Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Um Dom das Línguas, um tanto... inusitado




“Poderemos ainda, a não negar a evidência, recusar o milagre dos católicos, aos quais Hunerico, rei dos Hunos, fez arrancar em Typaso, na África, a língua até a raiz, e que viveram ainda muitos anos, falando com a mesma facilidade, como antes disso, e deixar de confessar que é um prodígio, cujo autor só Deus pode ser? Se, com efeito, é verdade que se apontam alguns casos excepcionalmente raros, em que a perda mais ou menos importante, mas sempre parcial da língua, não impede o uso da palavra, há entre esses fatos e o Typaso, diferenças que excluem todo o confronto, e cujo conjunto é verdadeiramente decisivo.



Esses fatos raros não são verificados, como foi o de Typaso, cuja certeza histórica assenta no testemunho de seis autores contemporâneos, que escreveram em lugares diferentes e em anos diversos, os quais todos viram esses homens, que tinham o cunho do milagre: São Víctor de Vite, o Imperador Justiniano, Enéas de Gare, Procópio, o Conde Marcellino e Víctor de Tunone.



Que testemunho mais formal e oferecido oficialmente à verdade deste fato pelo Imperador Justiniano no Código das suas Leis?



'Nós mesmos vimos, diz ele, esses homens venerandos, que havendo sofrido a amputação da língua até a raiz, narravam a história tocante dos males que haviam padecido'.[1] E que depoimento mais concludente do que o de Enéas de Gare, filósofo platônico convertido? 'Vi com os meus olhos esses homens e os ouvi falar; e não dando crédito aos meus ouvidos, quis apreciar pelos meus olhos. Fazendo-lhes abrir a boca, vi que a língua tinha sido completamente amputada até a raiz; e na minha surpresa achei inconcebível, não que pudessem falar, mas que tivessem podido resistir a essa cruel operação'.[2]



O próprio Gibbon confessa que esse milagre das línguas arrancadas se realizou no teatro mais vasto e esclarecido do mundo, e foi submetido durante muitos anos ao exame dos incrédulos. 'Todos esses homens, acrescenta ele, atestaram o prodígio, quer como testemunhas oculares, quer como sendo assunto de notoriedade pública'.[3]



Esses fatos são individuais, isolados, ao passo que o de Typaso, é fato coletivo e simultâneo em um número considerável de vítimas da crueldade de Hunerico, de modo que o que não é senão exceção raríssima em diversos lugares e tempos, se produziu em grande número de indivíduos simultaneamente na mesma cidade.



Nestes fatos só se trata de uma articulação mais ou menos imperfeita da palavra depois de longo lapso de tempo, e por esforços repetidos; nos Mártires de Typaso, é outra coisa: eles continuaram a falar tão fácil e distintamente como antes da amputação, e tudo isso três dias depois do suplício, como atesta Enéas de Gare, que os havia examinado.



Em nenhum desses fatos a falta completa da língua se acha provada, e o uso da palavra, mais ou menos imperfeito, pode explicar-se naturalmente pela porção de língua, que restava aos indivíduos de que se trata, a qual conservava uma parte do seu jogo mecânico.



Todos os autores contemporâneos, que referem o fato de Typaso, afirmam unanimemente que a língua dos supliciados havia sido cortada até a raiz. E esta circunstância é de tal modo demonstrativa, que eles continuaram a falar de modo tão claro e distinto como antes, enquanto todos sabem que basta um leve tumor na língua para impedir o livre e expressivo exercício da palavra.



Nesses fatos nada há que tenha referência ao sobrenatural; enquanto que no sucesso de Typaso, Procópio, historiador distinto, companheiro de Belisário nas guerras, que este general fez na Pérsia, na Itália e na África, senador e governador de Constantinopla, honrado com o epiteto de Ilustre, relata que dois dos que receberam o milagre perderam o uso da palavra em castigo de um pecado de impureza em que caíram.



Deste modo, não só o grande sucesso de Typaso, revestido da mais elevada certeza histórica, repele toda a explicação natural, mas é derrogação manifesta à lei constante da natureza a respeito do uso da palavra; verdadeiro milagre, cujo autor só Deus podia ser, que o operou em prova da verdade da Religião Católica, porque os supliciados de Typaso padeceram a amputação da língua por haverem confessado altamente a Fé Católica, a Divindade de Jesus Cristo, sendo o primeiro uso que fizeram do dom miraculoso, que lhes fora concedido, o dar graças e glória a Deus; milagre tanto mais saliente e demonstrativo, que ele foi permanente e cosmopolita, tendo os agraciados abandonado a África para escaparem aos furores dos vândalos arianos, e tendo-se disseminado em vários países onde sabiam que podiam estar ao abrigo da raiva dos seus inimigos.



Por isso, o sábio Barônio, chamou este prodígio 'estrondo de trovão do Espírito Santo, ouvido em todo o universo, equivalente ao do Pentecostes; porque, acrescenta ele, não se trata aqui nem de uma só testemunha, nem de muitas, mas de uma província inteira, ou antes, não se trata de uma província, nem da África, mas de todos os países; nem de um dia, nem de um mês, mas de um século inteiro, isto é, até à morte do último desses Mártires dispersos no mundo inteiro. E, finalmente, Deus quis que todos os historiadores contemporâneos, mais autorizados, e de todas as opiniões, o atestassem, usando dos mesmos termos'.[4][5]



“Ano de Cristo 484. A história da África deste século, apoiada em testemunhas oculares da máxima credibilidade, aponta-nos o horroroso reinado de Hunerico como uma série não interrompida de crimes atrocíssimos. O arianismo foi não menos violento do que o paganismo na perseguição contra os católicos, aos quais aqueles chamavam os homousios, isto é, os que confessavam a unidade de substância entre o Verbo e o Pai, e os sete anos e alguns meses, que este tirano reinou, são dos mais tenebrosos nos anais eclesiástico. Nessas épocas funestas sempre Deus manifesta o poder da verdade por meio de prodígios assombrosos, porque é então, que racionalmente eles são necessários. Os Mártires de Typaso, que era uma cidade na Mauritânia cesariana, hoje a colônia francesa de Argel, são uma dessas maravilhas, que espantaram o mundo; mas não fora esta a única: houve muitas outras, perfeitamente autênticas, que se podem ler em todas as histórias eclesiásticas e profanas. Pode ler-se o Tomo VIII da História da Igreja, de Rohrbacher, Livro XLII; o Tomo II da História da Igreja, pelo barão Henrion; Victor de Vite, Livro II, etc. Os horrores da perseguição eram acompanhados de milagres de toda a sorte, que confirmavam sempre a grande verdade Católica da Divindade de Jesus Cristo” (Nota do tradutor).


[1]   A Religião Cristã provada por um fato só.
[2]   Enéas de Gare, no diálogo intitulado Theophrasto, junto ao fim.
[3]   História da Decadência.
[4]   Annaes, Tomo VI. 
[5]   Côn. E. Barthe, “Motivos da Minha Fé Religiosa”, 3ª Parte, Cap. V, § 2º, ponto II; tradução do original, prefaciada e anotada por Francisco de Azeredo Teixeira de Aguiar (Conde de Samodães), 2ª Edição – correta, Porto, 1883. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A Maçonaria segundo um ex-maçom


Maurice Cailet



Entrevista concedida por ocasião da excomunhão do Pe. Pascal Venzin (França), que se descobriu ser maçom. Maurice Cailet, ex-membro do Grande Oriente da França recorda…tudo o que separa a Maçonaria do Cristianismo

Por Religión en Libertad * | O testemunho de Maurice Cailet, “Eu Fui Maçon”, já deu a volta ao mundo em dez idiomas.

