Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 9 de junho de 2015

As Inesgotáveis Riquezas do Sagrado Coração de Jesus (Ensaio em Fase de Conclusão) 10



Saudosas Reminiscências Sacerdotais
sobre o Sagrado Coração de Jesus1


1 – Semeadores do amor divino: Pois bem, nós os Sacerdotes somos os ministros do Amor infinito que Deus tem para com o mundo. Dizei-me, pensamos bastante nisto?

É um céu cinzento e frio – são piedosas elevações de uma alma mística moderna – e um vento impetuoso sopra no horizonte, carregado de nuvens cinzentas. Em baixo a terra escura, sem algum sinal de vegetação... Passam homens com seus alforjes donde tiram as sementes e as vão espalhando a mãos cheias por sobre a terra... E a voz de Jesus me diz: Eu quero que meus Sacerdotes sejam semeadores do amor”.2

Foi no mês de junho de 1902, e a mesma Religiosa julgou ouvir dos lábios do Redentor, vivo na Santa Hóstia, estas terníssimas palavras: “Se o Sacerdote soubesse os tesouros de amor que encerra meu Coração, destinados para ele! Que venha ao meu Coração e beba desta fonte e encha-se de amor, até transbordar e derramá-lo sobre o mundo!” “Margarida Maria mostrou meu Coração aos homens, tu mostra-O aos meus Sacerdotes, atraí-os todos ao meu Coração... quero dar-lhes a conhecer um segredo todo particular do meu Coração... Eu preciso deles, para coroar Minha obra... Meu Coração é o cálice de meu Sangue; se há alguém que tenha direito e obrigação de achegar-lhe os lábios, não é porventura o Sacerdote, que bebe todos os dias do cálice do Altar? Venha, portanto, ele ao meu Coração e beba”.3 Oh! Se todos conhecessem o Coração de Jesus, este Paraíso inefável de toda a felicidade e santidade, esta divina Cisterna de infinita ternura!

É principalmente aos Sacerdotes que este Sagrado Coração quer manifestar-se a esses chamados por Ele para reacender e vivificar sobre a terra o fogo da caridade. Por sua bondade inefável Ele quer ter necessidade deles, para completar seus desígnios, e o que poderia operar diretamente nas almas, por meio da graça, não o faz – por via de regra – senão mediante o concurso deles. Oh! Se o Sacerdote soubesse que tesouros de ternura encerra para ele o Coração de Jesus! Com que ardor se atiraria àquela fonte divina, para encher-se de amor, até transbordar”.4

Oh! Se todos os Sacerdotes soubessem conduzir com fé, para este Tesouro, para este Oceano de felicidade, todos quantos sentem fome e sede de justiça! Como as almas fugiriam de boa vontade dos manjares mortíferos! Como se negariam a beber junto das mil “cisternas rotas”,5 que não sabem matar a sede! Como, unido ao Coração de Deus, encontraria o coração do homem completa satisfação na “torrente de suas delícias”,6 na paz profunda que o mundo não pode dar! “Qui biberit ex aqua quam ego dabo ei, non sitiet in aeternum”.7

Quem poderá descrever o agradecimento do Redentor para com os Sacerdotes que souberam verdadeiramente conduzir as almas ao seu Coração, como o quer a Igreja, “columna et firmamentum veritatis?”8.9

2 – Contestação dolorosa: Mas então os Sacerdotes ainda não conhecem a Jesus? Ainda não foram todos pelo menos para beber no seu Coração? Ele o deseja tanto e pede e espera... e convida-nos a obedecer às suas ordens formais! “Si quis diligit me, sermonem meum servabit”.10

É na verdade uma dolorosa contestação, fruto de uma longa experiência: dizei-me, quantas são as almas Sacerdotais que tomam a sério e verdadeiramente praticam uma sólida e constante devoção ao Sagrado Coração? Quantos há que a propagam com zelo entre o povo?...11

Pois bem, a responsabilidade – confessemo-lo – é em parte nossa, porque abundantes graças de estado descem para irrigar as obras do nosso Ministério, proporcionadas às nossas necessidades, às nossas obrigações, aos perigos inevitáveis, e “Aquele que nos enviou não nos deixa nunca sozinhos, mas fica sempre conosco”.12 “Os homens do nosso tempo são chamados para a restauração integral dos valores cristãos, para uma revisão universal da ordem. Estes devem afastar de seu pensamento toda a barbárie do mundo naturalista e ateu – seja ele capitalista, ou comunista – e isto não somente no campo político, mas também no econômico e social, corrompido pelo regime do dinheiro, no campo das relações internacionais, enfim e sobretudo no campo da vida intelectual e religiosa. Não pode existir ordem verdadeira e completa na vida humana, sem o primado da graça e da caridade, pois toda a ordem prática supõe a retificação da vontade com o que diz respeito aos fins superiores, e por isso, o predomínio do amor para com o Sumo Bem”.13

Oh! Se todos quiséssemos! Se quiséssemos seriamente! E quiséssemos sempre! Se todos cumpríssemos inteiramente nosso dever! A vida Sacerdotal deveria consistir naquela troca de afetos contínua, íntima, completa, entre o Coração de Deus e o coração do homem, que é denominado por S. Tomás “inchoatio beatitudinis”.14

