Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O que deve-se dizer sobre o uso do Traje Masculino pela Mulher?


"Je renverse tout, je fauche tout.
Je suis fils d'un sans-culotte,
je porte en mon coeur la Liberté,
l'Égalité gravées, et la haine des rois"
(Le maréchal-ferrant de la Vendée,
gravure XVIIIº. Bibl. Nat., Paris)


O Ponto de Partida: A Revolução Francesa


Sans Culotte


O insuspeito escritor e historiador Césare Cantú deixou escrito que, na infeliz e anti-cató­lica Revolução Francesa, na época da Assembléia Nacional, mais precisamente em 5 de Outubro de 1789, "uma massa de povo, composta em grande parte de mulheres, en­tre as quais se acha­vam indivíduos de trajes mudados, invadiu a casa da câmara e de lá marchou para Versalhes. La Fayete, que melhor que ninguém podia salvar a corte, foi arrastado pela Guarda Nacional; o palá­cio foi invadido, não sem derramamento de san­gue, e o rei prometeu transferir a sua residência para Paris; foi precedido pela turba vitoriosa e por megeras desguedelhadas, lançando vociferações..."("História Universal", Vol. XXVIII, 18ª Época, Cap. I, pp. 26-27, Editora das Américas S.A., São Paulo, 1966).

Égalité


Uma ordem publicada em 1799 exige que qualquer mulher "que deseje vestir-se como um homem" deva solicitar autorização à prefeitura.

A senadora pede a revogação de uma ordem do século XVIII, ainda em vigor, que proíbe o uso de calças para as mulheres em Paris.

"Senhoras, se vocês forem parisienses e usarem calça comprida, vocês estão fora-da-lei. Mas não por muito tempo mais".  É o desejo de Maryvonne Blondin, senadora (PS) de Finisterra. Ela apresentou no Senado, em 14 de Junho,  um projeto de lei pedindo a revogação da ordem polícial que proíbe o uso de calças compridas para as mulheres em Paris. Desde o 26 de Brumário do ano IX (17 de novembro de 1799), é preciso, teoricamente, solicitar a autorização à polícia e justificar por razões médicas o fato de cobrir as pernas.

"Eu descobri essa lei, este ano, eu fiquei espantada," disse Maryvonne Blondin. ", Por isso, apresentei um projeto de lei em Junho, e aguardo para saber quando será analisado. Isso vai depender da carga de trabalho legislativa que nós teremos.»

A proibição foi imposta em Paris porque é lá que nasceu o movimento dos Sans-culottes (1792), figura emblemática da Revolução Francesa. Esses revolucionários reivindicam o uso de calças em oposição às “culottes” (calcinhas) da classe média. Na sequência, as mulheres, queriam elas também reivindicar o uso da calça – o que lhes foi então formalmente proibido.

Um texto anti-constitucional

 Revolução Francesa

O texto do 26 Brumário ano IX, embora não mais aplicado, ainda está em vigor hoje. E isto, apesar da inclusão na constituição de 1946 do princípio da igualdade de direitos entre homens e mulheres. Na verdade, o artigo 3 do preâmbulo da Constituição de 1946 afirma que "a lei garante às mulheres, em todas as áreas, direitos iguais aos dos homens."

Outros antes de Maryvonne Blondin tentaram revogar a ordem. Em 1887, a feminista Rose Marie Astié de Valsayre tinha de fato encaminhado o pedido ao Parlamento. Demanda arquivada, sem sequência ou resultado. Em 2004, o deputado da UMP MP Jean-Yves Hugon havia solicitado a sua supressão e à pediu a Ministra da paridade, Nicole Ameline. Ela lhe havia respondido que o alcance de tal medida seria  «meramente simbólica.».

A mesma reação por parte da Prefeitura de polícia de Paris em setembro de 2010. O Conselho de Paris havia solicitado a exclusão do texto. A proibição da calça comprida, remetendo a uma ordem policial pode ser cancelada pela Prefeitura. Mas esta informou que a revogação da ordem ofensiva, remetendo a uma "Arqueologia legal", não era prioridade. Silêncio profundo desde então.

Na Assembléia Nacional e no Senado, as mulheres eleitas têm o direito de comparecer vestindo calça comprida apenas desde 1980. Em 1972, a assessora técnica do Ministro Edgar Faure, Michèle Alliot-Marie, foi objeto de polêmica. Enquanto se preparando para entrar no plenário da Câmara , de calça comprida, ela foi barrada por um oficial de Justiça. Sem se perturbar, a futura ministra respondeu: "se minhas calças o incomoda, eu as tiro o mais rápido possível."

Trad. Rachel Moreno.


Feminismo e Liberalismo: Filhos do mesmo Pai e da mesma Mãe


► "Na vanguarda vai a Rússia, onde com o Código Soviético de 1926 se atingiu o cúmu­lo das aberrações feministas, pois nesse Código proclamam-se coisas deste gêne­ro: 'É abolida toda a distinção entre Matrimônio e Amor Livre; os matrimônios que facilmente se contra­em − basta fazer o registro que, de resto, não é obrigatório − são de igual modo facilmente solúveis, pois, basta exprimir o desejo para readquirir a própria liberdade; a poligamia não constitui um delito; os Matrimônios incestuosos não são puníveis; nenhuma autoridade é reconhecida ao marido sobre a esposa ou ao pai sobre os filhos; a maternidade não inclui a adesão da vida da mãe à do filho; nenhum dever flui da união conjugal, a não ser o da sustentação, nem há obrigação de coabitar, nem de fidelidade recíproca; o aborto é autori­zado oficialmente e regu­lado pelos poderes públicos; concede-se aos homens e às mulheres a independência plena quanto ao tra­je...

... o feminismo (no plano social) se manifesta naquele conjunto de fatos e atitu­des que de­monstram a tendência da mulher moderna para alcançar a igualdade absoluta e plena de títu­los e de direitos no confronto com o homem, não só no que se refere às profissões tradicional­mente reserva­das ao homem, mas também relativamente às leitu­ras, ao 'Flirt' livre, ao uso de roupas masculinas, ao fumar ostensivamente em público, a certos jogos preferidos, aos desportos violentos − fonte de graves perturba­ções no organismo feminino, com a agravante da ostentação do físico, que enfraque­ce aquelas qualidades morais e sentimentais que ligam a mu­lher à idéia da família e dos fi­lhos...

