Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 4 de maio de 2014

São Pio de Pietralcina - O Maior Taumaturgo do Século XX.


Devotíssimo de Nossa Senhora de Fátima





Dedicatória



Dedico esta tradução

à

Nossa Senhora do Rosário de Fátima






In Memoriam

Ao meu nobre e querido irmão, o Prof. João Carlos Cabral Mendonça, pessoa que tive a graça de conhecer na, então, União Sacerdotal São João Maria Vianney, hoje conhecida como Administração Apostólica São João Maria Vianney.

É ele o autor desta preciosa tradução para o português do original alemão, de autoria de Karl Wagner. Esta obra em alemão, foi escrita para comemorar os 50 anos dos Estigmas do Padre Pio de Pietralcina, por isso, o título do original alemão:

Festausgabe
Zum Goldenen Jubiläum
1918 – 1968

Pater Pio trägt 50 Jahre
die heiligen Wundmale

Que em todas as coisas seja Deus glorificado em virtude de Jesus Cristo, Senhor Nosso. E que Nossa Senhora, a Mãe de Jesus, que é Deus, abençoe esta obra que disponibilizo para todos os católicos via Internet.

Peço apenas aos internautas, uma Ave Maria em sufrágio pela alma do Prof. João Carlos.



Salve Maria!








PREFÁCIO



O Deus de infinita majestade, na Sua imensa misericórdia e amor, agraciou, por meio do Seu Divino Filho Jesus Cristo, o Seu simples e humilde servo, o Pe. Pio, com os sinais visíveis das suas chagas recebidas na cruz.

Este pequeno escrito se destina a glorificar as maravilhas divinas nele operadas e a testemunhar o nosso agradecimento por ter Cristo, Nosso Senhor, presenteado através do Pe. Pio, a humanidade pecadora com inumeráveis milagres da graça.

Milhões de pessoas o veneram como um santo. O número de curas maravilhosas e conversões surpreendentes se eleva aos milhares: a maior parte delas ocorrem muito longe de San Giovanni Rotondo, em todas as partes do mundo. Diariamente o Pe. Pio perde cerca de 100 g de sangue e, contudo, toma menos de 50 g de alimento. Os seus devotos estão convencidos de que ele é o maior taumaturgo do nosso tempo.

Eu gostaria de salientar que os fatos relatados neste livrinho constituem uma pequena parte daqueles que se deram nos últimos cinqüenta anos.

Deus nos concedeu, no Pe. Pio, uma das mais preciosas graças: ele reza de modo todo especial pelos que o visitam, pois estes acreditam na ação da misericórdia divina e, também, testificam que agora se querem transformar e dar a Deus o que Lhe compete.

Imaginemos ter alguém ouvido dizer que há, na Terra Santa, um grande pregador que opera muitos milagres, mas ele mesmo vive na cruz. Assim acontece com o Pe. Pio. Os momentos mais preciosos são os passados durante a sua Missa, nos quais torrentes de graças procedem dele. O santo capuchinho está na cruz nas últimas vascas da agonia e cresce em santidade a cada segundo, pois oferece um sacrifício ininterrupto. Ele reza muito particularmente, por nós, porque devido à sua idade avançada, não pode estar tão perto de nós como antes, e Deus não lhe nega nenhuma graça que ele pede por nós. Diz o Pe. Pio: “As pessoas vêm aqui; todos querem somente graças materiais, e eu tenho as mãos cheias de graças espirituais e imperecíveis, especialmente o Amor, e este quase ninguém quer! Dentre duzentas pessoas que chegam aqui, talvez uma deseja graças espirituais, e estas ela recebe com toda a certeza”. Assim ele se exprime sobre o sofrimento: “A compreensão de que os sofrimentos são graças é muito simples e, contudo, muito profunda. Cumprir os deveres de cada dia com uma centelha só de amor vale mais do que os mais custosos sacrifícios feitos sem ele. Quem se pôs em ordem interiormente terá tudo o mais por acréscimo. Deus sabe tudo e sei tudo dEle. Onde vocês o encontram? No tabernáculo, a cada momento. Não me venerem, mas a Cristo em mim”. Portanto, o Pe. Pio conhece tudo em Deus. Ele é uma hóstia viva, oculta Nosso Senhor em seu corpo, e Cristo nele, desce do céu à terra e acende nos corações o fogo sagrado do amor. O santo capuchinho fala às almas e elas o compreendem, pois só Deus pode compreender o que ele lhes fala. A esse respeito, disse ele: “Eu não poderia saber o que já não tivesse conhecido antes”. Nenhum milagre passageiro, nem também do tipo do Tabor apresenta o Pe. Pio tão evidentemente como o dos estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Desde 1918, o sangue das suas chagas nunca cessou de correr.

Queira a Rainha do céu e da terra derramar copiosas graças para que, através do Pe. Pio, muitas almas ainda se salvem.


Viena, na festa da Assunção de Nossa Senhora, 1968.


Karl Wagner





INTRODUÇÃO

Para que você me entenda bem nos tempos atuais, deve pôr de lado tudo o que é terrestre e considerar a realidade apenas com os olhos espirituais. Ainda existem realmente milagres? Claro que sim! Se nós percorrermos o mundo com um olhar sem preconceito, verificamos que há muitos milagres. Contudo, somos demasiadamente mesquinhos para reconhecê-los: atribuímo-los à sorte ou ao acaso. Ora, ambos não existem para Deus, como diz o Pe. Pio. Precisamos de milagres? Sim, e até mesmo com muita necessidade! O maior mal no mundo é o ateísmo! E como sofre acerbamente a humanidade com inumeráveis enfermidades! Se lançarmos os olhos sobre Lurdes, vemos que lá ocorreram mais de 4 mil curas milagrosas* (tirado do livro de Alfred Hoppe sobre Lurdes). Consideremos então: o sofrimento temporal de 4 mil doentes incuráveis num momento, extinto! Quantas lágrimas enxugadas, quantos corações humanos consolados! E se os confessionários pudessem falar ficaríamos surpresos com os milagres operados por Deus nas almas imortais. Se alguém tem na família um doente incurável que sarou num instante, certamente não dirá: “Nós não precisamos de milagres!”, mas agradecerá ao Deus onipotente por isto. Infelizmente, há homens e muitas vezes também bons católicos que se opõem totalmente aos milagres e dizem: “Não precisamos deles!” Não invejariam, então, o restabelecimento miraculoso do doente incurável e de todos que se converteram por meio de tais acontecimentos extraordinários e a salvação das suas almas, o que, afinal, é, com toda a certeza, o mais importante. Deus faz os milagres corporais justamente com o fim de converter as almas, para abalar e estimular os homens.

Já no Antigo Testamento, no tempo oportuno, Deus enviava os Seus profetas. Quão terríveis são os nossos tempos em que precisamos de Lurdes, onde, por 3 vezes, a Mãe de Deus exortou a humanidade à penitência. A sua voz não foi ouvida. Ela apareceu mais uma vez em Fátima e disse com tristeza que os homens deixassem de ofender mais a Deus já demasiadamente ultrajado. Os homens, seus filhos, mais uma vez não deram atenção às instâncias de sua Mãe celeste. Ora, se uma mãe adverte o filho e lhe pede que seja bom e honrado, e nada disso adianta, só resta a ela chorar em silêncio. Chorou pelos filhos durante 4 dias e noites em Siracusa*! Esta é a linguagem mais estarrecedora, com a qual antes as pedras amoleceriam do que os pecadores.

Dizia o Pe. Pio que devemos rezar muito, pois, pelo contrário, não haveria mais lugar no inferno para os homens. Que assustadoras são estas palavras para toda a humanidade! Pensemos na infinita misericórdia de Deus como o mundo, especialmente o nosso tempo, ainda não experimentou igual. Devemos também considerar que Deus é a sabedoria eterna e permite tudo isto; e já que a Igreja reconheceu Lurdes e Fátima, temos ainda fundamento para duvidar a respeito? Afinal, também São Paulo Apóstolo se converteu por meio dum milagre emocionante. Como se pode afirmar que alguém ama a Jesus e Maria se não dá atenção a estes acontecimentos? O santo Evangelho nos deveria bastar, mas infelizmente ele não é suficiente para muitas pessoas, pois quase não se vai mais aonde ele é ouvido. A Fé é algo sobrenatural, e justamente no Pe. Pio o céu está tão perto da terra como em nenhum outro lugar. Por isso, nos últimos tempos, Deus nos dá, através destes lugares de aparições, a possibilidade de reencontrarmos os verdadeiros valores e podermos alcançar o céu, o nosso eterno destino. Mesmo os sábios e pesquisadores, que estudaram até a exaustão, vieram ter com o Pe. Pio no qual, por um momento as leis da natureza foram suspensas e se realizaram os milagres divinos. Onde a ciência termina, aí a fé começa*, porque a sabedoria deste mundo é realmente loucura diante de Deus.

Hoje se ouve frequentemente dizer que os homens são sequiosos de milagres. Pelo contrário, não o são, porque se tornaram avessos a eles. Negam os milagres somente porque não querem viver de outro modo. Se os reconhecessem deveriam reconhecer Aquele que os operou: Deus. E a cada milagre está anexo o sangue do nosso Redentor. Finalmente, nesta introdução, quero dizer ainda o seguinte: “Quem crê não precisa de esclarecimentos, e quem não crê não é capaz de ser esclarecido”.




NOTÍCIA BIOGRÁFICA


S. Pio de Pietralcina
O Pe. Pio nasceu em Pietralcina (Itália); seu nome de batismo é Francesco Forgione. Quando menino já era extraordinariamente agraciado e fazia penitências voluntárias, como os pastorinhos de Fátima. Nunca se entreteve com brinquedos; enquanto os meninos da sua idade, seus parentes, brincavam, ele rezava em silêncio num canto. Na escola, aprendia com grande diligência. Era muito piedoso, e o seu maior anseio era receber a Jesus na Santa Comunhão. Aos 13 anos — segundo cremos — já ocorreu algo milagroso com ele. Prova disto é o fato seguinte: Uma senhora — eu conheço pessoalmente a irmã dela — foi ao Pe. Pio e este lhe perguntou: “Diga, a senhora me conheceu primeiro ou eu a senhora?” Ela respondeu: “Eu, Pe. Pio!” O Padre sorriu modestamente: “Não, eu a conheci antes. A senhora sabe que, quando eu tinha 13 anos, Deus me mostrou todas as almas que viriam a mim? Entre elas se achava a senhora”. Ele é, de certo modo, responsável por todas estas almas. Os muitos livros existentes em alemão sobre o Pe. Pio provam este fato, como muitos que eu presenciei no local (em San Giovanni Rotondo). Ouçamos um relato daquele mesmo ano:

Uma senhora enviava frequentemente ao Pe. Pio presentes em víveres e uma vez lhe mandou um saquinho com castanhas. Ao recebê-lo de volta vazio, ela decidiu, na sua simplicidade, não lavar mais o saquinho, como sendo uma futura relíquia.

Num Domingo, à tarde, foi ao celeiro e se aproximou com uma vela acesa dum barril de pólvora que o marido tinha guardado lá. Houve uma terrível explosão e a senhora caiu sem sentidos.

A casa ficava num lugar afastado e, na ocasião, ela estava só. Quando, depois de algum tempo, voltou a si, reuniu todas as forças e arrastou-se de quatro até a cozinha, banhada de sangue e com dores atrozes. Lá se lembrou de que tinha o saquinho de castanhas vazio: com as últimas forças apertou-o contra as suas feridas e ficou instantaneamente curada.

Este foi o primeiro fato miraculoso realizado por Deus através do Pe. Pio, ainda com 13 anos. Não se sabe se ele teve conhecimento disto.

Com 15 anos, ele entrou na Ordem dos capuchinhos. Aí, apesar da sua saúde fraca, fazia grandes sacrifícios: rezava frequentemente durante a metade da noite, porque sabia não haver nada de grande sem sacrifício e que toda a força provém da renúncia. “Quem quiser ser meu discípulo, tome cada dia a sua cruz”, disse o Senhor. Só isto, porém, era pouco para o Pe. Pio que, espontaneamente, assumiu mais sobre os seus ombros. Era generoso, e Deus não se deixa vencer em generosidade. Também o demônio fez pressão sobre ele, como no caso do cura d’Ars. Para que o Pe. Pio a suportasse e, a fim de o fortalecer, Deus o distinguiu com aparições celestes. Um dia ele ouviu uma voz do sacrário: “Tu serás flagelado, coroado de espinhos e crucificado como São Francisco” (extraído dum livro sobre o Pe. Pio). Pouco tempo depois, o jovem religioso foi acometido por uma febre violenta, sendo necessário chamar o médico. Quando este quis medir a temperatura, o termômetro estourou. Completamente pasmado, o médico tomou outro termômetro que também se espatifou. Em apuros, o médico usou um termômetro usado para medir a temperatura da água para banho, que indicou a temperatura de 48,5º C. Isto sucede com frequência, mesmo atualmente. Os maiores cientistas, até hoje, não encontraram uma explicação para o caso, e o Pe. Pio, por humildade, se cala a respeito. Naquele tempo ele já tinha vivido os tormentos da crucifixão com Nosso Senhor, de modo misterioso.

Um dia o santo capuchinho não pôde mais comer e os seus superiores esperavam a sua morte, a cada dia. 36 dias depois, os pais foram chamados, pois o seu filho estava prestes a morrer. Quando o pai chegou e viu o filho, disse: “Eu não deixo o meu filho morrer aqui; se ele tem que morrer, que seja em casa. Vou levá-lo para lá”. O Pe. Guardião se recusou a isso, porque o filho dele era membro da Ordem; por fim, o Pe. Provincial permitiu. Então, pai e filho voltaram para a casa. Na cidade de Benevento, deveriam fazer baldeação e esperar pelo próximo trem. Com grande surpresa do pai o Pe. Pio lhe pediu, após 40 dias de completo jejum: “Pai, faça o favor de me comprar limonada; estou com sede”. O pai comprou o suco, ele bebeu e exclamou: “Agora já estou novamente fortalecido e são. Compre também papel; gostaria de escrever ao Pe. Provincial que estou curado”.

O Pe. Pio come pouquíssimo, menos que o suficiente para sustentar uma criança de um ano e, frequentemente, se esquece de comer durante um dia inteiro.

Em 1910, ele foi ordenado sacerdote e fez o serviço militar, onde teve que suportar muitas dificuldades. A 20 de setembro de 1915, recebeu os estigmas de Cristo de modo invisível, e exatamente 3 anos depois, visivelmente. O Pe. Pio era sempre o primeiro a entrar na igreja e o último a sair dela.


COMO SURGIRAM OS ESTIGMAS


S. Pio mostrando os estigmas
Sabemos deste fato com muita exatidão, já que o próprio Pe. Pio o descreveu ao seu diretor espiritual. A carta foi entregue a uma alma piedosa que a devia passar adiante; contudo, a missiva estava aberta. A portadora pensou que isto seria manifestação da vontade de Deus, e leu a carta. O Pe. Pio escreveu: “Pai amado, eu estava só no coro após a Santa Missa para fazer a ação de graças. Então experimentei um grande sentimento do meu nada. Era tão intenso que pensei que se ele continuasse, eu iria morrer. A este sentimento se seguiu um outro, de paz profunda... Levantei os olhos para a cruz e vi procederem dela 5 raios incandescentes até mim, os quais traspassaram as minhas mãos, meus pés e meu coração. A seguir não soube mais de nada”.
Neste momento, o Pe. Pio prorrompeu num grito de dor, ficou desacordado e deitado com as mãos cruzadas. O Pe. Guardião, que se mantinha perto dele, ao ouvir isto, acudiu apressado e viu o Pe. Pio jazendo no pavimento. Pensou que algo de grave tivesse acontecido. Quando os irmãos de hábito quiseram levantá-lo, irradiou-se dele um halo de santidade tão seráfico que mal tiveram coragem de levantá-lo. Após o terem levado para a sua cama, na cela, perceberam o que havia sucedido. Antes de conceder ao Pe. Pio esta graça tão dolorosa, de ser um com Cristo, Deus o iluminou até o fundo da sua alma para ficar consciente do seu próprio nada. Tudo isto se passou numa Sexta-feira.

No dia seguinte, chegou uma professora da aldeia — a portadora da carta — ao convento, até a presença do Pe. Pio. Ele estava na sacristia e escondia as suas mãos.

Ela lhe apresentou o dinheiro das espórtulas para Missas, e assim ele foi obrigado a estender a mão para tomá-lo. Então disse à professora: “Por que não veio ontem? Assim me teria servido de Maria!” Então desceram a estrada que vai do convento a um lugar mais abaixo e rezaram juntos o “Angelus”. “Aí eu beijei a mão do Pe. Pio pela primeira vez”, contou ela, que ainda vive e gravou tudo isto na fita magnética do Dr. Abresch.

A notícia do evento miraculoso se espalhou com a rapidez do vento, por toda a região, e hoje todo o mundo sabe dele. De perto e de longe, os fiéis se apressavam a ir até lá, querendo ver o Padre e falar com ele. Desde aquele momento, as chagas do santo capuchinho não deixaram mais de sangrar nem absolutamente se alteraram, embora passados já 50 anos.

Vejamos os estigmas mais de perto. Nas mãos e nos pés têm mais de 2 cm de lado a lado, de modo que se pode atravessá-los com o polegar e o indicador. A chaga do coração tem 7 cm de comprimento e 5 de largura, à maneira duma cruz invertida; todos os tecidos estão destruídos até o coração.

Um dos médicos mais afamados, o Dr. Festa, antes incrédulo, após um longo exame, emitiu o seguinte julgamento: “As chagas deste sacerdote agraciado por Deus são exatamente como os cruéis ferimentos do nosso Divino Redentor. Não é possível explicá-las naturalmente, visto contrariarem as leis da natureza no seu conjunto; pois cada uma das chagas nem sara nem se inflama. Quando se removem as ligaduras, o sangue brota como fogo cheio de fragrância. O Pe. Pio foi examinado sem cessar durante 14 anos. Do ponto de vista da ciência, não se pode esclarecer como uma ferida não cicatrizada não aumenta nem diminui. Embora os lugares feridos nas mãos sejam lavados regularmente com sabonete de qualidade inferior, e estejam em contato permanente com as luvas de lã, eles nunca chegam a infeccionar-se nem ficam curados. De mais a mais, o Pe. Pio foi submetido a uma operação no peito; a ferida do corte cicatrizou normalmente; a chaga, porém, sangra sem cessar”. Durante a noite o estigmatizado veste luvas de algodão branco. De manhã elas estão cheias de sangue; ele mesmo as lava no seu quarto. As chagas do lado esquerdo sangram muito. A perda de sangue diariamente corresponde a uma xícara de chá. O Pe. Pio traz sempre uma tira de linho em volta do peito.

Uma senhora perguntou-lhe, certa vez, se as chagas também doíam. Respondeu ele: “A senhora acha que Nosso Senhor mas deu como ornamentos?

Outra quis saber: “Diga-me Padre, como elas doem?” Ele explicou: “Exatamente como se a senhora tomasse um prego de 4 quinas, atravessasse a palma da mão com ele e o deixasse cravado e, além disso, o torcesse”. Podemos assim avaliar o que o Pe. Pio sofria. Durante a Missa e a Quaresma, os seus sofrimentos são maiores ainda.

O que significam os estigmas para o Pe. Pio? São a maior distinção que Deus concede a um homem. Nós, porém, devemos considerar especialmente que ele é um sacerdote. E, para nós, o que querem dizer as suas chagas? São uma comovente advertência e recordação de Cristo, Nosso Redentor. Uma vez que os homens se esqueceram precisamente de Cristo crucificado, assim Nosso Senhor Se revelou novamente no Seu servo, o Pe. Pio, para poderem os homens reconhecer o preço imenso pelo qual Cristo resgatou as almas.

O Pe. Pio poderia dizer com São Paulo Apóstolo: “Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Que diz o santo capuchinho a respeito das grandes dores que padece diariamente? Ele usa de belas palavras que nós mal podemos compreender: “São chamas do divino amor: eu as sofro de bom grado”. Ele sabe que, através do seu sofrimento, pode salvar muitas almas. Suas intenções prediletas são os pecadores, e sofre muito pela conversão deles.

O Pe. Pio é um devoto fervoroso da Mãe de Deus: todos os dias obtém dEla inúmeras graças. Ele próprio é um mestre de humildade; seu gênio é despretensioso e simples, procurando evitar tudo o que dá na vista. O fato de as pessoas terem ânsia de ir a ele, em suas inquietações e aflições, principalmente na doença e nas necessidades espirituais, é provado pelos inumeráveis peregrinos que recorrem ao santo capuchinho, que é um predileto de Deus e um intercessor em todos os casos. Ele conhece o sofrimento humano, e por isso o seu coração bondoso comoveu frequentemente o Coração do Divino Mestre. Muitas provas de gratidão o testemunham. Por conseguinte, não é de admirar que o Pe. Pio receba muitas cartas; contudo, as trazidas pelos peregrinos chegam, em muitos dias ao número de dez mil. Ele, evidentemente, não pode ler todas estas cartas; apesar disso, frequentemente, como atestam os fatos, ele sabe o conteúdo delas. Pode-se escrever para ele em alemão, e a resposta vem em alemão; há lá vários padres que dominam as mais diversas línguas. As cartas mais importantes são apresentadas ao Pe. Pio, as de menos importância vão para a sua cela e, muitas vezes, ficam ali como feixes de lenha amontoados. De noite ele reza diante delas e, muitas vezes, olha todos os pedidos ali contidos. Todas recebem resposta; mas é preciso, para o porte de volta, acrescentar um comprovante de resposta (à venda em todas as agências do correio). Muitas pessoas se regozijam por ter conseguido, junto de Deus, na pessoa do Pe. Pio, um intercessor em diversos casos.


PREDIÇÃO DUMA ALMA
AGRACIADA SOBRE O PE. PIO


S. Pio com seus devotos
O Salvador falou à bem-aventurada Lucietta Fiorentino, moradora da aldeia de San Giovanni Rotondo, membro da Ordem Terceira de São Francisco e filha espiritual do Pe. Pio, presenteada com extraordinários dons da graça: “Pede ao Pe. Pio permissão para escrever o que Eu te digo”. Este diário foi aberto após a morte da bem-aventurada Lucietta e obteve, em 1963, o “Imprimatur” eclesiástico. A resposta do Pe. Pio foi: “Sim, escreva apenas o que não lhe for muito cansativo”. Disse Nosso Senhor a ela: “Desapega-te de todas as criaturas e ama somente a Mim”. Respondeu Lucietta: “Quando examino a minha consciência, percebo que a ninguém me apego a não ser ao Pe. Pio; então pergunto: Amado Salvador, como fazer neste caso?” Jesus: “Você deve amar o Pe. Pio em relação a Mim. Ele é o guia que a une a Mim; recebe tudo de Mim, está unido da maneira mais profunda ao Meu Coração, e por isso deve acreditar nele, amá-lo, respeitá-lo. Os mistérios que você observa nele e ao seu redor são incompreensíveis para vocês. Nem você nem os outros no mundo podem entender isto plenamente. Somente no céu tudo ficará patente”.

Só quem pode compreender inteiramente o Pe. Pio e o seu modo de pensar, faz o que Deus quer. Prefere a uns, rejeita outros. Nós porém não devemos criticar os seus atos, porque vêm de Deus.

Disse ainda Nosso Senhor à bem-aventurada Lucietta: “Pode lembrar-se do que Eu lhe revelei em 1906, quando você estava doente?” Lucietta: “Sim, posso! De longe virá um sacerdote, comparado simbolicamente a uma grande árvore. Vou plantá-la aqui neste convento; seus ramos e folhas se estenderão sobre o mundo. Quem crer, virá refugiar-se debaixo desta árvore, pois ela é tão bela, tão opulenta, com frutos tão maravilhosos que ele alcançará seguramente a salvação da sua alma!

O Salvador prosseguiu: “Todos os que o seguem vão conseguir a salvação. Mas ninguém lhe dá o devido valor. Um dia vão reconhecê-lo. Sou Eu Quem opera nele. Nele encontrei todos os requisitos pressupostos e Me uni a ele. Aquilo que o Meu servo, o Pe. Pio, diz e pensa, é querido por Mim. Quem, falsamente, diz algum mal dele, a si mesmo se prejudica. Por outro lado, fazem bem os que se recomendam a ele, lhe pedem graças e o veneram! A sua alma se deve espelhar neste Pai espiritual, pois eu opero nele. Eu vou engrandecer este meu filho e difundir o perfume da sua fama! Ele tem a capacidade de dar toda a espécie de graças. Quem o invoca, procede como se invocasse um santo, no qual eu me comprazo. Ele tem as mãos cheias de dons espirituais. Vive em mim e, por conseguinte, é uma hóstia viva. Só no céu vocês chegarão a saber quem é o Pe. Pio”.


A MISSA DO PE. PIO


S. Pio no Altar
O Pe. Pio celebra a Missa diariamente, na maior parte das vezes, às 5 horas da madrugada. À 1 hora, as pessoas já estão diante das portas da igreja e esperam rezando até que elas se abram. Eu mesmo presenciei isto frequentemente. Às 4 horas da madrugada, já se encontra lá uma grande multidão. Ouve-se rezar em várias línguas. Muitos vieram de longe e não se pouparam o grande sacrifício de levantar cedo, para poderem estar mais perto do altar do Pe. Pio. Às 4 h. 30 min., a igreja é aberta; muitas vezes, em poucos instantes, ela fica lotada de peregrinos buliçosos. Também o Pe. Pio faz um grande sacrifício, pois todos dias ele se prepara durante 3 horas para a Missa. Às 4 h. 45 min., ele chega à sacristia cambaleando e cheio de dores. Neste tempo, experimenta diariamente, dum modo misterioso, os sofrimentos do Horto das Oliveiras. Também agora o Pe. Pio não tem descanso. Altos dignitários, muitos sacerdotes e homens de todas as classes sociais esperam por ele e lhe expõem os seus pedidos. O santo capuchinho dá somente alguns passos, deixa-se cair sobre um banquinho e reza. Poucos minutos mais tarde, levanta-se de novo e, fortalecido, vai à mesa dos paramentos, reveste-se com eles e se prepara a fim de renovar o Sacrifício de Cristo na cruz. Frequentemente, ele tem lágrimas nos olhos. À pergunta: “Por quê?”, responde com uma voz soluçante: “Não sou digno de celebrar o Santo Sacrifício da Missa, eu sou o sacerdote mais indigno que há”. Que comovente! Um homem com 81 anos chora. Às 5 horas, pontualmente, vai ao altar, abrindo caminho através da multidão em burburinho. Vê-se que cada passo, movimento e ação lhe causam grande dor.

O Pe. Pio reza a Missa no altar-mor, para que os peregrinos o possam ver dos 3 cantos da igreja. Com grande recolhimento e reverência recita as orações ao pé do altar. Nota-se que ficar em pé por muito tempo, bem como as chagas o fazem sofrer; muitas vezes segura a testa como se quisesse afrouxar a coroa de espinhos. Depois sobe ao altar e quer beijá-lo, mas grandes dores o impedem. Ele sofre e repara por terríveis pecados que Deus lhe mostra incessantemente. Durante o Glória e o Credo fica, muitas vezes, em êxtase e se tem a impressão de que ele pode ver tudo o que fala. Tudo o que o Pe. Pio diz nas orações se espelha nos traços de seu rosto: as mais das vezes, um grande sofrimento; porém raramente alegria. Ao ir para o meio do altar ele se inclina e reza. Então, se percebe pela primeira vez que ele chora. Tem um pequeno lenço das lágrimas, com que as enxuga. Com grande devoção e amor, lê o Santo Evangelho. Durante o Ofertório, levantada a patena, ele frequentemente cai em êxtase; nesta ocasião fala, muitas vezes, a meia voz com alguém que ninguém vê. Ao mesmo tempo coloca as numerosas intenções das pessoas sobre a patena. Neste estado, se detém por muito tempo. Na Segunda parte do Santo Sacrifício, sucede o mesmo. Quando o Pe. Pio se volta para o povo (p. ex., no “Dominus vobiscum”), vêem-se claramente as suas mãos traspassadas e sangrando. Suas dores e também as causadas por ficar longo tempo em pé, aumentam cada vez mais; são agudas, causticantes, lancinantes. Seus olhos ficam encovados no rosto, e suas feições como as do Redentor moribundo na cruz. assim contam repetidas vezes os sacerdotes que o ajudam no altar, como também os que o vêem mais de perto.
Agora se deu o sinal da Consagração. No momento em que pronuncia as palavras dela, um aspecto mortal perpassa todo o seu corpo. Ele luta e se estorce nas dores mais atrozes, o sangue fresco escorre das chagas das suas mãos. O Pe. Pio não contempla a morte de Cristo, ele a experimenta dum modo misterioso no seu próprio corpo. Muitas pessoas gritam, soluçam e imploram: “Meu Jesus, misericórdia!”, pois temem que ele possa morrer.

