Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 6 de junho de 2015

As Inesgotáveis Riquezas do Sagrado Coração de Jesus (Ensaio em Fase de Conclusão) 7



Centelhas Ardentes de Graves Autores
sobre o Sagrado Coração de Jesus



Beato Paulo VI
fala aos Sacerdotes da
Congregação dos Sagrados Corações1

Caros filhos,... Por duas vezes depois de Nossa elevação ao Soberano Pontificado – que se realizou, temos o prazer de relembrá-lo em vossa presença, na festa litúrgica do Sagrado Coração – julgamos dever Nosso lembrar a atualidade e a urgência desta devoção na Igreja, a necessidade de não deixá-la enfraquecer-se na alma dos fiéis.

Foi primeiro, vós vos recordais, nas Letras Apostólicas Investigabiles Divitias Christi, de 6 de fevereiro de 1965, na qual deplorávamos que “o culto do Sagrado Coração houvesse diminuído em alguns” e desejávamos que ele fosse “considerado por todos como uma forma nobre e digna desta piedade autêntica que hoje – dizíamos Nós – sobretudo em virtude das prescrições do Concílio Ecumênico Vaticano II, é especialmente requerido para com Jesus Cristo, Cabeça do Corpo da Igreja”.2

Tendo-Nos disto sido pedidas precisões pelos Superiores dos Institutos, mais especialmente dedicados ao Sagrado Coração – e notadamente o vosso – Nós lhes dirigimos alguns meses mais tarde um documento complementar, insistindo no fato de que o Mistério da Igreja, posto sob luz tão viva no Concílio, não podia “ser compreendido como é devido, se as almas não derem atenção a esse amor eterno do Verbo encarnado, de que o Coração ferido de Jesus é fulgente símbolo”.3


D. Columba Marmion
dirigi-nos ao
Sagrado Coração de Jesus

Carta de 17 de Maio de 1903: “Agradeço, do fundo da minha alma, a Nosso Senhor por vos unir tão estreitamente ao Seu Sagrado Coração e por vos fazer compreender cada vez mais a necessidade que tendes de viver junto d'Ele. Com efeito, minha filha, a vida interior torna-se muito simples, desde que compreendamos que toda ela consiste em nos perdermos em Jesus Cristo, fazendo, com o Seu, um só coração, uma só vontade. Uma vez dado este passo, se nos conservarmos firmes, 'mergulhamos cada vez mais nesta Santíssima Vontade', como muito bem dizia Santa Chantal; fora disso, nada fazemos”.4

Carta de 21 de Dezembro de 1900: “... Mas onde encontrar este amor puro? Não o temos de nós mesmos, nem em nós. Encontra-lo-eis no Sagrado Coração de Jesus, que é fornalha infinita de amor; e, como recebeis este Sagrado Coração, tantas vezes, na Sagrada Comunhão, nada mais tendes a fazer do que depor o vosso coração no centro deste Coração Divino, para amardes com o Seu Amor. Oh! Sim, minha filha, o Sagrado Coração é um tesouro infinito de amor divino, e este Coração é nosso, vive sempre em nós. 'Aquele que como a Minha Carne e bebe o Meu Sangue, vive em Mim e Eu vivo nele'.5 Uni-vos pois, frequentemente, a este Sagrado Coração, e amai com Ele e por Ele.

Aí é que está o grande segredo. Eis as palavras de Santo Ambrósio: 'A boca de Jesus crucificado tornou-se nossa boca, e, por ela, falamos ao Pai, para aplacar a Sua ira; o Seu Coração transpassado tornou-se nosso coração, e, por ele, amamos o Pai'. Sim, Jesus veio à terra só para isto: 'Vim para espalhar o fogo (do amor), e que mais quero Eu senão vê-lo ateado?'67

Carta de 28 de Março de 1904: Programa de Amor: “Ao levantar, em união com o Sagrado Coração de Jesus, cujo primeiro movimento foi um impulso de amor pelo qual se ofereceu sem reserva ao Pai, dizei: 'Eis-me aqui, meu Deus, para cumprir a Vossa Vontade'.8

No princípio do dia, ao entrar no oratório, uni estreitamente o vosso coração ao Coração de Jesus. Este Coração foi uma fornalha de amor, pois Jesus amava o Pai com todo o Coração.

