Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 31 de março de 2017

Ninguém Deveria Perseguir Meus Sacerdotes por Causa de seus Defeitos



O respeito devido aos Sacerdotes

Filha querida, ao manifestar-te a grande virtude daqueles Pastores, quero colocar em evidência a dignidade dos Meus ministros. Pelo pecado de Adão, as portas da eternidade fecharam-se, mas o Meu Filho abriu-as com a chave do seu Sangue. Ao sofrer a Paixão e Morte, Ele destruiu vossa morte e vos lavou no Sangue. Sim, foram seu Sangue e sua Morte que, em virtude da união da natureza divina com a humana, deram acesso ao Céu. E a quem deixou Cristo tal chave? Ao Apóstolo Pedro e a seus Sucessores, os que vieram e que virão depois dele até o dia do Juízo Final. Todos possuem a mesma autoridade de Pedro; nenhum pecado a diminui, do mesmo modo que não destrói a santidade do Sangue de Cristo e dos Sacramentos. Já disse, que o sol eucarístico não tem manchas e que o mal cometido por quem O administra ou recebe não apaga sua luz. Não, o pecado não danifica os Sacramentos da Santa Igreja, não lhes diminui a força; prejudica a graça e aumenta a culpa somente em quem os ministra ou recebe indignamente.

Visão sobre o Papa

Na terra, quem possui a chave do Sangue é o Cristo-na-terra.1 Certa vez Eu te manifestei essa verdade numa visão, para indicar o grande respeito que os leigos devem ter pelos ministros, bons ou maus que eles sejam, e quanto Me desagrada que alguém os ofenda. Pus diante de ti a Hierarquia da Igreja sob a figura de uma despensa contendo o Sangue de meu Filho. No Sangue estava a virtude de todos os Sacramentos e a vida dos fiéis. À porta daquela despensa, vias o Cristo-na-terra, encarregado de distribuir o Sangue e fazer-se ajudar por outros no serviço de toda a Santa Igreja. Quem ele escolhia e ungia, logo se tornava ministro. Dele procedia toda a Ordem Clerical; ele dava a cada um sua função no ministério do glorioso Sangue. E como dispunha dos seus auxiliares, possuía a força de corrigi-los nos seus defeitos.

De fato, é assim que Eu quero que aconteça. Pela dignidade e autoridade confiada a meus ministros, retirei-os de qualquer sujeição aos poderes civis. A lei civil não tem poder legal para puni-los; somente o possui aquele que foi posto como Senhor e Ministro da Lei Divina.

Não perseguir os Sacerdotes

Os ministros são ungidos Meus. A respeito deles diz a Escrituras: “Não toqueis nos meus cristos”.2 Quem os punir cairá na maior infelicidade. Se Me perguntares, por que a culpa dos perseguidores da Santa Igreja é a maior de todas, e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos Meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque, em virtude do Sangue por eles ministrado, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a Mim. Não fosse assim, poderíeis ter para com eles o mesmo comportamento de praxe para com os demais homens. Quem vos obriga a respeitá-los, é o Ministério do Sangue. Quando desejais receber os Sacramentos, procurais meus ministros; não por eles mesmos, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-lo, em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. A reverência é dada a Mim e a meu Filho encarnado, que somos uma só coisa pela União da Natureza Divina com a humana. Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso mesmo não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a Mim ofende. Disto a proibição: “Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos!”

Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: “Eu não ofendo a Santa Igreja, nem me revolto contra Ela; apenas sou contra os defeitos dos maus Pastores!” Tal pessoa mente sobre a própria cabeça. O egoísmo a cegou e não vê. Aliás, vê; mas finge não enxergar, para abafar a voz da consciência. Ela compreende muito bem que está perseguindo o Sangue do meu Filho e não os Pastores. Nestas coisas, injúria ou ato de reverência dirigem-se a Mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que Meus cristos sejam ofendidos. Somente Eu devo puni-los, não outros. No entanto, homens ímpios continuam a revelar a irreverência que tem pelo Sangue de Cristo, o pouco apreço que possuem pelo amado tesouro que deixei para a vida e santificação de suas almas. Não poderíeis ter recebido maior presente que o todo-Deus e todo-Homem como alimento. Cada vez que o conceito relativo aos Meus ministros não coloca em Mim sua principal justificativa, torna-se inconsistente e a pessoa neles vê somente muitos defeitos e pecados. De tais defeitos falarei em outro lugar.3 Mas, quando o respeito se fundamenta em Mim, jamais desaparece, mesmo diante de defeitos nos ministros; como disse,4 a grandeza da Eucaristia não é diminuída por causa dos pecados. A veneração pelos Sacerdotes não pode cessar; se tal coisa acontecer, sinto-Me ofendido.