Denunciamos, portanto, como sintomas de feminismo detestável, todas as defor­mações físi­cas ou morais, todas as caricaturas de uma vida masculina adotada pela mu­lher, todo aquele mime­tismo ridículo 'masculinizante' que manifesta em muitas mulheres modernas o extravio dos conceitos mais elementares acerca da dignidade da mulher, o que incide funestamente no pu­dor e que sub­verte as virtudes mais essenciais daquela que, pela natureza e por Deus, foi fada­da para ser espôsa e mãe"(R. Pe. Francesco M. Gaetani, S.J., "A Família", Cap. XII, Pont. II).

Masculinização da Mulher


George Sand


► "O Papa Pio XII, em discurso que proferiu dirigindo-se às jovens italianas, la­mentou e condenou os costumes depravados da masculinização da mulher. − Nada mais sensato, nada mais justo, nada mais profilático moralmente falando!

... Sabem as gentis leitoras destas linhas, que o que faz a mulher ser mulher e, por conse­guinte, merecedora do nosso respeito e do nosso apreço, é aquele encan­tador com­plexo de fe­minilidade que lhe outorgou a sua natureza.Desde a hora em que a mulher manda 'às urtigas' este halo suave e perfumado de sua feminilidade, a mu­lher deixa de ser mu­lher para se 'fantasiar' numa entidade híbrida e furta-cor, dei­xando muito de ser mulher sem ser nada de um homem, − a não ser na 'fantasia'.

Nem me venham afirmar que esta masculinização agrada e enfeitiça o homem.

Em absoluto. O homem diante da mulher masculinizada, apenas se recreia com aquela sua visão. Falo aqui do homem mundano; − porque um sensato e respeitador da sua consciên­cia e da sua moral, esse diante desses aspectos híbridos, só sente náusea e repulsa (O Do­mingo − Se­manário − Pia Sociedade de São Paulo)"(R. Pe. Ge­raldo Vasconcellos, ob. cit., Cap. V, p. 193).

Famílias Desestruturadas

Marlene Dietrich

► "No assalto ao grande baluarte da sociedade, da Pátria e da Religião, o qual é a Famí­lia, pululam os estratagemas utilizados, aliás, com a maior eficiência e êxito, sem que contra isso se in­surjam os REFORMADORES, antes, alguns os estimulam e dão apoio com sua presença, quando é o caso.

De uma parte é a corrupção da juventude, quer masculina, quer feminina. Aí estão por toda a parte os cabeludos e outros.

Aí estão as modas inconcebíveis de poderem ser parte integrante da vida dos lares brasileiros, como são os trajes masculinos para as mu­lheres, e as atuais saias de curteza des­pudoradas, etc., etc..."(D. José Maurí­cio da Rocha, Bispo de Bragança, Carta Pastoral "A Igreja Ví­tima da Revolução Universal", de 21 de Novembro de 1967).

Orientações Morais



► "Qué te diré de esas chicas que visten pantalones masculinos, fuman y be­ben como ellos, y en todo su atuendo y ademanes imitan al sexo contrario?

Los pantalones de hombres, usados por las chicas, en algunos casos no sola­mente son aconsejables, sino dignos de alabanza. En ciertos trabajos, principalmente del campo, en la práctica de algunos deportes, verbigracia, montañismo, esquí, etc., esos pantalones dicen bien en una chica y en esos casos están mejor que la falda (n.c: deve-se entender esta orientação, como trajes de bai­xo). Pero los pantalones masculinos usados como prenda de vestir para la calle y el paseo, desdice y supo­nen poca sa­gacidad en las que los utilizan. No diga­mos de pantalones ceñidísi­mos, con una blusa también así, con los que resaltan vivamente las for­mas femeninas, porque éstos ya son franca­mente reprobables bajo el aspecto moral.

El hombre busca en la mujer precisamente las cualidades que él por su na­turaleza no posee. Busca femineidad, dulzura, delicadeza. Esto es lo que le atrae. Mujer-hombre, no la quie­re. Para hombre, se basta él...

Esta tendencia feminista − en su conjunto − es una manifestación o de un sentido mas­culinizante morboso o de un pasionismo adquirido o por adquirir, des­bordante y ex­céntrico, o − y esto es lo más corriente − de un snobismo estridente y neurótico. En cualqui­er sentido esta tendencia masculinizante es la negación del ornato más preciado de la mu­jer, que es su delica­deza, su sencillez, su suavidad, su amor, con el que reina en el hogar y en la sociedad. La jo­ven donde está bien, es dentro del carácter con que la dotó el Crea­dor, es decir, su femineidad"(R. Pe. Jor­ge Loring, S.J., "Para Salvarte − Ellas", Cap. 68, pp. 145-147, 26ª edición, Edi­torial Sal Terrae, Santander, 1962).

La Indumentaria Masculina en la Mujer


► "Un hombre de la calle me manifiesta su deseo de saber mi opi­nión so­bre la indumentaria masculina que ha visto adoptar a al­gunas mu­jeres, sobre todo jóvenes, este verano. Percibe que es inno­vación que no le gusta, pero no acierta a distinguir si es su sentido es­tético el que se re­bela contra la novedad o es su senti­do moral que aprecia en la indumen­taria masculina de la mujer algo que choca con los dictados fundamenta­les o al menos comúnmente admitidos de la moral cristia­na. Y quiere co­nocer mi opinión para formar su juicio so­bre este asunto particular.

El hombre de la calle − Es interesante el tema. Precisamente yo tenía una curio­sidad seme­jante también. He tenido ocasión de pasar unos días este verano fuera de España y he po­dido obser­var que esa costumbre se va generalizando. Y yo, en efec­to, como el señor de su con­sulta, me he preguntado: Es eso moral? No es moral?

Moralista − Con mucho gusto voy a tratar de satisfacer con este motivo su curio­sidad. Este asunto de la indumentaria masculina de la mujer ofrece dos aspectos, a mi juicio: uno esté­tico y otro moral. Y casi puede decirse que los dos marchan paralelamen­te, el uno con el otro. La regla general suele ser esa. Lo moral casi siempre es estético. Y lo antiestético casi siempre em­pieza por divorciar­se de la moral. Estéticamente, a Vd. eso le gusta?

─ Sin razonármelo mucho, porque hablo de esto por puras impresiones sensi­bles, me in­clino a que no.

