Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Catecismo da Ordem Terceira Secular de Nossa Senhora do Carmo



1. – Destina-se a Ordem Terceira a qualquer pessoa?

Não. A Ordem Terceira destina-se a um grupo seleto de homens e mulheres que, por amor de Deus e maior honra de Sua Santíssima Mãe, estão dispostos a fazer mais do que é exigido de um simples católico. A entrada na Confraria de Nossa Senhora do Carmo é facilitada a todos os fiéis, todavia, a da Ordem Terceira fica reservada a poucos escolhidos.

2. – Qual é a diferença entre a Ordem Terceira e a Confraria?

a) O Terceiro é de fato membro da Ordem ainda que leigo. O membro da Confraria, porém, não pertence à Ordem, mas, está simplesmente a ela agregado, participando das suas orações e boas obras.

b) O Terceiro deve seguir a Regra de Santo Alberto, enquanto que o Confrade não está ligado a regra alguma, exigindo-se simplesmente dele o uso do Escapulário e uma devoção especial para com Nossa Senhora do Carmo.

c) O sinal exterior do Terceiro é o Escapulário grande, enquanto que o do Confrade é o pequeno.

d) Pelo fato de o Terceiro ser membro da Ordem, ele participa do seu tesouro espiritual mais abundantemente do que o Confrade.

3. – O que é que se entende por participação do tesouro espiritual da Ordem?

Em virtude de a Ordem ser um corpo místico dentro do Corpo Místico Geral da Igreja, ela tem a sua própria comunicação dos Santos, o seu Tesouro espiritual de oração, boas obras, etc. Através de todo o corpo místico do Carmelo circula a mesma vida espiritual, portadora de vida, mérito, fortaleza e vigor espiritual.

Quando alguém se torna membro da Ordem, participa dos méritos super-abundantes dos Santos do Carmelo e das orações, sacrifícios e boas obras de toda a Ordem.

4. – Qual é o espírito da Ordem Terceira?

Em geral, o espírito, segundo o qual se vive, é uma atitude da alma que tendo a sua origem numa escolha deliberada, se torna como que uma segunda natureza; é uma via espontânea de pensar, julgar e estimar as coisas. Na vida do Terceiro esta força vivificante é constituída por um amor profundo e permanente a Nossa Senhora do Carmo, a qual, fermenta, por assim dizer, o seu pensamento, transformando-o, incita a sua vontade e faz com que viva habitualmente em união amorosa com Ela. Exemplos magníficos da força transformante deste amor de Maria, encontramo-lo na vida dos Santos Carmelitas, tais como São Pedro Tomás, Santa Maria Madalena de Pazzi, Santa Teresinha e especialmente na vida espiritual da Terceira Carmelita, Maria Petyt.

5. – Como é que se pode adquirir o espírito do Carmelo?

Vivendo e caminhando na presença de Deus e de sua Mãe Santíssima, num esforço constante em imitar as suas virtudes e numa dependência amorosa d’Ela em tudo o que diz respeito à nossa felicidade espiritual e material.

6. – A nossa imitação de Maria leva-nos a negligenciar de algum modo o dever de nos tornarmos semelhantes a Cristo?

Não. O caminho mais curto e fácil para uma vida semelhante à de Cristo é por Maria, Mãe de Cristo. Ser filho de Maria é ser irmão de Cristo. Ele vem até nós através d’Ela e Ele quer que vamos até Ele através d’Ela. O seu desejo íntimo é de formar Cristo nas nossas almas e quando vê a Sua imagem em nós, regozija-se dos frutos da sua maternidade espiritual. O verdadeiro amor de Maria consiste em trazer Cristo interiormente na sua própria natureza e vivendo no seu espírito, gera o espírito de Seu Filho.

7. – O espírito do Carmelo é filial ou servil?

O espírito do Carmelo é filial. Maria é a Mãe do Carmelo e todos os que pertencem à sua Ordem são membros da Sua Família, filhos e filhas de seu amor predileto. Desta maneira nossas relações para com Ela, são as de uma criança para com a mãe e não as de um escravo para com o seu senhor. O Carmelo é a família espiritual mais antiga de Nossa Senhora, e toda a sua história revela um espírito familiar nascido de um amor filial para com ela.

8. – Qual foi na história do Carmelo, o século de maior esplendor do espírito mariano da Ordem?

A tradição mariana da Ordem alcança o seu esplendor no século XVII, especialmente com a Reforma de Touraine. A Terceira, Maria Petyt é talvez a maior mística mariana da Igreja.

9. – Deu Maria algum sinal de ser Ela mais Mãe do que Rainha do Carmelo?

A dádiva do hábito, o nosso Escapulário, é evidentemente uma prova do seu desejo de se mostrar como Mãe do Carmelo. O hábito do Carmelo tem de ser visto à luz do seu fundo bíblico, especialmente do Antigo Testamento. Em linguagem bíblica, o traje tinha um profundo significado místico, por isso, que sempre continha algo à maneira de uma herança espiritual. O vestuário era precisamente o sinal exterior de alguma coisa interior ou espiritual. Por exemplo, quando Elias encontrou Eliseu a lavrar a terra, lançou o seu manto sobre ele e Eliseu levantou-se, seguiu-o e pôs-se a seu serviço. E quando o Profeta subiu ao Céu no seu carro de fogo, lançou a sua capa sobre os ombros de Eliseu, o que duplicou nele o espírito de seu mestre.

À luz deste fundo pode-se compreender o significado espiritual do nosso vestuário no antigo hábito do Carmo, que muito antes da aparição de Nossa Senhora a São Simão Stock, era um sinal de especial amor para com Ela. Não há gesto mais indicativo do amor maternal, do que o de vestir um filho. Quando Maria deu à luz o seu Primogênito, envolveu-O em faixas e podemos ter quase a certeza de ter sido Ela quem fez a túnica inconsútil que Ele levou até o Calvário.