O grande pecado dos perseguidores

São muitas as razões que fazem desta ofensa a mais grave. Vou lembrar apenas três. A primeira, é porque os perseguidores agem contra Mim em tudo o que fazem em oposição aos meus ministros. A segunda, é porque desobedecem àquela ordem pela qual proibi que meus Sacerdotes fossem tocados. Ao persegui-los, os homens desprezam a riqueza do Sangue de Cristo recebida no Batismo. Desrespeitando o Sangue de Jesus e perseguindo os ministros, rebelam-se e tornam-se membros apodrecidos, separados da Hierarquia Eclesiástica. Caso venham a morrer obstinados em tal revolta e desrespeito, irão para a condenação eterna. Se reconhecerem a própria culpa na última hora, humilhando-se e desejando a reconciliação, mesmo que não o consigam fazer exteriormente, serão perdoados. Mas, não devem esperar pelo momento da morte, pois será incerto o próprio arrependimento. A terceira razão, pelo qual este pecado é o mais grave, está no seguinte: é uma falta maldosa e deliberada. Os perseguidores têm consciência de que o não devem cometer, sabem que vão pecar; cometem um ato de orgulho, em que não entram atrações sensíveis, muito pelo contrário. Tais pecadores arriscam a alma e o corpo: a alma, privando-se da graça, muitas vezes em meio a remorsos da consciência; o corpo, gastando seus bens a serviço do Diabo e indo morrer como animais. Não, este pecado cometido contra Mim não possui características de satisfação ou prazer pessoais; acompanham-no apenas os desvarios e a maldade do orgulho! Um orgulho que nasce do egoísmo e daquele medo próprio de Pilatos, quando matou Meu Filho, por temor de perder o cargo. É o que sempre fizeram e fazem os perseguidores. Os demais pecados procedem de uma certa simploriedade, de ignorância ou de satisfação pessoal desordenada, de certo prazer ou utilidade presentes no ato mau. Naqueles pecados, o homem prejudica a si mesmo, ofende a Mim e ao próximo. Ofende-Me por não Me glorificar; ao próximo, por não o amar. Na realidade, não se ergue frontalmente contra Mim; ergue-se contra si mesmo, e isso Me desagrada. Já no pecado de perseguição contra a Santa Igreja, Sou ofendido diretamente. Os outros vícios possuem uma justificativa, uma razão intermediária. Já afirmei que todo pecado e virtude são feitos no próximo.5 O pecado é ausência de amor por Mim e pelos homens; a virtude é amor caritativo. Neste pecado, os maus perseguem o próprio Sangue de Cristo ao se investirem contra Meus ministros, e privam-se de sua riqueza espiritual. Entre todos os homens, os Sacerdotes são Meus eleitos, Meus consagrados, são os distribuidores do Sangue do Meu Filho, em quem vossa natureza está unida à Minha. Quando consagram a Eucaristia, os ministros o fazem na pessoa de Jesus. Como s, realmente este pecado é dirigido contra Meu Filho; por conseguinte, contra Mim, pois somos Um. É uma falta gravíssima. Não se dirige aos ministros, dirige-se a Mim. Também o respeito demonstrado para com eles, considero-os como se fossem para Mim e Meu Filho. Por tal motivo te dizia que, se colocasses de um lado todos os demais pecados e este, sozinho, do outro, o último ser-Me-ia mais ofensivo.

