Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 30 de dezembro de 2012

Prudente Conselho de Santa Faustina à uma Mocinha




Hoje, quando chamei a atenção de uma mocinha para que não ficasse horas no corredor com os homens, porque isso não fica bem para uma mocinha que se preze, pediu-me desculpas e prometeu que se corrigiria; chorou quando conheceu a sua imprudência. Quando eu lhe dizia essas poucas palavras sobre moral, os homens de toda a sala se reuniram e ouviram esse ensinamento. Até os judeus ouviram um pouco do que deles falei. Disse-me depois certa pessoa, que encostaram os ouvidos à parede e ouviam em recolhimento. Eu estranhamente percebi que eles estavam escutando, mas disse o que tinha que dizer. As paredes aqui são tão finas que, embora a gente fale baixo, assim mesmo dá para ouvir.

Fonte: “Diário da Serva de Deus, Ir. M. Faustina Kowalska, Professa perpétua da Congregação de N. S. da Misericórdia”, Caderno II, parág. 919, p. 280, 1ª Edição; Tradução de Mariano Kawka, Edição da Congregação dos Padres Marianos, Curitiba – Paraná, 1982.


Da Utilidade da Paciência e da Luta Contra os Apetites.






Imitação de Cristo
Livro III, Capítulo XII.

Discípulo: Senhor Deus, no meu entender, muito necessária é a paciência, pois acontecem muitas contrariedades nesta vida.

Porque de qualquer modo que eu me disponha a ter paz, não pode estar a minha vida sem guerra e dor.

Senhor: Assim é, filho, mas não quero que busques uma paz que careça de tentações e não sinta contrariedades, antes, quando fores exercitado em várias tribulações, e provado em muitas contrariedades, crer então, que achaste a paz.

Se dizes que não podes padecer muitas coisas, como sofrerás o fogo do Purgatório?

De dois males, sempre se deve escolher o menor.

E para que possas escapar dos castigos eternos no futuro, trata de sofrer com paciência por meu amor os males presentes.

Cuidas, porventura, que os homens deste mundo nada, ou pouco, padecem?

Nem isto acharás, ainda que busques os mais delicados.

Mas, dirás tu, que gozam muitos deleites e seguem a sua própria vontade, e por isso sentem pouco as suas tribulações.

Admitido que assim seja, e que tenham quanto quiserem, dize-me: quanto lhes durará isso?

Certo que todos, até os mais poderosos do mundo, se desfarão como fumo (Salm. 36), e não haverá jamais memória alguma dos seus gozos passados.

E enquanto vivem, não descansam nos seus prazeres sem amarguras, desgosto e temor; porque da mesma coisa de onde recebem prazer, daí tiram muitas vezes a dor que os castiga, e é justo que assim lhes aconteça; já que desordenadamente buscam e seguem os deleites, que não os gozem sem amargura e confusão.

Ó quão breves, quão falsos, desordenados e nojentos são todos os prazeres do mundo!

Porém, os homens, embriagados e cegos, não o entendem assim; antes, como animais, por um pequeno prazer da vida corruptível, dão a morte à sua alma.

Por isso, filho, não sigas os teus apetites, e afasta-te da tua própria vontade (Ecle. 18, 30).

Deleita-te no Senhor, e Ele te dará o que pedir o teu coração (Salm. 36).

Pois, se queres verdadeiras delícias, e receber de Mim consolação muito abundante, conserva-te no desprezo de todas as coisas do mundo e na aversão a todos os prazeres da terra, para seres abençoado e para receberes abundante consolação.

E quanto mais te afastares de toda a consolação das criaturas, tanto mais suaves e eficazes consolações acharás em Mim.

Mas, não chegarás a gozá-las, sem primeiro passares pela tristeza e trabalho da luta; resistirá o costume antigo, mas será vencido com outro melhor; repugnará a carne, mas será refreada com o fervor do espírito.

A Serpente antiga te perseguirá e molestará, mas será posta em fuga com a oração, e com o trabalho proveitoso lhe impedirás completamente a entrada.

1ª Reflexão:
Monsenhor Marinho

Desde que se concede ao corpo mais do que lhe pertence, e se recusa à alma o que lhe é devido, cai-se num estado de desordem moral, em que se torna impossível encontrar a felicidade.

Ora, quanto mais desordenados são os desejos e as paixões, tanto menos o homem conhece os seus atos de loucuras.

É necessário que o pecador se veja ao espelho da própria consciência e encare demoradamente as manchas da sua alma. Nenhum homem há tão privilegiado que não encerre no seu coração o gérmen de todas as paixões; a diferença é, que as disposições hereditárias, o temperamento, a educação e muitas outras circunstâncias fazem variar o desenvolvimento das tendências. Em todo o caso, sempre o homem com o auxílio da graça pode regular os seus desejos e dominar as suas paixões. Não te desculpes, pois, dizendo que não podes resistir aos arrebatamentos do teu gênio irascível, que não podes sofrer os defeitos do teu próximo, etc.; muito pode quem confia em Deus e tem boa vontade de adiantar na virtude. Aquele que ama o prêmio, abraça com coragem o trabalho. Pensas acaso, que é mau partido comprar uma eternidade de felicidade a troco de uns breves dias de sofrimento? E quantas consolações te oferece Deus, ainda mesmo nesta vida? Vê se podes contá-las: as visitas interiores da graça divina, a satisfação da consciência, a luz para praticar o bem, a força para resistir ao mal, a Palavra Divina, os bons exemplos, os livros devotos, os Sacramentos... O sofrimento é o nosso companheiro de cada dia, segue-nos sem que o procuremos; a paciência só muito pedida se conservará nossa companheira. Quem não a procurar com diligência não a possuirá, e uma vez possuída, facilmente se pode perder. Mas sem paciência, o que é a vida?

2ª Reflexão:
Presbítero J. I. Roquette

Pecaram todos os homens, todos devem sofrer: esta é a Lei atual da Humanidade; Lei de justiça, porque Deus não seria Deus se o crime ficasse impune; Lei de amor, porque o sofrimento, aceito com resignação e unido aos padecimentos do Salvador, cura a alma e restabelece-a no estado primitivo da inocência. De que pois te queixas, quando esta Lei Divina se cumpre a teu respeito? Por acaso, de que misericórdia divina tomas cuidado de te regenerar? Porventura, de seres semelhante a Jesus Cristo, que voluntariamente quis e devia, segundo as palavras do Evangelista, sofrer para te remir com Seu Sangue: “E começou a ensinar-lhes como cumpria que o Filho do Homem sofresse muitas dores, fosse reprovado pelos anciãos e condenado à morte pelos escribas e pontífices?” (S. Marc. 8, 31).

Eis aqui a grande expiação; mas, para que ela nos seja aplicada, é necessário que a façamos própria, juntando-lhe a nossa. O Mistério da Salvação se consuma em cada um de nós pela Cruz; Dela nos vem conforto e graça; Nela temos sossego da alma e paz do coração. Na Cruz de Jesus Cristo devemos, pois, gloriar-nos com o Apóstolo São Paulo.