Oh! Se soubéssemos meditar o Evangelho, o divino poema da graça, que canta as glórias da misericórdia onipotente e o reconhecimento da miséria suplicante! “Qui diligit me... et ego diligam eum, et manifestabo ei meipsum”.15

3 – O Amor não é amado: Oh vós que a Providência vos constituiu na S. Igreja “ministros Christi, et dispensatores mysteriorum Dei”,16 estais ainda lembrados daquelas palavras do Coração de Jesus, tão cheias de tristeza e de repreensão: “Tenho uma sede ardente de ser amado e honrado pelos homens...? e não encontro quase ninguém que a procure extinguir, retribuindo-Me como desejo...; tu ao menos dá-Me este consolo, suprindo, quanto estiver em ti, sua ingratidão, com os merecimentos do meu Sagrado Coração...”.17

É o eterno, o imenso, o infinito, que estende a Mão onipotente, à criatura, mendigando com gesto sublime os tesouros de afeto e compaixão, e lhe suplica, com doce insistência, com ternura comovente: “o Amor não é amado... ama-Me ao menos tu!”

Dizei-me, será que Ele não pensava, queixando-se desta maneira, nos Ministros do seu altar? “Eis as feridas que recebo do meu povo escolhido – acrescenta realmente depois – os demais limitam-se a bater no meu Corpo, mas esses – os Sacerdotes e os Religiosos – visam diretamente meu Coração”.18

Porque, notai-o bem, não são sonhos de uma fantasia doentia: é o puro Evangelho! “Aquele que recebeu maiores dons, deve amar mais”.19

E se então Jesus pensava realmente em nós, dizei... temo-Lo realmente contentado? Não perguntemos ao nosso amor-próprio... Jesus mesmo é que nos deve responder, Ele que penetra os corações...

E dizer que basta tão pouco para contentá-Lo! Na verdade, o que julgais queira Ele em troca de seus dons, Ele que teria todo o direito de mostrar-se exigente para conosco, de exigir “usque ad novissimum quadrantem?”20 Pede-nos, talvez, sabedoria? Pede-nos dinheiro? Exige penitências? Obras difíceis de apostolado? Sacrifícios heroicos? Não, nada de tudo isso; não há dúvida, são excelentes ações, mas para Ele estão todas em segunda linha: antes de mais nada e diretamente, Ele nos pede amor, porque a caridade encerra todas as virtudes: “Dilectio summum fidei sacramentum, christiani nominis thesaurus”.21

Estais ainda lembrados do gracioso paradoxo de S. Agostinho? “Dilige et quod vis fac”.22

Queria ele dizer que todo aquele que possui a perfeição do amor, deve necessariamente possuir em germe todas as disposições para o bem - “caritas est forma virtutum”23 - e está por isso mesmo num feliz estado de impecabilidade.24

Por outro lado, também hoje se pode repetir, com a mesma dolorosa atualidade, a enérgica expressão de S. Gregório: “Ecce mundus Sacerdotibus plenus est; tamen in messe Dei rarus valde invenitur operator, quia officium quidem Sacerdotale sumpsimus, sed opus officii non implemus”.25

Esta é a dolorosa história; mas há também aqui uma filosofia da história, e esta nos conduz à verdadeira causa, ao íntimo motivo destas consequências: “Zelus est effectus amoris: qui non zelat non amat”.26

Deus pede amor, mas atendei bem, Ele não pode contentar-se com um amor qualquer, com um amor lânguido, frio, desconfiado, ocioso, interesseiro, inconstante...: quer um amor digno de Deus, e por isso, espontâneo, fervoroso, delicado, estável, generoso, reconhecido. “Pater... ut dilectio qua dilexisti me in ipsis sit”27; exige, além disso, que seja um amor operoso, porque quer ser sincero, e afirma S. Gregório que quem não trabalha não ama: “Nunquam est Dei amor otiosus. Operatur enim magna, si est; si vero operari renuit, amor non est”.28

Oh meu Sacerdote, parece nos diga Jesus, tu que levantas todos os dias a Vítima divina no meio de hinos angélicos e entre o perfume do incenso, tu que perdoas e condenas, tu que penetras os segredos das Escrituras e perscrutas o mais íntimo das consciências... não vês aquelas boas velhinhas que murmuram devotas suas preces, ajoelhadas num cantinho do meu Santuário? Não vês aquelas crianças que não conhecem o pecado? Não vês aqueles velhinhos que consomem no Meu serviço o ocaso de uma vida de pecado, restaurada no amor? Não vês o cândido exército de virgens consagradas, que se apertam em torno do Meu tabernáculo, anjos de pureza e vítimas de reparação? Não vês aquela fila interminável de sofredores voluntários nos quais Me comprazo em renovar diariamente Meu doloroso Martírio?... Seja sincero: Amas-Me tu? “Diligis me?”.29 Amas-Me mais do esses?... mais do que cada um deles?... mais do que todos juntos? “Diligis me plus his”.30 E tarda a resposta... Pobre Jesus! Sei, Ele espera, “fatigatus ex itinere”31; está disposto a esperar ainda mais tempo...; espera porque confia, malgrado tantos temores por demais fundados...; “Ecce sto ad ostium, et pulso!”.32 Mas quantas humilhações neste esperar! Refleti um pouco! Bater, e ficar à porta como um estranho, como um mendigo, quando deveria entrar como um triunfador! Não encontrar sinais de verdadeira amizade entre tão grande número dos que foram escolhidos e consagrados intérpretes de seus desejos, os públicos representantes do seu Sacerdócio – “Ministri novi testamenti”33 – tê-los amado tanto, e agora ter que mendigar o amor! Ter que disputar com as criaturas o culto de adoração!... ter que aguentar repulsas de seus amigos!34