Falei de tudo isso para dar-te motivo de maior preocupação, seja por causa do pecado com que Me ofendem, seja pela condenação eterna dos infelizes perseguidores. Assim, o teu sofrimento e o dos Meus servidores dissolverão a grande treva que desceu sobre estes membros apodrecidos, atualmente separados da Hierarquia da Santa Igreja. Infelizmente, quase não acho pessoas que aceitem angustiar-se por causa das perseguições em curso contra o precioso Sangue. Mais facilmente encontro quem atire continuamente flechas contra Mim; são pessoas cegas à procura de fama. Consideram honroso o que é infame, infame o que é honroso; recusam humilhar-se diante do próprio Superior.6 Com tais defeitos, muitos ousam perseguir o Sangue de Cristo, ferem-Me profundamente. Quanto podem, tanto se esforçam por prejudicar-Me. Na realidade, não Me danificam. Sou como a pedra que, ao ser batida, devolve o golpe a quem o deu. Mesmo os pecados mais vergonhosos não Me causam males; são flechas envenenadas que a eles retornam em forma de culpa. Durante esta vida, privam-se da graça, e no dia da morte, não havendo arrependimento, irão para a condenação. Vivem distantes de Mim, atrelados ao Demônio com quem se coligaram. Quando o homem perde a graça, amarra-se ao pecado. É um laço feito de ódio pelo bem e de amor pelo mal; uma corrente com que espontaneamente a alma se entrega ao Diabo, pois a isso ninguém a pode obrigar.

Este mesmo laço une os perseguidores da Igreja entre si e com o Maligno; de comum acordo, aqueles desempenham a função do Demônio. Esforça-se este por perverter os homens, induzindo-os ao pecado mortal; deseja que as almas tenham em si a maldade em que ele vive. Pois bem, fazem a mesma coisa os inimigos da Igreja: quais membros do Diabo, procuram levar os filhos da Igreja à revolta contra a Hierarquia, afastam-nos da caridade, acorrentam-nos ao pecado, privam-nos dos benefícios da Paixão. O vínculo que une tais perseguidores nasce do orgulho e da vanglória; com medo de perder os bens materiais, acabam perdendo a graça. De possuidores da dignidade de Cristo, decaem para a maior confusão interior possível. São pactos que trazem o selo das trevas. Desconhecendo os males e pecados em que vivem, neles fazem cair outros; inconscientes dos seus pecados, não se corrigem. Como cegos, caminham vangloriando-se para a destruição da própria alma e do próprio corpo.

Filha querida, chora profundamente diante dessa cegueira e miséria. São homens que, como tu, foram lavados no Sangue; que se nutriram no Sangue; que cresceram no seio da Santa Igreja. Agora, revoltados, abandonaram-na sob pretexto de corrigir os defeitos dos Meus ministros. Eu já proibira tal comportamento, dizendo: “Não quero que meus ministros sejam ofendidos”. Autêntico terror deveria apossar-se de ti e dos demais servidores Meus, quando ouvis falar de semelhantes alianças. Tua linguagem é insuficiente para referir quanto as abomino. O pior é que tais pessoas procuram encobrir seus defeitos sob o manto dos defeitos dos Meus ministros. Não se lembram de que não existe capa que os esconda diante de Mim. Na opinião pública, bem que passam despercebidos; não em Minha presença. Conheço os acontecimentos desta vida e muito mais. Pensei em todos vós e vos amei antes de vosso nascimento.

Um dos motivos pelos quais esses infelizes não se corrigem, é a falta de fé. Julgam que não os vejo. Se acreditassem realmente que sei dos seus defeitos, se acreditassem que todo pecado é punido e todo bem recompensado, como expliquei em outro lugar,7 haveriam de corrigir-se e pedir humildemente o perdão. Nesse caso, pelo Sangue de Cristo, Eu os perdoaria. Mas, vivem na obstinação, reprovados por tantos males. Arruinaram-se, vivem nas trevas, perseguindo cegamente a Cristo.

Em suma, ninguém deveria perseguir Meus Sacerdotes por causa de defeitos seus!


Fonte: Santa Catarina de Sena, “O Diálogo”, II Parte, Caps. 28.3; 28.3.1; 28.3.2; 28.3.3; pp. 237-243; 3ª edição, Editora Paulus, São Paulo, 1985.


_______________________
1Com esta expressão “Cristo-na-terra”, Catarina indica a pessoa do Papa. Durante o ditado do DIÁLOGO, ocupava a Sede Romana Urbano VI, homem íntegro, mas, de gênio violento. Catarina lhe escreveu bem 9 cartas.
2Salmo 105, 15.
328.6.
428.2.1.
52.6.
6A autora pensa na situação de revolta das cidades italianas contra o Papa, naquele ano de 1378.
714.10.

domingo, 26 de março de 2017

Ver Sem Pupilas



O Dedo de Deus Está Aqui
(Êx. 8, 19; 31, 18; Salm. 8, 3; Luc. 11, 20)


Três dos melhores livros que tratam da vida do Padre Pio (Maria Winowska, Mortimer Carty e René Harmel) mencionam a história da pequena Gemma de Giorgi.