Percebe-se isto mais claramente, de modo especial, na Quaresma. O mais comovente é o seguinte: o Pe. Pio, ao renovar incruentamente o Sacrifício de Cristo na cruz acrescenta tudo à sua total oblação, até mesmo o sangue do seu coração. Este se avoluma em todos os sentidos, e isto principalmente torna os presentes alvoroçados. Por isso se ergue frequentemente, entre eles, uma voz sufocada pelas lágrimas: “Eu creio!” O que o Pe. Pio não teria proposto sofrer e reparar por estas almas, para a sua conversão? Também muitos acatólicos se converteram nesta ocasião.

A Consagração dura até 5 minutos. Depois o santo capuchinho fica um pouco mais tranquilo, mas as dores não o abandonam. Então ele reza o Pai-Nosso com grande devoção. Na Comunhão, ao bater no peito e rezar: “Senhor eu não sou digno”, sua voz falha; lágrimas brilham nos seus olhos, e isto dura até ele bater no peito pela segunda e terceira vez. Aí recebe a sagrada Hóstia, o Corpo de Cristo. Em seguida, cai novamente em êxtase; nesta ocasião o seu semblante adquire um aspecto quase transfigurado e recebe as alegrias e delícias do céu, enquanto isto é possível a um homem mortal. Este fato constitui uma compensação por toda a carga de seus sofrimentos até então, e também vigor e forças para enfrentar o dia pesado de trabalho que o espera. Fica neste estado durante muito tempo, e com grande devoção recita as orações finais da Missa. A seguir, cansado, é reconduzido à sacristia. Aí tira os paramentos e põe as luvas de lã para absorverem o sangue e as sagradas chagas não serem profanadas por olhares curiosos. Logo depois volta ao claustro e faz a sua ação de graças.

Do lado de fora se detêm os peregrinos, vindos de longe, com lágrimas de comoção nos olhos. Eles se converteram e exclamam, a meia voz, na igreja, na maior parte das vezes, à maneira italiana: “Ah, meu Deus, como eu vos conheci tão tarde! Procurava descanso e não o encontrava!” Aí, de fato, acharam o descanso e a paz das suas almas. Depois vão arrependidos ao confessionário.

A Missa do Pe. Pio, que dura em geral uma hora, é comovente. Um dos muitos sacerdotes, como consta num livro sobre o santo estigmatizado, declarou que não poderia sobreviver a mais uma Missa do Pe. Pio. Depois disto, aquele sacerdote celebrou a sua Missa com tanto decoro e devoção como nunca o fizera antes.

Após o Pe. Pio ter recebido os santos estigmas visíveis, o sangue das chagas nas suas mãos gotejava sobre a toalha do altar durante a celebração, de sorte que ele se desculpava continuamente com o Pe. Guardião. Agora, porém, ele recebeu a graça da coagulação imediata do sangue, logo que se dirige da sacristia para o altar. São tão preciosos os momentos da Missa celebrada pelo Pe. Pio que, quanto mais sofre, mais graças provêm através dele. Quem assistiu à sua Missa recebe uma bênção para toda a vida. Durante o Santo Sacrifício, as pessoas podem, silenciosamente, confiar a ele as suas intenções.

Visto que já tem 81 anos, devem reconduzi-lo à sacristia numa cadeira de rodas. Ele celebra a Missa sentado, e ela não demora mais tempo que antes; muitas vezes não é mais capaz de celebrá-la. O santo capuchinho sofre visivelmente não tanto como antes nem tem êxtases com tanta frequência. Ele já disse: “A terra poderia existir sem o sol, mas não sem a Missa”.


A SANTA CONFISSÃO


S. Pio ouvindo confissão
Os pecados a quem perdoardes ser-lhes-ão perdoados e a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo. 20, 23).

Todos os fatos relativos à Confissão não foram narrados pelo Pe. Pio — evidentemente, ele guarda o sigilo sacramental — mas os seus penitentes o fazem espontaneamente, com profunda comoção. Ele cumpre os seus deveres sacerdotais com um zelo heróico e uma caridade que vai ao extremo. É o bom pastor, para quem o Divino Mestre serve de modelo; os seus esforços e a sua caridade não conhecem limites.

O Pe. Pio é um mártir do confessionário. O oneroso encargo de ouvir confissões exigiu dele, em certos dias de festas religiosas, 18 horas diárias. Um homem de nervos fortes não poderia suportar por muito tempo uma carga física e espiritual tão pesada. Contudo, o Pe. Pio constitui uma rara exceção causada pela graça de Deus. Houve tempos em que a polícia teve que intervir, para pôr em ordem a multidão impetuosa. Sobre estes fatos, ele mesmo informa numa carta ao Prof. Cácaro, em 1919: “Quanto à saúde vou bem, mas estou ocupado dia e noite em ouvir centenas de confissões. Não tenho um momento de tempo livre, mas, viva Cristo, que me assiste poderosamente na minha tarefa”.

Agora ele ouve confissões apenas durante poucas horas no dia, muitas vezes em tempo nenhum, pois assim os seus superiores e a sua saúde enfraquecida o permitem.

Uma vez que já chegou aos 81 anos, querem poupá-lo a fim de que o seu coração bondoso possa ainda bater por nós.

O confessionário, no qual ele ouve as confissões das senhoras, se acha na igreja. Como na maior parte das igrejas dos capuchinhos, ela é simples e sem ornatos.

O confessionário para os homens fica num canto da sacristia; é ainda mais simples, pois consta apenas duma poltrona para o confessor e dum genuflexório para os penitentes. Uma cortina o esconde dos olhares curiosos.

Cada uma das ovelhas que chegam deve animar-se para uma dura prova de paciência. Por isso aquele convento foi chamado também “Casa da paciência”, porque ali o mais impaciente deve aprender a aguardar pacientemente. Assim, o tempo de espera dura, segundo a estação do ano, de 5 a 18 dias para os homens e de 8 a 35 dias para as senhoras.

O Pe. Pio trata cada penitente de modo diverso. A muitos ele recebe com braços abertos e os saúda com grande carinho. Para ele, não vale a condição social, mas apenas a alma que ele vê diante de si à luz de Deus. Com as almas sinceras e retas, ele se comporta com uma comovente doçura, despedindo-se assim do penitente: “Vai, Jesus te ama!” Contudo, muitas vezes o santo estigmatizado deve usar de palavras duras, rudes e assustadoras. Outros, ao contrário, ele, a princípio, repele, seguramente para tornar a vê-los melhor preparados para a absolvição. O seu sorriso bondoso e conquistador e também o seu aspecto sombrio valem para todos: cultos, altas personalidades, e aos peregrinos simples e sem instrução. Frequentemente, o Pe. Pio trata os grandes pecadores arrependidos, aos quais ele desculpa em parte a sua ignorância dos mandamentos de Deus, melhor do que a um cristão farisaico que aparenta estar convencido de sua perfeição.

Seguem agora alguns exemplos da vida real.

Dizem que o Pe. Pio estaria no confessionário, quase em estado de iluminação, ou, noutras palavras, Deus de certa maneira fá-lo-ia participar de Sua onisciência. Um penitente tivera a infelicidade de calar ou diminuir, por falsa vergonha, a sua culpa. Mas, de modo nenhum conseguiu êxito diante do Pe. Pio. Sua alma ficou sem camuflagem aos olhos do santo sacerdote, que o repreendeu severamente: “Nos seus lábios há palavras blasfemas!

O Pe. Pio não perdoa facilmente a infração do preceito dominical. Para com os pecadores reincidentes, de vida viciosa, beberrões, fumantes inveterados, os que pecam continuamente contra a castidade, ele procede com severidade. Ademais, não lhes concede facilmente a absolvição, mas os exorta seriamente a mudarem de vida, dando-lhes um tempo de prova, no qual eles devem comprovar as suas disposições. Sem o devido arrependimento e propósito de romperem com os seus maus hábitos, não podem contar com uma ulterior absolvição por parte do Pe. Pio.

Existe apenas um sol e todos os relógios deste mundo, na sua totalidade, se orientam conforme este único sol. Assim os homens se devem orientar segundo o Deus único, vivo e verdadeiro. O santo capuchinho fica muito irritado, quando senhoras vão ter com ele em trajes reprováveis; se isto acontece na igreja, ele encarrega alguém de fazê-las sair imediatamente do lugar santo. Senhoras e também homens só podem ingressar na igreja se, no mínimo, trajarem mangas três quartos; rapazes e homens devem estar de calças compridas, se não quiserem ser postos para fora da Casa de Deus. Nos casos em que o Pe. Pio não deu absolvição aos penitentes e, por assim dizer, fechou-lhes a portinhola do confessionário na cara, perguntaram-lhe algumas pessoas, num tom de leve censura, por que tinha sido tão severo. Então o Padre, em outras ocasiões tão bondoso, retrucou com a voz embargada pelas lágrimas: “Você sabe também quanta dor me custa fechar a portinhola para alguém? Mas é Deus que me obriga a isto; eu mesmo não despeço nem rejeito ninguém. Há outro, do qual sou instrumento inútil, que chama e manda embora as almas”. Talvez o Pe. Pio pensou nas palavras do Apóstolo São Paulo ao dizer: “Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim!

Um dia aproximou-se dele um moço distinto, querendo confessar-se. O Pe. Pio lançou-lhe um olhar penetrante e lhe disse em voz alta: “Porco!” Abalado e profundamente envergonhado, saiu da sacristia humilhado diante de todos. Uma vez que ele jamais usara de tal expressão, um sacerdote perturbado perguntou: “Padre, por que o senhor disse palavra tão chocante?” Replicou o Pe. Pio: “Se eu não lhe lançasse em rosto esta palavra, ele estaria eternamente condenado. Vive em concubinato, e isto é uma espantosa e terrível abominação diante do Senhor. Esta humilhação lhe fez bem e dentro de alguns dias ele voltará. No confessionário, eu não lhe poderia dizer aquilo e assim deveria deixá-lo ir sem arrependimento, nem propósito, nem absolvição”. Após alguns dias, ajoelhou-se, profundamente comovido e chorando, quem fora tão duramente repreendido diante do Pe. Pio. O santo sacerdote, com um suave sorriso e os braços abertos recebeu o filho pródigo de volta: “Veja, agora o Salvador tem uma grande alegria com você”.

Um dia, um espírita veio a San Giovanni Rotondo. Queria falar com o Pe. Pio, não para se confessar, mas para saber dele o que tinha acontecido em sua família, pois nela reinava uma inquietação tão grande que não se podia encontrar nenhum momento de repouso. Depois do meio dia veio ao convento e encontrou-se com o Pe. Pio que lhe disse: “Para conversa fiada eu não tenho tempo; se quer confessar-se, venha à sacristia”. O homem, completamente confundido, foi ao confessionário; após a confissão disse: “Contou-me coisas como se ele mesmo as visse”. O Pe. Pio lhe perguntara: “Que mais ainda?” A resposta do homem foi: “Não me lembro mais de nada!” O santo estigmatizado replicou: “Já fez a experiência: tudo recai sobre você. Quem se aproxima do fogo e não se queima com ele? Quem se aproxima de Cristo e não sente o Seu amor?” Neste momento, o penitente viu, em lugar do Padre, Jesus Cristo com uma veste de nazareno, branca como a neve, de cabelo repartido, resplandecendo maravilhosamente. O homem ficou sem fala. A visão se dissipou vagarosamente; então disse o Pe. Pio: “Vá em paz e não peque mais”. Este homem contava que, à tardinha frequentemente tinha feito as mesinhas se moverem a fim de saber o número certo da loto. E agora se havia convertido de tal modo que não queria mais voltar para a sua fábrica, uma vez que tinha sido tantas vezes amaldiçoado lá; ele pensava que o Pe. Pio gostaria de auxiliá-lo para ser despedido e receber uma indenização. O santo capuchinho lhe disse: “Concedo-lhe de bom grado esta graça”. E assim também sucedeu.

Uma mãe, cujo marido já estava morto, tinha três filhos: dois deles eram missionários, o terceiro tinha morrido em casa, em consequência de suas feridas recebidas na guerra. Sozinha, lutava agora com o seu destino; praguejava e blasfemava contra Deus, e depois se afastou da fé. Ao passar um procissão pela cidade, ela, por curiosidade, olhou da janela para fora e pareceu-lhe que a imagem da Mãe de Deus, levada em procissão, lhe lançara um olhar severo. Abalada até o fundo da alma com aquilo, decidiu começar uma nova vida. Algum tempo depois, fez uma confissão geral ao Pe. Pio e pediu-lhe a graça de morrer em breve. Assim respondeu ele: “Senhora, o seu tempo de vida ainda está longe do fim”. Ela retrucou, chorando: “Padre, agora eu me domino, mas não sei se vou recair de novo, praguejando e blasfemando contra Deus. Alcance-me a graça de antes morrer que pecar”. Estas palavras impressionaram profunda e visivelmente o Pe. Pio que lhe obteve esta graça, pois ela morreu dentro de oito dias.

Uma senhora chegou a San Giovanni, e quando lhe falavam a respeito do Pe. Pio, pensava: “Eu não creio que ele sabe tudo, ao menos nada sobre os peregrinos aqui presentes”. Numa certa manhã, ela comprou numa loja algumas lembranças religiosas; pediu à vendedora pressa, pois, como julgava, estaria, naquele mesmo dia, na fila dos penitentes do Pe. Pio. Foi o que aconteceu. Após a confissão, disse-lhe ele: “Você tem alguma coisa na bolsa. Não a roubou, nem tomou, mas ela não lhe pertence”. E, com estas palavras, fechou a portinhola. A senhora quis ainda perguntar, o que significava aquilo, mas era já muito tarde. Pensava que talvez algo não tivesse ficado em ordem durante a compra. Dirigiu-se à loja e contou o caso à vendedora. Tudo foi examinado e nenhum engano se verificou. De repente, a vendedora perguntou à senhora se ela ainda tinha a nota recebida há pouco tempo. Ela estava intacta na bolsa. Quando a vendedora abriu a nota de 1.000 liras dobrada, achou-se junto outra nota bancária de 500 liras. Nem a vendedora nem a freguesa sabiam disto, mas o Pe. Pio sabia! A senhora, por fim, ficou convencida de que o santo capuchinho sabia tudo.

Um casal sem filhos, já em idade avançada, fez uma peregrinação a San Giovanni Rotondo; ambos eram muito bons e caritativos. Quando o marido chegou ao confessionário, o Pe. Pio disse com grande surpresa dele: “Por causa das boas obras de vocês, eu lhes obtive a graça de serem abençoados com um filho”. Com isso, a alegria do homem foi enorme. Realmente, nove meses depois, a senhora se tornou mãe dum sadio bebê.

Três senhoras se encontravam numa hospedaria em San Giovanni. Na mesa havia uma cestinha com laranjas e junto um cartão com o preço. Uma das senhoras afirmou que o preço era bem alto e por isso uma outra aconselhou a tomarem duas laranjas, pagando só por uma. No dia seguinte esta última estava na fila dos penitentes do Pe. Pio e, depois da confissão dos pecados, perguntou ele: “E o belo conselho que deu sobre as laranjas?

Um senhor de Roma declarou ao Pe. Pio no confessionário que frequentemente era muito orgulhoso. O estigmatizado respondeu com voz impressionante: “Os anjos foram orgulhosos só por um instante e por isso Deus os precipitou no mais profundo abismo. Se você continua a proceder assim, cairá num cárcere donde nunca mais sairá — ou seja, no inferno!” O homem tomou isto a sério.

Passando o Pe. Pio pela sacristia, perto dum estudante, disse-lhe: “Se você continuar a viver como até agora, será eternamente condenado”. O jovem ficou perturbado, mas retrucou com sua altivez costumeira: “Então eu devo deixar que me falem com tanto atrevimento?”, e voltou para a casa no próximo trem. Dia e noite sua consciência o torturava, pois ouvia repetidamente a palavra do Pe. Pio: “Será eternamente condenado!” 14 dias depois, chegou a San Giovanni cheio de arrependimento, fez uma confissão geral, e se converteu.

Um homem, que esperava pela confissão, disse aos outros, a meia voz: “Quando me confesso, nunca digo todos os pecados; afinal, o vigário não precisa saber tudo”. Com o Pe. Pio, ele fez o mesmo e o sento capuchinho fez-lhe a seguinte pergunta: “E os outros pecados?” O homem ficou calado e o Pe. Pio acrescentou: “Ah, você se envergonha de confessar os seus pecados?. Mas não teve vergonha de cometê-los!” Então o Padre começou a contar-lhe os pecados um após o outro, e advertiu-o de outros que o homem esquecera há muito tempo, acrescentando ainda: “Você se confessou 5 vezes sacrilegamente; Deus é mais misericordioso com você do que com Judas. Vá, prepare-se bem e depois venha ter comigo!” O homem só pôde chorar e, mais tarde, fez uma confissão geral.

Pessoas que vinham ao confessionário sem convicção íntima, mas somente para pedir conselhos, ou para receber os sacramentos nas festas de preceito, como é costume, eram frequentemente despedidas pelo Pe. Pio. Dizia-lhes em rosto que não tinham nem arrependimento nem propósito e que ali não podiam fazer representação teatral. Isto produzia sempre uma conversão completa. Ele não dava absolvição àqueles que, da mesma ou semelhante maneira, tinham pecado contra o sexto mandamento, enquanto não houvesse o devido arrependimento e o sério propósito. Dizia ser justamente por causa dos pecados contra a castidade que há tanto sofrimento no mundo, e tantas almas se perdem.

O Pe. Pio exigiu dum senhor de Florença, que se confessara pela primeira vez com ele, a promessa de não cometer mais um certo pecado. Um ano mais tarde, este homem voltou a confessar-se com o santo capuchinho. Este, para a maior admiração dele disse: “Você cometeu novamente aquele pecado, embora me prometesse que não o faria mais!” Pode-se imaginar o espanto do homem ao reconhecer que o Pe. Pio ainda sabia daquilo, apesar de nesse meio tempo, inúmeros penitentes haviam estado com ele.

Um dia, dois homens discutiam diante do confessionário do Pe. Pio para ver qual deles poderia chegar até ali primeiro, embora a ordem na fila estivesse numerada. Quando o Padre, que certamente nada poderia saber desta disputa, chegou ao confessionário, mandou sair o homem que já estava ali e lhe disse com ar brincalhão: “Você não é o primeiro da fila, mas o que espera lá fora”.

Uma senhora de Viena demorou-se muito tempo em San Giovanni. Aí encontrou uma conhecida de Milão que gostaria de se confessar com o Pe. Pio, mas infelizmente o seu vestido era muito curto. A vienense emprestou-lhe um vestido suficientemente comprido. No confessionário o santo capuchinho deitou uma olhada zombeteira sobre a milanesa e falou: “Devolva primeiro o vestido emprestado, volte depois a Milão e mande fazer lá um vestido comprido como este e para usá-lo também em casa. Então pode ousar vir confessar-se comigo — mas não ser atriz de teatro!” A seguir, fechou a portinhola, e ela retirou-se dali envergonhada.

Uma senhora, que rezava sem cessar durante a Missa, viu, quando seus olhos se fixaram no altar, a imagem do crucifixo no missal. “Ah!”, pensava ela, “se, na hora da minha morte, o Senhor me disser como ao bom ladrão: Hoje estarás comigo no paraíso!” Enorme foi a sua surpresa quando ela, cinco dias depois, ajoelhou-se no confessionário e o Pe. Pio a informou: “Se você fizer tudo o que eu lhe disse agora, então, como você desejou há cinco dias atrás, o Senhor também dirá para você, na hora da morte, o que disse ao bom ladrão: Hoje estarás comigo no paraíso!

Depois que um homem arrependido tinha confessado os seus pecados, perguntou-lhe o estigmatizado: “E o caso da carteira roubada você não quer confessar?” Tomado de assombro, o homem disse: “Que carteira?” Retorquiu o Padre: “Parece-me que você absolutamente não pensa mais nisso. Durante a campanha da França, você entrou numa casa; lá encontrou uma carteira de dinheiro com 75.000 francos. Você não precisava de dinheiro e, portanto, não tinha o direito de levar a carteira!” O homem procurou justificar-se: “Padre, eu não sabia de quem era”. O Pe. Pio, porém, acrescentou: “É estranho! Você também não sabia de quem era a casa. Por que não a levou consigo?” O homem não soube responder a isto. O santo capuchinho lhe mandou empregar aquele dinheiro pouco a pouco, em boas obras, “pois”, disse, “você está em condições de o fazer”. O homem recusou: “Eu não quero fazer isto”. E o Pe. Pio decidiu: “Então não lhe dou a absolvição!” O homem retirou-se do confessionário sem nada ter conseguido. Alguns dias depois, voltou arrependido e prometeu reparar o prejuízo e depois recebeu também a absolvição.

Muitos jovens faziam ao Pe. Pio perguntas sobre a sua vocação. Alguns deles, por exemplo, eram orientados por ele. Um rapaz perguntou-lhe: “Eu posso ser médico?” O Padre confirmou: “Vai ser, certamente! A medicina é uma vocação muito bela!

Por outro lado, ele respondia negativamente à mesma pergunta feita por outro jovem e lhe fez ver uma vocação diferente. Um outro pediu conselho ao Pe. Pio nestes termos: “Eu gostaria muito de ser sacerdote”. O santo sacerdote confirmou-o no seu propósito: “Sim, o Senhor o chamou, será padre, sem dúvida; não padre secular, mas religioso”. Realmente, este jovem tinha intenção de entrar numa Ordem religiosa. Um rapaz volúvel perguntou no confessionário: “Padre devo ser sacerdote ou casar-me?” A resposta foi: “Case-se; é melhor não ser sacerdote do que ser um mau padre!

A uma moça com desejo de entrar num convento, disse o Pe. Pio: “É a sua vocação, deve segui-la!” Ela, porém, respondeu: “Minha mãe não deixa!” Seu pai tinha falecido há muito tempo. O Padre retrucou com decisão: “Ela a deixará ir, pois Deus a chama; eu rezarei por você!” Quando a moça voltou para a casa, a mãe defendia cada vez mais o seu ponto de vista. Meio ano depois, morreu, e a filha pôde seguir a sua vocação. Não seria isto a resposta do céu? Podemos reconhecer, em muitos casos, que nós nunca devemos criar dificuldades aos que são chamados por Deus, pois muitas vezes morrem os pais ou o filho.

O Pe. Pio ordenou, certa vez, a uma senhora que não tinha mais nada a dizer na confissão: “Vá depressa ao tanque lá em baixo, olhe para dentro e volte para cá!” Ela viu no tanque o seu filho que tinha assassinado há 19 anos e lançado num tanque. Profundamente abalada, confessou o seu grande pecado ao Padre.

Um assassino, cuja consciência não o deixava em paz, estava um dia diante do Pe. Pio no confessionário e esperava encontrar novamente a tranquilidade da alma. Confessou diversas faltas da sua vida, mas, apesar da sua melhor vontade, não teve a coragem de declarar o seu mais terrível pecado, o assassínio cometido. Então se calou e o Padre também. Ambos sabiam do pecado mais grave. Após algum tempo de silêncio, o santo capuchinho deixou o confessionário, tomou o penitente pelo braço e o levou para junto dos homens, sentados nas fileiras de bancos perto do confessionário. De repente, o homem soltou um grito tão lancinante que caiu desmaiado por alguns instantes. Então o Pe. Pio levou-o novamente ao confessionário. Depois da absolvição, o homem saiu dali com o rosto iluminado e declarou às pessoas ali presentes que o Pe. Pio lhe tinha obtido a graça de ver a quem tinha assassinado, sentado no banco. Esta visão lhe trouxe à consciência o horror do seu delito, de sorte que teve ânimo de se arrepender e de confessar o seu grave pecado.

A uma senhora, vinda de longe, disse o Pe. Pio, após a confissão: “Não é obra de caridade fraterna o fato de você ter levado secretamente café puro à sua amiga no hospital; o médico proibiu-lhe beber café, pois isto realmente lhe faz mal”. Com estas palavras a senhora ficou completamente desconcertada.

Uma senhora, no confessionário, pediu ao Padre rezar por ela para poder voltar à sua casa própria e assim poder viver do aluguel, pois agora não passava duma empregada. Replicou ele: “A sua e a minha casa estão no cemitério! Você nunca voltará à sua casa própria. Não foi a todos que Deus determinou fossem ricos. Quanto mais rico alguém é, tanto maior é também a sua responsabilidade. A custo, os ricos entram no céu; o Salvador já disse isto”.

Uma vienense perguntou, certa vez, ao Pe. Pio se ela iria viver ainda muito tempo; do contrário, empregaria todo o seu dinheiro em fins caritativos. A isto, disse ele: “Não se arrancam todas as penas de um ganso, enquanto ele vive!” Mais tarde, a senhora foi parar num asilo e agora está contente, por poder acrescentar alguma coisa ao seu passadio com as suas economias.

A proprietária duma pequena pensão dava comida muito escassa aos seus hóspedes, embora cobrava muito por isso. Uma vez, quando se foi confessar ao Pe. Pio, ele a despediu com estas palavras: “Você é como o demônio atrás do dinheiro, não tem nem arrependimento nem propósito; fora!” Então, em consequência disto, ela se converteu.

Um padre, no confessionário, de repente, começou a chorar alto e disse com a voz entrecortada de lágrimas: “Sim, agora eu me lembro disso!” O Pe. Pio lhe dissera um pecado de que ele já se esquecera e ainda não havia confessado.

Outro sacerdote, certa vez, declarou, entre outras coisas, que tinha cometido um pecado por pensamento. “Não”, respondeu o estigmatizado peremptoriamente; “o senhor o repeliu”, e lhe revelou exatamente o pensamento que tivera. O padre ficou surpreendido com a delicadeza das palavras do Pe. Pio.

Um sacerdote celebrava a Missa sempre bem depressa e com muito relaxamento; ora, em San Giovanni, o ajudante lhe chamou a atenção sobre isso. O padre tomou a sério a advertência e informou o próprio Pe. Pio a respeito. Este lhe perguntou: “O senhor ao menos agradeceu ao ajudante por esta graça?” “Não”, respondeu ele. A isto, retrucou o Pe. Pio: “Então repare logo esta desatenção”. E o sacerdote assim o fez.

Certa pessoa perguntou ao Pe. Pio, se a Srta. N. poderia ser atriz, pois desejava seguir essa profissão. Ele recusou: “É um perigo muito grande de pecado. Se alguém se mantém de pé 99 vezes e cai apenas uma, mesmo assim se deve desaconselhar com um não”. Destas palavras, se deve reconhecer a gravidade dum pecado.

Uma família tinha ganho uma criança depois de pedir ao Pe. Pio e por sua intercessão, embora, a juízo dos médicos, isto teria sido impossível. Passados muitos anos, quando aquele filho devia submeter-se a uma prova difícil, o seu pai, no confessionário, pediu ao santo sacerdote suas orações naquela intenção. O Padre sorrindo, deu esta resposta: “Eu creio que ele é mais meu filho do que seu, porque rezei mais por ele do que você para ele nascer”.

Uma vez, perguntou o Pe. Pio a um jovem por que quase nunca ia à Missa. Ele procurou justificar-se, porque devia fazer trabalhos importantes. A isto, o Pe. se entristeceu e perguntou: “O que poderá você dizer, um dia, ao eterno Juiz? Você não poderá levar consigo para lá o que ganhou. Não se preocupa com a sua pobre alma?” Estas palavras penetraram como uma espada no seu íntimo, e ele se converteu.

Outro penitente foi repelido pelo Pe. Pio só com estas palavras: “Ponha primeiro as suas coisas em ordem!” Ele sabia muito bem que o homem, depois de remover o escândalo duma união ilegítima, voltaria e, recebida a absolvição, encontraria paz interior.

Um homem contou que o Padre, no confessionário, lhe tinha posto diante dos olhos a sua inimizade com um vizinho e o exortou a se reconciliar o mais breve possível para Deus também lhe perdoar. O penitente ficou profundamente abalado pelo fato de o Pe. Pio saber da sua inimizade, embora ele nunca estivesse com o Padre nem muito menos lhe tinha falado a respeito.