E que será de sua glória? Sabeis que a amizade de Jesus é necessária ao Sacerdote – de necessidade de meio – para poder conseguir o fim próximo de toda e qualquer obra. A união íntima com Ele é o único princípio do bom êxito. Para que todas as almas dispersas no campo imenso da Santa Igreja, se possa formar um só redil é necessário antes de tudo que Jesus e seu Ministro formem um só pastor: “Sicut tu, Pater, in me, et ergo in te, ut et ipsi in nobis unum sint”, dizia o divino Mestre.35 Ora, “esta íntima união de vida e de amor entre o Pai celeste e o Filho eterno feito homem, e uma imagem daquela comunhão de vida e de amor que une o Bom Pastor a alma remida”.36 Separei do Operário divino o pobre instrumento humano, e a corrente da graça não mais circula como deveria...; é a esterilidade do Ministro que precede à esterilidade das almas... “velut lignum aridum in eremos.37

É por isso necessário que a pessoa do Sacerdote seja como uma nova encarnação do Verbo de Deus: “Vivit vero in me Christus”38; é, numa palavra, necessário que o Sacerdote não procure, não respire, não fale senão de Jesus: “Sicut qui haberet librum ubi esset tota scientia, non quaereret nisi ut sciret illum librum, sic et nos non amplius quarere debemus, nisi Christum”.39

Ora, isto não só é possível, mas é para muitos, dentre nós, a doce realidade de cada dia. “Quando nosso coração se decide a não querer outra coisa senão o que quer o Coração de Deus, une-se a Ele de tal modo que forma com Ele um só coração”.40

4 – A Heresia da Ação: O mal progride na sua obra latente de destruição, por falta de antissepsia: “non est circumligata, nec curata medicamine, neque fota oleo”.41

A causa de tanto mal-estar – entendo a causa íntima e verdadeira – é uma só e evidente: está deslocado o centro da gravidade, o eixo do mundo moral.

Como? Não o disse porventura S. Paulo, tecendo a apologia do Redentor, que só Ele deve ser o centro da vida das almas? “Omnia in ipso constant?”42

E não penseis seja uma frase poética, ou uma hipérbole retórica... seria faltar o respeito ao Espírito Santo – mas é um conceito teológico muito preciso e indiscutível, é Palavra de Deus. Como tudo no mundo físico foi criado por meio do Verbo eterno, da mesma forma o reino espiritual, encontra Nele seu único princípio, a última razão de ser e de operar, por isso tudo – corpo e alma – deve necessariamente formar-se Nele e com Ele movimentar-se. Logo, por uma consequência fatalmente inevitável, toda a violação desta lei estática e dinâmica do universo, não pode deixar de perturbar a ordem maravilhosa da Providência, e por isso mesmo não pode deixar de expor em grave perigo o equilíbrio social... “Si rivus tenuiter fluit, non est alvei culpa, sed fontis”.43

Depois é inútil dizer quão prejudicadas ficam as almas: “Omnis creatura ingemiscit... usque adhuc”.44 Poderia ser de outra maneira? E não são, talvez, as almas objeto dum mesmo, eterno mistério de predestinação com Jesus? Não são, de fato, membros de seu Corpo Místico? Não vivem da sua Vida?45

Mas é pouco o que disse. Quem poderá resignar-se a crer que se chega “nunc autem et flens dico” a omitir a oração... para poder salvar maior número de almas. Espezinham-se, com uma lógica que chega ao delírio, os fundamentos da vida interior – silêncio e recolhimento – para entregar-se com mais intensa atividade aos trabalhos assim chamados imprescindíveis exigências do Ministério. Dispensa-se, às vezes, deste ou daquele ponto disciplinar, mesmo da recitação do Breviário, a fim de intensificar e organizar melhor – em ocasiões mais solenes – as obras de apostolado...; não se encontra mais tempo para cumprir as mais elementares obrigações religiosas, que todo o bom cristão teria escrúpulo de omitir...

É a vida animal pura e simplesmente” diria S. Vicente de Paulo,46 e como corolário uma febre de louca agitação, que conduz fatalmente à neurastenia... “hic motus sine stabilitate, cursus sine perventione, labor sine requie...”.47 Corre-se sempre... loucamente...; sem um fim determinado... sem nunca parar: – Há tanto que fazer, meu Deus!

Leio no Evangelho: “Exurgent enim pseudo-Christi et pseudo-prophetae, et dabunt signa et portenta ad seducendos, si fieri potest, etiam electos”.48 Olhemos em redor de nós... Não é a história contemporânea?