Dessa maneira, na cerimônia de tomada de hábito na Ordem, é Maria, a Mãe, que veste os seus “outros filhos”, para que sob o seu cuidado amoroso e sua proteção, possam crescer em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens.

10. – O hábito ou Escapulário tem em si mesmo algum valor sobrenatural?

Não. Todo o seu valor espiritual está na fé, que na Onipotência Suplicante da Mãe de Deus, tem aquele que o veste.

11. – Pode-se dizer que o hábito ou o Escapulário seja um meio de Consagração a Maria?

O hábito do Carmo foi desde o início de sua história um meio de consagração a Deus e Nossa Senhora. Os primeiros eremitas do Monte Carmelo consagravam as suas vidas a Deus e à Mãe Santíssima e entregavam-se à contemplação para A honrarem. O Pontífice Pio XII, pediu a todos que vissem no hábito ou Escapulário, um sinal de Consagração ao Imaculado Coração de Maria (Carta pela Comemoração do VII Centenário do Escapulário, em 1950).

12. – Como sinal da Consagração a Maria, deve-se preferir o hábito (Escapulário), ou a medalha?

Quem estiver familiarizado com o simbolismo antigo do vestuário, não pode ter dúvida de que o Hábito ou Escapulário ser preferível à medalha; porque o Hábito, tal como um uniforme ou libré, cobre toda a pessoa e mostra a sua pertença a outrem. A medalha, é aliás frequentemente, um mero substituto do Hábito ou Escapulário. Além disso, está prescrito aos Terceiros, o uso do Escapulário.

13. – O que é que se entende, por Consagração por meio do Hábito?

Por consagração, entende-se que uma pessoa, um local ou uma coisa, deixa de ser posse de homem, para se tornar, de uma maneira especial, propriedade de Deus. Assim, o Padre é escolhido entre os homens, para se tornar Ministro de Deus, e, o Cálice, taça vulgar, é retirado do uso profano, para servir somente no altar. Dessa maneira, na consagração pelo hábito ou Escapulário, tornamo-nos, se assim se pode dizer, propriedade de Maria; tornamo-nos Seus de uma maneira especial e comprometemo-nos a serví-lA sempre.

14. – Poderá a própria vida de Maria servir-nos de Modelo de Consagração?

Maria tinha continuamente a consciência da sua pertença a Deus, e de estar na terra para realizar a Sua Vontade como ela se realiza no Céu. As suas palavras: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra” mostram que era para servir e praticar a Verdade na Caridade que Ela vivia. O Terceiro deve estar repleto dos mesmos sentimentos de espírito e coração em veneração a Nossa Senhora. Embora a nossa dependência d’Ela seja essencialmente diferente da nossa dependência de Deus, sabemos que Ela é a Mãe da Divina Graça e que todos os favores de Deus, mesmo a vida eterna, vem até nós através d’Ela. Servi-lA é reinar.

15. – Deve o Terceiro renovar com frequência a sua consagração a Nossa Senhora?

O Terceiro deverá renovar se possível diariamente a sua consagração a Ela, a fim de alcançar uma dependência amorosa, viva e duradoura.

16. – O que é que se entende por Consagração Total a Maria?

Por consagração total entende-se que a nossa vida inteira deve ser vivida para Maria e que Ela em troca a oferecerá a Deus, enriquecida com os seus próprios méritos e doçura do seu amor.

17. – Para nos consagrarmos a Nossa Senhora serão necessários os dois votos prescritos pela Regra?

Em virtude do Hábito ou Escapulário ser um sinal de consagração a Maria, sua simples imposição, mesmo sem os votos, é já de per si um ato de consagração a Ela.

18. – Sendo assim, qual é o valor dos votos?

O fato de se prestar os votos fortalece a nossa vontade para dar algo a Deus corroborando o motivo. Além disso, dá às nossas boas ações um valor e um mérito particular, tornando-os atos de virtude de religião. Os dois votos da Regra da Ordem Terceira tornam também a nossa consagração a Nossa Senhora mais íntima e mais perfeita.

19. – Espera-se do Terceiro Carmelita que ele ore mais do que o simples Católico?

Sendo a oração o fim primário de toda a vocação Carmelita deverá o Terceiro torná-la a ocupação principal da sua vida. Mais do que qualquer outro católico, deverá ele aprender a arte da oração contínua.

20. – Haverá algum Método de Oração Carmelitano?

Sim, se tomarmos o termo “método” num sentido lato. O método carmelitano de oração, é o que é conhecido como afetivo, porquanto acentua a importância do amor e do afeto na oração, encoraja a espontaneidade e pretende levar a alma à contemplação.

21. – Segundo a tradição Carmelitana, o que se deve entender por Contemplação?

Segundo os autores carmelitas, a contemplação é uma união permanente e consciente da alma com a Santíssima Trindade, com Cristo ou com Sua Santíssima Mãe, a qual nos leva a um colóquio amoroso com Eles.

22. – Para o Terceiro que vive no mundo, será possível a aquisição e a prática do espírito de Contemplação?

Há uma forma de contemplação chamada infusa, que é dádiva gratuita de Deus. Todavia, a forma chamada contemplação adquirida está ao alcance de toda a gente. O Terceiro que procura Deus com um coração limpo e espírito puro, tornar-se-á um contemplativo.

23. – Terá grande importância na vida do Terceiro a Meditação diária?

Sim, visto ser impossível sem meditação atingir a perfeição na vida espiritual. O Terceiro deverá imitar Maria, que guardava a Palavra de Deus no seu Coração e meditava nela. É durante a meditação, que a Palavra de Deus se torna luz, amor e força espiritual na alma.

24. – Há na Espiritualidade Carmelitana alguns exercícios espirituais, particularmentes indicados, para alentar o espírito carmelitano de oração e de união com Deus?

Sim: os dois mais importantes são: 1) a prática da presença de Deus e de Nossa Senhora e, 2) uma especial devoção a Nossa Senhora.