Durante a confissão perguntou o santo capuchinho a um homem de Módena se ele não mais se lembrava da terrível blasfêmia proferida quando, durante a limpeza do carro, lhe caiu da mão a chave inglesa. “Ninguém ouviu”, foi a resposta. “Mas Deus ouviu”, afirmou o Pe. Pio. O homem empalideceu: O Padre sabia tão exatamente de tudo como se ele mesmo estivesse presente.

Em consequência da idade avançada e das grandes dores, ele passou a ficar muito menos tempo no confessionário até que o deixou completamente.


A COMUNHÃO


S. Pio ministrando a comunhão
Durante a sua Missa, o Pe. Pio distribuía a Sagrada Comunhão somente para as crianças que a recebiam pela primeira vez, provenientes de todo o mundo e às que ele encontrava ali durante o ano. Às 9 h. 30 min., dava para o povo, junto ao altar-mor. Diz-se que seu rosto também se iluminava ao distribuir a Santa Hóstia. É preciso que nos preparemos para a Comunhão como se ela fosse a primeira ou a última; todavia não devemos ter medo. Um senhor disse, uma vez, ao Pe. Pio: “Padre, eu não sou digno de receber a Comunhão”. Retrucou-lhe o santo capuchinho: “O que você fala sobre dignidade? Quem é realmente digno? Ninguém! Tudo é graça e misericórdia!

Que grande amor de Deus deve ter este sacerdote! Eu mesmo experimentei isto muitas vezes durante os nove meses que lá estive. Quando segura a Sagrada Hóstia nas mãos e diz: “Senhor, eu não sou digno...”, tinha uma fisionomia transfigurada, como se ele próprio visse Nosso Senhor. E o que ele nos diz? “Oh, como nós homens nos admiraremos um dia de que este Salvador que, invisível, se esconde na Santa Hóstia é o mesmo que virá sobre as nuvens com grande poder e glória para julgar os vivos e os mortos!

O Pe. Pio, na distribuição da Comunhão frequentemente deixou de lado pessoas cuja alma não estava em bom estado; pois cada um sabia por si mesmo, advertido pela consciência, o motivo disto.

Uma senhora com cerca de 40 anos ajoelhou-se no último lugar da mesa da Comunhão. Quando o Pe. Pio chegou até ela e disse-lhe severamente: “Fora, saia daqui!” Chorando e com uma palidez mortal, ela deixou a igreja. Por que exatamente o Padre mandou-a sair? Ela sabia e contou que tinha vindo ali por ser um lugar de peregrinação mariana. Tinha-se confessado a um padre e declarou até os pecados que fizera: era casada e apesar disso tinha muitas vezes cometido adultério com um amigo da sua juventude. Acrescentou que, de coração, sentia muito ter ofendido a Deus e queria agora corrigir-se seriamente. Na verdade, porém, não tinha absolutamente a intenção de renunciar ao seu amigo da juventude. Por isso havia feito confissões sacrílegas, sem ter nem arrependimento necessário nem o firme propósito. Aquele sacerdote não podia olhar na sua alma e assim devia contentar-se com as palavras dela. Mas o Pe. Pio tinha penetrado o seu íntimo. Durante todo o dia ela lutou consigo mesma e, por fim, decidiu-se a começar uma nova vida. Arrependida dirigiu-se ao confessionário e foi à mesa da Comunhão chorando. Aí, então, o Pe. Pio lhe deu Jesus sacramentado, pois o seu estado de alma já estava em ordem.

Um moço, certa vez, se ajoelhou à mesa da Comunhão. Quando o Pe. Pio passou por ele pôs novamente a Sagrada Hóstia na âmbula e disse: “Deve primeiro confessar-se, saia, saia!

A um homem bem idoso, na fila para a Comunhão, falou: “Vá embora, há uma hora você tomou alimento sólido!” Com efeito, naquele tempo, se exigiam três horas de jejum antes da Comunhão.

Atualmente, o Pe. Pio, devido à sua idade avançada e debilidade, não dá mais a santa Comunhão.


A BÊNÇÃO SACRAMENTAL DO PE. PIO


S. Pio dando a bênção final na Missa
Quando a sua saúde lhe permite, o santo capuchinho dá a bênção do Santíssimo Sacramento, as mais das vezes, às 16 h. 30 min. A igreja está superlotada. Ao chegar ao altar, percebemos um brilho nos seus olhos; tem-se a impressão de que ele vê Jesus. Com lágrimas nos olhos e uma expressão de súplica na face, ele fala muitas vezes a meia voz com alguém que ninguém vê. Ao rezar as orações prescritas, especialmente em que se pede a conversão dos pecadores, sua voz fica embargada; ele soluça, muitas vezes chora alto. Também quando invoca a Mãe de misericórdia, nós presenciamos o mesmo. O fato seguinte abalou-me profundamente. Quando, em 1957, eu me ajoelhei perto do Pe. Pio e ele fez a oração pedindo graça e misericórdia pelos nossos últimos instantes, prorrompeu num pranto alto. Pensemos agora: o Pe. Pio teme pelos seus últimos momentos; soluça e chora! Durante a incensação do Santíssimo, ele inclina a cabeça até o degrau do altar. Ele viu frequentemente o Senhor e sabe que diante dEle, nós não somos nada. Sobe cansado os degraus do altar com os seus pés traspassados. Tem um olhar penetrante, a expressão de seu rosto é de súplica e dor. Quando toma nas mãos o ostensório, lágrimas se comprimem nos seus olhos; fala com o Salvador em voz baixa. Durante a bênção, na qual o Pe. Pio apresenta ao Senhor todas as intenções trazidas a si oralmente ou por escrito, ocorrem frequentemente fatos na igreja ou fora dela, pelo mundo, pois o santo capuchinho é um predileto de Deus. Visto que o Senhor é infinitamente rico, o Pe. Pio pode haurir em grande abundância deste manancial de graças e distribuir benefícios a mancheias. Por este motivo, não nos devemos admirar se, por sua intercessão, acontecem fatos singulares e pedidos miraculosamente satisfeitos. A bênção com o Santíssimo dura aproximadamente um minuto. Ele a torna tão lenta e venerável que raramente se vê outra semelhante. Quando deixa o altar e olha mais uma vez para Jesus sacramentado, que ele tanto ama, e de quem se deve despedir novamente, podem-se ver frequentemente os seus olhos brilharem. Quem assistiu alguma vez a alguma bênção dada pelo Pe. Pio fica profundamente impressionado.

Agora, já muito alquebrado para poder dar a bênção, ele apenas assiste a ela, as mais das vezes, no coro.



PE. PIO OLHA PARA O ALÉM


Olhar penetrante de S. Pio
O Pe. Pio não só vê as almas dos vivos, mas também as olha no além. Muitos casos o comprovam.

Certa vez, quando eu mesmo estava no confessionário, perguntei-lhe humildemente se ele não me podia dizer onde se achava o meu irmão falecido. Seu rosto se iluminou e ele sorrindo respondeu o seguinte: “Já está lá no céu junto do Senhor”. Uma informação destas é naturalmente muito agradável.

Um jovem advogado queria saber, um dia, depois da confissão, onde estava o seu avô, morto há quatro anos. Para sua surpresa, disse-lhe o santo estigmatizado: “Bem, o seu avô era médico. Em vista do bem que fez, no exercício da sua profissão, ele já está no céu, na eterna visão de Deus”. Então perguntou o penitente sobre o seu outro avô. Para melhor se fazer entender, é preciso primeiro um esclarecimento prestado pelo jovem. “Meu avô, disse este, era um homem indiferente. Pensava assim: que adianta eu ir à Missa do domingo? Saio com gosto para contemplar a natureza e rezo lá fora ou em casa, mas aqueles que falam assim, realmente não o fazem; por que devo confessar-me se não roubei nada, nem matei ninguém?” A esta pergunta o Pe. Pio empalideceu e com voz trêmula, muito excitado, proferiu estas terríveis palavras: “Não posso absolutamente olhar para ele; tão horrivelmente desfigurado está, retorcendo-se nas chamas eternas”.

Um homem tinha abandonado sua esposa e dois filhos e vivia há um ano com outra mulher. Ficou canceroso e já estava perto da morte. Aconselhado a receber os santos sacramentos, concordou. Quando a esposa legítima recebeu a notícia da morte, perguntou ao Pe. Pio no confessionário onde estava a alma dele. Ele ficou pálido e começou a tremer e a chorar: “Eu lhe digo porque sei que é capaz de suportar: a alma do seu marido está eternamente condenada. Ele calou muitos pecados quando recebeu os últimos sacramentos, sem ter nem arrependimento nem propósito e assim pecou contra a misericórdia de Deus. Dizia sempre: agora eu quero gozar a vida, e quando for velho, então me converterei a Deus”. Ora, não só o Pe. Pio, mas também os pastorinhos de Fátima e muitos santos viram os condenados no inferno. Deus não deixa que zombemos dEle: Hoje se está bem de saúde — amanhã enfarte ou desastre — e logo a morte!

Caro leitor, se você não crê no demônio nem no inferno, deveria ir até o Pe. Pio; lá provavelmente você pensaria de outra maneira.

Das três cruzes plantadas no calvário, o homem deve, necessariamente, escolher uma: a de Cristo inocente, ou a do ladrão penitente salvo ou a do ladrão revoltado e muito provavelmente condenado.

Um senhora conhecida minha perguntou ao santo sacerdote no confessionário pela sua irmã falecida, mas ele se calou. Três semanas depois, ele disse espontaneamente a ela na confissão. “Sua irmã já está no céu”. Ela replicou: “Pe. Pio, o senhor acaso rezou ou até sofreu pela minha irmã? Seus sofrimentos diários são tão terríveis!” Ele ficou silencioso. Então disse a senhora: “Padre, alcance-me a graça de poder sofrer pela minha irmã o mesmo que o senhor sofreu por ela”. O santo estigmatizado respondeu com voz séria: “Minha cara senhora, não sabe absolutamente o que diz. Se devesse tomar sobre si estas dores, a senhora morreria”.

Não se obteriam respostas escritas a estas perguntas, porque o Pe. Pio frequentemente dizia brincando: “Eu não sou agência de informações do céu”. Certa vez, uma senhora muito curiosa chegou ao confessionário com uma lista inteira, querendo saber onde estavam todos os seus parentes falecidos. Ele respondeu sorrindo: “Já que é tão curiosa, dê um passeio à eternidade: lá poderá saber onde estão eles”.

Um dia, duas senhoras foram visitá-lo. Quando ele passou por elas no passeio do convento, disse a uma: “Deve viver como se estivesse no convento, pois tem três votos e eles são válidos por toda a eternidade”. Pode-se imaginar o espanto desta senhora que tinha saído do convento há alguns anos. Por meio de declarações falsas e exageradas, fora realmente dispensada dos votos, mas só diante dos homens, mas não de Deus! Mais tarde, quando conheceu um homem, mandou a sua amiga ao Pe. Pio, perguntando se podia ficar noiva. Respondeu ele em tom muito severo: “Será que ela já se esqueceu inteiramente do que eu lhe disse? Ela tem três votos e estes valem por toda a eternidade!” No entanto, a maldade humana não tem limites; apesar disso ela ficou noiva. No mesmo dia teve um ataque de apoplexia e tornou-se inteiramente paralítica. Diante disso, o seu noivo declarou: “Eu me caso com você mesmo paralítica”. Ambos enviaram mais uma vez a amiga ao Pe. Pio para participar-lhe que iam casar-se; quando a senhora se aproximou do santo capuchinho, este lhe disse automaticamente: “Não é bastante para ela o que sofreu no dia do noivado?” E não permitiu mais conversa consigo. O dia do casamento foi também o da morte. Então a outra senhora se dirigiu ao Padre para pedir-lhe que celebrasse uma Missa pela falecida. Contudo, ainda antes de expor a sua intenção, todo excitado, exclamou ele do confessionário: “Ponha o dinheiro na bolsa; eu não posso nem olhar para ela, horrendamente deformada, rodopiando nas chamas eternas!

Certa vez, estavam muitos homens reunidos com Pe. Pio no passeio do convento. De repente, apareceu entre eles um homem, como se tivesse brotado da terra. Estava vestido com um traje de camponês, como se vestia um homem de 30 anos, aproximadamente. Todos se admiraram com isto. O homem falou com o Pe. Pio e ambos entraram no pátio do convento. Quando o santo capuchinho voltou perguntaram-lhe de onde aquela pessoa tinha vindo. Ele explicou: “Há já 19 anos que aquele homem está morto!” Depois descreveu exatamente o lugar e a casa onde tinha falecido, bem como o tipo de morte, ou seja, durante um ataque de apoplexia, caíra no fogo. Deus, porém, no Seu Amor e Misericórdia, permitiu-lhe pedir ajuda de suas orações.

Um jovem se havia suicidado, porque zombavam muito dele no exército, por causa da sua piedade. À pergunta dos seus familiares se ele se tinha salvo, respondeu o Padre com tristeza: “Por causa das orações de seus pais e da grande misericórdia de Deus, ele se salvou, mas está bem no fundo do Purgatório e precisa do nosso auxílio”.

Quando um homem lhe perguntou qual a sua maior dor, disse: “Minha maior dor é o pecado e os filhos da perdição que se condenam em grande número”. Retrucou-lhe o homem: “Padre, então, são de fato muitos os que se perdem?” Antes tinha respondido: “Como flocos de neve no inverno”, e agora diz: “Como uma torrente caudalosa!

Com o crescimento da população aumenta também o número dos falecidos; diariamente, aproximadamente 400.000 pessoas fazem a viagem para o além: quão poucos estão preparados para ela! Podemos aprender com o Pe. Pio que nós fomos criados não só para nos salvar, mas para sermos, por meio de Cristo, um só com Ele.


OS SANTOS ANJOS DA GUARDA


S. Pio amava as crianças
Todos sabemos que a Igreja venera os santos Anjos da guarda e instituiu uma festa especialmente em sua honra.

O Pe. Pio é um grande devoto dos santos Anjos, especialmente de São Miguel Arcanjo. Dizem que ele vê o seu próprio Anjo e também os das outras pessoas (ademais, lemos isto a respeito de muitos outros santos). Muitas pessoas encontraram em respostas escritas a observação de que tinham enviado ao Pe. Pio o seu Anjo da guarda para apresentar-lhe por meio deste as suas intenções. A muitos de nós falta a fé no Anjo da guarda, porque perdemos a simplicidade de coração.

Um homem, cego havia alguns anos, pediu ao Padre quisesse rezar por ele, para não estar sempre tropeçando e caindo; o seu tato ainda não estava bem adestrado para se orientar. De bom grado o estigmatizado deu-lhe a seguinte resposta: “De agora em diante, você não tropeçará nem cairá mais, pois Deus me permitiu dar-lhe dois Anjos da guarda para isso. Eles o vão dirigir, guiar e conduzir. Você sabe, os santos Anjos são muitíssimos rápidos e sempre à disposição”. E continuou a falar: “Quando, na Missa, tenho uma dor tão grande que mal posso folhear o missal são os Anjos que me ajudam a fazê-lo”. Assim ouvimos de sua própria boca que ele os via.

Certo dia, dois cônjuges, ambos professores, ao voltarem para a casa, encontraram o seu filhinho com febre. Usaram de todos os medicamentos caseiros sem resultado. À meia-noite, disse o marido à esposa: “Durma com a criança e eu vou dormir noutro quarto”. Quando ele ia deitar-se, enviou o seu Anjo da guarda ao Pe. Pio; eram exatamente 5 minutos antes de uma hora da madrugada. Às 3 horas, acordou. O seu primeiro pensamento foi sobre o filho. Foi dar uma olhada e encontrou a criança curada. Muito alegre com isto acordou a esposa para informá-la do fato. Ela respondeu: “Já podia pensar nisto, porque antes de ir para a cama, mandei o meu Anjo da guarda ao Pe. Pio”. Então o marido declarou ter feito o mesmo. Algumas semanas depois o homem foi ter com o Padre para agradecer-lhe pessoalmente. Quando o santo capuchinho, rodeado de muita gente, o viu na sacristia, disse com humor, apontando-o com o dedo: “Certa noite eu não tive descanso com você”. O professor, embaraçado, desculpou-se, mas o Padre retorquiu bondosamente: “Por que pedir desculpas? Eu sempre fico alegre quando os anjos vêm, mesmo que seja de noite”. O homem queria agradecer, mas ele recusou: “Vá ao Tabernáculo ou então à Mãe de Deus”. Cheio de embaraço e acanhado, pois todos ali olhavam para ele, disse: “Posso perguntar-lhe: que Anjo da guarda chegou primeiro ao senhor, o meu ou o da minha esposa?” Sorrindo o santo capuchinho deu a seguinte resposta: “O seu veio ter comigo 5 minutos antes de uma, o da sua esposa um pouco mais tarde”.

Outra vez, quando o Pe. Pio passava pela sacristia, disse um homem, radiante de alegria: “Padre, tenho uma grande alegria por ter vindo aqui e poder conhecê-lo”. Com grande surpresa para ele respondeu o Padre: “Eu já o conheço há 5 meses”. O homem ficou admirado, pois era a primeira vez que vinha a San Giovanni Rotondo. Então o santo capuchinho lhe declarou e disse exatamente o dia e a hora: “Há 5 meses você percorreu um certo trajeto com o seu carro. De repente você adormeceu no volante. Andou mais 14 km dormindo e depois acordou. Lembra-se disso?” O homem espantado, confirmou a narração e o Padre prosseguiu, sorrindo: “O meu santo Anjo da guarda tomou o volante no seu lugar; ele se cansou nisto, pois, do contrário você não estaria mais com vida”. Todos os que ouviram o caso ficaram comovidos.

O próprio Pe. Pio dizia que se podem confiar as intenções ao Anjo da guarda, pois ele mesmo as podia entregar, quando não nos é possível assistir à Missa; com isto a Fé e a Caridade são fortificadas; realmente, não basta somente crer, mas também amar.

Um homem jazia num hospital, perto da morte; vivia em concubinato e, além disso, tinha saído da Igreja Católica. Frequentemente a sua irmã enviava o seu Anjo da guarda ao Pe. Pio, pedindo a conversão do irmão. Ela mesmo rezava nesta intenção. Durante o trabalho doméstico, ela ouviu, de repente, a voz enérgica do Padre: “Ajoelhe-se e reze pelo seu irmão!” Ela, profundamente comovida, rezou confiantemente durante uma hora. Após o meio dia ela soube que seu irmão, arrependido, tinha voltado à Igreja. Pouco tempo depois ele morria.

Um menino de quatro anos tinha uma úlcera tão maligna que os médicos não sabiam mais o que fazer. Com toda a confiança colocaram uma estampa do Pe. Pio sobre a úlcera e enviaram o Anjo da guarda ao santo capuchinho. Na manhã seguinte, a criança estava completamente curada. Disse esta depois que o homem bom e forte, representado na estampa, tinha estado junto de si.

Outro menino, na presença do pai, caiu num poço com 18 metros de profundidade sem água, mas onde havia só caixas de cerveja.

Inconsciente e com muitas fraturas de ossos, foi retirado e levado ao hospital. Os médicos não tinham mais esperança. Com a colocação duma estampa do Pe. Pio sobre ele, voltou a si de repente. Fizeram-se muitas orações fervorosas por ele e o Anjo da guarda foi enviado várias vezes ao Pe. Pio. O menino ficou são lentamente. Todos que conhecem este caso, chamam a esta criança de “o menino do milagre”.

Um jovem sacerdote de Praga informou que, pela intercessão do Pe. Pio, um trabalhador, afetado duma dor irremediável na espinha dorsal, ficou subitamente curado. Ele tinha mandado o seu Anjo da guarda ao Pe. Pio. Sem demora, ocorre o milagre. O operário está novamente apto para o trabalho. O jovem padre, pároco de São Pedro e São Paulo, ficou profundamente impressionado, pois o milagre sucedeu há bem pouco tempo.

Um jovem sofreu um ataque cardíaco; durante sete horas, todos os socorros foram frustrados. A mãe se ajoelhou e enviou o seu Anjo da guarda ao Pe. Pio. Neste momento parou o ataque. É assim que Deus atende depressa à intercessão do santo capuchinho. 5 senhoras pernoitavam num aposento comum em San Giovanni Rotondo. Antes de se deitarem — já eram 23 horas — uma delas fez a proposta: “Vamos ajoelhar-nos e enviar o Anjo da guarda ao Pe. Pio para pedir-lhe a bênção”. Dito e feito. No dia seguinte, ele se aproximou e, vindo ao confessionário, disse a uma das cinco: “Ontem à noite, às 23 horas, numa só vez todos os cinco Anjos da guarda estavam junto de mim”. Quão grande foi a surpresa das senhoras!

Uma senhora conterrânea do Pe. Pio queixou-se a ele de que tinha procurado um documento durante horas a fio e não o encontrara. Humildemente, respondeu ele: “Seria melhor que me pedisse por meio do seu Anjo da guarda”.

Um senhor subia de elevador num grande edifício. De repente, aquele parou e faltou energia elétrica. Todas as tentativas foram inúteis. Após 20 minutos, lembrou-se que podia mandar o seu Anjo da guarda ao Pe. Pio e assim fez. Imediatamente o elevador se pôs em movimento. No momento em que ele desceu, o elevador novamente parou de funcionar.

Há muitos anos, o marido duma senhora lhe era infiel e raramente vinha à sua casa. Por escrito e através do Anjo da guarda, ela pediu ao Pe. Pio que a auxiliasse com suas orações, e recebeu medalhas milagrosas bentas e enviadas por ele. A senhora costurou-as na roupa do marido, rezando sem cessar por ele. Depois de alguns dias o homem já rompia com a amante, voltava arrependido para junto de sua esposa legítima, à qual desde então ficou fiel.

Um homem pouco dotado com bens materiais, queria vender o único terreno que tinha e oferecer o dinheiro da venda para a Igreja. Enviou então o seu Anjo da guarda ao Pe. Pio, perguntando se devia fazer aquilo. Então, ouviu muito claramente um voz interior que lhe dizia: “Deus não quer o seu dinheiro, mas o seu coração!


CURAS E CONVERSÕES


S. Pio com D. Marcel Lefebvre
Na maior parte das vezes, os nomes e os lugares não são mencionados com pormenores, em consideração às circunstâncias familiares e aos especiais tipos de graças de que se poderia ter conhecimento.

Um menino de quatro anos, filho duma família operária de Viena contraiu, de repente, uma doença incurável da pele. Em todo o seu corpo apareciam úlceras grandes e pequenas; o menino jazia numa clínica, abandonados pelos médicos. Sua mãe encontrou-se na rua com uma amiga que perguntou a causa da sua tristeza. Tendo ela respondido, a amiga referiu os fatos milagrosos sucedidos com o Pe. Pio e deu-lhe o conselho de recorrer a ele e fazer uma viagem a San Giovanni, com o filho sem esperança de vida. Consolada com a nova esperança, a mulher contou o fato ao seu marido que só mostrou escárnio e desprezo em relação àquilo. Alguns dias uma tarde, as duas amigas se encontram de novo e a mãe apreensiva falou sobre a conversa que tivera com o marido. A amiga confortou-a novamente dizendo que fosse só com a criança para se poupar auto-repreensões. na pior das hipóteses. Após uma discussão entre o casal, consentiu o marido, somente para satisfazer o desejo de sua esposa; esta, assumindo toda a responsabilidade, retirou o menino da clínica e viajou com ele para San Giovanni. Chegando lá, tinha primeiro que ir à igreja. Esta se achava lotada, embora não houvesse então nenhuma cerimônia religiosa. O Pe. Pio, cercado de seus penitentes, acabava de sentar-se no confessionário. Impressionada, pensou a senhora: “Ele deve ser, de fato, um homem inteiramente extraordinário”. Teve um desejo íntimo de ser abençoada por ele, com o menino. Mal tinha pensado nisso, o Padre se inclinou para fora do confessionário e abençoou-a de lá. Com isto começou a chorar e cobrou novo alento. Quatorze dias depois, ela foi confessar-se ao Pe. Pio, pois dominava a língua italiana. Após a confissão, queixou-se a ele da sua grande dor. De repente, ele falou com um ser invisível e, virando-se para ela, disse: “Primeiro se tomam os grandes e depois os pequenos. Quando chegar à sua casa, um homem perguntará pelo seu filho e, então, a senhora lho dará. Pode ir agora”. O sentido destas palavras era naturalmente incompreensível para ela. Profundamente triste, empreendeu a viagem de volta para a casa. Pensava mesmo que o seu marido, tendo falado mal do Pe. Pio, iria morrer primeiro e depois ela mesma, pois o santo capuchinho tinha tido: “Primeiro se tomam os maiores, depois os menores”. O marido — a quem ela devia entregar o menino — assim pensava — já devia estar morto. Quando se aproximavam da fronteira austríaca, o menino pediu-lhe que abrisse um pouco a roupinha, pois fazia muito calor no trem. Para a sua maior surpresa, a mãe viu que não havia mais úlceras grandes no filho. Chegados à fronteira austríaca, as pequenas também tinham desaparecido por completo. Na sua excessiva alegria telegrafou ao marido indicando-lhe o momento da sua chegada. Quando ela desceu, a primeira pergunta do marido foi sobre o filho. Visto que ela chorava de comoção, supôs o homem ter sido a viagem inútil e novamente deu vazão às suas palavras de sarcasmo. A esposa tentou em vão acalmá-lo. Em casa ela descobriu a parte superior do corpo da criança. O marido não acreditava nos seus olhos; começou a gaguejar e a soluçar e só encontrou estas palavras para dizer: “Eu creio em Deus, eu creio!” Profundamente transformado, foi o primeiro a fazer uma viagem de agradecimento até o Pe. Pio. A notícia desta cura miraculosa espalhou-se logo por toda a vizinhança. Um dia bateram à porta. “Quem sabe talvez se não é o homem que quer o menino”, pensou a senhora consigo. Era o porteiro da clínica. O médico chefe queria informações sobre o menino, se ele ainda vivia, pois se tratava de uma doença desconhecida e não diagnosticada. Pediu à mãe o favor de apresentar o menino na clínica. Quando a parte superior do corpo da criança foi mostrada ao médico chefe, este ficou sem fala. Chamou todos os médicos, que sabiam do caso, e lhes expôs a história do doente e também o parecer dos médicos, segundo o qual a doença do menino era incurável. Ele fazia perguntas sobre o que acontecera com o menino, quem o tinha curado, de que modo, etc. Todos os médicos ali presentes não podiam explicar a cura. O médico chefe expressou-se verbalmente dizendo que também ele se curvaria diante do poder capaz de debelar uma enfermidade incurável. Então a senhora relatou que tinha procurado o Pe. Pio com o menino e, pela intercessão deste diante do Deus Todo-Poderoso, se seguiu a cura. O incrédulo médico chefe, retornou imediatamente para Deus e em seguida, toda a sua família. Tomou a sério a mensagem da Mãe de Deus em Fátima e rezava diariamente o terço com os seus. As palavras misteriosas do Pe. Pio tinham-se cumprido maravilhosamente.

Em Turim, vivia uma senhora com 5 filhos pequenos. Seu marido tinha sido vítima dum acidente mortal. Pouco tempo mais tarde, os médicos diagnosticaram um câncer nela, que escreveu a uma amiga, em San Giovanni Rotondo, pedindo solicitasse a intercessão do santo capuchinho na sua próxima confissão. “Vou recomendá-la a Deus”, respondeu ele. A amiga informou-a disso. Como, porém, o estado da enferma piorasse cada semana, escreveu novamente: “Diga ao Pe. Pio que tenha piedade de mim, por causa de meus 5 filhos pequenos”. Como resposta, disse ele: “Para mim, basta você falar uma vez. Eu a recomendei ao Senhor, é suficiente!” O estado da pobre mãe continuou a piorar, de modo que ela teve de ser levada a uma clínica. Já estava perto da morte. Recorreu novamente ao Pe. Pio em pensamento, que tivesse compaixão dela em vista dos 5 filhos pequenos. No mesmo instante, sentiu uma nova vitalidade a ponto de poder levantar sozinha da cama. Neste momento, uma Irmã entrou no quarto, a qual foi testemunha de sua alegre exclamação: “Estou curada!” Os médicos foram obrigados a constatar o fato. Cheia de alegria e gratidão voltou para junto de seus filhos com o vivo desejo de agradecer pessoalmente ao Pe. Pio pela cura. Contudo, faltavam-lhe meios financeiros para a longa viagem. Tendo noticiado sua cura à sua irmã, residente na América do Norte, a qual lhe prometeu ir ao Pe. Pio com ela. A miraculada disse a ele diante do confessionário: “Padre, eu lhe agradeço a sua milagrosa intercessão junto a Deus!” Logo em seguida sua irmã pediu a ele que se apiedasse dela, pois há já sete anos sofria duma enfermidade dos pés. Ouvindo isto, o Padre sorriu discretamente e, alguns dias depois, os pés estavam perfeitamente curados. Radiantes de felicidade, elas voltaram para a casa.

