Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 26 de janeiro de 2019

A Conversão de São Paulo, Apóstolo.


A conversão de São Paulo deu-se no mesmo ano em que Cristo foi crucificado e em que Estêvão foi lapidado. Não no mesmo ano calendarial, e sim no intervalo de um ano, porque Cristo foi crucificado no dia 8 antes das calendas de abril, Estêvão foi lapidado no dia 3 de agosto do mesmo ano e Paulo foi convertido no dia 8 antes das calendas de fevereiro.1

Celebra-se sua conversão, mas não a de outros Santos, por três razões. A primeira, para servir de exemplo, a fim de que ninguém, por mais pecador que seja, desespere por perdão ao ver que aquele homem tão cheio de culpa foi depois tão cheio de graça. A segunda, para lembrar a alegria da Igreja, muito triste anteriormente quando perseguida por ele, e depois muito alegre por sua conversão. A terceira, pelo milagre que o Senhor manifestou nele, ao fazer do mais bárbaro perseguidor o mais fiel pregador. De fato, sua conversão foi milagrosa por quem a fez, pela maneira com que foi feita e pelo seu sujeito.

Aquele que realizou a conversão foi Cristo, mostrando assim três atributos. Primeiro, seu admirável poder, quando disse a Saulo: “É duro para você resistir ao aguilhão”, e quando o transformou subitamente, levando-o a perguntar: “Senhor, que quer que eu faça?”.2 Comentando essas palavras, Agostinho disse: “O cordeiro morto pelos lobos transformou os lobos em cordeiros, e já se prepara a obedecer Àquele que antes perseguia furiosamente”. Segundo atributo, sua admirável sabedoria, porque demoliu o orgulho, aparecendo-lhe não na sua sublime majestade e sim em ínfima humildade. “Eu sou o Jesus de Nazaré que você persegue”, disse a ele. A Glosa acrescenta: “Ele não diz que é Deus, nem mesmo Filho de Deus, e para incitá-lo a se despojar das escamas do orgulho, mostra sua humildade”. Terceiro atributo, sua admirável clemência, pois a conversão ocorreu no próprio momento em que se dava a perseguição, quando por iniciativa própria ele “fazia ameaças, prometia carnificina”, pedia autorização do sumo sacerdote para fazer prisioneiros e levá-los a Jerusalém, e apesar disso foi convertido pela divina misericórdia.

A maneira como se deu a conversão também foi milagrosa, através da luz, uma luz súbita, imensa e celestial. Súbita, pois “ele foi de repente envolto por uma luz que vinha do Céu”. Paulo tinha três vícios. O primeiro era a audácia, como atestam as palavras: “Ele foi encontrar o grão-sacerdote etc.”, sobre as quais diz a Glosa: “Ninguém o tinha instado a isso, ele foi por si mesmo, seu zelo é que o moveu”. O Segundo era o orgulho, provado pelas palavras: “Ele fazia ameaças, prometia carnificina”. O terceiro era a interpretação material que dava à Lei, o que faz a Glosa dizer: “Sou Jesus, sou Deus do Céu, Aquele que como judeu você acredita estar morto”. Portanto, a luz divina foi súbita para aterrorizar o audacioso; foi imensa para lançar esse altivo, esse soberbo, nas profundezas da humildade; foi celestial para tornar celeste aquela inteligência carnal. Ou, pode-se dizer, a conversão foi milagrosa pelos três meios utilizados: a voz que chamou, a luz que brilhou e a força que alterou.

A conversão foi milagrosa quanto ao sujeito convertido, isto é, o próprio Paulo. Em sua pessoa deram-se três milagres externos: sua queda do cavalo, sua cegueira e seu jejum de três dias. Ele foi derrubado para se reerguer mudado. Agostinho disse: “Paulo foi derrubado para ser cegado; foi cegado para ser mudado; foi mudado para ser enviado; foi enviado para que a verdade aparecesse”. O mesmo autor ainda diz: “O cruel foi esmagado e tornou-se crente; o lobo foi abatido e reergueu-se cordeiro; o perseguidor foi derrubado e tornou-se pregador; o filho da perdição foi quebrado e transformou-se em vaso eleito”.

Foi cegado para ser iluminado em sua inteligência cheia de trevas. O Evangelho diz que durante três dias ele ficou cego para ser instruído. De fato, ele não recebeu o Evangelho da boca de uma homem, nem por meio de um homem, e sim, ele mesmo assegura, por revelação de Jesus Cristo. Agostinho diz em outra passagem: “Considero Paulo o verdadeiro atleta de Cristo, que o instruiu, que o ungiu com a substância com a qual foi crucificado, que se glorificou nele”. Ele mortificou sua carne para que ela colaborasse na realização de boas obras. Desde então seu corpo ficou perfeitamente apto a toda sorte de boas obras, sabendo viver tanto na penúria quanto na abundância, pois tinha experimentado de tudo e suportava facilmente todas as adversidades. Crisóstomo diz: “Os tiranos e os povos enfurecidos pareciam-lhe mosquitos. A morte, tormentos e milhares de suplícios eram para ele como brincadeiras de crianças. Ele os acolhia de bom grado, e retirava mais glória das correntes que o prendiam do que se estivesse coroado com preciosos diademas. Aceitava torturas com mais satisfação do que outros aceitam presentes”.