O mundo te deslumbra com suas alegrias aparentes, mas, pensas tu que seus sectários, ainda os mais favorecidos, não tem nada que sofrer? Atormentados por suas paixões, que vão crescendo à medida que se satisfazem, nunca viste um só deles contente? [ao contrário] Novos desejos os devoram continuamente. Além de que, não tem eles, como os outros e mais que os outros, que suportar os trabalhos da vida, os cuidados, as consumições, os desgostos, as amarguras secretas, as desgraças públicas, e a multidão medonha das enfermidades e doenças, filhas dos vícios e das inquietações da alma? Depois disto, vem o fim; a Justiça Inexorável [ou seja, implacável, rígida e sem apelação] exige o que lhe é devido: “Esse rico da terra é lançado na prisão: em verdade Vos digo, que não sairá dela sem que tenha pago até o último centavo” (S. Mat. 25, 26).

Alegrai-vos pois vós, a quem o Senhor purifica, e livra [através do sofrimento], aqui neste mundo: Cumpri com amor o sacrifício de justiça. Dizem muitos: “Quem nos mostrará os bens”  (Salm. 6, 10).

3ª Reflexão:
São Francisco de Sales

“A paciência vos é necessária, para que, fazendo a vontade de Deus, alcanceis o complemento da Promessa”, diz o Apóstolo (Heb. 10, 36): sim, porque, como havia declarado o Salvador: “Mediante vossa paciência salvareis vossas almas” (S. Luc. 21, 19). A grande felicidade do homem é possuir sua alma; e quanto mais perfeita é a paciência, tanto mais perfeitamente possuiremos nossas almas. Devemos, portanto, aperfeiçoar-nos nesta virtude. Lembrai-vos muitas vezes, que Nosso Senhor nos salvou padecendo e sofrendo, e que da mesma sorte devemos obter a salvação pelos sofrimentos e aflições, aturando as injúrias [ofensas], contradições e desgostos com a maior mansidão que nos for possível.

Não limiteis vossa paciência, a tal ou tal sorte de injúrias ou de aflições, mas seja ela extensiva universalmente a todas as que Deus Vos enviar e permitir que vos advenham. Alguns há que não querem sofrer senão as tribulações que são honrosas, como por exemplo: serem feridos na guerra, serem prisioneiros em batalha, serem maltratados por amor da Religião, empobrecer por causa de alguma questão em que ficaram vencedores: estes não amam a tribulação, mas a honra que lhes atraem. O verdadeiro paciente e servo de Deus, sofre igualmente as tribulações unidas à desonra e as trazem honra; o ser desprezado, repreendido e acusado pelos maus, não é difícil de sofrer para um homem corajoso; mas, o ser repreendido, acusado e maltratado pelos homens de bem, pelos amigos, pelos parentes, isso é que apura os quilates da bondade... e assim acontece muitas vezes, que dois homens de bem, tendo ambos boa intenção sobre a diversidade de suas opiniões, perseguem e contradizem um ao outro por extremo (Introdução à Vida Devota, Parte III, Cap. III).

Oração

Deus e Senhor meu, Vós sois todo misericórdia para comigo, e eu, todo ingratidão para Convosco.

Se tenho andado esquecido de Vós, a culpa foi somente minha; porque tenho resistido com obstinação aos Vossos doces chamamentos. Basta, porém, de ingratidões, basta de pecados; agora, Senhor, quero renunciar ao mundo e às suas paixões, ao Demônio e aos seus embustes [enganos], para servir-Vos com fidelidade e para sempre.[1]

Senhor, a luz de Vossa Face brilha em nós: destes a paz ao meu coração. Por isso, adormecerei em paz e descansarei, ó meu Deus, porque Vós me confirmastes na esperança (Salm. 6, 10).

Em Vós, Senhor, pus a minha esperança, não serei confundido para sempre (Salm. 30, 1).[2]

Ó Sacratíssima e Beatíssima Senhora, que estais no mais alto do Paraíso de felicidade, ai! Tende compaixão de nós que estamos no deserto de miséria; Vós estais na abundância das delícias, e nós estamos no abismo das angústias; impetrai-nos, a força de bem suportarmos todas as aflições, e a graça de estarmos sempre firmados sobre o Vosso dileto Filho, único apoio de nossas esperanças, única recompensa de nossos trabalhos, único remediador de nossos males (1º Sermão para o dia da Anunciação). Assim seja.[3]



“Non omni homini reveles cor tuum”
“Não abras o teu coração a qualquer homem”

(Imitação de Cristo, Livro I, Cap. 8; Ecle. 8, 22).


[1]   Monsenhor Manuel Marinho, “Imitação de Cristo”, pp. 161-164; Novíssima Edição, Editora e Tipografia Fonseca, Porto, 1922.
[2]   Presbítero J. I. Roquette, “Imitação de Cristo”, pp. 194-199; Tradução Nova, Editora Aillaud & Cia, Paris/Lisboa.
[3]   Imitação de Cristo Senhor Nosso, Versão Portuguesa por um Padre da Missão, pp. 168-171; Reflexões e Orações colhidas nas obras de São Francisco de Sales; Imprenta Desclée, Lefebvre y Cia., Tournai (Bélgica), 1910. 


domingo, 23 de dezembro de 2012

O Natal do Senhor




Enquanto esperava o Nascimento do Divino Infante, repassava Maria pela memória os sagrados textos concernentes à vinda do Messias ao mundo. Iniciada como estava no conhecimento das Escrituras, não ignorava Ela a célebre profecia de Miquéias: “Tu, ó Belém, Éfrata, és bem pequena entre as numerosas cidades de Judá, e contudo, é do teu seio, que há de sair o Dominador de Israel, Aquele que existe desde o princípio, e cuja geração remonta à eternidade”[1]. Segundo estas palavras formais afirmavam os doutores unânimes, que Cristo nasceria em Belém, como Davi, seu antepassado.

Mas como se cumprirá este prenúncio, se Maria, domiciliada em Nazaré, não tinha precisão nenhuma de deixar esta cidade para ir à Belém? Um homem, sem o saber, foi o instrumento da Providência para resolver esta dificuldade. E, para mostrar a todos, que os potentados da terra não são mais que os executores dos Seus eternos desígnios, quis Deus que este homem fosse o próprio Imperador.

Reinava então, no Oriente e no Ocidente, o Imperador Augusto. As nações, outrora tão ciosas da sua independência, a Itália, a Espanha, a África, a Grécia, o Egito, a Gália, a Grã Bretanha, a Ásia Menor, transformadas em simples províncias do império, sofriam a lei do vencedor. Por muito tempo sacudiram os povos o julgo; mas nem o africano, protegido pelo mar grande, nem o Germano, escondido por detrás da trincheira das suas impenetráveis florestas, nem o Bretão, perdido no oceano, puderam resistir às legiões da invencível Roma. Todos depuseram as armas, e em sinal de pacificação universal, fechou o Imperador o templo de Jano[2].