Este amor do coração deve desabrochar em amor de toda a vossa alma, aplicando-a, com todas as suas faculdades, à oração e ao louvor divino. Jesus amava o Pai com toda a Sua Alma.

Durante o dia, este amor do coração deve traduzir-se no trabalho da obediência, realizado com todas as vossas forças. Jesus trabalhava, por amor ao Pai, com todas as Suas forças.

Finalmente, e ainda no decorrer do dia, que o amor vos incite a ocupar o espírito no pensamento de Deus, no estudo das Suas perfeições, em tudo quanto diz respeito ao Seu serviço. É isto amar a Deus com todo o espírito. O espírito de Jesus estava sempre engolfado na contemplação do Pai.

Durante o dia, sede fiel em 'dirigir' os diversos atos segundo as prescrições da santa Regra.

Voltai, muitas vezes, por uma Comunhão Espiritual, a este centro de amor, que é o Sagrado Coração de Jesus. Toda a nossa vida se deve passar neste doce entretenimento com Jesus, Esposo das nossas almas”.9

Carta de 4 de Outubro de 1900: “Tanto quanto possível, fazei todos os vossos atos por puro amor de Deus, em união com as disposições perfeitíssimas do Sagrado Coração de Jesus”.10

Carta de 25 de Fevereiro de 1895: “Sinto a maior compaixão por vós, no meio da provação, que o Bom Deus neste momento vos envia. É um martírio. Mas, apesar disso, conformo-me inteiramente com a Santa Vontade do Nosso amado Senhor, que, do mais íntimo do Seu Sagrado Coração, vos envia esta cruz. Podeis crer, digo-vo-lo da parte de Deus, esta provação foi o amor de Nosso Senhor que vo-la enviou, e tem a realizar na vossa alma um trabalho de que nenhuma outra coisa seria capaz. Trata-se da destruição do amor próprio; e, quando sairdes desta provação, sereis mil vezes mais querida do Sagrado Coração do que éreis antes. E assim, embora tenha muita pena de vós, não quero, por nada deste mundo, que as coisas sejam diferentes do que são; pois vejo que é Jesus, que vos ama com um amor mil vezes maior do que o amor com que vós mesma vos amais, quem permite venha sobre vós esta provação. Tende a certeza de que, durante todo este tempo, vos encomendo nas minhas orações e sacrifícios, para que o Bom Deus vos conceda força para tirar desta graça o maior proveito”.11

Carta de 29 de Maio de 1904: “... Procurai, pois, querida filha, unir todos os vossos sofrimentos do corpo e do coração ao Sagrado Coração de Jesus, pois é desta união que lhes vem todo o merecimento”.12

Carta de 1 de Dezembro de 1921: “Vejo que sois muito querida do Coração Divino de Jesus; pois, ao mesmo tempo que vos confia o encargo de cuidar das Suas esposas, vos faz participar dos seus sofrimentos e humilhações. Neste mundo é impossível amar verdadeiramente a Jesus, sem participar da Sua Cruz, quer dizer, das Suas dores e humilhações, sem suportar a ingratidão daqueles por quem nos dedicamos. Aqueles mesmos que no dia de Ramos aclamavam a Jesus (como triunfador), poucos dias depois gritavam: Crucifige, crucifige! Todos os dias de manhã, no momento da Sagrada Comunhão, oferecei-vos a Jesus, para O servir durante o dia na pessoa das vossas irmãs e ainda para partilhar dos seus sofrimentos, suportando a ingratidão das descontentes”.13

Suplemento: “O Preceito da Caridade brotou do fundo do Coração de Jesus. Depois que instituiu a Eucaristia, tornou-se um com a Sua Igreja, com os Seus membros; e, para exprimir esta união, disse: ‘Eu e os Meus membros somos uma só e a mesma coisa. Tudo quanto fizerdes ao mais pequenino dos Meus membros, é a Mim que o fazeis’14 É a expressão da ‘comunhão’. Aquele que habitualmente falta à Caridade destrói, no seu coração, a ‘comunhão’, e dá tantos passos para trás como para a frente. Ama, e faze o que queres...”15