Estes três estados, queda, cegueira, jejum, podem ser contratados com as três atitudes de nosso primeiro pai (Adão). Enquanto este se ergueu contra Deus, Paulo ao contrário foi jogado ao solo; enquanto os olhos daquele foram abertos, os de Paulo ao contrário foram fechados, enquanto aquele comeu o fruto proibido, Paulo ao contrário, absteve-se até mesmo de alimentos lícitos.


Fonte: Jacopo de Varazze, Arcebispo de Gênova (1229-1298), “Legendae sanctorum, vulgo historia lombardica dicta”; tradução do latim, apresentação, notas e seleção iconográfica por Hilário Franco Júnior, Cap. A Conversão de São Paulo, Apóstolo, pp. 206-208; Editora Schwarcz Ltda – Companhia das Letras, São Paulo/SP, 2003.


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1No calendário juliano implantado em 46 a.C. e vigente na Idade Média, calendas era o primeiro dia do mês. Assim, pelo calendário gregoriano adotado em 1582 e ainda hoje utilizado no mundo ocidental cristão, as datas referidas pela Legenda áurea correspondem a 25 de março no caso da Crucifixão e a 25 de janeiro no da conversão de São Paulo.

2Este e os demais versículos bíblicos citados por Jacopo de Varazze neste capítulo, são de Atos dos Apóstolos, capítulo 9.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Novena em Honra da Sagrada Família (9º Dia)



Nono Dia

Os mesmos Atos preparatórios, como no primeiro dia.

MEDITAÇÃO
A Sagrada Família
protege na Hora da Morte aos Seus Devotos

Consideremos como São José, depois de ter servido com tanta fidelidade a Jesus e Maria, chega ao termo feliz de sua carreira mortal. Contemplemo-lo na sua pobre morada de Nazaré, rodeado de Anjos, assistido por Maria, sua amorosíssima Esposa, e pelo próprio Jesus Cristo, soberano Senhor de todos os Anjos, entregando o seu espírito nas mãos do Senhor, e gozando naquela doce companhia de uma paz deliciosa, verdadeiramente celestial. É fora de toda a dúvida que a presença de uma tal Esposa e de um Filho tal, havia de tornar extremamente suave e preciosíssima a morte do Santo Patriarca. E como poderia ser amarga a morte daquele que expirava nos braços da mesma vida.

Quem haverá aí capaz de compreender as consolações e as delícias, que então havia de experimentar o Coração de São José: as magníficas esperanças concebidas, os atos de resignação praticados por aquele varão justo; os afetos e sentimentos de amor que em sua alma provocariam as suavíssimas palavras de Jesus e de Maria? Por isso dizia São Francisco de Sales, que “São José morreu de puro amor para com Deus.” Tal foi o termo felicíssimo do Santo Patriarca. Não terás inveja santa, alma cristã, deste glorioso Santo? Não gostarias de morrer, como ele, nos braços amorosíssimos de Jesus e de Maria? Ah! Sim! Certíssimamente, dirás: como poderei eu, porém, miserável pecador, atrever-me a esperar uma tão grande ventura? Cobra ânimo: se não pode haver dúvida, de que aqueles que, na sua vida passada, tiveram a desgraça de ofender a Deus, e de tornar-se réus, dignos do Inferno, não merecem tal felicidade na hora da morte; contudo, se agora te converteres sinceramente para Deus, e daqui em diante Lhe pedires de todo o teu coração a graça de uma boa morte, não tenhas dúvida de consegui-la. Jesus expirou no duro madeiro da Cruz, para te merecer uma boa morte. A Virgem Santíssima não se esquecerá de que é o refúgio dos pecadores, e de que tu lhe foste recomendado no Calvário; e São José há de comprazer-se em ser teu Advogado naquela hora suprema. E, se Jesus, Maria e José estiverem contigo, quem poderá ser contra ti? Além do mais, pelo que respeita a São José, assegura Santo Afonso, que por haver morrido nos braços de Jesus e de Maria, e por ter libertado o Menino Deus da morte, levando-O para o Egito, merecera o privilégio especial de ser o Advogado da Boa Morte, preservando da morte eterna os seus devotos servos.

Ditosa, pois da alma, que no último transe o tiver por seu Advogado, juntamente, com sua poderosíssima Esposa e seu Filho divino? Ditoso de ti, se todos os dias lhe dirigires uma prece fervorosa, até ao termo da tua vida, pedindo-lhe a graça de bem morrer. São José virá, acompanhado de Jesus e Maria, consolar-te, amparar-te e assegurar-te a vida eterna.

Meditação… Petição… e Gozos…
(como no primeiro dia)

Oração Jaculatória: Dulcíssimo Jesus, em vez de serdes meu Juiz, sede o meu Salvador.

Obséquio: Rezarei em três ocasiões diferentes do dia, seis Pai Nossos, e seis Ave-Marias em honra da Sagrada Família, pedindo-lhe a graça de uma boa morte.

ORAÇÃO

Ó meu amável Redentor, que um dia me haveis de julgar, perdoai-me as ofensas que contra Vós tenho feito, pois delas me arrependo de todo o meu coração: as me perdoeis, porém, desde já, não seja que, antes do perdão, chegue para mim a hora derradeira e terrível, em que me haveis de julgar. Ajudai-me a perseverar, desde agora até ao fim da minha vida, no Vosso amor, e a nele abrasado morrer.