Uma família cristã na América do Sul tinha três filhos e a mãe fora vítima de tuberculose pulmonar. Com o desemprego do marido, a miséria deles chegou ao extremo. A família pôs toda a sua confiança na ajuda divina e não cessava de rezar. Numa noite a senhora viu em sonho um capuchinho que lhe disse: “A oração de vocês foi ouvida por Deus. Você não terá mais hemoptise e ficará boa. Seu marido arranjará emprego e as crianças, em breve, encontrarão um bom educandário”. Tudo isto se realizou. A mulher, sumamente feliz foi depressa ao convento capuchinho mais próximo e procurou pelo sacerdote com os santos estigmas; disseram que aquele Padre vivia na Europa, na Itália e mostraram-lhe uma fotografia dele. Logo ela reconheceu o Pe. Pio. 19 anos depois, tendo já os filhos se casado, morreu o marido. Eles agora brigavam por causa da herança. Isto causou grande dor à mãe, tanto mais porque não sabia como a disputa se havia insinuado. Certa noite, sonhou que, ao escovar o casaco do seu falecido marido, caiu dum bolso uma estampa do Pe. Pio. Então se lembrou que ele a tinha ajudado miraculosamente há 19 anos atrás e fez uma viagem a San Giovanni. Quando o santo estigmatizado lhe abriu a portinhola do confessionário, disse num tom cheio de censura: “Realmente levou muito tempo, 19 anos para agradecer!” A mulher, sem fala, começou a balbuciar desculpas, na sua excitação. O Padre, porém, lhe respondeu humildemente: “Não precisa dizer nada. Aliás, eu sei de tudo. Quando voltar à sua casa, a questão da herança já estará resolvida satisfatoriamente”. De fato, assim se deu.

No ano de 1958, um jovem moço desapareceu sem vestígio de Bozzano; a polícia também não o encontrou. Os pais estavam desesperados e pediam o socorro do céu, dia e noite. Cinco dias depois, mal podiam fechar os olhos de mágoa. De noite, porém, a mãe foi vencida pelo sono. Viu, em sonho um capuchinho que lhe disse: “Seu filho se acha na maior necessidade. Vá logo em seu auxílio, senão será tarde demais”. A senhora quis também se informar onde o moço se achava, e a resposta do sacerdote capuchinho foi a seguinte: “Saiam para o campo e lá vão encontrar o seu filho”. Logo depois, ela despertou, acordou o marido e o informou do sonho. Eram 2 horas da madrugada. Eles nada omitiram do que era possível e saíram juntos para o campo. Numa depressão de terreno, perto dum antigo celeiro, perceberam a voz queixosa do filho já exausto. Tinha caído nas mãos de assaltantes, que, depois de lhe roubarem tudo o que tinha, o amarraram a uma estaca donde era impossível ele se livrar. Em agradecimento, fizeram uma peregrinação ao Monte São Miguel Arcanjo (Monte Gargano). Então lhes falaram sobre o Pe. Pio de quem nada tinham ouvido. Viajaram até San Giovanni para ver o Pe. Pio que estava sentado no confessionário. Então a senhora reconheceu ser aquele que vira em sonho.

Quando o Sr. Abresch veio a San. Giovanni Rotondo pela primeira vez, aconteceu-lhe o mesmo que ao centurião em Cafarnaum. Ele queria solicitar a cura da sua mulher, mas notou imediatamente que não se deviam pedir graças sem primeiro haver confissão. Antes, ele tinha sido protestante e, depois, se tornou católico somente porque sua esposa, de outro modo, não se teria casado com ele. Então recebeu uma breve instrução para se converter. Agora, se dirigia ao Pe. Pio para a confissão e este lhe disse: “Deve lembrar-se que, na última vez, se confessou bem”. Ele pensou que deveria fazer uma confissão desde o tempo de sua infância, pois não conhecia ainda a expressão “confissão geral”. Na vez seguinte, o Padre o interrompeu com estas palavras: “Você se confessou bem, ao voltar da viagem de núpcias. Deixemos todo o resto e comecemos de lá”. Na ocasião, sua esposa o enviou para confessar-se, mas ele não queria. Então disse para ela: “Vá ao Padre que o instruiu; ele o conhece e vai ajudá-lo”. Esta confissão foi de tal modo que ele pôde responder a todas as perguntas do Padre com um sincero sim ou não. Contudo, nas confissões feitas mais tarde, omitiu muitas coisas; só ele e Deus sabiam se tinham sido boas, mas o Pe. Pio também sabia e lhe disse desta vez: “Depois desta confissão, andou caminhando pelas ruas e cantou um hino a Satã”. O Sr. Abresch ficou espantado: tinha sido assim mesmo. A esposa, que fora a causa da viagem do marido até o Pe. Pio, viu perto dele uma fotografia de São Pio X, do qual o Padre era muito devoto, e pensou: “Se você levar consigo esta fotografia ao Pe. Pio, este ficará muito alegre”. O senhor Abresch escreveu numa papeleta: “Peço, de modo especial, um grande amor a Deus, a fidelidade até o último sopro de vida e a cura de minha esposa”. Então, colou a papeleta entre a fotografia e o cartão. Depois da absolvição, disse o santo capuchinho: “Os Anjos descem até aqui e você pode entoar o canto divino”. Então, declarou o que estava escrito na papeleta, embora nada tivesse visto. Falou ainda que não mais o compreendiam, mas as almas sim, pois é a linguagem do céu. O Sr. Abresch estava felicíssimo e, após a sua volta, ninguém mais o podia conter. Sua esposa queria saber se ele havia também rezado por ela, pois tinha um fibroma no útero, do qual devia ser operada. O Sr. Abresch opinou: “Nós dois viajamos daqui para ter com o Pe. Pio e você mesma lhe pedirá a sua cura”. Assim fizeram. Primeiro, ela informou ao Padre somente que os médicos lhe tinham aconselhado a operação. Disse ele: “Então, se deixe operar”. Retrucou a senhora: “Se eu não for operada, nunca mais poderei ser mãe”. Aí o Padre não aceitou decidido: “Nada de bisturi, pois ficaria arruinada por toda a vida! Tenha confiança em Deus!” Deu-lhe a bênção com que ela sentiu enjôo. Após o seu regresso a Bolonha, por ocasião dum exame médico, nada mais foi encontrado; meio ano depois não se constatava nenhuma gravidez. O Sr. Abresch fez os seus agradecimentos ao Pe. Pio pela cura e participou-lhe que mandaria outra vez sua esposa sozinha visitá-lo. O santo capuchinho recusou: “Não, ela não deve vir; quando viajam dois, o trajeto é penoso!” Cheio de felicidade, o marido telefonou à esposa. “Prepare o enxoval do bebê!” Ela não acreditava, pois, devido ao fibroma, o seu fluxo de sangue era irregular. Certa manhã, porém, exclamou, radiante de alegria: “Agora o Pe. Pio esteve comigo, mostrando-me uma caminha de criança com um vivo bebê nela!” No último mês de gravidez o Sr. Abresch, com a sua esposa, foi ter com o doutor que, por sua vez, lhe mostrara o atestado da operação a fazer; então disse: “O que se segura com as mãos é mais certo do que aquilo que se vê com os olhos”. Declarou o Sr. Abresch: “Senhor doutor, eu não sei se acredita em Deus, mas quero contar-lhe o que sucedeu neste meio tempo. O seu diagnóstico foi certo, sem dúvida, pois todos os médicos comprovaram o mesmo”. E o menino recebeu o nome de Pio.

Também ficou conhecida a conversão repentina do líder anticatólico Rosatelli. Certa vez, ele entrou numa loja em San Giovanni e, sem nada dizer, encarou um quadro do Pe. Pio com um olhar sombrio. Alguns dias depois, apareceu de novo, e cumprimentou a todos com a saudação da Ordem Terceira. Ora, ele não era um inimigo qualquer da Igreja, mas um líder. Sua irmã, pouco tempo atrás, lhe mandara de presente um santinho do Pe. Pio para o trazer consigo. Por isso, ele pediu satisfação a ela: “Por que você me dá isto? Não sabe que eu entreguei a minha alma ao demônio?” Contudo, tomou a estampa e a trazia sempre consigo. Desde então, não teve mais descanso e teve que ir ao Pe. Pio. Quando se ajoelhou no confessionário, o Padre lhe disse: “Você é um inimigo de Deus!” Ele confirmou. O Padre continuou: “Que você quer aqui, então? Se se quer confessar deve rasgar o seu documento de filiação à seita — sou eu que devo fazê-lo ou você mesmo?” Imediatamente, o homem rasgou o documento. E o santo capuchinho prosseguiu: “Agora vamos à confissão. Fique calmo!” Então lhe disse tudo o que já tinha feito. O novo penitente ficou tão espantado que, na igreja, se ajoelhou diante do altar de São Francisco; aí sucedeu como se uma voz poderosa lhe falasse: “Você fez muito mal na sua terra natal. Por causa da sua propaganda, a Ordem Terceira se dissolveu; você deve fazê-la reviver!” Ao chegar à casa, reavivou novamente a Ordem Terceira. Em vista disso, perdeu o seu emprego. Pediu, então, ao Pe. Pio que o ajudasse a encontrar outro. O santo capuchinho mandou-lhe escrever que tivesse um pouco de paciência. Pouco depois, obteve um emprego melhor remunerado em Nápoles.

O dom de penetrar nos corações, que o Pe. Pio tinha, era frequentemente muito eficaz: a ele se atribuem numerosas conversões.

Certa vez, um senhor foi aconselhado a ficar na fila dos que aguardavam o Padre na sacristia, com a fotografia do filho gravemente doente na mão. Quando o Pe. Pio passou por lá, disse em voz alta: “Meu filho está gravemente doente, reze por ele, Padre, é o meu filho único!” Perguntou-lhe o Padre: “Por que você me mostra só este, e não também o do outro lado do seu casamento?” De fato, até a sua esposa legítima nada sabia a respeito desse filho. Sem demora, o homem se converteu.

Durante umas férias de verão, uma senhora disse ao Sr. Abresch: “O senhor deve acompanhar o meu filho ao Pe. Pio. Ele foi sempre normal e, agora, tem até que deixar a escola. Está muito inquieto. Muitas vezes ele me disse que lhe parecia ser necessário praguejar. Meu marido é ateu e não pode saber que eu vim ter com o Pe. Pio”. Quando ela apresentou o filho ao Padre, este lhe disse: “Esta é a experiência da mãe que de tal modo educou o filho!” A senhora exclamou: “Portanto, a culpa é minha; eu fiz sempre as mesinhas se movimentarem; um dia eu perguntei: Quem é você? A resposta foi: Satã! Com isto, fiquei tão assustada que derrubei a mesa. Desde então, o meu filho, que estava sentado num canto e fazia os seus deveres escolares, ficou tão mudado”. O Pe. Pio deu o seguinte conselho: “O rapaz deve primeiro fazer a primeira Comunhão!” Quando o marido desta senhora soube que ela estivera com o santo capuchinho, em companhia do filho, não se indignou, mas declarou que desejava também ir até o Pe. Pio. O rapaz recebeu a santa Comunhão e frequentou, daí em diante, a escola e, mais tarde, também a Universidade e se tornou dentista, como o seu pai. Em breve, foi visitar o Pe. Pio com uma jovem e perguntou-lhe se podia casar com ela. “Sim”, foi a resposta.

Já se demonstrou repetidas vezes que o Padre conhecia também os pensamentos das pessoas. Um dia, chegou a San Giovanni Rotondo um engenheiro, filho espiritual do santo capuchinho. O Pe. Pio lhe disse: “Você praguejou duas vezes, embora tivesse começado as primeiras sextas-feiras!” Ele tentou justificar-se: “Padre, desta vez o senhor se enganou, pois eu nunca rogo praga”. Mas o santo capuchinho sabia melhor o fato: “Quando você descia de Rolo no seu carro, um pneu estourou. Você colocou alguma coisa debaixo, mas ela não funcionou e abaixou novamente. Então, você praguejou duas vezes”. O sacerdote modesto e simples, que desconhecia o termo “macaco”, sabia tudo. O engenheiro teve que confirmar isto: “Sim, é verdade! Chovia e, por duas vezes, o meu carro derrapou. Eu não disse a praga do meu íntimo, pois não queria praguejar de modo nenhum. Foi só uma excitação”.

Um pequeno grupo de jovens da Ação Católica, entrou numa loja em San Giovanni Rotondo e contou que um deles não pertencia ao seu grupo, por ser incrédulo; contudo lhe tinham pago a viagem, para que viesse com eles. Quando o grupo voltou à loja, após a visita ao Pe. Pio, o incrédulo se havia convertido tão bem que saltava de alegria. O que tinha acontecido? Quando ele, como fizeram os companheiros, quis beijar a mão do Padre, este a retirou depressa. “Por que eu não posso, Padre?”, perguntou. “Se você quer beijar a minha mão, tire primeiro esta estampa imunda da carteira e a queime!” O jovem moço saiu e queimou as estampas embaixo duma árvore diante da igreja. Tendo voltado para junto do santo capuchinho, este lhe disse: “Agora você pode beijar a minha mão. Mas você tem em casa outras semelhantes; acabe também com elas!” com estas palavras ele se converteu.

Em San Giovanni, a esposa do Dr. Lotti, médico já falecido, tinha o costume de colocar um santinho do Pe. Pio debaixo do travesseiro. Uma vez, ela disse ao Padre: “Se o senhor não estiver contente comigo, basta puxar as minhas orelhas”. Ele retrucou: “Não, eu lhe dou sacudidelas com o travesseiro”. Após a morte do seu marido, quando voltava de Foggia para casa, viu um homem muito parecido com o seu finado esposo. Na confissão seguinte, advertiu-a o Padre: “Você não teve bons pensamentos naquela ocasião, mas, graças a Deus, os repeliu logo”. A senhor Lotti contou que, à vista daquele homem, lhe tinham passado maus pensamentos pela cabeça.

Uma jovem senhora, com 24 anos de idade disse zombando: “Onde está, então, o sangue dos estigmas? Certamente o Padre deve usar batom como eu; pois ele tem a cor do sangue!” No mesmo instante ela contraiu uma grave inflamação em volta da boca.

Um homem de Manfredônia, cidade vizinha de San Giovanni Rotondo, viajava para casa de caminhão juntamente com outros homens ímpios. Quando chegou à estrada que passa perto de San Giovanni, o homem assim se expressou: “Se o barbudo estivesse em minhas mãos, eu o faria em pedaços”. Imediatamente foi acometido por uma cólica renal durante uma hora.

Quem fala mal do Pe. Pio é severamente castigado; quem detrai dele pode sofrer o que experimentou o cardeal N.N.: teve o pé cortado em pedaços por 5 vezes, pedaço por pedaço.

Uma senhora vinda da Alemanha morou muito tempo em San Giovanni Rotondo. O seu quarto estava no último andar duma construção, ao qual se chegava por uma escada de ferro em caracol. Numa noite desencadeou-se uma terrível tempestade com relâmpagos e trovões contínuos. Cheia dum medo angustiante, a senhora se revolvia na sua cama. De repente, lhe veio ao pensamento colocar velas bentas acesas nos quatro cantos do leito. Assim fez, mas isto contribuiu pouco para acalmar a sua inquietação. Então, pulou da cama com o intuito de descer a escada de ferro para ir até os seus conhecidos. Quando já estava perto da porta, uma voz enérgica se opôs: “Não pela escada, não pela escada, será a sua morte!” Espantada, novamente voltou ao quarto e deitou-se na cama. Cansada pela excitação adormeceu. De manhã assistiu à Missa do Pe. Pio; logo em seguida, se informou se era ele quem a tinha advertido de não usar a escada. Ele confirmou e motivou o seu aviso: a escada estava em contato com um pára-raios.

Certo dia, um seminarista recebeu um telegrama com a notícia de que o seu avô se achava prestes a morrer. Os Superiores sabiam que o jovem não poderia mais ficar no Seminário, porque o seu avô custeava os seus estudos. Enviaram um telegrama ao Pe. Pio e ao mesmo tempo mandaram o moço para casa. Quando este chegou lá, o avô estava de pé, no quintal, rachando lenha. Naturalmente, foi grande o seu espanto com isso. O avô contava, então, ao neto que, na tarde anterior, já ia morrer; de repente, lhe voltou uma força vital de modo que se pôde levantar imediatamente. O jovem voltou ao seminário e lá todos ficaram admirados com o caso. Então, lhe disseram que, nas férias, devia fazer uma viagem até o Pe. Pio e agradecer-lhe pessoalmente. Assim fez. O santo capuchinho lhe falou: “Não se esqueça de agradecer a Deus por esta graça durante toda a sua vida. O Senhor me permitiu prolongar a vida de seu avô por dez anos, em atenção às boas obras dele. Você será sacerdote”. Tudo se cumpriu a seu tempo. Três semanas após a ordenação sacerdotal — decorridos já dez anos — morreu o avô.

Um fato profundamente emocionante ocorreu um pouco antes do fim da Segunda guerra mundial. Um homem foi preso por um certo motivo e apresentado ao Conselho de guerra que o condenou a cavar a própria sepultura para, depois, ser ali fuzilado. Quando se ocupava em abrir a cova veio-lhe à mente toda a sua vida. Lembrou-se de sua esposa que tinha predileção por um santo que a tinha ajudado. Mas ele não o conhecia. Cheio de angústia pela morte próxima, exclamou: “Ó santo, vós sabeis em quem eu penso, minha esposa o venerava tanto! Eu vos prometo começar uma nova vida cristã, cheia de boas obras!” De repente, caiu na cova uma estampa do Pe. Pio. Era aquele a quem sua mulher tinha tanta devoção. No mesmo instante, soou uma voz: “Corra, corra!” Contudo, ele nada fez: pensava que seria logo fuzilado pela guarda. O medo e uma palidez mortal se estampavam no seu rosto. Então, ouviu ainda as palavras insistentes: “Fuja, fuja!” Aí, fugiu como podia para um bosque próximo, sem que ninguém atirasse nele. Ali, passou a noite inquieto. Na manhã seguinte, viu duas pessoas idosas no campo. Dirigindo-se a elas, perguntou-lhes em que região se encontrava. Recebeu, então a alegre notícia de que a guerra terminara naquele dia. Sumamente feliz, voltou para junto de sua esposa. Logo que foi possível, viajaram até o Pe. Pio. Este disse ao homem: “Não se esqueça de agradecer a Deus durante toda a sua vida e de cumprir o que prometeu. O Senhor me permitiu tornar-me invisível para o ajudar, do contrário não haveria mais auxílio para você”.

Um homem hoteleiro que tinha um hotel perto do mar, era católico fervoroso e não permitia que as mulheres andassem seminuas por ele. Isto era sempre causa de incidentes desagradáveis. Certa vez, uma delas, durante uma discussão, teve o atrevimento de lhe dar um tapa no rosto. O hoteleiro, porém, estava cansado de lutar. Foi a San Giovanni para perguntar ao Pe. Pio se devia alugar o hotel ou continuar com ele. Contudo, não lhe foi possível uma conversa com o santo capuchinho. Este, porém, saiu para fora, em direção do homem, colocou a mão sobre a face, que tinha recebido o tapa e lhe disse: “Fique com o seu hotel e o leve à frente; você vai receber uma grande recompensa de Deus com isso”. Surpreso, feliz e reconfortado, ele voltou para o seu lar.

Uma senhora, cujo marido estava muito doente em casa, procurava, por todos lados chegar até o Pe. Pio para lhe pedir as suas orações. Mas não o conseguiu e fez o pedido em pensamento. Quando ele, mais tarde, andava pelo passeio do mosteiro, ela se postou bem atrás do Padre e lhe apresentou o pedido em pensamento. Ele apontou o dedo na direção dela e disse sorrindo: “Quando quer parar de gritar aos meus ouvidos? Da direita, da esquerda, de frente e por trás! Bem, vá para a casa, o seu marido está curado”. Ao chegar lá, a senhora verificou a realização do fato.

Um homem estava para morrer duma inflamação no cérebro. Segundo o prognóstico dos médicos, ele só tinha uma hora de vida. Sua esposa não se cansava de invocar, em pensamento, a ajuda do Pe. Pio e colocou uma estampa deste sob o travesseiro do moribundo. Subitamente, o homem abriu os olhos e não sabia o que tinha acontecido antes, a saber, que estivera inconsciente. Num instante ficou perfeitamente curado. Em agradecimento, o casal viajou a San Giovanni Rotondo. Quando o Pe. Pio vira a senhora, disse-lhe: “Oh, como a sua grande confiança me ajudou a ir tão rapidamente a seu encontro e também ajudá-la eficazmente”.

Um pai foi com o filho, doente mental, ao Pe. Pio, que prometeu rezar pela saúde do seu filho. Quando voltaram à casa, o rapaz tropeçou na entrada, caiu e teve uma hemorragia nasal. Logo em seguida, ficou completamente curado.

Uma senhora foi ter com o Pe. Pio. Ela sofria dum tumor e perguntou-lhe se deveria ser operada. Ele lhe disse: “Não faça a operação, eu lhe tiro as dores imediatamente”. Logo depois, ela não sentia mais dor nenhuma e, um ano mais tarde, o seu estado ainda se achava inalterado. A senhora fora curada e estava muito contente.

Um homem, que vivia em Basiléia, tinha um câncer no pulmão. Certa noite, viu em sonho um capuchinho que lhe disse: “Não gostaria de me trazer este remédio?, (e o designou com exatidão), pois, atualmente, ele não se encontra em toda a Itália; com ele você não poderia salvar a vida dum confrade?” Respondeu o homem em sonho: “Sim, mas quem é o senhor?” “O Pe. Pio de San Giovanni Rotondo”. O homem despertou e contou o seu sonho, no qual o Pe. Pio o tinha avisado, apesar de não o conhecer ainda. Tratou, então, de obter o remédio numa farmácia e viajou até San Giovanni. Quando solicitou a entrada à porta do convento, saiu um leigo e se dirigiu a ele, perguntando pela causa da visita. Respondeu o recém-chegado que trazia o remédio desejado pelo Pe. Pio. Ambos ficaram sem fala, pois quem fizera a pergunta era o médico do convento. O médico levou o homem até o Pe. Pio; este sorriu e disse: “Então você veio de fato”. O homem entregou-lhe o medicamento, que então não havia em toda a Itália. Humildemente, disse o Pe. Pio: “Com este remédio, você salvou a vida do meu confrade. Em agradecimento por isso, o Senhor me permitiu curá-lo agora”. Enquanto o abençoava, o Pe. Pio tocou o peito do homem; no mesmo instante todas as dores desapareceram. Um exame médico verificou uma cura completa.

Um pai foi ao Pe. Pio com seu jovem filho, que tinha uma mão paralisada desde o nascimento. O pai encarregou o filho de pedir a cura da sua anormalidade, se o santo capuchinho passasse por ali. Quando este chegou, o jovem calou-se. Então, o Padre fitou o pai e disse discretamente: “Olha aqui como o seu filho me comove!” E imediatamente o filho sarou.

Um homem pediu as orações do Pe. Pio pelo seu filho, que jazia em casa, cego e paralítico, desde que nascera. O estigmatizado deu a seguinte resposta: “O que você diz? Quando chegar em casa, o seu filho lhe correrá ao encontro, curado... Mas você está doente!” Surpreendido, o homem replicou que há bem pouco tempo mandara fazer um exame, e não se constatara doença alguma. A isso o Pe. Pio notou: “Você não me compreende ainda? Sua alma está gravemente doente! Não se confessa há mais de 31 anos”. O homem se converteu e fez uma confissão de toda a vida. Chegando a casa, o filho, são, correu, de fato, ao seu encontro.

Um senhor, há muitos anos tinha tirado 32 fotografias do Pe. Pio; em nenhuma delas havia coisa que valia a pena ver. Quando o santo capuchinho passava, o homem pediu-lhe licença de tirar uma fotografia dele. O Padre, humildemente disse: “Pode tirar!” A 33ª fotografia foi boa.


BILOCAÇÃO


O Pe. Pio é um sacerdote amável e bom, que quer, de bom grado, ajudar por toda a parte. Por isso, Deus o agraciou com o dom da bilocação, ou seja, de poder estar presente, ao mesmo tempo, em dois lugares diferentes. Vários santos tiveram esta capacidade: Santo Afonso de Ligório, Santo Antônio de Lisboa, São João Bosco, São Pio X, etc. Com o capuchinho estigmatizado, porém, acontece, quase diariamente o que com os outros santos sucedia apenas uma vez na vida.

Um sábio francês perguntou, uma vez, ao Pe. Pio como se poderia explicar a bilocação; a isso ele respondeu: “Realmente, a sua pergunta não é inteligente; o senhor não sabe que isto pertence ao pensamento divino e não humano?” E a outra pergunta, se os próprios santos tinham consciência de estarem noutro lugar, disse o santo capuchinho: “Por que não? Eles podem estar onde o Senhor lhes permite”.

Um sacerdote da América do Sul foi transferido para um convento perto de San Giovanni; e pediu ao Pe. Pio quisesse assistir o pai na hora da morte (sua mãe já tinha morrido há muito tempo). Um dia, o estigmatizado lhe disse: “O seu pai, neste instante entrou no céu”. O sacerdote não acreditava: “Não pode ser, ele não está doente nem é velho”. Pouco tempo depois, recebeu um telegrama de suas duas irmãs: “Papai faleceu, segue carta”. Nesta carta, se lia que o pai, naquela manhã, não se sentira bem e, por isso, ficou muito tempo na cama. Uma das irmãs quis ver como o pai se achava; viu, então, um sacerdote que lhe conferia os últimos sacramentos. Por isso, repreendeu a outra irmã por não lhe ter dito nada a este respeito. Mas também esta nada sabia sobre o caso. Então, ambas se aproximaram do pai. Este já estava morto no leito e ali não havia pessoa nenhuma.

O irmão sacerdote leu a carta profundamente comovido e concluiu que aquele sacerdote só podia ser o Pe. Pio. Mandou, então, uma fotografia deste às suas irmãs na América do Sul e elas reconheceram no sacerdote da fotografia o Pe. Pio, que estivera junto de seu pai. O santo capuchinho, interrogado, confirmou o fato.

Um prelado gravemente doente do coração foi ao confessionário; após a confissão, assim pediu ao Pe. Pio: “Por favor, Padre, eu não pediria que rezasse pela minha saúde, mas lhe solicito a grande graça de estar presente à minha morte”. Após alguns instantes, veio a confortadora resposta: “O Senhor me permitiu assistir à sua morte”. Quatro meses depois, morreu aquele prelado e se espalhou a notícia de que o Pe. Pio estivera presente à morte dele, como tinha prometido.

Um sacerdote da Bélgica, em setembro de 1956, teve a mesma experiência. Desejava, vivamente, celebrar a Missa até o último dia da vida. Quando se ajoelhou no confessionário, veio-lhe o pensamento de perguntar ao Pe. Pio se poderia solicitar-lhe a graça de o assistir na hora do seu falecimento. Falou-lhe, então, o Padre, em êxtase durante alguns momentos: “Meu caro irmão no sacerdócio, Deus me deu licença de estar presente à sua morte. O senhor sabe a razão: reza diariamente a Santa Missa com tanta devoção, faz as suas orações e realiza as suas tarefas diárias tão conscientemente e, ademais, reza três terços e a Via Sacra. Por isso lhe será concedia a grande graça de poder celebrar a Santa Missa até o último dia da sua vida”. Tão generosamente agraciado, alegre em excesso, ele contava aos outros aquele fato. Assumiu ainda o sacrifício de não ver mais o Pe. Pio, o qual ele amava e venerava como pai e já tinha visitado cinco vezes, por não querer causar mais sacrifícios a um sacerdote que já sofria tanto e estava sobrecarregado de trabalho.

