Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 30 de junho de 2012

Non praevalebunt! Apesar dos escândalos.


junho 29, 2012

Mas, de que modo Pedro é a rocha? Como deve realizar esta prerrogativa, que naturalmente não recebeu para si mesmo? A narração do evangelista Mateus começa por nos dizer que o reconhecimento da identidade de Jesus proferido por Simão, em nome dos Doze, não provém «da carne e do sangue», isto é, das suas capacidades humanas, mas de uma revelação especial de Deus Pai. Caso diverso se verifica logo a seguir, quando Jesus prediz a sua paixão, morte e ressurreição; então Simão Pedro reage precisamente com o impeto «da carne e do sangue»: «Começou a repreender o Senhor, dizendo: (…) Isso nunca Te há-de acontecer!» (16, 22). Jesus, por sua vez, replicou-lhe: «Vai-te daqui, Satanás! Tu és para Mim uma ocasião de escândalo…» (16, 23). O discípulo que, por dom de Deus, pode tornar-se uma rocha firme, surge aqui como ele é na sua fraqueza humana: uma pedra na estrada, uma pedra onde se pode tropeçar (em grego, skandalon). Por aqui, se vê claramente a tensão que existe entre o dom que provém do Senhor e as capacidades humanas; e aparece de alguma forma antecipado, nesta cena de Jesus com Simão Pedro, o drama da história do próprio Papado, caracterizada precisamente pela presença conjunta destes dois elementos: graças à luz e força que provêm do Alto, o Papado constitui o fundamento da Igreja peregrina no tempo, mas, ao longo dos séculos assoma também a fraqueza dos homens, que só a abertura à acção de Deus pode transformar.

E no Evangelho de hoje sobressai, forte e clara, a promessa de Jesus: «as portas do inferno», isto é, as forças do mal, «non praevalebunt», não conseguirão levar a melhor. Vem à mente a narração da vocação do profeta Jeremias, a quem o Senhor diz ao confiar-lhe a missão: «Eis que hoje te estabeleço como cidade fortificada, como coluna de ferro e muralha de bronze, diante de todo este país, dos reis de Judá e de seus chefes, dos sacerdotes e do povo da terra. Far-te-ão guerra, mas não hão-de vencer - non praevalebunt -, porque Eu estou contigo para te salvar» (Jr 1, 18-19). Na realidade, a promessa que Jesus faz a Pedro é ainda maior do que as promessas feitas aos profetas antigos: de facto, estes encontravam-se ameaçados por inimigos somente humanos, enquanto Pedro terá de ser defendido das «portas do inferno», do poder destrutivo do mal. Jeremias recebe uma promessa que diz respeito à sua pessoa e ministério profético, enquanto Pedro recebe garantias relativamente ao futuro da Igreja, da nova comunidade fundada por Jesus Cristo e que se prolonga para além da existência pessoal do próprio Pedro, ou seja, por todos os tempos.

Detenhamo-nos agora no símbolo das chaves, de que nos fala o Evangelho. Ecoa nele o oráculo do profeta Isaías a Eliaquim, de quem se diz: «Porei sobre os seus ombros a chave do palácio de David; o que ele abrir, ninguém fechará; o que ele fechar, ninguém abrirá» (Is 22, 22). A chave representa a autoridade sobre a casa de David. Entretanto, no Evangelho, há outra palavra de Jesus, mas dirigida aos escribas e fariseus, censurando-os por terem fechado aos homens o Reino dos Céus (cf. Mt 23, 13). Também este dito nos ajuda a compreender a promessa feita a Pedro: como fiel administrador da mensagem de Cristo, compete-lhe abrir a porta do Reino dos Céus e decidir se alguém será aí acolhido ou rejeitado (cf. Ap 3, 7). As duas imagens – a das chaves e a de ligar e desligar – possuem significado semelhante e reforçam-se mutuamente. A expressão «ligar e desligar» pertencia à linguagem rabínica, aplicando-se tanto no contexto das decisões doutrinais como no do poder disciplinar, ou seja, a faculdade de infligir ou levantar a excomunhão. O paralelismo «na terra (…) nos Céus» assegura que as decisões de Pedro, no exercício desta sua função eclesial, têm valor também diante de Deus.

No capítulo 18 do Evangelho de Mateus, consagrado à vida da comunidade eclesial, encontramos outro dito de Jesus dirigido aos discípulos: «Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu» (Mt 18, 18). E na narração da aparição de Cristo ressuscitado aos Apóstolos na tarde da Páscoa, São João refere esta palavra do Senhor: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos» (Jo 20, 22-23). À luz destes paralelismos, é claro que a autoridade de «desligar e ligar» consiste no poder de perdoar os pecados. E esta graça, que despoja da sua energia as forças do caos e do mal, está no coração do mistério e do ministério da Igreja. A Igreja não é uma comunidade de seres perfeitos, mas de pecadores que se devem reconhecer necessitados do amor de Deus, necessitados de ser purificados através da Cruz de Jesus Cristo. Os ditos de Jesus sobre a autoridade de Pedro e dos Apóstolos deixam transparecer precisamente que o poder de Deus é o amor: o amor que irradia a sua luz a partir do Calvário. Assim podemos compreender também por que motivo, na narração evangélica, à confissão de fé de Pedro se segue imediatamente o primeiro anúncio da paixão: na verdade, foi com a sua própria morte que Jesus venceu as forças do inferno; com o seu sangue, Ele derramou sobre o mundo uma torrente imensa de misericórdia, que irriga, com as suas águas salutares, a humanidade inteira.



 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Cardeal Koch sobre os 500 anos da Revolução Protestante: “Não podemos comemorar um pecado”.




“Os acontecimentos que dividem a Igreja 
não podem ser considerados como um dia de festa”.


Fratres in Unum.com | Com informações da Diocese de Münster e Juanjo Romero - O responsável pelo ecumenismo no Vaticano “chutou o balde”. Em 2017, comemora-se os 500 anos da Reforma Protestante. Comemora-se? Segundo o Cardeal Kurt Koch (foto), Prefeito do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, “não podemos comemorar um pecado”.

Em um ambiente embebido no politicamente correto das últimas décadas, surpreende ouvir um Cardeal — ainda mais o responsável pelo ecumenismo — falando assim, sem papas na língua. Ele sabe disso, e reconhece o risco de ser considerado “anti-ecumênico”. Mas vai adiante: “Os acontecimentos que dividem a Igreja não podem ser considerados como um dia de festa”.

Koch afirmou ainda que desejava assistir, em memória do acontecimento, a uma reunião das confissões reformadas seguindo o exemplo dado por João Paulo II, em 2000, isto é, pedindo desculpas e reconhecendo seus erros, condenando, ao mesmo tempo, as divisões na Cristandade.

A resposta não tardou. A comissionada do Conselho da Igreja Evangélica da Alemanha para o Jubileu de 2017 não quis diálogo nenhum. Esbravejou: “A Reforma Protestante não é nosso pecado, mas uma reforma da Igreja urgente e necessária do ponto de vista bíblico, na qual defendemos a liberdade evangélica; não temos que nos confessar culpáveis de nada”.

Bem, as palavras da filha de Lutero demonstram o que qualquer Católico já sabe. No “caminho ecumênico” só há uma culpada, a Santa Igreja Católica, e só a Ela são feitas exigências.


 

sábado, 23 de junho de 2012

Homenagem à São João Batista




Concepção de São João Batista

Vox clamantis in deserto.
Isaias cap. XL.

Eri enim magnus coram Domino.
Evang. sec. Luc. Cap. I.

Isaías tinha anunciado o Precursor do Messias, e na visão do futuro tinha clamado: “Consolai, consolai o Meu povo, disse o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e chamai-a: a sua malícia está acabada, a sua iniquidade foi expiada; já recebeu das mãos do Senhor o dobro por todas as culpas”.

E, subindo mais alto ainda no seu entusiasmo, acrescentará: “Eis a voz do que clama no deserto; aparelhai o caminho do Senhor: endereçai no ermo as veredas do nosso Deus. Os vales serão levantados: os montes e outeiros serão abatidos... e as asperezas ficarão planas!”

“A glória de Deus será manifestada”[1] A época veio, e a promessa cumpriu-se.

Havia entre os Judeus um sacerdote chamado Zacarias, da família de Abia, uma das vinte e quatro, em que Davi distribuiu os ministros da lei e os sacrificadores. Isabel, sua mulher, descendia da raça de Arão. Conformes, ambos, com os Mandamentos de Deus, viviam, guardando os seus Preceitos.

Já adiantado em anos, e, abundantes dos bens da terra, para completa ventura da sua velhice, só lhes faltava a doce consolação de abençoarem um filho, desejado fruto do mais ditoso enlace.

Apesar da mágoa causada pela nódoa da esterilidade, Isabel, elevando o espírito ao Senhor, não abria a boca aos queixumes. Consumia as tristezas consigo, e não cessava de pedir Àquele, que a um aceno do Seu braço onipotente fizera de Sara infecunda a mãe de uma geração numerosa, como as estrelas do céu e as areias do mar.