Virgem Santíssima, nossa esperança, confiado nos merecimentos de Jesus Cristo e na Vossa intercessão, espero alcançar uma santa morte, e a salvação eterna. Ó minha Senhora e minha Mãe, socorrei-me naquela hora, e alcançai-me a graça de invocar com amor e confiança o Vosso Nome santíssimo e o do Vosso Filho, Jesus.

Excelso Patriarca São José, meu glorioso Protetor, santa foi a Vossa morte, porque santa havia sido a Vossa vida: e, como poderia eu, infeliz, depois de uma vida tão dissipada, esperar obter uma ditosa morte, se não contasse com o Vosso patrocínio? Eia pois, ó meu santo e glorioso Protetor, pela consolação que Vos proporcionou a presença de Jesus e de Maria, protegei-me de maneira, que eu nunca mais me torne a separar do meu Deus: e, pelos cuidados que Eles vos prodigalizaram na hora da Vossa morte, assisti-me com o Vosso patrocínio em todo o tempo da minha vida, e especialmente no último momento dela.

EXEMPLO

Havia uma donzela, por nome, Tiburcia Pascual, mui devota da Sagrada Família. Adoeceu, e padeceu muito nos dias que precederam o seu falecimento; e Nosso Senhor deu a conhecer à Madre Ignez, agostiniana, que aqueles padecimentos eram a conta do que deveria sofrer no Purgatório. Esteve-lhe assistindo a serva de Deus, e viu que também lhe assistiam Cristo, Senhor nosso, a Virgem Santíssima, Senhora nossa, o Patriarca São José e outros Santos da sua devoção. E não obstante esta celestial companhia, não lhe faltavam muitos, e mui irrequietos e perversos inimigos. Não cessava a Madre Ignez de rogar ao Senhor por ela, para que não permitisse que com suas ameaças e ilusões inquietassem aquela moribunda, e com santa indignação lhes disse: “Ide em má hora para o Inferno, malditos, que esta alma não é vossa, é de Jesus, meu Esposo, e corre por minha conta.” Com isto se foram dando furiosos gritos. A Sagrada Família mostrou-se por isto muito satisfeita, e a donzela expirou, e sua alma foi levada à cela da Venerável Madre a sofrer o seu Purgatório: e pelas orações da Madre Ignez e outros sufrágios, subiu a gozar da glória na presença de Deus, na Véspera da Imaculada Conceição de Maria.

JACULATÓRIAS

Amado Jesus, Maria e José, o meu coração Vos dou e a minha alma.

Amado Jesus, Maria e José, assisti-me na última agonia.

Amado Jesus, Maria e José, expire em paz entre Vós a minha alma.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Novena em Honra da Sagrada Família (8º Dia)



Oitavo Dia

Atos preparatórios, como no primeiro dia.

MEDITAÇÃO
A Sagrada Família
Protege Lá dos Céus as Famílias Piedosas

Durante a sua vida mortal sobre a terra, a Sagrada Família comprazia-se em consolar e auxiliar as famílias piedosas. Assim, é, que vemos a Jesus, Maria e José, voarem a dispensar favores e serviços a Isabel e Zacarias no dia da Visitação. Maria Santíssima, segundo refere o Evangelho, ia com pressa, atravessando as montanhas… E para que empreender tão longa viagem através das montanhas? Que motivo a determinou a correr com aquela pressa, senão a caridade, e o desejo de desempenhar-se da sua missão providencial de consolar uma família aflita?

Contemplemos igualmente a Jesus e a Sua Mãe nas Bodas de Caná. É uma família que se encontra em apuros; naquelas circunstâncias tão solenes chega a faltar-lhes o vinho, Jesus e Maria, sem que ninguém o pedisse, por compaixão para com ela, remedeiam o embaraço. “Não têm vinho”, disse a Mãe, e o Filho opera o Seu primeiro milagre em favor da atribulada família, convertendo a água em vinho. Vede nisto a caridade da Sagrada Família para com as Famílias que nEla confiam. E se na terra operou milagres de caridade em seu favor, com quanto mais razão e eficácia as protegerá lá do Céu, onde agora goza de um poder imenso, proporcional à imensa glória de que Deus a circundou. O mesmo poder de Deus, como que parece residir em suas mãos, pois, como diz Santo Afonso, não podemos duvidar de que Jesus Cristo, assim como quis ser sujeito a José e a Maria na terra, assim também no Céu se compraz em lhes fazer quanto eles pedirem. Por isso, Santo Agostinho, falando especialmente de São José, diz que os demais Santos, comparados em glória e poder com este glorioso Patriarca, não são mais do que pálidas estrelas em face do sol. E se isto afirma de São José, quanto mais o podia fazer de Sua Esposa e Rainha, Maria Santíssima? Assim é que outro piedoso escritor assegura que, em Maria e José pedindo a Jesus uma graça para seus devotos, a obtêm, por que o seu pedido tem antes o caráter de mandado, do que o de simples petição, em virtude da dignidade de Pais, de que gozam, para com Ele, e que no Céu conservam. Ditosas das famílias cristãs, a quem a Sagrada Família concede a Sua poderosa proteção. Felizes das almas, que merecem tal favor, por sua constante devoção a Jesus, Maria e José.