Considerado, doravante, como um deus, levantaram-lhe templos, decretaram-lhe apoteoses, chamaram-no “a salvação do gênero humano”[3].

Ora, na época em que devia nascer o verdadeiro “Salvador do Mundo”, veio ao Imperador a fantasia de conhecer exatamente a extensão dos seus domínios, e o número dos vassalos. Em consequência, prescreveu um edito imperial, o recenseamento geral da população, tanto nos reinos tributários como nos povos incorporados ao império.

A este edito não escapava a Judeia, pois o reino de Herodes, simples feudo revogável à vontade, dependia do governo da Síria. Assim, em dezembro de 749[4], para presidir as operações do censo, chegou à Palestina Cirino, legado do governador Sestio Saturnino. Foi dada ordem aos chefes de família, às mulheres, e às crianças, de inscreverem nos registros públicos o próprio nome, a sua idade, família, tribo, fortuna e outros pormenores destinados a servirem de base à capitação. Além do mais, devia cada um inscrever-se não no lugar do seu domicílio, mas na cidade donde fosse originária a sua família, porque lá se conservavam os títulos genealógicos que estabeleciam, com a ordem de descendência, o direito de propriedade e de herança.

Esta última prescrição obrigou a José e Maria, ambos da tribo de Judá e da família de Davi, a transportarem-se de Nazaré à Belém, lugar do nascimento de Davi, seu antepassado. Ao dirigir-se para as montanhas de Judá, Maria, já quase chegada ao momento de ser Mãe, maravilhava-se de como Deus, por Si mesmo a levava aonde o Messias devia nascer e de como um edito imperial punha em movimento os povos do universo para que uma profecia, sete séculos antes saída da boca de um Vidente de Israel, recebesse por aqueles dias o seu cumprimento.

Os dois caminhantes chegaram a Belém rendidos de cansaço, depois das vinte e duas léguas que vinham de percorrer. Os últimos raios do sol iluminavam a cidade de Davi, sentada como uma rainha na cumeada de um oiteiro, em meio de sorridentes encostas plantadas de vinhas e olivais. Era de certo aquela Belém, a casa do pão, a cidade das messes fartas; Éfrata, a fértil, a terra dos fartos pastos. Naquelas elevações vivia a gentil Noemi, quando a fome a forçou a exilar-se para o país de Moab; nos campos vizinhos respigava Rute, a moabita, as espigas esquecidas pelos ceifeiros de Booz; por estes valezinhos solitários, apascentava o pequeno Davi os gados, quando o Profeta mandou buscá-lo para ungi-lo a rei de Israel. Ao pisarem aquele solo abençoado, evocavam os Santos viajantes as piedosas lembranças da sua nação, ou antes da própria família. Das casas da cidade, dos montes e dos vales saíam mil vozes a falarem-lhes dos antepassados, e sobretudo do grande rei, de quem eles eram as vergônteas.

Mas, quem, por aquela época, sabia da Virgem de Nazaré e de José, o carpinteiro? Entrando na cidade, acharam-se como perdidos no meio dos forasteiros, que iam chegando de todos os pontos do reino para se inscreverem. Em vão bateram a todas as portas em busca de um abrigo para passar a noite: nenhuma se abriu para os receber. Com as casas abarrotadas de parentes e de amigos, recusaram-se os Belemitas a alojar aqueles desconhecidos que, além do mais, pareciam pobres e miseráveis. José e Maria dirigiram-se, então, para a albergaria pública, onde costumavam ficar as caravanas; mas encontraram aí também uma tal aglomeração de viajantes e de bestas de cargas que não puderam-se lá instalar.

Repelidos de todos os lados, saíram os dois Santos personagens da cidade pela porta de Hebron. Mal tinham andado alguns passos nessa direção, quando avistaram uma concavidade sombria aberta nos flancos de um rochedo. Inspirou-lhes o Espírito de Deus, o pensamento de ali ficarem. Ao entrar nesse triste recinto, reconheceram que era um abrigadouro, aonde se acolhiam os pastores e rebanhos. Havia ali palha e uma manjedoura para os animais. Depois de tão longa e trabalhosa jornada, assentou-se a Filha de Davi numa pedra tosca. Pouco depois, foi parando todo o borborinho, até que um silêncio solene reinou, enfim, sobre a cidade adormecida. Só, naquela desprezada gruta, Maria velava e expandia o seu Coração diante do Eterno. De repente, aí pela meia-noite, o Verbo Encarnado deixou miraculosamente o seio de Sua Mãe, e, como um raio de sol que de súbito deslumbra a vista, lhe apareceu diante dos olhos assombrados e extáticos. Adorou-O, tomou-O nos braços, cobriu-O com pobres mantilhas e apertou-O ao Coração. Em seguida, reparando para a manjedoura, onde os animais comiam, nela O deitou sobre uma pouca de palha.

E, daquele estábulo que lhe servia de abrigo, daquela manjedoura convertida em berço, sobre aquela palha que lhe magoava os delicados membros, o Menino dizia ao Seu Pai celeste: “Vós não quisestes o sangue dos cabritos nem dos vitelos; Vós me envolvestes nesta carne que Vossas Mãos formaram: eis-Me aqui, pois, ó Meu Deus, para Me imolar à Vossa vontade”[5]. Assim oferecia o Redentor à divina Majestade as primícias dos Seus sofrimentos e humilhações. Ajoelhados ao pé dEle, com os olhos marejados de lágrimas, José e Maria uniram-se àquele sacrifício.

Durante aquela noite misteriosa, guardavam alguns pastores os seus rabanhos num valezinho, não longe do estábulo onde repousava o Filho de Deus. Como os pastores dos primeiros tempos, Abraão, Isaac e Jacó, compraziam-se eles em meditar os divinos oráculos. Por muitas vezes, com olhos cravados no céu, tinham suplicado a Javé que enviasse enfim aquele Libertador, cuja próxima vinda prediziam os sábios de Israel. Dignou-se o Senhor recompensar a fé suplicante daqueles humildes pegureiros. Fendendo a noite espessa que cobria montes e vales, difundiu-se de súbito à volta deles um clarão divino e aos seus olhos deslumbrados mostrou-se um Anjo do Céu. Com esta vista ficaram transidos de terror; mas o Anjo sossegou-os: “Não temais, disse-lhes ele, venho-vos anunciar uma grande alegria, a vós, e a todo o povo. Hoje, na cidade de Davi, nasceu-vos um Salvador: é o Messias, é o Salvador por quem esperais. E eis o sinal para que O reconheçais: é um menino, envolto em paninhos e reclinado na manjedoura do estábulo”.

Quando o Anjo acabou de falar juntou-se a ele uma multidão de Espíritos celestiais, e todos em coro começaram a louvar ao Senhor: “Glória a Deus no mais alto dos Céus, diziam eles, e na terra paz aos homens de boa vontade”. Depois extinguiram-se as vozes, desapareceram os Anjos e os clarões celestes desvaneceram-se.