Desde que foram instituídas, as famílias sacerdotais serviam no Templo aos turnos; os diferentes ministros do culto eram tirados à sorte: e cada Levita desempenhava as funções, que ela designava.

Sucedeu cair, então, a sorte em Zacarias, e encarregá-lo da oferta do incenso no altar dos perfumes, durante a festa dos Tabernáculos. Um véu corrido dividia o altar do santuário sacratíssimo, vedado a todos, menos ao Sumo Pontífice, o qual entrava só uma vez por ano, cobrindo o rosto diante da Majestade de Deus.


Já o fumo subia com fragrância, já o povo, ajoelhado no vestíbulo, erguia as suas orações ao céu[2], quando Zacarias, no momento de oferecer os aromas vê, de repente, o Anjo do Senhor ao lado do altar. Turvou-se o ancião; o temor e o respeito tolheram-lhe os membros. “Não receies, Zacarias (disse o enviado celeste), a tua súplica foi ouvida. Isabel, tua mulher, dará à luz um menino, que chamarás João, e nele terás o regozijo da tua alma. Muitos se hão de alegrar com o seu nascimento, porque será grande aos Olhos do Senhor. Não beberá vinho, nem licor, que possa embriagar, e já no ventre de sua mãe estará cheio do Espírito Santo. Converterá ao seu Deus muitos dos filhos de Israel e virá adiante Dele no espírito e virtude de Elias, para unir os corações dos pais aos filhos, reduzir os incrédulos à prudência dos justos, e preparar ao Senhor um povo perfeito”.

Duvidando Zacarias, respondeu ao Anjo:

-        “Por onde conhecerei que é certo, sendo eu velho, e minha mulher idosa?”

O Anjo redarguiu:

-        “Sou Gabriel, e assisto na presença de Deus. Fui enviado para te dar a boa nova. Em castigo de não creres nas minhas palavras, que a seu tempo hão de cumprir-se, desde aqui ficarás mudo, não recobrando a fala senão no dia em que sucederem as coisas que revelei”

Desapareceu o Anjo, e ainda ele falava, já o sacerdote sentia os efeitos da sua admoestação. Entretanto, o povo, lá fora, esperava por Zacarias, maravilhado da demora. A final, quando saiu, rodearam-no, apertando-o com perguntas; mas vendo que não podia responder, entenderam, que tivera alguma visão no Templo, o que ele próprio confirmava por gestos e sinais[3].

Acabados os dias do seu turno, recolheu-se o sacerdote a casa e pouco depois concebeu Isabel; mas no auge do seu jubilo ocultava-se, dizendo: “É a graça do Senhor, no dia em que se dignou pôr termo ao meu opróbrio”; e persistiu no segredo cinco meses, até serem evidentes os indícios da gravidez. Desde que não admitiram dúvida, a esposa de Zacarias tornou a apresentar-se com espanto e admiração de muitos, que não compreendiam como em tão avançados anos houvesse alcançado de Deus a bênção, que a fizera mãe.


Nascimento de São João Batista

Et postulans pugilarem scripsit, dicens:
Joannes est nomen ejus. Et mirati sunt universi.
Evang. sec. Luc. cap. I

Chegada ao termo da gravidez, deu Isabel à luz um filho, e os vizinhos e parentes vieram regozijar-se com ela, acompanhando-a nos louvores com que não cessava de exaltar a Deus.

Ao oitavo dia vieram todos outra vez para assistirem à circuncisão do menino, e depois dela, segundo o uso, quiseram pôr-lhe o nome, e davam-lhe o de seu pai; mas, Isabel acudiu logo e recusou, dizendo: “Chamar-se-á João!”

Insistiam eles observando, que em toda a sua linhagem não existia um só daquele nome; mas, desenganados de não a poderem persuadir, voltaram-se para Zacarias, fizeram-lhe sinal para que decidisse. Então este pedindo as suas memórias escreveu: “João é o seu nome”.

E, repentinamente, desprendeu-se-lhe a língua, e levantando a voz bendisse o Senhor.

Quantos presenciaram tantas maravilhas, e quantos as ouviram referir, ficaram tomados de espanto: e uns e outros clamavam: “Quem julgais que virá a ser este menino?”

Ao uso da palavra Zacarias juntou ali o dom da profecia. Inspirado do Espírito Santo, abriu os lábios para  revelar os prodígios futuros; e o cântico, que encerra a promessa do Evangelho, e a pintura da Igreja nos seus dias gloriosos, desatou-se da sua boca:


“Bendito seja o Senhor Deus de Israel, que visitou e remiu o seu povo, e nos suscitou um Salvador poderoso na casa de Davi, seu servo, pois nos tinha prometido pela boca dos Profetas, nos passados séculos, que nos livraria de nossos inimigos e da mão de todos os que nos aborrecem, para favorecer a nossos pais, e se lembrar do seu santo pacto, e do juramento feito a Abraão, para que, livres de opressores, o sirvamos sem temor em santidade e justiça por todos os dias da nossa vida”. E iluminado pela luz da visão divina, voltando-se para seu filho, acrescentou: “E tu, menino, profeta do Altíssimo serás chamado, porque irás diante da face do Senhor a aparelhar os seus caminhos, para dar conhecimento da salvação ao seu povo em remissão dos pecados, e não por merecimento nosso virá este bem, mas pelas entranhas da misericórdia de Deus, que fez que do alto nos visitasse este sol no Oriente para iluminar os que viam nas trevas e na sombra da morte, e para dirigir os nossos passos no caminho da paz!”

O Messias representado nesta figura sublime não é o conquistador e o guerreiro onipotente, que os Fariseus esperavam, mas sim o Salvador pacífico e o Cordeiro imaculado, vindo para remir as culpas, e pagar o peso delas com o Sangue do maior sacrifício.

À antiga sucede a nova época! As trevas, que vestiam de escuridão a sociedade velha rasgam-se; e a claridade do novo astro ilumina a terra e aponta o céu. A Religião do Amor substitui as falsas seitas e os terrores; e o homem, que dante morava na sombra da morte, vê no mundo o seu desterro, e pela imortalidade vê no paraíso a verdadeira pátria.

Eis a ideia, que Zacarias nos dá do reinado do Messias; e depois a vida de Cristo, a Sua Doutrina, e a pregação dos Apóstolos não fizeram senão confirmá-la.

Os locais, onde tantas maravilhas sucederam não podiam deixar de ser assinalados pela devoção desde os primeiros tempos. As duas casas de Zacarias, tanto a que viu o nascimento do Precursor, como a que ouviu as saudações de Isabel e de Maria na Visitação, foram convertidas em santuários. Situadas a curta distância, de modo que do alto de uma se descobre a outra, ambas foram preferidas por solitários desenganados das vaidades terrenas para refúgio das tempestades humanas, e teatro de oração e penitência.

O convento de São João, colocado na coroa de uma subida, e rodeado de montes, abriga hoje dentro dos seus muros o lugar venerado, em que veio ao mundo àquele que foi aurora do saudável dia da nova era. O santuário não está no pavimento da igreja; é necessário descer doze degraus para baixo da terra, e entrar em uma capela lajeada de finos mármores. Dentro está um altar preciosamente adornado, e debaixo dele venera-se o lugar da natividade do Batista, designado por uma estrela de pedra, que sempre iluminam seis lâmpadas de prata[4].

Daqui à residência de campo, onde a Virgem Maria foi recebida por Isabel, o caminho é breve, saindo-se por uma vereda orlada de oliveiras frondosas. Logo, a dois tiros de espingarda adiante está a fonte de Nephtoa, correndo por três canais de lavor antigo; e depois de subida uma encosta íngreme, nas faldas de uma dilatada montanha, acha-se sobre um outeiro, o lugar em que passou a bela cena da Visitação. Ainda no tempo do Fr. Pantaleão d'Aveiro, em memória do soberbo Mosteiro de Religiosas ali edificado, restavam neste cabeço as paredes da igreja e a capela mor inteira, com pinturas de boa mão.

Ao santuário desce-se por uma escada de vinte degraus até uma casa debaixo da terra da grandeza de razoável capela, com seu altar de pedra ao nascente. Aí, quer a tradição, que fosse o encontro da esposa de Zacarias com sua Prima, e o lugar em que a Senhora entoou o formoso cântico do “Magnificat”[5]. Pareceu útil dar esta leve ideia do lugar, e sempre que o assunto o exigir seguiremos a mesma regra, descrevendo os pontos notáveis pelos fatos que recordam. Alivia-se mais assim a severidade à narração, e une-se de algum modo o agrado curioso de uma viagem rápida pelos lugares mais estimados dos leitores.


Infância de São João Batista

Et erat in desertis usque
in idem ostentionis suae ad Israel.
Evang. Sec. Luc. cap. I.

A mão do Senhor estava com o filho de Zacarias desde menino[6]; e à proporção que ia crescendo, fortificava-se na virtude. Em todas as ações mostrava que fora eleito por Deus para ser a voz das Suas maravilhas.