─ Aplaudo su gusto. Todavia en la mujer extranjera, la francesa por ejemplo, la inglesa mu­cho más, puede pasar la novedad, considerada sólo estéticamente. La mujer del Norte tiene una silue­ta más fina, una configuración como si dijéramos más estilizada y la misma angulosidad de sus formas parece que rima un poco mejor, o al menos no rima tan mal, con la indumentaria masculina, trazada para la línea recta más que para la curva. Pero en la mujer española, de líne­as amplias, de curvas opulentas, llena y redon­da, de una configuración externa parcamente sutil, como si dijéramos menos inmateriali­zada, la indumentaria masculina desentona más. Más agili­dad en los movimientos desde luego presta. Por eso en el extranjero es algo corriente, al menos en alguna determina­da esfe­ra social, que la mujer use dentro de casa, para las operaciones ma­tinales de lim­pieza y arreglo del hogar, una especie de 'sor', que facilita su trabajo, le produce econo­mía y le permite conservar en mejor estado su traje de calle. Esto está muy de acuerdo con los orígenes del traje corto, o sea, el traje que los hombres usamos hoy. Porque us­ted, tan culto como parece, creo que sabrá quién intro­dujo en Europa el traje corto.

─ Pues no lo sé. Y me gustaría conocerlo, aunque no sea más que por mera curio­sidad.

─ Pues voy a decírselo. Ya sabe Vd. por la historia que el traja, que llamamos hoy roma­no, es una importación del Oriente. Roma heredó de Grecia y ésta de los paí­ses representantes de la cul­tura oriental: Persia, Egipto, Caldea, el mundo judío, el traje comúnmente usado en el Oriente y que todavia en esos países perdura hasta hoy. Traje compuesto de túnica, clámide o manto, como los sa­cerdotes de la Iglesia romana hoy, que en esto, como en tantas cosas, la Iglesia se ha mantenido fiel a la tradición. Pero cu­ando los bárbaros vinieron sobre Roma (godos, vándalos, hunos y lombardos) en el siglo V y después sobre toda Europa, impusieron su traje, como impusieron todo lo demás, y el traje de los bárbaros, viniendo de los bosques, como ve­nían, ya puede suponerse que no sería el tra­je oriental de túnica y manto, sino que fué lo que de­bía ser: un traje de cal­zón corto y jubón, como lo permitía el boscaje umbrío y la selva espesa de donde proce­dían.

─ Muy interesante todo eso. Y casi se advierte ya la consecuencia que antes no se atre­vía Vd. del todo a deducir: que el hombre adoptó ese traje porque le facilitaba su trabajo y le con­cedía una mayor libertad a sus movimientos y que la mujer sigue conser­vando el traje llamado oriental por­que ella no está hecha para el trabajo material y... tam­poco estaba destinada a disfru­tar de tanta li­bertad de movimientos como el hombre.

─ Va Vd. tomando el asunto un poco a broma, amigo, o por lo menos lo va mi­rando des­de un aspecto puramente social. Y ya puestos en ese terreno me complacería decirle que, aun socialmente considerado el problema, el vestido guarda siempre desde el punto de vista estético y social íntima analogía con la persona que lo usa. Un uniforme de soldado no debe parecerse al uniforme del Ma­gistrado o del religioso. No sólo debe ser cómodo de llevar, es decir, que debe facilitar y no servir de estorbo a los movimientos peculiares de la persona, sino que ha de guar­dar estrecha relación con el carácter social que tiene y con las funciones que ejerce o represen­ta. Si falta esa proporción na hay es­tética posible. Porque la belleza es orden y el orden es pro­porción.

El vestido para la mujer forma parte de su personalidad. Cada ceremonia solem­ne, religio­sa o civil, cada día importante de la vida de la mujer va señalado por un vestido especial, el que esa ce­remonia pide. La tentación más fuerte que, según sus biógrafos, debió de vencer Santa Catalina an­tes de emitir sus votos solemnes, fué sin duda la idea del traje que hubiera po­dido vestir el día de su boda.

El vestido para la mujer es el blasón que publica su posición social, es la prueba del afecto que le tienen sus deudos, es la revelación más auténtica de sus gustos, de su elegancia, de su inge­nio, hasta de su capacidad creadora.

─ Me gusta mucho todo eso que va Vd. exponiendo, pero creo que vamos aleján­donos de lo que constituía nuestro objeto principal, que era el de saber si desde el punto de vista moral era repro­chable o no la indumentaria masculina de la mujer.

─ No nos hemos salido del tema, aunque a Vd. le parezca otr cosa, porque lo que está con­forme con la función social de la mujer y lo que responde a su auténti­ca y verdadera personali­dad es moral, y lo que la falsea y la contradice... no puedo serlo. Pero vamos a concretar estas ideas, ya que las consideraciones generales le en­tram tan difícilmente en la ca­beza.

A mí no me parece moral que la mujer se vista de hombre, como no me pa­recería mo­ral que el hombre se vistiera de mujer. La indumen­taria masculina en la mujer acusa más las formas, imprime a sus movi­mientos un aire más provocativo y priva a la mujer de su mejor arma de­fensiva, su mayor encanto, que es el pudor, que con la indumentaria viril no tiene sitio donde refugiarse. Además la mujer con la indumentaria masculina pierde respeto. El traje lar­go lo infunde. No hay más que advertir la gravedad que imprimen en el ánimo nuestras cere­monias religiosas, parte de cuya grave­dad no cabe que se debe al há­bito litúrgico, oriental, lar­go, que revela majestad e infunde reverencia.

Además el traje influye en los usos y en los hábitos personales. Un niño que adop­te la costumbre de vestirse de niña empezará poco a poco a adquirir cos­tumbres de niña y a hacer lo que hacen las niñas, con lo cual perderá su carácter viril y acabará poco a poco con su pro­pia personalidad. Es esto cuestión de heren­cia? De tradición?

No me atrevería yo a asegurarlo. El hecho, que es innegable, consiste en que el tra­je imprime unas costumbres de acuerdo con su forma y con su configura­ción, como se las impri­me al soldado el uniforme militar y el traje talar al sacerdo­te.

La mujer vistiéndose como los hombres acabaría, por el forzoso influjo del vestido so­bre las acciones y sobre las costumbres, por adoptar gestos y acciones y aire de varón. Y yo creo que Dios no quiso, al formar a la mujer, hacerla como el hombre, porque enton­ces ten­dríamos con el hombre bastante. A la mujer creo que quiso hacerla mujer. Y su de­signio debió de ser que hombre y mujer, ya que se di­ferenciaban fisiológica y psíquica­mente, se diferencia­ran también socialmente. Y claro es que también en el traje; que el traje, ya lo hemos dicho, guarda relación con la función social que se ejerce y la si­tuación social que en el mundo se ocupa"(R. Pe. Francisco Peiró, S.J., "Problemas de cada día", Vol. I, Part. I, Cap. I, pp. 11-15, Edicio­nes Ares, Madrid, 1955).   

