-do-desenvolvimento-do-bebe-na-barriga-da-mae/ 

Conferir: Acessar o ensaio "A Doutrina Católica sobre o Limbo das Crianças" no link "Meus Documentos - Lista de Livros".


domingo, 30 de outubro de 2011

Condenações do Homossexualismo na Sagrada Escritura


1 – Antigo Testamento

Sodoma – Modelo de Iniquidade:

“Ora, os homens de Sodoma eram péssimos, e grandes pecadores diante de Deus”(Gên. 13, 13).
“Disse, pois, o Senhor: O clamor de Sodoma e Gomorra aumentou, e o seu pecado agravou-se extraordinariamente. Descerei, e verei se as suas obras correspondem ao clamor que chegou até Mim, ou, se assim não é, para o saber”(Gên. 18, 20-21).

Nota do Pe. Matos Soares:Descerei...” Deus, tendo aparecido sob a forma humana, usa a linguagem de um juiz humano, que se quer informar antes de dar a sentença; porém, já conhecia perfeitamente os crimes de Sodoma, como se vê no versículo 20 (Bíblia Sagrada, traduzida da Vulgata e anotada pelo Pe. Matos Soares, pp. 30, 34; 13ª Edição, Edições Paulinas, São Paulo, 1961).

A História da Destruição de Sodoma:
“Tendo-se, pois, levantado dali aqueles homens, voltaram os olhos para Sodoma; e Abraão ia com eles, acompanhando-os. E o Senhor disse: Acaso poderei Eu ocultar a Abraão o que estou para fazer... O clamor de Sodoma e de Gomorra aumentou, e o seu pecado agravou-se extraordinariamente. Descerei, e verei se as suas obras correspondem ao clamor que chegou até Mim... Sobre a tarde chegaram os dois Anjos a Sodoma, quando Lot estava assentado às portas da cidade. E ele, tendo-os visto, levantou-se, e foi ao seu encontro, e prostrou-se por terra, e disse: Vinde, vos peço, senhores, para casa de vosso servo, e ficai nela... Mas, antes que se fossem deitar, os homens da cidade, desde os meninos até aos velhos, e todo o povo junto cercaram a casa. E chamaram por Lot, e disseram-lhe: Onde estão aqueles homens que entraram em tua casa ao cair da tarde? Faze-os sair para que os conheçamos. Saiu Lot, fechando nas suas costas a porta e disse-lhes: Não queirais fazer, vos rogo, meus irmãos, não queirais fazer este mal. Tenho duas filhas, que ainda são virgens; eu vo-las trarei, e abusai delas como vos agradar, contanto que não façais mal algum a estes homens; porque se acolheram à sombra do meu telhado. Eles, porém, disseram: Retira-te para lá. E acrescentaram: Tu entraste aqui como estrangeiro; será talvez para nos julgares? A ti, pois, trataremos pior do que a eles. E forçavam Lot com grande violência; e já estavam a ponto de arrombar a porta. Eis que os (dois) homens (que estavam dentro) estenderam a mão, e introduziram Lot em casa, e fecharam a porta. E feriram de cegueira os que estavam fora, desde o mais pequeno até ao maior, de sorte que não podiam encontrar a porta.
E disseram a Lot: Tens aqui algum dos teus? Genro, ou filhos, ou filhas, faze sair desta cidade todos os que te pertencem, porque nós vamos destruir este lugar, visto que o clamor (de seus crimes) aumentou diante do Senhor, o qual nos enviou para que os exterminemos... Fez, pois, o Senhor da parte do Senhor chover sobre Sodoma e Gomorra enxofre e fogo (vindo) do céu; e destruiu estas cidades, e todo o país em roda, todos os habitantes das cidades, e toda a verdura da terra. E a mulher de Lot, tendo olhado para trás, ficou convertida numa estátua de sal. Ora Abraão, tendo-se levantado de manhã, foi ao lugar onde antes tinha estado com o Senhor, e olhou para Sodoma e Gomorra, e para toda a terra daquela região, e viu que se elevavam da terra cinzas inflamadas, como o fumo de uma fornalha. Quando Deus destruía as cidades daquela região, lembrou-se de Abraão, e livrou Lot da ruína destas cidades, nas quais tinha habitado”(Gên. 18, 16-33; 19, 1-29).
Nota do Pe. Matos Soares:Tenho duas filhas, que ainda são virgens... abusai delas como vos agradar...” Lot emprega todos os esforços para defender os seus hóspedes. Chega a sacrificar os seus deveres de pai, ofendendo deste modo a Deus, embora a sua culpa possa ser um pouco atenuada pela perturbação em que se encontrava, segundo diz Santo Agostinho (Bíblia Sagrada, ob. cit., pp. 34-36).

A Condenação do Homossexualismo na Lei:

“Não te aproximarás de um homem como se fosse mulher, 
porque é uma abominação”(Lev. 18, 22).
“Aquele que pecar com um homem, como se ele fosse uma mulher, 
ambos cometeram uma coisa execranda, sejam punidos de morte; 
o seu sangue caia sobre eles”(Lev. 20, 13).

2 – Novo Testamento

O Homossexualismo é um Castigo de Deus:
“Com efeito, a ira de Deus manifesta-se do céu contra toda impiedade e injustiça daqueles homens que retêm na injustiça a verdade de Deus... Porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, mas desvaneceram-se nos seus pensamentos, e obscureceu-se o seu coração insensato; porque, dizendo ser sábios, tornaram-se estultos e mudaram a glória de Deus incorruptível para a figura de um simulacro de homem corruptível, de aves, de quadrúpedes, e de serpentes.

