Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 20 de novembro de 2018

"Conhecereis a Verdade" (Jo. 8, 32).



A Vida Exterior de Jesus e o seu Plano





1. A Vida exterior de Jesus – Divide-se em duas partes: a) na primeira foi operário até à idade de 30 anos; b) na segunda foi mestre cerca de 3 anos. Em ambas estas fases, excetuando as manifestações milagrosas dos últimos anos, foi a sua vida exterior, semelhantíssima à vida humana ordinária, sujeito como este a todos os acontecimentos ordinários, ora alegres, ora adversos, como costuma acontecer na vida dos homens.



Nasceu em Belém, na Judeia, onde, casualmente se achou sua Mãe, por motivo do recenseamento da população, ordenado por César Augusto.



Ainda menino, foi perseguido por Herodes o Grande, fugindo seus pais com Ele para o Egito, por alguns anos. Voltando e tornando-se adulto, trabalhou na oficina de seu pai putativo, em Nazaré na Galileia, pátria de sua Mãe. Todos os anos, como se presume, ia com seus pais a Jerusalém.



Começando a vida do Magistério aos 30 anos, ia de vila em vila ensinar nas sinagogas, como costumava fazer também os outros mestres hebreus. No início de sua pregação assistiu a um banquete nupcial, em companhia de sua Mãe e de alguns de seus Discípulos e amigos. A princípio dirigiu-se a Jerusalém, centro religioso dos hebreus; mas, perseguido pela inveja da escola farisaica, voltou atrás e escolheu para centro das suas excursões Cafarnaum, junto do lago da Galileia, lugar oportuno para Judeus e Gentios. Não deixou, porém, de fazer frequentes viagens a Jerusalém. Aceitava hospedagem dos bons e às vezes mesmo dos Fariseus, seus inimigos, para ter ocasião de os instruir. Ensinava por toda a parte, mesmo fora das sinagogas: nas praças, nos campos, na margem do lago e até dentro de um barco, onde certa ocasião foi surpreendido pelo sono durante uma tempestade.



Foi amigo íntimo da família de Lázaro, em cuja casa de bom grado descansava dos seus trabalhos e onde Marta era solicita em preparar-lhe algum alimento, ao passo que Maria sentava-se perto dEle, desejosa de Lhe ouvir os ensinamentos. Numa viagem pela Samaria, cansado e cheio de sede, descansou junto de um poço e pediu de beber a uma Samaritana, aproveitando a ocasião para a instruir. Finalmente, crescendo a perseguição dos seus inimigos, Pilatos, governador romano, instigado pelos chefes dos Judeus, embora tivesse por muitas vezes reconhecido a Sua inocência, por fraqueza, condenou-O à morte.



2. O Plano de Sua obra – Jesus Cristo nos seus ensinamentos repetia com frequência que havia sido mandado por Deus para fazer uma Nova Aliança com os homens, reconciliá-los com Ele, torná-los seus filhos adotivos (João 1, 18) e reuni-los numa grande e única Família, obediente a Ele. Dizia em suma, que viera fundar uma nova Sociedade Religiosa, universal e extensa como o gênero humano. Escolheu para isso Doze homens, aos quais instruiu de modo especial e revelou os seus segredos. Eles, porém, estavam ao princípio, cheios de prevenções e não compreendiam bem de que se tratava. Quantas vezes lhes falou Jesus do Novo Reino, ora manifestamente, ora de modo velado! Disse-lhes (pois que os mais deles eram pescadores) que queria fazê-los pescadores de homens, que seriam a luz do mundo e suas testemunhas até aos confins da terra.







Vida Interior de Jesus



Preâmbulo – Na história narra-se a vida de alguns homens que foram chamados grandes; mas infelizmente a sua grandeza consistia muitas vezes em algum vício favorecido pela fortuna, como a ambição ou a vingança, ou mesmo em algum dote natural, como a força, o talento. A verdadeira grandeza, porém, não está nas qualidades exteriores, nem no bom êxito das empresas, mas sim: – 1º nas qualidades da mente e do coração; 2º nestas qualidades bem equilibradas entre si; – 3º nestas qualidades atuadas por meios que a natureza dá a todos.



Jesus Cristo é verdadeiramente grande, com esta soberana grandeza: é para todos, ou sejam grandes, ou sejam pequenos; é um protótipo único no mundo. E posto que exteriormente tenha tomado a condição dos humildes e dos operários, contudo a Sua vida interior resplandece de uma beleza maravilhosa. Basta examinar as Suas relações com Deus, com os homens e consigo mesmo: três pontos de que depende a verdadeira grandeza.



Para com Deus



Sumo respeito. Por exemplo no jardim das oliveiras…; nas respostas ao Tentador…; na resposta que deu a São Pedro: “Retira-te Satanás…”; nas respostas que deu a Seus pais: “Não sabíeis…?” Obediência. “O meu alimento...” “Não se faça a minha vontade” – Amor ao Pai. “Meu Deus, por que me abandonaste?” “Pai, nas tuas mãos...” Honra ao Pai. “A minha doutrina não é minha...” “O Pai dá testemunho de mim”. – Oração. Retirava-se a rezar sobre os outeiros… Orou antes do Batismo…, antes da escolha dos Apóstolos, etc.