A idade em que se acolheu ao deserto não é conhecida; mas, foi sempre opinião unânime da Igreja, que ele o habitou desde os mais tenros anos. Dotado do uso da razão já no ventre de sua mãe, o Espírito de Deus assistia nele, O servia-lhe de guia, preparando-O para a missão sublime a que era destinado. Os exemplos de austeridade e os exercícios de penitência a que se entregava, longe dos homens, devem servir de lição aos varões apostólicos, para adquirirem a força de se vencerem a si, e de chamarem ao caminho do céu os que mais se desviam dele, correndo pelas veredas do vício e das paixões!

O deserto, a que João se retirou desde a infância, é triste e espantoso, asseguram alguns dos que o visitaram. Entre as rochas e penedos, de que está coberto, houve antigamente um mosteiro, feitas as celas como ninhos de gaviões e andorinhas, ajudados de alguma indústria humana.

Mostra-se uma casa pequena, ou antes, gruta, aberta na rocha viva, com um leito de pedra, à feição de poial, aonde se diz que dormia o Santo. Por duas frestas, rasgadas, uma ao sul, outra ao poente, entra a luz. A porta fica igual com o teto. Cinco à seis passos ao lado no mesmo penedo, nasce uma fonte pequena, que de fora não dá mais sinal de si do que sentirem-se as gotas de água caindo, e ver-se o lugar todo cheio de umidade. Contemplando o lugar, dir-se-ia que de propósito fora disposto pela natureza para a vida angélica do Precursor. Ao redondo, vão grandes matas de alcaparras, e para baixo segue o rochedo muitas vezes quase a prumo; o vale angustiado entre duas ásperas montanhas, que se lhe abre aos pés, é tão medonho e escuro, que faz tristeza só olhar para ele e para o sombrio e vasto arvoredo, que o veste[7].

Um viajante moderno não pinta, porém, os locais com tão severas tintas; e tendo visto pelos seus olhos o que descreve, merece-nos o conceito de verdadeiro e de bom observador. No quadro, que nos traça, o deserto de São João não é a penedia árida, e a floresta povoada de feras e de aves de rapina, que alguns autores representaram. O ermo, aonde se criou a infância e robusteceu a juventude do filho de Zacarias, encerra uma dessas deleitosas solidões, que a alma deseja muitas vezes para descansar do mundo, e viver consigo[8]. Há em volta dela vales enfeitados de arbustos e de flores, searas de trigo, e uma vegetação viva e suave, que atrai, e parece separar-nos das regiões assoladas pela maldição de Deus. A alfarrobeira cresce com frequência nestes lugares. A gruta a que se recolhia São João é um rochedo côncavo, suspensa na encosta de um outeiro elevado. Acima da gruta jazem as ruínas de uma igreja. Ao lado corre a fonte onde o filho de Zacarias apagava a sede.


O ermo, em todo ele, não contém a menor cabana, nem o mais leve indício de habitação. As aves do céu, os rouxinóis, as cotovias, e os pardais, são os únicos moradores da selva, os que a atravessam com os seus voos, e a animam com as suas vozes. No resto a solidão mais completa!

Por estes lugares cheios de silêncio é que o Precursor passava coberto de uma pele de camelo presa numa correia do couro, colhendo o mel silvestre e os gafanhotos, de que se  nutria. E ainda hoje o caminhante, em presença da profunda paz desta paisagem santa, afiando os ouvidos para subitamente, parecendo-lhe que no meio dos trinados dos pássaros, escuta aquela austera voz do deserto, que a dezenove séculos dizia às gerações corrompidas do mundo velho: “Aparelhai o caminho do Senhor; endireitai no ermo as veredas do nosso Deus!”

Desde a infância, João cumpriu à letra a palavra do profeta quando disse que se veriam os meninos brincando com as serpentes. Destinados a admirarem o Salvador do mundo, os seus olhos afastaram-se de tudo o mais, reputando-o menos digno. As entranhas dos desertos foi respirar ares livres da podridão do século e das cidades, procurando morada áspera, mas aberta, donde pudesse contemplar o céu a todas as honras, adorar a Deus, e contando com a vista os exércitos de estrelas, que brilham durante a noite, considerar na grandeza do Criador, e na baixeza da criatura.

Enquanto não chegava a hora de anunciar o reinado do Messias, e de padecer pela verdade, buscou este refúgio, para conversar com os Anjos, e ouvir sem pavor a voz de Deus, quando o chamasse como a Moisés, dizendo: “Estou aqui!”

Um dos Santos Padres mais antigos e veneráveis, São Pedro Alexandrino, assegura como coisa aceita geralmente, que João Batista se refugiara no deserto para escapar à barbaridade de Herodes, que não contente de buscar a Jesus, menino, para lhe dar a morte, queria também descarregar a espada sobre o Precursor; e acrescenta, que iludido na sua crueldade pela fuga do Batista com sua mãe, o tirano se vingara em Zacarias, que mandou assassinar entre o Templo e o altar dos holocaustos. Cristo, repreendendo a dureza dos Hebreus, cita de feito um Zacarias como o último dos justos sacrificados; e ainda no quinto século a piedade dos fiéis no lugar do Templo, aonde a Tradição aponta o crime, mostrava algumas pedras, no pavimento, vermelhas com a indelével nódoa do sangue!

Seguindo o preceito do Anjo, que o anunciara, João nunca bebeu vinho, nem provou licor espirituoso, excedendo na mortificação dos apetites os rigores impostos aos Nazarenos. O mesmo pão lhe parecia regalo demasiado.

Para comover os Judeus endurecidos, pôs-lhes o Senhor diante dos olhos o exemplo de uma vida superior a todas as fraquezas da terra, para que, ensinada por esta voz do deserto, a verdade penetrasse melhor no coração do século, recordando a grande imagem do profeta Elias.

Antes do Messias, que vinha trazer a paz e a esperança ao mundo novo, era preciso que a penitência encerrasse as portas do mundo velho, e que o mais santo depois de Cristo e da Virgem, sua Mãe, aparelhasse o caminho, e chamasse os homens transviados!


Fonte: Obras Completas de Luiz Augusto Rebello da Silva, Escritos Religiosos I – “Fastos da Igreja” – Vida de Jesus Cristo, Vol. II, pp. 23-26; 33-36; 37-41; Sociedade Editora: Livraria Moderna - Typographia, Lisboa, 1907. 



[1]   Isaías, cap. 40, v. 1 a 4. Damos o sentido, e não a tradução literal.
[2]   O povo orava no vestíbulo do Templo. Dentro, na parte em que estava o altar dos perfumes, só entravam os sacerdotes (Êxodo, cap. 30, v. 7; Levítico, cap. 16, v. 17).
[3]   Evangelho de S. Lucas, cap. 1. Seguimos, mas não copiamos, o Texto Sagrado. No que não implica omissão ou erro de doutrina, reservamo-nos o direito de expôr também as tradições autorizadas, desenhando os personagens e as localidades pela descrição dos viajantes, e segundo os retratos dos historiadores.
[4]   Fr. Antônio do Sacramento – Viagem à Jerusalém, II Parte.
[5]   Fr. Pantaleão d'Aveiro – Itinerário  da Terra Santa, cap. 56. – Frei Antônio do Sacramento – Viagem à Jerusalém, II Parte.
[6]   S. Lucas, cap. 1, v. 66.
[7]   Fr. Pantaleão d'Aveiro – Itinerário da Terra Santa, cap. 56.
[8]   Poujoulat – Correspondência do Oriente, Tomo 4, carta 96.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um estudo revela que pessoas criadas por gays têm mais problemas






WASHINGTON DC, 14 Jun. 12 / 03:49 pm (ACI/EWTN Noticias)



O estudo de um perito da Universidade do Texas (Estados Unidos) demonstrou que as crianças criadas por casais homossexuais enfrentam maiores dificuldades quando se tornam adultos, que aqueles criados por uma família estável constituída por um homem e uma mulher.

O autor do trabalho científico, Mark Regnerus, disse ao grupo ACI, no dia 12 de junho, que a sua pesquisa revela "diferenças estatísticas significativas entre adultos que foram criados na sua infância com uma mãe que teve uma relação homossexual e aqueles que disseram que sua mãe e seu pai biológico estavam, e ainda estão, casados".

O estudo do Regnerus, que mediu as diferenças em 40 indicadores sociais e pessoais entre 3.000 americanos de idades entre 18 e 39 anos, criados em oito tipos diferentes de lares, foi publicado na edição de julho da revista Social Science Research.

De acordo com o documento, as crianças criadas em lares homossexuais têm em média níveis mais baixos de ingressos econômicos quando são adultos, e padecem mais problemas de saúde física e mental, assim como maior instabilidade em suas relações de casal.

O estudo revelou que os menores criados neste tipo de ambiente mostraram maiores níveis de desemprego, tabaquismo, necessidade de assistência pública e participação em crimes. Para Regnerus, a instabilidade no lar é "uma marca" entre os lares cujos pais estiveram envolvidos em relações sentimentais homossexuais, já seja que esses lares estivessem "dirigidos por uma mãe ou um pai".