M. Hamon
e o Sagrado Coração de Jesus16

Prostremo-nos diante da Cruz de Nosso Senhor, e tributemos a nossa adoração, o nosso reconhecimento e amor às duas Chagas dos seus pés, às duas Chagas das suas mãos e, principalmente, à Chaga do Sagrado Lado. Oh! Quão veneráveis são estas Chagas; e quão justo é que os nossos corações se derretam em ternura contemplando-as! Ó Sagradas Chagas, eu não posso honrar-vos tanto quanto quisera; mas ofereço-vos os piedosos sentimentos com que vos honraram Maria e S. João no descendimento da Cruz. Tenho esse direito, pois que, sendo Maria minha Mãe e S. João meu irmão, os seus méritos são uma herança de que posso dispôr em meu benefício.

Não se olharia como um homem, mas como um monstro sem coração, um filho que visse com indiferença, sem o menor sentimento de compaixão, de reconhecimento e de amor, as chagas que tivesse recebido seu pai para o salvar da maior das desgraças e para lhe alcançar ao mesmo tempo os maiores bens? Tal e pior ainda seria o cristão que fosse indiferente para com as Chagas do Salvador: porque Jesus Cristo recebeu estas Chagas para nos salvar do Inferno e nos abrir o Céu, para nos oferecer nelas outras tantas fontes de salvação, de que podemos tirar graça, força e consolação17. Ó alma cristã, exclama S. Boaventura, como podes tu conter os teus transportes lembrando-te destas Chagas? O amantíssimo Jesus fez nos seus pés, nas suas mãos, uma larga ferida para te receber, e não tens pressa de entrar nelas; abriu por Si mesmo o Lado para te dar o seu Coração, e não vais unir o teu coração com o Dele! Ah! Quanto a mim, continua o Santo Doutor, é ali que eu gosto de habitar18; é ali que quero fazer três estâncias: a primeira aos pés do meu Jesus, a segunda nas suas mãos, a terceira no seu Sagrado Lado. É ali que eu quero descansar; é ali que hei de velar, ler, e conversar. Ó amabilíssimas Chagas, os olhos do meu coração estarão sempre fitos em vós; de dia, desde o sol nado até ao sol posto, e de noite, tantas vezes quantas estiver acordado. Conservar-me-ei, principalmente, na abertura do Sagrado Lado para ai falar ao Coração de meu Senhor, e obter Dele o que eu quiser. Ó Jesus, diz no mesmo sentido S. Bernardo, o vosso Lado é transpassado para nos patentear a entrada do vosso Coração, e nos revelar por esta Chaga visível a Chaga invisível do vosso amor. Aplicar-lhe-ei os meus lábios e sugarei o mel do amor e unção das consolações divinas19. Seríamos nós os filhos dos Santos, se, depois de tais exemplos, não tivéssemos uma terna devoção às Cinco Chagas?