A prática da presença de Deus, remonta através da história Carmelitana até Santo Elias, o Profeta, que sempre permanecia e caminhava na presença de Deus. Os seus filhos espirituais seguiram sempre o seu exemplo. Podia-se dizer que, antes de a vida espiritual se ter organizado na sua forma atual, toda a espiritualidade carmelita se baseava neste exercício. Um dos melhores tratados sobre este assunto foi escrito pelo Irmão Lourenço, Carmelita do século XVII. É de admitir que a especial devoção para com Nossa Senhora do Carmo tivesse desenvolvido o espírito Carmelita. Muitos Santos Carmelitas tinham-lhe tal devoção, que vivendo na Sua presença, foram por Ela levados ao estado mais alto de perfeição e adquiriram o Seu espírito de íntima união com Deus.

25. – O que é que se entende por uma Devoção especial a Maria?

O Terceiro, além de cumprir as prescrições da Regra, que constitui um compêndio da vida de Maria, mostrará o seu especial amor a Ela, imitando as suas virtudes próprias. Ainda que Ela fosse em tudo o espelho perfeito da santidade de Seu Filho, algumas de suas virtudes parecem, todavia, brilhar com um esplendor especial. A sua humildade mereceu-lhe o privilégio de se tornar a Mãe de Deus; a pureza de espírito e de corpo, foi a sua virtude favorita; a obediência total à Vontade de Deus, explica toda a sua vida e aí está a essência do seu sacrifício por nós; o seu “Magnificat”, como oração, fica somente abaixo do Pai Nosso e foi o seu heroico amor ao próximo a levá-lA até ao pé da Cruz. São estas virtudes os traços salientes da sua vida e todos os que por Ela tem um amor especial, deveriam empenhar-se em imitá-lA.

26. – Porque se deve preferir o Pequeno Ofício da Virgem Santíssima à “coroinha” dos 25 Pai Nossos e Ave Marias?

Por ser o Pequeno Ofício uma oração litúrgica. Quando o rezamos, é em união com todo o Corpo, cuja Cabeça é Cristo que oramos, associando-nos por assim dizer ao concerto de oração de Cristo, do Espírito Santo, da Santíssima Mãe, dos Coros Angélicos, dos Santos e de todos os fiéis da Terra. Nenhuma oração particular, por mais excelente que ela seja, pode possuir tamanho valor espiritual.

27. – Poderá o Terceiro rezar o Ofício Divino ou o chamado Ofício Laico em vez do Pequeno Ofício?

Sem dúvida; e se houver dificuldade em encontrar tempo, dever-se-á sacrificar algumas devoções particulares para o poder fazer. A Oração, como tudo o que fazemos, pode-se tornar monótona. Ora bem, a mudança de Festas Litúrgicas, que se encontra no Ofício Divino e no Ofício Laico, ajuda de maneira eficaz a evitar a monotonia na oração.

28. – Deverá o Terceiro rezar o Ofício segundo o Rito Carmelita (do Santo Sepulcro)?

É privilégio dos Terceiros, rezar segundo o Rito Carmelita. Assim fazendo penetrará mais intimamente na vida de oração da Ordem.

29. – Tem a Missa algum significado especial para o Terceiro?

Sim; desde que o Terceiro se consagrou a Deus, através de Nossa Senhora, cada Missa tem de testemunhar uma renovação da sua resolução de consagrar a sua vida a Deus, devendo empenhar-se em assistir à Missa com os mesmos sentimentos de espírito e coração que Nossa Senhora possuía ao pé da Cruz, no Calvário.

30. – É coisa importante a leitura espiritual para o Terceiro?

Visto o mundo em que o Terceiro tem de viver estar cheio de concupiscência da carne e da soberba da vida, o Terceiro deverá encher o espírito de santos pensamentos e desejos, ocupando-se na leitura espiritual. Do conhecimento, nasce o amor e não podemos esperar amar e servir a Deus senão conhecendo-O.

31. – Como é que se deverá fazer a Leitura Espiritual?

Devemos fazer a leitura espiritual unicamente para melhor conhecer e amar a Deus. Além disso, deverá ser feita lentamente, acompanhada de oração e meditação. Sob o ponto de vista espiritual, é inútil o conhecimento que não reverte em amor.

32. – porque é que a Regra liga tanta importância ao espírito de renúncia?

É para o Terceiro se obrigar a um esforço tendente a alcançar um estado de perfeição mais alto do que o de um simples católico, e para o progresso espiritual estar em proporção direta com o espírito de renúncia, que a Regra dá importância a todas as formas de abnegação. Com efeito, a vida da graça veio até nós por uma Cruz, e é somente no espírito do sacrifício que ela amadurece e se aperfeiçoa. O Terceiro que não se esforça por viver neste espírito, nunca chega a uma íntima conversação com Deus.

33. – Há alguma forma prática de Abnegação?

Uma forma prática de abnegação, é a Caridade no falar. O Apóstolo São Tiago assegura-nos ser homem perfeito quem a ninguém ofende por palavras.

34. – Será o apostolado ativo uma parte necessária da vida do Terceiro?

Embora a ocupação principal de todo o Carmelita, seja a oração, nenhum Carmelita pode amar Maria sem amar aqueles sem os quais Ela se tornou Rainha dos Mártires. Maria é para toda a Humanidade a portadora de Cristo, e aqueles que A querem imitar, tem de sê-lo igualmente. Apenas Ela concebeu Cristo, levantou-se e caminhou apressadamente para repartir o seu Tesouro com Isabel e João Batista. Deste modo, todo o Terceiro deverá ser como Maria, portador de Cristo, levando aos outros as riquezas de nossa fé.

35. – Qual é o Apostolado mais eficaz?