Um homem de Roma, muito inteligente, contava o seguinte, na sacristia: ele era cantor e tinha cantado frequentemente na Ópera e no rádio. Não havia já dez dias que estava em San Giovanni, disse-lhe o Pe. Pio ao passar por ele: “Você me faria um grande favor em deixar de cantar, pois perde muitas almas com canções imorais. O que você dirá diante do eterno Juiz?” Ele voltou profundamente impressionado. Apesar disso, esqueceu-se do que o santo capuchinho dissera e voltou à sua vida antiga. Certa noite, quando voltava duma apresentação para a casa, chegou também o Pe. Pio. O cantor empalideceu e caiu de joelhos sem poder articular uma palavra pelo susto. Então, o Padre adiantou-se para ele e o advertiu severamente: “Não lhe disse que devia renunciar a cantar? Quer levar mais almas ainda à perdição?” E logo desapareceu.

No dia seguinte, o homem veio a San Giovanni e contou tudo o que sucedera. Neste momento, o Pe. Pio entrou na sacristia para ouvir confissões. O cantor ajoelhou-se e disse comovido: “Padre, eu lhe prometo cumprir tudo o que o senhor exigir de mim!” Cheio de amabilidade, o santo capuchinho respondeu: “Está bem”. O homem cobrou ânimo e levantou os olhos para ele, perguntando: “De que eu vou viver agora, sem o meu ganha pão?” O Pe. Pio disse bondosamente: “Eu pedirei ao Senhor por você”. Alguns dias mais tarde, este cantor já tinha outra ocupação.

Uma senhora de Florença já estava em San Giovanni há três meses. Ela vivia só de renda, e seu irmão lhe mandava da América do Norte, mensalmente, um pequeno subsídio. Agora, porém, há três meses, nada mais recebia e assim tinha sido obrigada a contrair dívidas. No confessionário, queixou-se ao Pe. Pio que seu irmão não escrevia mais nem mandava dinheiro. Respondeu-lhe o santo capuchinho: “Pois bem, ele vai escrever novamente e enviar dinheiro”. A senhora, então disse ingenuamente: “Pe. Pio, o senhor não gostaria talvez de visitar o meu irmão na América do Norte e informá-lo sobre as minhas dificuldades?” Retrucou ele: “Pois não”. então a senhora mexeu e remexeu na bolsa. O Padre olhou através da grade e falou sorrindo: “O que está procurando?” A senhora, toda excitada, retrucou: “O endereço do meu irmão nos Estados Unidos”. Ele respondeu com um sorriso: “A senhora é inexperiente: eu vou saber onde mora o seu irmão!” Dez dias depois, ela recebeu o dinheiro e a notícia por escrito de que o Pe. Pio estivera com o seu irmão. Inteiramente pasmada, não compreendia, na sua simplicidade, o fato da bilocação. Mais tarde, sucedeu novamente o mesmo. Havia dois meses que ela não recebia dinheiro nem notícia dele e, por isso, pediu ao Pe. Pio no confessionário: “Por favor, queira visitar o meu irmão nos Estados Unidos, pois novamente, há dois meses não recebo dinheiro dele nem sei nada a seu respeito”. Replicou o santo capuchinho: “Sim, mas quem me paga a passagem para a América?” Ela, então, ficou toda embaraçada e o Padre continuou a falar: “Fique tranquila, dentro de 10 dias receberá dinheiro e notícias”. E assim foi.

Uma moça, com 23 anos, que estivera uma vez com o Pe. Pio, ficou doente em San Giovanni com pneumonia. O seu estado se agravava, de sorte que os pais não podiam realizar o seu desejo de interná-la no hospital da sua terra. Um dia, para a maior surpresa da doente, o Pe. Pio a visitou e lhe disse, com compaixão: “Tenho pena de você, mas a sua alma precisava deste sofrimento, como provação. Dentro de três semanas poderá ser levada para a casa, junto dos seus pais e em seis semanas se recuperará”. De fato, passadas as três semanas, a moça foi reconduzida para junto dos pais. Contudo, piorava de dia para dia e quando devia ficar boa, conforme as palavras do Pe. Pio, estava prestes a morrer. Os pais duvidavam das palavras do santo capuchinho e acenderam velas para os agonizantes durante todo o dia. Pelas 16 horas da tarde, todos os parentes estavam reunidos junto da enferma, quando chegou o Pe. Pio. Ele sentou-se no leito da moribunda e disse cheio de compaixão: “Pobre moça, pobre moça, ponha a sua cabeça junto à chaga do meu peito”, e ajudou-a a fazê-lo. Então, como ela mesma contou, sentiu que uma nova força perpassava pelo seu corpo. Abriu os olhos e exclamou cheia de alegria: “Estou curada, estou curada!” Todos olharam pasmados para a miraculada e o Padre desapareceu como a fumaça que se dissipa. Tudo se realizou como ele tinha prometido.

Uma família de Viena com dois filhos voltava para lá cheia de entusiasmo, após uma visita ao Pe. Pio. Algumas semanas mais tarde, a mãe quis, com um de seus filhos atravessar uma rua muito movimentada, mas os carros estacionados lhe tiravam a visão. O menino quis seguir em frente e arrastou a mãe consigo. Um carro, que passava por perto, apanhou a criança de 5 anos e a arremessou para o ar onde ele rodopiou três vezes. A mãe horrorizada deu um grito lancinante: “Pe. Pio, ajude, Pe. Pio, ajude!” Então este se postou no meio fio e agarrou o menino no ar. Todos temiam o pior. A polícia ordenou a remoção do menino para o hospital na ambulância. A criança, chorando, pedia à mãe: “Mãezinha, venha comigo”. O exame no hospital constatou que o menino estava completamente ileso, nem tinha qualquer escoriação na pele, tão eficaz fora a intervenção do santo capuchinho.

Uma senhora, muito devota do Pe. Pio, com 84 anos, sofreu um ataque de apoplexia. A consequência disto foi uma paralisia total, a perda da fala e a incapacidade de tomar alimento. O médico não se admiraria muito de que a morte sobreviesse dali a três dias, embora há muito tempo se apresentavam indícios de morte próxima. O filho daquela senhora, sentado perto dela, deixou o quarto por muito pouco tempo. Era quinta-feira, 17 de dezembro de 1964. Ao voltar para junto do leito da mãe, ela falou entusiasmada: “Eu pude ver o capuchinho com o hábito”. O filho se admirou: “Que capuchinho?” E obteve a resposta: “Ora, ele esteve aqui”. Interrogada então onde o frade estava, a senhora replicou: “Ele se sentou na cadeira onde você está”. À segunda pergunta feita pelo filho, ela começou a chorar e disse: “Ele me chamou do sono da morte e me disse alegremente que eu iria ficar novamente boa e não morreria. Acrescentou ainda sorrindo que viria ter comigo, por eu não poder vir à Itália e assim me viria visitar frequentemente. Depois desapareceu”. Instantaneamente a senhora se transformou e, para surpresa dos médicos, a paralisia desapareceu completamente. Durante o ano em que ela viveu, o Pe. Pio a visitou por meio da bilocação.

Uma senhora de 79 anos, que venerava muito o santo capuchinho e trazia constantemente consigo uma estampa dele, subia, certa vez, uma escada de quatro metros de altura. No alto desta, sentiu uma vertigem e caiu no chão: na queda gritou: “Pe. Pio, ajude-me!” Sentiu logo a assistência dele e pôde levantar-se do chão.

O Pe. Pio esteve presente diversas vezes às festas do centenário das aparições em Lurdes, embora nunca deixasse o convento de San Giovanni. Os próprios bispos o saudaram na procissão do Santíssimo Sacramento.

Um senhor idoso, na Alemanha, mantinha constantemente em ordem uma pequena capela retirada e a enfeitava com flores. Um dia, ele lavava o pavimento; ao voltar com água fresca, um padre capuchinho se postou junto do altar, olhou para ele amavelmente e o abençoou com estas palavras: “Deus lhe pague o seu grande amor e fidelidade que tem para com Nosso Senhor e a Sua Santa Mãe”. Em seguida, o Padre desapareceu repentinamente; o homem voltou para a casa profundamente impressionado, sem saber quem era o capuchinho. Alguns dias mais tarde, viu para sua grande admiração, a estampa daquele padre no devocionário duma frequentadora da igreja. Logo se informou com ela e verificou ter sido o Pe. Pio, o estigmatizado do qual nada tinha sabido ainda até então. Agora se alegrava de modo especial pelo fato da bilocação.

Um homem com aproximadamente 40 anos, que estimava o Pe. Pio como um enviado de Deus, sofria dum câncer, mas suportava as suas dores com paciência. Um dia, quando jazia na cama, o santo capuchinho entrou no quarto pelas portas fechadas, aproximou-se dele com um sorriso e o abençoou dizendo: “Visto que você sofre tão pacientemente, eu quero, por seu amor, tirar-lhe o sofrimento durante algumas semanas”. No mesmo instante, desapareceram as dores atrozes que voltaram novamente três semanas depois. Quando o homem já estava à morte, veio o Pe. Pio e o assistiu nos últimos momentos. Mais tarde, afirmou o Padre que tinha levado a alma dele às alturas luminosas e ao vestíbulo do céu, juntamente com a Mãe de Deus, São José , padroeiro dos moribundos, como também o seu filho já morto, caracterizado como um adolescente fulgurante. Quatorze dias depois, o Padre interrogado a respeito, respondeu que o falecido já estava no céu.

Uma senhora conhecida minha, cuja irmã falecera há pouco tempo, veio ao confessionário do Pe. Pio. Este, para surpresa dela, disse: “Eu acompanhei a alma da sua irmã na hora da morte, por meio da bilocação até o trono do Altíssimo, porque era uma das poucas almas em que Deus se comprazia; escreva na sua lápide sepulcral: Ela era uma luzinha desfeita em Deus, com Deus e para Deus, a qual se apagou e, além túmulo, brilha gloriosamente na eternidade”.

O Pe. Pio contou o seguinte a um dos seus confidentes no confessionário: “Todos aqueles que vêm a mim ou também apenas ouvem de mim e não recusam esta graça, então, na hora da morte eu serei o seu primeiro intercessor junto ao trono de Deus. Para aqueles, porém, que a rejeitaram, serei o primeiro a acusá-los diante do tribunal divino, pois calcaram aos pés as obras da misericórdia de Deus!

Um senhor de Viena, com 74 anos, muito devoto de Pe. Pio, certo dia, após o almoço, foi, de repente, acometido por um ataque de apoplexia e ficou logo inconsciente. Sua esposa empregou todos os remédios caseiros e chamou o médico, pois eles para nada tinham servido. O médico pôde apenas constatar a morte já iminente. Embora o seu marido tivesse vivido bem e piedosamente, a senhora receava pela sua salvação e se acusava por não ter chamado primeiro um padre. Sua cunhada viajou até ao Pe. Pio para perguntar-lhe se aquele senhor se salvaria. Um sacerdote que tinha transmitido esta pergunta ao estigmatizado, voltou com a seguinte resposta: “Quando a apoplexia atingir o cérebro e ele entrar em agonia, o Pe. Pio estará junto ao seu leito por duas horas a fim de prepará-lo para a eternidade e levá-lo ao tribunal de Deus”.

O Pe. Pio perguntou depois bondosamente se a viúva do falecido não estaria contente com esta notícia.

Uma jovem professora, que se havia posto debaixo da proteção do Pe. Pio, teve que se encarregar dum posto de assistência e, por isso, viajar diariamente duas horas de trem. Neste, viajavam também muitos moços de Nápoles para o trabalho, que importunavam o único representante do sexo feminino no seu compartimento. Quando, certa vez, um deles, com todo atrevimento, queria até agarrar a moça, ela disse para consigo: “Pe. Pio, ajude-me!” Imediatamente depois, o inspetor do trem sentou-se naquele compartimento até a estação final. Quando, passado algum tempo, a professora foi de novo confessar-se ao santo estigmatizado, perguntou-lhe por que ele nada tinha feito em sua defesa: “Ora, o que há de novo no mundo?”, foi a resposta do Padre. E, quando ela queria contar o sucedido, ele a interrompeu, dizendo: “Sim, os jovens de hoje! Não é preciso que me conte, pois eu tive que fazer o papel de inspetor durante duas horas”.

A uma senhora de Turim, atualmente já falecida e proprietária da pensão “Bianca”, situada na parte alta de San Giovanni, perto da igreja, o Pe. Pio disse uma vez: “Eu sei tudo o que você fez, pensa, fará e que lugar vai ocupar no céu”. Quando ela saiu de Turim, os seus parentes lhe lembraram que devia enviar a sua assinatura ao tribunal de justiça de Turim para resolver um assunto de herança até o dia 16 daquele mês. Ela, porém, se esqueceu daquilo. No dia 15, o documento caiu de novo em suas mãos. Ela subscreveu a sua firma e, no mesmo dia, postou a carta no correio de San Giovanni, pedindo ao Pe. Pio, em pensamento, os cuidados dele a fim de que a carta pudesse chegar a tempo àquela cidade. Contudo, esta foi carimbada na manhã do dia 16 e recolhida cerca de 8 horas pelo carro postal. No mesmo dia, a carta chegou ao tribunal de Turim. Lá foi grande a admiração pelo fato de ter esta carta, postada em San Giovanni, chegado a Turim no mesmo dia. Normalmente, neste espaço de tempo, ela, no máximo, deveria estar em Pescara. Alguns dias após, o santo capuchinho, interrogado a respeito, disse: “Eu também devo ser carteiro”.
 
Depois da guerra, um soldado italiano, que tinha lutado na Rússia, voltou a San Giovanni, sua terra natal. O Pe. Pio postou-se diante dele e o saudou: “José!” A isto, respondeu o soldado: “Eu mesmo; então o senhor me conhece?” “Claro, quem não o conhece? Lembre-se dos dias 14, 15 e 16 de agosto!” O soldado, então, contou: “Nós tínhamos que atravessar um campo minado onde as minas explodiam dum lado e doutro. De repente, eu senti como se alguém me agarrasse, e me mudasse rapidamente dum lugar para o outro, de sorte que eu fiquei ileso”. O Padre declarou sobre o caso: “Lembre-se sempre destes três dias!” Com efeito, sem o soldado pedir, o estigmatizado o tinha socorrido, pois a sua irmã tinha rogado ao Pe. Pio por ele.

A filha dum ateu solicitara ao Padre que rezasse pela conversão do seu pai. Ele prometeu fazê-lo. Logo depois, morreu o homem e ela mandou a sua amiga perguntar ao santo capuchinho se ele tinha salvo a alma do seu pai. O Padre se aprumou majestosamente e disse: “Se eu disse, então é certo! Responda a ela que o pai já está salvo, pois eu o assisti na hora da morte”.

É Deus quem permite ao Pe. Pio assistir as pessoas agonizantes, especialmente os seus filhos espirituais, para mostrar-nos o amor de Deus através da grandeza do sofrimento. Não basta dizermos: Eu Vou amo; provamos o amor através de atos que nos custem alguma coisa.

Quando a Irmã Justina foi transferida do norte para o sul da Itália, ela sentiu, enquanto rezava, como se o Salvador a incitasse a fazer o voto de alma reparadora. Por isso, sua consciência se tornou delicada e sensível, vendo nas menores coisas uma ofensa a Deus. Frequentemente, ela rezava: “Levai-me para Vós, pois, se eu morresse, nunca mais vos ofenderia”. Quando uma das suas Irmãs de hábito foi ter com o Pe. Pio, este lhe disse: “Vá dizer à sua Irmã chamada Justina, que ela deve deixar de rezar assim. Vai morrer em breve, mas só quando Deus quiser”. Em seguida, a Irmã Justina visitou o santo capuchinho que lhe disse no confessionário: “Há quanto tempo estou à sua espera! A Irmã deve dizer a cada momento: Amado Senhor, eu me ofereço, como Vós o quiserdes, pela conversão dos pecadores impenitentes. Se pudesse ver como as pessoas se precipitam no inferno — como flocos de neve no inverno — morreria. Quem torna a ofender a Misericórdia divina, atrai sobre si a Justiça de Deus. Veja, pois, eu tenho muitos filhos espirituais, mas bem poucos estão dispostos a sofrer alguma coisa por Deus”. Depois disto, a Ir. Justina teve muito que sofrer. Certa vez, ela viu o Pe. Pio em sonho; nesta ocasião ele disse: “Agora a Irmã deve aprender a sofrer, sem que ninguém o perceba. Olhe para mim... veja como eu sofri terrivelmente na alma, mas ninguém notou”. Assim a Ir. Justina aprendeu a sorrir apesar dos sofrimentos corporais e espirituais. Após a guerra, ela veio de táxi com a superiora a San Giovanni. De repente, o carro se ergueu e a Irmã sentiu com todas as forças que devia saltar; subiu então o morro para ir ao convento. O automóvel, então, a ultrapassou e isto foi contra a sua vontade. Ao chegar à igreja, a sua Superiora jazia como morta debaixo do carro. Então a Irmã Justina pediu ao Pe. Pio que as ajudasse, e ele respondeu: “Sim, eu compreendo isto, é o demônio! Ele queria lançar o carro no abismo, mas felizmente a Irmã notou que eu a queria aqui. As almas vítimas arrancam muitas almas do demônio”. Então, a Ir. Justina disse: “Mas nós, então, morreríamos sem assistência espiritual”. Ao que o Pe. Pio retrucou: “Não, eu teria vindo, dar-lhe-ia a absolvição e as acompanharia ao Paraíso. Toda a graça seria inútil sem a graça da fidelidade e perseverança até o último momento da vida. Deus concede esta graça a quem Lhe pede. O demônio tem a permissão de nos atacar muitas vezes”. Deus ouve, com toda a certeza, a oração de ficarmos fiéis até a morte, se o pedimos com humildade e o Pe. Pio tem o dom de nos assistir na hora da morte.

Uma mãe de duas filhas estava para morrer; era protestante ao passo que as filhas eram católicas. Enviaram, então, um telegrama ao Pe. Pio para que ele, não obstante, quisesse assistir a mãe agonizante. Subitamente, o quarto se encheu dum maravilhoso perfume, e a protestante disse alegremente: “Santa Maria, Mãe de Deus, ajudai-me agora e na hora da morte, Amém!” Ditas estas palavras, faleceu. O santo capuchinho provara a sua assistência por meio daquele perfume.

Durante a última guerra mundial, uma família em Viena tinha colocado a sua casa sob a proteção do Pe. Pio. Por ocasião dum ataque aéreo, foram destruídas as casas dum quarteirão inteiro, atingidas pelas bombas. Apenas aquela casa ficou incólume. Uma senhora, que não se havia refugiado no abrigo antiaéreo, mas olhado curiosamente para fora, através da janela, viu como um sacerdote capuchinho se postara diante da casa, protegendo-a. A senhora participou o fato presenciado àquela família, que assim se certificou da ajuda efetiva recebida através do Pe. Pio.

Durante a mesma guerra, os soldados duma tropa de ocupação chegaram a uma família para o saque. As pessoas, desesperadas, tiveram que presenciar os soldados enchendo as malas com objetos alheios. Então, mentalmente, começaram a invocar, sem interrupção, o santo capuchinho para que as ajudasse. Antes de os soldados se dispuserem a sair, soou, de repente, uma voz enérgica: “Agora já é bastante!” Assustados, os soldados deixaram tudo e saíram dali correndo. Assim, a família permaneceu na posse de seus haveres.

Igualmente, no último conflito, sucedeu muitas vezes que o Pe. Pio entabulou, subitamente, uma conversa e deu a absolvição. Quando lhe perguntavam qual a razão daquilo, ele respondia: “Agradeçamos a Deus que me permitiu assistir estes pobres soldados moribundos”. Mas ele também assistia de bom grado outras pessoas na sua morte.

Em Bolonha, uma dama chamou um conhecido à sua casa, pois o seu marido descrente estava prestes a morrer. O homem apresentou ao moribundo um lenço molhado com o sangue das chagas do Pe. Pio — e o incrédulo quis confessar-se. No dia seguinte, falou: “Agora este padre está aí”, e morreu.

Tal foi também o caso do colaborador Benedetto Roversi, o qual, na idade de 15 anos, foi contratado para trabalhar na loja do Sr. Abresch em San Giovanni. Ele morreu na noite de 23 para 24 de novembro, às 23 horas, no hospital da cidade, devido ao excesso de fumo. Antes de morrer, ele se despediu dos seus familiares, enquanto dizia: “Agora o Pe. Pio está junto de mim; mãe, agora devo morrer”. Na mesma noite e pelo mesmo tempo, uma senhora em Milão viu o Pe. Pio, que falou com ela e lhe disse repentinamente: “Faça isto depressa; eu devo assistir agora um moribundo no hospital, chamado Beni”. Depois desapareceu. Eram 23 horas. A senhora escreveu então ao hospital de San Giovanni para saber quem, com o nome de Beni, tinha morrido naquela noite e hora. Recebeu, depois, a resposta por escrito de que era Beni Roversi, sócio do Sr. Abresch.

Um soldado, na guerra, se havia desgarrado da sua tropa. Vagueou a esmo o dia inteiro e, esgotado de fome e sede, estava perto da morte. Aproximou-se, então, duma amoreira, que não tinha frutos. Perto havia uma fonte, mas sem água. Sem esperança, prosseguiu o caminho, chegou a um convento e rezou na igreja. Subitamente, um padre aproximou-se e, vindo até ele, o abençoou, dizendo: “Os seus desejos serão satisfeitos”. Depois desapareceu. O soldado voltou pelo mesmo caminho. Então, para seu grande pasmo, a amoreira estava cheia de belos frutos, e a água jorrava da fonte em grande abundância. Ele se fartou de comer e beber. Depois prosseguiu o caminho e encontrou a sua tropa. Os seus desejos tinham sido realizados. Aquele sacerdote só podia ter sido o Pe. Pio.

Na Alemanha, há já três anos, uma moça jazia numa clínica, completamente paralítica. Quatro anos depois, foi transferida para a casa, devido ao alto custo da internação. Quando, porém, sobreveio uma paralisia da laringe, a pobre senhorita teve que ser alimentada artificialmente e, depois, reconduzida à clínica. Ali perdeu também a voz e o seu estado de vida era periclitante. Uma noite, ela viu um padre capuchinho, desconhecido, entrar no quarto. Ele sorriu para ela, deu-lhe a bênção e disse: “Você não ficará para sempre aqui, vai poder levantar-se e, além disso, falar!” Depois desapareceu. Cheia de alegria, verificou que os seus membros podiam mover-se e levantou-se lentamente. Justamente, nesta ocasião, a irmã de caridade chegou ao quarto e ela exclamou: “Irmã, irmã, eu estou curada!” No dia seguinte, os médicos constataram realmente a cura e ela recebeu alta. Contudo, silenciou sobre o fato miraculoso. Frequentemente, ela ficava sentada no parque da sua cidade. Certa vez, passou uma senhora pelo parque, com um livro debaixo do braço. A parte anterior da capa tinha uma fotografia do Pe. Pio. Então a moça à vista daquilo, precipitou-se em direção daquela senhora, arrancou-lhe o livro e gritou, fora de si: “Este é o padre que me curou!” Cheia de curiosidade, leu o livro e assim se certificou da atividade benéfica do Pe. Pio. A sua primeira viagem foi para ele, a fim de lhe agradecer. O santo capuchinho já ajudou a muitos, antes mesmo de o conhecerem.

Alguns filhos espirituais do Pe. Pio se encontravam num carro próprio, numa viagem por um país estrangeiro. Sobrevindo uma chuva torrencial, perderam a orientação e não sabiam mais ir adiante. De repente, veio até eles um capuchinho e perguntou-lhes aonde queriam ir. Em consequência da chuva que golpeava o carro, eles não podiam entender quase nada. Abriram, por isso, a janela e tiveram que se afastar diante da chuva que caía. Então o padre ordenou em voz alta, apontando para o céu: “Pare lá em cima!” No mesmo instante cessou de chover; depois de lhes ter dado aquela indicação, o padre desapareceu. Eles, então, reconheceram nele o Pe. Pio. Logo a seguir, o tempo ficou magnífico.


POR QUE NEM TODOS SÃO CURADOS?


S. Pio atendendo atendendo as almas
Também em Lurdes, Fátima e noutros grandes lugares de peregrinação nem todos os doentes ficam curados. Nós queremos saber o porquê disto. Também o próprio Jesus Cristo, na sua vida terrena não curou a todos, porque muitas curas corporais teriam servido apenas para pecarem mais do que antes e, por isso, provavelmente, suas almas se teriam perdido eternamente.

Cada enfermidade é uma visita de Deus, é como se a morte batesse às portas: “Prepare-se, você não tem morada permanente na terra!” O sofrimento é semelhante à iluminação do relâmpago numa noite escura.

Milhares de pessoas perderam tudo na guerra: bens, casa, entes queridos, filhos, cônjuges, pais. Outros tiveram que morrer na frente de guerra ou debaixo duma saraivada de bombas para, na sua extrema necessidade, elevar um grito de súplica para Deus, de Quem já se haviam esquecido, mas no último momento da sua vida O encontraram. Deus não os pode reconduzir a Si, se os homens não O escutam mais. São insondáveis os Seus desígnios. E quando isto ainda soa fortemente aos nossos ouvidos, então aí se manifestam o amor e a misericórdia infinitos de Deus. Nós o reconheceremos claramente na eternidade, à luz de Deus, e louvaremos a Sua misericórdia, quando tivermos deposto a veste terrena da nossa alma, o corpo, e voltado inteiramente para Ele, que é a morada de nossa alma.

Mesmo em nosso tempo, em que o homem — como se relata no Evangelho — enche os seus celeiros e diz: “Minha alma agora descansa”, o Deus onipotente lhe fala; “Tolo, ainda hoje lhe sobrevirão o sofrimento, o desastre, a doença incurável ou a morte!” E o que diz o Pe. Pio?

Um dia, levaram ao santo capuchinho um cego há vários anos; os seus amigos pediam a sua cura. O Padre olhou seriamente para ele, e suas palavras soaram duras e assustadoras: “Escolha agora você mesmo! Se você quiser ser feliz aqui na terra, não o será no além”. O interrogado desta maneira devia ter sofrido terrivelmente, mas, após uma curta pausa, ele se decidiu. Com a voz entrecortada de pranto, pediu: “Padre, Padre, eu prefiro ser feliz na outra vida!” O santo estigmatizado consolou-o amavelmente e o acariciou. Em seguida, o despediu fortificado com a sua bênção para carregar a sua pesada cruz. Através da mediação do Pe. Pio, foi permitido a este cego, feliz daí em diante, morar continuamente nas proximidades do sacerdote agraciado por Deus.

Um homem, epiléptico há muitos anos, que na igreja já tinha sofrido ataques deste terrível mal na igreja, também não foi curado. Digno de nota foi o juízo que o Pe. Pio exprimiu diante do enfermo: “Deus me concederia a graça da sua cura, se eu a pedisse. Mas eu não me responsabilizaria por ela diante dEle, pois você, então, amaria muito o mundo e, por isso, se transviaria de modo a perder a sua alma”.

Uma dama distinta estava, há dois anos, submetida a tratamento médico dum pé doente sem conseguir melhora. Quando ela pediu ao Pe. Pio ajudá-la com as suas orações, ele lhe disse que ela devia primeiro satisfazer por uma herança recebida injustamente e, por isso, agora tinha que sofrer.

Após um desastre de automóvel, um jovem ficou inteiramente aleijado e mal podia falar. O Padre lhe disse: “Foi uma grande graça para você este acidente; do contrário, haveria de ser um assassino e estaria hoje trancado numa cadeia”.

Uma senhora se arrastou penosamente até o Pe. Pio e lhe perguntou: “Padre, por que eu já estou há trinta anos doente? Posso dirigir ainda os trabalhos domésticos, mas com muita dificuldade”. Ele lhe declarou: “É uma grande graça ter Deus escolhido a senhora para sofrer. Tem dois irmãos que levam uma vida muito má e os outros seus parentes não são muito melhores. Pela salvação das almas deles, a senhora deve sofrer dois anos ainda e depois ficará curada, pois já terá conseguido a salvação destas almas. Cada sofrimento é uma graça, mesmo se não compreendemos”. Nós, porém, devemos sempre rezar: “Senhor, faça-se a Vossa vontade onde quer que eu esteja e aonde vá! Senhor, faça-se a Vossa vontade, ainda que eu não compreenda!” O que podemos dar de melhor ao Senhor do que o nosso próprio sofrimento, suportado com paciência e amor? Pois, com ele, podemos salvar muitas almas, inclusive a nossa.

Destes casos referidos se vê claramente porque nem todos os doentes são curados. Isto significa ser verdade que Deus é Pai e é bom tudo o que Ele faz! E o próprio Pe. Pio no-lo diz: “O que podemos dar de melhor a Deus do que o nosso sofrimento? O sofrimento é graça!