Ficando sozinhos, os pastores, extasiados com o que tinham presenciado, diziam uns para os outros: “Vamos à Belém, e vejamos com os nossos olhos o grande prodígio que os Anjos nos anunciaram”. E foram a toda a pressa ao estábulo, onde encontraram, de fato, a José e Maria, e ao Menino, reclinado no presépio. Ao vê-lO reconheceram nEle o Salvador, e, prostrados a Seus pés, agradeceram a Deus pelos ter chamado a adorá-lO. Deixaram os pastores a gruta, glorificando ao Senhor pelas maravilhas operadas diante dos seus olhos. Logo publicaram, com grande pasmo dos seus compatriotas, o que haviam visto e ouvido, e o eco das montanhas foi repetindo por toda a Judá o eco das palavras angélicas: “Glória a Deus, paz à terra!” E desde aquele tempo em cada aniversário daquela noite entre todas alegre, repetem com amor os discípulos de Cristo, o cântico dos Anjos: “Gloria in excelsis”. Quanto a Maria, testemunha atenta dos fatos maravilhosos por meio dos quais o Senhor manifestava ao mundo a Divindade do Menino, gravava ela com cuidado no Coração aquelas graciosas e comovedoras lembranças.

Assim apareceu no meio de seus vassalos Cristo Rei, quatro anos antes de findos os quatro mil da Criação, no ano 749 da fundação de Roma, aos quarenta do império de Augusto e aos trinta e seis do governo de Herodes, rei da Judeia. Nesse dia, o primeiro da nova era, teria ficado o Imperador bem admirado se soubesse que os seus oficiais acabavam de inscrever nos registros do recenseamento um nome maior que o dele, que um Menino nascido num estábulo fundaria um Reino mais extenso que o seu imenso império, e que enfim, a humanidade subtraída à tirania dos Césares, dataria os seus fastos gloriosos, não já do nascimento de Roma, mas do Natal de Cristo Redentor.

Fonte: Rev. Pe. Berthe, CSsR., “Jesus Cristo – Sua Vida, Sua Paixão, Seu Triunfo”, tradução do francês para o português por A.P. Dias, Livro I, Cap. IV, pp. 31-36; Estabelecimentos Benziger & Co. S.A., Einsiedeln, Suíça, 1925.

Devoção de São Francisco de Assis
ao Natal do Senhor

Celebrava com incrível alegria, mais que todas as outras Solenidades, o Natal do Menino Jesus, pois afirmava que era a Festa das festas, em que Deus, feito um Menino pobrezinho, dependeu de peitos humanos. Beijava como um esfomeado as imagens dessa criança, e a derretida compaixão que tinha no coração pelo Menino fazia até com que balbuciasse doces palavras como uma criancinha. Para ele, esse Nome era como um favo de mel na boca. Certa vez em que discutiam os frades se era permitido comer carne, porque era uma sexta-feira, disse a Frei Morico: “Irmão, cometes um pecado chamado de sexta-feira o dia em que o Menino nasceu para nós. Quero que nesse dia até as paredes comam carne. Se não podem, pelo menos sejam esfregadas com carne!”

Queria que, nesse dia, os pobres e os esfomeados fossem saciados pelos ricos, e que se concedesse uma ração maior e mais feno para os bois e os burros. Até disse: “Se eu pudesse falar com o Imperador, pediria que promulgasse esta lei geral: que todos que puderem joguem pelas ruas trigo e outros grãos, para que nesse dia tão solene tenham abundância até os passarinhos, e principalmente as irmãs cotovias”.

Não podia recordar sem chorar toda a penúria de que esteve cercada nesse dia a pobrezinha da Virgem. Num dia em que estava sentado a almoçar, um dos frades lembrou a pobreza da Virgem bem-aventurada e a miséria de Cristo seu Filho. Ele se levantou imediatamente da mesa, soltou dolorosos soluços e comeu o resto de pão no chão nu, banhado em lágrimas. Dizia que essa virtude era real, pois brilhava de maneira tão significativa no Rei e na Rainha. Quando os frades lhe perguntaram em uma reunião, qual a virtude que mais nos fazia amigos de Cristo, respondeu, como quem contava um segredo de seu coração: “Ficai sabendo, filhos, que a pobreza é o caminho especial da salvação, que seu fruto é enorme, mas são muitos poucos os que o conhecem”.

Fonte: Tomás de Celano, Vida II, Cap. 151 (199-200); Escritos e Biografias de São Francisco de Assis – Crônicas e Outros Testemunhos do Primeiro Século Franciscano, pp. 427-428, 7ª Edição, Ed. Vozes Ltda., Petrópolis, 1996.

Exemplo Singularíssimo

Mostrava-se em Nápoles pela Festa do Natal de 1641, um presépio de curioso artifício[6]: e entre o variado concurso que acudia à igreja, levado parte da devoção, parte da curiosidade, chegou-se também um escravo turco, que estava mais desviado apascentando os olhos só com o material daquele objeto cuja piedade ignorava. E quando chegou a empregar os olhos na lindeza do Menino Deus deitadinho nas suas palhas, e ladeado de dois rudes animais, reparou que o Menino olhava para ele com risonho semblante, e estendendo a mão para fora das faixas, lhe acenava com o dedo indicador. Duvidou entre si se era verdade o que via; mas o Menino o tirou da perplexidade, chamando-o com voz clara, e distinta. Veio, enfim, atônito, e tremendo: e o Menino acrescentando favores a favores, e maravilhas sobre maravilhas, fez o ofício de catequista, e lhe ensinou em poucas palavras os rudimentos da Fé, e lhe disse que se batizasse, porque brevemente estaria em Sua companhia no Céu. Como podia a palavra de tal Senhor não ser eficaz, e poderosa? Pediu logo o escravo turco o Sacramento do Batismo; para se fazer verdadeiramente livre e filho de Deus. E como tivesse tão bom Mestre, se achou instruído para o receber. Seguiu-se-lhe uma doença, na qual pediu o sagrado Viático, protestando que não podia morrer sem que primeiro o recebesse. E tanto que entrou o Senhor em seu peito, saiu aquela ditosa alma do seu corpo, a tomar posse pacífica do inefável bem que lhe fora prometido. Neste admirável caso.