Pelo que, Deus os abandonou aos desejos do seu coração, à imundície; de modo que desonraram os seus corpos em si mesmos, eles, que trocaram a verdade de Deus pela mentira, e que adoraram e serviram a criatura de preferência ao Criador, que é bendito por todos os séculos. Amém. Por isso, Deus entregou-os a paixões de ignomínia. Porque as suas próprias mulheres mudaram o uso natural em outro uso, que é contra a natureza. E, do mesmo modo, também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam nos desejos, mutuamente, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em si mesmos a paga que era devida ao seu desregramento. E, como não procuraram conhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, para que fizessem o que não convém, cheios de toda a iniquidade... não compreenderam que os que fazem tais coisas são dignos de morte; e não somente quem as faz, mas também quem aprova aqueles que as fazem”(Rom. 1, 18-32).

Os Homossexuais não Herdarão o Reino de Deus:
“Porventura, não sabeis que os injustos não possuirão o reino de Deus? Não vos enganeis: Nem... os efeminados, nem os sodomitas... possuirão o reino de Deus...”(1ª Cor. 6, 9-11).

O Homossexualismo é Contra a Sã Doutrina:
"A lei não foi feita para o justo, mas para os injustos e desobedientes, para os ímpios e pecadores, para os irreligiosos e profanos, para os parricidas, matricidas e homicidas, para os fornicadores, sodomitas, .... e para tudo o que é contra a sã doutrina" (I Tim. 1, 9-10).

Homossexualismo – Exemplo de Impiedade e Infâmia:
"E se [Deus] condenou a uma total ruína as cidades de Sodoma e de Gomorra, reduzindo-as a cinzas, pondo-as por exemplo daqueles que venham a viver impiamente; e livrou o justo Lot oprimido pelas injúrias e pelo viver luxurioso desses infames... que todos os dias atormentavam a sua alma justa com obras detestáveis" (II Ped. 2, 6-8).

A Herança Eterna do Homossexualismo é o Fogo Eterno:
"Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas que fornicaram com elas, e se abandonaram ao prazer infame, foram postas por escarmento, sofrendo a pena do fogo eterno" (Jud. 1, 7).



Todas estas sentenças se aplicam, também,
à todos aqueles que aprovam, promovem 
e divulgam deliberadamente tal vício;
digo isso, em consonância
com a sentença paulina, que diz:
são dignos de morte;
e não somente quem as faz,
mas também quem aprova
aqueles que as fazem”
(Rom. 1, 18-32).

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Homossexualismo na Visão dos Santos da Igreja Católica



Os Padres, Santos e Doutores da Igreja sempre condenaram a homossexualidade nas suas obras. Segue o que vários Santos de nossa Igreja, pensam contra esse ato de pecado e ofensa a Deus:

São Justino, Mártir (100-165)
 

São Justino, mártir e apologista cristão, nasceu em Flavia Neapolis e converteu-se ao cristianismo por volta do ano 130. Ensinou e defendeu a religião cristã na Ásia Menor e em Roma, onde sofreu o martírio.

Na sua Primeira Apologia, dirigida ao imperador Tito, São Justino explica os mistérios cristãos e da racionalidade da doutrina católica. Ele também aponta o absurdo paganismo e a imoralidade dos gregos e romanos:

Porque vemos que quase todos que são expostos (não só as mulheres, mas também os homens) são trazidos para a prostituição. E como os antigos dizem ter criado rebanhos de cavalos bois ou cabras ou ovelhas, ou de pasto, agora nós vemo-los criar filhos apenas para essa vergonhosa utilização e para esse tipo de poluição. Uma multidão de fêmeas e hermafroditas, e aqueles que cometem iniquidades abomináveis são encontrados em todas as nações. E quem recebe aluguel destes, os direitos e impostos a partir deles, deve ser eliminado do seu reino.

E alguém que use essas pessoas, além dos ateus que mantêm relações infames e impuros, pode eventualmente ter relações sexuais com seu próprio filho, ou parente, ou irmão. E há alguns que até mesmo prostituem os seus próprios filhos e esposas, e alguns são abertamente mutilado com a finalidade de sodomia”.

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Santo Irineu de Lião (130-202)


Santo Irineu nasceu em Esmirna, na Ásia Menor, onde ele conheceu o bispo São Policarpo, discípulo do Apóstolo São João. Saindo da Ásia Menor para Roma, Santo Irineu juntou-se à Escola de S. Justino Mártir antes de se tornar Bispo de Lyon no sul da Gália. Os escritos mais conhecidos de Santo Irineu são “Contra as Heresias” e “Prova da Pregação Apostólica”, em que ele refutou gnosticismo.

Santo Irineu reitera a condenação do homossexualismo pela Igreja: “Além dessa blasfêmia contra Deus, ele [Marcion], falando com a boca do diabo, disse em direta oposição com a Verdade, que ele e aqueles que são como ele, os sodomitas, os egípcios, todas as nações que praticaram todos os tipos de abominação, foram salvos pelo Senhor.”

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Atenágoras de Atenas (2 º século)


Atenágoras de Atenas foi um filósofo que se converteu ao cristianismo no segundo século. Atenágoras escreveu o seu fundamento para os cristãos ao imperador Marco Aurélio em torno de 177. Ele defendeu os cristãos, a quem os pagãos tinham acusado de imoralidade. Em seguida, ele mostra que os pagãos, que eram totalmente imorais, nem sequer se abstém dos pecados contra a natureza.