Circos, bandas de música, gramofones, representações teatrais e cinematográficas, projeções luminosas, retretas, patronatos, congressos, comícios, jornais, conferências, passeios em ônibus e competições ciclistas...: “dispersi sunt lapides sanctuarii, in capite omnium platearum”.49

Dizei-me, por favor, e se fizésseis um pouco de exame de consciência, ao menos superficialmente? Oh! É impossível! Mais tarde, outro dia! Então não estás vendo que não há por onde sair? Dizei-me: Não vos faria bem um pouco de meditação? Oh! Não me faleis nisso; não tenho disposição, sinto-me exausto, estou ocupadíssimo...! Eu já pensei nisso, mas que quer? Não encontro um momento livre; o senhor deve compreender! Talvez outro dia, se tiver tempo! “Audiemus te de hoc iterum!”50

As mais das vezes falta o tempo, naturalmente, porque falta a vontade...; depois sobrevém a náusea das coisas espirituais – é como um segundo estágio –; finalmente, ficará reduzido a um estado moral tão compassivo, que seria por demais duro ter que contestar de visu certas misérias já enraizadas, e o hábito de fazer pouco caso do Senhor, se transformará, de certo modo, numa necessidade moral! A que excessos não leva o abuso da graça?

E afirma-se pacatamente, quase com santa ingenuidade: “Afinal, não é deixar a Deus por amor de Deus?”

Erro capital, sofisma deplorável... Não vedes? Possível?... Isto é deixar a Deus por amor ao Diabo! Oh! O Demônio não receia certas obras católicas que tem por fundamento o barulho e a confusão – “signa et portenta ad seducendum” – deixa-nos agir, exorta-nos, ajuda-nos, se for preciso... e ri-se de tudo isso; enquanto não praticamos a virtude sólida, executamos, sem o percebermos, os interesses do Demônio. São as virtudes interiores que lhe causam cuidados: “Humilitatem nostram non sustinet, uritur caritate nostra, mansuetudine et oboedientia cruciatur”.51 Casas construídas sobre a areia duram um dia... – (são hoje tão raras as edificadas “supra firmam petram!”) – e é uma loucura sem nome, querer dar ao reino de Deus outra base que não seja a da verdade e da justiça: “Unusquisque autem videat quomodo superaedificet; fundamentum enim aliud nemo potest ponere praeter in quod positum est, quod est Christus Jesus”.52

Serão, contudo, poucos os que assim pensam?

Poucos? São legiões! Alguns até chegam – notai-o bem – a pensar que estão no bom caminho; julgam, coitados! “obsequium se praestare Deo”,53 mas quantos outros vivem na má-fé, e vivem numa perene, completa e positiva oposição à graça, procurando, sem encontrar saída, refrear e sufocar o remorso!54

Disse alguém muito bem quando afirmava que nos encontramos diante da “heresia da ação”55: realmente como as espécies consagradas, a atividade externa é um puro nada, sempre que for considerada sem o seu conteúdo divino.

Jesus mandou orar sempre sem descansar,56 ao invés não se reza nunca, com a vulgar escusa que a “ação é oração!” É a negação prática da nossa miséria fundamental, é a exclusão sacrílega da graça da vida humana..., são ruínas deploráveis que levam a uma cegueira intelectual pavorosa e deixam consequências morais muitas vezes irreparáveis. O pior é que estas teorias tendem, cada dia mais, a se propagarem entre o jovem Clero – “veritatem dico in Christo, non mentior”57 – e se Deus não ajudar a reparar esse mal não sabemos aonde iremos parar. – Leão XIII, o Pontífice do Sagrado Coração, condena inexoravelmente, com sua clássica pena, as aberrações de uma piedade mal compreendida: “Difficile quidem intellectu est, eos que christiana sapientia imbuantur posse naturales virtutes supernaturalibus anteponere, maioremque illis afficaciam ac fecunditatem tribuere. Ergone natura, accedente gratia, infirmior erit quam si suis ipsa viribus relinquatur?58Stultum est dicere, escreve São Tomás, quod per hoc quod aliquis in sanctitate promoventur, efficiatur minus idoneus ad spiritualia exercenda”.59

Não pretendo excluir sempre a priori – como disse – a boa intenção que possa escusar por algum tempo de pecado grave. Não nos parece lícito às vezes, transgredir mesmo os princípios da fé, e de introduzir entre os jovens estudantes ou entre os operários uma moral vagamente deísta, com o fim de reconduzir os que se desviaram da prática da virtude? Mas também este modo de proceder, desastroso e, muitas vezes, abertamente escandaloso, foi estigmatizado pelo grande Pontífice, quando notou que com esta tática não se aumenta, não, mas diminui-se o número de católicos verdadeiros – e é já um grande mal! –; depois, quanto àqueles infelizes que vivem fora da Igreja, porque julgam demasiadamente severa a disciplina eclesiástica: “redeant... redeant universi, exclamava ele, non alio tamen itinere, quam quod Christus ipse monstravit”.60

Oh! Se aproveitássemos os ensinamentos do Evangelho, não precisaríamos deplorar esse desvio moral, jurídico, social, ascético, filosófico, teológico, apologético, crítico, histórico, político, socialista-reformista que penetrou no povo de Deus, manchando a pureza de sua fé e enfraquecendo a força de suas imortais esperanças ao mesmo tempo que alguns, mesmo entre os que deveriam ser doutores da verdade, “se deixam arrastar por todos os ventos das doutrinas, pelo enredo dos homens e pelas astúcias que levam ao engano e ao erro”.61 Incautamente deslumbrados pelas esperanças sedutoras do modernismo literário – etiqueta dourada que costuma encobrir as malsãs “especialidades” do modernismo dogmático – chegam, muito embora com boa intenção, e... mesmo tendo em vista a glória de Deus, a tal perversidade de tendências, de vida prática, de ação social, de arte e literatura, que acabam por corroer pela raiz a árvore da fé e lhe impedem de produzir frutos de salvação.62