Médico agnóstico, foi iniciado no Grande Oriente da França, desfrutou os privilégios da fraternidade e da ajuda mútua entre seus membros até que comprovou que esta fraternidade estava acima da justiça e depois começou a se tornar incômodo para a sociedade secreta. No fim do caminho, lhe esperava a Santíssima Virgem em Lourdes.

Pedimos a Cailet uma avaliação sobre aquilo que, nos diz, é um “escândalo” na Igreja Francesa: a pertença à Maçonaria do pároco de Megève (diocese de Annecy, em Alta Saboya, próximo da Suíça). O Pe. Pascal Venzin teve que ser afastado de suas funções e ser excomungado, diante de sua negativa de abandonar a organização. Jose Gulino, Grande Mestre do Grande Oriente da França e porta-voz dos sentimentos do padre (“ele não entende”) considera “um retorno ao obscurantismo que já não tem razão de ser na república. Desejo que a Igreja evolua. É possível ser sacerdote e maçom. Não compreender isto, supõe voltar à Idade Média”.

Porém, Cailet opina de outra forma:

“Como ex-francomaçom do Grande Oriente da França por 15 anos e depois convertido repentinamente em Lourdes, estou surpreendido e indignado que um sacerdote católico pôde vir a aderir à mesma obediência que eu”.

Por que esta indignação?

“É uma prova de desobediência porque ele não podia ignorar a decisão da Congregação para a Doutrina da Fé de Nov/1983, que priva da Santa Comunhão os católicos que aderem à Maçonaria“.

Se trata apenas de uma questão disciplinar?

“Particularmente é absurdo e filosoficamente contraditório conciliar a Fé católica e a filosofia maçônica.”

O que as separa?

“O Cristianismo anuncia a Verdade, Jesus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, morto e ressuscitado por nosso pecados, A Maçonaria especulativa, fundada em 1717 a mando do herege Newton, repousa sobre mitos e fábulas como a de Hiram, nega todo fenômeno sobrenatural e prega o relativismo”.

Porém não se apresenta assim…

“Suas doutrinas são secretas e reservadas aos iniciados, que se situam a si mesmos orgulhosamente acima dos profanos. Pretendem revelar aos iniciados uma seduzente ‘Tradição Primordial’ anterior ao Cristianismo, para levar-lhes “a Luz”. É, portanto, uma organização elitista, enquanto Jesus se dirige a todos, principalmente aos humildes e aos pequenos”.

Os maçons crêem em Deus?

“Alguns maçons, de algumas obediências admitem a existência de um Grande Arquiteto do Universo, criador impessoal do cosmos, porém não reconhecem a Jesus como Deus.”

E na vida após a morte?

“Os maçons acreditam que após a morte vão ao Oriente Eterno, porém não tem nenhuma esperança no Paraíso. Nem levam em conta a Graça de Deus nem esperam nada de Deus.”

Por que combatem a Igreja?

“Oficialmente exibem uma tolerância a todas as religiões, mas, na realidade, perseguem a destruição do Papado e a abolição dos princípios da moral judaico-cristã.”

Em todas essas batalhas atuais são vistos em posição contrária a Igreja Católica…

“Pregam o hedonismo, isto é, a satisfação de todos os desejos e todos os prazeres. Por isto estão na origem de Leis sobre a anticoncepção, o aborto, o divórcio, o casamento homossexual, a eutanásia, a despenalização das drogas chamadas brandas“…

E seu lema: liberdade, igualdade, fraternidade?

“Todos seus princípios são desviados na verdade: é a liberdade sem limites, a desigualdade entre iniciados e profanos e entre os 33 graus bem diferenciados [na hierarquia maçônica], e a fraternidade… apenas entre maçons! inclusive com risco para suas vidas.”

Existe culto demoníaco?

“Nos graus mais altos se rende culto a Lúcifer. Porém, desdo os primeiros graus, um católico -e com maior razão um sacerdote- deveria reconhecer as paródias da religião e a prática de ritos animistas.

Como explicar então o caso do Pe. Pascal Vensin e outros?

“Somente a ingenuidade ou a ambição podem cegar aqueles que entram no círculo fechado dos iniciados. O único benefício é a ajuda incondicional entre “irmãos” e ter à sua disposição uma boa agenda de endereços. Porém, em troca… se perde a alma.

* Nosso agradecimento ao leitor João por fornecer sua tradução



Serei Eu Predestinado à Glória do Céu? Como Sabê-lo? Como Sê-lo?



A Devoção à Nossa Senhora
é Sinal de Predestinação ao Céu

“O ápice de todos os incalculáveis benefícios do culto Mariano é marcado pelo fato de que uma devoção sincera a Maria é um sinal luminoso de predestinação à glória do Céu. Esse culto é, na verdade, uma arma de salvação, que Deus põe nas mãos daquele que Ele quer salvar.

Vejamos, pois, brevemente nesta instrução os termos do grande problema e suas provas.

I – Os Termos do Grande Problema

1. Importância  Excepcional do Problema – Muitos, importantes e difíceis são os problemas que  tem agitado e continuam a agitar o espírito humano. Não só na ordem sobrenatural, mas também na ordem natural, o homem frequentemente se encontra diante do mistério. É, porém, inegável que, entre todos esses problemas importantes e difíceis, o mais importante e, juntamente, o mais difícil é precisamente o que se refere à nossa predestinação à glória do Céu. Este é um problema capaz de fazer tremerem a carne e os ossos. É o problema dos problemas.

2. Existência dos Problemas – Que exista este grande mistério da predestinação, é de Fé. Destinados por Deus a vê-lo não só em seus efeitos, ou seja, através das coisas criadas, mas também em Si mesmo, causa suprema; não só como em um espelho ou em enigma, mas ainda no fulgor de sua Face, na grandeza de sua Majestade; destinados, portanto, a um fim que supera todas as forças e exigências da natureza, requer-se necessariamente uma destinação por parte de Deus para esse novo fim. E esta destinação divina da criatura racional ao fim da vida eterna não é outra coisa senão a predestinação.

3. Serei Eu Predestinado? – Diante de um mistério tão grande, não há ninguém que, solicito por sua eterna felicidade, deixe de fazer-se esta pergunta: serei eu predestinado por Deus à glória do Céu? Estará meu nome escrito no Livro da Vida? Só Deus o sabe. O Concílio de Trento[1]  nos ensina que 'ninguém, enquanto se acha nesta vida mortal, deve ser, em relação ao arcano mistério da predestinação, tão presunçoso que se considere com certeza no número dos predestinados, como se quem está em graça não pudesse mais pecar ou, pecando, pudesse ter certeza da conversão. Com efeito, sem uma revelação especial não se pode saber quem esteja no número dos eleitos de Deus'. E é claro: o que depende da livre vontade de Deus, ou seja, de sua livre predileção e escolha, como é o caso da predestinação à glória eterna, só se pode conhecer por meio de uma revelação. Mas esta revelação é feita a poucos.