A 18 de Junho de 1947 – há, pois, muito tempo – deu-se uma cura extraordinária, a de Gemma de Giorgi, de Ribera (Agrigento), na Sicília. Nascera sem pupilas. Os médicos declararam que naquele caso nada podiam fazer. Os pais conformaram-se, mas a avó não podia resignar-se. Cheia de confiança, rezou a Deus e decidiu ir ter com o Padre Pio com a pequenita, quando esta tinha sete anos. Juntas e cheias de fé, empreenderam a longa e penosa viagem a San Giovanni. Logo que entraram na igreja do Convento, onde ele distribuía a comunhão, de repente, toda a gente pode ouvir a sua voz: “Gemma, anda cá!” As duas mulheres abriram caminho por entre a multidão e ajoelharam-se junto do altar. O Padre sorriu à pequenita e disse-lhe que ela podia fazer ali a sua Primeira Comunhão. Ouviu-a em confissão e colocou-lhe a mão sobre os olhos. Recebeu a Santa Hóstia. A avó perguntou-lhe mais tarde, se naquele momento lhe tinha pedido qualquer graça, ao que a pequena respondeu que não. Instantes depois, encontrou de novo o Padre, que ao abençoá-la disse: “Que Nossa Senhora te abençoe, Gemma, e procura ser sempre boa”. Nesse mesmo instante a pequena deu um grito… Via! Este milagre teve lugar perante uma igreja cheia de gente”.

Cura completa e bem definitiva, embora os olhos da criança continuassem sem pupilas depois do milagre. Autêntica provocação para a ciência. Quatro meses depois, Gemma foi examinada por um oculista de renome, o professor Caramozza, de Perugia. Declarou ele, que a criança não podia ver nem veria jamais. Continuando a ser cega segundo a ciência, a pequena via. Milagre espantoso do poder divino.

Gemma entrou para as “Filhas da Divina Providência”, Congregação laical, fundada a conselho do Padre Pio, por Don Labellarte. Atualmente, ensina em Messina, na Sicília.


Fonte: Frei Arni Decorte, F.C., “Frei Pio – Testemunha Privilegiada de Cristo”, Cap. “Taumaturgo”, p. 53; da “Apresentação” da Edição fac-similar, por Frei Aristides Arioli, O.F.M., Montes Altos: Estação Missionária, 1993.


Milagre de Padre Pio: mulher enxerga sem pupilas!


A íris é responsável pela regulagem da entrada de luz no olho humano por meio da PUPILA, ou seja, sem pupila é IMPOSSÍVEL enxergar, visto que, a luz projetada no olho é que posteriormente dará forma as coisas que vemos ao nosso redor.

No entanto, temos um caso assombroso: A italiana Gemma Di Giorgi.

Gemma Di Giorgi era CEGA DE NASCENÇA e com patologia IRREVERSÍVEL, já que nascera SEM PUPILA. Aos 7 anos de idade, visitou o Pe. Pio de Pietrelcina, e INSTANTANEAMENTE teve seu quadro clínico revertido. Mas há um detalhe: CONTINUAVA SEM PUPILA! Isso mesmo, SEM PUPILA! Veremos algumas fotos:

Reparem que não há pupila:









 
Vídeos onde a própria Gemma Di Giorgio dá entrevista:




 
Gemma Di Giorgi enxerga muito bem, mas SEM PUPILA, para terror de muitos céticos exacerbados.

Gemma Di Giorgio CEGA DE NASCENÇA

SEM PUPILAS desde a visita com Padre Pio hoje enxerga perfeitamente bem e, SEM PUPILAS. Aos incrédulos, PESQUISEM! Abraços.

Fonte médica sobre o funcionamento do olho humano:


Observações: Fui repetitivo para dar conta do detalhe maior que é o fato da mulher não ter pupilas. Gemma usa óculos, pois andar pelas ruas enxergando normalmente, mas sem este detalhe anatômico causa espanto em muitos.



domingo, 19 de março de 2017

Do Fruto Que Se Tira Da Oração e Meditação



Porque este breve tratado fala da oração e meditação, bem será dizer em poucas palavras o fruto que deste santo exercício se pode tirar, para que com mais alegre coração se ofereçam os homens a ele.

