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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Grande Pergunta: Estais Vivo ou Morto?


Imaginemos uma grande procissão eucarística. A custódia é preciosa e artísti­ca, os para­mentos riquíssimos, o canto e a música executados com perfei­ção, as regras litúrgicas guardadas com toda a escrupulosidade, enorme con­curso de povo, o comportamento de todos tão respeitoso que não se poderia desejar me­lhor. Mas tudo isso de nada serviria, nem teria ra­zão alguma de ser, se a branca Hóstia não fosse consagrada, ou tivesse cessado a Presença Real de Nosso Se­nhor Jesus Cristo, por causa da corrupção das espécies.

De modo idêntico, pode-se chegar a uma Paróquia (o mesmo se pode afir­mar de outras institui­ções) onde a igreja é bonita, grande, muito bem enfeitada. O badalar dos sinos é melodio­so, o órgão ar­tístico, o arquivo é perfeito, a administração procede regu­larmente e sem defeitos. O horário é guardado com rigor, e as funções religiosas, pela solenidade e riqueza com que se desenrolam, rivalizam com as da Catedral. O povo en­che a igreja e respeita o Pároco que, pelas suas raras qualidades pessoais, é esti­mado e tido na mais alta consideração pelas melhores fa­mílias da cidade. Porém, apesar destas invejá­veis circunstâncias, pode-se e deve-se levantar o problema: 'As almas foram consagradas, isto é, fo­ram postas na Graça de Deus? E essa consagração dura, ou já cessou, porque os fiéis caíram e vi­vem em pecado mortal?'



Está claro que, neste último caso, faltaria ainda àqueles pobres fiéis o 'unum necessar­ium', que é indispensável a todos para entrarem no Céu. É Verdade de Fé que, se fossem atin­gidos pela morte no estado em que se encontram, cairiam logo no Inferno.

Se essa pergunta é vital para os fiéis, o é igualmente para o apóstolo. O fim de todo o apostola­do é divinizar o homem, pondo-o na Graça Santificante, sem a qual não se pode conseguir a salva­ção eterna.

Com a mesma franqueza com que o general Foch, dirigindo-se a um oficial de li­gação, dizia: 'Não me digais o que me pode agradar; mas dizei-me simplesmente a ver­dade', nós, após­tolos, devemos perguntar-nos: 'Quantos fiéis vivem na Graça de Deus?'

Devemos com toda a sinceridade dar a esta pergunta uma resposta confor­me à realida­de.


Fechar os olhos para não a ver, pior ainda, tecer rosadas ilusões e de­pois embalar-se des­cuidadamente em cômodo otimismo, será para o apóstolo, enganar­-se a si mesmo e trair cruel­mente as almas. Às vezes a prudência aconselha a escon­der a gravidade do mal ao doente, a fim de que não perca a coragem. É sempre neces­sário, porém, que o médico a conhe­ça em toda a sua realida­de, senão seria impos­sível aplicar os remédios. 'Ao médico é de mister tocar na ferida', disse o Exmo. Card. D. Jai­me de Barros Câmara (Carta Pastoral de 1947).

Somente fundamentando o trabalho apostólico sobre a realidade posi­tiva das coi­sas, ficaremos certos de nos tornarmos verdadeiramente úteis às al­mas.

E preservar-nos-emos de erros e ilusões no conhecimento da verdadei­ra rea­lidade das coi­sas, estudando-as e julgando-as à luz segura e infalível da Fé.

O apóstolo, mesmo o mais solícito, se prescindir destes critérios, re­duz-se a um 'currere quasi in incertum', a um 'pugnare, aërem verberans'(cfr. I Cor. 9, 26).

Quem combate golpeando o ar, faz da batalha um jogo de 'cabra-cega'. E assim di­verte os inimigos em lugar de pô-los em fuga. Ainda mais, dá-lhes tempo e meios de se or­ganizarem e re­forçarem melhor, preparando maiores ruínas.


Por isso, todo o apóstolo deveria fazer sua a observação do Pe. Plus: 'Quando alguém passa perto de mim, pergunto-me muitas vezes: vive... ou está morto? - Quanta gente vive e nem suspei­ta que já está morta há longo tempo! Pou­cos têm a coragem de ficar sozi­nhos num quarto junto a um cadáver; mas, apesar disso, mui­tos vivem levando consigo uma alma morta'(R. Pe. Raul Plus, S. J., “Viver com Deus”, cap. 3).

Quantos são aqueles que levam uma alma morta?”(RR. PP. Mário Corti e G. M. Gar­denal, S. J., “Viver em Graça”, cap. I, I, 2ª ed., Paulinas, 1961).


Fonte: Acessar o ensaio "Reminiscência sobre a Modéstia no Vestir" no link "Meus Documentos - Lista de Livros".

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