4. Tremor e Temor – Por que a poucos, poder-se-ia perguntar, e não a todos? O Angélico nos dá uma dupla razão: a primeira, por parte dos não predestinados que, sabendo-se tais, se abandonariam ao desespero; a segunda, ao invés, por parte dos predestinados que, considerando-se então seguros, se abandonariam à negligência.[2] Quer o Senhor que nós trabalhemos em nossa salvação temendo e tremendo: 'Cum timore et tremore vestram salutem operamini – Trabalhai na vossa salvação com temor e tremor'.[3]

E é precisamente esta incerteza da eterna salvação o que fazia temerem e tremerem até os maiores Santos. Temia e tremia um Santo Hilarião, não obstante ter servido ao Senhor em meio das maiores austeridades, durante 70 anos. Temia e tremia um São Bernardo e dizia, chorando: 'Ou uma, ou outra coisa: ou eternamente feliz com os eleitos, ou eternamente triste com os réprobos'. Temia e tremia um São Francisco de Assis, embora fosse 'todo seráfico em seu ardor' e, ajoelhado sobre um alto rochedo do Alverne, exclamava chorando: 'Acima de mim, está o Céu; abaixo de mim, está o Inferno; eu me acho no meio. Meu Deus, onde cairei?' Temia e tremia uma Santa Maria Madalena de Pazzi, embora fosse uma alma candidíssima e, avizinhando-se a morte, voltava-se para seu confessor e perguntava ansiosa: 'Padre, o Sr. crê que eu me salvarei?' Pois bem, se temiam e tremiam estes grandes Santos, quanto mais devemos temer e tremer nós, que somos grandes pecadores!

5. Os Sinais de Predestinação – Contudo, não exageremos! E exageraria quem quisesse tirar do que temos dito esta conclusão pessimista e desesperada: é, portanto, vã e infundada qualquer esperança de salvação. Tal conclusão, com efeito, constituiria um dos erros mais grosseiros e mais perniciosos, pois a esperança é indubitavelmente um de nossos maiores deveres e, juntamente, um de nossos maiores confortos. Não temos e nem podemos ter de nossa predestinação uma certeza absoluta de Fé, mas podemos conseguir chegar a uma certeza moral, que é suficiente para nos dar certa segurança e conservar-nos tranquilos e serenos. Para se obter esta certeza moral de nossa eterna salvação, todos os teólogos admitem alguns sinais de predestinação, ou seja, alguns indícios por que se pode deduzir, com bom fundamento, que tenhamos sido amados e eleitos, de modo especial, por Deus, isto é, predestinados à glória do Céu. Ora, entre esses sinais de predestinação, um dos principais é precisamente a devoção à Virgem Santíssima. É o que me proponho demonstrar brevemente nesta instrução, para nossa consolação e para glória de Maria.

 II. As Provas do Problema

1. A Voz da Igreja – Que a devoção à Virgem Santíssima seja um sinal moralmente certo de predestinação, é o que nos ensina claramente a Igreja, chamada pelo Apóstolo 'Coluna e Sustentáculo da Verdade'. A Igreja, com efeito, em sua liturgia, aplica à Virgem Santíssima alguns trechos dos Livros Sagrados dos quais se deduz, com a maior facilidade e lógica, esta conclusão tão consoladora. Assim, são aplicadas à Virgem Santíssima estas palavras dos Provérbios: 'Quem me encontrar, terá encontrado a vida e receberá do Senhor a salvação' – 'Qui me invenerit, inveniet vitam et hauriet salutem a Domino'.[4] São aplicadas à Virgem Santíssima as palavras do Eclesiástico: 'Os que me ilustrarem terão a vida eterna' – 'Qui elucidant me, vitam aeternam habebunt'.[5] Pois bem, quem não vê ou, melhor, quem não percebe nestas palavras as mais explícitas e doces garantias dadas por Maria a seus devotos com relação ao importante negócio de sua eterna salvação? Quem não reconhece um verdadeiro nexo entre o culto mariano e o grande problema de nossa predestinação?

2. A Voz da Tradição – Que a devoção à Virgem seja um sinal de predestinação, é o que ensina, de modo tanto explícito, toda a Tradição Cristã. É um São Pedro Damião, o qual deixou escrito: 'Não poderá perecer ante o eterno Juiz aquele que se tiver assegurado a ajuda da Mãe desse Juiz'.[6] E a ajuda de Maria, não é com a devoção para com Ela que no-la asseguramos? É um Santo Anselmo, o qual nos assevera que 'é impossível que se perca quem se volta com confiança para Maria e é por Ela bem acolhido'.[7] É um São Bernardo, o qual nos convida a recorrermos a Maria e nos assegura que a Virgem Santíssima, 'com suas súplicas eficazes, trata egregiamente dos assuntos de nossa eterna salvação'.[8] É um São Lourenço Justiniano, o qual, comentando as palavras dirigidas por Jesus, do alto da Cruz, à sua Mãe Santíssima, põe nos lábios do Crucificado as seguintes palavras: 'Nenhum devoto teu será por Mim desdenhado e nenhum de teus devotos servos se verá definitivamente excluído de Minha presença'.[9] É o célebre Pelbardo de Temesvar, o qual formula a proposição que se tornou, depois, clássica: 'Servir a Maria é um sinal certíssimo e seguríssimo de salvação'. É um São Luís Grignion de Montfort, o qual diz expressamente: 'Todo o que é eleito e predestinado traz a Virgem Santíssima morando dentro de si, isto é, em sua alma'.[10] É um Santo Afonso de Ligório, o qual deixou escrito: 'É impossível que se perca um devoto de Maria, que fielmente a serve e a Ela se recomenda'.[11] E não terminaria nunca, se quisesse citar todos os ditos dos Santos.

3. A Voz da Razão – Que a devoção a Maria seja um sinal de predestinação, é o que nos confirma também a própria razão, fundada na Fé.

a) A semelhança com Cristo, efeito da devoção a Maria: Diz-nos o Apóstolo que todos os que foram predestinados à glória do Céu, também foram predestinados a assemelhar-se ao primeiro  dos predestinados, a Cristo: 'Quos autem praedestinavit conformes fieri imaginis Filii sui'.[12]  Portanto, a semelhança com Cristo é indício mais certo e o sinal supremo de predestinação. A Virgem Santíssima, sendo a mais semelhante a Cristo, 'a face que a Cristo mais se assemelha', é a Rainha dos Predestinados. Pois bem, quem é verdadeiro devoto de Maria agradar-lhe com o assemelhar-se a Ela e, assemelhando-se a Ela, se assemelha a Cristo; assemelhando-se a Cristo, acaba tendo em si mesmo o indício mais luminoso de predestinação.

b) As preces e a ajuda de Maria: Há mais; embora a predestinação em si mesma, ou seja, como é ab aeterno, na mente divina, depende unicamente de Deus, causa prima, contudo, o efeito da mesma, ou seja, seu cumprimento no tempo, não se obtém com certeza sem o concurso das causas segundas e, especialmente, como ensina Santo Tomás,[13] sem a oração dos Santos e as boas obras. Justamente por isso, as orações dos Santos e as boas obras são os dois indícios mais certos de predestinação, pois com eles o homem vem a realizar em si mesmo a eterna predestinação de Deus.