O Apostolado mais eficaz, é o do bom exemplo. O Terceiro deverá ser um fermento na vida dos outros, um exemplo ardente e brilhante numa sociedade paganizada. Deve ser para a sociedade o sal que detém a corrupção da sua moralidade e que mantém o bem que nela resta. A ação católica deverá sempre começar em nós mesmos, e nunca se deverá pregar antes de se ter praticado. Esquece-se demasiadamente, que a santidade pessoal nunca permanece pessoal, mas que na realidade se espalha pelos outros membros do Corpo Místico, fazendo com que a vida da graça circule neles. “Toda a alma fiel, ao fazer a Vontade do Pai com a mais frutuosa Caridade, é mãe de Cristo e daqueles que Ele incita até Cristo se formar neles” (Santo Agostinho).

36. – O Terceiro está obrigado a exercer algum apostolado especial?

O apostolado da Ordem Terceira é o da Igreja e o da Ordem. O Terceiro tem de estudar as necessidades presentes da Igreja e da Ordem, a fim de as ajudar com o melhor de seus dons. O Sodalício local estudará as necessidades locais e elaborará um plano de ação para os seus membros.

37. – Pode-se pertencer ao mesmo tempo a mais de uma Ordem Terceira?

Sim, mas só com a permissão da Santa Sé.

38. – Deverão os Terceiros tomar parte ativa nas atividades paroquiais?

Sim. Deverão ser guias em tudo o que interessar à sua Paróquia.



Fonte: Frei Kiliano Linch, O.Carm., "Catecismo da Ordem Terceira do Carmo".

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terça-feira, 5 de julho de 2016

O Monte Carmelo, o Profeta Elias e a Ordem Carmelitana (Efemérides)


O Monte Carmelo na Bíblia

E Eu vos introduzi na terra do Carmelo, para que comêsseis os seus frutos, e o melhor dela - Et induxi vos in terram carmeli, ut comederetis fructum ejus et optima illius” (Jer. II, VII).

E (então) habitará no deserto a caridade, e a justiça terá o seu assento no (novo) Carmelo - Et habitabit in solitudine judicium, et justitia in charmel sedebit” (Isaiae, XXXII, XVI).

Para os Profetas e os Poetas, o Monte Carmelo simboliza a beleza. Por exemplo, o noivo é comparado ao Monte Carmelo para a noiva:

A tua cabeça é como o Monte Carmelo; e os cabelos da tua cabeça são como a púrpura do rei atada (tingida) nos canais (dos tintureiros)” (Cântico 7, 5).

O Monte Carmelo é referenciado na maioria das vezes como um símbolo de beleza e fertilidade. Para ser dado o “esplendor do Carmelo”, era para ser abençoado de fato:

Lançando germes, ela brotará copiosamente, e exultará de alegria e de louvores; a glória do Líbano lhe será dada, a formosura do Carmelo e de Saron; os seus habitantes verão a glória do Senhor, e a magnificência do nosso Deus” (Isaías 35, 2).

“… (o rei Ozias) Edificou também torres no deserto, e mandou abrir muitas cisternas, porque tinha muito gado, assim nos campos, como pela vastidão do deserto; tinha também vinhas e vinhateiros nos montes e no Carmelo, porque era homem afeiçoado à agricultura” (2º Paralipômenos 26, 1-10).

O Carmelo acha-se ainda revestido daquela excelente vegetação que sugeriu aos profetas algumas das suas favoritas ilustrações:

A terra chora e desfalece; o Líbano está em confusão e num estado de vilipêndio; e Saron converteu-se num deserto; e Basan e o Carmelo foram talados” (Isaías 33, 9).

Apascenta (ó Senhor) com a tua vara o teu povo, o rebanho da tua herança, os que habitam sozinhos no bosque, no meio do Carmelo” (Miquéias 7, 14).

Ele também simboliza o julgamento sobre o belo. Os profetas Amós e Naum previram que o Senhor secaria a vegetação no Monte Carmelo (conhecido pela proliferação e beleza), como um julgamento altamente visível sobre a apostasia do Reino do Norte:

E disse: O Senhor rugirá de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; e os deliciosos prados dos pastores chorarão, e o cume do Carmelo secará” (Amós 1, 2).

O Senhor é um Deus zeloso e vingador… Ele ameaça o mar, e o seca; e converte (quando quer) todos os rios em deserto. Basan e o Carmelo perderam a força, e a flor do Líbano murchou...” (Naum 1, 2-4 ss).

Do Monte Carmelo Jeremias teve a visão do domínio de Nabucodonosor sobre o Egito e Israel:

Juro pela minha vida, disse aquEle Rei, cujo nome é Senhor dos Exércitos, que, assim como o Tabor (se eleva) entre os montes, e o Carmelo sobre o mar, assim virá (sobre o Egito o instrumento do meu castigo)” (Jeremias 46, 18).

A esta região do Monte Carmelo foi atribuída à tribo de Aser:

E a quinta sorte caiu à tribo dos filhos de Aser, segundo as suas famílias; e a sua fronteira foi… e chega até ao Carmelo do mar…” (Josué 19, 24-31).

O rei de ‘Jacanan do Carmelo’ era um dos chefes cananeus, que foram derrotados por Josué:

“… um rei de Cades; um rei de Jacanan do Carmelo…” (Josué 12, 22).


O Monte Carmelo

O magnífico Monte incrustado na atual divisa com o Líbano, foi o palco de uma das maiores manifestações da força Divina em toda a história da Humanidade. Ali, abraçaram-se a justiça e a misericórdia, o fogo e a chuva, o medo e a confiança, a força e a fraqueza, o desespero e a glória!

Quantos princípios foram dados ao homem ali, naquele dia em que a Luz venceu as Trevas, no famoso desafio do Profeta Elias.*

Monte Carmelo é mais conhecido como o local de confronto de Elias com os profetas de Baal. Foi aqui que Elias desafiou em nome de Deus os deuses de Jezabel casada com Acabe, o local foi bem escolhido por Deus para mostrar a sua superioridade sobre o deus pagão. Nesta demonstração em que o clímax está na descida do fogo do céu para queimar o seu sacrifício ensopado de água (1 Rs 18, 19-40).