Pondere-se

Como a graça da Vocação é dom meramente liberal e gratuito, sem intuito ou respeito de merecimentos precedentes; como insinua o mesmo nome de graça: Si autem gratia, jam non ex operibus.[7] Poderia ser que naquele concurso estivessem alguns fiéis, que na presciência Divina estavam condenados: e entre eles estava este turco, a quem o Senhor ab-eterno escrevera no Livro da Vida. Nada menos cuidava que na ventura que veio buscar: era escravo, ficou livre; era filho do Demônio, dicou filho de Deus, e de filho passou logo a co-herdeiro com Cristo. De palhinhas (que foram as daquele presépio) se lhe armou a sua vocação, justificação e glorificação: Quid ergo dicemus ad haec? Si Deus pro nobis, quis contra nos?... Quis accusabit adversus electos Dei? Deus qui justificat, quis est qui condemnet?[8]

Como esta liberalíssima mercê que o Senhor fez a este infiel, é uma amostra, ou traslado pequeno do mesmo que usou com toda a Gentilidade. Todos nós estávamos bem descuidados da nossa salvação, assentados nas trevas da infidelidade, e na sombra da morte eterna: e o Senhor por Sua bondade nos chamou servindo-se de seus sagrados Apóstolos como de vozes e dos milagres, que por eles realizou, e inspirações com que nos iluminou, como de início com que nos acenava. E se mais almas acudiram, mais foram regeneradas pelas águas do Batismo e nutridas com o Corpo e Sangue de Cristo Sacramentado. Enfim, que Emanuel (que é o Nome do Verbo vindo ao mundo a nos remir, e iluminar) quer dizer Deus conosco; e não nós com Deus: porque nós não éramos os que buscávamos a Deus; senão que foi Deus, o que veio buscar-nos, estando nós tão longe dEle; que a distância era infinita; e a união parecia impossível. Bendito seja o Amor de Deus e o Sangue de Cristo, que venceu esta distância e celebrou esta união: Vos, qui aliquando eratis longe, facti estis prope in sanguine Christi.[9]

Como o passo de Deus Menino no seu presépio, é acomodado e feito de propósito para atrair corações e caçar almas. Os italianos e nós os portugueses abreviamos o Nome de Emanuel, em Manoel; os franceses ainda mais, dizendo Noel: e à Festa do Natal lhe chamam Noel, isto é, Festa de Manoel pequenino. Abreviou-se Deus, porque queria se meter conosco: e até o seu Nome abreviado tem graça e causa devoção. O fervor desta fazia ao Seráfico P. S. Francisco chamar-lhe o Pequenino de Belém. Este pois, graciosíssimo Pequenino de Belém, atrai a Si as almas, para as fazer grandes: abreviou-se para nos engrandecer e se empobreceu para nos encher de Seus tesouros. E tão eficaz e oculta virtude deixou naquela lapinha onde nasceu (a qual se conserva hoje em poder dos Religiosos filhos do mesmo Seráfico Padre); que quando ali entram os turcos, se descalçam primeiro, e descobrem as cabeças tirando os turbantes[10](coisa que eles nunca usam, porque o reputam por pouca honestidade), e beijam afetuosamente o lugar do presépio, e ungem as cabeças com azeite das lâmpadas, que ali ardem e deixam suas esmolas para o culto daquele Sacrário. Tal é a suave violência com que o Mistério de Deus Menino avassala corações, ainda os mais bárbaros.

Fonte: Pe. Manoel Bernardez, “Luz e Calor”, 2ª Parte, Opúsculo II, Exemplo XXVII, n. 321, pp. 318-319; Nova Edição, Lisboa, 1871.

 

[1]   Miq. 5, 2.
[2]   Este templo, um dos mais célebres de Roma, fechado em tempo de paz, permanecia aberto em tempo de guerra. Nota Suetônio (in Aug. 2) que desde a fundação de Roma até Augusto, só se fechara duas vezes.
[3]   Sobre moedas cunhadas com a efigie de Augusto, lia-se esta letra: Salus generis humani (Suet. In Aug. 53).
[4]   O edito, datado do ano 746, não se aplicou na Judeia senão três anos mais tarde.
[5]   Heb. 10, 4 seg.
[6]   Stengel, Tom. 1, De Divinis judiciis, Cap. 42, nº 15. O qual diz que escreveu este caso Antônio Ceschi a 18 de Janeiro de 1643.
[7]   Rom. 11, 6.
[8]   Rom. 8, 31 e 33.
[9]   Efés. 2, 13.
[10] Isto viu muitas vezes o Pe. Fr. Affonso de Castilho que foi ali Guardião e o refere no livro 3 do seu Devoto peregrino, Cap. 10 sinc.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Comunismo é o Ópio do Povo.


Arcebispo Fulton Sheen
Arcebispo Fulton Sheen

O Comunismo é o ópio do povo porque adormece os pobres prometendo-lhes algo que nunca lhes pode dar, ou seja, um paraíso terrestre. Mudando apenas uma palavra numa sentença de Lenine: “O Comunismo ensina aqueles que labutam toda a sua vida em pobreza a serem resignados e pacientes neste mundo, e consola-os pelo pensamento de um paraíso terrestre”. Singular espécie de paraíso esse, que é inaugurado pelo morticínio, pelo exílio e pelo confisco; estranha espécie de paraíso esse, que espera estabelecer a fraternidade pregando a luta de classes, e estabelecer a paz praticando a violência. Estranha espécie de paraíso esse que tem de recorrer ao temor e à tirania para impedir que alguém “escape” dele.

Da obra Comunismo: o ópio do povo, do Venerável Arcebispo Fulton Sheen (créditos ao leitor José Tiago Fernandes Monteiro).


 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Como Nasceu o Panetone: Sorriso da Alma Católica Medieval.


O Panetone, como tantos outros costumes católicos ligados ao Natal, teve sua origem em plena Idade Média, na Lombardia, Itália.

Tipicamente ele tem uma base cilíndrica com cerca de 30 cm de altura, a qual termina numa espécie de cúpula como que extravasando de sua forma original.

Composto de água, farinha, manteiga, ovos, frutas cristalizadas, cascas de laranja e cedro, além de uvas passa e muita imaginação, a tradição lhe atribui diversas origens.

Uma das versões mais respeitadas atribui a origem da receita aos tempos que governava Milão o turbulento duque Ludovico Maria Sforza, dito o Mouro (1452 – 1508).

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O belicoso Ludovico, já renascentista em espírito, encomendou um suntuoso jantar de Natal que devia coroar sua glória como duque da poderosa cidade de Milão. Para o evento convidou toda a nobreza das cidades vizinhas.

O cozinheiro fez tudo quanto de mais fabuloso lhe ocorreu. E nada lhe faltou para isso.

Só falhou num pormenor: esqueceu o bolo da sobremesa no forno, e este acabou carbonizado.

O cozinheiro entrou em desespero, pois talvez sua cabeça estivesse em jogo com tão imprevisível patrão.

Essa foi a hora em que surgiu um pobre ajudante de cozinha, do qual só se conhece o nome de Toni.

Com o pouco que tinha sobrado na despesa, Toni propôs fazer um pão doce de acordo com uma receita que possuía.

Dito e feito, o pão foi servido na mesa dos magnatas, espionados pelo aterrorizado cozinheiro.

O entusiasmo dos potentados não teve igual. O cozinheiro foi chamado no ato para explicar a iguaria. Sem saber o que dizer ele balbuciou:

– “É o pão de Toni...”.

E assim nasceu o termo “panetone” (o pão de Toni). Sua receita já tem mais de 500 anos e é apreciada no mundo inteiro.

Um costume medieval existente já no século IX animava as festas natalinas no território milanês.

Todas as famílias se reuniam em volta da lareira, aguardando que o pater familias – o fundador ou herdeiro do fundador da família – dividisse “un pane grande” e oferecesse um pedaço a todos os presentes em sinal de união familiar.


Esse pão tinha também sua história impregnada de caridade católica.