Notória coisa é que um dos maiores impedimentos que o homem tem para alcançar a sua última felicidade e bem-aventurança é a má inclinação do seu coração, e a dificuldade e pesadume que tem para bem obrar, porque a não estar esta de permeio, facílima coisa lhe seria correr pelo caminho das virtudes e alcançar o fim para que foi criado. Pelo que, disse o Apóstolo: Alegro-me com a lei de Deus, segundo o homem interior; mas sinto em meus membros outra lei e inclinação, que contradiz a lei do meu espírito. E me leva atrás de si cativo da lei do pecado.1 Esta é, pois, a causa mais universal que há de todo o nosso mal. Pois, para tirar este peso e dificuldade e facilitar este negócio, uma das coisas que mais aproveitam é a devoção. Porque, (como diz S. Tomás), devoção não é outra coisa senão uma presteza e ligeireza para bem obrar,2 a qual despede de nossa alma toda essa dificuldade e pesadume e nos torna prestes e ligeiros para todo bem. Porque é uma refeição espiritual, um refresco e rócio do Céu, um sopro e alento do Espírito Santo e um afeto sobrenatural; o qual de tal maneira regula, esforça e transforma o coração do homem, que lhe põe novo gosto e alento para as coisas espirituais, e novo desgosto e aborrecimento das sensuais. O que no-lo mostra a experiência de cada dia, porque, ao tempo em que uma pessoa espiritual sai de alguma profunda e devota oração, ali se lhe renovam todos os bons propósitos; ali estão os fervores e determinações de bem obrar; ali o desejo de agradar e amar um Senhor tão bom e tão doce como ali se lhe tem mostrado, e mesmo derramar sangue por Ele; e, finalmente, reverdece e se renova toda a frescura de nossa alma.

E, se me perguntares por que meios se alcança esse tão poderoso e tão nobre afeto de devoção, a isto responde o mesmo Santo Doutor dizendo: que pela meditação e contemplação das coisas divinas, porque da profunda meditação e consideração delas resulta este afeto e sentimento na vontade (que chamamos devoção), o qual nos incita e move a todo bem. E, por isso, é tão louvado e recomendado por todos os Santos este santo e religioso exercício; porque é meio para alcançar a devoção, a qual, embora não seja mais do que uma só virtude, e é como que um estímulo geral para todas elas. E, se queres ver como isto é verdade, olha quão abertamente o diz S. Boaventura por estas palavras:

Se queres sofrer com paciência as adversidades e misérias desta vida, sejas homem de oração. Se queres alcançar virtude e fortaleza para venceres as tentações do Inimigo, sejas homem de oração. Se queres mortificar a tua própria vontade com todas as suas afeições e apetites, sejas homem de oração. Se queres conhecer as astúcias de Satanás e defender-te dos seus enganos, sejas homem de oração. Se queres viver alegremente, e caminhar com suavidade pelo caminho da penitência e do trabalho, sejas homem de oração. Se queres enxotar de tua alma as moscas importunas dos vãos pensamentos e cuidados, sejas homem de oração. Se a queres sustentar com a gordura da devoção, e trazê-la sempre cheia de bons pensamentos e desejos, sejas homem de oração. Se queres fortalecer e confirmar teu coração no caminho de Deus, sejas homem de oração. Finalmente, se queres desarraigar de tua alma todos os vícios e plantar em lugar deles as virtudes, sejas homem de oração; porque nela se recebe a unção e graça do Espírito Santo, a qual ensina todas as coisas. E, além do mais, se queres subir à altura da contemplação e gozar dos doces abraços do Esposo, exercita-te na oração, porque este é o caminho por onde a alma sobe à contemplação e gosto das coisas celestiais. Vês, pois, de quanta virtude e poder seja a oração? E, para prova de todo o dito (deixado de parte o testemunho das Escrituras Divinas), isto basta agora por suficiente prova de que temos ouvido e visto, e vemos cada dia, muitas pessoas simples, as quais alcançaram todas estas coisas sobreditas e outras maiores, mediante o exercício da oração.3 Até aqui são palavras de S. Boaventura. Pois, que tesouro, que empório se pode achar mais rico, nem mais cheio do que este? Ouve também, o que a este propósito diz outro mui religioso e Santo Doutor, falando desta mesma virtude: Na oração (diz ele), limpa-se a alma dos pecados, apascenta-se a caridade, certifica-se a fé, fortalece-se a esperança, alegra-se o espírito, derretem-se as entranhas, purifica-se o coração, descobre-se a verdade, vence-se a tentação, afugenta-se a tristeza, renovam-se os sentidos, repara-se a virtude enfraquecida, despede-se a tibieza, consome-se a ferrugem dos vícios, e nela não faltam centelhas vivas de desejos do Céu, entre as quais arde a chama do Divino Amor. Grandes lhe são os privilégios! A ela estão abertos os Céus. A ela se revelam os segredos, e a ela estão sempre atentos os ouvidos de Deus.4 Isto basta por hora, para que de alguma maneira se veja o fruto deste santo exercício.