Depois de Elias ser elevado ao céu, foi Eliseu ao monte Carmelo, mas somente uma vez – recebeu ali a sunamita, aquela consternada mãe, cujo filho lhe foi restituído vivo (2 Rs 4, 25). Cidade na região montanhosa de Judá (Jos. 15, 55), e que nos é familiar por ter sido a residência de Nabal (1 Sm 25, 2) e a terra natal da predileta esposa de Davi, a carmelita Abigail (1 Sm 27, 3; 1 Cr 3, 1). Foi este, sem dúvida, o lugar, onde Saul levantou um monumento depois de ter alcançado vitória na batalha com os amalequitas (1 Sm 15, 12).

Os egípcios chamavam ao Carmelo “promontório sagrado” e os cananeus parecem ter tido ali um santuário ao ar livre, que Elias escolheu para demonstrar a impotência de Baal e o poder de Jeová (1Rs 18, 17-46). Elias parece ter vivido no Monte Carmelo durante algum tempo (2Rs 4, 23-25). No século IV a.c., os gregos chamaram ao Carmelo “o monte sagrado de Zeus” e na base de uma estátua do século II ou II a.c., recentemente descoberta, lê-se: “(Dedicada) ao Zeus Heliopolitano (do Monte) Carmelo, por G. Julius Eutychas, um colono de Cesareia”. Isto mostra quão tenazmente o culto de um deus pagão se colou à imagem da montanha. O nome atual do Carmelo é Jebel Karmel ou Jeber Mâr Elyâs.


Hoje duas aldeias drusas estão situadas no Monte Carmelo. A religião drusa é um desdobramento da fé Islã a partir do ano 1000 d.c. As pessoas drusos falam árabe, vivem também nas montanhas da Galileia e nas Colinas de Golã, e tem boas relações com os judeus de Israel. Eles são muitas vezes perseguidos pelos muçulmanos.


O Monte Carmelo
Berço da Ordem Carmelitana

A Ordem Carmelitana teve seu berço no Monte Carmelo, na Palestina, e seu espírito está caracterizado por dois elementos: sua origem eliana (S. Elias) e sua dedicação a Maria. São os gérmens que abrem, continuam e fecharão a história, a tradição e a espiritualidade do Carmelo.

O Monte Carmelo foi, com o correr dos tempos, cenário de interessantes dramas humanos. Ali viveu Elias, o Profeta, saboreando a presença divina e ao levantar-se “como uma chama”, marcou a história de Israel. Seu zelo ardoroso foi recompensado ali mesmo com a visão misteriosa da nuvem. Em sua mente se iluminou então a ideia de uma sucessão espiritual consagrada ao serviço de Deus e realizou sua obra, depois de si uma sucessão de profetas, que estabeleceram uma escola, sendo o primeiro deles o Profeta Eliseu.

Pela Montanha bíblica do Carmelo passaram também muitas raças e civilizações orientais e ocidentais. Os Cruzados lhe deram nova vida, com a chegada de homens fervorosos para a vida eremítica, de maneira que, se pode dizer, com eles começou propriamente a história da Ordem, ao organizarem-se os eremitas sob a direção de São Bertoldo, congregados por Aymérico de Malafaida.

Vários mosteiros de monges funcionavam no Monte Carmelo:

O convento de São Brocardo, no vale dos Mártires, cujas ruínas foram recentemente descobertas.

O mosteiro de Santa Margarida, primeiro de monges gregos e logo de Carmelitas, a uns 5 quilômetros da fonte de Elias: grutas cavadas nas rochas imponentes que fecham o extenso vale.

O convento do Sacrifício, no lugar em que os arqueólogos assinalaram como o correspondente à grande façanha de Elias.

O convento atual do Promontório, onde Santa Helena construíra uma Basílica e onde agora se levanta o formosíssimo templo com a efígie da “Grande Milagrosa” e a gruta de Elias.

Finalmente, do Carmelo saíram para a Europa em 1291 os moradores carmelitas, ano em que se apoderam do monte os muçulmanos.

Durante três longos séculos, os religiosos permanecem ausentes da Santa Montanha, até que retornam em 1631, graças ao zelo e aos esforços do Pe. Próspero do Espírito Santo, OCD, ganhando-o para a Reforma Teresiana.

No Monte Carmelo pediu asilo Napoleão para seus feridos. De 1914 a 1918 esteve em poder dos alemães e logo dos ingleses. Em 1948 voltam a ocupá-lo os ingleses. Nesse mesmo ano cai em poder dos judeus, e hoje o Monte forma parte de Israel.

Desde a Reforma Teresiana os carmelitas se encontram no Monte Carmelo e sucessivamente foi eremitério, missão, noviciado e casa de estudos.

Hoje, o Monte Carmelo, sendo morada dos Carmelitas Teresianos, não todo ele, moram aí israelitas em alguns lugares. Nos dois lugares mais importantes moram os Carmelitas: o convento do Sacrifício e o Santuário, berço da Ordem, onde seus moradores tratam de reviver recordações antiquíssimas bordadas de histórias e de lendas. Parece todavia, ouvir-se a voz de Isaías que disse: “A santidade se assentará sobre o Carmelo” (Is. 32, 16), repetida como num eco pelo profeta Jeremias: “Conduzi-os à terra do Carmelo para que comêsseis os seus melhores frutos” (Jer. 2, 7).

Fonte: Frei Patrício Sciadini, OCD, “O Carmelo – História e Espiritualidade”, cap. 1, pp. 13-15; Edições Loyola, São Paulo, 1997.


Os Santos e o Monte Carmelo

São Jerônimo diz que Carmelus significa Ciência da Circuncisão” (Beato Nicolau Gálico, “Ignea Sagitta”, cap. 1).

Se na Terra existe um lugar que pode ser comparado ao Céu, o Carmelo é este lugar” (Santa Teresa D’Ávila).

