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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Coração Aflito de Jesus, Vítima Universal



Assim como todas as águas vão lançar-se no mar, assim todas as aflições se reuniram no Coração de Jesus. Ele as aceitou com o mais sublime devotamento, impelido por Seu amor para conosco, amor que chegou ao excesso e, perdoem-nos a expressão, à loucura: pois, não é uma loucura de amor da parte de Deus, ter querido se carregar de todas as iniquidades do mundo, a fim de sofrer o castigo delas?

Jesus Cristo sabia que todos os sacrifícios dos animais, oferecidos a Deus no passado, não tinham podido satisfazer pelos pecados dos homens, mas que era necessária uma Pessoa Divina para pagar o preço da Redenção: que fez? Ofereceu-Se à Seu Pai, para aplacar Sua ira e obter nosso perdão. Dois caminhos, então, apresentavam-se ante Ele, um, de prazer e glória, outro, de padecimentos e opróbrios; qual deles foi escolhido? Como Ele queria não só nos resgatar da morte, mas ainda conseguir o amor de nossos corações, renunciou ao prazer e à glória, e escolheu os padecimentos e opróbrios.[1] Assim é que este amável Senhor, sem ser obrigado, tomou sobre Si todas as nossas dividas, como claramente se exprime o Profeta Isaías: Vere languores nostros ipse tulit - Verdadeiramente Ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas.[2]

Eis que, então, o Coração de Jesus, a Inocência, a Pureza, a Santidade mesma, é carregado de todas as blasfêmias, de todas as torpezas, de todos os sacrilégios, de todos os roubos, de todas as impurezas e de todos os crimes dos homens; ei-Lo tornado, por nosso amor, objeto das maldições divinas, por causa de nossos pecados pelos quais Se obrigou a satisfazer à eterna Justiça; ei-Lo carregado de tantas maldições quantos pecados mortais foram, são e serão cometidos sobre a Terra. Neste estado é que Ele se apresenta a Seu Pai, como culpado e responsável por todos os nossos crimes, e Deus, Seu Pai, O condena por isso a padecer morte infame da cruz. Então, foi que nosso Salvador se prostrou com a Face por terra,[3] como se tivesse vergonha de levantar os olhos para o Céu, vendo-se carregado de tantas iniquidades. Então, foi que Ele experimentou aquela imensa angústia que lhe fez dizer: Minha Alma está triste até a morte.[4] Ó Pai eterno, como podeis ver Vosso Filho amadíssimo em tão grande aflição? Bem sei, diz o Padre eterno, que Meu Filho é inocente, mas, pois que Ele se encarregou de satisfazer à Minha Justiça por todos os pecados dos homens, convém que Eu O abandone a todas às aflições que esses pecados merecem: Eu O feri por causa da iniquidade de Meu Povo.[5]

Ó caridade incomparável do Coração de Jesus! Ele, nosso Deus, fez-Se nosso Fiador, obrigando-Se a pagar nossas dividas, segundo a bela expressão do Apóstolo;[6] e, depois de ter satisfeito por nós, prometeu-Nos da parte de Deus a Vida Eterna. Também o Eclesiástico nos recomendou, há muitos séculos, nunca nos esquecermos do benefício que devemos a Este Celeste Fiador,[7] que quis padecer tanto para nos obter a salvação.

Ó caridade infinita do Coração de Jesus! Os médicos fazem todos os esforços para curarem o enfermo por quem se interessam. Mas, qual é o médico que toma sobre si a enfermidade de outrem, para o curar? Jesus Cristo é o único Médico que tomou sobre Si nossas enfermidades para as curar. O Verbo Divino não quis enviar outrem para fazer este misericordioso ofício; Ele mesmo se dignou vir, para ganhar todo nosso amor.

Ó caridade verdadeiramente divina do Coração de Jesus! Ele não se contentou de oferecer à Justiça Divina uma satisfação suficiente, quis que ela fosse superabundante; digo superabundante, porque, para nos resgatar, uma simples súplica do Homem Deus bastava; mas, o que era suficiente, não satisfazia o Coração mais amante que tem havido e pode haver.