Na época, o pão de farinha branca era raro e caro, quase exclusivo dos nobres. Porém, no Natal, aristocratas e plebeus ganhavam de graça o mesmo pão de farinha branca, enriquecido com frutas e outros elementos, oferecido graciosamente pelos padeiros da região.

Era o “pão de Toni”!




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domingo, 16 de dezembro de 2012

Duas Formas Litúrgicas, Mas a Mesma Fé.


 ZP12121401 - 14-12-2012

Entrevista com o Pe. José Edilson de Lima, sacerdote da Adm. Apostólica São João Maria Vianney e Juiz auditor do Tribunal arquidiocesano do Rio de Janeiro

Por Thácio Siqueira

RIO DE JANEIRO, domingo, 14 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) – Em todos os domingos, às 9hs da manhã, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, na cidade do Rio de Janeiro, celebra-se a Santa Missa Prelatícia na Forma Extraordinária do Rito Romano.

Mas, o que é a Forma Extraordinária do Rito Romano? Tem aprovação do Papa? É de difícil compreensão e participação? Para responder a essa questão, ZENIT conversou com o Pe. José Edilson de Lima, sacerdote da Adm. Apostólica e Juiz auditor do Tribunal arquidiocesano do Rio de Janeiro.


ZENIT: Qual é a diferença entra a missa na forma extraordinária do rito romano e a missa na forma ordinária? Desde quando ela existe?

PE. JOSÉ:  A Missa na Forma Extraordinária é fruto de uma antiga tradição recolhida por São Gregório Magno (596-604) para uso em Roma, onda já fixa o cânon. Este cânon permaneceu o mesmo até o Beato João XXIII. Por ser a Liturgia da Igreja de Roma, generalizou-se em todo o Ocidente entre os anos 700 a 1500. Com Carlos Magno passa a ser usada no Império dos Francos e foi enriquecida no contato com as diversas liturgias galicanas e orientais. Com a crise na Igreja e no papado, o Missal, agora franco-germânico, volta para Roma e vai ser a base para a reforma gregoriana no século X. Os ritos foram simplificados para uso interno da Cúria em suas viagens e o Missal Romano passa a ser usado em toda parte. Os franciscanos o adotaram e acabaram por divulgá-lo em todo o Ocidente.

O Concílio de Trento, enfrentando a crise da Igreja na época e as investidas protestantes contra os dogmas eucarísticos, especialmente o valor da Santa Missa, da Eucaristia e do Sacerdócio,  ordenou a reforma do Missal e em 1570, com a Bula Quo primum tempore, o Papa São Pio V publicou o Missal Romano, tomando como base o Missal da Cúria e impondo-o como obrigatório em toda a Igreja Latina. Por isso o Missal na forma antiga é chamado erroneamente de São Pio V ou Tridentino. Na realidade é muito mais antigo.

Os Papas posteriores reeditaram o Missale Romanum realizando melhorias na formulação das rubricas, revisão de alguns textos e reformas no calendário. A última reforma das rubricas foi feita pelo Beato João XXIII através do Motu Próprio Rubricarum instructum em 25/07/1960. A última edição conforme as novas Rubricas é do ano 1962. É a chamada hoje pelo Papa Bento XVI Forma extraordinária do Rito Romano. O grande diferencial está na sua história, pois é fruto de uma evolução litúrgica homogênea, e na sua precisão teológica, principalmente no que diz respeito aos dogmas eucarísticos. Aparece mais o sentido do sagrado numa liturgia mais vertical. Pela precisão nas rubricas, está menos sujeita a alterações, o que dá uma certa garantia contra as inovações que podem ocorrer fruto de um mal conhecimento do verdadeiro sentido litúrgico.

ZENIT: O que é a admnistração apostólica São João Maria Vianney? Tem aprovação do Papa?

PE. JOSÉ:  A Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney é uma circunscrição eclesiástica, equiparada a uma Diocese, segundo os cânones 368 e 371 § 2, erigida canonicamente em 18 de janeiro de 2002, para atender a uma situação particularmente grave que existia na Diocese de Campos. Havia um Bispo e um grupo estável de sacerdotes e de religiosos, com várias comunidades estruturadas, obras sociais e de apostolado  e cerca de 30 mil fiéis organizados em torno da Santa Missa e disciplina litúrgica anterior ao Concílio Vaticano II. Formávamos uma União chamada São João Maria Vianney. Era uma situação incômoda para nós, pois sempre amamos a Santa Igreja e o Santo Padre, rezávamos por ele no Cânon da Missa e nunca nos consideramos outra Igreja, e sim Católicos romanos. Pedimos ao Santo Padre sermos reconhecidos como Católicos e podermos continuar com a Liturgia na forma antiga. Sua solicitude atendeu o nosso pedido e criou uma Administração Apostólica Pessoal.

Com o decreto da Congregação para os Bispos Animarum bonum, a União São João Maria Vianney foi transformada em Administração Apostólica Pessoal dentro dos limites da Diocese de Campos, tendo à frente um Administrador Apostólico que a governa em nome do Sumo Pontífice. Na verdade, são duas circunscrições eclesiásticas dentro do mesmo território, uma territorial, a Diocese de Campos com o seu Bispo próprio, e a Administração Apostólica Pessoal para os fiéis ligados à antiga forma do Rito Romano, hoje chamada Forma extraordinária. No mesmo território, duas formas litúrgicas, mas a mesma fé e a mesma submissão aos legítimos pastores da Igreja. A criação da Administração Apostólica acabou com uma divisão que havia em Campos e foi um fator de enriquecimento para a Igreja, não só em seus limites mas em todo o Brasil, mostrando que é possível conviverem as duas formas litúrgicas em perfeita harmonia, sem detrimento da unidade.

ZENIT - Que tipo de formação precisa o fiel que queira participar dessa missa?

PE. JOSÉ: Embora muitos que procuram a Santa Missa na forma extraordinária o façam devido a uma certa formação litúrgica, na verdade qualquer fiel bem disposto pode participar. Temos esta experiência em nossas inúmeras igrejas e paróquias. Pessoas muito simples, às vezes semi-analfabetas ou até crianças, acompanham e participam da Missa na Forma extraordinária sem problemas. Talvez se sinta alguma dificuldade no início, como poderia acontecer em qualquer rito desconhecido. No caso da Forma extraordinária, o rito é o mesmo.

É de muita utilidade o uso do Missal apropriado contendo os textos em latim e vernáculo. Caso não seja possível, que se tenha ao menos o texto do Ordinário da Missa para que o fiel possa acompanhar os diversos momentos da liturgia. Irá percebendo quando começam as orações ao pé do altar até o Glória e Coleta um caminhar em direção de Deus. Em seguida, Deus se volta para os assistentes com sua Palavra. Depois de professarmos nossa Fé, vamos mais uma vez ao Pai, oferecendo-nos ao Pai com a Vítima divina. São belíssimas as orações do ofertório e datam do século XIII. Deus recebe nossos dons e vem a nós, dando-nos agora o seu próprio Filho. Há, pois um duplo movimento, um ascendente e um descendente: nós vamos a Deus e Ele vem a nós. Isto fica bem claro a qualquer fiel, mesmo que não consiga compreender o teor de cada palavra dita em latim.