Assim, digo agora que, embora todas as que trazemos este sagrado hábito do Carmo sejamos chamadas à oração e contemplação (porque foi essa a nossa origem; descendemos dos Santos Padres do Monte Carmelo que, em tão grande solidão e com tanto desprezo do mundo, buscavam esse tesouro, essa pérola preciosa de que falamos), poucas de nós nos dispomos a que o Senhor nos revele esse tesouro” (S. Teresa de Jesus, M 5, 1, 2).

Para viver no Carmelo só necessitava de uma coisa que é a vocação; muito persuadido estava dele, como todavia, também estou, de que para viver como anacoreta, solitário ou eremita, não necessitava de edifícios que logo iam desmoronar-se; nem me eram indispensáveis as montanhas da Espanha, pois acreditava haver em toda a extensão da terra bastantes grutas e cavernas para fixar nelas minha morada” (Beato Francisco Palau, “Elogio da Vida Solitária”, cap. 2).

Há 10 anos que, nos verões, venho a este monte dar conta a Deus de minha vida, e, consultar os desígnios de sua Providência sobre a Ordem a que pertenço. Aí segue a história so­bre o passado, o presente e o porvir da Ordem do Carmo

Elias, profeta grande, e os filhos de sua Or­dem sois, e adiante sereis meu dedo e o Dedo de Deus e meu braço nas batalhas contra os Demônios e contra a Revolução... (Obras Selec­tas del Beato Francisco Palau, Carta ao Revmo. Pe. Pas­cual de Jesus Maria, Procurador Geral, em Roma, da Ordem do Carmo, Carta 115).

Quem sois vós, filhos caríssimos?… Vindes do Monte Carmelo e trazei-Nos a recordação e quase a inspiração do grande Profeta, arauto potente de Javé, Elias, figura do Precursor que anunciou a chegada do Messias, Jesus? E sois vós os sequazes dos ascetas, aos quais Santo Alberto de Vercelli, o longínquo Patriarca latino de Jerusalém, deu a primeira Regra (1208), toda orientada para a oração na solidão e na penitência e que o Nosso distante Predecessor Honório III, em 1226, aprovou? Vós determinais: Sim. Aquela é ainda a norma espiritual e ascética basilar, a qual consagramos a nossa vida; mas, nós, em verdade, somos os Carmelitas Descalços que descendem da Reforma operada há quatro séculos por dois grandes Mestres da Mística Católica, São João da Cruz e Santa Teresa de Jesus. Grande e ilustre Família Religiosa, que representa historicamente um dos mais insignes e eficazes esforços da Igreja Católica, decidida, após o Concílio de Trento, a redescobrir as próprias expressões mais ousadas e características da santidade, toda orientada, mediante a humildade e o despojamento de si, e por uma vida comunitária tornada escola de caridade, de simplicidade, de ciência espiritual, à contemplação...

E que a Virgem Santíssima, Nossa Senhora, vos conforte, filhos caríssimos, em vossa vocação carmelitana; Ela vos conserve o gosto das coisas espirituais; Ela vos obtenha os carismas das santas e árduas ascensões para o conhecimento do mundo divino e para as inefáveis experiências de suas noites obscuras e seus luminosos dias; Ela vos dê o anelo pela santidade e o testemunho escatológico do Reino dos Céus; Ela vos torne exemplares e fraternos na Igreja de Deus; Ela vos introduza um dia na posse de Cristo e de sua glória, à qual toda a vossa vida quer ser desde agora consagrada. Para tanto, vos conforte a Nossa Bênção Apostólica, que particularmente concedemos aos Prepósitos Gerais, ao de ontem e ao recém-eleito, a vós todos Capitulares e à inteira, santa e dileta Ordem dos Carmelitas Descalços” (Beato Paulo VI, Alocução aos Padres Capitulares da Ordem dos Carmelitas Descalços; cfr. “Sinal do Reino - Paulo VI aos Religiosos e às Religiosas”, pp. 207-212; Edições Paulinas, São Paulo, 1972).

O Carmelo é uma fábrica de santos!”

Toda Igreja é devedora ao Carmelo” (Teólogo H. W. Baltassar).


Retrato do Glorioso
Patriarca Santo Elias

É impossível descrever em poucas palavras a personalidade e obra desse grande Profeta.

Lendo as poucas páginas bíblicas que nos falam dele, podemos tentar descobrir suas características principais. Eis aqui algumas:

1. O homem diante de Deus: Aparece com frequência a expressão “o Senhor a quem sirvo” ou “perante O qual estou”. Elias não compartilha com ninguém Seu culto e quer que o povo faça o mesmo.

2. Levado pelo Espírito: Vede a resposta tão saborosa de Abdias em 1 Rs. 18, 12: “Mas quando eu me apartar de ti, o Espírito do Senhor te levará para não sei onde...” É desta docilidade, prontidão diante da vontade de Deus e de sua liberdade interior que procede a força da alma de Elias.

3. Sua fé sem divisões: Quando do sacrifício do Carmelo (1 Rs. 18), tenta forçar o povo a escolher entre o Deus vivo, pessoal, que intervém na história, e as forças naturais divinizadas, os baais. Como nós, Elias crê sem ver; porque Deus pede, anuncia a chuva…, mas sem vê-la cair (1 Rs. 18, 41 ss.).

4. Sua intimidade com Deus: Sua visão de Deus (1 Rs. 19), como a de Moisés (Êx. 33, 18 ss.), é o modelo da vida mística: é tudo o mais que se concede ao homem ver. Porém, Elias continua sendo um homem como nós, desanimado, medroso…

5. Solidariedade com os pobres: Diante do rei e dos poderosos, defende o pobre (1 Rs. 21).

6. Seu universalismo: Como crê em Deus sem divisões e se deixa conduzir pelo Espírito, é livre para tratar com os pagãos (1 Rs. 17); mas também pede à mulher pagã uma fé incondicional (17, 13).