Ó caridade verdadeiramente inefável e inaudita do Coração de Jesus, Vós nos obrigais a pormos em Vós confiança sem limites, pois nada pode nos perturbar tanto, quanto Vós nos podeis sossegar. Cerquem-me os pecados que tenho cometido, apertem-me os temores do futuro, armem laços contra mim os Demônios; se peço misericórdia a Jesus Cristo que me consagrou Seu Amor até morrer por mim, não posso perder a confiança. Como, com efeito, poderia me abandonar o Deus, que por amor de mim se entregou à morte? Ò Coração de Jesus, Vós sois o Porto Seguro daqueles que, na tempestade, recorrem a Vós! Ó Pastor vigilante, é errar, não esperar em Vós, uma vez que se tenha vontade séria de se corrigir. Vós dissestes: “Sou Eu, não temais, Sou Eu que aflijo e consolo. Eu envio algumas vezes a Meus servos tribulações que se assemelham com o Inferno; mas, não tardo em os livrar delas e consolá-los.

 

Eu Sou vosso Advogado: vossa causa é Minha. Eu Sou vossa caução: vim pagar vossas dividas. Sou vosso Salvador: resgatei-Vos com o Meu Sangue, não para vos abandonar, mas para vos enriquecer, tendo vós Me custado tão alto preço.

Como fugirei de quem Me busca, Eu que saí ao encontro daqueles que queriam me ultrajar? Eu não voltei Meu rosto daqueles que Me feriam; voltá-lo-ei daquele que quer Me adorar? Como Meus filhos podem duvidar que os amo, vendo-Me entre as mãos de Meus inimigos por seu amor? Já Me viram desprezar aquele que Me deu seu amor, ou aquele que implorava Meu socorro? Eu chego ao ponto de ir à procura de quem não Me busca”.


Prática

Minha confiança no Coração de Jesus será sem limites, pois o amor que Ele me tem, é sem limites. Venham perseguições, securas, escrúpulos, tentações, temores de perder-me, direi sempre com o Salmista: Ponho, Senhor, minha alma entre vossas Mãos; confio plenamente em Vós, porque me resgatastes.[8]

Afetos e Súplicas


Meus Jesus, se Deus Vos carregou de todos os pecados dos homens,[9] com que peso não aumentei pelos meus a Cruz que levastes até ao Calvário? Ah! Meu terno Salvador, Vós  víeis já, então, as injúrias que eu vos havia de fazer: apesar disto, não deixastes de amar-me e preparar-me estas grandes misericórdias, de que me cumulastes depois. Se, então, vos tenho sido tão caro, eu, o mais vil e ingrato dos pecadores, que tanto Vos ofendi, justo é que, a vosso turno, Vós me sejais caro, ó meu Deus, Bondade e Beleza infinitas. Ah! Oxalá nunca Vos houvesse contristado! Agora, meu Jesus, vejo toda a indignidade de meu procedimento. Malditos pecados, enchestes de amargura o Coração tão terno e amante do meu Redentor! Perdoai-Me, meu Jesus, arrependo-me de Vos ter ofendido: no futuro sereis o único objeto de meu amor. Ó Amabilidade infinita, eu Vos amo de todo o meu coração, resolvido a não amar mais senão a Vós. Senhor, com Santo Inácio Vos digo: Dai-Me vossa Graça e vosso Amor, e satisfeito fico.

Oração Jaculatória

Cordeiro sem mancha, tantos padecimentos que sofrestes por mim, não fiquem perdidos!

Exemplo

Joaquim Gaudiello, irmão leigo da Congregação do Santíssimo Redentor, foi toda a sua vida ardente amigo da cruz, o que o tornou singularmente caro ao Coração generoso de Jesus.