Meditação… Súplicas… e Gozos…
(como no primeiro dia)

Oração Jaculatória: Ó Jesus, manso e humilde de Coração, tornai o meu coração semelhante ao Vosso. (indulgenciada)

Obséquio: Prometerei a Jesus, Maria e José, invocar todos os dias da minha vida os Seus nomes Santíssimos, e recitar com frequência o

Ato de Consagração
das famílias cristãs à Sagrada Família

Ó meu Jesus e meu amabilíssimo Redentor, que, vindo iluminar o mundo com a Vossa doutrina e exemplos, quisestes passar a maior parte da Vossa vida mortal, obediente e submisso a Maria e a José, na humilde e pobre morada de Nazaré, santificando aquela Família, que devia ser o Modelo mais acabado das famílias cristãs, aceitai benigno esta nossa, que se Vos consagra agora e se Vos dedica. Protegei-a, amparai-a, defendei-a e comunicai-lhe o Vosso amor, e o santo temor de Deus; dai-lhe paz, concórdia e caridade cristã, para que possa, conformando-se com o divino Modelo, que na Vossa lhe destes, conseguir toda, sem exclusão de nenhum de seus membros, a Bem-aventurança eterna.

Ó Maria, Mãe amorosíssima de Jesus, e Mãe nossa, fazei aceitável perante Jesus, com a Vossa piedosa intercessão, esta nossa humilde oferta, e alcançai-nos as Suas graças e bênçãos.

Ó guarda Santíssimo de Jesus e de Maria, São José, ajudai-nos com as vossas súplicas, em todas as nossas necessidades espirituais e temporais, para que possamos, convosco e com Maria bendizer eternamente a Jesus, nosso divino Redentor.

EXEMPLO

Um Domingo pela manhã, apresentou-se num Convento de Redentoristas de N. um homem do povo; chamou um dos missionários e disse-lhe: “Padre, venho pedir a V. Rvma. o favor de cumprir agora a promessa que me fez há cinco anos.” - Que promessa? - “De benzer-me a minha casa, logo que estivesse concluída. Não se lembra V. Rvma. de que eu entrei aqui na Associação há cinco anos? Eu era dado à embriaguez, e por essa ocasião, fiz promessa de não tornar a beber mais licores e de empregar as minhas economias em construir uma casa. Vossa Reverendíssima animou-me a isso, muito, e disse-me: – Bem, muito bem, agora tendo entrado na Associação já não pode tornar a embriagar-se nem dar maus exemplos. Faça a sua casa e no dia em que a tiver concluída eu irei benzê-la. – A casa está feita, Padre, ontem à tarde pregou-se-lhe o último prego, e eu venho hoje pedir-lhe para ir benzê-la.” Perfeitamente, lhe tornou o Padre, e foi com o homem, e encontrou uma linda vivenda; benzeu-a e logo perguntou à família, toda reunida: Então, não estão contentes agora, não reconhecem como próspera quem se dedica a servir a Jesus, Maria e José?” Aquela pobre gente recordando-se do que em outros tempos havia sofrido, e como pela devoção à Sagrada Famílias havia conseguido a paz e concórdia, o bem espiritual e temporal, só respondeu com lágrimas de ternura, alegria e gratidão para com os seus celestiais Benfeitores. Assim, consola e presenteia a Sagrada Família aos seus devotos servos.

JACULATÓRIAS

Amado Jesus, Maria e José, o meu coração Vos dou e a minha alma.

Amado Jesus, Maria e José, assisti-me na última agonia.

Amado Jesus, Maria e José, expire em paz entre Vós a minha alma.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Novena em Honra da Sagrada Família (7º Dia)



Sétimo Dia

Ato preparatório, como nos dias antecedentes.

MEDITAÇÃO
A Sagrada Família Modelo de Trabalho

Considera, cristão, esse espetáculo admirável e divino, que aos olhos da nossa Fé oferece o interior da casa de Nazaré. Vê como este pobre artista, São José, trabalha todo o dia, para socorrer às necessidades mais urgentes da sua Família. Observa como a Santíssima Virgem Maria, cuja dignidade e perfeições só Deus pode avaliar, se dedica aos árduos cuidados de sua casa: olha para o Menino Jesus, em quem se acham reunidos todos os tesouros da ciência e sabedoria de Deus, como Ele se consagra, primeiramente a ajudar a Sua Mãe Santíssima nos trabalhos mais humildes; e depois, conforme o permitiam-Lhe a sua idade e forças, como Ele auxilia seu pai putativo nos labores da sua arte. Considera que, talvez, ou certissimamente, não haja espetáculo tão digno de tua atenção, como este: pois que, uma das obrigações, mais caída em desuso entre a gente abastada, é o trabalho. Adão em castigo de sua queda, foi condenado a comer o pão amassado com o suor de seu rosto: e a par da herança do Pecado Original transmitiu-nos a do castigo dele. Por isso, é que, com quanto nem todos tenham necessidade de trabalhar para viver, todos têm, contudo, de sujeitar-se ao trabalho, como castigo, imposto ao homem prevaricador. Quer Deus que todos trabalhemos; e, se quisermos ser do número dos escolhidos, devemos imitar a Jesus, Maria e José, que todos pelo trabalho se santificaram. – Devemos pois trabalhar, e, se quisermos que o trabalho sirva para nossa santificação, havemos de trabalhar como a Sagrada Família, isto é, há de o nosso trabalho ser honesto e feito com pureza de intenção, e, sobretudo, acompanhado da oração. Penetremos nos Corações de Jesus, Maria e José, e veremos, como no seu interior a oração acompanhava de contínuo o seu trabalho manual. Se se sentem cansados, bendizem a justiça de Deus, condenando o homem a regar a terra com o suor da sua fronte. Quando lhes encomendam alguma obra, bendizem a bondade de Deus, que assim lhes proporciona os meios de subsistência, e executam-na pronta e docilmente. São, sem dúvida alguma, talvez mal remunerados os seus trabalhos; pagam-lhes com ingratidões, e desdéns; mas eles tudo sofrem silenciosamente, para assim desagravarem a majestade de Deus, ofendida pelo pecado. Desta forma deves tu também entregar-te aos trabalhos e obrigações do teu estado. Imita os Anjos da Guarda, que sem se descuidarem de velar por nós, não deixam nem um instante de fixar seus olhos no Senhor; e assim, enquanto te ocupares nas coisas da terra, traze os teus olhos sempre fixos em Deus. Se assim não fizeres, o trabalho dissipará o teu espírito, e pouco a pouco te retrairá da oração e te afastará do caminho da virtude e da eterna vida.