O relato popular de 2 Rs. 1, contribuirá, infelizmente, para fazer de Elias um personagem justiceiro que pede o fogo do Céu contra os pecadores, ficando de lado valores tão positivos, que são para nós de maior importância, pois a estes valores é que somos convidados a imitar.


Testemunhos Ilustres

Limitamo-nos ao que nos pintam dois célebres carmelitas:

1. O ilustre historiador Juan Bta Lezana (+1659) escreveu este magnífico epitáfio:

Elogio para alcançar a porta do paraíso terreno: Aqui vive, o mortal, aquele celeste zelador da honra divina, Elias é o duplo espírito, perfeito na pureza, rico em virtudes, paupérrimo em bens terrenos, grande amigo de Deus, inimigo do Diabo, amável com os bons, terrível para com os ímpios, nascido antes de Cristo, conversou com Cristo, reservado após Cristo contra o Anticristo; Patriarca exímio. Profeta celebérrimo. Sacerdote grande. Monge, Pai dos monges, sempre casto, Fênix singular. De Cristo, futuro apóstolo. Mártir, Precursor, Capitão, valente defensor, arauto da verdade, ardentemente religioso, maduro sem desalento, ancião sem velhice, mortal sem morrer, nutrido sem alimento, de uma longevidade sem achaques e – coisa admirável! - de uma vida santíssima que não se há de extinguir até a consumação dos séculos. Quem flagelou os tiranos, deu morte aos sacrílegos, fechou com suas palavras as nuvens e tornou a abri-las, ungiu Reis e instituiu Profetas defensores; pelos Anjos foi anunciado seu nascimento, alimentado em Carit, saudado em Horeb, de onde, em meio a fragorosa tempestade e comoção dos montes, cobrindo-se com seu manto o rosto, viu o quanto era talentoso para Deus, o qual se lhe manifestou na brisa suave...”

2. O venerável mariólogo Arnoldo Bostio (+1499) o chamou:

Varão Evangélico antes do Evangelho, Apostólico antes do tempo dos Apóstolos, depreciador do mundo e de todas as coisas perecíveis, apaixonado seguidor do eterno, primeiro Virgem, Monge e Eremita, resplendor de costumes, regra de virtudes, arauto da Virgem sagrada. Que com a instituição da virginal castidade antecedeu por muito tempo o Cordeiro sem mancha, aonde quer que tivesse de ir...”


Ele Voltará!

Elias executa o tríplice encargo divino. Aproxima-se então o momento de ele abandonar a Terra. Para o comum dos homens isso significa pura e simplesmente morrer. Porém, para Elias, o Profeta das grandes exceções, a Providência tem outros planos. Arrebatado num carro de fogo e levado por Deus para lugar desconhecido, o Profeta deixa seu manto a Eliseu, seu discípulo e sucessor.

Cerca de 900 anos se passam e, no Monte Tabor, na cena empolgante da transfiguração de Jesus, Elias aparece, juntamente, com Moisés, ao lado de Nosso Senhor. Do misterioso lugar, onde presentemente se encontra, contempla ele o desenrolar da história da salvação, à espera do momento de voltar a intervir diretamente nos acontecimentos da Terra e preparar a Segunda vinda de Cristo antes do Juízo Final.

E então, mais do que nunca, aplicar-se-á a Elias o elogio que dele faz o Espírito Santo: “E quem pode pois, ó Elias, gloriar-se como tu? Tu que fizeste sair um morto do sepulcro…, que precipitaste os reis na desgraça e desfizeste sem trabalho o seu poder…, que ouviste sobre o Sinai o juízo do Senhor; e sobre o Horeb os decretos de sua vingança; que sagraste reis para vingar crimes, e fizeste profetas para teus sucessores; que foste arrebatado num redemoinho de fogo…; tu, de quem está escrito que virás para abrandar a ira do Senhor, para reconciliar o coração dos pais com os filhos, e para restabelecer as tribos de Jacó. Bem-aventurados os que te viram e que foram honrados com a tua amizade” (Eclo. 48, 4-11).

Fonte: Rev. Pe. Everaldo Bon Robert, “Bebendo nas Fontes”, cap. 2, pp. 23-26; Obra Privativa da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte Carmelo, Sodalício de Campos dos Goytacazes/RJ, 2014.

* Recomendo vivamente esta riquíssima literatura; quem puder adquiri-la, será um felizardo.


A Essencialidade e a Intensidade
da Vida Carmelitana

Quando alguém deseja viver intensamente o seu Batismo, procura se submeter a uma Regra para aplicar na sua vida uma intensa disciplina que o configure sempre melhor ao que Deus lhe pede. Busque a Deus! Eis a regra primeira que está gravada na alma de cada ser humano. Fomos criados por Ele e para Ele. Enquanto não repousarmos nEle, não teremos felicidade, dizia Santo Agostinho. Iluminados pelos dogmas da fé, saímos nesta busca incessante que deve nos levar à união com Deus. E para se unir a Ele é preciso se tornar perfeito como Ele é perfeito (Mt. 5, 48). Este é o objetivo da vida monástica. Para iniciar este gênero de vida, não é preciso ser perfeito, mas desejar atingir esta perfeição. Pois, assim disse o Senhor: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens e dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!” (Mt. 19, 21) Primeiro disse: vai! E, depois: vem! Neste vai, estão contidos todos os esforços para deixar as riquezas, os prazeres da carne e a soberba. É a purificação do homem velho. É o esvaziamento de si mesmo descrito na carta aos Filipenses (2,7-8). Por outro lado, neste vem, identificamos o processo de crescimento espiritual na caminhada de perseverança da alma rumo à transformação unitiva que S. João da Cruz identifica como o topo do Monte Carmelo. Aqui está o fundamento de todas as regras! “Meu amado me disse: levanta-te minha amada e vem!” (Cânt. 2, 10) Semelhante modelo nos oferece Nosso Pai Santo Elias que recebeu de Deus esta Regra: Sai e permanece. Em duas ocasiões, Deus lhe deu esta ordem:

1 - “Sai daqui e retira-te para as bandas do oriente, esconde-te na torrente de Carit. Fique aí e bebas da torrente” (I Reis 17, 3-4).