Para aqueles que criaram um mercado para fornicação e estabeleceram recursos para a infâmia e todo o tipo de vil prazer, que não se conseguem abster até mesmo de homens, homens com homens cometendo abominações chocantes, insultando todos os mais nobres princípios e insultando de modo desonroso toda a obra justa de Deus.”

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São Jerônimo (340-420)

São Jerônimo é Padre e Doutor da Igreja. Ele também foi um exegeta notável e grande polemista. No seu livro “Contra Jovinianus”, ele explica como um sodomita necessita de arrependimento e penitência para ser salvos: “E Sodoma e Gomorra poderiam ter apaziguado a ira de Deus, se estivessem dispostas a se arrependerem, com a ajuda de jejum para ganhar as lágrimas do seu arrependimento.”

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São João Crisóstomo (347-407)

São João Crisóstomo é considerado o maior dos Padres gregos e foi proclamado Doutor da Igreja. A ele foi-lhe dado o título de “Crisóstomo” (“boca de ouro”), por causa d sua grande capacidade oratória e sermões. Ele foi arcebispo e Patriarca de Constantinopla, e a sua revisão do grego na liturgia é usado até hoje. Nos seus sermões sobre São Paulo na Epístola aos Romanos, ele mora na extrema gravidade do pecado do homossexualismo:


“Mas se tu aprendeste e ouviste falar do Inferno e acreditas que não é fogo, lembra-te de Sodoma. Pois vimos, e com certeza continuamos a ver até mesmo na vida presente, uma aparência do Inferno. Quando muitos negam totalmente as coisas que virão depois desta vida, negam ouvir falar do fogo inextinguível, Deus traz à mente as coisas presentes. Por isso foi calcinada Sodoma. Pensa em como é grande o pecado, para ter forçado o Inferno a aparecer mesmo antes do seu tempo! Onde a chuva era incomum, porque a relação sexual era contrária à natureza, ela inundou a terra, tal como a luxúria havia feito com as suas almas. Por isso também a chuva era o oposto da chuva habitual. Agora não só ela não mexe no ventre da terra para a produção de frutos, mas tornou ainda inútil para a recepção das sementes. Foi também assim a relação dos homens entre homens, fazendo um corpo desta espécie mais inútil do que a própria terra de Sodoma.”

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Santo Agostinho (354-430)

O maior dos Padres do Ocidente e um dos grandes Doutores da Igreja, estabeleceu as bases da teologia católica. Nas suas “Confissões”, assim ele condena, com a Igreja, a prática da homossexualidade.

"As devassidões contrárias à natureza devem ser condenadas em todas as partes e sempre, como o foram os pecados de Sodoma. Ainda que todos os povos os cometessem, cairiam na mesma culpabilidade de pecado, segundo a lei de Deus que não fez os homens para assim usarem dele". (Confissões, C. III, p. 8).

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São Gregório Magno (540-604)

Papa São Gregório I é chamado de “o Grande”. Ele é Padre e Doutor da Igreja. Introduziu o canto gregoriano na Igreja.

A Sagrada Escritura confirma que o enxofre evoca o cheiro da carne, assim como fala da chuva de fogo e enxofre sobre Sodoma derramado pelo Senhor. Ele tinha decidido punir Sodoma por causa dos crimes da carne, e com o tipo de punição Ele enfatizou a vergonha do crime, pois quis que fedesse a enxofre, fogo e carne queimada. Foi exatamente por isso que os sodomitas, queimando com desejos perversos decorrentes da carne como fedor, devem perecer pelo fogo e enxofre para que através deste justo castigo percebam o mal que tinham cometido, comandados por um perverso desejo.”

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Santa Catarina de Sena (1347-1380)

Santa Catarina, uma grande mística e Doutora da Igreja viveu em tempos difíceis. O Papado estava no exílio em Avignon, na França. Ela foi fundamental para trazer de volta os Papas para Roma. Os seus “Diálogos com Deus” são escritos famosos.

Esses desgraçados não só são frágeis na sua natureza, mas pior, cometendo o pecado maldito contra a natureza e, como cegos e tolos, com a luz do seu intelecto escurecida, eles não sabem o mau cheiro e da miséria em que se encontram. Não só este pecado cheira mal diante de Mim, que sou o Supremo e a Eterna Verdade, mas realmente desagrada-me muito. Não só a Mim, mas aos próprios demônios. Não é que o mal lhes desagrada, porque eles não gostam de nada que seja bom, mas porque a sua natureza foi originalmente angelical, e sua natureza angelical faz com que eles se afastem quando este grande pecado é cometido.”

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São Bernardino de Sena (1380-1444)

São Bernardino de Siena era um pregador famoso, conhecido pela sua doutrina e santidade.

Quanto à homossexualidade, afirma:

Nenhum pecado no mundo amarra a alma como a maldita sodomia, o pecado que sempre foi detestado por todos aqueles que vivem segundo Deus. Uma paixão desordenada, próxima da loucura, que perturba o vice intelecto, destrói elevação e generosidade da alma, faz do preguiçoso uma pessoa irascível, teimoso e obstinado, servil e macio e incapaz de qualquer coisa. Além disso, agitada por um desejo insaciável por prazer, a pessoa sodomita não segue a razão, mas o instinto. Eles tornam-se cegos e, quando os seus pensamentos deve subir para coisas altas e grandes, eles são frívolos e reduzidos para as coisas vis, inúteis e podres, que nunca poderia fazê-los felizes. Assim como as pessoas participam da glória de Deus em diferentes graus, de igual modo também no Inferno alguns sofrem mais que outros. Quem vive com esse vício de sodomia sofre mais do que outra, porque este é maior pecado.”