O Pensamento de São Francisco de Sales
sobre o Travestimento nos Trajes


Marlene Dietrich


► "Vestir-se com as roupas do sexo a que não se pertence, e expor-se assim à via­gem com homens, isso é não somente além, mas contrário às re­gras ordinárias da modés­tia cristã" (São Francisco de Sales, "Tratado do Amor de Deus", Liv. VIII, Cap. XII).

A Retidão dos Pais é herdada pelos Filhos


Amélia Bloomer e Mary Walker


► "A nossa mãe velava atentamente por nós afastando até a sombra do mal. Pouco de­pois do nascimento de Teresa, todas as meninas brincavam aos batizados, no jardim. A cria­da Luíza teve a idéia de fazer de mim o padrinho e de me vestir de menino. Eu ti­nha então 4 anos. O desfi­le começava, quando a nossa mãe chegou e fez acabar o desfile ra­lhando a Luíza por esta exibi­ção 'masculina'.

Ela queria, no traje, a mais perfeita decência, descendo os vestidos abaixo dos joe­lhos"(Irmã Genoveva da Sagrada Face, O.C.D., − Maria Celina, "A Mãe de San­ta Teresa do Menino Jesus", Cap. I, Art. "Educação dos Filhos", p. 21, Livraria Apostola­do da Imprensa, Porto, 1960).

A Santa Intolerância de São Simeão Estilista



"Nunca permitiu que mulher alguma entrasse na clausura do seu eremité­rio, isto é, no recinto do muro que cercava a sua coluna. A violação desta proibição custou à vida a uma dama, que, tendo-se disfarçado com trajes de homem, por cu­riosidade ou por im­prudente de­voção ali tentou entrar. Mal, porém, tinha posto o pé na soleira da porta, caiu fulminada pela morte"(R. Pe. Croiset, ob. cit., Vol. I, 4 de Janeiro, p. 59).

Uma Questão de Amor


“Para que a mulher seja amada do homem, não deve ela ter nenhum traço masculino nem na sua pessoa moral nem na sua pessoa física”(Rev. Pe. Geraldo Pires de Souza, C.Ss.R., “As Três Chamas do Lar”, Cap. III, 24, p. 52, 2ª Edição, Ed. Vozes Ltda, 1939).

De Mutatione Vestitus


"Non induetur mulier veste vi­rili, nec vir utetur veste femi­nea; abomina­bilis enim apud Deum est qui facit haec"(Li­ber Deute­ronomii, Cap. XXII, 5; Bi­blia Sacra − Juxta Vulgatam Cle­mentinam, pp. 185-186, Ty­pis Societatis S. Joannis Evang., Desclée et Socii Edit. Pont., Ro­mae − Tornaci − Pari­siis, 1927).

Trajes do Século XVIII

"A mulher não se vestirá de ho­mem nem o homem se vestirá de mu­lher; porque aquele que tal faz é abomi­nável diante de Deus"(Deut. 22, 5; Bíblia Sa­grada − Traduzida da Vulgata Sixto-Clementina e anota­da pelo Pe. Matos Soares, p. 222, 9ª Edição, Ed. Paulinas, 1957).



Mas essas determinações do Deuteronômio
não é ditada pelas circunstâncias do tempo,
hoje inexistentes?

Resposta: Comentadores da Sagrada Escritura de reputação mundial − entre outros, Cor­nélio a Lápide, Fillion, Simon Prado colocam esse preceito do Deuteronômio também entre as obri­gações da Lei Natural, e o que é Lei Natural é válido para todos os tempos.

Cornélio a Lápide, no comentário a este versículo do Deuteronômio, declara que semelhan­te troca "per se indecens est... Optima, enim, pudicitiae custodia est vestitus honesta".

Fillion coloca este Preceito entre as obrigações de direito natural (cfr. La Sainte Bi­ble commentée - Vol. 1, p. 625). E cita em abono de sua opinião mesmo autores pagãos, como Sê­neca. Esse moralista estóico dizia que vivem "contra a natureza os homens que trocam à veste pela de mulher"(Ep. 122).

Santo Ambrósio, considerado um dos maiores Padres da Igreja, nota que a diversidade de sexo é da própria natureza, de maneira que, mesmo entre as aves e bichos, vestiu Deus diversamen­te o macho e a fêmea. Eis o que afirma o Santo Doutor: "Não se conserva a castida­de, quando não se guarda a distinção dos sexos"(Ep. ad Irineum, apud Cornélio a Lápide). O mesmo Corné­lio a Lápide declara que o Preceito do Deuteronômio, embora cerimonial, procede da natu­reza.

A Sagrada Escritura considera "abominável" tudo quanto na sociedade significa uma in­versão da ordem estabelecida por Deus. Por exemplo, no mesmo Livro do Deuteronô­mio, capítu­lo 12, 31, diz que as oferendas que os pagãos faziam dos próprios filhos aos ídolos são "abomina­ções". No Levítico, 18, 29, depois de condenar a fornicação, o adultério, a sodomia, o incesto e a bes­tialidade, diz: "Todo aquele que fizer ‘abominações’ tais perecerá do meio do povo". Cha­mando de "abominável" a troca de veste está o Deuteronômio a indicar um procedi­mento que se opõe profundamente à disposição de Deus.

Essa proibição não foi introduzida
para se opôr aos cultos idolátricos
e, portanto,
com um alcance apenas ocasional?

Resposta: a) Entre os comentadores recentes, Alberto Clámer, (que após a morte de Luis Pirot assumiu a direção da Bíblia, editada na França por Letouzey et Ané), lembra essa in­terpretação, mas nega que foi a existência de cultos idolátricos dos cananeus, a causa des­ta ad­vertência do Deuteronômio; aliás, ele nega que nos cultos dos cananeus e fenícios te­nha havido a abo­minação do travestimento.

b) Embora estudos recentes mostrem que a determinação do Deuteronômio não foi moti­vada pelas abominações atribuídas aos cultos cananeus, não obstante, mesmo supondo essa interpreta­ção, é fácil ver que o travestimento é em si abominável.

Santo Ambrósio, no seu comentário mostra que o "abominável" fulminava não só a falsi­dade do culto a idolatria mas também a falsidade na natureza disfarçando o sexo pela veste. “A simu­lação, diz o grande Doutor, tanto é torpe no falar como no vestir, e a falsidade na fé (culto idolátri­co) é tão execrável como a falsidade na natureza (veste contrária ao sexo)(Epist. ad Iri­neum apud Cornélio à Lápide).