Meditação… Súplicas… Gozos…
(como nos outros dias)

Oração Jaculatória: Bendita seja a Santa e Imaculada Conceição da Virgem Maria, Mãe de Deus. (Indulgenciada)

Obséquio: Para honrar a Sagrada Família, trabalharei, hoje especialmente, sem perder tempo, e acompanharei o meu trabalho com a oração.

ORAÇÃO

Ó adorável Menino que, por amor, quisestes sujeitar-Vos a trabalhar e suar numa pobre oficina, como o último dos artistas, fazei que eu trabalhe pelo Vosso Santo Amor, com assiduidade, paciência, espírito de oração, e reta intenção. Virgem Santíssima, que tiveste a dita de manter, com assíduos cuidados, a vida de Jesus, alcançai-nos, nós vo-lO pedimos, a graça de empregar bem a nossa vida no trabalho e na oração. Quão consolador, ó Chefe Augusto da Sagrada Família, São José, quão consolador e edificante é o espetáculo, que me oferece a Vossa pobre e humilde morada de Nazaré, mais formosa a meus olhos, do que os palácios dos reis. Lá reina a oração e o silêncio, a santificar o trabalho, tornando-a um verdadeiro Santuário de virtude e de paz. Quero ter-Vos por Modelo, ó amável Santo, e como Vós, trabalhar por amor do meu Deus, em união com Jesus e Maria.

EXEMPLO

Lê-se na vida da Venerável irmã Josefa Maria de Santa Inêz, que havia em Beniganim (Arcebispado de Valência), uma donzela mui devota da Sagrada Família de Nazaré, e cheia de caridade para com as Almas do Purgatório. Resolvera deixar o mundo e consagrar a sua vida ao Senhor. Neste intuito, fez a vestição do Hábito num Convento de religiosas descalças, de Santo Agostinho. Viu irmã Inêz, que Jesus Cristo, Senhor Nosso assistia a esta Cerimônia, acompanhado de Maria Santíssima, do Glorioso Patriarca São José, de Santa Teresa de Jesus, e de muitos outros Santos da corte celestial, prodigalizando à Noviça, abundantes e especialíssimos favores. Destes favores, diz a Venerável, participaram também as Almas do Purgatório, cujas penas sensíveis ficaram suspensas por todo aquele dia; muitas saíram daquele lugar e vieram até a sala, onde estava reunida a Comunidade, e ali permaneceram até ao fim do ato e depois subiram ao Céu, associando-se à celestial comitiva. Causou este acontecimento extraordinário gozo inexplicável ao coração da Serva de Deus, que ficou, como fora de si, dando graça ao Senhor por tão inefáveis benefícios.

JACULATÓRIAS

Amado Jesus, Maria e José, o meu coração Vos dou e a minha alma.

Amado Jesus, Maria e José, assisti-me na última agonia.

Amado Jesus, Maria e José, expire em paz entre Vós a minha alma.


Novena em Honra da Sagrada Família (6º Dia)



Sexto Dia

Atos preparatórios como no primeiro dia

MEDITAÇÃO

A Sagrada Família,
Modelo de Paz e Concórdia.