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São Pedro Canísio (1521-1597)

São Pedro Canísio, jesuíta e doutor da Igreja, é responsável por ajudar um terço da Alemanha a abandonar o Luteranismo e retornar para a Igreja Católica.

Como diz a Sagrada Escritura, os sodomitas sempre foram extremamente perversos e pecaminosos. São Pedro e São Paulo condenaram sempre o pecado nefando e depravado. Na verdade, a Escritura denuncia essa indecência enorme (…) Aqueles que deviam ter vergonha de violar a lei divina e a lei natural são escravos da mais perversa depravação.”


http://reporterdecristo.com/o-homossexualismo-na-visao-dos-santos-da-igreja-catolica


A imprensa nacional e internacional tem noticiado tristes escândalos morais dados por membros do clero, tanto no Brasil quanto no exterior. Dentre tais escândalos sobressai, por sua especial gravidade, o pecado da homossexualidade.


Ante tais fatos, é compreensível que o católico fique perplexo, mas ele não deve esmorecer na fé. Com efeito, a história eclesiástica prova que esses escândalos já se deram em outras épocas. E disto podemos tirar uma conclusão segura: a perenidade da promessa de Nosso Senhor de que protegerá a Santa Igreja - "as portas do inferno não prevalecerão" -, malgrado a conduta de seus próprios ministros, que deveriam ser "o sal da terra e a luz do mundo".


Vejamos com que veemência um admirável Santo disseca a hediondez de um vício, especialmente se praticado por eclesiásticos. Vício este de tal modo difundido em nossos dias, que -- oh dor! -- sua prática até está sendo amparada por lei em alguns países. Mesmo nossa Pátria não está imune a essa ameaça, pois encontra-se em tramitação um nefando projeto de lei que visa legalizar a "união" homossexual.

São Pedro Damião

São Pedro Damião (+ 1072), Bispo e Doutor da Igreja, escreveu em 1051 seu Livro de Gomorra, que ofereceu ao Papa da época, São Leão IX. A obra era uma colaboração que prestava àquele Pontífice para ajudar a combater a incontinência e a simonia dos clérigos. O livro de São Pedro Damião foi louvado por aquele Papa santo.


Eis as contundentes palavras de São Pedro Damião:


"Este vício não é absolutamente comparável a nenhum outro, porque supera a todos em enormidade. Este vício produz, com efeito, a morte dos corpos e a destruição das almas. Polui a carne, extingue a luz da inteligência, expulsa o Espírito Santo do templo do coração do homem, nele introduzindo o diabo que é o instigador da luxúria, conduz ao erro, subtrai totalmente a verdade da alma enganada, prepara armadilhas para os que nele incorrem, obstrui o poço para que daí não saiam os que nele caem, abre-lhes o inferno, fecha-lhes a porta do Céu, torna herdeiro da infernal Babilônia aquele que era cidadão da celeste Jerusalém, transformando-o de estrela do céu em palha para o fogo eterno, arranca o membro da Igreja e o lança no voraz incêndio da geena ardente.


Tal vício busca destruir as muralhas da pátria celeste e tornar redivivos os muros da Sodoma calcinada. Ele, com efeito, viola a temperança, mata a pureza, jugula a castidade, trucida a virgindade, que é irrecuperável, com a espada da mais infame união. Tudo infecta, tudo macula, tudo polui, e tanto quanto está em si, nada deixa puro, nada alheio à imundície, nada limpo. Para os puros, como diz o Apóstolo, todas as coisas são puras; para os impuros e infiéis, nada é puro, mas estão contaminados o seu espírito e a sua consciência (Tit. I, 15).


Esse vício expulsa do coro da assembléia eclesiástica e obriga a unir-se com os energúmenos e com os que trabalham com o diabo, separa a alma de Deus para ligá-la aos demônios. Essa pestilentíssima rainha dos sodomitas torna os que obedecem as leis de sua tirania torpes aos homens e odiáveis a Deus, impõe nefanda guerra contra Deus e obriga a alistar-se na milícia do espírito perverso, separa do consórcio dos Anjos e, privando-a de sua nobreza, impinge à alma infeliz o jugo do seu próprio domínio. Despoja seus sequazes das armas das virtudes e os expõe, para que sejam transpassados, aos dardos de todos os vícios. Humilha na Igreja, condena no fórum, conspurca secretamente, desonra em público, rói a consciência como um verme, queima a carne como o fogo.


Arde a mísera carne com o furor da luxúria, treme a fria inteligência com o rancor da suspeita, e no peito do homem infeliz agita-se um caos como que infernal, sendo ele atormentado por tantos aguilhões da consciência quanto é torturado pelos suplícios das penas. Sim, tão logo a venenosíssima serpente tiver cravado os dentes na alma infeliz, imediatamente fica ela privada de sentidos, desprovida de memória, embota-se o gume de sua inteligência, esquece-se de Deus e até mesmo de si.