É um fato inegável, todos nós conhecemos tais almas “consagradas” que já não sabem a linguagem de Jesus. Seus colóquios com Ele tornam-se sempre mais raros, sempre mais frios, sempre mais semelhantes a uma conferência diplomática do que uma expansão do coração...: vidas cheias de atividades, e vazias de Deus... O próprio povo, que na sua rusticidade conserva o bom-senso, não enxerga sobre a fronte a auréola do divino, que impõe respeito e veneração...; e no entanto, “a fé que é em nós princípio de vida eterna”,63 não apresenta mais do que uma chamazinha que se vai extinguindo ao mesmo tempo que as próprias boas obras, precisamente porque viciadas na sua raiz e acompanhadas de notável número de culpas deliberadas, concorrem com uma lógica terrível - “miris, sed veris modis” – para diminuir o fervor da caridade. E a conclusão do silogismo não pode ser outra: “Nos pereunti populo auctores mortis existimus, qui debuimus ducere ad vitam”.64

5 – Os Caminhos do Retorno: Vês agora, o abismo que se abre a teus pés? “En quo tradere te habent hac occupationes maledictae, si tamen pergis, ut coepisti, ita dare te totum aliis, nihil tui tibi relinques... Perdis tempus..., in his stulto labore consumeris, quae non sunt nisi afflictio spiritus, evisceratio mentis, evacuatio gratiae”.65

É São Bernardo que escreve com tanta franqueza a um ilustre Pontífice! Com toda a razão quererás saber quais tenham sido essas malditas ocupações que criavam um grande perigo para a alma de um Papa, cuja história é uma magnífica apologia. Pois bem – quem o acreditaria? – tratava-se nada mais e nada menos do governo da Igreja universal. Sim! “Maledictae occupationes” também os trabalhos apostólicos, quando desviam a alma da perfeição, porque está escrito: “quid prodest homini si mundum universum luvretur” – fazendo pouco caso de sua alma ou de Cristo – “animae vero suae detrimentum patiatur?”66

Para remediar, se estamos ainda em tempo, tão funestas consequências, é lógico e necessário voltar aos princípios. Caímos no naturalismo: reconheçamo-lo lealmente e subamos logo com o aeroplano do amor, em direção ao sobrenatural... Por que continuar a negar a verdade conhecida? “O verdadeiro progresso moral, ensinava Guizot, consiste em voltar ao bom caminho, quando se tenha a consciência de tê-lo abandonado”.

Oh! Sim, volte cada um de nós ao calor da vida interior, volte de uma vez para sempre, humilde e arrependido, ao Coração de Jesus... Só naquela fornalha ardente de caridade podemos refundir nossa pobre existência, só naquele abismo de toda a virtude, naquela fonte inesgotável de toda a perfeição podemos retemperar nossas forças enfraquecidas e divididas entre as mal-entendidas atividades...

Abramos-lhe, portanto, nossa alma, porque tanto na ordem da graça como na da natureza, o Verbo que habita no Sagrado Coração como num trono de amor, é o único princípio de permanente existência.67

Voltemos ao Sagrado Coração! Jamais deixarei de repeti-lo: Ele deve ser a fonte de todo o apostolado que não quer tornar-se inútil e prejudicial, porque só Ele pode e quer comunicar-nos o espírito Sacerdotal, sem o que valem bem pouco o sagrado caráter, a sutileza do engenho, a legítima jurisdição. “Toda a alma que se eleva, diz Newmann, eleva consigo o mundo”. Mas como se poderá conceber uma verdadeira elevação para o infinito, sem uma sólida base de vida interior?

Foi dito de um célebre orador cristão, que honrara durante 10 anos, com o esplendor de uma eloquência fascinante e conquistadora, o mais célebre púlpito do mundo: “Ele era a virtude que pregava a verdade...: não pensava senão nas almas e não fazia pensar senão em Deus...; o coração sempre em Deus, o olhar sempre dirigido para o Céu”.68

Afinal, que é que procurais, operários do Evangelho? Que é que vos atrai? A ciência? Mas, no Coração do Mestre estão todos os tesouros da sabedoria de Deus, todos os esplendores do gênio, “investigabiles divitiae”.69 Quando tivermos conhecido a Jesus, não nos resta mais nada para conhecer: “Nobis curiositate opus non est, post Christum Iesum, nec inquisitione post Evangelium”.70

Que precisas? Que é que vos falta? O amor pelas almas? Mas, o Sagrado Coração é o Rei e centro de todos os corações: “dives in omnes qui invocant illum”.71 Seu Coração está cheio de ternura e de bondade: “Dives in misericordia”.72 Trata-se talvez de doentes, para quem a lembrança de culpas antigas torna amargos os últimos dias? Conduzi-os então ao Sagrado Coração; Ele é a salvação de todos os que nEle esperam: “factus est nobis sapientia a Deo et iustitia, et sanctificatio, et redemptio”;73 Ele que quis experimentar as angústias da agonia e as penosas desolações da morte, tornou-se o conforto dos moribundos e a porta do Céu, “unde et salvare in perpetuum potest, accedentes per semetipsum ad Deum”.74