Consideremos o amor de São José, para com sua Santíssima Esposa. Era Ela a mais formosa entre todas as mulheres, a mais humilde, a mais obediente, a mais pura das almas, e a que Deus mais amou, acima de todos os homens e de todos os Anjos. Merecia, pois, que São José, que tanto amava a virtude, lhe dedicasse um amor extremo, superior a toda apreciação. A todos estes atrativos, juntemos ainda o do afeto, com que se via amado de Maria, que certíssimamente queria a seu Esposo mais do que a todas as outras criaturas. Por outro lado, considerava-A como a Amada do Senhor e a escolhida dentre todas, para ser a Mãe do Seu Unigênito Filho. Fácil será de conceber qual seria, por todos estes motivos, o afeto do coração justo, generoso e agradecido de São José para com sua castíssima Esposa. Consideremos, além disso, o amor de José e de Maria ao seu Jesus. Havendo-os Deus escolhido para servirem de Pais ao Seu Unigênito, lhes havia adornado os Corações com o amor paternal o mais acrisolado, qual convinha tivessem a semelhante Filho, tão amável e que era o próprio Deus. Não foi, pois, simplesmente natural o amor de José e de Maria, como os dos outros pais; mas foi sobrenatural, por isso, que viam numa só Pessoa reunidos o seu próprio Filho e o de Deus. Sabiam ser este Menino, que sempre os acompanhava, o próprio Verbo divino, incarnado por amor dos homens e particularmente por amor seu: que este adorável Infante por Si mesmo os havia a eles escolhido, dentre todos os homens, para serem seus Pais e Protetores de Sua vida terrena. Avaliemos, pois, se é possível, como todas estas considerações haviam de abrasar em incêndios de amor os Corações de José e de Maria, ao verem o seu divino Mestre, servindo como operário, abrindo ou fechando a oficina, serrando madeira, manejando a plaina ou o machado, juntando os cavacos e fragmentos, varrendo a casa, e obedecendo-lhes, numa palavra, em tudo quanto Lhe mandavam, e dependendo de sua autoridade em tudo quanto fazia.

De que terníssimos afetos não se inundariam os Corações de José e de Maria, quando tinham ao colo este amabilíssimo Menino, quando lhe prodigalizavam as suas carícias, ou dEle as recebiam! Quando ouviam sair de Seus lábios essas palavras de vida eterna, que eram outras tantas setas ardentes de amor divino, que lhes atravessavam e incendiavam as almas: e sobretudo, quando contemplavam os sublimes exemplos de virtude, que lhes dava o Seu divino Companheiro! Entre as pessoas que se amam acontece muitas vezes, que o amor se vai entibiando, à medida que se frequentam, porque, quanto mais se tratam e comunicam, melhor manifestam umas às outras os próprios defeitos. Não era, porém, assim com José e Maria; quanto mais tratavam com Jesus melhor lhe conheciam a santidade e as perfeições: e daqui se pode avaliar o grau de amor de Jesus, a que deviam ter chegado, gozando por tantos anos de Sua Companhia e familiaridade.

O adorável Menino correspondia, por seu turno, com um amor divino àqueles que tanto O amavam. Oh! Que admirável paz, que encendrada e mútua caridade reinava entre os membros da Sagrada Família de Nazaré.

Meditação… Súplica… e Gozos…
(como nos outros dias)

Oração Jaculatória: Doce Coração de Jesus, sede a minha salvação. (indulgenciada)

Obséquio: Por amor da Sagrada Família não direi hoje de ninguém coisa, que na sua presença não pudesse dizer, procurando observar sempre esta regra para o futuro, em meu procedimento com o próximo.

ORAÇÃO

Amado Jesus meu, que para expiar as minhas desobediências, quisestes humilhar-Vos até Vos sujeitardes a obedecer a um homem, concedei-me, pelos merecimentos desta obediência e submissão, prestada a São José, a graça de sempre ser no futuro obediente e sujeito a Vossa santíssima vontade: e pelo amor que lhe tivestes, e pelo que ele Vos consagrou, abrasai a minha alma num ardente amor para convosco, ó Bondade infinita, sumamente digna dos afetos de todos os corações. Esquecei, Senhor, todas as iniquidades, que contra Vós tenho praticado e usai de misericórdia comigo. Amo-Vos, ó meu Jesus, meu amor e meu Deus, e quero amar-Vos sempre, por toda a eternidade. E Vós, ó gloriosíssima Virgem Maria, pelo amor de São José para convosco, tomai-me debaixo da Vossa proteção, e suplicai ao Vosso santíssimo Esposo, que me aceite por seu servo.

Suplico-Vos também, ó glorioso São José, por esse paternal coração, de que Deus vos dotou para com Seu Filho, e pelo Coração deste Filho para convosco, que vos interesseis especialmente na santificação da minha alma. Fazei-me humilde, dai-me espírito de oração, e enchei o meu coração do amor mais generoso para com Jesus e Maria, para que, imitando as vossas virtudes, cá na terra, possa chegar um dia a possuir, a felicidade dos Bem-aventurados lá no Céu.

EXEMPLO

A Venerável sóror Margarida, religiosa carmelita, alimentava uma devoção tão viva, terna e constante, para com a Sagrada Família, que por sua intercessão obteve de Deus a graça de ser purificada de toda a mancha de pecado. Em ação de graças, por tão insigne favor, fez a Venerável, quanto pôde para inspirar a todos aqueles, sobre quem exercia alguma influência, a mesma confiança e devoção terna. Não se deixou, porém, a Sagrada Família vencer em generosidade, e a serva de Deus teve a dita de ser visitada por São José, acompanhado de Jesus e de Maria, nos últimos momentos da sua vida, em recompensa do seu zelo. A sua morte foi a mais doce e consoladora que se pode imaginar. Referem os seus biógrafos que, havendo-se-lhe extraído, depois da morte, o coração, se lhe encontraram gravados os Santíssimos nomes de Jesus, Maria e José.

JACULATÓRIAS

Amado Jesus, Maria e José, o meu coração Vos dou e a minha alma.

Amado Jesus, Maria e José, assisti-me na última agonia.

Amado Jesus, Maria e José, expire em paz entre Vós a minha alma.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Novena em Honra da Sagrada Família (5º Dia)



Quinto Dia

Atos preparatórios, como no primeiro dia.

