Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 15 de janeiro de 2017

Santa Lutgarda e o Sagrado Coração de Jesus



A Virgem Santa Lutgarda era de entranhas tão compassivas com os enfermos, aleijados e achacosos, que muito maior aflição custava ao seu espírito, do que a eles mesmos o seu trabalho. Deu-lhe pois o Senhor, a graça de sarar qualquer membro leso com o toque da sua mão, ou saliva. Mas, era por esta causa tão contínua e molesta a multidão da gente, que a toda hora a rodeava; que não lhe ficava lugar para tratar com Deus familiarmente. E assim disse ao Senhor: De que me serve a mim esta graça, se me impede de estar Contigo? Dá-me outra coisa melhor por ela. Disse o Senhor: Pois, que queres que te dê? Quero, respondeu a Santa, que para maior devoção da minha alma, me dês inteligência sobre o Saltério. Eu a concedo-Vos, disse o Senhor. E daquele tempo em diante se experimentava a maravilhosa luz com que penetrava os Mistérios escondidos no Saltério. Porém, como andando o tempo, não achasse nesta graça tanto proveito espiritual como ela esperava, tornou a dizer ao Senhor com sua costumada singeleza: De que me serve a mim, que sou uma mulher rústica e idiota, entender as profundezas da Escritura? Disse-lhe o Senhor: Pois, que queres que te dê? Respondeu: Quero o teu Coração. Bem está, replicou o Senhor; mas, muito mais quero Eu o teu: e assim há de ser por troca. Disse a Santa: Embora: mas, hás de temperar o amor do Teu Coração ao meu coração, de sorte que possua eu o meu coração em Ti, e mo defendas em todo o tempo. Conchavadas as partes, celebrou-se a permutação por uma admirável união do Espírito Incriado com o criado: dali por diante, nunca a Lutgarda lhe veio pensamento mau, nem por um instante. Esta mesma Santa, quando estando com o Senhor, se lhe oferecia negócio, ou ocupação precisa, dizia: Espera aqui Senhor Jesus; que em podendo-me livrar, venho depressa aos Teus pés. Quando tornava, achava ao Senhor esperando.

Pondere-se

1. A maravilhosa confiança que o amor de Deus dá a uma pobre criaturinha, de sorte, que possa dizer a seu Deus: Quero isto, não quero este outro: Mas há de ser assim, e não assim: Espera que eu torno, e outras frases a estas semelhantes. As majestades da terra, se admitissem este tratamento, logo se murchariam e envileciam; mas, a Majestade Divina, deste modo resplandece e é sublimada mais gloriosamente.

2. Como esta confiança procede de que as vontades de Deus e da criatura estão já unidas; de sorte que quando a criatura quer alguma coisa, não a quer tanto com a vontade própria, quanto com a de Deus, que em Si sente, e quer o mesmo. Procede também de que como os Santos negam a sua vontade em muitas coisas lícitas, por se mortificar, e fazer o gosto de Deus; este Senhor por outra parte, se dá por obrigado a fazer-lhes o gosto em muitas coisas que pedem e desejam: Si manseritis in me, et verba mea in vobis manserint, quodcumque volueritis poteritis, et fiet vobis1. Temos exemplos no Seráfico P. S. Francisco, que desejando ouvir um instrumento musical, mandou Deus um Anjo que lhe o tocasse. E em meu P. S. Filipe Nery, que sendo necessário um pouco de açúcar para um seu medicamento, mandou Deus por outro Anjo um pão dele: E no Beato Fr. Juan de la Cruz, que desejando uns espargos, de repente viu um molho deles atado com a sua junca, e posto sobre um penedo: e no V. P. Pedro Canísio da Companhia de Jesus, que perguntando que desejava comer, em uma grande inapetência que padecia, nomeou certo pássaro esquisito; e logo este entrou pela janela, e se foi por nas mãos do enfermeiro. Que há que dizer aqui, senão que se cumpre o que está escrito; que Deus fará a vontade dos que O temem, e amam: 2 Voluntatem timentium se faciet: e louvar sua benignidade suma; e desejar ardentemente honrá-lO, e servi-lO em todas as coisas; só porque ele é infinitamente bom?

3. Como esta Santa não achou no dom do entendimento das Escrituras, o proveito para sua alma, que esperava: e assim melhorou a petição, pedindo o Coração de Cristo; isto é, a sua Caridade, que lhe conformasse o seu com Ele. Donde se mostra, que bem podemos amar muito, sem entender muito: e que por esta via fará o idiota, maiores progressos na vida espiritual, do que o letrado, e iluminado: porque todos os demais dons e graças, sem a caridade são nada: Et si habuero prophetiam, et noverim mysteria omnia, et omnem scientiam: et si habuero omnem fidem, itat ut montes transferam, charitatem autem non habuero, nihil sum3.


Fonte: Ven. Pe. Manoel Bernardez, “Luz e Calor – Obra Espiritual para os que Tratam do Exercício e Caminho de Perfeição”, Segunda Parte, Opúsculo II, Exemplo XXVIII, pp. 319-321; Nova Edição, Lisboa, 1871.

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1Jo. 23, 7.
2Salmo 144, 19.
31 Cor. 13, 2.


domingo, 8 de janeiro de 2017

Santas Palavras de uma Filha de Maria à Beira da Morte


Pela Tarde, foi-lhe também fazer uma visita o Clérigo salesiano Félix Ortiz, que se achava no Colégio de Junín por motivo de saúde.

Seis anos depois, já sacerdote, ele assim revocava suas lembranças num jornal de Viedma:

Também eu fui visitar Laura.