A alma acha nestas Chagas tudo o que é necessário ou útil à salvação20. Em nenhuma parte tenho achado, diz S. Agostinho, remédio tão eficaz para todos os males da alma21. Sejam quais forem as enfermidades espirituais, acrescenta S. Bernardo, a meditação assídua das Chagas do Salvador cura-as22. Porão os olhos nas Minhas Chagas, diz o mesmo Jesus Cristo pelo seu Profeta, e se converterão23. O Coração de Jesus é um oceano, e as Chagas são os canais por onde correm as águas da graça e da misericórdia24, diz ainda S. Bernardo. Com efeito, é nestas Chagas que se forma a viva fé25; é ali que se dilata a confiança em Deus26; é ali, principalmente, que a caridade se abrasa como em seu verdadeiro foco. À força de considerar o excessivo amor que abriu estas Chagas para nós, miseráveis criaturas e pecadores, o coração inflama-se todo, e não se pode já viver senão de amor. Por isso, Santo Agostinho chamava a estas Sagradas Chagas o seu refúgio nas aflições, o seu asilo nas tribulações, o seu remédio nas enfermidades da alma. É ali, que S. Tomás de Aquino bebia toda a sua ciência; ali que S. Francisco de Assis, à força de meditá-las, se tornou pelo fervor seráfico da sua caridade um prodígio de semelhança com Jesus crucificado; ali que S. Boaventura se encheu desse espírito de piedade que embalsama todos os seus escritos: este digno discípulo de S. Francisco desgastou os pés do seu crucifixo à força de os beijar, e nunca deixou de exortar todos os fiéis que saboreassem por si mesmos os inefáveis gozos e a deliciosa unção de piedade anexos à devoção destas Sagradas Chagas27. Se não podeis, diz a Imitação de Jesus Cristo, contemplar as coisas elevadas e celestes, conservai-vos humildemente nas Chagas do Salvador, nas quais achareis consolação e força28. São estas as nossas disposições?”

O Abade Ambrosio Guillois
responde-nos,
sobre a Devoção e a Festa
do Sagrado Coração de Jesus29

É muito antiga na Igreja a devoção do Sagrado Coração de Jesus? Sim; e muito antes de se instituir uma festa particular em honra deste divino Coração, já Ele era objeto da devoção de todas as almas justas.

Explicação: A devoção do Sagrado Coração de Jesus tem sido a das pessoas mais eminentes pelo seu saber e piedade. Leiam-se as suas obras, e ver-se-á, que elas falam do Coração de Jesus do modo mais afetuoso e tocante. “Oh! Quão doce, dizia um grande Santo, quão doce é habitar no Coração de Jesus! Que rico tesouro é o vosso Coração, ó meu amado Jesus! É nesse templo, nesse santuário que eu adorarei e bendirei o Nome do Senhor. Ó dos filhos do homem o mais formoso! Vós só deixastes transpassar o vosso Lado para nos dardes entrada no vosso Coração e Nele podermos habitar”. Assim se exprimia São Bernardo30; e assim pensam e se exprimem também São Boaventura31, São Francisco de Sales32, e muitos outros Santos; o que mostra evidentemente que a Igreja, autorizando a devoção do Sagrado Coração, nenhuma inovação fez na Doutrina Católica.

É muito antiga na Igreja a Festa do Sagrado Coração? – Não; só foi instituída no século XVIII.

Explicação: Ainda que a devoção do Coração de Jesus seja antiquíssima na Igreja, não remonta todavia senão a Festa ao século último (séc. XVIII). Na época em que a peste assolava Marselha, em 1720, Mons. Belzunce, Bispo dessa cidade, vendo a insuficiência dos remédios humanos, socorreu-se ao Sagrado Coração de Jesus, a fim de obter a cessação do flagelo. A sua esperança não foi malograda; o Céu mostrou-se-lhe propício: em breve o flagelo desapareceu. Então o santo Bispo estabeleceu uma festa particular, e fez uma dedicação solene e pública de toda a sua diocese e de si próprio ao Sagrado Coração de Jesus. Quando sucedeu este milagre, já o culto do Sagrado Coração de Jesus estava estabelecido em algumas dioceses de França; já existiam altares, capelas sob a invocação deste divino Coração. Em breve se propagou ainda muito mais. Clemente XIII, por uma Bula especial, autorizou a festa e o ofício do Sagrado Coração para o reino da Polônia. Alguns anos depois, o reino de Portugal obteve o mesmo favor; e em 1765 haviam os Bispos de França adotado quase geralmente a devoção do Sagrado Coração nas suas dioceses. Desde essa época, foi sempre crescendo e acha-se hoje estabelecida em todas as partes do mundo católico. – A festa do Sagrado Coração foi fixada na sexta-feira da Oitava do Santíssimo Sacramento. Em algumas dioceses de França celebram-se no segundo domingo do mês de julho. – Se a Missa do Sagrado Coração se celebra com canto, e está exposto o Santíssimo Sacramento, não se faz a comemoração do mesmo Santíssimo Sacramento; assim o decidiu a Sagrada Congregação dos Ritos em data de 6 de setembro de 183433.