Com efeito, essa peste destrói os fundamentos da fé, desfibra as forças da esperança, dissipa os vínculos da caridade, aniquila a justiça, solapa a fortaleza, elimina a esperança, embota o gume da prudência.


E que mais direi, uma vez que ela expulsa do templo do coração humano toda a força das virtudes e aí introduz, como que arrancando as trancas das portas, toda a barbárie dos vícios?


Com efeito, aquele a quem essa atrocíssima besta tenha engolido, entre suas fauces cruentas, impede-lhe, com o peso de suas correntes, a prática de todas as boas obras, precipitando-a em todos os despenhadeiros de sua péssima maldade. Assim, tão logo alguém tenha caído nesse abismo de extrema perdição, torna-se um desterrado da pátria celeste, separa-se do Corpo de Cristo, é confundido pela autoridade de toda a Igreja, condenado pelo juízo de todos os Santos Padres, desprezado entre os homens na terra, reprovado pela sociedade dos cidadãos do Céu, cria para si uma terra de ferro e um céu de bronze, de um lado, não consegue levantar-se, agravado que está pelo peso do seu crime; de outro, não consegue mais ocultar seu mal no esconderijo da ignorância, não pode ser feliz enquanto vive, nem ter esperança quando morre, porque, agora, é obrigado a sofrer o opróbrio da derrisão dos homens e, depois, o tormento da condenação eterna" (Liber Gomorrhianus, c. XVI, in Migne, Patristica Latina 175-177).


Santo Tomás de Aquino (1224-1274)

O Doutor Angélico coloca a homossexualidade na mesma faixa de pecados torpíssimos como o de canibalismo (Suma Teológica, II-II, q. 142, a. 4). E ensina que, "como no vício contra a natureza o homem viola as leis naturais, .... dito pecado é gravíssimo". E faz sua a doutrina de Santo Agostinho acima reproduzida (Suma Teológica, II-II, q. 154, a. 12).


São Pio V, Papa (1504-1572)


"Aquele horrendo crime, por culpa do qual as cidades corrompidas e obscenas foram queimadas pela condenação divina, marca com intensíssima dor e golpeia fortemente nossa alma, levando-Nos a reprimir tal crime com o máximo zelo possível" (Constituição Horrendum illud scelus).


São Pio X, Papa (1835-1914)

Em seu Catecismo, o "pecado impuro contra a natureza" é classificado em segundo lugar por sua gravidade, após o homicídio voluntário, entre os pecados que "clamam por vingança ante o conspecto de Deus" (Catecismo maior, n. 966).

"Diz-se -- explica o Catecismo -- que estes pecados clamam por vingança ante o conspecto de Deus, porque o diz o Espírito Santo e porque a sua iniqüidade é tão grave e manifesta que provoca Deus em puni-lo com os mais severos castigos" (n. 967).



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O Ensino da Igreja sobre o Homossexualismo

SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

CONSIDERAÇÕES
SOBRE OS PROJETOS
DE RECONHECIMENTO LEGAL
DAS UNIÕES ENTRE PESSOAS
HOMOSSEXUAIS

INTRODUÇÃO

1. Diversas questões relativas à homossexualidade foram recentemente tratadas várias vezes pelo Santo Padre João Paulo II e pelos competentes Dicastérios da Santa Sé.(1) Trata-se, com efeito, de um fenômeno moral e social preocupante, inclusive nos Países onde ainda não se tornou relevante sob o ponto de vista do ordenamento jurídico. A preo­cupação é, todavia, maior nos Países que já concederam ou se propõem conceder reco­nhecimento legal às uniões homossexuais, alargando-o, em certos casos, mesmo à habili­tação para adotar filhos. As presentes Considerações não contêm elementos doutrinais novos; entendem apenas recordar os pontos essenciais sobre o referido problema e for­necer algumas argumentações de carácter racional, que possam ajudar os Bispos a for­mular intervenções mais específicas, de acordo com as situações particulares das diferen­tes regiões do mundo: intervenções destinadas a proteger e promover a dignidade do ma­trimônio, fundamento da família, e a solidez da sociedade, de que essa instituição é parte constitutiva. Têm ainda por fim iluminar a atividade dos políticos católicos, a quem se indi­cam as linhas de comportamento coerentes com a consciência cristã, quando tiverem de se confrontar com projetos de lei relativos a este problema.(2) Tratando-se de uma maté­ria que diz respeito à lei moral natural, as seguintes argumentações são propostas não só aos crentes, mas a todos os que estão empenhados na promoção e defesa do bem co­mum da sociedade.

I. NATUREZA
E CARACTERÍSTICAS IRRENUNCIÁVEIS
DO MATRIMÓNIO


2. O ensinamento da Igreja sobre o matrimônio e sobre a complementaridade dos sexos propõe uma verdade, evidenciada pela reta razão e reconhecida como tal por todas as grandes culturas do mundo. O matrimônio não é uma união qualquer entre pessoas hu­manas. Foi fundado pelo Criador, com uma sua natureza, propriedades essenciais e finali­dades.(3) Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só exis­te matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vi­das.

3. A verdade natural sobre o matrimônio foi confirmada pela Revelação contida nas narra­ções bíblicas da criação e que são, ao mesmo tempo, expressão da sabedoria humana originária, em que se faz ouvir a voz da própria natureza. São três os dados fundamentais do plano criador relativamente ao matrimônio, de que fala o Livro do Gênesis.