O rosto pálido, os olhos encovados davam a impressão que o Anjo da Morte já lhe tinha estampado o gélido ósculo sobre a fronte.

Sorriu ao ver-me chegar; pareceu reanimar-se; e tomando nas mãos a estatueta de Maria Auxiliadora que eu lhe tinha levado alguns dias antes, disse-me com um fio de voz: – É Maria quem me dá força e alegria nestes momentos.

Aproximei-me da cama, e depois de algumas perguntas sobre as suas condições – perguntas às quais respondeu com serenidade que nada mais desejava senão o Divino beneplácito – eu quis saber o que mais a alegrava naqueles difíceis momentos.

Sempre sorridente Laura me sussurrou ao ouvido: – o que mais me consola nestes momentos é ter sido sempre devota de Maria. Oh, sim! Ela é minha Mãe… é minha Mãe!… Nada me põe mais feliz do que pensar que sou Filha de Maria!

Acrescentou outras frases que trago gravadas na alma, pois que se referiam somente a mim; a recordação delas muitas vezes me tem renovado as energias interiores”.

À guisa de comentário dessa sua evocação o Pe. Ortiz ajunta: “– É minha Mãe… é minha Mãe!...”



Naquela expressão estava o segredo da vida de Laura: vida inocente, serena, sem mancha, mais de Anjo que de criatura”…

Nas poucas horas de que fala o Pe. Ortiz outras coisas aconteceram à cabeceira da moribunda.

Chegou antes de tudo a enfermeira Irmã Marieta Rodríguez, que ficara sozinha no Colégio Maria Auxiliadora com algumas meninas em férias.

Laura tinha desejado sua presença para lhe agradecer os serviços, e para lhe pedir perdão das faltas que tivesse cometido contra ela. “Encontrei-a – escreve ela – resignada à vontade de Deus; e entre outras coisas me disse: – espero que minha mãe se decida a levar uma vida boa: depois morrerei feliz”.

Depois pediu-lhe que lhe mandasse Merceditas e Maria Vera. A amizade cobrava a sua dívida: Laura não podia eximir-se: era uma necessidade do coração.

As duas irmãs foram logo, e compreenderam que a grande hora estava iminente.

A menina não conseguiu erguer-se no leito. “Convidou-me – narra Mercedes Vera – a chegar meu ouvido aos seus lábios; e permanecendo deitada cingiu-me com aqueles braços por onde passava já o frio da morte”.

Depois de algumas palavras íntimas, acrescentou penosamente: – “querida Merceditas, seja sempre devota de Jesus Sacramentado e de Maria Auxiliadora… Seja constante na virtude… Fomos companheiras na terra: não deixarei de ajudar você, do Céu… Adeus… Beijarei por você também os pés de Nossa Senhora, que espero ver dentro em Breve!”


Fonte: Rev. Pe. Luís Cástano, S.D.B., “Laura Vicuña – A Heroica Filha de Maria dos Andes da Patagônia”, Cap. XVII, pp. 247-258; Livraria Editora Salesiana Ltda., São Paulo, 1958.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Sábado de Desagravo ao Imaculado Coração de Maria



Ato de Desagravo

V. Rainha do Rosário, Santíssima Virgem Maria, movidos pelo ardente desejo de amar-Vos como Mãe querida e promover uma terna devoção ao Vosso Imaculado Coração, tão transpassado de dor por causa das blasfêmias e ingratidões dos homens na terra, aqui nos prostramos a Vossos pés; a Vós consagramos: o nosso corpo, o nosso coração e todo o nosso ser, para repararmos com nossos obséquios e afeto, tantos pecados com que os Vossos filhos ingratos pagam as finezas do Vosso amor.

R. Perdoai-lhes, Mãe querida, a eles e perdoai-nos a nós todos. Em especial, lançai os olhos de Mãe misericordiosa para nós, Vossos filhos, que queremos amar-Vos cada vez mais, sendo fiéis discípulos de Jesus e vivendo como verdadeiros cristãos, a fim de Vos contemplar nas delícias do Céu. Amém.


Invocações


Coração de Maria, Filha predileta de Deus Pai, criatura mais nobre, mais sublime, mais pura, mais formosa, mais santa, mais amável de todas quantas existem; Coração digníssimo de toda a veneração e amor… e, contudo, blasfemado pelos ímpios.

R. Rogai por nós pecadores.

Coração de Maria, Mãe de Deus, soberana Senhora do Céu e da terra, Corredentora do infeliz gênero humano, espelho puro das perfeições divinas, incomparável imagem do Santíssimo Coração de Jesus… e, contudo, desrespeitado pelos ingratos.

R. Rogai por nós pecadores.

Coração de Maria, Esposa mística do Espírito Santo, Virgem Mãe admirável, cheia de todas as graças, Medianeira dos tesouros celestiais, abismo de misericórdia, meiguice e ternura também para com os blasfemadores… e, contudo, desacatado pelos filhos desvairados.

R. Rogai por nós pecadores.

(Repete-se três vezes)

V. Fazei, Santa Mãe de amor.

R. Que se imprimam no meu peito, as Chagas do Redentor.

V. Ave Maria…

R. Santa Maria…

(No fim)

V. Doce Coração de Maria.

R. Sede a minha salvação.


Fonte: “VadeMecum" – Orações Cotidianas para Uso Comum das Educandas das Missionárias “Servas do Espírito Santo” e membros da “Obra Auxiliar do Espírito Santo”; Editadas pela Direção Geral da mesma Congregação; Tipografia do Lar Católico, Juiz de Fora, 1958.

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