No Brasil, há muitas dioceses onde a Missa na forma extraordinária é celebrada e são muitas as pessoas que a procuram. Muitos procuram nossa Administração Apostólica para aprenderem a celebrar. Temos feito um encontro anual para reunir os sacerdotes ligados à Forma extraordinária, ajudando-os com formação teológica, espiritual e litúrgica. O grande fruto é não só um conhecimento maior da Forma antiga, mas uma melhor celebração, com mais respeito e dignidade da Forma ordinária em suas paróquias de origem, como deseja o Santo Padre.


 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Dogma da Imaculada Conceição de Maria, a Mãe de Deus (Circunstâncias e Notícias)



Do Exílio de Gaeta

O ato mais memorável de Gaeta é a Encíclica do dia da Purificação, 2 de fevereiro de 1849, dirigida aos Patriarcas Primazes, Arcebispos e Bispos do Universo, para aceitarem a Tradição Universal tocante à crença da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

Nesta Encíclica, Pio IX afirma, que em toda a Cristandade se operou um movimento espontâneo em favor desta crença, de maneira que uma completa manifestação parece suficientemente preparada, não só pela Liturgia e pelas formais instâncias de numerosos Prelados, como pelos trabalhos dos mais sábios teólogos. E, acrescenta, que esta disposição geral corresponde perfeitamente às suas próprias ideias, e que no meio das horríveis calamidades da Igreja, seria grandemente consolador ajuntar mais um florão à coroa da Virgem poderosa, adquirindo mais um título para a sua especial proteção.

Nestas disposições, declarou mais, que instituiria uma Comissão de Cardeais para estudar a questão, convidando também todos os seus Veneráveis Irmãos no Episcopado, a darem a sua opinião, juntando suas orações às dele, para chamar as luzes do Divino Espírito.

Estas preocupações puramente teológicas, no momento que por assim dizer, lhe fugia a terra debaixo dos pés, acarretaram sobre o Pontífice os sarcasmos da sabedoria humana. Por algum tempo custou a compreender que um Papa é teólogo antes de ser rei, e como teólogo tem a certeza do dia seguinte; sendo, portanto, o solene procedimento de Pio IX uma triunfante resposta a todos os erros do espírito moderno. Com efeito, o Dogma da Imaculada Conceição esmaga e pulveriza todos os sistemas racionalistas, que não querem admitir na Natureza Humana nem Queda nem Redenção sobrenatural. Além disso, o modo como a promulgação se preparava, tendia a aproximar cada vez mais do centro comum todas as igrejas particulares. Logo que a impiedade compreendeu tudo isto, atacou furiosamente o que chamava “o novo dogma”, e tanto a heresia como a falsa filosofia deram a este respeito assaltos de inépcias e ignorâncias. Sem fazer caso destes vãos clamores, Pio IX prosseguiu serenamente na obra inspirada pelo Céu, obstinando-se em depositar sua confiança numa humilde Virgem, antes que nos sufrágios impersistentes dos povos, ou na força dos canhões.

“Temos a firme esperança, escrevia ele, que a Virgem que foi elevada pela grandeza de seu mérito acima de todos os coros dos Anjos até ao Trono de Deus,[1] a Virgem Cheia de Graça e suavidade, Aquela que tem sempre arrancado o Povo Cristão às ciladas do Inimigo..., se dignará com a imensa ternura, que é a natural efusão de seu Coração Maternal, compadecer-se de nós, conseguindo por sua altíssima e soberana proteção livrar-nos das cruéis angústias que sofremos... aplacando a cólera Divina que nos está ferindo, em razão de nossos pecados, apaziguando as terríveis tempestades que de toda a parte assaltam a Igreja, e que finalmente, a imensa dor de nossa alma se transformará em júbilo. Por que, sabeis perfeitamente, Veneráveis Irmãos, que o fundamento da nossa esperança é a Santíssima Virgem, por que é Nela, diz São Bernardo, que Deus concentrou a plenitude de todo o bem, de maneira que se temos alguma esperança, se obtemos algum favor, se há alguma salvação, saibamos que é Dela que nos vem... tal é a vontade Daquele, que quis, que tivéssemos tudo pela intercessão de Maria.[2]


Da Definição do Dogma

Devem lembrar-se que por uma Encíclica, datada de Gaeta, Pio IX tinha interrogado o Episcopado da Igreja Universal a respeito da crença na Imaculada Conceição. As respostas chegaram em número de seiscentas e três. Quinhentas e quarenta e seis pediam instantemente a Definição Doutrinal; e somente algumas, como por exemplo a de Monsenhor Sibour, Arcebispo de Paris, se mostrava hesitante no sentido da oportunidade; todavia, os sentimentos do Mundo Católico a tal respeito não eram duvidosos.

Nestas solenes circunstâncias, Pio IX chamou para seu lado todos os Bispos que pudessem ir à Roma, e ali se reuniram dois mil e noventa e dois de todos os países, à exceção da Rússia, onde o desconfiado despotismo do Imperador Nicolau se opôs à sua viagem.

Estes Prelados contribuíram para terminar o trabalho da Comissão encarregada de preparar a Bula; mas, no momento de assentar numa redação definitiva, consultaram se os Bispos assistiam como juízes, para pronunciar a definição simultaneamente com o Sucessor de São Pedro, devendo mencionar-se sua presença debaixo deste título, ou ser bastante para o julgamento supremo, a palavra do Soberano Pontífice.

A questão terminou repentinamente, como por inspiração do Espírito Divino.

Estava-se na última Sessão, conta Monsenhor Audisio, testemunha presencial, ao toque das badaladas do meio-dia, toda Assembléia ajoelhou para rezar o Angelus. Neste momento, e depois de cada um retomar seu lugar, apenas se tinha trocado algumas palavras, ouviu-se de golpe uma aclamação ao Santo Padre, um brado uníssono de adesão à primazia da Cadeira de São Pedro reboou no espaço, fechando o debate: Petre, doce nos; confirma frates tuos! Pedro, guia-Nos, confirma teus Irmãos. A luz que esses Pastores pediam ao Pastor Supremo, era a definição da Conceição Imaculada.

O dia 8 de dezembro de 1854 foi o grande dia, o dia triunfal que, segundo as formosas palavras de Monsenhor Dupanloup, “coroou as esperanças dos séculos passados, abençoou o século presente, atraiu para si o reconhecimento do futuro, legando-lhe uma lembrança imorredoura; o dia finalmente em que foi pronunciada a primeira definição de Fé, sem contestação, e que nenhuma heresia maculou. Roma inteira exultava. Uma imensa multidão de todos os países se apertava nas proximidades da ampla Basílica de São Pedro, demasiado pequena para acolher tanta gente. De repente, viu-se desfilar processionalmente os Bispos, por ordem de antiguidade e seguidos dos Cardeais. O Soberano Pontífice, no centro de um brilhante cortejo, fechava o préstito, enquanto que o canto das litanias dos Santos convidava a Corte Celestial a ajuntar-se à Igreja Militante, para honrar a Rainha dos Anjos e dos Homens. Sentado no Trono, Pio IX recebeu a obediência dos Cardeais e dos Bispos, e em seguida começou a Missa Pontifical.