Não interveio a divina Providência na instituição da Festa do Sagrado Coração de Jesus? – Sim; a divina Providência interveio na instituição da Festa do Sagrado Coração Jesus.

Explicação: A Igreja teve inimigos em todos os tempos; mas também em todos os tempos a divina Providência lhe subministrou os auxílios, que as suas diversas provações exigiam. Quando se aproximava a deplorável época, em que o erro havia de atacar o Dogma da Presença Real de Jesus Cristo na Eucaristia, viu-se aumentar a devoção dos fiéis ao Santíssimo Sacramento; instituiu-se uma Festa, e esta festa existia ali como um baluarte inexpugnável contra os artifícios e furores da heresia. Podemos também considerar a instituição do culto público para com o Sagrado Coração de Jesus como um benefício da Providência, e como o efeito das Promessas de Jesus Cristo e da assistência do Espírito Santo. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus reservou-se para estes últimos tempos, como o último esforço do seu amor para conjurar a ira celeste, reacender o fogo da caridade, e conservar o gérmen precioso da antiga piedade. O Coração de Jesus é uma fonte fecunda de doces e ternos sentimentos, e, segundo os desígnios de Deus, é nessa fonte que a Igreja, que os verdadeiros fiéis devem beber para debelar a indiferença do século, a insensibilidade dos corações.

Trecho Histórico: No mosteiro da Visitação de Paray-Monial em Charollais, vivia, no fim do século XVII, uma dessas almas puras e santas, que o claustro é digno de possuir. Chamava-se Margarida Maria. Estando um dia em oração diante do altar, apareceu-lhe Jesus Cristo, e lhe falou no amor em que está abrasado pelos homens, e da ingratidão dos homens para com Ele. Manifestou-lhe ao mesmo tempo o desejo que tinha de que se instituísse uma festa particular para louvar o seu Coração; e prometeu-lhe de encher de graças aos que abraçassem esta devoção. Margarida Maria comunicou as suas revelações a algumas pessoas, que não duvidaram da sua realidade. Entre elas foi o Padre La Colombière, célebre pregador, que cooperou muito para propagar a devoção do Coração de Jesus. No ano de 1696 publicou-se em Dijon uma obra intitulada: A devoção do Sagrado Coração de Jesus, com o Ofício, a Missa, a Ladainha, a Coroa, e algumas orações para honrar o Sagrado Coração de Jesus. No rosto do livro vê-se pintado o Pai Eterno no meio dos Anjos, apresentando um coração rodeado de chamas, e transpassado com um gládio, com estas palavras: “Eis o Coração de meu Filho bem-amado em quem pus as minhas complacências”.


Sóror Maria do Divino Coração
e a Consagração do Mundo ao Sagrado Coração de Jesus34

A 10 de Junho de 1898, era enviada uma carta da Casa do Bom Pastor ao Santo Padre Leão XIII. Assinava-a uma religiosa com mão trêmula, e até a lápis, onde dizia ter recebido ordem do Senhor para lhe notificar que o Sagrado Coração de Jesus desejava que o seu Vigário na terra, consagrasse o mundo todo ao mesmo Sagrado Coração, e que em recompensa, proporcionaria grande cópia de graças.

Qual o efeito dessa carta? Não se sabe. Apenas sabe-se que seis meses mais tarde, a mesma zelosa e santa irmã mandava nova carta, mais particularizada, mais insistente, assinando-se: Maria do Divino Coração, Droste Zü Vischering, Superiora do Recolhimento do Bom Pastor, no Porto. Esta carta impressionou deveras o Papa Leão XIII, que incumbiu um Cardeal de tirar informações acerca da religiosa, que todos tinham em conta de santa.

A 13 de Abril, dia de Páscoa, a Congregação dos Ritos autorizava as Ladainhas do Sagrado Coração, e anunciava para breve a consagração mundial.