Pois bem, se, por efeito da predestinação, são tão eficazes as preces dos Santos, quanto mais o serão as preces da Rainha dos Santos? 'Muito mais vantajoso me é', escrevia um célebre escritor mariano, 'ser devoto da Virgem só, que de todos os Santos e Anjos juntos; e estarei muito mais seguro de minha salvação, se a Virgem se ocupar dela, do que se todos os Bem-aventurados nisso empenhassem todas as suas orações e todos os seus méritos'.[14] E se a Rainha dos Santos levanta suas mãos suplicantes a Deus em favor de todos, quanto mais o fará por seus devotos!

Ainda mais: para se praticarem as boas obras, outro indício de predestinação, não é necessário, indispensável, a ajuda da graça divina? Sem esta, com efeito, não podemos fazer nada que seja meritório para o Céu. E não é a Virgem Santíssima, por disposição divina, a Medianeira de todas as graças? E dessas graças (indispensáveis para praticar as boas obras), especialmente das escolhidas, das eficazes, não será Ela particularmente pródiga para com os que a invocam e a honram? Sua honra acha-se empenhada nisso! Faltar-lhe-iam o poder e a vontade? Mas o Altíssimo não lhe deu o braço poderosíssimo de Mãe de Deus e o Coração terníssimo de Mãe dos homens? O poder é a mão que se estende e a bondade é a mão que se abre. O poder a avizinha de Deus e a bondade a avizinha dos homens.

É evidente, portanto, que ser devoto de Maria é realizar em si mesmo as condições da sabedoria divina para se obter com certeza o efeito de nossa predestinação à glória do Céu.

4. Que Devoção a Maria é Sinal de Predestinação? – Poderiam perguntar-nos: bastará uma devoção qualquer a Maria para estar moralmente seguro de haver sido predestinado por Deus à glória do Céu?

Para se dar uma resposta adequada a esta pergunta, é necessário distinguir-se uma tríplice devoção à Virgem Santíssima, a saber: uma devoção perfeita, uma devoção imperfeita, uma devoção falsa. Devoção perfeita, é a dos que, além de louvar a Virgem, executam aquela ordem que Ela deu aos servos nas Bodas de Caná: 'Fazei tudo que Ele (Jesus) mandar'. São, portanto, os que, à veneração da Virgem, unem inseparavelmente a prática fiel dos Preceitos divinos. Devoção imperfeita, é a dos que, embora vivendo em pecado, ou seja, no desfavor de Deus e, portanto, sem se darem ao propósito de imitar suas virtudes, rendem, contudo, à Virgem, com uma finalidade honesta, um perene culto de louvor. Sua devoção é verdadeira, mas imperfeita. É verdadeira, pois há nesses pobres pecadores uma verdadeira e pronta vontade de realizarem as práticas que revertem em honra de Maria. É, contudo, imperfeita, pois seus atos de devoção não são animados pela Caridade (teologal); são como belíssimas flores presas por um laço falto de limpeza. Devoção falsa, é a dos que, não só vivem em pecado, mas tiram de sua devoção a Maria, razões para viver mais livremente e mais tranquilamente no pecado. É uma devoção corrompida pela presunção, uma espécie de sacrilégio, pois profana uma coisa santíssima e procura, de certo modo, tornar a própria Virgem cúmplice das ofensas feita a Deus.

Isto posto, podemos dizer: a certeza moral de estar no número dos predestinados convém em sumo grau à devoção perfeita; em grau muito menor, à imperfeita; em grau nenhum, à falsa. Por conseguinte, quanto mais alguém quiser estar seguro de sua predestinação à glória, tanto mais deve procurar que sua devoção a Maria seja perfeita.

5. A Força dos Fatos – A força dos argumentos é confirmada admiravelmente e talvez mesmo superada pela força dos fatos. Quantos, por meio de Maria, escaparam do Inferno! Conta São Leonardo de Porto Maurício que, um dia, São Domingos, esconjurando um possesso, fez esta pergunta ao Demônio: Diga lá, ó animal imundo, já caiu no Inferno alguém que tenha sido verdadeiro devoto de Maria? – Não respondia, não queria responder o Demônio. Mas, por fim, forçado pela ordem do Santo, respondeu: Confesso a contragosto que até esta hora não foi para o Inferno ninguém que tenha sido verdadeiro devoto de Maria e que jamais irá!

Nas revelações de Santa Brígida[15], lê-se o seguinte fato, próprio para encher de confiança o coração dos devotos da Virgem Dolorosa. Vivia nos tempos da Santa um homem nobre e rico, mas celerado e perverso na mesma medida. Havia cerca de sessenta anos que não se aproximava mais dos Sacramentos. No meio de todos os vícios, porém, mergulhado em tantas perversidades, tinha uma só coisa de bom: uma terna devoção à Santíssima Virgem Dolorosa. Compadecia-se cordialmente de suas dores acerbíssimas todas as vezes que se recordava delas ou ouvia falar nas mesmas. Finalmente, adoeceu e, bem depressa, se viu reduzido à última extremidade. Nem um só pensamento, naquele desgraçado, sobre a salvação de sua alma. Santa Brígida, por ordem recebida do divino Redentor, lhe enviou um Sacerdote, para que o exortasse a fazer uma boa Confissão. Mas, por bem duas vezes, ele o repeliu grosseiramente, dizendo que não sentia necessidade disso. A Santa, então, mandou o Confessor pela terceira vez, fazendo-lhe saber da parte de Deus que estava possuído por bem sete Demônios, que em breve o iriam arrastar ao Inferno. Diante dessa mensagem tremenda, o desgraçado ficou de tal modo abalado, que se confessou com abundantíssimas lágrimas por bem quatro vezes naquele dia e, depois, comungou com as melhores disposições. Alguns dias mais tarde, entregou a alma a Deus tranquilamente.

Logo que expirou, o Senhor revelou a Santa Brígida que aquela alma havia escapado do Inferno unicamente pela devoção que tinha nutrido para com as dores de sua Mãe Santíssima.

Conclusão

A devoção à Virgem Santíssima é, portanto, um sinal luminoso de predestinação à glória do Céu. O servo de Maria não poderá, portanto, perder-se: 'Servus Mariae non peribit!' Verdade muito consoladora, que eleva nossa alma para as serenas regiões do Céu e lhe permite respirar ampla, profundamente, restaurando-se. E é esta verdade muito consoladora que um pio autor, sob o nome de São Boaventura, teria querido proclamar altamente a todas as cinco partes do mundo: 'Ó vós, que almejais entrar no Reino dos Céus, escutai! Honrai à Virgem Maria e achareis a vida e a salvação! Pois a piedosa invocação da Virgem é sinal de salvação'. E com razão. Se se dissesse a um navegante: 'Eis um pequeno barco sobre o qual é impossível naufragar-se'; se se dissesse a um soldado: 'Eis uma arma com a qual é impossível deixar de obter a vitória'; se se dissesse a um enfermo: 'Eis um remédio por força do qual não podereis morrer'; com que ardor o navegante, o soldado, o enfermo não se apegariam ao dom que lhes era oferecido?