Santa Margarida Maria escrevia ao irmão Pároco: “Não julgueis que ocupando-vos da salvação das almas confiadas aos vossos cuidados, dificultareis vossa santificação, porque é precisamente o ocupar-vos delas que, merecereis da bondade divina maiores auxílios, para com menor perigo, alcançar vossa salvação”.75

6 – Regnum Dei intra vos est: Ensinou São João da Cruz: “O menor ato de puro amor vale mais aos olhos de Deus e é mais útil à Igreja e à própria alma, do que todas as demais obras externas tomadas em conjunto”.76 E, São Pedro Julião Eymard afirmou: “Um único ato de amor é mais glorioso para Jesus, do que todo o apostolado do mundo”.77

Católicos e racionalistas muito escreveram, para desvendarem aquele abismo de perfeição que constitui a psicologia dos Santos! Contudo, o segredo de sua grandeza, o motivo de sua prodigiosa atividade, a causa que motivou e revestiu suas ações foi uma só e muito simples: “Dilexit multum!”.78 Aliás, também na vida dos simples fiéis, é o amor de Deus o sinal que distingue os réprobos dos eleitos, os condenados dos predestinados...

Fazei tudo por amor, no amor e para o amor, porque é o amor que dá o merecimento à todas as obras”.79 Se hoje, pelo contrário, “o Amor é pouco amado” sabeis qual o motivo? O americanismo e o modernismo religioso, com seu desprezo irreverente e inconsiderado para com as “virtudes passivas”, contam ainda não poucos adeptos entre os Ministros do Santuário, que partindo de um conceito paganizado a respeito da vida “doctores humilium, duces superbiae”,80 parecem estar muito mais ocupados com os negócios temporais do que com os problemas da eternidade: “confitentur se nosse Deum, factis autem negant”;81 e, pobres iludidos, em vez da oração, do recolhimento, da meditação, do amor, da obediência, da pureza, da humildade, preferem o barulho, a agitação, a confusão, e não se lembram que Jesus quis que aprendêssemos dEle, não a criar o mundo, a ressuscitar os mortos, mas a “tornar nosso coração manso e humilde como o Seu”;82 esquecem que não é ser cristão o inclinar-se a fim de pensar as feridas dos corpos e das almas, se nelas não se reconhecem os estigmas da Vítima divina; esquecem que também o estudo da mais árida tese teológica, pode e deve avivar-se no fogo do amor infinito, porque o estudo, segundo S. Agostinho, deve ser “uma atenção que se dirige para a luz eterna, e uma adesão do coração Àquele que é a verdade por essência”;83 esquecem que Jesus não permite venha o Evangelho a ser “laicizado” pela humanidade, pelo contrário, Ele quer divinizar a humanidade pelo Evangelho.

Combatamos, sim, as santas batalhas porque é um dever sagrado, é uma missão sublime, mas convençamo-nos que se Jesus não nos alcança a vitória, seremos sempre derrotados, e a mais humilhante de todas as derrotas consistirá em sermos rejeitados por seu Sagrado Coração. Para que Deus nos reconheça como seus, é preciso que fiquemos unidos a Ele: “Qui spiritum Christi non habet, hic non est eius”.84