Para com o próximo



Amor e beneficência. Corria de aldeia em aldeia para instruir… curava os enfermos… Uma vez descobriram um telhado, porque a multidão… A hemorroíssa… A cananeia. – E principalmente para com os pecadores. Exemplo da adúltera… de Maria Madalena… de Zaqueu. – Para com os inimigos. Aceitava-lhes a hospitalidade…; curou a orelha de Malco… censurou os Apóstolos: “Filhos do trovão”. - Para com as crianças. Acariciava-as e abençoava-as…; repreendeu os Apóstolos que as repeliam. – O povo ficava encantado com as Suas palavras. Uma vez ficou este três dias sem comer; os próprios beleguins, mandados para prendê-lo, ficaram cativos da Sua bondade.– Preceito da caridade. A parábola do Samaritano.



Para consigo mesmo



– Jesus Cristo não se fez centro e objeto das Suas ações, mas atribuiu-as a Deus. Ora, como a vida tem prazeres e dores, Ele dos prazeres só gozou, quando redundavam em glória de Deus, só logrou pouquíssimos. Quanto às dores: primeiro, sofreu-as com paciência, e tantas quantas aprouve ao Pai enviar-lhe; segundo, aos prazeres preferiu as dores, porque estas nos aproximam de Deus. Assim é que não havia nEle ambições de honras nem de riquezas; antes fugiu, quando o povo O quis proclamar Rei.



Outras Insignes Qualidades de Jesus Cristo



1. Paciência e Mansidão (diziam-lhe que não havia estudado… chamaram-no endemoniado… sedutor…; muitas vezes devia alterar as Suas viagens, pelas insídias que lhe armavam…; perdoava aos inimigos e os desculpava).



2. Não se queixava de Deus (a alçada da Sua missão era restrita, o efeito muito reduzido – ficar na oficina até os 30 anos).



3. Não usou do poder em Seu favor. Repreendeu a Pedro que à força se opunha à Sua prisão.



4. Sentia todos os afetos humanos. Por exemplo na morte de Lázaro… A amargura por ser atraiçoado por Judas…; a tristeza no jardim das oliveiras…; a terna amizade que dedicava à família de Lázaro.



5. Fidelidade na Sua missão. Resposta à Sua Mãe e à Cananeia.



6. Coração magnânimo. Repreendeu os Apóstolos por quererem que um tal não fizesse milagres.



7. Inteligência perspicaz. No caso da adúltera… da moeda de César…; da mulher curvada…; dos Fariseus que lhe perguntavam com que poder expulsava os profanadores…; do tributo ao templo.



8. Franqueza. No jantar em casa do Fariseu…; com Marta…; quando alguns queriam abandoná-lO… perante o Sinédrio.



9. Ódio a hipocrisia. “Sepulcros branqueados...”.



10. Prezava a virtude, a fé. Centurião…; A Cananeia…; as moedas da viúva.



11. Modo de ensinar. Simples, mas com autoridade, afirmando e não argumentando ou deduzindo. Ensinava com majestade e decisão, com facilidade e naturalidade, os mais profundos mistérios. Doutrinava por toda a parte: nas ruas, nos campos, nas margens do lago, nos outeiros, servindo-se das semelhanças mais óbvias, como da vida doméstica, dos rebanhos, da vermelhidão do ocaso, da pesca, da mulher que perde uma moeda, dos obreiros que vão à vinha.



12. Equilíbrio de todas as virtudes. As Suas virtudes estavam todas equilibradas de forma, que uma não sobrepujava a outra. Era grave, sem altivez nem dureza (Mat. 9, 15; 19, 21; Jo. 17, 15); modesto, sem afetação (Luc. 7, 38; Jo. 1, 42); resignado, sem abatimento (Mat. 26, 46; Jo. 16, 32); indignava-se, quando convinha, sem cólera (Mat. 23, 2; 9, 37; Luc. 4, 27; 19, 41; Jo. 6, 27); firme, sem obstinação (Mat. 12, 15); afetuoso, sem fraqueza (Mat. 16, 23; 17, 19; 20, 22); inspirava veneração e confiança (Luc. 10, 28; Jo. 4, 27; 21, 22); a Sua linguagem e a Sua fisionomia, tinham uma nobreza e um encanto que atraiam os povos (Mat. 7, 28; Luc. 2, 47; 4, 22; 7, 16; 10, 26; Jo. 7, 46; 8, 23; 13, 13; 18, 21).



Conclusão



Depois de tudo isto, já se sente no espírito um forte pressentimento de que Jesus Cristo deva ser o verdadeiro Enviado de Deus.





Fonte: Pe. Eugênio Polidori, S.J., “Curso de Religião”, 2ª Edição brasileira, 1ª Parte, Cap. III, Questão XI e XII, pp. 80-86; Livraria Salesiana Editora, S. Paulo/SP, 1915.

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