Fonte: São Pedro de Alcântara, Tratado da Oração e Meditação, Parte I, Cap. I, pp. 41-45; Editora Vozes Ltda., Petrópolis-RJ, 1951.


___________
1Rom. 7, 23.
22a. quest. 82, art. 10; 2 v., quest. 83, 3, 1º.
3S. Bonav., De vita Christi.
4S. Lourenço Justiniano, In Ligno vitae: De oratione, cap. 2.


segunda-feira, 6 de março de 2017

Spes Omnium Carmelitarum, ora pro nobis.



A Oração Mariana Mais Antiga


A oração intitulada em latim Sub tuum praesidium ("Sob tua proteção"), de origem grega muito antiga, foi-se propagando em línguas e culturas diferentes ao longo da história, o que fez com que hoje hajam muitas variantes. Com preocupação de fidelidade a uma das fontes, poderia ser traduzida assim:

Sob o amparo de tua misericórdia, nós nos refugiamos, ó Mãe de Deus; não deixeis cair em tentação os que te suplicam, mas livra-nos do perigo, somente tu casta e bendita”.

Embora nós costumamos recitá-la assim: “À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita”.

Esta oração, à primeira vista tão simples, desperta hoje um interesse especial: é, comprovadamente, a oração mais antiga dirigida diretamente a Maria que se tem conhecimento. Em 1917, uma folha de papiro medindo 18x9,4 cm, foi adquirida no Egito pela John Rylands Library de Manchester (que catalogou o papiro como Pap. Ryl. 470), mas que o publicou somente em 1938. Embora com o texto um pouco corrompido, seu conteúdo era o Sub tuum praesidium. O Egito havia sido a pátria de origem dessa oração. A demora entre a descoberta desse papiro e sua publicação é significativa. Segundo alguns, C. H. Roberts, protestante, famoso papirólogo encarregado da publicação, se viu num “embaraço confessional”, já que o papiro traz confirmações importantes para o culto a Maria. Os protestantes afirmam que o culto à Virgem é um fenômeno tardio e deturpante na Igreja. Esse papiro vem desmentir essa afirmação. Ao publicá-lo, Roberts o datou como sendo do século IV. Mas seus próprios colegas desmentiram essa datação: o papiro não pode ser posterior ao século III. Na verdade, Roberts queria datar o papiro como sendo posterior ao Concílio de Éfeso, realizado em 431, o que possibilitaria afirmar que o Concílio provocou o culto a Maria, enquanto a verdade histórica parece ser outra: o Concílio recolheu a fé da Igreja, testemunhada pela sua liturgia, como nessa oração, ou seja, com este papiro não se pode mais negar a existência de formas de piedade mariana anteriores ao Concílio. Foi mérito de Feuillen Mercenier, do mosteiro de Chevetogne, ter reconhecido nos fragmentos do papiro o Sub tuum praesidium, propondo uma reconstrução do texto.