1Oportet Illum Regnare, Edições Paulinas, São Paulo, 1959.
2Mère Louise Marguerite Claret de La Touche: Au service de Jésus Prête, vol. II, p. 50. A piedosa religiosa, falecida em 1915, fundou sob os auspícios de S. Pio X o novo Instituto de “Betania del S. Cuore”, que se gloria de “servir a Jesus Sacerdote nos seus Sacerdotes”; é fruto de suas devotas contemplações o livro: Le Coeur et le Sacerdoces.
3Ib. Au Service... II, 47, 49. – A metáfora “beber do S. Coração” era familiar aos místicos dos séculos passados. Cfr. S. Gertrudes: Le hèraut de l'amour divin. Libr. III, c. 46; I. 270; libr. IV, c. 13; II. 69, ib. c. 23; II. 105; S. Mechtilde: Le livre de la grâce spéciale, part. II, c. 28, p. 208, e part. IV, c. I, p. 307; item Braunsberger: Petri Canisii, epist. Et acta. Friburgi 1896 et seqq. vol. I. 54, 57. Também para S. Margarida Maria o Coração de Jesus é: “uma fonte de água viva” (Vie et ouvres; Vie par les contempl. I. 105; G. I. 115; cfr. ecrits par ordre de la M. Saumaise: G. II. 155.
4Mère Claret: Le S. Couer et le Sacerdoce. Paris. Beauchesne, 1920, p. 28.
5Jer. II, 13.
6Salm. 35, 9.
7João 4, 13.
8I Tim. III, 15.
9Oportet Illum Regnare, pp. 8-10.
10João 14, 23.
11“O mistério não consiste tanto no fato de que existem almas nas quais Deus reina pelo amor, desde o momento em que Deus é amor, e que se revela ao coração humano. O profundo mistério consiste em que estas almas sejam tão raras e que a revelação do amor encontre tão pouco acolhimento da parte da humanidade. Este mistério sim, faz passar a fé por uma dura prova! Como é possível que entre todos os patrões seja o Onipotente o menos bem servido?” (Mgr. D'Hulst. Lettres de direction, publiées par Mgr. Baudrillart: Paris, Poussielgue, 1905, p. 113.
12João 8, 29.
13Maritain: La primauté du spirituel, Paris, Plon 1927, p. 109; (traduzido para o italiano nesses últimos meses pela Casa Editora Card. Ferrari).
142. II, quaest. CLXXX, art. 4: “Contemplatio Dei in futura vita erit perpetua... nunc autem... competit nobis imperfecte... unde per eam fit nobis quaedam inchoatio beatitudinis”. Alberto Magno a denomina “perfecta inchoatio vitae futurae”. (De adhaerendo Deo, c. X)
15João 14, 21.
16I Cor. 4, 1.
17S. Marguerite Marie Alacoque: Vie et oeuvres; Vie par les contemporaines, 88, I. 77; G. I. 244, I. 126; Vie par le même, II. 327; G. II. 72; lettre 6 du ms. D'Avignon: G. lett. 133, II 580. A palavra “amado” encontra-se só nas cartas 135 e 133; o final “com os merecimentos do meu S. Coração” aparece num trecho do Vie par alle même, II. 338; G. II. 84.
18S. Marg. Marie: Vie et oeuvres; Vie par les contempor. 1. 55; G. fragmentis, II, 175.
19Luc. VII, 42-43.
20Mat. V, 26.
21Tertull. De patientia, c. 12: P.L. I, 1268. – É o amor que nos une a Deus, e o grau da caridade é a medida da união. “In hac vita tanto magis procedimus, quanto Deo magis propinquamus, non passibus corporis, sed affectibus mentis. Hanc autem propinquitatem facit caritas, quia per ipsam mens Deo unitur” (S. Thom. 2. II, quaest. XXIV, art. 4; cfr. 2. II, quaest. XXIII, art. 6-7-8).
22Eis a frase inteira: “Semel ergo breve praeceptum, ubi praecipitur: dilige et quod vis fac. Sive taces, dilectione taceas; sive clames, dilectione clames; sive emendes, dilectione emendes; sive parcas, dilectione parcas; radix sit intus dilectionis; non potest de ista radice, nisi bonum existere” (In ep. I Joan. Ad Parthos, tr. VII, c. 4, n. 8: P.L. XXXV. 2033). É costume citar a frase: “ama et fac quod vis”, mas nesta forma, não existe nos escritos do Santo.
23S. Thom. 2. II, quaest. XXIII, art. 8; Cfr. Maumus O.P.: La doctrine spirituelle de S. Thomas, Paris, Retaux. Bray 1885, conclusão do livro.
24Isto quer dizer: não pode pecar enquanto conserva a caridade. Cfr. S. Thom. 2. II, quaest. XXIII, art. 7: “Nulla vera virtus potest esse sine caritate. Potest aliqua virtus dici sine caritate, inquantum ordinatur ad aliquod particulare bonum: sed si illud particulare bonum non sit verum bonum... virtus etiam... non erit vera virtus, sed falsa similitudo virtutis...; et secundum hoc simpliciter, vera virtus sine caritate esse non potest”. E no art. 8: “per caritatem ordinantur actus omnium aliarum virtutum...” (Cfr. também 1. II. Quaest. LXV, art. 4, e quaest. LXVI, art. 6).
25Homil. XVII in Evang. n. 3: P.L. XXVI. 1139.
26Costuma-se citar S. Agostinho: enarr. In Ps. CXVIII: não há dúvida que o pensamento é dele, mas não são dele as palavras. É antes uma frase compilada com os conceitos do Santo. Assim no Sermo XXVII in Ps. (P.L. XXXVII. 1583), comentando o verso 139: “Tabescere me fecit zelus meus” - refere as palavras de São Paulo: “aemulor enim vos, Dei aemulatione” e acrescenta: “aemulatio amoris est non livoris”.
27João XVII, 26.
28Homil. XXX in Evangel. n. 2: P.L. XXVI. 1221.