2 - “Sai e permanece em cima do monte na presença do Senhor” (I Reis 19, 11).

Na primeira ocasião, saindo, ele fez o processo de purificação e de afastamento de tudo que impede a plena união com Deus, e, depois, ele permaneceu junto à fonte (Deus) e bebia da torrente, ou seja, se inebriava do amor de Deus. Da mesma forma, num segundo momento, teve esta outra experiência mística cumprindo esta Regra: sai e permanece. Após percorrer a longa subida de 40 dias e 40 noites (tempo de purificação) saiu (da caverna escura do entendimento) e, permanecendo (na presença de Deus), viu Deus passar, ou seja, teve a notícia espiritual da essência divina. Assim, temos o exemplo de Elias que, obedecendo a Deus e perseverando, atingiu a perfeição do amor, significada por sua subida no carro de fogo” (“Juxta Fontem”; Fr. Tiago de S. José Ecarm.).


LADAINHA DOS SANTOS E BEATOS CARMELITAS


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós!
Deus Filho Redentor do Mundo, tende piedade de nós!
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós!
Santíssima Trindade que sois Um só Deus, tende piedade de nós!
Santa Virgem Maria do Monte Carmelo, rogai por nós!
Santa Virgem Maria, Mãe da Divina Graça,
Santa Virgem Maria, Mãe e Irmã dos Carmelitas,
Virgem do Santo Escapulário,
São José, Patrono do Carmelo,
Santo Elias, Patriarca do Carmelo,
Santo Eliseu, Profeta do Carmelo,
Santo Alberto de Jerusalém, Legislador de nossa Ordem,
São Brocardo,
São Bertoldo,
Santa Teresa de Jesus, nossa mãe,
São João da Cruz, nosso pai,
Santa Teresa do Menino Jesus,
São Simão Stock,
Santa Teresa Margarida Redi,
Santa Teresa de Jesus dos Andes,
Santa Teresa Benedita da Cruz,
São Pedro Tomás (Bispo),
Santo André Corsini (Bispo),
Santo Henrique de Ossó e Cervelló,
Santo Alberto de Trápani,
São Rafael Kalinowski,
Santa Maravilhas de Jesus,
Santa Maria Madalena de Pazzi,
Beato Tito Brandsma,
Beato Dionísio da Natividade,
Beato Redento da Cruz,
Beato Nuno Álvares Pereira,
Beato João Soreth,
Beato Francisco Palau y Quer,
Beato Ciríaco Elias Chavara,
Beato Batista Mantovano,
Beata Maria de Jesus Crucificado,
Beata Elizabete da Trindade,
Beata Elias de São Clemente,
Beato Eufrásio do Menino Jesus,
Beato Eusébio e companheiros,
Beato Jorge Häfner (presbítero da OCDS),
Beato Lucas de São José e companheiros,
Beata Maria Cândida da Eucaristia,
Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado,
Beata Ana de São Bartolomeu,
Beata Maria da Encarnação,
Beata Maria dos Anjos,
Beata Maria de Jesus,
Beata Teresa de Santo Agostinho e companheiras,
Beata Maria Sacrário de São Luís de Gonzaga,
Beata Teresa Maria da Cruz,
Beatas Maria Pilar, Teresa e Maria Angeles,
Beato Isidoro Bakanja,
Beata Josefa Naval Girbés (virgem da OCDS),
Beato Afonso Mazurek,

Todos os bem-aventurados de nossa Ordem,
Todos os santos e santas de Deus, intercedei por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: perdoai-nos Senhor!
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: ouvi-nos, Senhor!
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo: tende piedade de nós!

Rogai por nós, todos os Santos e Santas carmelitas: para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Oremos: Ajude-nos, ó Deus Todo-Poderoso, o patrocínio da Bem-Aventurada Virgem Maria, nossa Mãe, e a intercessão dos Santos e Santas carmelitas, para que, seguindo fielmente seus exemplos, sirvamos generosamente vossa Igreja com a oração e a vida apostólica. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.



LADAINHA DE NOSSA SENHORA DO CARMO

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Deus Pai dos Céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós,
Mestra da vida interior,
Caminho seguro na Noite Escura,
Virgem da fé,
Virgem do Caminho de Perfeição,
Virgem fiel,
Virgem que sabe ouvir,
Mãe das Fundações,
Mãe do abandono perfeito,
Mãe da Pequena Via,
Mãe da caridade,
Mãe da humildade,
Senhora das Moradas eternas,
Senhora do “SIM”,
Senhora do Monte Carmelo,
Fiel esposa de José,
Esposa da Viva Chama de Amor,
Perfeita esposa do Cântico Espiritual,
Estrela do Carmelo,
Flor do Carmelo,
Formosura do Carmelo,
Nossa Senhora da Subida do Monte Carmelo,
Modelo de oração,
Modelo de vida interior,
Caminho que leva a Deus,
Alma enamorada de Deus,
Auxílio dos Carmelitas,
Serva de Javé,
Sublime filha de Sião,
Esperança dos Carmelitas,
Rainha do silêncio,
Rainha do Castelo Interior,
Rainha do Carmelo,

Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, Ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.

V. Rogai por nós, Rainha e Formosura do Carmelo.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: “Venha, Ó Deus, em nosso auxílio a intercessão da gloriosa Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo, para que possamos, sob sua proteção, subir ao monte, que é Cristo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo”. 

Fonte: Da Carta de Pio XII, 11 de fevereiro de 1950, por ocasião do VII Centenário do Escapulário da Virgem Mãe de Deus do Monte Carmelo.


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