Como todas as orações litúrgicas antigas, também o Sub tuum praesidium se inspira em textos bíblicos, utilizando termos característicos da tradução grega conhecida como Septuaginta, ou seja, Setenta, principalmente dos salmos que pedem o socorro imediato do Senhor, refúgio e proteção. Aqui, são aplicados à Virgem, em quem se crê e de quem se espera proteção. O contexto histórico deve ser a perseguição pela qual passava a Igreja, com muitos mártires: sob Valeriano, por exemplo, foi martirizado na África são Cipriano e em Roma, o papa Sisto II e o diácono são Lourenço.
Para nós, teologicamente, é de suma importância, algumas palavras que aparecem no papiro: casta (virgem), bendita (ou gloriosa) e Theotókos. A principal é, sem dúvida, Theotókos, literalmente, “genitora de Deus”, ou seja, “Mãe de Deus”. No Concílio de Éfeso (em 431) este título foi definido solenemente como uma verdade de nossa fé. Este Concílio não estava preocupado com a questão mariana em si, mas com as interpretações que se vinham fazendo em torno da pessoa de Jesus. O Concílio de Nicéia definiu que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mas não havia entrado no mérito de como compreender isso. Buscando esclarecer a unidade da pessoa de Jesus na duplicidade de suas naturezas, a humana e a divina, entraram em choque dois grupos: o patriarca de Constantinopla, Nestório e seu grupo, que afirmava que em Jesus a humanidade e a divindade estavam bem delimitadas, não se fundiam. Um autor moderno, para explicar isso com uma comparação atual, disse que é como uma casa de dois andares, em que se tocam apenas pela laje. Em consequência, Maria só poderia ser chamada de “mãe de Jesus” e não “mãe de Deus”. Uma das preocupações de Nestório era salvar a preexistência do Verbo, conforme o prólogo do Evangelho de João. O problema é que assim fazendo, Nestório rompia a unidade da pessoa de Jesus. São Cirilo, então bispo de Alexandria, se opôs a Nestório escrevendo algumas cartas a ele, condenando sua teologia.

O Concílio de Éfeso, reunido em 431, assumiu a postura de Cirilo como aquela que expressava a verdade cristã e condenou a de Nestório. Vale a pena lermos um trecho da carta de Cirilo assumido pelo Concílio de Éfeso: “As naturezas (humana e divina) se juntam em verdadeira unidade, e de ambas resulta um só Cristo e Filho, [...] Pois não nasceu primeiro um homem comum da Santa Virgem, e depois desceu sobre ele o Verbo de Deus. Mas sim, unido desde o seio materno, se diz que se submeteu a nascimento carnal, como quem faz o seu nascimento da própria carne, [...] Dessa maneira, (os santos padres) não tiveram receio de chamar ‘Mãe de Deus’ à Santa Virgem Maria” (DH 251). Concluindo o Concílio: “Deus é, segundo a verdade, o Emanuel, e por isso a Santa Virgem é mãe de Deus, pois deu à luz carnalmente ao Verbo de Deus feito carne” (DH 252).

Concluo com as palavras de I. Calabuig: “O texto do Sub tuum praesidium exprime com rara eficácia a confiança na intercessão da Virgem: ela, a ‘mãe de Deus’, a ‘única pura’ e a ‘única bendita’, é para a comunidade cristã um ‘refúgio de misericórdia’. Nele a comunidade se sente segura e, portanto, expressa a sua firme convicção de que a Virgem não rejeitará as súplicas de todos os que a invocam na hora da necessidade e do perigo”.

Março de 2017

Pe. Luiz Antônio Belini - labelini2016@gmail.com



quarta-feira, 1 de março de 2017

Sinônimos Morais



Espírito meu: eu ando em uma região desconhecida, onde não sei bem os nomes das coisas, como José quando entrou no Egito, Linguam, quam non noverat, audivit1; ou como na confusão das línguas em Babel, ninguém entendia a voz de seu próximo: Ut non audiat unusquisque vocem proximi sui2. Dá-me, te rogo, alguma luz nesta matéria, apontando-me alguns principais vocábulos, os sinônimos, que gerem em meu entendimento notícia mais proveitosa.

Que coisa é o homem neste mundo? Comediante no tablado; hóspede na estalagem; uma candeia exposta ao vento; fábula de calamidade; padecente caminhando para o suplício.

Que coisa é o nosso corpo? Espada do Diabo, porque com ele peleja de perto; e o mundo é a sua lança, porque com ele peleja de longe.

Que é este nosso corpo? Escravo fugitivo; esterquilínio coberto de neve; lepra, e pedaço de telha juntamente, porque a si se raspa; casa em perpétuas dissensões; antípoda da alma; pedinte soberbo.