MAIS ACONTECIMENTOS MIRACULOSOS


S. Pio é outro Cristo
A história do Pe. Gaitano, falecido em San Severo, perto de Roma, com fama de santidade, é mais uma mostra de como o Pe. Pio intervém no curso de nossa vida. Aquele sacerdote contou a sua história, a partir do ano de 1928. Antes, ele pertencia a outra Ordem, sendo professor e diretor num instituto de educação para moças em Roma. Ganhava bem e tinha uma bela residência.

Leu, certa vez, num jornal a respeito dos fatos sucedidos em San Giovanni Rotondo e se dirigiu até lá. Ao subir o morro para ir ao convento, pensava: “Aqui ninguém me conhece!” Chegado ao convento, veio-lhe ao encontro um sacerdote, que o saudou com o seu nome e falou: “O Pe. Pio já espera pelo senhor”. Quando ele viu o estigmatizado, percebeu que este já o conhecia. A seguir, passou toda a noite sentado junto do Pe. Pio conversando ambos sobre coisas espirituais. O Pe. Gaitano lhe disse: “Eu gostaria também de ser capuchinho, contudo, na minha idade, a regra da Ordem não mais o permite”. O Pe. Pio o animou: “Faça o seu pedido, que eu vou apoiá-lo!” Com efeito, o sacerdote foi recebido como noviço num convento vizinho. Meio ano depois, todos os outros noviços já tinham saído. O Pe. Gaitano também queria ir ter com o Superior e dizer que não queria mais continuar. De repente, sentiu um intenso perfume e ouviu, juntamente, a voz do Pe. Pio, muito alta; “Coragem, Pe. Gaitano!” Desde este momento, ele não sairia mais, mesmo se o pisassem com os pés. Mais tarde este sacerdote foi transferido para San Giovanni, para junto do Pe. Pio. Ele se confessava com o Pe. Pio e o Pe. Pio com ele. A respeito, o Pe. Gaitano se exprimiu assim: “Quem me fecha a boca para eu não revelar nada sobre a sua silenciosa atividade?

Um dia, o Pe. Pio assegurou à avó duma menina cega de nascença com o nome de Gemma di Giorgio, de Ribera (Agrigento, Sicília): “Eu lhe digo que a sua netinha vai ver; pode ter confiança!” E a criança obteve a vista, mesmo se lhe faltavam as pupilas... A imprensa noticiou minuciosamente este milagre.

O Dr. Antônio Scarparo de Alizzola, cirurgião que havia operado inúmeros cancerosos, foi ter com o Pe. Pio. Ele sabia o que significava contrair um câncer. Em princípios de 1962, o Prof. Bruno, um famoso radiologista de Pádua, constatou metástase pulmonar no Dr. Scarparo. “Quanto tempo viverei ainda?”, quis saber este. “Por favor, diga, porque eu tenho três filhas menores”. Ao que o Professor disse: “Bem, eu lhe direi. Se tudo correr bem, o senhor viverá três meses ainda. Será melhor que a sua família se prepare para esta realidade inevitável”. Mas o Dr. Scarparo não queria morrer. Só lhe restava uma esperança: O Pe. Pio. Com o seu irmão, viajou até San Giovanni. O médico estava simplesmente reduzido a um farrapo humano: as maçãs do rosto caídas, sombras escuras debaixo dos olhos, a pele lívida se estendia como um pergaminho sobre os seus ossos, braços, pernas e costelas. “Pe. Pio”, rogou ele, “alcance esta graça para mim; eu tenho três filhas menores...”. Respondeu o Padre: “É isto que o inquieta, as suas três filhas”. O Dr. Scarparo continuou: “Os médicos dizem que eu tenho ainda só três meses de vida”. O santo capuchinho, porém, o consolou, dizendo: “Meu filho, isto são os médicos que dizem. Fique tranquilo!” Cheio de confiança, o médico voltou para a casa.

A 19 de março de 1962, ele mandou fazer outra radiografia de seus pulmões. As metástases, ainda nitidamente visíveis nas chapas de 19 de fevereiro do mesmo ano, tinham desaparecido. Quatro semanas depois, estavam simplesmente desfeitas! Antônio Scarparo sentiu que estava de novo completamente são! Entrementes às três filhas pequenas, se acrescentou um menino. Os doutores tinham declarado antes que ele não podia mais ter filhos.

A condessa Guilhermina M. foi ao Pe. Pio com o seu genro. “Nenhum médico sabia mais que conselho dar”, contou ela. “Eu sofro duma petrificação da espinha dorsal. Devo ser levada numa cadeira de rodas”. No seu desespero, pediu ao seu genro que a levasse ao Pe. Pio. Quando finalmente chegaram a San Giovanni, a doente sentiu uma prostração mortal. Às 4 h. e 30 min. da manhã, levaram-na à igreja. Pelo fim da Missa o seu genro pediu a um americano que a segurasse por um momento. Enquanto isto, ele conseguiu abrir caminho até o Pe. Pio e dizer-lhe em italiano que eles tinham vindo do norte da Alemanha. O santo capuchinho olhou para a doente e disse ao seu genro: “Está bem, meu filho. Ela deve levantar-se, já pode ir”. De repente, a senhora ficou tonta; o seu coração começou a bater depressa e sucedeu como se uma voz interior a obrigasse a levantar-se e correr. Nunca antes tinha visto um semblante tão admirado e, ao mesmo tempo, tão feliz como o de seu genro. “Já anda?”, gritava ele repetidas vezes, “Já pode andar!” Então ela se conscientizou logo de que o podia fazer.

Quando, na última guerra mundial, aviões americanos quiseram bombardear San Giovanni Rotondo, viram muitas vezes um padre suspenso sobre o convento de sorte que este ficava fora do alcance do bombardeio. Após a guerra, os soldados se informaram quem era aquele padre e o visitaram. A nova clínica foi, em grande parte, construída com donativos americanos.

Uma senhora que, durante a Quaresma, jejuava, sem dúvida, mas com o pensamento de poder ficar mais magra, foi ao Pe. Pio, que lhe disse: “Agora a senhora deve dizer como vive na Quaresma... e isto é muito pouco! Pode ficar magra mais uma vez!” O santo capuchinho conhece os pensamentos e leva muito a sério os preceitos quaresmais!

Quando um homem veio da Alemanha a San Giovanni e viu o Pe. Pio pela primeira vez, teve apenas um desejo: que ele quisesse ajudar a sua mãe completamente paralítica, de sorte que ela se pudesse mover e comer quando fosse necessário. Ao voltar à casa sua surpresa foi enorme. Na mesma hora em que viu o Pe. Pio teve o seu desejo totalmente realizado.

Uma senhora de 50 anos, proveniente da Checoslováquia, tinha ficado quase cega, em consequência duma grave enfermidade. Os médicos não podiam mais ajudá-la. Depois de ler algumas linhas, era inteiramente incapaz de o fazer durante muitas horas. Um dia, tomou nas mãos uma publicação sobre o Pe. Pio e começou a ler. A reação esperada da vista não se fez esperar; três horas depois, leu o livrinho e ficou curada. Assim também opera o santo estigmatizado.

Em Brünn, na Morávia (Checoslováquia), um homem estava à morte, e não queria saber de Deus. Por acaso, sua esposa conseguiu um livrinho sobre o Pe. Pio. Ela ficou impressionada com a leitura. Temia pela salvação eterna do seu marido e também pela sua, uma vez que não viviam numa união legitimada pela Igreja. Na sua aflição espiritual, entrou no quarto vizinho e ali exclamou: “Pe. Pio, ajude Pe. Pio!” Logo a seguir, ouviu bem claramente uma voz que lhe indicou o número do telefone, que ela devia discar. Assim o fez. Então se apresentou um sacerdote que estava cerca de 100 km de distância. A senhora lhe descreveu todo o caso. Imediatamente, aquele padre viajou até o hospital onde encontrou o moribundo disposto a se reconciliar com Deus. No dia seguinte, o casal se uniu pelo Sacramento do Matrimônio em presença do sacerdote e, pouco tempo depois, o homem passou para a eternidade em paz.

Quando, em 1959, a imagem da Nossa Senhora de Fátima, conduzida através de várias terras, chegou também à Itália, sua última estada neste país foi em San Giovanni. Neste tempo, o Pe. Pio estava doente, na cama por muitas semanas. Ele queria ser levado à igreja para a despedida da imagem. Quando esta entrou no templo, as pombas, que a acompanhavam constantemente, voaram até ele e pousaram sobre os seus ombros. Humildemente, disse o Pe. Pio: “Voltem agora para junto da Mamãe”. Logo voltaram para a imagem. E quando ele se ajoelhou diante da estátua da Mãe de Deus, chorava como uma criança e disse estas palavras comoventes: “Mãezinha do céu, a senhora me encontrou doente; quer deixar-me no mesmo estado?” No mesmo instante, voltaram-lhe as forças. Com o coração cheio de alegria, acenou para a Imagem peregrina que prosseguia a sua viagem de avião. Mais tarde se percebeu que, ao começar a Imagem o seu itinerário pela Itália, estava muito abatido e, para haver muitos milagres de conversões, o Pe. Pio devia sofrer atrozmente até que ela o buscasse e curasse por último, em San Giovanni Rotondo.

Uma senhora de Utrecht (Holanda) leu também um livrinho sobre o Pe. Pio. Isto abalou-a tanto que naquele momento quis se reconciliar com Deus, pois havia já doze anos que não recebia nenhum Sacramento. Então se dirigiu ao convento mais próximo e pediu um confessor.

Quando um jovem religioso entrou à paisana na sala de confissão, ela gritou: “Não, este não, quero outro!” Pasmado, ele se retirou. Então veio um sacerdote idoso e venerando, de hábito. Com este padre ela se confessou, e depois mandou batizar os seus cinco filhos.

Outro caso semelhante é conhecido lá. Uma senhora disse de si mesma, que estava morta e fria; através do que soube a respeito do Pe. Pio, tinha revivido e se aquecido. Penetrada de íntima alegria, fez uma confissão geral. Em seguida, instruiu zelosamente o seu filho de dez anos sobre Jesus e Maria e o levou à primeira Comunhão, para que também ele fosse feliz como ela.

Em Viena, um padre foi chamado para um doente em estado grave que recebeu os Santos Sacramentos. Após isto, o sacerdote lhe enviou um pequeno escrito sobre o Pe. Pio. Depois que o leu, o doente pediu mais uma vez e com insistência, o mesmo padre. Desatou-se o nó da sua língua e ele confessou que tinha recebido indignamente os sacramentos. Dois dias mais tarde, este homem morreu em paz com Deus.

Do dinheiro doado ao Pe. Pio, ele mandou erigir, perto do convento, um hospital que custou 20 milhões de marcos, um dos mais modernos da Europa, com mil leitos. Ali são acolhidos pacientes de todas as confissões. Quando a 5 de maio de 1956, este hospital foi benzido, vieram hóspedes de todo o mundo: médicos famosíssimos, dignitários eclesiásticos e trezentos jornalistas. Na ocasião, havia chovido seis dias sem interrupção, no sul da Itália. Logo que o Pe. Pio benzeu o hospital, parou de chover; isto ele predissera. Quase nenhum jornalista tinha acreditado. Eram exatamente cinco horas da madrugada e ainda chovia a cântaros. Às 7 horas, se encheu a praça diante do hospital: as portas dos carros escurecidos se abriram silenciosamente, os guarda-chuvas também. Então, de fato, sucedeu o milagre! Pouco antes das 8 horas apareceu o Pe. Pio diante do hospital. As nuvens se rasgaram, um raio de sol dourado caiu do céu sobre ele. Cessou de chover durante seis dias depois.

Uma senhorita de Stuttgart, Alemanha, contou fatos de sua vida em San Giovanni. Durante a segunda guerra mundial, ainda mocinha trabalhava no seu emprego e teve, certa vez, um sonho estranho. Ela se encontrava no sopé duma montanha desconhecida; lá cresciam oliveiras e amendoeiras, cactos da altura dum homem, bem como outras plantas nunca vistas por ela. Subiu então a montanha e encontrou em cima um pequeno e singelo mosteiro com uma capela, na qual ela entrou. No altar-mor viu Jesus de pé com uma vestimenta branca como a neve maravilhosamente bela e brilhante.

Completamente encantada, exclamou no seu entusiasmo: “Jesus, Jesus!” Ele lhe perguntou: “Quer ser eternamente feliz?” Cheia de alegria, replicou: “Sim, Senhor, quero! Que devo fazer?” Com a alma em júbilo, acordou do seu sonho. Durante em mês, ficou com este sonho diante da sua mente; contudo, devido às perturbações da guerra, ele desapareceu gradualmente de sua memória. Oito anos se passaram; ela se havia formado e obtido um bom emprego na Itália setentrional. Ali ouviu pela primeira vez pessoas conhecidas falarem do Pe. Pio e deixou-se convencer a viajar até San Giovanni. Quando o grupo de viajantes se aproximou do monte Gargano, a senhorita não pôde mais sair da sua admiração, pois lhe parecia que já tinha estado ali certa vez, embora verdadeiramente nunca estivera naquela região. Ela reconheceu também o convento, mas não sabia onde o vira. Entrou então, pela primeira vez na vida, numa igreja católica; pasmada, mal podia falar! Viu no altar-mor um homem, não com vestimenta branca como a neve, mas num hábito marrom de capuchinho. Ele a penetrou com o olhar — e após oito anos continuou, por assim dizer, na realidade, o sonho que tivera — e falou: “Quer salvar-se eternamente?” Neste momento, o sonho se fez presente a ela, que exclamou: “Sim, Senhor, eu quero!” Mas já não era o Senhor, e assim ela se corrigiu: “Sim, Pe. Pio, eu quero! Que devo fazer?” O Pe. Perguntou: “Quer tornar-se católica?” Cheia de entusiasmo, ela respondeu: “Sim, Padre, quero!” Quando a moça visitou, ocasionalmente, os seus pais, contou tudo à mãe. Esta bateu-lhe na testa e disse: “Filha, você está mesmo louca! Só Deus opera milagres e não esse Pe. Pio”. A filha realmente se havia expressado mal, pois teria sido melhor dizer: “Deus faz muitos milagres por meio dele”. Mais tarde, a conselho de seus conhecidos, a moça viajou mais uma vez até o Pe. Pio para lhe testemunhar pessoalmente o seu agradecimento. Ele bateu-lhe na testa, como fizera a mãe dela, e disse sorrindo: “Filha, você está louca! Só Deus faz milagres, e não esse Pe. Pio”. Ela ficou profundamente comovida. Mais tarde, ela aceitou do santo capuchinho as condições para ser batizada, tomou o nome de Maria da Graça e recebeu como lembrança um quadro embrulhado. Quando voltou para casa e contemplou o quadro, a sua admiração foi maior ainda: a pintura a óleo representava Jesus numa veste de nívea brancura, maravilhosamente bela e brilhante, exatamente como, vira, fazia anos, em sonho. Seu coração encheu-se de alegria e júbilo. O seu caminho para a fé católica fora excepcional.

Um homem que veio de longe ver o Pe. Pio tivera, há meio ano atrás, um belo sonho: vira o santo estigmatizado em meio dum grande esplendor e glória no céu. Na sacristia, o Padre olhou para ele dizendo: “Estou de acordo! Em sonho eu era bonito”. Pasmado com este conhecimento, o homem respondeu: “Ah, como o senhor é miserável comparado com aquele que eu vi num sonho magnífico, nos esplendores celestes!” Todos os presentes ficaram cheios de admiração com o fato.

Quando, certa vez, o Pe. Pio vinha ao confessionário, pediram-lhe a bênção para os presentes. Todos se ajoelharam, também um homem com um joelho endurecido, com uma bengala na mão. Após a bênção, mergulhado em seus pensamentos e sem nada perceber ainda gritou: “Ajudai-me agora, eu tenho um joelho endurecido!” Os circunstantes admirados perguntavam: “Como tem um joelho entrevado? Você se ajoelhou no chão com os dois joelhos!” Imensamente feliz, ele constatou então a sua cura: ela se efetuara sem ele ter dirigido uma só palavra ao santo capuchinho.

Um homem jazia acamado com câncer no intestino. Quando a sua esposa ouviu falar sobre o Pe. Pio, decidiu-se a fazer uma viagem a San Giovanni. A 10 de maio de 1964, eles chegaram lá. Na sacristia, um intérprete traduziu o pedido do enfermo. O Padre o abençoou três vezes e cada vez punha a mão na cabeça dele. Com isto, o doente sentiu como se algo lhe tivesse sido arrancado do ventre. Depois da terceira bênção, o homem lançou um grito de alegria e ficou curado. A dor e o sofrimento tinham sumido. Duas horas depois, o casal almoçou. A primeira refeição do homem, desde que adoeceu, constou de três pratos. Duas semanas depois, o miraculado podia retomar o trabalho habitual. Seis meses depois, em agradecimento pela cura, o casal viajou novamente até o Pe. Pio.

Certa vez, um senhor, durante a sua estada em San Giovanni, presenciou vários terremotos. Apavorados, os habitantes abandonaram as suas casas. Um irmão de hábito, excitado, entrou correndo na cela do Pe. Pio e anunciou: “Padre, um terremoto!” Ele, porém, replicou tranquilamente: “Veja o que Deus num só minuto pode fazer, se Ele simplesmente quiser”. Acontece, muito particularmente, que no dia natalício e onomástico do Pe. Pio se percebem frequentemente tremores de terra naquela região. Uma vez, foi tão violento o abalo que também o santo capuchinho, por obediência, teve que abandonar o convento e foi colocado provisoriamente numa ambulância do hospital. Os seus confrades se achavam no jardim do claustro. De repente, se ouviu, ao redor da ambulância, uma algazarra diabólica, de sorte que todos fugiram dali como podiam. Mais tarde, se soube que o Pe. Pio se tinha oferecido novamente ao Senhor como vítima expiatória. Era o furor do demônio, pois agora os seus planos tinham sido frustrados.

Um dia, um siciliano cego chegou até o Pe. Pio e pediu-lhe que restituísse a sua vista. O estigmatizado retrucou: “Você se esqueceu completamente que surrou o seu pai com uma vara de ferro e ele o amaldiçoou e lhe desejou a cegueira?” As palavras do pai tiveram um poder tão grande que se realizaram.

Um moço entrou na sacristia. O Pe. Pio foi em cima dele, agarrou-o e lhe deu uma sacudidela gritando: “Miserável! Quer manchar a sua alma com sangue?” Depois seguiu adiante. O moço contou, então, que ele viajara até ali para afogar a sua noiva no mar e, assim, simular um acidente de banho.

Três professores foram visitar o Pe. Pio depois duma conferência; dois deles eram crentes, o terceiro não. Quando o Padre passou junto deles na sacristia, os dois primeiros apresentaram as suas intenções. O descrente, porém, refletia sobre o que devia dizer. Quando o santo capuchinho passou de novo perto dele, o homem pediu uma bênção para os seus três filhos. O Padre lançou-lhe, então, um olhar penetrante e o repreendeu às claras: “Senhor professor de matemática, o seu cálculo está errado! Deve saber que 3 mais 2 são 5. Bem, o senhor tem 3 filhos legítimos e mais 2 bastardos e, portanto, 5 filhos!” Lívido com a revelação de seus segredos, caiu de joelhos e se converteu. O Pe. Pio sabia o que ele nunca poderia conhecer. Quem lhe disse?

Na festa da Assunção de Nossa Senhora, dois homens trouxeram de Roma um incrédulo ao Pe. Pio. Ele ouvia e via muitas coisas, mas ainda não se convertera. Numa tarde, foram passear na cidade. De repente, falou o descrente: “Dizem que o Pe. Pio sabe e ouve muitas coisas de longe. Se isto é verdade, então eu digo em voz alta: Pe. Pio, boa noite!” Logo a seguir, todos os três perceberam a voz amigável do Pe. Pio: “Boa noite, meu caro!” Cheio de espanto, o homem se converteu imediatamente.

Um rapaz, que visitara frequentemente o Pe. Pio, passava, certo dia, por uma igreja. Antes ele tirava o chapéu cada vez que isto sucedia, por respeito ao seu Divino Senhor, mas nesta ocasião se envergonhou por causa do seu amigo. Subitamente, todos ouviram uma voz alta; “Seu covarde, você não ouse mais passar diante da casa do seu Senhor sem cumprimentá-lo”. Todos ficaram profundamente impressionados. Pouco tempo depois, aquele jovem se dirigiu ao Pe. Pio; logo este lhe disse “Se você fizer isto mais uma vez, passar diante da casa de Deus sem O saudar, receberá uma sonora bofetada”. Bem se pode imaginar o espanto do moço.

Há muitos anos, um homem veio de bem longe com o seu carro visitar o Pe. Pio. Para a viagem de volta, o veículo precisava de consertos urgentes. O sol abrasava, impiedosamente, a terra e não era possível pôr o carro em forma com aquele calor insuportável. Só havia perto dali uma grande árvore que fornecia uma sombra benéfica; naquele tempo não havia garagens por ali. Cheio de confiança o homem foi ter com o Pe. Pio e lhe contou o seu projeto. Pediu-lhe rezasse a Deus a fim de que se dignasse mandar nuvens. A estas palavras, o santo capuchinho sorriu e perguntou: “Quando quer executar este trabalho?” À resposta de que iria no dia seguinte à cidade comprar as peças necessárias para consertar o carro pelas 14 horas, replicou o Pe. Pio: “Está bem”. Com efeito, no dia seguinte, à hora indicada, surgiram nuvens no horizonte e encobriram o sol, embora naquela estação não se vê uma nuvenzinha sequer durante semanas inteiras. Um pouco antes das 17 horas, o homem tinha acabado o seu trabalho e logo a seguir agradeceu ao santo estigmatizado pela sua intercessão junto a Deus que o havia escutado e mandado as nuvens.

Um jovem acadêmico, após o término de seus estudos, apesar de todos os seus esforços durante um ano, não tinha encontrado colocação. Tinha arranjado somente um pequeno biscate do qual podia viver precariamente. Seus pais tinham falecido e ele não pertencia a nenhuma organização, de sorte que não havia uma pessoa competente que interviesse decisivamente por ele. Então escreveu ao Pe. Pio e se queixou do seu sofrimento. Duas semanas depois, obteve um emprego inesperado, excelente. Assim o Pe. Pio ajuda também os que confiam nele.

Uma senhora veio da Alemanha a San Giovanni acompanhada de outras duas pessoas. Não havia nada de que ela não duvidasse. Apesar disso, recebeu a graça de ter o Pe. Pio lhe dirigido duas palavras em italiano, ao passar por ela. Os presentes lhe traduziram as palavras para o alemão. Ela, porém, duvidava da exatidão da tradução e perguntava a todos os que a encontravam sobre o sentido daquelas palavras. À noite, foi dormir cheia de dúvidas. Depois teve um sonho singular: entrou num quarto onde havia muitos quadros do santo capuchinho; ela contou todos e eram exatamente cem. No dia seguinte, quando o Pe. Pio passou perto dela, disse-lhe bondosamente: “Mesmo se houvesse cem Padres Pios — como os quadros que contou na noite passada — você, apesar disso, duvidaria”. Grande foi a surpresa daquela senhora. Livre das suas dúvidas, ela se converteu.

Numa tarde, chegou à sacristia um homem com traje civil e se pôs diante duma coluna. O Pe. Pio apontou-o com o dedo e disse sorrindo: “Vá ao seu aposento e vista o seu hábito, pois é um padre dominicano; depois venha ter comigo”. Ele, pasmado, respondeu: “Obrigado, Pe. Pio, obrigado! Agora eu sei tudo”. E ficou livre das suas dúvidas.

Uma senhora da América do Norte permaneceu quatro meses na Itália. Depois recebeu a notícia de que deveria voltar imediatamente, pois a sua tia estava à morte. Depressa ela viajou até o Pe. Pio para perguntar o que devia fazer, pois a sua tia poderia morrer durante a viagem de navio. Ele interrogou-a: “O que você disse sobre a sua partida para junto de sua tia?” Ela replicou: “Querida tia, eu gostaria de vê-la antes da sua morte”. Então o Pe. Pio disse: “Você deve cumprir a sua palavra. Mas não é preciso apressar-se tanto, eu pedirei por ela a fim de que sua vida se prolongue por mais meio ano. Veja assim que poderá ver a tempo a sua tia viva”. Ela fez assim e, verdadeiramente, para a admiração dos médicos, a tia viveu ainda meio ano. O santo capuchinho lhe havia conseguido esta graça.

Um moço da América do Norte, que trabalhava num laboratório, devido a um engano, se tinha infeccionado com um veneno, que, trinta horas depois, teria inevitavelmente um efeito mortal. O jovem não sabia disto; contudo, os seus patrões informaram os familiares a respeito. A mãe, que conhecia a ação benéfica do Pe. Pio, decidiu-se sem hesitação a salvar a vida do filho e a viajar de avião com ele até o Pe. Pio. Em San Giovanni Rotondo, tiveram acesso ao santo estigmatizado. Ele pôs as mãos sobre a cabeça do moço e imediatamente este foi curado de seu envenenamento mortal que já começava a surtir efeito.


OS FILHOS ESPIRITUAIS DO PE. PIO


S. Pio e suas filhas espirituais
Assim como todo o sacerdote tem os seus penitentes, também o Pe. Pio os tem. Contudo, quem, por motivo de qualquer dificuldade, não se pode confessar com ele ou então não sabe bem o italiano ou absolutamente não tem condições de ir a San Giovanni, pode pedir ao santo capuchinho, oralmente ou por escrito, para ser tido como seu filho espiritual. Dois irmãos se achavam na sacristia. Um deles disse, de passagem, ao Padre: “Por favor, tomai-me como vosso filho espiritual”. A isto, o Pe. Pio deu como resposta: “Isto não, absolutamente, pois você me causaria tanta vergonha como o seu irmão aí atrás”. Sobre os seus filhos espirituais, disse de maneira comovente: “Eu amo mais os meus filhos espirituais longe de mim do que os que estão perto, pois aqueles precisam mais da minha proteção do que estes, meus hóspedes aqui”. O santo capuchinho vê cada um dos seus filhos espirituais uma vez por dia, reza diariamente por cada um e os abençoa, embora ele já tenha mais de 12 milhões deles. Quando alguém lhe pergunta como isto é possível, humildemente ele responde: “Deus me permite, no Seu Amor, participar da Sua Onipotência. Apesar de eu rezar por cada um deles, eu o faço como se olhasse da minha janela, e assim peço também por todos eles juntamente”. Um outro lhe fez esta pergunta: “Padre, onde o senhor tem todos os seus filhos?” Gracejando, ele falou: “Eu os ponho todos num saco e, muitas vezes, um salta para fora; eu o deixo se agitar um pouco e depois por si mesmo ele salta novamente para dentro”.

O Pe. Pio disse certa vez tão bem que os seus filhos, que com ele rezam, sofrem, reparam e suportam pacientemente os males, vão receber algo da sua herança eterna. Houve casos em que o Pe. Pio se mostrou em bilocação aos seus filhos espirituais, exortando-os e intimando-os ao bem. Muitos deles não poderiam suportar a aparição do Pe. Pio bilocado. Por isso ele lhes envia o seu admirável perfume, sentido como se fora o aroma de rosas, violetas, cravos, lírios ou a fumaça do incenso. Isto dá a conhecer a sua presença bilocada, embora não seja visível. Muitas vezes este perfume significa uma exortação ou um chamamento. Ele mesmo disse, como comparação, que o general, quando passa em revista às suas tropas e encontra tudo em ordem, passa adiante tranquilo; se alguma coisa não está certa, então chama a respectiva pessoa. Com o Pe. Pio é assim também; só que ele intima o seu filho espiritual à oração e penitência por meio do perfume.

Um cego de Roma visitava frequentemente o Pe. Pio, o qual se alegrava com a visita. Ele vinha, como o próprio Padre dizia, bem carregado. De fato, trazia consigo muitas Missas, terços, outras orações e sacrifícios que, ao chegar, dava de presente ao Pe. Pio. Por isso podia aspirar, durante horas, o maravilhoso perfume do santo capuchinho. Um dia pensou subitamente. “Pe. Pio, eu gostaria de respirar ar puro”. No mesmo instante, o perfume desapareceu e não veio mais. Alguns dias, disse o cego no passeio do convento: “Pe. Pio, mande para mim um perfume, por favor”. O santo estigmatizado retrucou: “Mas você não quer ar puro?” Com isto se confirmou aquele acontecimento. O aroma do Pe. Pio é percebido no mundo inteiro, às vezes, mesmo por pessoas que nunca ouviram falar dele e, mais tarde, graças àquilo, encontram, lentamente, o caminho até o santo estigmatizado.