Não somos nós navegantes, soldados, enfermos: navegantes que buscam o porto da eterna salvação, soldados que desejam a vitória sobre todos nossos inimigos espirituais e enfermos que suspiram pela saúde eterna? Pois bem, eis um grande segredo para alcançarmos o porto, para cantarmos vitória, para obtermos a saúde: amar, invocar, venerar Maria. Aproveitemo-nos dele, imprimindo sempre mais profundamente na fronte e no coração este grande sinal, este selo sagrado: é o sinal dos predestinados, é o selo  dos eleitos.

Na devoção a Maria acharemos aquela pérola preciosa de que fala o Evangelho, com a qual poderemos conquistar o Reino dos Céus. Na devoção a Maria, teremos a prova da verdade daquela grande e consoladora promessa: 'Quem me encontrar, terá encontrado a vida e a salvação'”.[16]


A Devoção à Santíssima Virgem,
é Necessária a Todos os Homens,
para Conseguirem a Salvação.[17]

“O douto e piedoso Suárez, da Companhia de Jesus, o sábio e devoto Justo Lípsio, doutor da Universidade de Lovaina, e muitos outros, provaram incontestavelmente, apoiados na opinião dos Santos Padres, entre outros, Santo Agostinho, Santo Efrém, Diácono de Edessa, São Cirilo de Jerusalém, São Germano de Constantinopla, São João de Damasco, Santo Anselmo, São Bernardo, São Bernardino, Santo Tomás e São Boaventura, que a devoção à Santíssima Virgem é necessária à salvação, e que é um sinal infalível de condenação – opinião do próprio Ecolampádio e vários outros hereges – não ter estima e amor à Santíssima Virgem. Ao contrário, é indício certo de predestinação ser-lhe inteira e verdadeiramente devotado.[18]

As figuras e palavras do Antigo e do Novo Testamento o provam; a opinião e os exemplos dos Santos o confirmam; a razão e a experiência o ensinam e demonstram; o próprio Demônio e seus asseclas, premidos pela força da verdade, viram-se muitas vezes constrangidos a confessá-lo a seu pesar. De todas as passagens dos Santos Padres e Doutores, que compilei para provar esta verdade, cito apenas uma, para não me alongar: 'Tibi devotum esse, est arma quaedam salutis quae Deus his dat quos vult salvos fieri...' (S. João de Damasco) – 'Ser vosso devoto, ó Virgem Santíssima, é uma arma de salvação que Deus dá àqueles que quer salvar'.

Eu poderia repetir aqui várias histórias que provam o que afirmo. Entre outras, 1º aquela que vem narrada nas crônicas de São Francisco, em que se conta que o Santo viu, em êxtase, uma escada enorme, em cujo topo, apoiado no Céu, avultava a Santíssima Virgem. E o Santo compreendeu que aquela escada ele devia subir para chegar ao Céu; 2º a outra, narrada nas crônicas de São Domingos: Quando o Santo pregava o Rosário nas proximidades de Carcassona, quinze mil Demônios, que possuíam a alma de um infeliz herege, foram obrigados, por ordem da Santíssima Virgem, a confessar muitas verdades grandiosas e consoladoras, referentes à devoção a Maria. E eles, para própria confusão, o fizeram com tanto ardor e clareza que não se pode ler essa autêntica narração e o panegírico, que o Demônio, embora a contragosto, fez da devoção mariana, sem derramar lágrimas de alegria, ainda que pouco devoto se seja da Santíssima Virgem”.[19]

Como Entra Maria no Plano Divino

“E como entra a Santíssima Virgem nesta idealização eterna?

Totalmente, respondemos. Isto é, Maria não entra e não pode entrar nos segredos irrevogáveis de Deus como um auxílio secundário e esporádico, que, uma vez utilizado, vai perder sua razão de ser. Sua inclusão no plano salvífico é total porque divina e irrevogável.

Maria, por assim dizer, preocupa Deus eternamente, devido à excelência e à extensão de seu papel. Trata-se de formar uma digna Mãe de Deus no tempo e trata-se de outorga-lhe um papel tão extenso e durável quanto toda a obra 'ad-extra' de Deus.

O Infinito não faz as suas obras pela metade e nem imperfeitamente. Logo, Maria será o que há de mais excelente em dignidade e de mais duradouro em sua função. A sua atuação na grande obra de Deus será tão duradoura quanto esta própria obra.

Não se trata, pois, somente, da predestinação inaudita à Maternidade divina, o que é uma visão parcial do desígnio eterno sobra Maria. Trata-se da predestinação da Virgem a tudo o que se realizar mediante a Encarnação do Verbo.

Tem-se salientado suficientemente a idealização eterna de uma Mãe de Deus, ornada de todos os favores e privilégios e graças. Mas tem-se esquecido que Nossa Senhora não é só isso. Deus idealizou sua Mãe completa, que é também nossa Mãe na ordem da graça. Se idealizou-a em ordem à Encarnação, idealizou-a também em ordem à Redenção, em ordem à Eucaristia, em ordem à vida sobrenatural da Igreja, em ordem à Mediação Universal. Porventura não tem Maria Santíssima o seu papel em tudo isto? Portanto, a tudo isto foi predestinada 'ab aeterno'.[20]

Consequências para a Teologia – A predestinação de Nossa Senhora assim compreendida mostra-nos que todas as graças que Deus lhe outorgou tem um alcance mais vasto do que simplesmente prepará-la à Maternidade divina. Destinam-se a prepará-la à Mediação Universal das graças.

Toda a relação eterna de Deus para com Maria, se assim posso dizer, tende, portanto, mais sinteticamente, a formar a divina Medianeira entre Deus e os homens. A formação da Medianeira Universal inclui a formação da Mãe divina.

Sob este aspecto, a teologia marial recebe um novo fulgor muito mais acariciante ao coração do homem, para quem em última análise Maria Santíssima é idealizada nos planos de Deus. Vê-se então a Deus como 'sumo bem que se difunde', cogitando de dar-se a nós por meio de Maria, ao mesmo tempo que cogita receber alguma coisa de nós por meio de Maria.

A preparação de Nossa Senhora, quer pela sua Conceição Imaculada, quer pelo crescimento contínuo de suas graças em várias plenitudes, projeta-se, portanto, na totalidade da obra salvífica de Maria, ou seja, na Mediação, e não só na sua Maternidade divina. E é neste sentido que podemos falar, com exatidão teológica, de Nossa Senhora das Graças no plano eterno de Deus.

A última realidade na execução é a primeira nos planos, sentenciam os filósofos. Sobretudo em Deus, é isto verdade de longo alcance. O que por último se executa no tempo foi o que por primeiro se idealizou na eternidade.

E, na ordem do desenvolvimento dos Dogmas marianos, assim como o último que se propõe às almas é a Mediação de Maria, assim foi ele o primeiro intencionado nos planos divinos.

O Fato da Mediação no Evangelho – Por isto mesmo, nada que tenha mais plena realização no Evangelho e na História da Igreja do que a Mediação de Maria. Nossa Senhora aí aparece ligada a toda a estrutura vital do Cristianismo. Ela está no princípio da vida cristã – a Encarnação – e prende-se tão intimamente com Jesus Cristo, Verbo Encarnado, que é dEle inseparável no tempo e na eternidade.

Impossível separar Cristo de Sua divina Mãe em todos os Mistérios, desde a própria Trindade, cujo Verbo, anteriormente ao tempo, já se determinara a ser o Filho de Maria.