Quando o Evangelho foi cantado em grego e em latim, o Cardeal Macchi, Decano do Sagrado Colégio, acompanhado dos Decanos, dos Arcebispos e Bispos presentes, de um Arcebispo do rito grego e de um Arcebispo Armênio, apresentou-se ao pé do Trono rogando à Sua Santidade, em nome de toda a Igreja, para que elevasse sua Voz Apostólica, pronunciando o Decreto Dogmático da Imaculada Conceição”. O Papa respondeu que alegremente acolhia este pedido, mas ainda uma vez, queria invocar o auxílio do Espírito Santo. Todas as vozes se uniram no cântico Veni Creator, e logo que este terminou, Sua Santidade de pé, e com aquela voz grave, sonora, e majestosa de que tantos milhares de fiéis conhecem a profunda magia, começou a leitura da Bula.

Em primeiro lugar estabelecia as razões teológicas da crença no privilégio de Maria; em seguida, evocava as Tradições Antigas e Universais, tanto no Oriente como no Ocidente,  o testemunho das Ordens Religiosas e dos Colégios de Teologia, dos Santos Padres e dos Concílios, e finalmente, os Atos Pontificais, tanto antigos como recentes.

Enquanto que o Papa expendia esses piedosos e magníficos Documentos, seu rosto denotava uma profunda comoção. Por muitas vezes teve de interromper-se. Depois de, dizia ele, ter oferecido sem descanso, na oração e no jejum, nossas próprias orações e as orações públicas da Igreja a Deus, o Pai Eterno por seu Filho, afim de que se dignasse dirigir e confirmar nossos pensamentos pela virtude do Espírito Santo; depois de ter invocado o auxílio de toda a Corte Celestial...; em honra da Santa e Indivisível Trindade, para glória da Virgem Mãe de Deus, pela exaltação da Fé Católica e aumento da Religião Cristã; por Autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e pela Nossa...”.

Neste ponto faltava-lhe a voz, parando para limpar as lágrimas.

Os assistentes, tão enternecidos como ele, mas mudos de respeito e admiração, escutavam no mais profundo silêncio. De repente, Pio IX continuou com voz forte, e elevando-a gradualmente numa espécie de entusiasmo:

“Nós declaramos, pronunciamos e definimos, que a doutrina que afirma que a Bem-aventurada Virgem Maria foi preservada e limpa de toda a mancha do Pecado Original, desde o primeiro instante de sua conceição, em vista dos merecimentos de Jesus Cristo, Salvador dos Homens, é uma doutrina revelada por Deus e por essa razão, todos os fiéis devem crer nela com firmeza e constância. Pelo que, se alguém tiver a presunção, o que Deus não permita, de admitir uma crença em contrário de Nossa definição, saiba que deslizou da Fé e se acha separado da Unidade da Igreja!...” .

O Cardeal Decano, prostrado segunda vez aos pés do Pontífice, suplicou-lhe então, que publicasse as Cartas Apostólicas contendo a Definição; e o Promotor da Fé, acompanhado dos Protonotários Apostólicos, pediu também que se lavrasse um Processo Verbal desse grande Ato. Ao mesmo tempo, o canhão de Santo Ângelo e todos os sinos da cidade eterna anunciavam a glorificação da Virgem Imaculada.

À noite, Roma, cheia de ruidosas e alegres orquestras, embandeirada, iluminada, coroada de inscrições e de transparentes emblemáticos foi imitada por milhares de vilas e cidades em toda a superfície do globo.

Se tentássemos contar todas as piedosas manifestações que então se deram, não só encheríamos volumes, mas bibliotecas.

As respostas dos Bispos ao Papa antes da definição foram publicadas em nove volumes; a Bula só por si, traduzida em todas as línguas e em todos os idiomas do universo, pelos cuidados de um sábio sulpiciano francês[3], encheu uma dezena; as Instruções Pastorais publicando e explicando a Bula, assim como os artigos religiosos formariam evidentemente muitas sentenças, sobretudo se lhe ajuntassem as poesias, os raptos de eloquência, e a descrição dos monumentos e dos festejos. Não esqueceria por certo notar as espontâneas e incomparáveis iluminações periódicas de Lyão, todas as vezes que o curso do ano tocou a meta do memorável dia 8 de dezembro.

A Virgem Imaculada recompensou visivelmente seu servidor,, estendendo sobre ele sua proteção de uma maneira quase miraculosa.

Passados alguns meses, em uma festa religiosa na igreja de Santa Inêz, próximo da Via Nomentana, achava-se o Pontífice sobre um tablado com algumas pessoas da sua corte, quando este abateu, arrastando na queda, da altura de quinze à vinte pés, todos os que ali se achavam. Este incidente podia ter sérias consequências; felizmente apenas se deram algumas contusões sem gravidade. Roma festejou estrepitosamente a preservação da vida de seu Soberano.

Vinte anos depois, a 12 de abril de 1875, reuniu-se ainda a Nobreza Romana para celebrar este aniversário, que era ao mesmo tempo o da chegada triunfal de Gaeta em 1852.

Em resposta aos protestos de dedicação que lhe foram lidos por tal motivo no Vaticano, Pio IX fez alusão aos meios empregados misteriosamente pela Providência. Disse ele: “A nossa queda em Santa Inêz pareceu-nos a princípio um desastre, aterrou-nos a todos extraordinariamente, mas no fundo, não teve outro resultado senão dar mais forte impulso aos trabalhos de solidez e aformoseamento da antiga Basílica. Agora sucederá o mesmo, acrescentou ele. Das ruínas morais que o Inferno acumula de todas as partes sobre nós e em redor de nós, a Igreja sairá rejuvenescida, mais vigorosa e mais bela do que nunca”.


Fonte: J. M. Villefranche, Pio IX – Sua Vida, Sua História e Seu Século, Cap. VIII, pp. 133-135; Cap. X, pp. 153-157. Livraria Editora de Mattos Moreira & C.ª, Lisboa, 1877.

Esta Edição Portuguesa Prefaciada por Camillo Castello Branco, está com data de 1877, e cuja Casa Editora em tela, principiou a série da sua Biblioteca Religiosa.

Obs.: Esta portentosa obra foi escrita, quando o Beato Pio IX ainda vivia. Ouçamos o Autor: “Escrever a história de um homem enquanto vivo, é uma empresa delicadíssima senão impossível: todavia, neste caso, como se trata de Pio IX, a natural curiosidade e avidez do público custa-lhe a esperar pela posteridade” (Prefácio).    


[1]   São Gregório, Papa, De Expositione in livros Regnum.
[2]   São Bernardo, In Nativit. B. Mariae.
[3]   M. o abade Sire.

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