Aliás, a Sagrada Escritura, nessa suposição, condena três coisas, umas ligadas às ou­tras: o culto idolátrico, as perversões sexuais e a perversão no vestir: uma condenação não exclui as outras, mas as envolve, já que uma perversão acarreta as outras (cfr. Sum. Theol. I-IIa­e.q.102, a.6 ad 6).

Razões mais explícitas
da Gravidade desse abuso

Santo Tomás de Aquino diz que uma ação é moralmente boa ou má conforme o obje­to que ela busca: se ele for bom, será boa; se for mau, será má. "Tornaram-se abomináveis, como as coisas que amaram" diz a Sagrada Escritura (Oséias 9, 10).

Uma pessoa faz um ato moralmente mau, na sua essência, se o objeto que tem em vista não lhe convém à natureza (Sum. Theol. I-IIae.q.18, a.1,2,3).

Ora, diz Santo Tomás, um traje é conveniente se corresponder à condição da pes­soa que dele se serve. Entre essas condições está o sexo. Logo, o uso de uma roupa que é própria de outro sexo, é em si mesmo pecaminoso, pois não convém a um sexo a indu­mentária de ou­tro; não só por ser contrário ao costume, como principalmente por não con­formar-se ou ade­quar-se às formas físicas e ao modo de ser do outro sexo.

Daí, conclui ele, em si mesmo é pecaminoso uma mulher trajar vestes viris, e inversa­mente.

Em primeiro lugar, a principal desordem está no anti-natural de uma veste masculina num corpo feminino. É uma aberração contra as diferenças de ordem natural estabelecidas por Deus.

Em segundo lugar, vem o exibicionismo sensual, que leva à luxúria.

Essas duas desordens escandalizam, porque quebram o senso das harmonias, das di­ferenças e do pudor. Há uma malícia em o homem querer algo contra a boa ordem natu­ral.

Pio XII dizia que o "homem pensa com a roupa que veste". A Sagrada Escritura, mais au­torizadamente, diz: "O vestido do corpo dá a conhecer qual o homem é"(Eclo. 19, 27). A mentali­dade, o espírito que essa moda de usar traje de outro sexo revela no mundo de hoje, é de uma inconformidade e até de revolta contra as diferenças impostas por Deus na ordem na­tural. E a ordem natural exige que as diferenças entre os sexos sejam manifesta­das, de maneira dig­na e honesta, pelo modo diferente de vestir, adequado a cada sexo.

Segundo Santo Tomás, a desigualdade e diferença entre os seres na criação, têm por fim manifestar as perfeições de Deus, para que o homem possa assim elevar-se das coisas visí­veis às perfeições invisíveis de Deus (São Paulo) Ora, destruídas as diferenças e desigualda­des naturais, destrói-se no mundo a semelhança com Deus, e um mundo onde as diferenças e desigualdades ti­vessem desaparecido, ou ficassem encobertas, seria um mundo onde o homem não poderia ter o senso das perfeições de Deus. Uma das características dominantes da mentali­dade do mundo mo­derno, que o faz anti-cristão, e, no fundo, ateu, é justamente a tendência para a padronização e o igualitarismo. A igualdade entre os sexos é uma das inúmeras manifesta­ções desse espírito igualitário que leva ao panteísmo e ao ateísmo (cfr. Carta Circular de 30/8/1981 D. Antônio de Castro Mayer).

O mundo de hoje perdeu a noção de que todas as coisas devem ser ordenadas de acor­do com a disposição de uma ordem imposta por Deus, para serem sinais e símbolos das coisas sobre­naturais.

O Argumento de Santo Tomás de Aquino

Resposta: É o segundo argumento que nos leva a concluir pela iliceidade grave do uso de veste do sexo oposto: o texto de Santo Tomás na Suma Teológica, II-IIae.q.169 a.2, ad 3 diz: "o vestuário exterior deve corresponder à condição da pessoa, de conformidade com o uso co­mum. Por isso, em si mesmo, é pecaminoso uma mulher trazer trajes viris, ou inversa­mente; sobretudo, porque pode ser essa uma causa de lascívia, o que a Lei Antiga especial­mente proibia, porque os gentios usavam destes travestimentos pela superstição da idola­tria. Pode-se, porém, proce­der desse modo e sem pecado, se o exigir a necessida­de: quer para ocultar-se dos inimigos, quer por falta de outras roupa­gens, quer por outro motivo semelhante".

Santo Tomás recorda os princípios da moralidade da veste, que por sua vez se baseiam nos princípios da moralidade em geral: o que convém à natureza de um ser é bom... O traje viril não con­vém à natureza da mulher. Logo, em si mesmo, pela própria natureza das coisas, é imoral. E é gravemente imoral porque Santo Tomás diz simplesmente que é em si mesmo pecaminoso: se entende pecado grave. E porque somente em necessidade ex­trema se permi­te seu uso: para salvar a vida ou a liberdade ou por falta de outras roupas, ou outro motivo seme­lhante.

Outro Argumento:
Ocasião próxima de Pecado contra a Castidade

Resposta: Santo Tomás, na citação acima, se refere de modo especial ao "perigo de las­cívia" no uso do traje de sexo oposto. De fato, nas circunstâncias concretas de hoje, o uso do traje masculino pela mulher fere gravemente as exigências do pudor e da castidade.

O teólogo Vermeersh dá como "vestes proibidas", pecaminosas, entre outras, aquelas "que se apegam de tal maneira ao corpo que, ou exibem toda a forma do corpo ou acentuam as características sexuais...”(Teol. Moralis-Princípia-Consiliae-Responsa. De Ornatu muliebri, nº 126; cfr. Zalba: Theol. Moralis V. II, 236 1b; Dicionário de Theol. Moralis Verbete: "vestido").

Ora, quem observa o traje masculino usado pelas mulheres hoje, percebe a clara preocupa­ção e a tendência para o exibicionismo provocante. Aliás, não seria essa a razão por que tal moda se propagou tanto?

Muitos Moralistas Clássicos afirmam
que o uso do traje masculino pela mulher
é apenas Pecado Venial
e uma razão leve justifica seu uso

Resposta: Pode-se afirmar, com toda certeza, que esses moralistas não trataram "ex-pro­fesso" da questão, mas a ventilaram muito superficialmente, de passagem. A razão é que o problema não se punha para eles da maneira generalizada e grave como nos nossos dias. Eles não se deram ao trabalho de estudar profundamente a questão recorrendo às fontes teológicas mais autorizadas para tirar conclusões e luzes para analisar em todo o alcance a gravidade e o significado da corrup­ção indumentária como se apresenta hoje. Poucos discutem o texto do Deu­teronômio, referem-se ao comentário de Santo Ambrósio e citam Santo Tomás. Apenas, em le­tras miúdas, repetem-se nas no­tas com que dão a avaliação moral, sem argumentar.