29João XXI, 16.
30Ib. 15.
31João IV, 6.
32Apoc. III, 20.
33II Cor. 20.
34“Nullam vitae nostrae partem reliquit (Deus) quae vacare debeat... sed quidquid aliud diligendum venerit in animam, illuc rapiatur quo totius dilectionis impetus currit. Sic enim proximum diligens tamquam seipsum, totam dilectionem sui et ipsius refert in illam dilectionem Dei, quae nullum a se rivulum duci extra patitur” (S. August. De doctr. Christ. Lib. I, c. 22: P.L. 34. 27).
35João, XVII, 21.
36Schaefer: Di Parabeln des Herrn (As parábolas do Senhor), Freiburg, Herder 1905; (traduz. Para o italian. Firenze L.E.F. 1923, vol. Iº, p. 58).
37Eccli. VI, 3.
38Gal. II, 20.
39S. Thom. Lect. I in ep. Ad Colosa.
40Frassinetti: Il conforto dell'anima devota, Roma, Poliglotta Vatic. 1912, p. 22.
41Isaías I, 6.
42Col. I, 17.
43S. Hieron. Epist. XVII (al. 77) ad Marcum presbyt. n. 2: P.L. XXII. 360.
44Rom. VIII, 22.
45Cfr. Rom. VIII, 29; S. Thom. IIIª pars, quaest. XXIV, art. 4; quaest. XLVIII, art. 2.
46Maynard: Vertus et Doctrine Spirituelle de S. Vicent de Paul, Paris, Téqui 1924, 11ª edição.
47Albert. Magn. De adherendo Deo, c. VII: cfr. Monsabré, as 5 conferências sobre as obras católicas no Retiro Pascoal de 1886, “Retiri Pascuali”, Torino, Marietti, 1897, vol. VI.
48Marc. XIII, 22.
49Jer. Thren. IV, 1.
50At. XVII, 32.
51S. Bernard. Sermo III, in dedic. n. 2: P.L. CLXXXIII, 524.
52I Cor. III, 11. – Cfr. Maritain: La primauté du spirituel, ediç. Cit. p. 313 e seg. e Guitton: Si nous savions almer! Paris, ediç. “Spes” rue Soufflot, 1925.
53João XVI, 2.
54Santo Agostinho, numa magnífica página do seu clássico comentário sobre os Salmos, compara os que não querem viver recolhidos com Jesus, para não terem que ver as próprias misérias, a certos mártires que não voltariam mais para casa para não terem que brigar com a mulher, caprichosa, impertinente, e conclui assim sua acerba comparação: “Beati qui gaudent quando intrant in cor suum, et nihil mali ibi inveniunt!... quanto sunt miseriores qui ad conscientiam suam redire nolunt, ne ibi litibus peccatorum evertantur! Ergo ut possis libens redire ad cor tuum, emunda illud... intra in cor tuum, et gaudebis ibi” (in Ps. XXXIII, n. 8: P.L. XXXVI, 312).
55Comte: Le Card. Merimollod d'après as correspondance, Paris, Bloud 1924. Veja Dom Chautard: L'âme de tout apostolat. Paris, Téqui 1922, 10ª ed., part. III, c. 2 (3ª edição italiana traduzida da 10ª ed. francesa, Torino L.E.I. 1923, p. 27; e também: Card. Mercier: La vie intérieure, versão italiana, Milão, Vita e Pensiero, 1923; 2 volumes.
56Luc. XVIII, 1; em que sentido explica o Pe. Plus, S.J.: Comment toujours prier, Toulouse, Ap. de la prière, 1925. (trad. Torino, Marietti 1927). Cfr. Codex Iuris Canonici, can. 125, 595, 1367.
57Rom. IX, 1.
58Epist. “Testem benevolentiae” ad Episcop. Baltimorens. 22 jan. 1899; cfr. Pius XI: Constitut Apost. “Umbratilem remotamque”, 8 jul. 1924: “Act. Ap. Sedis”, vol. XVI, p. 385 e seg. e Janvier: Exposit. De la morale cath. p. III. “Les passion” (tradução italiana Lethielleux, Paris, 1911, p. 159 e seg.): Hugon, O.P.: Études sociales et psychologiques, ascétiques et mystiques, Paris, Téqui 1924.
592. II, quaest. CLXXXVII, art, 1.
60Luc. cit.
61Efés. IV, 14.
62Cfr. Pius XI: Encycl. “Ubi arcano Dei”, 23 de dez. De 1922: (Acta Ap. Sedis, XV, 5).
63S, Thom. Quaest. Disput.: De veritate, , quaest. XIV, art. 2.
64S. Greg. M. Homil. XVII in Evang. n. 16: P.L. LXXVI. 1147.
65S. Bern., De Considerat. ad Eugenium Papam, lib. I, c. 2: P.L. CLXXXII, 731.
66Mat. XVI, 26.
67João I, 3-4.
68P. de Ponlevoy, Vie du R. P. Xavier de Ravignan; Paris, Douniol 1860. I. 220-221. II. 323. Tornou-se célebre na França, a solenidade, o vagar do sinal da Cruz que o orador fazia ao iniciar seus sermões, despertando a fé e o recolhimento nos ouvintes (ib. I. 224).
69Efés. II, 8.
70Tertull. De praescript. c. VII: P.L. XVI. 291.
71Rom. X, 12.
72Efés. II, 4.
73I Cor. I, 30.
74Heb. VII, 25.
75Vie et oeuvres, lett. 67 à son frère le Curé, II. 127: G. lett. 72, II. 366.
76Fala-se aqui, evidentemente, de um ato de puro amor, em oposição às ações exteriores acompanhadas de um amor menos intenso, ou completamente isentas de amor.
77Notas do seu diário espiritual no: Tesnière: Compendio della vita del B. P. Eymard – Milão, Lega Eucaristica, 1925, Fossati: La forza d'un pensiero (leggendo la vita e gli scriti dell'Apostolo dell'eucaristia), Torino, L.E.I. 1924.
78Luc. VII, 47.
79S. Margarida Maria: Vie et oeuvres, Avis 42: II. 423: G. avis 4: II. 646.
80S. Greg. Registr. Epist. Lib. V, ep. 20: P.L. LXXVII. 745.
81Tit. I, 16.
82Mat. IX, 29.
83Citação de Bossuet: Prèface sur les étast d'oraison, “Oeuvres”, Paris, Méquignon, 1846, vol. IX. 84.
84Rom. VIII, 9.

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