Uma senhora disse no confessionário: “Pe. Pio, eu sou sua filha espiritual e coloco a minha alma à sua disposição”. Ele respondeu o seguinte: “Eu trato os meus filhos com o chicote e com doces e, frequentemente, eles devem comer também pão seco, pois é um alimento substancioso e completo para a alma. Somente para os filhos pequenos, eu dou muitas vezes bombons celestes”. O Pe. Pio é igualmente responsável pelos seus filhos espirituais; a um penitente, fez uma admirável declaração: “Se fosse possível, eu não iria para o céu antes de saber que todos eles estão lá”.

Um grande peso para o Pe. Pio são as multidões buliçosas que se demoram diariamente em San Giovanni e gostariam de qualquer maneira de beijar as suas chagas. Ele mesmo, muitas vezes, disse com humildade, quando as pessoas esperavam por isso durante horas: “Se vocês assistem a uma só Missa, ganham infinitamente mais com isso do que me beijando as mãos”. Para muitos deles, os sagrados estigmas são também uma isca, a qual eles queriam atrair para si; depois o Pe. Pio os conduz lentamente ao Coração de Deus. A um homem espiritualmente maduro, disse ele: “De você eu posso exigir mais do que estar aqui para o beija-mão’.

Uma senhora que fora rejeitada por ocasião do beija-mão, ficou muito magoada com isto. Na noite seguinte, ela teve um sonho: viu o Pe. Pio sentado no confessionário, e as chagas não estavam cobertas com luvas. Um bando inumerável de moscas importunas, grandes e pequenas, além de outros insetos, molestava as suas chagas sangrando. A senhora, então, no sonho quis afugentá-los, mas o Pe. Pio lhe disse com tristeza: “Deixe, eles estão saciados só pela metade; se os enxota sobrevêm outros e me devoram inteiramente”. Isto simboliza o beija-mão. Na confissão seguinte, ele, sorrindo, comprovou àquela senhora a verdade deste sonho.

O santo capuchinho, certa vez, pediu licença de se retirar a fim de rezar o terço. Diariamente, ele reza 40 terços e muitas vezes até 120. Um dia, alguém lhe perguntou: “Como é possível o senhor rezar tanto?” A resposta foi: “Vocês podem rezar um terço depois do outro, comigo não é assim. Eu faço quatro coisas ao mesmo tempo”. Nisto consiste o segredo que só Deus conhece. Estas quatro coisas são:

1. O Pe. Pio cumpre fielmente os seus deveres de sacerdote religioso.
2. Ele nunca deixa de rezar.
3. Ele responde e continua a rezar, faz todas as suas obrigações rezando interiormente.
4. A bilocação: ele está ao mesmo tempo em vários lugares.

O santo capuchinho tem o dom de nos orientar por meio da sua oração ininterrupta, do seu perfume, que ele envia muitas vezes do sangue proveniente das suas chagas e através de sonhos em estado de vigília.

Certa vez, um dos seus filhos espirituais lhe perguntou: “Pe. Pio, o senhor reza também por mim?” Ele retrucou: “E você ainda pergunta isso?” O homem desculpou-se: “Eu acredito que sim, Padre, mas penso que o senhor pode rezar por mim assim como por todos os outros, coletivamente”. Declarou o estigmatizado: “Você deve saber que rezo por cada um, individualmente, como só ele existisse e, além disso, eu o vejo”. Por isso não se gostaria de ter algum pensamento que não se pudesse exprimir pessoalmente ao Pe. Pio. Basta somente pensar numa coisa que ele sabe dela. O santo capuchinho disse, certa vez: “Quanto mais se crê que eu sei duma coisa, tanto mais graças se recebe”. Como homem ele não poderia dizer: “Eu rezo por cada um individualmente e o vejo”, mas Cristo está nele e com ele. O Pe. Pio conhece cada um deles; é um dom de Deus. Perguntou alguém certa vez: “Como isto é possível, Padre? Dizem que o senhor tem mais de 12 milhões de filhos espirituais”. Ele respondeu: “É um dom que Cristo me concedeu”. O santo capuchinho reza por todos perto e longe, especialmente por aqueles que são seus filhos espirituais. Uma vez, ele lhes disse: “Não me faltem ao respeito, nem diante de Deus nem dos homens”.

Uma sua filha espiritual pediu-lhe, durante a Missa, um sinal visível para a manhã da Páscoa. Contudo, foi em vão! Quando ela deixou a igreja, disse em pensamento ao Pe. Pio: “Eu não tinha pensado que o senhor era tão mesquinho!” No mesmo instante, levantou os olhos para o sol da manhã, que nascia. Viu nele o Salvador ressuscitado duma incomparável beleza. Perplexa, ela caiu de joelhos.

Um jovem senhor que visitava o Pe. Pio pela primeira vez, pediu a graça de o santo capuchinho acolhê-lo como Jesus o teria feito, enquanto ainda vivesse na terra. Para a sua maior surpresa, o seu desejo foi completamente satisfeito; cheio de felicidade, foi admitido pelo Pe. Pio como seu filho espiritual.

Um sacerdote, também filho espiritual do estigmatizado, tinha celebrado num Domingo de Pentecostes, uma Missa pelo Pe. Pio e somente ele sabia disto. Depois o sacerdote encontrou inesperadamente um bilhete: o Pe. Pio se mostrava agradecido pela Missa e lhe enviava bênçãos em grande abundância. Contudo, não era a qualquer um que se davam graças visíveis como esta.

Uma professora, filha espiritual do santo capuchinho, falava com ele; nisto ela abriu a sua bolsa e queria tirar dela uma carta. Para sua surpresa, o Pe. Pio agarrou a bolsa, tomou a relíquia da cruz que ela trazia constantemente consigo, beijou-a com lágrimas e a devolveu. Teresa Neumann já tinha anteriormente atestado a autenticidade desta relíquia.

Um piedoso jovem pediu ao Pe. Pio por escrito ser admitido entre os seus filhos espirituais. Alguém entregou pessoalmente esta carta ao santo capuchinho. Após o regresso desta pessoa, verificou-se que na mesma hora em que a carta foi entregue, o moço viu o Pe. Pio em sua casa, que o abençoou e o chamou “nobre rapaz”. Tais eventos são, naturalmente, raras exceções.

Diz o Pe. Pio que muitos dos seus filhos espirituais vão com Jesus e com ele até o partir do pão, mas muito poucos até o beber do cálice (do sofrimento).

Os filhos espirituais devem tornar-se semelhantes ao pai segundo o espírito e aceitar, com amor, tudo o que Deus manda e suportar tudo por amor e pacientemente dizendo: Senhor, não se faça a minha vontade, mas a Vossa!

Os filhos espirituais do Pe. Pio são, por todo o mundo, como raios de sol e atuam por meio do seu sofrimento. Oração e entrega de si próprios à vontade de Deus. O Pe. Pio é o sol; ele nos penetra com o seu olhar e nós ficamos cada vez mais iluminados interiormente.


FATOS ESTARRECEDORES


S. Pio de Pietralcina
Cada pessoa, assim como também o Pe. Pio, tem amigos e inimigos. Mas o que ele fez de mal? Ora, o que o nosso Divino Salvador fez de mal? E, apesar disso, Ele foi odiado, perseguido e pregado numa cruz! O Pe. Pio passou pelo mundo abençoando. E também ele será perseguido e odiado, por ser, para muitos que não vivem como deviam, uma amarga repreensão. E, por isso, deve desaparecer do mundo?

Um dia, um carro passava pela rodovia no lugar donde se podia ver muito bem o convento do Pe. Pio, o novo hospital e muitos outros edifícios no alto, na encosta da colina. O passageiro perguntou ao motorista: “Diga-me, que são estes grandes edifícios lá no alto, na colina?” A resposta foi: “É o convento do Pe. Pio”. Então o ímpio, excitado, retrucou: “Então os capuchinhos têm tanto dinheiro assim?” O motorista esclareceu: “Caro senhor, a coisa é inteiramente diferente! Lá em cima vive o Pe. Pio, que tem os estigmas, como Nosso Senhor na cruz; o povo diz que ele é um santo. Na igreja do convento e também no mundo inteiro, sucedem muitos e grandes milagres por sua intercessão. Pe. Pio é inteiramente desprendido de si mesmo e nada toma para si, dizendo: dou de graça o que de graça recebi. Lá se podem ver os numerosos ônibus que chegam, provenientes de todos as partes e o senhor poderá também ouvir os peregrinos falarem em várias línguas. As pessoas chegam em fluxo contínuo para agradecerem por graças recebidas ou pedirem novas. O dinheiro das doações feitas foi empregado pelo Pe. Pio na construção desta clínica, que deve servir a todos. O Padre não é egoísta, nada reserva para si; ele tem grande amor de Deus e do próximo”.

A estas palavras, o ímpio se encolerizou e proferiu, furioso, palavras odiosas contra o Pe. Pio, juntamente com zombarias, pragas e maldições. Após uma pequena pausa eles chegaram à cidadezinha e o viajante, sorrindo escarninho e zombeteiro, disse ao motorista: “Dentro de alguns dias vai haver aqui uma grande festa: o enterro do Pe. Pio; então vai acabar tudo isso!” No mesmo momento, chegaram ao hotel. O atrevido falastrão desceu do carro, caiu e morreu subitamente; tinha uns 30 anos. Houve logo aglomeração de pessoas e um grande reboliço, muitas perguntas feitas e pontos de vista defendidos. O motorista contou a conversa que tiveram. Uma testemunha ocular foi imediatamente ao convento e queria relatar tudo ao Pe. Pio; este, porém, respondeu humildemente: “Não é preciso que você me conte, eu já sei. No momento em que aquele homem proferiu a praga contra mim e me desejou a morte, eu estava inteiramente em Deus; a praga não me pôde atingir; ela recuou logo de mim e bateu em cheio no próprio praguejador. Agora farão o seu enterro dentro de poucos dias!” Em consequência disto, percebemos que ninguém pode zombar impunemente de Deus, de seus santos e bem-aventurados e que ninguém roga praga contra um homem sem que ela recaia sobre o praguejador.

Um homem, inimigo ferrenho da Igreja, se pôs diante do convento e, com o punho cerrado, gritou: “Abaixo o Pe. Pio, abaixo com ele!” No mesmo instante, caiu prostrado no chão e ficou completamente paralítico. Mais tarde, porém, Deus lhe concedeu a graça de se converter.

Todos os inimigos do Pe. Pio que já faleceram tiveram uma morte verdadeiramente espantosa. Deus sempre está com ele! Nos casos em que se tentou tirar-lhe a vida, Deus interveio de modo terrível. Ainda existem muitos fatos relatados em vários livros sobre o santo estigmatizado.

Há muitos anos, três homens, que moravam numa grande cidade da Itália meridional, decidiram liquidar com o Pe. Pio. O primeiro deles converteu-se, à parte, com o olhar do Padre; o segundo foi obrigado a ajoelhar-se devido à personalidade dominadora do santo capuchinho. Provavelmente já tinha rezado por eles ou sofrido pela sua conversão. O terceiro zombou de ambos, dizendo que não eram homens, mas uns covardes; e foi ter com o Padre com a pistola carregada no bolso, esperando uma oportunidade favorável. Lá, então, viu muita gente e ouviu que muitas pessoas se queixavam às outras dos seus padecimentos. Entre estas, havia uma senhora que trazia nos braços uma filha de sete anos, cega, surda e muda de nascença. Quando apareceu, o Pe. Pio foi solicitado de todos os lados; mostravam-lhe fotografias de doentes e entregavam-lhe cartas. De repente, aquela senhora gritou e chorou de modo a cortar o coração: “Pe. Pio, peça a graça da cura para a minha pobre filha doente, cega, surda e muda!” Ele se deteve, acariciou a menina, pois amava muito as crianças, e perguntou-lhe em voz alta: “Qual é o teu nome?” Os olhos da menina se abriram à luz, os ouvidos ao som e se lhe desatou a língua. Ela exclamou em voz alta: “Meu nome de batismo é Maria!” Muitos caíram de joelhos com lágrimas nos olhos, também o homem da pistola. Tinha sido demais para ele! Humildemente, disse o Pe. Pio que agradecessem a Jesus no Sacrário ou a Maria, Sua Mãe celeste, e passou adiante. Ao chegar ao herói pistoleiro, ficou parado junto dele e, com um gesto amável, perguntou-lhe muito amigavelmente: “Por obséquio, que deseja o senhor?” “Confessar-me”, foi a sua resposta, o que fez a seguir. Depois, contava por toda a parte a sua maravilhosa conversão.

Um homem, que caluniava muito o Pe. Pio, pouco dias depois, teve que andar de muletas.

Um alto dignitário eclesiástico, num grande grupo, falou contra o santo capuchinho dum modo muito reprovável; alguns dias depois, jazia morto numa cama.


PELOS FRUTOS O CONHECEREIS


O incansável S. Pio
Um dia, veio até o Pe. Pio uma mocinha protestante da Suíça. Era a filha única de pais milionários e sofria de tuberculose pulmonar no último grau. Quando ouviu falar do Pe. Pio, este se tornou a sua última esperança. No primeiro encontro, o santo estigmatizado lhe disse: “A Mãe de Deus me disse que você ficará curada, se se tornar católica”. Cheia de felicidade, a mocinha voltou para junto dos pais, mas aí encontrou o pior. Fizeram-na saber claramente que ela não teria mais pais nem herança, se se quisesse tornar católica. Preferiam vê-la na sepultura a ficar sã entre os vivos, se a condição da cura fosse a sua passagem para o catolicismo. Contudo, a pobre menina queria viver; deixou o pai e a mãe e viajou de novo para junto do Pe. Pio. Em San Giovanni, um senhor bondoso lhe deu um lugar para morar. Ela foi devidamente catequizada e abraçou a fé católica. Ao mesmo tempo, ficou completamente curada, fato comprovado por laudo médico. Na mesma manhã, o Pe. Pio lhe deu Jesus no Santíssimo Sacramento do altar pela primeira vez na sua vida. A seguir, obteve licença de sentar-se junto do confessionário do santo capuchinho. A mocinha lhe exprimiu a sua imensa alegria e gratidão, mas também o seu pesar por não ter mais pais. Então disse ele, cheio de compaixão: “Você não gostaria de ter outra mãe?” Ela concordou alegremente. Então o Pe. Pio lhe ordenou que sentasse pacientemente diante do confessionário. No mesmo dia, uma senhora se queixara ao santo estigmatizado, durante a confissão, pelo fato de não ter filhos. Ele lhe perguntou se ela não queria ter uma filha já crescida. “Sim, com prazer”, foi a resposta, “se eu a receber através do senhor, de todo o coração o farei”. Retrucou o Pe. Pio: “Vem para cá, eu lha mostrarei!” Inclinando-se para fora do confessionário, apontou a mocinha e disse para a senhora: “Eis a sua filha!” E, voltado para a mocinha, falou: “Eis a sua mãe!” Profundamente comovidas e banhadas em lágrimas, ambas se abraçaram e beijaram. Muito feliz, a mocinha partiu com a nova mãe para o seu novo lar. Estava curada de corpo e alma.

Quando pedem ao Pe. Pio que reze pelos protestantes, ele começa a chorar. Tão grande é a dor que sente pela separação deles.

Certo dia, um casal desceu do ônibus com um filho paralítico de nascença; eles vinham de Nápoles. O marido recusou-se a ir até a igreja porque não acreditava em Deus. Em vista disso, a senhora carregou sozinha o seu filho de cinco anos à igreja e começou a rezar. Repentinamente, ouviu um chamado em voz alta do corredor do convento, dizendo que o Pe. Pio passaria por ali. Ela correu donde estava e gritou para ele: “Tenha compaixão de meu pobre filho paralítico!” Ele se dirigiu a ela e disse sorrindo ao menino: “Você já é bem grande, não precisa ser carregado pela sua mãe, já pode correr sozinho!” Depois tomou o menino dos braços da mãe e o colocou sobre os seus próprios pés, pela primeira vez na vida. As testemunhas deste acontecimento se comoveram profundamente. Mas, então, disse o Pe. Pio à mãe algo que o menino não podia entender: “Vocês eram três! Onde está o seu marido?” A mulher, consternada, começou a chorar e não pôde responder. Então o Pe. Pio falou ao menino: “Corra depressa à praça da igreja e chame o seu pai!” Todos os presentes correram atrás do menino, pois ele não encontrava o pai por causa dos numerosos peregrinos e ônibus que ali estavam; então o rapazinho, cheio de alegria, gritou tão alto quando pôde: “Pai, pai, eu posso correr!” O pai ouviu a voz do seu filho em algum lugar, levantou-se num pulo e não acreditava no que via. Realmente, o menino estava curado! Como um alucinado, o homem se precipitou ao encontro do filho e gritou com todas as forças: “Eu creio em Deus, eu creio em Deus!” Várias outras pessoas, que presenciaram o fato, também se converteram.

Uma senhora de Viena tinha uma cárie óssea que lhe destruía a segunda vértebra do pescoço. Foi então obrigada a usar um aparelho para a fixação da cabeça. Ela teve de sofrer este martírio de três anos e meio, até ir ter com o Pe. Pio. Sua irmã dizia que ela não devia alimentar esperanças de ser curada, para não voltar decepcionada para a casa. Após a sua volta, as dores desapareceram. Contudo, ela não ousava tirar o aparelho, mas procurou o seu médico. Este a examinou e tirou uma radiografia: a vértebra estava completamente reposta! Imediatamente, ela pôde andar. Deve-se atribuir este milagre às orações do Pe. Pio.

Uma viúva veio chorando até o santo capuchinho e perguntou-lhe se podia casar outra vez. Em resposta, ele disse: “Eu não aconselho: com o primeiro marido, você chorou com um olho só; se casar de novo, vai chorar com os dois”. Infelizmente ela não seguiu este conselho e casou-se. Alguns anos depois, voltou ao Pe. Pio e chorava com os dois olhos.

Um senhor tinha muito pouca capacidade de ver em ambas as vistas. Viajou até o Pe. Pio e pediu a sua intercessão a fim de poder ver bem, ao menos com uma vista. O santo estigmatizado lhe disse: “Deus é generoso! Se você quer, poderá ver claramente com as duas vistas”. Contudo, o homem se contentou com uma só; em pouco tempo, recobrou a plena visão. Depois sentiu muito por não ter pedido o restabelecimento de ambas as vistas.

Uma senhora, vinda de longe, encontrou alojamento em casa de conhecidos, perto do convento. Após a sua chegada com o primeiro ônibus, assistiu a uma Missa do Pe. Pio celebrada ao ar livre. Depois voltou para junto dos seus parentes. À tarde, o seu marido veio para a casa e contou que, após ter falado com o santo estigmatizado, este lhe disse que ele deveria encontrar antes uma visita em casa; o Pe. Pio queria dar a entender a esta mulher que ele — o Pe. Pio — não era mouco e ela não precisava apresentar-lhe os pedidos ininterruptamente. Quando aquela senhora ouviu isto, ficou espantada e afirmou não poder compreender, pois não tinha dito ao Pe. Pio uma palavra sequer. Mas, um pouco depois, exclamou: “É verdade, o Padre tinha razão porque, quando assistia à Santa Missa, fazia sem cessar os meus pedidos”.

Uma jovem senhora de Bolonha, desejando obter a conversão de sua mãe, viajou ela até o santo capuchinho. Nesta intenção, ofereceu o dinheiro da viagem e pensava repetidamente: “Pe. Pio, ajude minha mãe a fazer uma boa e santa confissão, seja amável e bom para com ela para que não se afaste mais do caminho reto. Para isso, o senhor pode ser duro e rigoroso para comigo; eu ofereço tudo pela minha mãe!” Com efeito, sua mãe foi confessar-se. O seu coração bateu forte quando ela viu a sua mãe feliz sair do confessionário. Ela agora estava na fila dos penitentes. Logo de início, o Padre foi rude e áspero com ela que, chorando, lhe perguntou por que a tratava tão duramente. Ele se mostrou mais rígido ainda e a mandou sair do confessionário. Então ela saiu da igreja envergonhada e em prantos. Na praça da igreja, a mãe foi até ela, cheia de felicidade, dizendo que não podia admirar suficientemente a bondade e a brandura do Padre. Então a jovem senhora se lembrou de que realmente tinha oferecido ao santo capuchinho, pela conversão da mãe, o sacrifício de ser tratada por ele com severidade e dureza. Agora então reconhecia que o Pe. Pio soube exatamente da sua promessa e também a executou. Então a paz voltou à sua alma.

Um homem de Gênova já se achava há quatorze dias em San Giovanni e, desde muitos anos, não tinha ânimo para confessar-se e comungar. Certo dia, na sacristia, o Pe. Pio, sorrindo, disse num tom de repreensão: “Aqui na sacristia há um homem que mora à beira mar e não toma banho”. O genovês percebeu logo que a alusão era para ele, pois primeiramente morava à beira mar e depois se encontrava junto da fonte das graças e, apesar disso, não purificava a sua alma. Esta foi a ocasião para a sua conversão definitiva.

Durante a construção do hospital em San Giovanni, os operários, após a Missa da madrugada, pediam a bênção do Pe. Pio e depois iam tranquilos para o trabalho. Um dia disse o santo capuchinho a um deles: “João, tenha coragem e confiança!” O trabalhador quis voltar para saber o motivo, mas não houve mais possibilidade. No local de trabalho, de súbito, explodiu uma carga de dinamite e justamente aquele operário foi gravemente ferido. O olho direito ficou inteiramente arruinado, e o esquerdo com lesão grave; em todo o corpo o trabalhador tinha ferimentos. Três meses depois, era apresentado o julgamento definitivo dos médicos. O homem estava cego dos dois olhos e jazia triste num leito do hospital. Na sexta-feira, Pe. Pio entrou, subitamente, em seu quarto, foi até ele, deu-lhe, sorrindo, um leve tapa na face direita e desapareceu. Embora o trabalhador estivesse cego, ele viu isto e nada mais. Quando raiava a manhã do Sábado Santo, aconteceu o impossível. O olho direito, inteiramente arrancado, foi reposto. Grande foi a sua alegria, bem como a surpresa dos médicos. Ele já podia levantar-se. Imediatamente, se dirigiu ao Pe. Pio que estava justamente no corredor do convento. Como toda a gente ali gritava confusamente, ele, superando o vozerio, gritou: “Pe. Pio, eu lhe desejo uma santa Páscoa!” Quando o santo sacerdote chegou mais perto, disse o homem: “Pe. Pio, eu lhe agradeço pelo seu tapa salutar!” Então o Padre o interrogou: “Você gostaria de receber mais um?” Sem dar tempo para resposta, deu-lhe outro tapa leve na face esquerda, dizendo: “Agradeçamos a Deus que aquilo não lhe custou a vida!” Na manhã da Páscoa o olho esquerdo estava também curado. Quem puder compreender, que compreenda!

Uma senhora da Sicília, cheia de angústia — sua filha estava para morrer — veio ao Pe. Pio. Com pena dela deixaram que se adiantasse, de sorte que, no mesmo dia da sua chegada, pôde apresentar-se no confessionário. Queixou-se a ele do seu grande sofrimento e pediu-lhe a sua intercessão. Contudo, ficou amargamente decepcionada; o Pe. Pio tratou-a com aspereza e não mostrou a mínima compaixão para com ela. Chorando então retomou o caminho de casa. Quando chegou lá, no dia seguinte, para a sua maior surpresa, a filha curada lhe abriu a porta e perguntou: “Mãe, quando a senhora esteve ontem com o Pe. Pio?” “Às 4 horas da tarde”, foi a resposta. A filha então assegurou: “Ah, foi então o Pe. Pio que esteve junto do meu leito e me disse: Menina, levante-se, você está curada! E, imediatamente, pude levantar-me”. Extremamente alegre por este acontecimento e com profunda vergonha do pensamento que tivera sobre o Pe. Pio, sentiu-se obrigada a desculpar-se com ele e a manifestar o seu agradecimento. Nesta ocasião, ele declarou à senhora: “Tive que lhe causar esta dor, porque eu mesmo não seria capaz de suportar sozinho o sofrimento previsto para obter a cura; por isso fui obrigado a acrescentar também o seu”. Como são admiráveis os caminhos de Deus!

Uma senhorita que, pela primeira vez, fora confessar-se ao Pe. Pio, foi despedida por ele com ásperas palavras. Decepcionada e desanimada, quis logo fazer a viagem de volta, mas o último ônibus tinha saído à sua vista e assim teve que pernoitar em San Giovanni. Apesar da sua decepção, decidiu assistir à Missa do santo capuchinho no dia seguinte, de madrugada. Antes da Missa, ela chorava cheia de aflição. De repente, uma senhora lhe falou, pedindo rezasse também pelo seu irmão prestes a morrer e que não queria saber nada de Deus. Em vista disso, ela ofereceu todo o sofrimento que poderia ter pela alma deste homem. Quando o Pe. Pio veio ao confessionário, foi diretamente a ela e convidou-a a vir confessar-se. Lá ele disse: “Se você soubesse a dor que me custou causar-lhe este sofrimento! Mas com isso você salvou a alma daquele homem cuja irmã lhe pediu orações durante a Missa. Eu mesmo sozinho não podia tomar sobre mim a dor necessária para a salvação dele”. Imensamente feliz, a moça decidiu-se a ficar sempre em San Giovanni.

Uma senhora descrente, que tinha sido levada por conhecidos ao Pe. Pio, encontrou o caminho de volta para Deus. Após ter regressado ao seu lar, o marido não ficou entusiasmado com a conversão da sua esposa. Pelo contrário, cheio de escárnio e desprezo, fez uma viagem até San Giovanni para lá censurar o Pe. Pio por ter causado desavença com a sua cônjuge. Deu livre curso à sua cólera e caçoou dele na sacristia diante de todos. O santo capuchinho ouviu tudo com paciência. Na manhã seguinte, o homem fez a mesma coisa antes da Missa da manhã. Quando o Pe. Pio veio para se paramentar, falou de repente: “Agora basta!” E estendeu a mão chagada ao zombador, para beijá-la. O homem caiu de joelhos beijou a mão e gritou chorando: “Eu creio em Deus!” Soube-se depois que o Pe. Pio tinha oferecido o escárnio deste homem para a sua conversão.

Uma senhora, que há quase vinte anos devia andar de muletas, entrou na igreja. O Pe. Pio, ao vê-la, apontou o dedo para ela e ordenou: “Faça uma piedosa genuflexão diante do Seu Senhor e Deus presente no Santíssimo Sacramento do Altar!” A senhora quis justificar-se: “Mas Pe. Pio, eu não posso, há muitos anos ando de muletas”. Ele retorquiu com energia: “O quê, não pode? Você é que não quer! Tente!” Foi o que ela fez e deixou as muletas caírem. Tinha sido instantaneamente curada.

Caso semelhante aconteceu, certa vez, durante a Missa do santo capuchinho. Um jovem, obrigado a andar de muletas, se postou bem perto da mesa da Comunhão. De repente, experimentou o sentimento de que alguém lhe queria tirar as muletas. Olhou em volta, mas não viu ninguém. Pouco tempo depois, alguém realmente lhas tirou; depois ele deu alguns passos vacilantes para a frente e ficou completamente curado.