Ora, há uma regra que diz que as afirmações e sentenças que tratam "ex-professo" e de ma­neira mais desenvolvida, devem prevalecer sobre as afirmações ligeiras e ditas de passagem. Logo, prevalecem sobre todas essas pequenas notas dos moralistas, o que dizem Santo Ambró­sio, Santo Tomás e os princípios da moral aplicados ao caso presente.

Compreende-se perfeitamente isso, porque a explicitação de muitos pontos da moral, a apli­cação dos princípios à prática, depende das situações de transgressão à Lei de Deus.

Um exemplo: esses mesmos moralistas, quando se referem à honestidade das vestes, co­meçam em geral apelando para critérios secundários: costumes, intenção, etc. Ora o critério básico seria aquele da classificação do corpo em partes gravemente provocantes, menos provo­cantes, não provocantes: a veste que não cobre as partes gravemente provocantes, etc., seria imodesta. Ora, eles não conheciam esses critérios? Conheciam, e até citam em outras circuns­tâncias, mas, como no tem­po deles, as vestes não feriam os princípios básicos da decência, en­tão não lhes ocorria fazer tal apli­cação, que hoje é indispensável.

As pessoas hoje estão habituadas com essas Vestes,
e por isso, não se impressionam mais com elas,
não despertando nenhuma Tentação

Resposta: Admitindo, em muitos casos, que essas vestes já não sejam mais uma ten­tação, e tenham perdido seu poder de sedução, isto não acontece porque os homens estejam cu­rados da luxúria, mas ao contrário, é porque a desordem dos instintos nelas encontra alimento. Pois, quando não contidos pela ascese e pela Graça, tendem a se fixar na desordem, a que fo­ram lançados pelo Pecado Original. É inegável que estes trajes, em muitos casos, despertam nos instintos desejos de perversões maiores.

É preferível em muitas circunstâncias
que a Mulher use Calças Compridas, à Saia,
sobretudo em certos trabalhos:
é mais decente e recatado

Resposta: A tendência moderna para igualar a mulher ao homem vai fazendo desapare­cer o modo de ser diverso entre um e outro, a distinção das funções e trabalhos para cada sexo, de acordo com sua natureza.

Por essa razão, a mulher não deve assumir funções que não pode exercer com traje femini­no, pois não seria função própria para ela.

Se uma donzela cristã está na grave necessidade de se manter num trabalho que lhe impo­nha a veste masculina, deve tomar medidas que atendam às três condições que, segundo Santo To­más e os teólogos, são exigidas nesta situação:

a) Que a intenção seja boa;

b) não haja perigo de sensualidade;

c) não haja escândalo.

Intenção Boa: Ter uma finalidade honesta e justa: No caso mencionado, sustentar a fa­mília ou a si mesma.

Perigo de Sensualidade: Evitar os inconvenientes do traje masculino na ostentação das formas do corpo, sobrepondo a esse traje uma outra peça (um jaleco, por exemplo).

Perigo de Escândalo: Procurar atenuar ao máximo a aparência masculinizante da ves­te, e, restringir seu uso ao mínimo necessário para evitar:

a) Que esse uso excepcional dê motivo a enfraquecer as convicções e a resistência das pessoas que rejeitam o travestimento;

b) que não seja fator de estímulo na propagação do uso do traje masculino pela mulher.

A Igreja, em nossos dias, está empenhada
em problemas mais fundamentais para o homem e para a .
Por que tanta preocupação com coisas tão comezinhas,
como vestes, modas, etc.?
Passou a época de ocupar-se com coisas
tão secundárias e sem importância.
A visão da Igreja hoje é outra,
não se detém mais
em exterioridades e casuísmos.

Resposta: A questão da modéstia no vestir não é fundamental no sentido lógico: na or­dem lógica, dos princípios, de fato, ela não vem em primeiro lugar. Mas não se pode dizer que não é fundamental no sentido que não tem nenhuma importância. Assim não se pode dizer que, numa casa, o importante é só o alicerce, porque o alicerce é o fundamental da casa, e daí con­cluir que as paredes e o telhado não têm importância.

A Sagrada Escritura prova que não é uma questão desprezível quando pela boca de São Paulo diz: "Quero que as mulheres se apresentem em trajes honestos, decentes e modestos (...) ata­viando-se com recato e modéstia"(I Tim. 2, 9).

Os Documentos da Igreja acima citados também provam que a Igreja sempre deu muita im­portância às questões ligadas ao recato no vestir.

O Pe. Bernardes, em "Luz e Calor" observa: "As várias disposições e acidentes que to­cam o corpo, afetam a seu modo também o espírito... Se o teu vestido for pobre e roto, repara que o teu es­pírito recebe daqui alguma disposição diferente da que tem quando o vestido é novo e asseado: e as­sim nas demais coisas" (Parte I, Doutrina IX). Em outras palavras, tudo quanto toca ao homem é im­portante ao homem no que tem de mais elevado em si.

Se a questão das vestes é tão sem importância e secundária, por que não ceder em algo tão sem importância para obter algo tão importante, como seja participar dos atos religiosos e dos Sacra­mentos? Se é secundário, por que não ceder no secundário ao Sacerdote, seguindo uma Tradição Milenar que a considera importante?

Os critérios para julgar uma veste indecente são relativos,
variam de acordo com os tempos, os costumes e os lugares.
Antigamente, por exemplo, usar um vestido
pouco acima dos tornozelos,
era escandaloso.

Resposta: A moral não é relativa, ela tem seus princípios objetivos. Portanto, há um cri­tério objetivo para se avaliar da moralidade da veste (ver Cap. XV, p. 118).

Se, de fato, há uma certa relatividade no que diz respeito à veste, essa relatividade existe nos aspectos acidentalmente agravantes ou atenuantes, não naquilo que é fundamental.

Se antigamente se exigia que as vestes das senhoras fossem até os pés, não era porque a moral exigisse isso como o mínimo absoluto, mas porque os costumes mais recatados assim o impu­nham. E os pregadores e moralistas percebiam nas novas modas mais curtas tendência de um incipi­ente nudismo. Exigiam mais do que o mínimo para impedir que as vestes chegassem ao menos que o mínimo exigido pela moral.