Em primeiro lugar, o homem, imagem de Deus, foi criado «  homem e mulher  » (Gn 1, 27). O homem e a mulher são iguais enquanto pessoas e complementares enquanto ho­mem e mulher. A sexualidade, por um lado, faz parte da esfera biológica e, por outro, é elevada na criatura humana a um novo nível, o pessoal, onde corpo e espírito se unem.

Depois, o matrimônio é instituído pelo Criador como forma de vida em que se realiza aquela comunhão de pessoas que requer o exercício da faculdade sexual. «  Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois tornar-se-ão uma só carne  » (Gn 2, 24).

Por fim, Deus quis dar à união do homem e da mulher uma participação especial na sua obra criadora. Por isso, abençoou o homem e a mulher com as palavras: «  Sede fecun­dos e multiplicai-vos  » (Gn 1, 28). No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimônio.

Além disso, a união matrimonial entre o homem e a mulher foi elevada por Cristo à digni­dade de sacramento. A Igreja ensina que o matrimônio cristão é sinal eficaz da aliança de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 32). Este significado cristão do matrimônio, longe de diminuir o valor profundamente humano da união matrimonial entre o homem e a mulher, confirma-o e fortalece-o (cf. Mt 19, 3-12;Mc 10, 6-9).

4. Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo re­motas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimônio e a família. O matrimônio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste com a lei moral natural. Os atos homossexuais, de facto, «  fecham o ato sexual ao dom da vida. Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afetiva e sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar  ».(4)

Na Sagrada Escritura, as relações homossexuais «  são condenadas como graves depra­vações... (cf. Rm 1, 24-27; 1 Cor 6, 10; 1 Tm 1, 10). Desse juízo da Escritura não se pode concluir que todos os que sofrem de semelhante anomalia sejam pessoalmente responsá­veis por ela, mas nele se afirma que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados  ».(5) Idêntico juízo moral se encontra em muitos escritores eclesiásticos dos primeiros séculos,(6) e foi unanimemente aceite pela Tradição católica.

Também segundo o ensinamento da Igreja, os homens e as mulheres com tendências ho­mossexuais «  devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Deve evitar-se, para com eles, qualquer atitude de injusta discriminação  ».(7) Essas pessoas, por ou­tro lado, são chamadas, como os demais cristãos, a viver a castidade.(8) A inclinação ho­mossexual é, todavia, «  objetivamente desordenada  »,(9) e as práticas homossexuais «  são pecados gravemente contrários à castidade  ».(10)

II. ATITUDES PERANTE O PROBLEMA
DAS UNIÕES HOMOSSEXUAIS

5. Em relação ao fenômeno das uniões homossexuais, existentes de facto, as autoridades civis assumem diversas atitudes: por vezes, limitam-se a tolerar o fenômeno; outras ve­zes, promovem o reconhecimento legal dessas uniões, com o pretexto de evitar, relativa­mente a certos direitos, a discriminação de quem convive com uma pessoa do mesmo sexo; nalguns casos, chegam mesmo a favorecer a equivalência legal das uniões homos­sexuais com o matrimônio propriamente dito, sem excluir o reconhecimento da capacida­de jurídica de vir a adotar filhos.

Onde o Estado assume uma política de tolerância de facto, sem implicar a existência de uma lei que explicitamente conceda um reconhecimento legal de tais formas de vida, há que discernir bem os diversos aspectos do problema. É imperativo da consciência moral dar, em todas as ocasiões, testemunho da verdade moral integral, contra a qual se opõem tanto a aprovação das relações homossexuais como a injusta discriminação para com as pessoas homossexuais. São úteis, portanto, intervenções discretas e prudentes, cujo con­teúdo poderia ser, por exemplo, o seguinte: desmascarar o uso instrumental ou ideológico que se possa fazer de dita tolerância; afirmar com clareza o carácter imoral desse tipo de união; advertir o Estado para a necessidade de conter o fenômeno dentro de limites que não ponham em perigo o tecido da moral pública e que, sobretudo, não exponham as jo­vens gerações a uma visão errada da sexualidade e do matrimônio, que os privaria das defesas necessárias e, ao mesmo tempo, contribuiria para difundir o próprio fenômeno. Àqueles que, em nome dessa tolerância, entendessem chegar à legitimação de específi­cos direitos para as pessoas homossexuais conviventes, há que lembrar que a tolerância do mal é muito diferente da aprovação ou legalização do mal.

Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do pos­sível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência.

III. ARGUMENTAÇÕES RACIONAIS
CONTRA O RECONHECIMENTO LEGAL
DAS UNIÕES HOMOSSEXUAIS

6. A compreensão das razões que inspiram o dever de se opor desta forma às instâncias que visem legalizar as uniões homossexuais exige algumas considerações éticas especí­ficas, que são de diversa ordem.

De ordem relativa à recta razão

A função da lei civil é certamente mais limitada que a da lei moral.(11) A lei civil, todavia, não pode entrar em contradição com a reta razão sob pena de perder a força de obrigar a consciência.(12) Qualquer lei feita pelos homens tem razão de lei na medida que estiver em conformidade com a lei moral natural, reconhecida pela reta razão, e sobretudo na medida que respeitar os direitos inalienáveis de toda a pessoa.(13) As legislações que fa­vorecem as uniões homossexuais são contrárias à reta razão, porque dão à união entre duas pessoas do mesmo sexo garantias jurídicas análogas às da instituição matrimonial. Considerando os valores em causa, o Estado não pode legalizar tais uniões sem faltar ao seu dever de promover e tutelar uma instituição essencial ao bem comum, como é o ma­trimônio.