As descobertas do cientista americano desafiam, entre outros, à informação difundida em 2005 pela Associação Americana de Psicologia, que assegurou que "nenhum estudo descobriu que crianças de pais gays ou lésbicas sejam desfavorecidos em nenhum aspecto significativo com respeito a crianças de pais heterossexuais".

Segundo Regnerus, alguns destes influentes estudos foram feitos em poucas ou não representativas mostras de população, enfocando-se em casais homossexuais brancos, com alto nível de educação, para obter conclusões gerais sobre paternidade homossexual. "A maioria das conclusões sobre paternidade homossexual foram obtidas de pequenas e convenientes mostras e ao azar", disse Regnerus num comunicado publicado pela Universidade do Texas, no dia 11 de junho.

Regnerus disse que "os resultados desse enfoque levaram frequentemente aos estudiosos da família a concluir que não há diferenças entre crianças criadas em lares homossexuais e aquelas criadas em outros tipos de famílias. Mas esses estudos anteriores esconderam inadvertidamente a real diversidade entre as experiências de pais gays e lésbicas nos Estados Unidos".

O pesquisador disse ao grupo ACI que ele enfocou o projeto "sem ter ideia sobre as coisas que revelariam os dados".

Sobre a análise, Regnerus disse que "revelou uma instabilidade muito maior nos lares com pais que tiveram relações homossexuais".

Ao anunciar seu estudo, no último dia 10 de junho, Regnerus disse que a sua descoberta mais significativa "é, sem dúvida, que as crianças se mostram mais aptas para ter êxito como adultos quando passam sua infância completa com o pai e a mãe casados, e especialmente quando seus pais permanecem casados até a atualidade".

O sociólogo reconheceu que seu estudo já agitou uma "intensa e frequente" crítica, que ele considera como "desproporcionada em relação às limitações do estudo".

O documento foi atacado pelo Family Equality Council, Human Rights Campaign, Freedom to Marry, e a Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação.

Regnerus descreveu o ataque como "desafortunado" que seu próprio estudo "é de alta qualidade e está sendo difamado".

O perito assinalou finalmente que seus resultados devem simplesmente sujeitar-se às normas da "ciência normal", que "exibe desacordos entre os pesquisadores a respeito de como medir isto ou aquilo".

http://www.acidigital.com/noticia.php?id=23759

“Mais uma vez a questão do Aborto” – Nota Pastoral de Dom Antonio Rossi Keller.


DOM ANTONIO CARLOS ROSSI KELLER
PELA GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
BISPO DE FREDERICO WESTPHALEN (RS)

Nota Pastoral
 “Mais uma vez a questão do aborto”
junho 18, 2012
“Aquele, portanto, que violar um só desses menores mandamentos e ensinar os homens a fazerem o mesmo, será chamado o menor no Reino dos Céus. Aquele, porém, que os praticar e os ensinar, esse será chamado grande no Reino dos Céus.” (São Mateus 5,19) Caros Diocesanos de Frederico Westphalen, irmãos e irmãs que compreendem o valor da vida humana.

Mais uma vez o Bispo Diocesano sente-se no dever, derivado de seu Ministério Episcopal, de vir a público e manifestar-se em relação ao tema do aborto. Mais especificamente, às veladas e covardes ações levadas a cabo por autoridades, que deveriam zelar pela defesa da vida, mas que “na calada da noite” estão empenhadas em implantar a prática do aborto em nossa Pátria, passando por cima da vontade da grande maioria da população que é contrária a esta prática.

Poucos dias atrás, os jornais “Folha de São Paulo”, “O Estado de São Paulo” e “Correio Brasiliense”, traziam, em suas primeiras páginas, notícias de ações que visam, na prática a implantação do aborto no país.

Somente a título de exemplo, para justificar esta preocupação em relação à introdução velada da prática do aborto, cito, em primeiro lugar “A Folha de São Paulo”. Em reportagem de capa afirmava que, segundo o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães: O SISTEMA DE SAÚDE BRASILEIRO PASSARÁ A ACOLHER AS MULHERES QUE DESEJAM FAZER ABORTO E ORIENTÁ-LAS SOBRE COMO USAR CORRETAMENTE OS MÉTODOS EXISTENTES PARA ABORTAR. CENTROS DE ACONSELHAMENTO INDICARÃO QUAIS SÃO, EM CADA CASO, OS MÉTODOS ABORTIVOS MAIS SEGUROS DO QUE OUTROS.

A Folha afirmava ainda que o modelo será copiado do Uruguai, que o adota desde o ano de 2004.

A PROPOSTA, diz a FOLHA, FOI ABORDADA NA ÚLTIMA SEMANA DE MAIO PELA MINISTRA ELEONORA MENICUCCI, QUE AFIRMOU ‘SOMENTE SER CRIME PRATICAR O PRÓPRIO ABORTO, MAS QUE O GOVERNO ENTENDE QUE NÃO É CRIME ORIENTAR UMA MULHER SOBRE COMO PRATICAR O ABORTO’.

Depois de orientada sobre como praticar o aborto, uma vez consumado o delito, a mulher passaria por uma nova consulta para evitar maiores conseqüências pós aborto. Ainda segundo a Folha, PARA OS QUE DESENVOLVERAM A POLÍTICA, ELA NÃO SÓ É UMA ATITUDE LEGAL, COMO É ÉTICA E DE DIREITO HUMANO BÁSICO.

É preciso recordar que a matéria veiculada pela “Folha de São Paulo” traz dados inverídicos em relação aos números do aborto do Brasil. A “Folha” acolhe os números do governo, que afirma que há mais de um milhão de abortos por ano, no Brasil. Os números reais são bem outros. Hoje, no Brasil, acontecem cerca de cem mil abortos por ano, e este número está diminuindo pouco a pouco. Isto é o que pode se concluir dos próprios dados do Ministério da Saúde, que mostram que o número de internações por aborto no Brasil, nos últimos quatro anos, está diminuindo à taxa de 12% ao ano, todos os anos. Na matéria veiculada pelo jornal paulistano, não são apresentados os números reais, por exemplo, das internações por razões de aborto. Ao afirmar que são cerca de duzentas mil as internações por causa do aborto, o jornal não leva em consideração que destas duzentas mil, cerca de cinquenta mil são por causa do aborto provocado. As outras cento e cinquenta mil são devidas ao aborto espontâneo. Ou seja, há um propósito do governo, secundado pela “Folha de São Paulo” em inflar os números do aborto…

Há uma “Pesquisa Nacional do Aborto”, levada a cabo pela Universidade de Brasília em conjunto com a ANIS, que revela números mais reais: No Brasil, de cada duas mulheres que provocam o aborto, uma é internada. Portanto, se há cinquenta mil internações por ano por aborto provocado, isto significa que são realizados cem mil abortos por ano e não o milhão e meio de abortos provocados, números estes anunciados pelas autoridades.

A realidade mostra não só que os números dos que são contrários ao aborto, entre a população brasileira, estão aumentando. Mas que também as brasileiras estão abortando cada vez menos, no Brasil. Esta é a realidade dos números.

A Matéria de “O Estado de São Paulo”, por sua vez, trata da elaboração, por parte do Ministério da Saúde e de um “grupo de especialistas” de uma “cartilha” que tem como finalidade orientar as mulheres que desejam abortar. “A INTENÇÃO É FECHARMOS O MATERIAL DE ORIENTAÇÃO EM, NO MÁXIMO, UM MÊS”, AFIRMOU O COORDENADOR DO GRUPO DE ESTUDOS SOBRE O ABORTO DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA (SBPC), THOMAZ GOLLOP. O FORMATO FINAL DO PROGRAMA SERÁ DEFINIDO PELO MINISTÉRIO. A CARTILHA CONTERIA, POR EXEMPLO, INFORMAÇÕES PARA MULHER ESCOLHER O LUGAR DO PROCEDIMENTO”.

Já o “Correio Brasiliense” noticiava que ao longo do mês de junho uma comissão de trabalho se reunirá com os técnicos do Ministério da Saúde para formular uma norma técnica que servirá de base para um programa de aconselhamento para mulheres com gravidez indesejada. Além disso, o Correio informa que o Ministério da Saúde tem a intenção de liberar a venda de remédios abortivos, hoje de uso reservado à rede hospitalar. Desta maneira, os médicos poderão orientar as mulheres sobre como praticar o aborto seguro e os medicamentos necessários estarão nas farmácias amplamente disponíveis para o público.

Interessante que no decorrer de poucos dias, aparece como que uma onda gigantesca em setores do atual governo a favor, em última instância, do aborto, veiculada por grandes e importantes jornais do país.