O que se pode admitir é que as Normas e critérios que definem a moralidade da veste eram antigamente menos explícitos em seus pormenores e que, com as novas situações de transgressões da modéstia pela moda, é que foram se definindo mais explicitamente. Não que evoluíram num senti­mento de estabelecer critérios contrários.

Conclusão

Como a sociedade teria um ambiente recatado e virtuoso se fossem postas em prá­tica as Normas da Modéstia ensinadas pela Santa Igreja! No entanto, elas fazem parte da finalidade es­pecífica da Igreja.

O traje masculino extenua o recato próprio da mulher, e convida à sensualidade, na maio­ria dos casos, por ser muito ajustado. Em qualquer hipótese, não constitui elemento que convide à santidade, que é o objetivo da Igreja (D. Antônio de Castro Mayer).

Fonte: Acessar o ensaio "Reminiscência sobre a Modéstia no Vestir" no link "Meus Documentos - Lista de Livros".

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Coração Aflito de Jesus, Vítima Universal



Assim como todas as águas vão lançar-se no mar, assim todas as aflições se reuniram no Coração de Jesus. Ele as aceitou com o mais sublime devotamento, impelido por Seu amor para conosco, amor que chegou ao excesso e, perdoem-nos a expressão, à loucura: pois, não é uma loucura de amor da parte de Deus, ter querido se carregar de todas as iniquidades do mundo, a fim de sofrer o castigo delas?

Jesus Cristo sabia que todos os sacrifícios dos animais, oferecidos a Deus no passado, não tinham podido satisfazer pelos pecados dos homens, mas que era necessária uma Pessoa Divina para pagar o preço da Redenção: que fez? Ofereceu-Se à Seu Pai, para aplacar Sua ira e obter nosso perdão. Dois caminhos, então, apresentavam-se ante Ele, um, de prazer e glória, outro, de padecimentos e opróbrios; qual deles foi escolhido? Como Ele queria não só nos resgatar da morte, mas ainda conseguir o amor de nossos corações, renunciou ao prazer e à glória, e escolheu os padecimentos e opróbrios.[1] Assim é que este amável Senhor, sem ser obrigado, tomou sobre Si todas as nossas dividas, como claramente se exprime o Profeta Isaías: Vere languores nostros ipse tulit - Verdadeiramente Ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas.[2]

Eis que, então, o Coração de Jesus, a Inocência, a Pureza, a Santidade mesma, é carregado de todas as blasfêmias, de todas as torpezas, de todos os sacrilégios, de todos os roubos, de todas as impurezas e de todos os crimes dos homens; ei-Lo tornado, por nosso amor, objeto das maldições divinas, por causa de nossos pecados pelos quais Se obrigou a satisfazer à eterna Justiça; ei-Lo carregado de tantas maldições quantos pecados mortais foram, são e serão cometidos sobre a Terra. Neste estado é que Ele se apresenta a Seu Pai, como culpado e responsável por todos os nossos crimes, e Deus, Seu Pai, O condena por isso a padecer morte infame da cruz. Então, foi que nosso Salvador se prostrou com a Face por terra,[3] como se tivesse vergonha de levantar os olhos para o Céu, vendo-se carregado de tantas iniquidades. Então, foi que Ele experimentou aquela imensa angústia que lhe fez dizer: Minha Alma está triste até a morte.[4] Ó Pai eterno, como podeis ver Vosso Filho amadíssimo em tão grande aflição? Bem sei, diz o Padre eterno, que Meu Filho é inocente, mas, pois que Ele se encarregou de satisfazer à Minha Justiça por todos os pecados dos homens, convém que Eu O abandone a todas às aflições que esses pecados merecem: Eu O feri por causa da iniquidade de Meu Povo.[5]

Ó caridade incomparável do Coração de Jesus! Ele, nosso Deus, fez-Se nosso Fiador, obrigando-Se a pagar nossas dividas, segundo a bela expressão do Apóstolo;[6] e, depois de ter satisfeito por nós, prometeu-Nos da parte de Deus a Vida Eterna. Também o Eclesiástico nos recomendou, há muitos séculos, nunca nos esquecermos do benefício que devemos a Este Celeste Fiador,[7] que quis padecer tanto para nos obter a salvação.

Ó caridade infinita do Coração de Jesus! Os médicos fazem todos os esforços para curarem o enfermo por quem se interessam. Mas, qual é o médico que toma sobre si a enfermidade de outrem, para o curar? Jesus Cristo é o único Médico que tomou sobre Si nossas enfermidades para as curar. O Verbo Divino não quis enviar outrem para fazer este misericordioso ofício; Ele mesmo se dignou vir, para ganhar todo nosso amor.

Ó caridade verdadeiramente divina do Coração de Jesus! Ele não se contentou de oferecer à Justiça Divina uma satisfação suficiente, quis que ela fosse superabundante; digo superabundante, porque, para nos resgatar, uma simples súplica do Homem Deus bastava; mas, o que era suficiente, não satisfazia o Coração mais amante que tem havido e pode haver.

Ó caridade verdadeiramente inefável e inaudita do Coração de Jesus, Vós nos obrigais a pormos em Vós confiança sem limites, pois nada pode nos perturbar tanto, quanto Vós nos podeis sossegar. Cerquem-me os pecados que tenho cometido, apertem-me os temores do futuro, armem laços contra mim os Demônios; se peço misericórdia a Jesus Cristo que me consagrou Seu Amor até morrer por mim, não posso perder a confiança. Como, com efeito, poderia me abandonar o Deus, que por amor de mim se entregou à morte? Ò Coração de Jesus, Vós sois o Porto Seguro daqueles que, na tempestade, recorrem a Vós! Ó Pastor vigilante, é errar, não esperar em Vós, uma vez que se tenha vontade séria de se corrigir. Vós dissestes: “Sou Eu, não temais, Sou Eu que aflijo e consolo. Eu envio algumas vezes a Meus servos tribulações que se assemelham com o Inferno; mas, não tardo em os livrar delas e consolá-los.

 

Eu Sou vosso Advogado: vossa causa é Minha. Eu Sou vossa caução: vim pagar vossas dividas. Sou vosso Salvador: resgatei-Vos com o Meu Sangue, não para vos abandonar, mas para vos enriquecer, tendo vós Me custado tão alto preço.