Quando ele se resolveu a ser religioso, perguntaram-lhe porque queria abraçar condição tão humilde: “É porque, respondeu ele, quero com o desprezo do mundo seguir a Jesus Cristo vilipendiado e desprezado”. Joaquim não cessou de fazer a seu corpo guerra cruel, sujeitando-o à mortificação e ao trabalho, e, o que é digno dos maiores elogios, soube unir os trabalhos manuais com o mais alto espírito de oração. Recorria a Deus em todas as suas necessidades, “porque Ele é meu Pai, dizia, a Ele recorro como filho Seu”. Jesus no Santíssimo Sacramento tinha absorvido seu coração; ele vivia tão ávido da Santa Comunhão, que lhe permitiram fazê-la todos os dias. Em seus momentos de lazer, recolhia-se à igreja para derramar seu coração no Coração do amável Jesus. Como Jesus era toda a sua glória, Joaquim não tinha em conta alguma as vaidades do mundo, e punha toda a sua felicidade nas humilhações e nos desprezos. “Que é o mundo, costumava dizer, ainda às mais altas personagens, que é o mundo senão uma sombra, um fumo, mas, fumo do Inferno?” Apenas na idade de 22 anos, enfermou-se, e dessa doença morreu. Interrogado como passava no leito de dores: “contemplo no meu espelho”, respondeu mostrando o crucifixo. Seu amor dos padecimentos e sua conformidade com a vontade de Deus eram verdadeiramente admiráveis. A um padre que lhe perguntou certo dia, quando ele queria ir para o Céu, respondeu todo alegre: “Quero ir, quando meu Jesus o quiser”. Seu amor ao Santíssimo Sacramento era tão terno, que parecia transformá-lo em serafim, quando diante do tabernáculo. Um dia num transporte de amor, ele disse ao padre Mazzini: “Tomai um cutelo, abri meu peito, tirai meu coração e colocai-o no tabernáculo junto do Santíssimo Sacramento”. Sua tristeza era não poder morrer crucificado como Jesus Cristo. Dizia-se-lhe, para o consolar, que seu leito era uma cruz: “Não, respondia gemendo, não é cruz para mim, porque sou fortificado por Jesus crucificado e consolado nas amarguras”. Puseram diante dele uma pequena estátua de Jesus atado à coluna; apenas a viu, desfez-se em lágrimas, e disse suspirando: “Ai! Não poder eu tornar-me semelhante a Vós, ó meu Jesus flagelado por mim! Enviai-me padecimentos e chagas, ó meu Salvador!” Sentindo que a morte se aproximava, ele testemunhou desejo de receber a Extrema Unção, dizendo: “É a última consolação que Jesus Cristo nos deixou na Sua bondade”. Depois de ter recebido a Santa Comunhão, ficou arrebatado fora de si; sua figura assumiu ar angélico, e todo o dia ele ficou neste estado sobrenatural. Pela tarde, perguntaram-lhe como estava: “Eu sinto, disse, Jesus no meu coração”. Na véspera de sua morte, exclamava em celeste transporte: “Paraíso! Paraíso!” Sendo o primeiro redentorista que morria, ele dizia a seus irmãos, por último adeus, estas luminosas palavras: “Eu sou o porta-estandarte!” Sua agonia foi um ato ininterrupto de amor, e ele expirou pronunciando os Santos Nomes de Jesus e Maria, em 1741. O Senhor se dignou manifestar, por diversos prodígios, a santidade de Seu servo. Santo Afonso lhe chamava “moço dotado de todas as virtudes”.

Fonte: “O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório...”, pelo Pe. Saint-Omer, CSsR, Cap. “Hora Santa de Março”, pp. 218-225; 5ª Edição, Tipografia de Frederico Pustet, Ratisbona, 1926.

*Tradução Portuguesa feita da 83ª Edição, pelo Exmo. Revmo. Sr. D. Joaquim Silvério de Souza, Arcebispo de Diamantina.  


[1]   Hebr. 12, 2.
[2]   Is. 53, 4.
[3]   S. Mat. 26, 39.
[4]   S. Mat. 26, 37-38.
[5]   Is. 53, 8.
[6]   Heb. 7, 22.
[7]   Eclo. 29, 20.
[8]   Salm. 30, 6.
[9]   Is. 53, 6.

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