Muito mais interessante e importante, seria recordar o compromisso que a atual presidente da República assinou, no dia 16 de outubro de 2010, durante a campanha eleitoral, declarando que: “SOU PESSOALMENTE CONTRA O ABORTO E DEFENDO A MANUTENÇÃO DA LEGISLAÇÃO ATUAL SOBRE O ASSUNTO. ELEITA PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NÃO TOMAREI A INICIATIVA DE PROPOR ALTERAÇÕES DE PONTOS QUE TRATEM DA LEGISLAÇÃO DO ABORTO E DE OUTROS TEMAS CONCERNENTES À FAMÍLIA E À LIVRE EXPRESSÃO DE QUALQUER RELIGIÃO NO PAÍS. [...] COM ESTES ESCLARECIMENTOS, ESPERO CONTAR COM VOCÊ PARA DETER A SÓRDIDA CAMPANHA DE CALÚNIAS CONTRA MIM ORQUESTRADA”.

Assim, apesar de todas as negativas e desculpas, o que se vê, concretamente, é um encaminhamento por baixo dos panos de medidas que visam pura e simplesmente, a prática livre do aborto, já que o grupo que está elaborando, junto com o Ministério da Saúde a nova Norma Técnica que pretende criar em todo o país centros de orientação sobre o aborto, liberalizar a venda de drogas abortivas na rede nacional de farmácias e difundir uma cartilha que ensine as mulheres como e onde praticarem o aborto é exatamente o mesmo Grupo de Estudos sobre o Aborto, coordenado pelo mesmo médico Thomas Gollop, cujo convênio com o Ministério da Saúde estava sendo contratado pelo governo enquanto a atual presidente, na época candidata garantia que jamais promoveria o aborto no Brasil.

Ou seja, hoje, em nossa Pátria está acontecendo na prática um verdadeiro ataque que visa obter à revelia da atual legislação e da imensa maioria do povo brasileiro, a pura e simples liberalização do aborto. Há anos nosso país vem sendo alvo destes ataques, já que há muito dinheiro investido por organizações estrangeiras para obter, por razões ideológicas e de cunho geopolítico, a pura e simples liberalização do aborto no Brasil e demais países da América Latina.

É preciso reagir a esta sanha abortista, que navega de velas soltas, alimentada por interesses desumanos, e que contraria o desejo da imensa maioria do povo brasileiro. Calar-se, fingir que o problema não existe e desvincular-se de uma ação de reação a esta sanha, é covardia e traição aos princípios mais elementares da fé cristã que professamos.

Escrevo esta “Nota Pastoral” ainda sob o efeito da tristeza pelo falecimento de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, Bispo Emérito de Guarulhos (SP), um digno e combativo Bispo da Santa Igreja Católica, que enfrentou com coragem e destemor até mesmo perseguições e calúnias, por sua intransigente defesa da vida.

Há dias, do leito do hospital, Dom Bergonzini escrevia: “Se Ele determinar que eu continue por aqui, todos daremos as mãos e seguraremos nas mãos de Deus para, juntos, combatermos as iniquidades e propagarmos o Evangelho por todos os telhados… e por todos os meios existentes”.

Deus determinou outra coisa, e este seu servo certamente já goza da visão beatífica. Sua dedicação em defesa da vida deve servir-nos de alento neste combate exigente.

Sabedores de que o aborto é um pecado gravíssimo contra Deus e contra a humanidade, venho apresentar algumas indicações práticas, no sentido de que se busque reagir contra esta imposição por parte das autoridades que deveriam cuidar e promover a vida. É preciso frear estes ataques à vida humana. Tais indicações são oferecidas pela Comissão de Defesa da Vida, do regional Sul 1 da CNBB (São Paulo) e enquadram-se no direito que todos nós, católicos temos, como cidadãos deste país, em nos manifestar.

 1. Telefonar, enviar fax e mensagens ao Ministério da Saúde e à Casa Civil da Presidência, mostrando com clareza, ao Ministério da Saúde e à Casa Civil da Presidência que o povo brasileiro compreende exatamente o que nosso governo está fazendo e não está de acordo com a implantação do aborto no país.

2. Pedir em seguida (e isto é importante, já que são aqueles que estão à frente destas ações de violência à vida):

(A) A DEMISSÃO IMEDIATA DA MINISTRA ELEONORA MENICUCCI DA SECRETARIA DAS MULHERES.

(B) A DEMISSÃO IMEDIATA DO SECRETÁRIO DE ATENÇÃO À SAÚDE DO MINISTÉRIO DA SAÚDE, HELVÉCIO MAGALHÃES.

(C) O ROMPIMENTO IMEDIATO DOS CONVÊNIOS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE COM O GRUPO DE ESTUDO E PESQUISA SOBRE O ABORTO NO BRASIL.

Os contatos para estas manifestações são os seguintes:

- CASA CIVIL DA PRESIDÊNCIA: GLEISI HELENA HOFFMANN, MINISTRA-CHEFE DA CASA CIVIL.

TELEFONES: (61) 3411-1573, 3411-1935, 3411-5866, 3411-1034
FAX: (61) 3321-1461, 3322-3850

- MINISTÉRIO DA SAÚDE: ALEXANDRE PADILHA , MINISTRO DA SAÚDE.

TELEFONES: (61) 3315-2392, (61)3315-2393, (61) 3315-2788, (61) 3315-9260, (61) 3315-9262
FAXES: (61) 3224-8747, (61) 3315-2680, (61) 3315-2816

- SECRETÁRIO DE ATENÇÃO À SAÚDE: HELVÉCIO MIRANDA MAGALHÃES.

TELEFONES: (61) 3315-2626 3315-2133
FAX: (61) 3225-0054


Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, abençoe nossa Pátria e nos livre da praga do Aborto.


Frederico Westphalen, 13 de junho de 2012.
Festa Litúrgica de Santo Antonio
Padroeiro da Catedral Diocesana
+ Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen





segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Escudo do Sagrado Coração de Jesus





Uma devoção mais atual e necessária do que nunca para a efetiva obtenção do que há  mais de 2000 anos todos os verdadeiros cristãos vêm pedindo, quando rezam: “Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa Vontade, assim na Terra como no Céu”.


“Eis aqui o Coração que tanto amou os homens,
que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se,
para testemunhar-lhes seu amor; e, por reconhecimento,
não recebe da maior parte deles senão ingratidões”

Se hoje Nosso Senhor Jesus Cristo voltasse à Terra, poderia ser novamente crucificado! Por quê? Por que tanta maldade contra Aquele a Quem devemos nossa salvação? Contra Aquele que se ofereceu como vítima para redimir os pecados dos homens? Contra Alguém que só deseja o nosso bem?

Para responder tudo numa só frase: a espantosa ingratidão dos homens.

Ingratidão que, devido aos nossos pecados, à dureza de nossos corações, impede-nos de corresponder ao amor do Divino Redentor, que ofereceu sua vida por nós.  Que nos impede sermos gratos, amando sobre todas as coisas Aquele que  tanta dileção teve pelos homens e por eles foi tão pouco amado.

Devido a essa incorrespondência da humanidade a seu Criador, ela se encontra atualmente submersa numa corrupção moral generalizada e sem precedentes.

Mas abandonaria a Providência Divina os homens, deixando-os entregues a si mesmos, afundados em sua impiedade e depravações?

Não. Apesar de todas as ofensas contra Aquele que morreu por nós, a inesgotável misericórdia de Deus jamais abandona os homens, mesmo quando envia seus justos e imprescindíveis castigos. Ela nunca deixa de dispensar abundantes graças, incitando os homens ao arrependimento. Mas é necessário reparar o pecado cometido, retornar à observância dos Mandamentos, e, mediante a conversão, alcançar o perdão e as graças tão necessárias para uma vida virtuosa e a salvação eterna.

Para isso, sem dúvida, uma das maiores graças é a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Desse adorável Coração, transpassado pela lança de Longinus, jorrou sangue e água no alto do Calvário, para nos salvar (cfr. Jo 19,34). Desse adorável Coração, ainda em nossos dias, e apesar de nossas ingratidões, tibiezas e desprezos, as graças jorram abundantes para todos aqueles que sinceramente as desejem. Basta que as peçamos com toda confiança.

“Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rom 5,20)

 


Vitral representando a aparição de Nosso Senhor
a Santa Margarida Maria Alacoque em 1675

Ainda atualmente ecoam as sublimes palavras de 328 anos atrás. Palavras que soam num timbre divino, como vindas da eternidade, pronunciadas entretanto no recolhimento de um humilde convento, mas que atravessam os séculos. Foram dirigidas a uma privilegiadíssima freira do convento da Visitação de Santa Maria, em Paray-le-Monial (Borgonha, França). Trata-se de Santa Margarida Maria Alacoque (1647 – 1690). [Veja quadro à pág. 4]

Estava ela rezando diante do Santíssimo Sacramento, a 16 de junho de 1675, quando Nosso Senhor lhe aparece. Depois de um breve diálogo, Ele aponta para seu próprio Coração e diz:

“Eis aqui o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-se e consumir-se, para testemunhar-lhes seu amor; e, por reconhecimento, não recebe da maior parte deles senão ingratidões, por suas irreverências, sacrilégios e pelas indiferenças e desprezos que têm por Mim no Sacramento do amor. Mas o que Me é ainda mais penoso é que corações que Me são consagrados agem assim.