Como fugirei de quem Me busca, Eu que saí ao encontro daqueles que queriam me ultrajar? Eu não voltei Meu rosto daqueles que Me feriam; voltá-lo-ei daquele que quer Me adorar? Como Meus filhos podem duvidar que os amo, vendo-Me entre as mãos de Meus inimigos por seu amor? Já Me viram desprezar aquele que Me deu seu amor, ou aquele que implorava Meu socorro? Eu chego ao ponto de ir à procura de quem não Me busca”.


Prática

Minha confiança no Coração de Jesus será sem limites, pois o amor que Ele me tem, é sem limites. Venham perseguições, securas, escrúpulos, tentações, temores de perder-me, direi sempre com o Salmista: Ponho, Senhor, minha alma entre vossas Mãos; confio plenamente em Vós, porque me resgatastes.[8]

Afetos e Súplicas


Meus Jesus, se Deus Vos carregou de todos os pecados dos homens,[9] com que peso não aumentei pelos meus a Cruz que levastes até ao Calvário? Ah! Meu terno Salvador, Vós  víeis já, então, as injúrias que eu vos havia de fazer: apesar disto, não deixastes de amar-me e preparar-me estas grandes misericórdias, de que me cumulastes depois. Se, então, vos tenho sido tão caro, eu, o mais vil e ingrato dos pecadores, que tanto Vos ofendi, justo é que, a vosso turno, Vós me sejais caro, ó meu Deus, Bondade e Beleza infinitas. Ah! Oxalá nunca Vos houvesse contristado! Agora, meu Jesus, vejo toda a indignidade de meu procedimento. Malditos pecados, enchestes de amargura o Coração tão terno e amante do meu Redentor! Perdoai-Me, meu Jesus, arrependo-me de Vos ter ofendido: no futuro sereis o único objeto de meu amor. Ó Amabilidade infinita, eu Vos amo de todo o meu coração, resolvido a não amar mais senão a Vós. Senhor, com Santo Inácio Vos digo: Dai-Me vossa Graça e vosso Amor, e satisfeito fico.

Oração Jaculatória

Cordeiro sem mancha, tantos padecimentos que sofrestes por mim, não fiquem perdidos!

Exemplo

Joaquim Gaudiello, irmão leigo da Congregação do Santíssimo Redentor, foi toda a sua vida ardente amigo da cruz, o que o tornou singularmente caro ao Coração generoso de Jesus.

Quando ele se resolveu a ser religioso, perguntaram-lhe porque queria abraçar condição tão humilde: “É porque, respondeu ele, quero com o desprezo do mundo seguir a Jesus Cristo vilipendiado e desprezado”. Joaquim não cessou de fazer a seu corpo guerra cruel, sujeitando-o à mortificação e ao trabalho, e, o que é digno dos maiores elogios, soube unir os trabalhos manuais com o mais alto espírito de oração. Recorria a Deus em todas as suas necessidades, “porque Ele é meu Pai, dizia, a Ele recorro como filho Seu”. Jesus no Santíssimo Sacramento tinha absorvido seu coração; ele vivia tão ávido da Santa Comunhão, que lhe permitiram fazê-la todos os dias. Em seus momentos de lazer, recolhia-se à igreja para derramar seu coração no Coração do amável Jesus. Como Jesus era toda a sua glória, Joaquim não tinha em conta alguma as vaidades do mundo, e punha toda a sua felicidade nas humilhações e nos desprezos. “Que é o mundo, costumava dizer, ainda às mais altas personagens, que é o mundo senão uma sombra, um fumo, mas, fumo do Inferno?” Apenas na idade de 22 anos, enfermou-se, e dessa doença morreu. Interrogado como passava no leito de dores: “contemplo no meu espelho”, respondeu mostrando o crucifixo. Seu amor dos padecimentos e sua conformidade com a vontade de Deus eram verdadeiramente admiráveis. A um padre que lhe perguntou certo dia, quando ele queria ir para o Céu, respondeu todo alegre: “Quero ir, quando meu Jesus o quiser”. Seu amor ao Santíssimo Sacramento era tão terno, que parecia transformá-lo em serafim, quando diante do tabernáculo. Um dia num transporte de amor, ele disse ao padre Mazzini: “Tomai um cutelo, abri meu peito, tirai meu coração e colocai-o no tabernáculo junto do Santíssimo Sacramento”. Sua tristeza era não poder morrer crucificado como Jesus Cristo. Dizia-se-lhe, para o consolar, que seu leito era uma cruz: “Não, respondia gemendo, não é cruz para mim, porque sou fortificado por Jesus crucificado e consolado nas amarguras”. Puseram diante dele uma pequena estátua de Jesus atado à coluna; apenas a viu, desfez-se em lágrimas, e disse suspirando: “Ai! Não poder eu tornar-me semelhante a Vós, ó meu Jesus flagelado por mim! Enviai-me padecimentos e chagas, ó meu Salvador!” Sentindo que a morte se aproximava, ele testemunhou desejo de receber a Extrema Unção, dizendo: “É a última consolação que Jesus Cristo nos deixou na Sua bondade”. Depois de ter recebido a Santa Comunhão, ficou arrebatado fora de si; sua figura assumiu ar angélico, e todo o dia ele ficou neste estado sobrenatural. Pela tarde, perguntaram-lhe como estava: “Eu sinto, disse, Jesus no meu coração”. Na véspera de sua morte, exclamava em celeste transporte: “Paraíso! Paraíso!” Sendo o primeiro redentorista que morria, ele dizia a seus irmãos, por último adeus, estas luminosas palavras: “Eu sou o porta-estandarte!” Sua agonia foi um ato ininterrupto de amor, e ele expirou pronunciando os Santos Nomes de Jesus e Maria, em 1741. O Senhor se dignou manifestar, por diversos prodígios, a santidade de Seu servo. Santo Afonso lhe chamava “moço dotado de todas as virtudes”.

Fonte: “O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório...”, pelo Pe. Saint-Omer, CSsR, Cap. “Hora Santa de Março”, pp. 218-225; 5ª Edição, Tipografia de Frederico Pustet, Ratisbona, 1926.

*Tradução Portuguesa feita da 83ª Edição, pelo Exmo. Revmo. Sr. D. Joaquim Silvério de Souza, Arcebispo de Diamantina.  


[1]   Hebr. 12, 2.
[2]   Is. 53, 4.
[3]   S. Mat. 26, 39.
[4]   S. Mat. 26, 37-38.
[5]   Is. 53, 8.
[6]   Heb. 7, 22.
[7]   Eclo. 29, 20.
[8]   Salm. 30, 6.
[9]   Is. 53, 6.

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