MEDITAÇÃO
A Vida Íntima da Sagrada Família

Consideremos como Jesus, depois de encontrado no Templo por Maria e José, voltou com eles à Sua casa de Nazaré, e aí viveu até a morte deste santo Patriarca, obedecendo-lhe como a Seu Pai. É inteiramente digna de admiração a santidade de vida a que se elevou São José ao lado de Jesus e de Maria. Não se ocupava esta Santa Família senão em procurar em tudo a maior glória de Deus: todas as conversações versavam sobre o amor que os homens deviam a Deus, e sobre o amor que Deus havia manifestado para com os homens, especialmente na missão de seu Unigênito Filho à terra, para viver e morrer num pélago imenso de dores e opróbrios, pela salvação do Gênero Humano. Que abundância de sentidas lágrimas não acompanhariam os colóquios de Maria e José, conhecedores, como estavam, das Sagradas Escrituras, quando na presença de Jesus, se entretinham à cerca da Sua Paixão e Morte! Com quanta ternura não diriam um ao outro, que o seu Jesus querido havia de ser, conforme as predições de Isaías, o Homem de Dores e de Opróbrios; que os seus inimigos por tal forma O haviam de desfigurar, que nem um só traço lhe deixariam da Sua beleza e perfeição; que Suas carnes haviam de ser de tal modo rasgadas e dilaceradas pelos açoites, que o Seu Corpo se assemelharia ao de um leproso, todo coberto de sangrentas Chagas; que o Seu caro Jesus, tudo havia de sofrer com admirável paciência, sem abrir os lábios numa só queixa contra tantos impropérios e afrontas, e se havia de deixar conduzir ao altar do sacrifício, qual manso cordeiro; e que, por fim, cravado num madeiro infame, entre dois ladrões, havia de exalar o último suspiro no mais acerbo de todos os tormentos. Que sentimentos de compaixão e de amor não fariam brotar em seus Corações estes e semelhantes colóquios.

Medita-se… faz-se a petição… Gozos…
(como no primeiro dia)

Oração Jaculatória: Meu Jesus, misericórdia. (indulgenciada)

Obséquio: Praticarei neste dia, por amor da Sagrada Família, algum ato de caridade para com o próximo.

ORAÇÃO

Ó meu dulcíssimo Jesus, que tantos tormentos quisestes padecer por mim, até dar a própria vida, fazei que nunca me esqueça de tanto amor. A Vossa morte, ó meu Salvador, é a minha esperança: creio que Vos haveis sacrificado por meu amor, e espero alcançar, pelos Vossos infinitos merecimentos, a salvação da minha alma. Amo-Vos sobre todas as coisas, mais do que a mim mesmo, e de todo o meu coração; e, porque assim Vos amo, estou pronto a sofrer tudo o que for do Vosso agrado. Tenho pela maior desgraça o haver-Vos ofendido, e disso me pesa de todo o meu coração. Eu só desejo agradar-Vos, ó meu supremo Bem! Ajudai-me, Senhor, e não permitais que eu torne a cair na desgraça de separar-me de Vós. E Vós, ó Maria, pelo muito, que padeceste em Jerusalém, ao considerar os tormentos e morte de Vosso amabilíssimo Filho, alcançai-me dEle uma intensa dor de todos os meus pecados. Ó Santo e glorioso Patriarca, pelas lágrimas, que derramaste, ao contemplar, diante mão, a dolorosa Paixão do Vosso Jesus, alcançai-me uma contínua e terna lembrança dos sofrimentos do meu amantíssimo Redentor: e pelas chamas do santo amor em que se inflamava o Vosso Coração, à vista daqueles sofrimentos, comunicai à minha alma, que tanto contribuiu, com seus pecados, para exacerbar as dores do Coração de Jesus, uma faísca, ao menos, dessas chamas amorosas.

EXEMPLO

Esmerava-se o Padre Lallemant da Companhia de Jesus, em fomentar em si a perfeição da vida interior, e nada encontrou, mais adaptado ao seu intento, do que o pensar de contínuo na Sagrada Família de Nazaré; e assim costumava praticar com frequência os três devotos exercícios seguintes:

Considerava as disposições e afetos de São José para com a pessoa de seu divino Salvador e adorável Companheiro, e, comparando depois estas disposições com as do seu próprio Coração, tirava daí motivos para se humilhar e pedir ao Santo que o ajudasse a imitar a sua vida interior;

Refletia nas disposições do Santo para com sua virginal Esposa, Maria Santíssima, e a derramar o seu Coração em fervorosas preces;

Por último, lembrava-se de como São José, na Companhia de Jesus e de Maria, sabia aliar as ocupações da vida interior com as externas. Não é, pois, de estranhar que, formado em tão sublime escola, o devoto religioso tenha chegado a ser mestre consumado da vida espiritual.

JACULATÓRIAS

Amado Jesus, Maria e José, o meu coração Vos dou e a minha alma.

Amado Jesus, Maria e José, assisti-me na última agonia.

Amado Jesus, Maria e José, expire em paz entre Vós a minha alma.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Novena em Honra da Sagrada Família (4º Dia)


Quarto Dia

Ato de Contrição e Oração Preparatória, como no primeiro dia.