Nasceu a Vida nova, sobrenatural, para os cristãos, graças ao Sangue de Cristo Redentor. E Maria foi quem lhe deu este Sangue, quem formou nas puríssimas entranhas o Corpo Sacrossanto, Vítima futura do Calvário, de cujo lado aberto nasceu a Vida. É Maria continuando a ser um fato no plano salvífico.

Deste mesmo coração transpassado de Cristo nasce a Igreja, Esposa de Jesus – diz Santo Ambrósio.[21] E Maria Santíssima é, não só a primeira que à Igreja se incorpora, mas também a primeira que a assiste, conforta e ensina, continuando, com os Apóstolos, a obra de Jesus. Muito mais que simples incorporada e continuadora, com os Apóstolos, da obra de Cristo, Maria – primeira resgatada e incorporada – começa logo a cooperar com Jesus na própria Redenção objetiva. É Corredentora, não no sentido vulgar em que nós também podemos ser corredentores, na aplicação dos méritos, mas lá, na aquisição deles.

Vão os Apóstolos para o Cenáculo. Está a sociedade divino-humana que Jesus fundou prestes a ser promulgada solenemente com a descida do Paráclito. E Maria Santíssima lá está com a Igreja, orando e certamente assistindo como Mãe aos primeiros fiéis. Inegável à luz da mais sã teologia, que a prece da Virgem forçou poderosamente o Coração do Pai e do Filho para a missão visível do Espírito Santo, como anteriormente abreviara as esperanças do Messias, apressando a Encarnação do Verbo. E é por isso, que o Autor dos Atos tem o particular cuidado de mencionar-lhe o nome entre os Apóstolos reunidos no Cenáculo: 'Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com... Maria, a Mãe de Jesus'.[22]

Nos primórdios da Igreja, Nossa Senhora já era a Senhora dos primeiros cristãos, a Mãe de todos eles, não só por títulos de afeição, mas por evidente disposição divina. Mediante Maria, cremos, comunicava Deus as primeiras graças à Sua Igreja. 

Maria enche, assim, o plano sobrenatural, e sua colaboração estende-se a todos os Mistérios. Encarnação, Redenção, nascimento da Igreja, vinda do Espírito Santo, fração do pão ou Eucaristia – e consequentemente a vida cristã através dos séculos, a qual dimana destes Mistérios – tudo está preso, inquebrantavelmente, à oração de Maria, à Mediação Universal de Maria.

Conclusão

Grande e sublime verdade! Deus quis, desde a eternidade, que uma simples mulher regesse, a bem dizer, toda a vida sobrenatural dos homens. Maria Santíssima é a imprescindível Medianeira entre Cristo e nós.

Assim, querido este 'fato', desde o princípio dos tempos, até o fim dos mesmos tempos, Deus o levará à execução.

Começará por preparar Maria. A infinidade de seus dons, Deus os derramará em Maria. Totius boni plenitudinem posuit in Maria – diz São Bernardo.[23] E Ela há de ser 'cheia de graça' – gratia plena.

E tudo terminará por constituí-la Deus, Dispenseira destes mesmos bens. E a não ser por Ela e dEla, ninguém receberá a graça de Deus.

Omnia nos habere voluit per manus Mariae, completa São Bernardo.[24] Cheia de graça para Si, Deus a quis mais cheia ainda para nós. Plena sibi, superplena nobis.

Sim, tudo o que descer do Céu será embalsamado pela fragrância de suas preces e trará o hálito celeste de seus beijos de Mãe!”[25]


Inacreditáveis Palavras
de S. Luís Maria Grignion de Montfort 

“Se você rezar o Rosário fielmente até a morte, eu lhe asseguro que, apesar das gravidades de seus pecados 'alcançareis a incorruptível coroa da glória' (1 Ped. 5, 4). Mesmo que você esteja à beira da condenação eterna, mesmo que você já tenha um pé no Inferno, mesmo que você já tenha vendido sua alma ao Diabo como os feiticeiros fazem ao praticar a magia negra, e mesmo que você seja um herege obstinado, como um Diabo, inevitavelmente você se converterá, consertará sua vida e Jesus salvará sua alma. Guarde bem o que eu vou dizer, se você rezar o Santo Rosário devotamente cada dia até à morte, com o propósito do conhecimento da verdade, você obterá a graça do arrependimento e o perdão de seus pecados”.[26]


As Quinze Promessas de Maria
aos Devotos do Rosário

I – Quem constantemente Me servir recitando o meu Rosário receberá alguma graça particular.

II – Prometo grandes graças e Meu especial auxílio aos que devotamente recitarem o Meu Saltério.

III – É o Rosário uma arma poderosa contra o Inferno, ele extinguirá os vícios, dissipará o pecado e extirpará as heresias.

IV – Fará reflorescer as virtudes e as boas obras, atrairá às almas pias copiosas bênçãos de Deus e substituirá nos corações dos homens, o amor vão do mundo pelo amor de Deus e das coisas eternas. Oh! Quantas almas não se hão de santificar por este meio!

V – A alma que, por meio do Rosário, recorrer a Mim, não perecerá.

VI – Quem devotamente recitar o Meu Rosário, considerando os sagrados Mistérios, não será acabrunhado pelas desgraças, não morrerá repentinamente, mas converter-se-á, se pecador, e conservar-se-á em graça, se justo, e merecerá a vida eterna.

VII – Os verdadeiros devotos do Meu Rosário, não morrerão sem receber os Santos Sacramentos.

VIII – Quero que os que recitam o Meu Rosário, recebam, em vida e na morte, o lume e a plenitude das graças, e assim na vida como na morte, participem dos méritos dos Bem-aventurados.

IX – Eu, cada dia, tiro do Purgatório as almas dos devotos do Meu Rosário.

X – Os verdadeiros filhos do Meu Rosário, gozarão grande glória no Céu.

XI – Tudo o que se Me pedir pelo Meu Rosário alcançar-se-á.

XII – Socorrerei todos os que propagarem o Meu Rosário, em todas as suas necessidades.

XIII – Eu alcancei de Meu Filho, que todos os Confrades do Rosário, tenham por irmãos toda a Corte celeste, tanto em vida como na morte.

XIV – Todos os que recitam o Meu Rosário, são filhos Meus e irmãos do Meu Unigênito Jesus Cristo.

XV – É grande sinal de predestinação, o ser devoto do Meu Rosário.

Estas Promessas, segundo a tradição, foram feitas pela Santíssima Virgem ao Patriarca São Domingos e ao Beato Alano, e vêm referidas por Coppestein (B. Alani, Op., e nas mesmas obras do Beato Alano, publicadas em Imola, em 1847); por Miecoviense, por V. Sarnelli, por Santo Afonso de Ligório, por Ariemma, por Morassi, por Reveglione d. C. d. G., por Pasucci, por Lavazzuoli, por Pradel; e enfim, por muitos Breves dos Sumos Pontífices (Textos extraídos do Periódico La Vergine del Rosario, que publica-se em Roma, na Tipografia Vaticana, que o Sumo Pontífice Leão XIII, a 13 de Fevereiro de 1888 aprovou e recomendou - Veja-se: o fascículo de 31 de Outubro e o de 30 de Novembro de 1889).