A 25 de Maio de 1899, o Papa numa belíssima Encíclica, convidava todo o povo cristão a uma Consagração ao Coração de Jesus para o dia 11 de Junho, usando a fórmula escrita pelo Pontífice.

E foi assim que o País, que mais tarde teria a glória de ver consagrado em sua língua o mundo ao Coração Imaculado de Maria, a pedido da Irmã Lúcia, tem agora a glória de ver consagrada a humanidade ao Sagrado Coração de Jesus, pelo apostolado da Irmã do Divino Coração.


Sóror Benigna Consolata
e a Desconfiança no Sagrado Coração de Jesus35

O Sagrado Coração de Jesus à sua fiel serva Sóror Benigna Consolata.

Se soubessem o quanto desagrada a Deus duvidar da sua Bondade! Por maiores que sejam os pecados, enormes mesmos os crimes das Minhas criaturas, Eu estou sempre pronto, não só a perdoá-los, mas a esquecê-los, desde que os pecadores voltem a Mim... O maior dano que o Demônio faz às almas, depois de lhes ter feito cometer o pecado é a desconfiança. Se uma alma tem confiança, tem ainda o caminho aberto; mas se o Demônio consegue fechar o coração pela desconfiança, oh! Quanto tenho que lutar para reconquistar essas almas!

Escreve, Minha Benigna, escreve para que se saiba. É certo que cem pecados Me ofendem mais do que um; se este um, porém, for de desconfiança, fere-Me o Coração mais do que os outros cem; porque a desconfiança fere Meu Coração no seu íntimo; amo tanto os homens!”

Estas palavras concordam com as revelações de Jesus a Santa Catarina de Sena:

Os pecadores que no momento da morte desesperam da Minha misericórdia, ofendem-Me muito mais gravemente e Me desgostam mais com isto, do que com todos os outros pecados cometidos... A Minha misericórdia é infinitamente maior, do que todos os pecados que possa cometer uma criatura”.36


O Rev. Pe. Teodoro Ratisbonne
salpica-nos as Migalhas Evangélicas
sobre o Sagrado Coração de Jesus37

Meus Olhos e Meu Coração estão no meio de vós” (3 Rs. 9, 3).

I – Os mistérios da religião, todos de amor e caridade, não poderiam ser simbolizados mais expressivamente do que pelo coração. A contemplação do Sagrado Coração de Jesus dá-nos luz para compreendermos os segredos do Céu; inteligência para entrarmos nos mais íntimos pensamentos do divino Mestre; força para bem suportarmos as agruras da presente vida; graças para sermos humildes e dóceis; esperança para firmemente confiarmos no auxílio do alto. É neste Coração de amor que encontramos o bálsamo tonificante para as chagas da nossa alma; só ele sacia os que tem fome e sede de amor.

Abeiremo-nos desta fonte de água-viva, cuja plenitude transborda em nossos corações.

II – Só o Coração de Jesus sabe responder às invencíveis aspirações de nossa vida; pois, se sentimos necessidade de sermos amados, é ele quem nos ama e, se precisarmos amar, é a ele que devemos amar. Ele é todo nosso quando lhe pertencemos totalmente; e faz em nós suas delícias quando somente dele constituímos as nossas. Ele se dá a nós quando nós nos damos a ele; enche-nos de sua unção quando nós nele buscamos consolo.

Imitemos São João; descansemos sobre o Coração de Jesus, onde se aprendem os segredos do amor e da oração. É lá que a alma verdadeiramente piedosa saboreia as primícias da Bem-aventurança.

Il P. Joseph Schrijvers (al centro) con la Comunità dei Redentoristi
O Pe. José Schrijvers
retira-nos para um encontro com
o Sagrado Coração de Jesus38

Eu os atrairei com cadeias de amor”39 Foi Jesus quem fez o coração do homem, esse coração tão assombrosamente vasto que nenhuma criatura pode enchê-lo, nem contentá-lo as honras humanas, nem satisfazê-lo nenhum amor terrestre.

Necessário se faz, pois, voltar ao seu centro, Jesus, ou ser vítima da perturbação, da inquietação e do desespero.