Poderá perguntar-se como pode ser contrária ao bem comum uma lei que não impõe ne­nhum comportamento particular, mas apenas se limita a legalizar uma realidade de fato, que aparentemente parece não comportar injustiça para com ninguém. A tal propósito convém refletir, antes de mais, na diferença que existe entre o comportamento homosse­xual como fenômeno privado, e o mesmo comportamento como relação social legalmente prevista e aprovada, a ponto de se tornar numa das instituições do ordenamento jurídico. O segundo fenômeno, não só é mais grave, mas assume uma relevância ainda mais vas­ta e profunda, e acabaria por introduzir alterações na inteira organização social, que se tornariam contrárias ao bem comum. As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem no seio da sociedade, para o bem ou para o mal. «  Desempenham uma função muito importante, e por vezes determinante, na promoção de uma mentalidade e de um costume  ».(14) As formas de vida e os modelos que nela se exprimem não só configuram externamente a vida social, mas ao mesmo tempo tendem a modificar, nas novas gera­ções, a compreensão e avaliação dos comportamentos. A legalização das uniões homos­sexuais acabaria, portanto, por ofuscar a percepção de alguns valores morais fundamen­tais e desvalorizar a instituição matrimonial.

De ordem biológica e antropológica

7. Nas uniões homossexuais estão totalmente ausentes os elementos biológicos e antro­pológicos do matrimônio e da família, que poderiam dar um fundamento racional ao reco­nhecimento legal dessas uniões. Estas não se encontram em condição de garantir de modo adequado a procriação e a sobrevivência da espécie humana. A eventual utilização dos meios postos à sua disposição pelas recentes descobertas no campo da fecundação artificial, além de comportar graves faltas de respeito à dignidade humana,(15) não altera­ria minimamente essa sua inadequação.

Nas uniões homossexuais está totalmente ausente a dimensão conjugal, que representa a forma humana e ordenada das relações sexuais. Estas, de facto, são humanas, quando e enquanto exprimem e promovem a mútua ajuda dos sexos no matrimônio e se mantêm abertas à transmissão da vida.

Como a experiência confirma, a falta da bipolaridade sexual cria obstáculos ao desenvol­vimento normal das crianças eventualmente inseridas no interior dessas uniões. Falta-lhes, de facto, a experiência da maternidade ou paternidade. Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adoção significa, na realidade, praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano. Não há dúvida que uma tal prática seria gravemente imoral e por-se-ia em aberta contradição com o princípio reconhecido também pela Convenção internacional da ONU sobre os direitos da criança, segundo o qual, o interesse superior a tutelar é sempre o da criança, que é a parte mais fraca e indefesa.

De ordem social

8. A sociedade deve a sua sobrevivência à família fundada sobre o matrimônio. É, portan­to, uma contradição equiparar à célula fundamental da sociedade o que constitui a sua negação. A consequência imediata e inevitável do reconhecimento legal das uniões ho­mossexuais seria a redefinição do matrimônio, o qual se converteria numa instituição que, na sua essência legalmente reconhecida, perderia a referência essencial aos fatores li­gados à heterossexualidade, como são, por exemplo, as funções procriadora e educado­ra. Se, do ponto de vista legal, o matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente for considerado apenas como um dos matrimônios possíveis, o conceito de matrimônio sofre­rá uma alteração radical, com grave prejuízo para o bem comum. Colocando a união ho­mossexual num plano jurídico análogo ao do matrimônio ou da família, o Estado compor­ta-se de modo arbitrário e entra em contradição com os próprios deveres.

Em defesa da legalização das uniões homossexuais não se pode invocar o princípio do respeito e da não discriminação de quem quer que seja. Uma distinção entre pessoas ou a negação de um reconhecimento ou de uma prestação social só são inaceitáveis quando contrárias à justiça.(16) Não atribuir o estatuto social e jurídico de matrimônio a formas de vida que não são nem podem ser matrimoniais, não é contra a justiça; antes, é uma sua exigência.

Nem tão pouco se pode razoavelmente invocar o princípio da justa autonomia pessoal. Uma coisa é todo o cidadão poder realizar livremente atividades do seu interesse, e que essas atividades que reentrem genericamente nos comuns direitos civis de liberdade, e outra muito diferente é que atividades que não representam um significativo e positivo contributo para o desenvolvimento da pessoa e da sociedade possam receber do Estado um reconhecimento legal especifico e qualificado. As uniões homossexuais não desempe­nham, nem mesmo em sentido analógico remoto, as funções pelas quais o matrimônio e a família merecem um reconhecimento específico e qualificado. Há, pelo contrário, razões válidas para afirmar que tais uniões são nocivas a um reto progresso da sociedade hu­mana, sobretudo se aumentasse a sua efetiva incidência sobre o tecido social.

De ordem jurídico

9. Porque as cópias matrimoniais têm a função de garantir a ordem das gerações e, por­tanto, são de relevante interesse público, o direito civil confere-lhes um reconhecimento institucional. As uniões homossexuais, ao invés, não exigem uma específica atenção por par­te do ordenamento jurídico, porque não desempenham essa função em ordem ao bem co­mum.