“Por isso, Eu te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar meu Coração, comungando-se neste dia e fazendo-Lhe um ato de reparação, em satisfação das ofensas recebidas durante o tempo que estive exposto nos altares. Eu te prometo também que meu Coração se dilatará para distribuir com abundância as influências de seu divino amor sobre aqueles que Lhe prestem culto e que procurem que Lhe seja prestado”1.

“O Sagrado Coração será a salvação do mundo”



O Beato Pio IX concedeu aprovação definitiva à devoção do Detente,dizendo: “Vou benzer este Coração, e quero que todos aqueles que forem feitos segundo este modelo recebam esta mesma bênção”.

Entretanto, apesar do pungente dessa revelação — bem como das demais promessas de Paray-le-Monial —, hoje ela caiu no esquecimento. Não podemos permanecer ingratos e indiferentes diante dessa suprema manifestação de bondade e amor. Temos uma premente necessidade de desagravar o Sagrado Coração de Jesus, atender seu pedido e difundir seu culto. Nossa reparação atrairá a misericórdia de Deus e as abundantes graças indispensáveis para a salvação da humanidade, tão distanciada dos preceitos divinos.

“A Igreja e a sociedade não têm outra esperança senão no Sagrado Coração de Jesus; é Ele que curará todos os nossos males. Pregai e difundi por todas as partes a devoção ao Sagrado Coração, ela será a salvação para o mundo”2. Essa impressionante afirmação é do Papa Pio IX (1846-1878) — recentemente beatificado — ao Padre Julio Chevalier, fundador dos Missionários do Coração de Jesus, mostrando que nessa devoção depositava toda sua esperança.

Poderosa proteção que nos vem do Céu


Catolicismo, já em diversas ocasiões, tem divulgado matérias sobre a devoção ao Sacratíssimo Coração de Jesus (por exemplo, nas edições de junho/1986, julho/1988, junho/1992 e junho/1994). No presente mês de junho, que tem todos os seus dias consagrados ao Sagrado Coração, e cuja festa principal comemoramos no dia 27, desejamos abordar, entre as várias e magníficas promessas desse adorável Coração, uma que ainda não apresentamos nestas páginas: a devoção ao Detente, oEscudo do Sagrado Coração de Jesus.

Essa piedosa prática, outrora  muito difundida entre os católicos, é um modo simples, mas esplêndido, de manifestarmos permanentemente nossa gratidão e amor ao Sagrado Coração, vítima de nossos pecados. E, ao mesmo tempo, d´Ele recebermos inúmeros benefícios e uma proteção extraordinária contra todos os perigos. Esse é o tema que passaremos a expor.

O que é um Detente? Uma armadura espiritual?


Detente: poderosa proteçao contra as armadilhas do demônio

É um poderoso Escudo que a Divina Providência colocou à nossa disposição, a fim de nos proteger contra os mais diversos perigos que enfrentamos em nosso dia-a-dia. Para isso, basta levá-lo consigo, não havendo necessidade de ser bento, pois o bem-aventurado Papa Pio IX estendeu sua bênção a todos os Escudos — como veremos adiante.

Detente, ou Escudo do Sagrado Coração de Jesus — também conhecido como bentinho, salvaguarda,ou mesmo como pequeno escapulário do Sagrado Coração — é um emblema com a imagem do Sagrado Coração e a divisa: Alto! O Coração de Jesus está comigo.Venha a nós o Vosso Reino!

É comum levarmos no bolso, ou em nossas carteiras, pastas etc., fotografias de pessoas a quem muito queremos (pais ou filhos, por exemplo). Assim, ter consigo o Detente é um meio de expressar nosso amor ao Sagrado Coração de Jesus; sinal de nossa confiança em sua proteção contra as armadilhas do demônio e perigos de toda ordem. Levando conosco esse Escudo, estaremos continuamente como que afirmando: Alto! Detenha-te, demônio; detenha-se toda maldade; todo perigo; todo desastre;  detenham-se  todos os assaltos; todas as balas de bandidos; todas as tentações; detenha-se todo inimigo; toda enfermidade; detenham-se nossas paixões desordenadas — pois o Sagrado Coração de Jesus está comigo!

Portar esse Escudo auxilia-nos, além dessas e de tantas outras proteções, a recordar continuamente as promessas do Sagrado Coração de Jesus; é símbolo de nossa total confiança na proteção divina; é um sinal de nossa permanente súplica e fidelidade a Nosso Senhor e um pedido de que Ele faça nossos corações semelhantes ao d’Ele.

Origem do Escudo do Sagrado Coração de Jesus


Santa Margarida Maria Alacoque — como testemunha sua carta, escrita no dia 2 de março de 1686, dirigida à sua Superiora, Madre Saumaise — transcreve um desejo que lhe fora revelado por Nosso Senhor: “Ele deseja que a Senhora mande fazer uns escudos com a imagem de seu Sagrado Coração, a fim de que todos aqueles que queiram oferecer-Lhe uma homenagem, os coloquem em suas casas; e uns  menores, para as pessoas levarem consigo”3. Nascia, assim, o costume de portar esses pequenos Escudos.

Essa santa devota do Detente portava-o sempre consigo e convidava suas noviças a fazerem o mesmo. Ela confeccionou muitas dessas imagens e dizia que seu uso era muito agradável ao Sagrado Coração.

A autorização para tal prática, no início, foi concedida somente aos conventos da Visitação. Depois, foi mais difundida pela Venerável Ana Magdalena Rémuzat (1696-1730). A essa religiosa, também da mesma Ordem da Visitação, falecida em alto conceito de santidade, Nosso Senhor fez saber antecipadamente o dano que causaria uma grave epidemia na cidade francesa de Marselha, em 1720, bem como o maravilhoso auxílio que os marselheses receberiam com a devoção a seu Sagrado Coração. A referida visitandina fez, com a ajuda de suas irmãs de hábito, milhares desses Escudos do Sagrado Coração e os repartiu por toda a cidade onde grassava a peste.

A história registra que, pouco depois, a epidemia cessou como por milagre. Não contagiou muitos daqueles que portavam o Escudo, e as pessoas contagiadas tiveram um extraordinário auxílio com essa devoção. Em outras localidades ocorreram fatos análogos. A partir de então, o costume se estendeu por outras cidades e países4.

Escudo distintivo de contra-revolucionários



Os requetés espanhóis tinham o Escudo do Sagrado Coração de Jesus como seu brasão, durante a Cuerra Civil de 1936.

Em 1789, eclodiu na França, com trágicas conseqüências para o mundo inteiro, um flagelo muitíssimo mais terrível que qualquer epidemia: a calamitosa Revolução Francesa.

Nesse período, os verdadeiros católicos encontraram amparo no Sacratíssimo Coração de Jesus, e o Escudo protetor era levado por muitos sacerdotes, nobres e populares que resistiram à sanguinária Revolução anticatólica. Até mesmo senhoras da corte, como a Princesa de Lamballe, portavam esses Escudos bordados preciosamente em tecidos. E o simples fato de levá-los consigo transformou-se no sinal distintivo daqueles que eram contrários à Revolução Francesa.

Entre os pertences da Rainha Maria Antonieta, guilhotinada pelo ódio revolucionário, encontraram um desenho do Sagrado Coração, com a chaga, a cruz e a coroa de espinhos, e os dizeres: “Sagrado Coração de Jesus, tende misericórdia de nós!” 5.

Outra Rainha de França, também devota do Detente, foi Maria Leszczynska. Em 1748 ela recebeu de presente, do Papa Bento XIV, vários Escudos do Sagrado Coração, por ocasião de seu matrimônio com o Rei Luís XV. De acordo com as memórias desse tempo, entre os presentes enviados pelo Pontífice havia “muitos Escudos do Sagrado Coração, feitos em tafetá vermelho e bordados em ouro” 6.

Heroísmo dos devotos do Sagrado Coração de Jesus



O comunismo sempre perseguiu a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Em Cuba, monumentos dedicados a esta devoção foram trocados por estátuas de Che Guevara. Muitos opositores do regime comunista de Fidel Castro morreram no Paredón com o heróico brado: Viva Cristo Rei! nos lábios.

Na região da Mayenne (oeste da França), osChouans — heróicos resistentes católicos, que enfrentaram com bravura e ardor religioso os revolucionários franceses de 1789 — bordavam em seus trajes e bandeiras o Escudo do Sagrado Coração de Jesus. Era como se fosse um brasão e, ao mesmo tempo, uma armadura: “brasão” usado para reafirmar sua Fé católica; “armadura” para defenderem-se contra as investidas adversárias.

Também como “armadura espiritual”, esse Escudofoi ostentado por muitos outros líderes e heróis católicos que morreram ou lutaram em defesa da Santa Igreja, como os bravos camponeses seguidores do aguerrido tirolês Andreas Hofer (1767-1810), conhecido como “o Chouan do Tirol”.Esses portavam o Escudo para se protegerem nas lutas contra as tropas napoleônicas que invadiram o Tirol.