O homem quer a felicidade. Ele a persegue por todos os seus atos, a ela aspira com todas as potências de seu ser, e essa felicidade procurada fora de Jesus Cristo, ele jamais a encontra.

Algo, como uma fatalidade, o impele a abraçar aquilo que ele chama felicidade e, quando julga tê-la alcançado, verifica que perseguiu uma quimera...

Oh! Quão infeliz é o coração que sofre sem ter aprendido na escola de Jesus o sentido da Cruz. Ele foge da dor e deve sofrê-la, odeia-a e a maldiz.

O discípulo de Jesus, ao contrário, compreende o sofrimento, recebe a dor como uma irmã querida. Mais ainda, vai-lhe ao encalço e suplica-a a Jesus, ama-a, e encontra nela suas mais puras delícias...

Jesus, refugio-me em vosso Coração Sagrado!...

Em Jesus, somente, o homem encontra tudo quanto deseja, a vida, a felicidade, o amor, e o amor sem limites, pois que Jesus é o Rei dos corações. Existem, com efeito, entre o coração do homem e o de Jesus, afinidades profundas e misteriosas e elas datam da eternidade...

E nele incrustou aspirações tão profundas, das quais só o seu divino Coração poderia fazer-se eco e acalmá-las plenamente.

O Coração de Jesus e o do homem tornaram-se assim como duas cordas de uma harpa harmoniosamente afinadas para vibrarem juntas, e tão delicadamente ligadas entre si, que a vibração de uma delas provocaria no mesmo instante um som correspondente na outra...

A harmonia estabelecida entre Jesus e o homem é, com efeito, tão profunda que a infidelidade, mesmo prolongada, não consegue destruí-la.

Os preconceitos e as paixões podem abafar, por longo tempo, todo grito, toda aspiração do coração para Deus; porém, essa divina simpatia subsiste no fundo da alma. Um dia, quiçá, depois de muitos anos, ela despertará e a alma há de responder ao apelo de Jesus.

É a história das conversões operadas após quarenta, cinquenta anos de vida culpada, por uma palavra de amigo, por um acontecimento imprevisto, por uma emoção súbita.

Jesus é o Rei dos corações. Foi Ele quem o fez, é Ele quem compreende todas as suas aspirações e também suas fraquezas. É Ele quem reconduz a Si, mais cedo ou mais tarde, aqueles que não se esquivam obstinadamente.

Ó Jesus! Eu não quero fugir de Vós, mas tão somente aproximar-me ainda mais. Preciso tanto de Vós! Agradeço-vos ter feito meu coração tão grande que jamais pôde contentar-se com criatura alguma...

Mas, Jesus, a não ser Vós, ninguém saberia compreender-me, amar-me como eu quero ser compreendido e amado.

Assim tudo me prende a Vós, bom Mestre; meus temores, minhas aspirações, minhas qualidades, e até mesmo os meus defeitos! Todas as fibras de meu ser vos enlaçam, todos os ecos de meu coração vos repetem: Ficai comigo, eu preciso tanto de vosso amor, de vossa bondade, de vossa condescendência, de vossa paciência sem limites.

Sem Vós, eu seria infinitamente infeliz...

Criai em mim um coração puro que se prenda somente a Vós. Dai-me energia para afastar de minha alma todo outro amor que não seja o vosso.

P.S. Recomendo a leitura do capítulo inteiro, pois é impressionantemente bom.


O Catecismo da Igreja Católica
define-nos o Coração do Verbo Encarnado40

Jesus conheceu-nos e amou-nos a todos durante a sua Vida, sua Agonia e Paixão e entregou-se por cada um de nós: “O Filho de Deus amou-me e entregou-se por mim”.41 Amou-nos a todos com um Coração humano. Por esta razão, o Sagrado Coração de Jesus, transpassado por nossos pecados e para a nossa salvação,42 “praecipuus consideratur index et symbolus... illius amoris, quo divinus Redemptor aeternum Patrem hominesque universos continenter adamaté considerado o principal sinal e símbolo daquele amor com o qual o divino Redentor ama ininterruptamente o Pai Eterno e todos os homens”.43