Fonte: Mons. João Filippo, "A Ave Maria", pp. 149-150; Esc. Prof. Salesianas do Liceu do Coração de Jesus, São Paulo, 1924.  


A Devoção Reparadora do Imaculado Coração de Maria,
é Sinal, também, de Predestinação à Glória Celeste.[27]

Origem da Devoção – “O que é o Segredo?... Bem. O Segredo consta de três coisas distintas, duas das quais vou revelar.

A primeira foi, pois, a visão do Inferno.

Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo, que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo, os Demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas, que delas mesmas saiam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os Demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta visão foi um momento. E graças à Nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu![28] Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor.

Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora, que nos disse, com bondade e tristeza: 'Vistes o Inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no Mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI[29] começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida,[30] sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o Mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia,[31] que se converterá, e será concedido ao Mundo algum tempo de paz'.[32]

Formal Pedido de Nossa Senhora – À irmã Lúcia, no “dia 10 de Dezembro de 1925, apareceu-lhe a Santíssima Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem luminosa, um Menino. A Santíssima Virgem, pondo-lhe no ombro a mão, mostrou-lhe ao mesmo tempo, um Coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos. Ao mesmo tempo, disse o Menino: 'Tem pena do Coração de Tua Santíssima Mãe, que está coberto de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar'.

Em seguida, disse a Santíssima Virgem: 'Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam, com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que, todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço, e Me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze Mistérios do Rosário, com o fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas'.

No dia 15 de Fevereiro de 1926, apareceu-lhe, de novo, o Menino Jesus. Perguntou-lhe se já tinha espalhado a devoção a sua Santíssima Mãe. Ela expôs-Lhe as dificuldades que tinha o confessor, e que a Madre Superiora estava pronta a propagá-la; mas que o confessor tinha dito que ela, só, nada podia. Jesus respondeu: 'É verdade que a tua Superiora, só, nada pode; mas, com a Minha graça, pode tudo'.

Apresentou a Jesus a dificuldade que tinham algumas almas em se confessar ao sábado, e pediu para ser válida a Confissão de oito dias. Jesus respondeu: 'Sim, pode ser de muitos mais ainda, contanto que, quando Me receberem, estejam em graça, e que tenham a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria'.

Ela perguntou: 'Meu Jesus. As que se esquecerem de formar essa intenção?' Jesus respondeu: 'Podem formá-la na outra Confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem de se confessar'.

No dia 17 de Dezembro de 1927, foi junto do sacrário perguntar a Jesus como satisfaria o pedido que lhe era feito: Se a origem da devoção ao Imaculado Coração de Maria estava encerrada no Segredo que a Santíssima Virgem lhe tinha confiado.

Jesus, com voz clara, fez-lhe ouvir estas palavras: 'Minha filha, escreve o que te pedem; e tudo o que te revelou a Santíssima Virgem, na Aparição em que falou desta devoção, escreve-o também; quanto ao resto do Segredo, continua o silêncio'.

O que em 1917 foi confiado a este respeito, é o seguinte: Ela pediu para os levar para o Céu. A Santíssima Virgem respondeu: 'Sim; a Jacinta e o Francisco levo-os em breve; mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no Mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono'.

Em que Consiste a Devoção? – A devoção consiste em, durante 5 meses seguidos, ao primeiro sábado, receber a Sagrada Comunhão, rezar um Terço, e fazer 15 minutos de companhia a Nossa Senhora, meditando nos Mistérios do Rosário, e fazer uma Confissão com o mesmo fim. Esta poder-se-á fazer noutro dia. Se não me engano, o bom Deus promete terminar a perseguição na Rússia se o Santo Padre se dignar fazer, e mandar que o façam igualmente os Bispos do mundo católico, um solene e público ato de reparação e consagração da Rússia aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria, prometendo, Sua Santidade, mediante o fim desta perseguição aprovar e recomendar a prática da já indicada devoção reparadora...[33]

Mas é muito fácil. Quem não pode pensar nos Mistérios do Rosário?! Na Anunciação do Anjo e na humildade da Nossa querida Mãe, que, ao ver-se tão exaltada, chama-se escrava?! Na Paixão de Jesus, que tanto sofreu por nosso amor?! Quem não pode assim, nestes santos pensamentos, passar 15 minutos, junto da Mãe mais terna das mães?![34] 

Por que hão de ser '5 sábados', e não 9 ou 7 em honra das Dores de Nossa Senhora? – Ficando na capela, com Nosso Senhor, parte da noite do dia 29 para 30 deste mês de Maio de 1930, e falando a Nosso Senhor das duas perguntas..., senti-me, de repente, possuída mais intimamente da divina Presença; e, se não me engano, foi-me revelado o seguinte: 'Minha filha, o motivo é simples: São 5 as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria'.

1ª – As blasfêmias contra a Imaculada Conceição;

2ª – Contra a Sua Virgindade;

3ª – Contra a Maternidade divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;

4ª – Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo, e até o ódio para com esta Imaculada Mãe;

5ª – Os que A ultrajam diretamente nas Suas sagradas imagens. Eis, minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir esta pequena reparação; e, de atenção a ela, mover a Minha misericórdia ao perdão para com essas almas que tiveram a desgraça de A ofender. Quanto a ti, procura sem cessar, com as tuas orações e sacrifícios, mover-Me à misericórdia para com essas pobres almas.

E quem não puder cumprir com todas as condições no Sábado, não satisfará com os Domingos? 'Será igualmente aceita a prática desta devoção no domingo seguinte ao 1º sábado, quando os Meus sacerdotes, por justos motivos, assim o concederem às almas'”.[35] 

Terrível e Consolador Exemplo

“É célebre a história de Teófilo, escrita pelo clérigo Eutiquiano de Constantinopla, como testemunha ocular que foi do fato que passo a relatar. Segundo o Padre Crasset, confirmam-no S. Pedro Damião, S. Bernardo, S. Boaventura, S. Antonino e outros.

Era Teófilo arcediago da igreja de Adanas, na Cilícia. Tanto o estimava o povo que o quis para Bispo, dignidade que ele por humildade recusou. Caluniado, porém, por alguns malvados, e por isso destituído de seu cargo, ficou de tal maneira desgostoso, que, fora de si pela paixão, foi-se valer do auxílio de um mágico judeu. Este o colocou em comunicação com o Demônio, o qual prometeu a Teófilo auxiliá-lo, mas sob a condição de assinar ele, de próprio punho, um papel pelo qual renunciava a Jesus e Maria, sua Mãe. Acedeu Teófilo e assinou a execranda renúncia. No dia seguinte, o Bispo reconheceu a falsidade das acusações contra Teófilo e pediu-lhe perdão, restituindo-lhe o cargo que ocupara. Mas o infeliz chorava sem cessar, tendo a consciência dilacerada de remorso pelo enorme pecado que havia feito. Finalmente, vai à igreja, ajoelha-se diante da imagem de Maria e lhe diz: Ó Mãe de Deus, não quero desesperar; ainda Vós me restais, Vós que sois tão compassiva e poderosa para me ajudar. Durante quarenta dias viveu chorando e invocando a Santíssima Virgem. Uma noite apareceu-lhe a Mãe de misericórdia e disse-lhe: Que fizeste, Teófilo? Renunciaste à Minha amizade e à de Meu Filho e te entregaste àquele que é teu e Meu inimigo! Senhora, respondeu Teófilo, haveis de me perdoar e de me obter o perdão de vosso Filho.