Não é verdadeira a argumentação, segundo a qual, o reconhecimento legal das uniões homossexuais tornar-se-ia necessário para evitar que os conviventes homossexuais vies­sem a perder, pelo simples fato de conviverem, o efetivo reconhecimento dos direitos co­muns que gozam enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Na realidade, eles podem sem­pre recorrer – como todos os cidadãos e a partir da sua autonomia privada – ao direito co­mum para tutelar situações jurídicas de interesse recíproco. Constitui porém uma grave injustiça sacrificar o bem comum e o reto direito de família a pretexto de bens que podem e devem ser garantidos por vias não nocivas à generalidade do corpo social.(17)

IV. COMPORTAMENTOS DOS POLÍTICOS CATÓLICOS
PERANTE LEGISLAÇÕES FAVORÁVEIS
ÀS UNIÕES HOMOSSEXUAIS

10. Se todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homos­sexuais, os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade que lhes é própria. Na presença de projetos de lei favoráveis às uniões homossexuais, há que ter presentes as seguintes indicações éticas.

No caso que se proponha pela primeira vez à Assembleia legislativa um projeto de lei fa­vorável ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, o parlamentar católico tem o dever moral de manifestar clara e publicamente o seu desacordo e votar contra esse pro­jeto de lei. Conceder o sufrágio do próprio voto a um texto legislativo tão nocivo ao bem comum da sociedade é um ato gravemente imoral.

No caso de o parlamentar católico se encontrar perante uma lei favorável às uniões ho­mossexuais já em vigor, deve opor-se-lhe, nos modos que lhe forem possíveis, e tornar conhecida a sua oposição: trata-se de um ato devido de testemunho da verdade. Se não for possível revogar completamente uma lei desse gênero, o parlamentar católico, atendo-se às orientações dadas pela Encíclica Evangelium vitae, «  poderia dar licitamente o seu apoio a propostas destinadas a limitar os danos de uma tal lei e diminuir os seus efeitos negativos no plano da cultura e da moralidade pública  », com a condição de ser «  clara e por todos conhecida  » a sua «  pessoal e absoluta oposição  » a tais leis, e que se evite o perigo de escândalo.(18) Isso não significa que, nesta matéria, uma lei mais restritiva pos­sa considerar-se uma lei justa ou, pelo menos, aceitável; trata-se, pelo contrário, da tenta­tiva legítima e obrigatória de proceder à revogação, pelo menos parcial, de uma lei injusta, quando a revogação total não é por enquanto possível.

CONCLUSÃO

11. A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reco­nhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimônio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num mo­delo para a sociedade atual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do patrimônio comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.

O Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida a 28 de Março de 2003 ao abai­xo-assinado Cardeal Prefeito, aprovou as presentes Considerações, decididas na Sessão Ordinária desta Congregação, e mandou que fossem publicadas.


Roma, sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 3 de Junho de 2003, memória de São Carlos Lwanga e companheiros, mártires.

Joseph Card. Ratzinger
Prefeito

Angelo Amato, S.D.B.
Arcebispo titular de Sila
Secretário



(1) Cf. João Paulo II, Alocuções por ocasião da recitação do Angelus, 20 de Fevereiro de 1994 e 19 de Junho de 1994; Discurso aos participantes na Assembleia Plenária do Conselho Pontifício para a Família, 24 de Março de 1999; Catecismo da Igreja Católica, nn. 2357-2359, 2396; Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, 29 de Dezembro de 1975, n. 8; Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986;Algumas Considerações sobre a Resposta a propostas de lei em matéria de não discriminação das pessoas homossexuais, 24 de Julho de 1992; Conselho Pontifício para a Família, Carta aos Presidentes das Conferências Episcopais da Europa sobre a resolução do Parlamento Europeu em matéria de cópias homossexuais, 25 de Março de 1994; Família, matrimônio e «  uniões de facto  », 26 de Julho de 2000, n. 23.

(2) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao empenho e comportamento dos católicos na vida política, 24 de Novembro de 2002, n. 4.

(3) Cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n. 48.

(4) Catecismo da Igreja Católica, n. 2357.

(5) Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, 29 de Dezembro de 1975, n. 8.

(6) Cf. por exemplo, S. Policarpo, Carta aos Filipenses, V, 3; S. Justino, Primeira Apologia, 27, 1-4; Atenágoras, Súplica em favor dos cristãos, 34.

(7) Catecismo da Igreja Católica, n. 2358; cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986, n. 10.

(8) Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2359; Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre a cura pastoral das pessoas homossexuais, 1 de Outubro de 1986, n. 12.

(9) Catecismo da Igreja Católica, n. 2358.

(10) Ibid., n. 2396.

(11) Cf. João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 71.

(12) Cf. ibid., n. 72.

(13) Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I-II, q. 95, a. 2.

(14) João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 90.

(15) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução Donum vitae, 22 de Fevereiro de 1987, II. A. 1-3.

(16) Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 63, a. 1, c.

(17) Deve, além disso, ter-se presente que existe sempre «  o perigo de uma legislação, que faça da homossexualidade uma base para garantir direitos, poder vir de facto a encorajar uma pessoa com tendências homossexuais a declarar a sua homossexualidade ou mesmo a procurar um parceiro para tirar proveito das disposições da lei  » (Congregação para a Doutrina da Fé,Algumas Considerações sobre a Resposta a propostas de lei em matéria de não discriminação das pessoas homossexuais, 24 de Julho de 1992, n. 14).

(18) João Paulo II, Carta encíclica Evangelium vitae, 25 de Março de 1995, n. 73.


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