1“Sinal do Reino – Ensinamentos de Paulo VI aos Religiosos e as Religiosas”, Cap. “Caminhar sem Hesitar na Via do Amor e da Reparação (14/06/1966)”, pp. 139-142; Edições Paulinas, São Paulo, 1972.
2AAS LVII, p. 300.
3Carta Pontifícia Diserti interpretes facti, de 25 de maio de 1965.
4D. Columba Marmion, O.S.B., “A União com Deus em Cristo – Cartas de Direção”, Cap. II, Ponto IV, pp. 53-54; Versão Portuguesa dos Monges de Singeverga, 2ª Edição, Edições Ora & Labora, Mosteiro de Singeverga, 1948.
5Jo. 6, 56.
6Luc. 12, 49.
7D. Columba Marmion, O.S.B., ob. cit., pp. 64-65.
8Heb. 10, 9.
9D. Columba Marmion, O.S.B., ob. cit., pp. 65-66.
10D. Columba Marmion, O.S.B., ob. cit., p. 66.
11D. Columba Marmion, O.S.B., ob. cit., p. 101-102.
12D. Columba Marmion, O.S.B., ob. cit., pp. 115-116.
13D. Columba Marmion, O.S.B., ob. cit., p. 304.
14Jo. 17, 21; Mat. 25, 40.
15D. Columba Marmion, O.S.B., ob. cit., p. 324.
16M. Hamon, “Meditações Para Todos os Dias do Ano”, Tomo II, pp. 151-155; traduzida da 3ª edição francesa por Pe. Francisco Luiz de Seabra, Livraria Lello & Irmão – Editores, Porto/Lisboa, 1940.
17Isaías 13, 3.
18Mat. XVII, 4.
19Serm. III de Pass. Domini.
20S. Boaventura, Collat., 7.
21Manual, C. XII.
22Serm., LXII, in Cant., IV, 7.
23Zac., XII, 10.
24In Cant., LXI.
25Jo. 20, 27.
26In Cant., LXI.
27S. Bonav., Stim., am., c. 1, p. 1.
28II. Imit., I, 4.
29“Catecismo – Explicação Histórica, Dogmática, Moral, Litúrgica e Canônica – com a resposta às objeções extraídas das Ciências contra a Religião”, Tomo IV, Lição XXXVII, pp. 349-352; traduzida da 12ª edição de Paris por Rev. Pe. Francisco Luiz de Seabra, 3ª edição portuguesa, Livraria Chardron de Lello & Irmãos editores, Porto, 1903.
30Tratado da Paixão, Cap. 3.
31Aguilhão do divino amor.
32Cartas 64, 69, Liv. 4.
33Gardellini, t. 8.
34“Verdade e Luz”, Vol. II – Vida Cristã, Cap. II, Art. 5º, p. 139; pelo Pe. Fr. Mateus Maria do Souto, O.M.Cap., Editora Casa do Castelo, Coimbra, 1952.
35“Lições Edificantes – Coleção de Trechos Escolhidos de Revistas, Livros e Jornais”, Cap. X, p. 420; por Pe. Geraldo Vasconcellos, Gráfica Cerbino, Niterói-RJ, 1951.
36Pe. Artur Milani.
37Rev. Pe. Teodoro Ratisbonne, “Migalhas Evangélicas”, Sexta-feira que segue a Oitava do Santíssimo Sacramento, pp. 249-250; Editora Vozes Ltda, Petrópolis, 1941.
38“O Divino Amigo – Pensamentos para Retiro”, Parte III, Dia VII, Meditação 2, pp. 151-156; 5ª edição, tradução de Sidrach, Editora Vozes Ltda, Petrópolis-RJ, 1961.
39Oséias 11, 4.
40Catecismo da Igreja Católica, n. 478; Editora Vozes – Edições Loyola, RJ/SP, 1993.
41Gál. 2, 20.
42Jo. 19, 34.
43Pio XII, Enc. Haurietes aquas: DS 3924; cfr. DS 3812.

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