Um fato histórico semelhante ocorreu, na época atual, em Cuba. Os católicos cubanos que não se deixaram subjugar pelo regime comunista, e o combateram, tinham especial devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Quando presos e levados para o “paredón” (onde eram sumariamente fuzilados), enfrentaram os carrascos fidelcastristas bradando “Viva Cristo Rei! — seguindo o exemplo de seus irmãos no ideal católico, os Cristeros, no México, também martirizados por ódio à Fé, no início do século XX.

Na antiga Pérola das Antilhas (atual Ilha Presídio) antes de ser escravizada pela tirania de Fidel Castro, havia muitas estátuas do Sagrado Coração de Jesus em suas bem arborizadas praças. Mas, após a dominação comunista, as belas estátuas do Sagrado Coração de Jesus foram derrubadas e — pasme o leitor — substituídas por estátuas de Che Guevara… A estátua do guerrilheiro que tinha suas mãos tintas de sangue inocente, desse revolucionário que fez correr um rio de sangue por vários países latino-americanos, colocada em lugar da imagem do Sagrado Coração, que representava a misericórdia divina e o perdão!

O bem-aventurado Papa Pio IX e o Detente


Milicianos de esquerda , na Espanha,
fuzilam a imagem do Sagrado Coração no Cerro de Los Angeles,
na capital espanhola, em 28 de julho de 1936.

Em 1870, uma senhora romana, desejando saber a opinião do Sumo Pontífice Pio IX a  respeito doEscudo do Sagrado Coração de Jesus, apresentou-lhe um. Comovido à vista desse sinal de salvação, o Papa concedeu aprovação definitiva  a tal devoção e disse: “Isto é, senhora, uma inspiração do Céu. Sim, do Céu”. E, depois de breve recolhimento, acrescentou:

Vou benzer este Coração, e quero que todos aqueles que forem feitos segundo este modelo  recebam esta mesma bênção, sem ser necessário que algum outro padre a renove. Ademais, quero que Satanás de modo algum possa causar dano àqueles que levem consigo o Escudo, símbolo do Coração adorável de Jesus” 7.

Para impulsionar o piedoso costume de portar consigo o Escudo, o Bem-aventurado Pio IX concedeu, em 1872, 100 dias de indulgência para todos os que, portando essa insígnia, rezassem diariamente um Padre Nosso, uma Ave Maria e um Glória ao Pai 8.

Depois disso, o Santo Padre compôs esta bela oração:

“Abri-me o vosso Sagrado Coração, ó Jesus!… mostrai-me os seus  encantos, uni-me a Ele para sempre. Que todos os movimentos e palpitações do meu coração, mesmo durante o sono, Vos sejam um testemunho do meu amor e Vos digam sem cessar: Sim, Senhor Jesus, eu Vos adoro… aceitai o pouco bem que pratico… fazei-me a mercê de reparar o mal cometido… para que Vos louve no tempo e Vos bendiga durante toda a eternidade. Amém” 9.

O Escudo em ocasiões de grande perigo


Em nossos tempos em que, devido à violência avassaladora e generalizada, os perigos nos ameaçam de todos os lados, é de primordial importância o uso do  Escudo do Sagrado Coração de Jesus. Levando-o conosco — pode-se também colocá-lo em nossa casa, junto ao material escolar dos filhos, no automóvel, local de trabalho, sob o travesseiro de um enfermo etc. — estaremos, no interior de nossas almas, como que repetindo o que disse o Apóstolo São Paulo: “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?” (Rom 8,31). Pois não há perigo de que Ele não possa nos livrar. E mesmo em meio às dificuldades que a Providência envie para nos provar, estaremos confiantes na proteção divina, que nunca abandona aqueles que recorrem pedindo amparo e proteção.

Evidentemente, se nosso pedido de auxílio for feito por meio da Santíssima Mãe de nosso Divino Redentor, Ele nos ouvirá com muito mais agrado e mais rapidamente nos atenderá. Pois Ele a constituiu Medianeira de todas as graças, dando-nos assim uma prova ainda maior de amor, ao nos dar por Mãe sua própria Mãe.

O Sagrado Coração de Jesus e Maria


São João Eudes (1601-1680) — fundador da Congregação de Jesus e Maria — de tal modo considerava uma só as devoções ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, que dizia: “o Sagrado Coração de Jesus e Maria”. Note bem o leitor, a frase está no singular, como se fosse um só coração, para assim acentuar a íntima união de ambas as devoções. Dois Corações inseparáveis, tão unidos que não se pode querer considerá-los separadamente.

Não ama verdadeiramente o Sagrado Coração de Jesus, quem não ama o Imaculado Coração de Maria. Por essa razão é que na Medalha Milagrosa, universalmente conhecida, estão cunhados, em seu reverso, os dois corações: o de Jesus e o de Maria. O primeiro cercado de espinhos e o segundo transpassado por uma espada.

Por ocasião da celebração em Paray-le-Monial do centenário da Consagração do gênero humano ao Sagrado Coração de Jesus, realizada por Leão XIII em 11 de junho de 1899, João Paulo II enviou uma mensagem na qual acentua a união da devoção ao Coração de Jesus e ao Coração de Maria Santíssima: “Depois de São João Eudes, que nos ensinou a contemplar Jesus — o coração dos corações — no coração de Maria, e a fazer com que amássemos estes dois corações, o culto prestado ao Sagrado Coração expandiu-se”.

O reinado social do Coração de Jesus e Maria


Imaculado Coração de Maria

“Nada nos pode dar maior confiança, esperança mais fundada, estímulo mais certo, do que a convicção de que em todas as nossas misérias, em todas as nossas quedas, não temos apenas, a nos olhar com o rigor de Juiz, a infinita Santidade de Deus, mas também o coração cheio de ternura, de compaixão, de misericórdia, de nossa Mãe Celeste”— escrevera Plinio Corrêa de Oliveira nas páginas do “Legionário”.

O inolvidável fundador da TFP prossegue: “Onipotência suplicante, Ela saberá conseguir para nós tudo quanto nossa fraqueza pede para a grande tarefa de nosso reerguimento moral. Com este coração, todos os terrores se dissipam, todos os desânimos se esvaem, todas as incertezas se desanuviam. O Coração Imaculado de Maria é a Porta do Céu, aberta de par em par aos homens de nosso tempo, tão extremamente fracos. E esta porta, ninguém a poderá fechar — nem o demônio, nem o mundo, nem a carne.

Fazer apostolado é, essencialmente, salvar almas. Aos que se interessam pelo apostolado, nada deve importar mais do que o conhecimento das devoções providenciais com que o Espírito Santo enriquece a Santa Igreja em cada época, para a utilidade das almas. O Sumo Pontífice atualmente reinante [Pio XII] aponta duas devoções: a do Sagrado Coração de Jesus, a do Coração Imaculado de Maria.

Aparecendo em Fátima, Nossa Senhora disse textualmente aos pastorezinhos que uma intensa devoção ao Coração Imaculado de Maria seria o meio de salvação do mundo contemporâneo. Milagres sem conta têm atestado a autenticidade da mensagem celeste. Não nos resta senão conformarmo-nos ao ditame que dela decorre. Se essa é a salvação do mundo, se queremos salvar o mundo, apregoemos o meio providencial para sua salvação. No dia em que tivermos legiões de pessoas verdadeiramente devotas do Coração Imaculado de Maria, o Coração de Jesus reinará sobre o mundo inteiro. Com efeito, essas duas devoções não se podem separar. A devoção a Maria Santíssima é a atmosfera própria da devoção a Nosso Senhor. O verão traz as flores e os frutos. A devoção a Nossa Senhora gera como fruto necessário o amor sem reservas a Nosso Senhor Jesus Cristo. E, no dia em que o mundo inteiro voltar a Jesus por Maria, o mundo estará salvo” 10.

Analogia entre Paray-le-Monial e Fátima

Em Paray-le-Monial, Nosso Senhor disse a Santa Margarida Maria Alacoque: “Não receeis nada; Eu reinarei apesar de meus inimigos e de todos aqueles  que a isso queiram se opor” 11.
Em Fátima, no dia 13-7-1917 — mais de três séculos após as aparições de Paray-le-Monial — Nossa Senhora confirma indiretamente a revelação feita à santa confidente do Sagrado Coração de Jesus, quando afirmou categoricamente: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”.
É a confirmação da vitória final, com a efetivação da realeza sagrada do Coração de Jesus e Maria sobre a Terra inteira; do restabelecimento do reino social de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre todos os corações, sobre todos os povos.

Com a realização dessas duas grandes promessas, estará sendo atendida a súplica que há 2000 anos a Cristandade vem fazendo, ao rezar o Padre Nosso: “Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa Vontade, assim na Terra como no Céu” (Mt 6,9-13)O que — vem a propósito relembrar, no final deste artigo — corresponde à inscrição que consta na parte inferior do maravilhoso Escudo do Sagrado Coração de Jesus.

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Santa Margarida Maria Alacoque – Confidente do Sagrado Coração de Jesus



Essa grande santa visitandina nasceu em Verosvres (França), em 22-7-1647, e três dias depois recebeu o batismo.