MEDITAÇÃO
O Menino Jesus Perdido, e Achado no Templo

Chegara o tempo de deixar o Egito: o Anjo apareceu de novo a São José, e comunicou-lhe a ordem de voltar à Judeia com o Menino e Sua Mãe. Observa São Boaventura, que esta viagem foi ainda muito mais angustiosa do que a primeira: Jesus, na idade de doze anos, era já muito crescido para ser transportado ao colo, mas ainda era demasiado pequeno para fazer tão longa jornada por suas próprias pernas: de forma que muitas vezes tinha o amável Menino de parar, sentar-se em terra, e descansar.

Consideremos qual não devia ser a aflição experimentada por José e por Maria, quando Jesus se perdeu deles por ocasião da visita que todos fizeram ao Templo. Quão grande não havia de ser a dor de São José, que estava habituado a gozar da visão e da companhia do Seu divino Salvador, ao ver-se separado dEle durante três dias, sem saber se O tornaria a encontrar, e sem poder descobrir a causa do seu desaparecimento. Era esta última circunstância, a que mais vivamente o afligia, por que o Santo Patriarca, em sua profunda humildade, temia que Jesus, talvez em consequência de alguma falta da sua parte, houvesse tomado a resolução de não continuar a viver com ele, não o julgando digno da Sua companhia, nem da honra de ter sob a sua custódia semelhante Tesouro. Em verdade o temor de haver desagradado a Deus, deve ser a maior angústia de uma alma que dEle tem feito o único objeto do seu amor. Foi por isso, que durante estes três dias, nem José, nem Maria puderam conciliar o sono; e não fizeram senão chorar, procurando sem descanso o seu Amado, como Lhe disse a Santíssima Virgem ao encontrá-lO: Filho, por que é que nos fizeste isto? Teu Pai e eu temos-Te procurado, cheios de angústia e de aflição.” Assim como, porém, foi grande a aflição e a dor de suas almas na perda de Jesus, assim foi também inefável o gozo e a alegria de São José e da Senhora ao encontrá-lO, e ao saber que a causa desta separação não fora nenhuma falta sua, senão o zelo do Filho de Deus em promover a glória de Seu Eterno Pai.

Meditação… Petição… e Gozos…
(como no primeiro dia)

Oração Preparatória: Doce Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que Vos ame cada vez mais (indulgenciada).

Obséquio: Por amor de Jesus, Maria e José conferssar-me-ei durante esta Novena, como se fosse a última vez da minha vida.

ORAÇÃO

Se ainda não me haveis perdoado, ó meu Jesus, concede-me hoje mesmo o perdão de minhas culpas: eu as detesto, e aborreço de todo o meu coração os pecados com que Vos tenho ofendido, e desejaria morrer de dor por tê-los cometido. Eu Vos amo, ó adorável Menino, e porque Vos amo, prefiro o Vosso amor e a Vossa graça a todos os reinos do mundo; auxiliai-me, ó meu Jesus e fazei que sempre Vos ame, e nunca mais Vos torne a ofender. E Vós, ó Maria, minha Mãe, e refúgio dos pecadores, tende compaixão de mim e não me abandoneis. Se é verdade que até agora tenho ofendido ao Vosso divino Filho, eu me arrependo de todo o meu coração, e daqui para o futuro, antes quero perder mil vidas, do que tornar a perder uma só vez a sua graça e amizade: alcançai-me dEle o perdão, e a graça da perseverança final. Vós chorais, ó glorioso Patriarca, a perda, de Jesus, mas sempre O haveis amado, e Ele sempre Vos amou a vós, e amou-Vos a ponto de Vos escolher para seu Pai putativo e guarda de Sua vida. Era eu quem devia chorar, eu que por amor das criaturas, por um simples capricho meu, tantas vezes abandonei e perdi o meu Deus, menosprezando a Sua graça. Ó grande e glorioso Santo, pela aflição e angústia que vos causou a perda de Jesus, alcançai-me lágrimas, com que chore constantemente as injúrias que fiz ao meu divino Senhor: e pelo gozo e alegria que tiveste ao encontrá-lO no Templo, obtende-me, eu vo-lo peço, a felicidade de O encontrar também, fazendo entrar em minha alma a Sua graça, para nunca mais a perder.

EXEMPLO

Adoecera uma senhora tão gravemente, que, esgotados todos os recursos da ciência, os médicos declararam inúteis todos os remédios para a curar. Não perdeu, contudo, a enferma a sua esperança, e principiou uma Novena em honra da Sagrada Família: e apenas lhe tinha dado princípio, logo começou a sentir melhoras. Poucos dias depois, aquela, que não podia nem sequer mover-se no leito, já se achava bastante forte, para andar sem auxílio de ninguém, sendo tão repentina e radical a mudança, operada em sua saúde, que o mesmo médico não pôde deixar de exclamar: “Eu, por mim, não tenho parte nenhuma nesta cura, foi a Sagrada Família quem somente a operou.” Recorram pois a Jesus, Maria e José os que perderem a saúde do corpo; mas recorram a Eles, sobretudo, os que houverem perdido a saúde e a vida da alma, perdendo a graça e a amizade de Deus.

JACULATÓRIAS

Amado Jesus, Maria e José, o meu coração Vos dou e a minha alma.

Amado Jesus, Maria e José, assisti-me na última agonia.

Amado Jesus, Maria e José, expire em paz entre Vós a minha alma.

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