Vendo Maria tão grande confiança, acrescentou: Consola-te, que vou rogar a Deus por ti. Reanimado, redobrou Teófilo as lágrimas, as preces e as penitências, conservando-se sempre aos pés da imagem de Maria. Reapareceu-lhe a Mãe de Deus e amavelmente lhe diz: Teófilo, enche-te de consolação. Apresentei a Deus tuas lágrimas e orações; de hoje em diante guarda-lhe gratidão e fidelidade. Senhora minha, replicou o infeliz, ainda não estou plenamente consolado; ainda conserva o Demônio o ímpio documento em que renunciei a Vós e a Vosso Filho; podei fazer que mo restitua. E eis que três dias depois, acordando Teófilo à noite, achou sobre o peito o referido documento. No dia seguinte, foi à igreja e ajoelhando-se aos pés do Bispo, que justamente oficiava, contou-lhe por entre soluços tudo quanto havia acontecido. Entregou-lhe o ímpio documento, que o Bispo fez queimar imediatamente diante dos fiéis presentes, enquanto choravam todos de alegria, exaltando a bondade de Deus e a misericórdia de Maria para com aquele pobre pecador. Teófilo, entretanto, voltou à igreja de Nossa Senhora, onde no fim de três dias morreu contente e cheio de gratidão para com Jesus e Sua Mãe Santíssima”.[36]


Oração

“Oh! Virgem Poderosa, persuadido estou do quanto podeis junto de Deus, pelo que inteiramente me submeto à vossa proteção.

E certa é a vossa proteção, visto que nunca falta. Poderosa, porque vence todos os obstáculos. Universal, porque não faz acepção de pessoas.

Sou filho culpado do meu Pai, indigno de Deus portanto, indigno de que Ele me escute, se não recorro a Vós como a minha Mediadora. Oh! Mãe do meu Deus, dignai-vos velar sobre mim, regulai os meus passos em todo o tempo e por toda parte! Porquanto, os perigos temporais e espirituais por toda parte se vêem, em todo o tempo nos colhem.

À vossa proteção recorro principalmente neste dia fatal, depois do qual não haverá mais tempo nem graças que esperar de Deus.

À vossa proteção recorro principalmente nessa hora última, crítica e decisiva, a qual porá o ponto final no meu exílio e começará a minha eternidade!

Não que pretenda eu, cheio de esperança em vós, dormir doravante o sono criminoso dos ociosos na Fé e no Amor a Deus.

Tal não é o espírito dos vossos servos. Mas, ajudado pela graça de Jesus, que eu vos rogo obter para mim, irei empós dos vossos cuidados e solicitudes, agirei segundo os vossos desejos, a fim de chegar a essa morada da eterna ventura, para onde quereis conduzir todos os que vos servem!”[37]


[1]   Sess. VI, c. 12.
[2]   De Verit., art. VI, a. 5.
[3]   Filip. 2, 12.
[4]   Prov. 8, 34-35.
[5]   Eclo. 24, 30-31.
[6]   Opus. XXXII, 2, P.L. 145, col. 563.
[7]   Orat. 52, P.L. 158, col. 956.
[8]   Serm. De Assumpt., n. 1.
[9]   De triumph. Christi agone, c. 18.
[10] Tratado, p. 20.
[11] Glórias de Maria, c. VIII, 1.
[12] Rom. 8, 29.
[13] S. Th. q. 23, a. 8.
[14] D'Argentan, Conférences, T. III, p. 431.
[15] Livro VI, Cap. 67.
[16] Rev. Pe. Gabriel Roschini, O.S.M., “Instruções Marianas”, Instrução XXVIII, pp. 295-301; Edições Paulinas, S. Paulo, 1960.
[17] Conferir também, S. Afonso Mª de Ligório, “Glórias de Maria Santíssima”, 1ª Parte, Cap. V, § I e § II, pp. 101-118; 6ª Edição, Editora Vozes, Petrópolis, 1964.
[18] A verdadeira devoção à Santíssima Virgem consiste em se lhe devotar e entregar. O culto de dulia é a dependência, a servidão (S. Th. – Sum. Theol. 2, 2, q. 103, a. 3, in fine corp.); o culto de hiperdulia consiste numa dependência mais perfeita à Santíssima Virgem, ou, em outras palavras, na escravidão preconizada por S. Luís Mª G. de Montfort. 
[19] São Luís Mª G. de Montfort, “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, Cap. I, Art. I, § I, pp. 43-45; 3ª Edição, Editora Vozes, Petrópolis, 1946.
[20] Sintetizando o pensamento tomista sobre o assunto, veja-se: Garrigou-Lagrange, La Synthése Thomista, IVème P., chap. VI; veja-se também: Roschini, Mariologia, T. II, P. I, Sectio I; e Bover, Estúdios Marianos, I (1942), pp. 103-165.
[21] In Luc. II, 87 (Migne – P.L. XV, 1585).
[22] Atos 1, 14.
[23] Sermo de Aquaeductu.
[24] In. Virg. Nat., Sermo III.
[25] Rev. Pe. Antônio Miranda, Sacramentino, “Nossa Senhora das Graças” – Estudo Doutrinário, Cap. I, pp. 17-25; Edições Paulinas, 1960.
[26] São Luís Mª Grignion de Montfort, “O Segredo do Rosário”, Cap. “Uma Rosa Vermelha – Para os Pecadores”, p. 6; tradução do inglês por Geraldo Pinto Faria Jr., Editora da Divina Misericórdia, Belo Horizonte, 1997.
[27] Memórias e Cartas da Irmã Lúcia – introdução, notas e tradução inglesa pelo Rev. Pe. Dr. Antônio Maria Martins, S.J.; Depositária: L. E., Porto, 1973.
[28] Na primeira Aparição.
[29] Cumpriu-se este prognóstico com a invasão da Áustria, a 12 de Março de 1938, e o País dos Sudetas, em Outubro do mesmo ano, pelas tropas hitlerianas.
[30] Aconteceu na noite de 25 para 26 de Janeiro de 1938.
[31] Assim aconteceu no dia 7 de Julho de 1952. Em 31 de Agosto de 1941, data em que Lúcia terminou a 3ª Memória, ninguém poderia, sem uma revelação celestial, nem sequer suspeitar, – quanto mais afirmar categoricamente! – que o Santo Padre consagraria a Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Isto é sinal evidente de que a Vidente nos transmite fielmente o que ouviu de Nossa Senhora. 
[32] Carta ao Rev. Pe. José Bernardo Gonçalves, S.J., “3ª Memória”, em 31/8/1941.
[33] Carta ao Rev. Pe. José Bernardo Gonçalves, S.J., de Tuy, em 29/5/1930.
[34] Carta à sua mãe, em 24/7/1927.
[35] Carta ao Rev. Pe. José Bernardo Gonçalves, S.J., em 12/6/1930.
[36] Santo Afonso Maria de Ligório, ob. cit., pp. 116-117.
[37] Imitação de Maria – por um Religioso Anônimo, Liv. IV, Cap. VII, pp. 268-270; 4ª Edição, Editora Vozes, Petrópolis, 1956.

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