Ainda muito pequena, bastava alguém dizer-lhe que tal coisa ofendia a Deus, para que ela compreendesse imediatamente que não se devia fazer. A menina Margarida Maria rezou certo dia: “Ó meu Deus, eu Vos consagro minha pureza e Vos faço o voto de castidade perpétua”. Mais tarde, ela própria disse que não sabia o que significava“voto de castidade perpétua”, mas sentiu-se inspirada a fazer essa consagração.

Quando contava oito anos, devido à morte de seu pai, passou dois anos como aluna no convento das clarissas, em Charolles, e fez ali sua primeira comunhão. Vendo o bom exemplo das religiosas, nasceu em sua alma a vocação religiosa.

Como um indício da grande vocação a que ela era chamada, é oportuno lembrar um fato de sua vida: muito devota da Santíssima Virgem, rezava todos os dias o terço de joelhos. Mas um dia rezou-o sentada. Nossa Senhora apareceu-lhe e a repreendeu: “Estranho muito, minha filha, que me sirvas com tanto desleixo”.

Mais tarde, quando manifestou a familiares seu desejo de ser religiosa, esses pressionaram-na para que entrasse no convento das ursulinas. Ela respondia: “Eu quero ir às visitandinas, em um convento bem longe, onde não tenha nem parentes nem conhecidas, porque não quero ser religiosa senão por amor de Deus”.

Afinal, aos 24 anos, seu desejo se cumpriu, depois de 10 anos de provações. Entrou no convento das visitandinas de Paray-le-Monial da Ordem da Visitação de Santa Maria — instituição religiosa fundada por São Francisco de Sales (1567-1622) e Santa Joana de Chantal (1572-1641). Esse convento francês fora escolhido por Nosso Senhor para, a partir daí, mais intensamente expandir pelo mundo inteiro a devoção a seu Sacratíssimo Coração.

Como religiosa nesse convento, por três ocasiões sucessivas o Divino Redentor apareceu-lhe com o Sagrado Coração à mostra, fez-lhe ver o desejo ardente que tinha de salvar os pecadores e pediu a instituição de uma festa litúrgica para honrá-Lo, bem como a comunhão reparadora das primeiras sextas-feiras do mês.

Tal missão não se realizaria senão com muitas lutas e sofrimentos. Ela era criticada dentro e fora do convento. Internamente, criticava-se tal devoção como sendo uma “novidade extravagante”; externamente, era criticada pelos jansenistas* — os progressistas da época. Esses atacavam virulentamente o culto ao Sagrado Coração e à Eucaristia.

Entretanto, o Divino Redentor quis servir-se da santa religiosa visitandina para difundir universalmente a devoção. Após sua morte, em 1690, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus estendeu-me muito, não apenas na França, mas por outros países. Ela foi canonizada em 1920, pelo papa Bento XV**.
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Jansenismo: heresia que constituiu uma corrente semi-protestante no interior da Igreja. Era de um rigorismo hirto e despropositado. Foi instituída pelo holandês Cornélio Jansênio, bispo de Ypres (1636). Este negava a infinita misericórdia de Deus e defendia a predestinação. Tal heresia foi condenada por diversos Papas, entre os quais Inocêncio X, pela bula papal Cum occasione (1653).

** Cfr. Vie et Révélations de Sainte Marguerite-Marie Alacoque écrites par elle-même, Imprimerie St-Paul, Bar-le-Duc, França, 1947; e
http://www.corazones.org/santos/margarita_maria_alacoque_escritos.htm.

 

Alguns apóstolos da devoção ao Sagrado Coração de Jesus


O Papa Pio XII, pela Encíclica Haurietis Aquas (1956),  recorda alguns santos que mais se distinguiram na difusão dessa devoção.

São Cláudio de la Colombière

“Querendo agora indicar as etapas gloriosas percorridas por este culto na história da piedade cristã, mister é recordar, antes de tudo, os nomes de alguns daqueles que bem podem ser considerados os porta-estandartes desta devoção, a qual, em forma privada e de modo gradual, foi-se difundindo cada vez mais nos institutos religiosos.

Assim, por exemplo, distinguiram-se por haver estabelecido e promovido cada vez mais este culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus: São Boaventura, Santo Alberto Magno, Santa Gertrudes, Santa Catarina de Siena, o Beato Henrique Suso, São Pedro Canísio e São Francisco de Sales. A São João Eudes deve-se o primeiro ofício litúrgico em honra ao Sagrado Coração de Jesus, cuja festa se celebrou, pela primeira vez, com o beneplácito de muitos Bispos de França, a 20 de outubro de 1672.

Mas, entre todos os promotores desta excelsa devoção, merece lugar especial Santa Margarida Maria Alacoque, que, com a ajuda do seu diretor espiritual, o Beato Cláudio de la Colombière, e com o seu zelo ardente, conseguiu, não sem admiração dos fiéis, que este culto adquirisse um grande desenvolvimento e, revestido das características do amor e da reparação, se distinguisse das demais formas da piedade cristã”*.

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Nesse documento, Pio XII destaca o Beato Cláudio de la Colombière (1641-1682), canonizado em 1992 por João Paulo II. Este santo jesuíta desempenhou papel fundamental na propagação das revelações do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria. Foi ele o primeiro a crer na veracidade dessas revelações e quem apoiou a santa em seus momentos mais difíceis, devido à oposição e às perseguições que ela sofreu por parte daqueles que não acreditavam nas revelações. Providencialmente, São Cláudio tornou-se o diretor espiritual da santa visitandina**.
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* Pio XII, Encíclica Haurietis Aquas, nn. 60-61. Apud Péricles Capanema Ferreira e Melo, O estandarte da vitória – A devoção ao Sagrado Coração de Jesus e as necessidades de nossa época, Artpress, São Paulo, 1998, p. 28.


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Algumas importantes datas

1765: Decreto da Congregação dos Ritos, de 25 de janeiro, concedendo aos Bispos da Polônia e à Arquiconfraria Romana do Sagrado Coração a faculdade de celebrar a festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus. No dia 6 de fevereiro, o Papa Clemente XIII aprova o decreto. Em 10 de julho, a autorização é concedida também às freiras visitandinas.

1856: O Santo Padre Pio IX, por decreto da Congregação dos Ritos, em 23 de agosto, “atendendo às súplicas dos Bispos da França e de quase todo o mundo católico, estendeu a toda a Igreja a festa do Sagrado Coração”.

1899: O Papa Leão XIII promulga, em 25 de maio, a Encíclica Annum Sacrum sobre a consagração do gênero humano ao Sagrado Coração. E realiza essa solene consagração em 11 de junho. Ato considerado por Leão XIII como o mais importante de seu pontificado.

1925Encíclica Quas Primas, de Pio XI, instituindo a festa de Cristo Rei.

1928: Encíclica Miserentissimus Redemptor, de Pio XI, sobre a reparação que todos devemos ao Sagrado Coração.

1956: Encíclica Haurietis Aquas, de Pio XII, sobre o culto ao Sagrado Coração. Publicada na  comemoração do centenário da extensão para a Igreja Universal da festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus. É o documento por excelência sobre o tema, com os fundamentos teológicos dessa devoção. Refuta cabalmente as principais objeções levantadas contra ela.

2002: Documento da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia) publica os princípios e as orientações sobre o culto ao Sagrado Coração de Jesus.“Não há dúvida de que a devoção ao Sagrado Coração do Salvador foi, e continua sendo, uma das expressões mais difundidas e amadas pela piedade eclesial [...]. Como têm recordado freqüentemente os Romanos Pontífices, a devoção ao Coração de Cristo tem um sólido fundamento nas Sagradas Escrituras [...], constitui uma grande expressão histórica da piedade da Igreja para com Jesus Cristo, seu esposo e senhor; requer uma atitude de fundo, constituída pela conversão e reparação, pelo amor e a gratidão, pelo empenho apostólico e a consagração a Cristo e à sua obra de salvação. Por isto a Sé Apostólica e os Bispos a recomendam, e promovem sua renovação”.

Notas:

1– Sainte Marguerite Marie, Sa vie écrite par elle-même, Edições Saint Paul, Paris, 1947, pp. 70-71. Imprimatur de M. P. Georgius Petit, Bispo de Verdun.

2– Pe. Jules Chevalier, Le Sacré-Coeur de Jésus, Retaux-Bray, Paris, 1886, p. 382.

3– http://www.corazones.org/ (Vida y Obras, vol. II, p. 306).

4– Cfr. Padre Auguste Hamon, S.J., Histoire de la Dévotion au Sacré-Coeur de Jésus, vol. III, p. 425 a 431.

5– Cfr. De Franciosi, S.J., La dévotion au Sacré-Coeur de Jésus, pp. 289 – 290.

6– Op. cit. p. 289.


http://www.devocoes.hpg.ig.com.br/coracaodejesus/

8– Op. cit.

9– Op. cit.

10– Plinio Corrêa de Oliveira, “Legionário”, 30-7-44.

11– Sainte Marguerite Marie, Sa vie écrite par elle-même, Edições Saint Paul, Paris, 1947, p. 192.




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