Que é a língua humana? Feira de maldades; fera indomável; risco doméstico e contínuo.

Que coisa é a nossa alma? Faísca do lume incriado; selo da forma Divina; pupilas espirituais para ver, e, admirar os espetáculos invisíveis e eternos.

Que é o mundo? Hospital de doidos; aparência e jogo de títeres; casa cheia de fumo.

Que é o mundo? Inferno breve sobre a terra; ilha dos degradados; telheiro onde se lavram as pedras do templo vivo de Deus.

Que são as honras e dignidades? Eça Real: por fora brasões, telas e luzes; por dentro ripas de pinho e lixo.

Que é a nobreza? Riquezas já de mais longe.

Que é o ouro e a prata? Atrativo das invejas; fadiga dos néscios; defunto nobre no túmulo dos cofres; sangue do corpo da República, que anda em movimento circular; conselheiro de insolências; peste do espírito Evangélico.

Qual é o homem que não tem o mesmo que tem? O avarento; e qual o que lhe fica o mesmo que largar? O liberal.

Que é a formosura humana? Letra boa no sobrescrito; estímulo da soberba conjugal; irrisão dos anos; pecado em flor, que as mais das vezes vinga.

Que são as galas e enfeites? Armação para as festas de Vênus; funeral do siso e modéstia; desnudez e fealdade da alma.

Que são os convites magníficos? Vésperas solenes da doença; aposentador da luxúria; sacrifícios ao deus ventre.

Que é a prosperidade? Esquecimento de Deus.

Que é a tentação? Crivo para separar o grão da terra; salmoura para não se corromperem no homem os dons de Deus; janela para entrar a luz do conhecimento próprio.

Qual é a coisa, que o homem mais trata e menos conhece? Ele próprio. E qual a que sempre nos mente e sempre a cremos? O nosso amor-próprio.

Que é o pecado? Morte da alma; verdadeiro mal; semente de desgraças; incêndio invisível; consolação dos Demônios.

Que atalho é mais breve para a ruína? A ocasião. E qual é a maior segurança para não cair? Não assegurar-se.

Como se faz o homem bom? Sujeitando-se a Deus. E por que não se lhe sujeita? Porque O não ama e teme.

Por que há na terra tão pouco amor de Deus? Por que há pouca fé? E por que a fé é tão pouca? Porque milita contra ela o sentido, que se abraça com as coisas presentes e sensíveis, que apagam a memória das insensíveis e futuras.

Que é a morte? Filha do pecado; terror dos ímpios; suspiro dos Santos; sumidouro de homens. Que é a morte? Herança do primeiro pai; transação de pleitos.

Que é o Inferno? Reino da morte viva; perpetuidade da culpa; braço esquerdo da balança do Juiz Supremo. Que é o Inferno? Gemido sem pausa; dor inconsolável; sepultura dos abortivos; confusão dos ingratos.

Como se escapa do Inferno? Seguindo a Cristo. Como se segue a Cristo? Abraçando a Cruz. Como se abraça a Cruz? Aborrecendo-se a si próprio.

Que é a Cruz? Cetro do Rei da Glória; mastro real na Nave da Igreja; estandarte da espiritual milícia.

Que coisa é Deus? Não tem definição. Que coisa é Deus? Quem mais O amar, mais saberá o que é.

Oh Deus, e Senhor meu! Por Vossa infinita bondade Vos rogo humildemente, me concedais que Vos ame de todo o coração. Ame-Vos eu, Senhor, para que despreze o mundo, mortifique o meu corpo, e abomine o pecado. Ame-Vos eu, Senhor, de todo coração, para que me sujeite a Vossa vontade, abrace a Vossa Cruz, e purifique a minha alma. Ame-Vos eu, Senhor, com todas as forças da minha alma, para que não tema a morte nem o Inferno, e conserve sempre viva a luz da Fé e de Vossa graça, e, ultimamente, chegue a lograr a de Vossa glória. Amém.


Fonte: Ven. Pe. Manoel Bernardez, Orat., “Luz e Calor”, 2ª Parte, Opúsculo IV, Solilóquio IV, nn. 371-372, pp. 416-418; Nova Edição, Lisboa, 1871.

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1Salmo 80, 6.
2Gên. 11, 7.


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