Numa bela tarde de verão, um homem distinto e inteligente se ajoelhou diante das portas fechadas da igreja de San Giovanni Rotondo. Estava coberto de pó e começou a rezar. Era um grande pecador e não se preocupava com Deus. Muitas vezes o advertiram de que ele se deveria converter, mas ele não se movia a isto. Diz um provérbio: “A necessidade ensina a rezar!” Isto se comprovou mais uma vez. Aquele homem ficara desempregado e pagaram-lhe uma passagem até San Giovanni. Ele dormiu no ônibus e deixou para trás o ponto de parada. Para a sua felicidade, outro ônibus, um pouco depois, fazia a viagem de volta. O pobre homem adormeceu novamente e perdeu de novo o ponto de parada. Naquele dia não havia mais ônibus para San Giovanni; contudo, ele tinha a possibilidade de fazer a viagem de volta. Embora decepcionado, ainda estava decidido a ir. Quando passou por ele uma senhora com o seu filho pequeno, ele perguntou qual a distância dali ao convento do Pe. Pio. “Duas horas e meia de caminho”, foi a resposta. Para ele era muito, preferia voltar de ônibus. Ela o animou e, ao mesmo tempo, o envergonhou, dizendo: “É muito longo para o senhor? Eu percorro este longo caminho com o meu filho pequeno! O senhor não sabe mesmo quem é, verdadeiramente, o Pe. Pio”. Então ambos se puseram a caminhar e ela lhe contava coisas maravilhosas sobre o santo capuchinho. Embora fosse fevereiro e ainda jaziam uns restos de neve no solo, o menino correu ao prado e trouxe um buquê de margaridas para a mãe. O homem não se podia admirar bastante com aquilo; não queria, porém, interromper a senhora que lhe narrava aqueles fatos. Quando chegaram ao convento dos capuchinhos, mostrou-lhe a senhora onde ele deveria receber a senha para a confissão. O homem já se tinha convertido. Quando saiu do convento, a senhora desapareceu sem deixar vestígio, ele então supôs que ela estaria esperando pela sua volta. Procurou-a por toda a parte, mas em vão. Então, depois de muito tempo, entrou pela primeira vez numa igreja, pois provavelmente a senhora estaria lá. Contudo, também não a encontrou na igreja. Cansado de sua procura inútil, parado em pé na igreja, levantou os olhos para o altar-mor. Então ficou estarrecido. O quadro representava exatamente a senhora e o menino que o haviam acompanhado até ali. Com uma diferença somente que ela, na estrada, não trazia coroa nem manto. Profundamente comovido, foi ter com o Pe. Pio na sacristia. Ele lhe disse: “Nunca se esqueça de agradecer a Deus, durante toda a sua vida esta grande graça de ser conduzido a mim pela própria Mãe de Deus com o Menino Jesus”. Frequentemente, este homem voltava àquele lugar santo e sua maior devoção tinha, por objeto, Maria, o refúgio dos pecadores.

Certa vez, vieram peregrinos de Bolonha de ônibus para verem o Pe. Pio. Um senhor observou como todos entravam na igreja, exceto um homem. Então se dirigiu a este e queria saber por que não tinha visitado a igreja. Mas aquele homem disse: “Fale ao Pe. Pio uma palavra boa por mim”. O senhor assim o fez. O santo capuchinho se expressou a respeito daquele caso: “Este homem lá fora, na praça, que vai e vem sem descanso, pecou contra o Espírito Santo. Com ele acontece exatamente como a uma árvore à qual se arrancaram as raízes para ela não poder viver mais”. Infelizmente, aquele senhor não pôde mais aguardar o resultado daquela situação devido ao seu regresso.

Um homem de Roma, quando o Pe. Pio celebrava a Missa, teve o seguinte pensamento: “Dizem que o Pe. Pio traz a coroa de espinhos; eu não vejo coroa nenhuma”. Doze dias depois — ele já tinha esquecido do que pensara — foi ao confessionário. Após a confissão, o estigmatizado inclinou-se para o homem, sem o tocar. O homem deixou escapar um fraco grito e apertou a mão contra a testa onde sentiu uma estranha dor, ficando com sangue nos dedos. Disse então o santo capuchinho com humildade: “Veja como eu tenho uma coroa de espinhos na cabeça”.

Uma senhora de Viena sofria, fazia já dois anos, de uma terrível e dolorosa nevralgia. Somente com ataduras de algodão, usadas dia e noite, ela podia tolerar as dores. Uma noite sonhou que estava na praça da igreja em San Giovanni. O Pe. Pio veio, até ela com o breviário na mão e lhe falou: “Como está com estas ligaduras? Deve tirá-las, não lhe são mais necessárias!” Ela acordou imediatamente. As dores desapareceram por completo. Os médicos se admiraram com esta cura repentina.

Um confrade e também colega de estudos do Pe. Pio estava canceroso e foi obrigado a ir para um hospital em Roma. Na despedida disse: “Pe. Pio, reze por mim, para que eu não sofra demasiadamente e chegue à eternidade bem e rapidamente”. Alguns dias depois, de súbito, o santo capuchinho caía doente. Os médicos constataram nele um cálculo biliar, grande e anguloso. O Pe. Pio sofreu cólicas atrozes e não pôde nem sequer celebrar a Missa. Os médicos decidiram fazer uma cirurgia no dia seguinte; porém, pelas 4 horas da tarde, o estigmatizado se sentiu novamente saudável e bem disposto. O exame revelou que o cálculo fora eliminado sem deixar vestígio. À mesma hora, morria o seu confrade em Roma. O Padre espontaneamente tinha sofrido aquelas dores por ele.

Uma leva de peregrinos da Suíça tinha chegado a Roma. Uma senhora do grupo fizera a viagem apenas com a intenção de dar um pulo até o Pe. Pio, pois estava gravemente doente. Ao chegar a San Giovanni, sofreu a grande decepção de não poder falar com ele. Começou então a chorar amargamente. Apresentaram-lhe uma intérprete. Quando a senhora lhe abriu inteiramente o coração, desapareciam inteiramente as doenças na medida em que ela as enumerava à intérprete. A senhora ficou curada e chorava de alegria com o maravilhoso evento. Louvou a Deus e Sua Santa Mãe e mandou que agradecessem ao Pe. Pio pela sua poderosa intercessão. Repleta de felicidade, retomou o caminho de casa.

Certo dia, o industrial Pietro Mazone veio de Roma para ter com o Pe. Pio; lançou-se aos seus pés e gritou: “Padre, ajude a minha filha!” Era o grito dum desesperado. Os presentes se amontoaram em volta dele. O silêncio era quase doloroso. Então o Pe. Pio ergueu o braço direito e se viu o sangue na superfície da sua mão. Ele falou: “Vá para casa e alegre-se; a Mãe de Deus vai curar a sua filha”. O rosto do homem espelhava incredulidade e dúvida: “Ele não sabe como ela está doente. Nicoletta tem meningite, sofre dum distúrbio cerebral e duma paralisia da língua. Há já seis meses que ela não nos conhece mais. Já foi desenganada pelos médicos...”. O Pe. Pio disse calmamente: “Deve voltar para a casa; a Mãe de Deus curou a sua filha”. O industrial levantou-se, hesitante e quis agradecer ao santo capuchinho, mas este deixou rapidamente a igreja. Pietro Mazone sentou-se no seu carro e voltou para Roma. Não se atrevia a duvidar mais a respeito: “Nicoletta vai ficar sã?” Mais tarde, ele, profundamente abalado, fez o seguinte relato: “Os médicos tinham realmente chegado ao fim da sua ciência; diziam que a nossa filha, na melhor das hipóteses ficaria surda, muda e cega. Apesar de certas dúvidas, fui pedir o conselho de alguns amigos do Pe. Pio. Eu pensava comigo: É impossível ele avaliar a gravidade da doença. Chegando em casa, minha esposa recebeu-me profundamente comovida. Enfim, Nicoletta estava nas últimas. A criança já em agonia começou a articular, claramente, palavra por palavra. E isto após uma paralisia da língua que durava seis meses. Deste dia em diante, nossa filha Nicoletta ficou completamente curada”.

O seguinte relato deve servir para a maior glória de Deus, de agradecimento ao Pe. Pio e fortalecimento da fé.

No ano de 1953, por causa duma temerosa recaída, em consequência duma longa estada num campo de concentração na Sibéria, eu já estava bem perto da morte. Tinha uma grave atrofia dos pulmões e um derrame pulmonar causado lentamente por um estado de fibrose; mas o pior ainda, no parecer do médico, era uma lesão muito perigosa no músculo cardíaco. Ademais, ambos os rins, o fígado, o baço, a vesícula biliar estavam gravemente afetados. Após um grave derrame, eu não podia mais falar alto, estava à morte e recebi os últimos sacramentos. Vi, em sonho, o Pe. Pio dando-me a entender que eu devia ir até ele. Depois disso, eu acordei e pensei comigo: “É verdade! Já viveram um Santo Cura d’Ars, um São Francisco e muitos outros santos. Se hoje nós lemos nos livros a este respeito, invejamos os homens que então se poderiam dirigir àqueles santos e ficavam felizes em ver tais homens e falar com eles. E agora um Pe. Pio vive entre nós que tem as chagas do nosso Divino Salvador e nós vamos até ele sem pensar nisto. Entrementes, inumeráveis peregrinos já receberam preciosas graças por sua intercessão e nós, que o deixamos passar despercebido, ficamos de mãos vazias”. Naquela ocasião, sobre o Pe. Pio, eu só sabia que ele vivia e tinha os estigmas: nada conhecia dos acontecimentos lá sucedidos e relatados. Experimentava um grande desejo de ver este homem com fama de santidade, antes de morrer. Como tudo acontecesse por milagre, eu, apesar de prestes a morrer, pude empreender a viagem: para mim dava no mesmo morrer em Viena ou em qualquer lugar na Itália. A viagem a San Giovanni custou-me muito sacrifício. Quando lá cheguei e o Pe. Pio, pela primeira vez, lançou um olhar sobre a minha vida, fiquei profundamente comovido. Segui o conselho de confessar-me com ele, embora eu soubesse muito mal o italiano.

Após a confissão, ele me disse muito triste e pesaroso: “O senhor é um doente incurável, não há como ajudá-lo. Deve morrer”. Então me expôs todas as partes doentes do meu corpo, para que eu o compreendesse bem. Eu estava abalado até o fundo da alma. O Pe. Pio sabia de tudo. Quem realmente lhe disse? Depois duma grande pausa, falou: “Não, o senhor não vai morrer!” Ele mo deu a entender novamente com a mão e, ademais, explicou: “Eu tomarei sobre mim todas as suas dores e sofrimentos e o senhor ficará são”. A estas palavras fiquei tão perplexo que não pude dizer nem um “muito obrigado” ou “Deus lhe pague”. O Pe. Pio se levantou e saiu do confessionário, pois eu fora o último penitente. Na noite seguinte, tive um sonho. Vi dois jovens que traziam o santo capuchinho numa maca até mim. Ele sofria dores terríveis, nas últimas, a ponto de morrer. Triste e, apesar disso, bondosamente ele me olhou e me deu a entender como se dissesse: “Olhe para mim! Eu devo tomar sobre mim as dores mortais que lhe tirei e, por isso, estou nos últimos instantes”. Desde este momento, recuperei inteiramente a saúde.


POSSESSOS


S. Pio em combate
A Sagrada Escritura fala minuciosamente destes infelizes. Na vida de muitos santos e de pessoas com reputação de santidade, como do Santo Cura d’Ars e do Pe. Pio, se conhecem muitos encontros com possessos do demônio.

Certo dia, trouxeram a San Giovanni, de caminhão, um homem que já estivera muitos anos num hospício. No caminho para a igreja, ele se tornou, de repente, completamente indomável e gritou em voz alta: “Esta é a casa de Deus, aqui eu não paro, não fico aqui, minha hora está próxima!” Com toda a força fizeram-no entrar na igreja; lá ele continuou a gritar apontando o Pe. Pio, sentado no confessionário: “Ninguém tem o poder de me expulsar, mas este o tem! Eu tenho medo, tenho medo!” Depois o homem foi levado para fora da igreja, pois perturbava as cerimônias religiosas. O mesmo espetáculo se repetiu no corredor do mosteiro por onde o Pe. Pio passava. Então ele aconselhou que o levassem ao vizinho Monte Gargano, à gruta onde tinha aparecido o Arcanjo São Miguel. Foi o que aconteceu; mas lá também ocorreu o mesmo que em San Giovanni Rotondo. Os sacerdotes do lugar rezaram o exorcismo, mas sem efeito. Decepcionados, os homens reconduziram o homem para lá e procuravam o seu alojamento comum. O possesso, cheio de fúria, queria precipitar-se da janela. Mal tinha sido contido, queria cortar as veias, enforcar-se, etc. Na manhã seguinte, com os maiores esforços, os homens que o acompanhavam puderam levá-lo à igreja; ele repetia sem cessar as mesmas palavras: “Minha hora está próxima, minha hora está próxima!” Uma vez que nada mudou durante a Missa do Pe. Pio, levaram-no à sacristia. O santo estigmatizado tocou-lhe na cabeça e ordenou: “Saia daqui!” No mesmo instante, o homem ficou inconsciente, mas pouco tempo depois voltou a si e pareceu transformado; tinha ficado livre do espírito maligno e curado. Informaram os seus parentes a respeito e imensa foi a alegria deles. Mas o demônio não dorme, como diz o povo. Meio ano depois, o espírito das trevas cochichou aos seus ouvidos: “Está seguro de que eu estou fora de você?” Ele pensou: “Claro que sim, eu estou novamente normal!” O demônio levou-o à discórdia e, neste estado, ele se dirigiu a uma cartomante. Deste momento em diante, ficou possesso outra vez. O homem, que era italiano e não sabia bem língua nenhuma, exprimia-se agora perfeitamente em alemão. Quando o levaram novamente ao Pe. Pio, este disse cheio de compaixão: “Como você se entende com o seu novo capitão?” Realmente, ele tinha em si a alma condenada dum capitão alemão. Desta vez, o santo capuchinho não livrou o possesso, embora muitas vezes isto não se compreenda. Mas o Pe. Pio faz sempre a vontade de Deus.

Certa vez, um casal levou a sua filha de nove anos ao Pe. Pio, porque ela estava, no parecer dos médicos, gravemente doente dos nervos. Ela tinha acessos de raiva em que agredia os seus pais e cuspia neles. Nenhum medicamento servia contra isto. O Pe. Pio, a pedido deles veio até a menina no passeio do mosteiro, tomou-a pelos pulsos, sacudiu-a levemente e disse depois com voz firme: “O que faz por aqui? Olha, que vai desaparecer!” Após alguns momentos de desmaio, a criança se transformou à semelhança dum anjo. Ela tivera um demônio em si, o qual foi expulso com algumas palavras do Pe. Pio.

Na igreja de San Giovanni se encontrava uma senhora a sua filha. Subitamente, esta gritou: “O demônio me envolve, me puxa, me arrasta, ele quer contrair amizade comigo, quer arrebatar-me para o inferno! Eu não quero, não quero!” Com um grito de partir o coração, invocou a Mãe de Deus que se dignasse de ajudá-la. Depois virou-se para o Pe. Pio, sentado no confessionário e falou com voz comovente: “Diga apenas uma só palavra e ficarei salva!” Ele, porém, não o fez. A polícia levou a menina para fora da igreja, porque perturbava os atos religiosos. Assim respondeu o santo estigmatizado à pergunta feita porque não tinha ajudado a menina: “É uma santa criatura e deve suportar o espantoso fardo da possessão diabólica para salvar aquelas almas que voluntariamente se uniram ao demônio. Deve, ainda, aguentar este sofrimento por alguns anos!” Para nós, fatos como este são um mistério, não o são, porém, vistos à luz de Deus.

Certo dia, quando se rezava o terço na igreja da San Giovanni, uma senhora começou a latir como um cão. Era inteiramente aleijada e só podia andar a muito custo. Um sacerdote levou-a para fora da igreja. Sentou-se então numa cadeira colocada na praça da igreja. Tocaram-na com objetos sagrados e ela ficou furiosa como uma fera e lançava pragas medonhas. Conduzida ao passeio do convento, o Pe. Pio se comoveu ao passar por ela. Nisto, a mulher gritou, como se estivesse no fogo. Ele, porém, lhe disse: “Ah! Está aqui, Satanás!” Então o santo capuchinho aconselhou a levá-la ao Monte de São Miguel, o que se fez. Lá, quando os padres rezaram o exorcismo sobre ela, o demônio gritou: “Esta eu não deixo! Se eu a deixar, devo abandonar mais outros cinco!” Com um grito terrificante, ela desmaiou e ficou como morta no chão. A seguir, tentativas para reanimá-la foram frustradas. Então uma vida nova lhe sobreveio; aprumou-se e gritou: “Eu vejo uma luz divina”, exclamando depois: “Ah, o Pe. Pio está aqui!” Também os circunstantes viram o Pe. Pio. Logo em seguida, ficou de pé; as deformações do seu corpo tinham desaparecido e ela estava sã. Radiante de felicidade voltou para a casa e escreveu a um conhecido que os seus cinco filhos se haviam convertido instantaneamente com a sua cura.

Três filhos trouxeram a sua mãe possessa à igreja de San Giovanni. Ela está furiosa e gritava espantosamente. Visto que Pe. Pio distribuía a Comunhão, precisamente naquele momento, ele ordenou que a afastassem da igreja. Mas os filhos não quiseram e deixaram a mãe naquele estado. Pouco depois, o Padre elevou o Corpo de Nosso Senhor e O manteve no alto, dizendo com toda a energia: “Agora chega, você já a torturou bastante!” No mesmo instante, o demônio saiu da pobre mãe e ela ficou curada.

Levaram três mulheres duma cidade italiana ao Pe. Pio. Da primeira, gritou o demônio: “Eu sou o pai desta criança. Uma vez que eu nunca quis a criança e sempre praguejava contra isto, quando morri, entrei nesta mulher”. Um outro demônio na mesma mulher se deu a conhecer com as seguintes palavras: “Eu não sou a sua mulher legítima, mas a sua companheira” e, ademais, disse em tom de zombaria: “Fui condenada só por ter cometido muitos pequenos homicídios” (abortos). Da segunda, gritou o espírito maligno; “Eu sou a avó. Devido à minha vida desregrada e também à de minha neta, eu pude, depois de morta, tomar posse dela”. Mais um demônio ainda se apresentou: “Eu estou condenado faz aproximadamente um milênio: nesse tempo, eu sofri alguma coisa! Se eu pudesse outra vez voltar ao mundo, eu cuidaria de ter as mãos tão puras como as do senhor, Padre”. Ao ser interrogada a terceira mulher, sobre quantos demônios estavam nela, a resposta foi: “Legião”. E, zombeteiro, acrescentou o espírito das trevas: “Para avaliar o nosso número, você precisaria duma calculadora”.

O Pe. Pio diz frequentemente que a ninguém é lícito desejar mal a um homem ou amaldiçoá-lo. Um moço conheceu uma jovem. Mesmo quando teve dela um filho natural, não se quis casar. Por isso, ela, enraivecida, disse ao pai de seu filho: “Você vai morrer na vala da estrada”. Muitos anos depois, o homem passava de bicicleta por uma região. Sentindo-se mal, desceu e sentou-se à beira duma vala. E lá morreu. As pessoas lembraram-se da praga rogada que se cumpriu exatamente.

Uma senhora de 86 anos estava próxima da morte. Ela amava todos os seus filhos, menos uma filha. Esta nunca a quisera, sempre lhe causava prejuízo e ainda a amaldiçoara perto de morrer. Infelizmente, esta praga se realizou inteiramente. Quando contaram o fato ao Pe. Pio, ele olhou para longe e empalideceu. Provavelmente, pôde ver a mãe falecida, que, na eternidade, não haveria de passar bem. Depois respondeu: “Diga à pobre senhora que ela deve rezar muito. Eu também vou rezar com ela para que possamos abrandar o Coração de Nosso Senhor a fim de que lhe suprima e apague esta maldição ainda vigente, de sorte que desapareça”.

Uma professora tinha um grande anseio. Contudo, como a sua oração não obteve pronto atendimento, ela conjurou o demônio a ajudá-la e, além disso, lhe prometeu a sua alma. Pouco tempo depois, encontrou ajuda para a realização do seu desejo. Todos os domingos ela visitava cinco igrejas e cinco vezes ia receber a Comunhão. Cada vez tirava rapidamente a sagrada Hóstia da boca e a escondia no sapato, pisando-a com força o dia inteiro. Dentro de poucos dias estava possessa de 5 demônios; desde então se passaram 35 anos e ainda hoje ela continua assim; causou também muitas desgraças aos homens e, mais ainda, não quer ficar livre do demônio. Sobre este caso, disse o Pe. Pio: “Não se aproximem dela; é muito perigosa! Poderá ser libertada somente se alguém der a vida por ela e, mesmo assim, se ela quiser”.

Uma outra senhora está possessa há mais de 30 anos por se ter metido com o espiritismo (movimento das mesas). O Pe. Pio não a livrou do demônio, mas tornou a sua situação mais suportável. A causa disto é um mistério. 
 
Uma senhorita ficara possessa por própria culpa e o espírito maligno a excitava terrivelmente. Um sacerdote ofereceu a sua vida por ela e, pouco depois, morreu. No mesmo momento ela ficou livre do demônio.

Muitas mulheres de má vida estão possessas dos espíritos malignos e, ocasionalmente, também aqueles que pecam com elas. Os demônios da luxúria estão entre os mais fortes espíritos do mal. Por meio deles se originam também brigas, ciúmes e até assassínios.

Um jovem queria desposar uma moça já noiva de outro. Visto que ela não lhe deu ouvidos, ele lhe rogou várias pragas para quando a moça estivesse diante do altar para contrair matrimônio. Entre aquelas, ele lhe desejou que um raio caísse e reduzisse a sua herdade a cinzas. Sete anos depois tudo isso se realizou. Quando o moço morreu, a irmã da senhora, que ele tinha amaldiçoado naquela ocasião, ficou possessa dele. A irmã então assumiu todas as características do moço falecido e teve que sofrer muito com isso. Quando ela foi ao Pe. Pio, este não a livrou da possessão. Isto constituiu também um mistério; ele só faz o que for a vontade de Deus.

Certa vez, quando o santo capuchinho ainda celebrava a Missa mais cedo ao ar livre, ao subir os degraus do altar, ouviram-se, com frequência, altas vozes como se fossem latidos de um cão. O demônio gritava dentro dos possessos: “Tenho medo, tenho medo! Este tem poder de nos expulsar!

Uma senhora, em reparação por aqueles que, voluntariamente estão unidos ao demônio, ficou possessa de muitos espíritos malignos, para a salvação daquelas pessoas. Quando, na procissão de Corpus Christi, o Santíssimo Sacramento passou por sua casa, os demônios dentro dela vociferaram: “O Altíssimo ordenou: diante dEle se dobre todo o joelho no céu, na terra e no inferno!” A senhora se ajoelhou tão profundamente que a terra estremeceu. Uma prova magnífica da presença de Jesus no Santíssimo Sacramento do Altar! Isto não constitui uma vergonha para muitos cristãos do nosso tempo? Sobre aquela senhora, disse o Pe. Pio que ela devia ainda suportar o seu terrível sofrimento por muitos anos ainda para salvação de numerosas almas imortais.

Há famílias e casas sobre as quais estão suspensas maldições terrificantes. Elas provêm dos próprios pais, filhos, avós, inimigos ou homens maus. Somente com muita oração, reparação e boas obras, as pragas podem ser abolidas.

Perto dum possesso se rezou: “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu...”. A estas palavras, gritou o demônio dentro do energúmeno: “Não todas, não todas, eu quero também ficar com algumas!” Em vista disso, podemos concluir quão valiosa é esta oração que a querida Mãe de Deus nos ensinou em Fátima. A alguns presentes, o demônio gritou: “Ai de vocês, se eu vier às suas casas, vou fazer-lhes ver certas coisas!” Realmente, alguns tinham a casa toda remexida, mas um só não. interrogado a respeito, assim se exprimiu o demônio: “Você tinha sobre a porta da entrada a imagem da bela Senhora; ela não me deixou entrar”. Não foi em vão que os nossos antepassados colocavam, à porta da entrada das casas, estátuas e quadros da querida Mãe de Deus.


A SANTA MORTE DO PE. PIO


S. Pio sendo pranteado
O Pe. Pio, nosso muito amado Pai espiritual, constitui, no seu heroico amor de Deus e do próximo, um exemplo singular e luminoso para nós. Na humildade e obediência, na oração e penitência, nos seus dolorosos sofrimentos tão amados por ele e, especialmente, com as suas 5 chagas sagradas, que, para ele, eram chamas do Amor Divino, passava e aproveitava os dias de sua vida para a maior glória de Deus e a salvação de muitas almas imortais.
A 6 de setembro de 1968, quando em Essen (Alemanha), num Katholikentag duvidoso, um grito de “crucifica-o!”, foi levantado contra Paulo VI, o Pe. Pio ofereceu a sua vida como reparação ao Deus onipotente por terem tantos católicos negado a devida obediência ao representante de Cristo. Nesta mesma ocasião, o Pe. Pio escreveu mais uma vez ao Santo Padre: “Eu sei que o vosso coração sofre muito nestes dias pelo destino da Igreja, mas de modo especial pela falta de obediência para com o Magistério, que Vossa Santidade exerce com a assistência do Espírito Santo e em nome de Deus. Eu vos ofereço a minha prece e o meu sofrimento como pequena mas sincera contribuição do último dos vossos filhos, a fim de que o Senhor, com a Sua graça, o console e que vós possais prosseguir no reto e fatigante caminho da defesa da Verdade eterna, invariável, mesmo na mudança dos tempos. Eu vos agradeço pela palavra clara e decidida que proferistes na última encíclica Humanae Vitae, e renovo minha fé, minha obediência incondicional em relação às vossas diretivas. Queira o Senhor da Verdade lhe proporcionar o triunfo”.

O Pe. Pio, nascido a 25 de maio de 1887 em Pietralcina (sul da Itália), entrou na Ordem dos capuchinhos e foi ordenado sacerdote a 10 de maio de 1910. Por especial graça de Deus, ele recebeu, a 20 de setembro de 1918, as cinco chagas sagradas que ele trouxe durante 50 anos; no dia 20 de setembro de 1968, se festejou o jubileu de ouro deste acontecimento. Num Domingo, 22 de setembro, o Pe. Pio cantou a Missa solene com as forças que se extinguiam. Antes ele disse que esta seria a sua última Missa. Alguns dias mais cedo, ele benzeu a sua sepultura e falou ainda muitas coisas. Na segunda-feira, 23 de setembro de 1968, o seu muito amado Senhor e Mestre, que ele pôde ver frequentes vezes na sua vida, o levou para junto de si na eterna glória dum modo inesperado para nós. Com muito amor ele abençoou ainda os seus diletos filhos espirituais espalhados pelo mundo inteiro. Quando elevou a sua mão para abençoar, disse as suas últimas palavras: “Eu vou para o Pai no céu!” A 26 de setembro, os seus restos mortais foram acompanhados por um grande grupo de clérigos e uma imensa multidão de peregrinos para o eterno descanso na cripta da nova igreja do convento de San Giovanni. O santo capuchinho oferecera a sua vida em reparação pela desobediência de muitos católicos.

Seguem agora, resumidamente, algumas notícias (de jornais) extraídas de “A Gazeta” de Bari.
O Pe. Pio está morto. Seu coração cessou de bater às 2 h. 34 min. desta madrugada duma deficiência imprevista da circulação. Tinha 81 anos de idade. Ontem ainda, às 17 horas tinha assistido às Vésperas, o que ele faz pelos seus filhos espirituais, espalhados por todo o mundo. Estava mais pálido do que habitualmente. Desde a manhã, quando celebrava a Missa do jubileu dos estigmas, ele já sofria muito. O sacerdote que tinha pregado a bondade e a misericórdia morreu como tinha vivido abençoando a todos, seus confrades, o seu médico particular, ajoelhados à volta do seu leito e da sua cela, bem como todos os seus filhos espirituais.

Da torre do convento, o sino anunciou o lutuoso acontecimento, para reunir o povo que tanto amava o Pe. Pio, a fim de rezar e pranteá-lo.

O santo estigmatizado foi levado à igreja pela manhã. Milhares de peregrinos se dirigiram até lá, rezando e chorando, de dia e de noite até a hora do seu sepultamento. Aviões especiais vieram de todo o mundo. Numa quinta-feira, 26 de setembro de 1968, ocorreu o seu sepultamento às 15 horas. Os restos mortais do Pe. Pio foram conduzidos da igreja através de San Giovanni Rotondo e trazidos de volta à mesma. O percurso durou aproximadamente 4 horas e foi acompanhado por 3.000 sacerdotes e 100.000 peregrinos. Um jornal escreveu: “Adeus, padre santo de Monte Gargano!” O Pe. Pio foi sepultado no subsolo da igreja. Um mar de flores o cercava, o último sinal visível dos seus amados filhos espirituais.

Com o sepultamento dos restos mortais do santo capuchinho começou a peregrinação à cripta de Santa Maria delle Grazie em San Giovanni Rotondo. Nós presenciamos sacerdotes e peregrinos diante do túmulo do santo estigmatizado num vaivém contínuo.

Até aqui o noticiário dos jornais.

No dia de seu enterro foram anunciadas duas grandes curas repentinas.

O mundo ficou mais pobre, sem um sacerdote afamado pela sua santidade, e o céu se tornou mais rico com um grande santo. Magnífica será a sua recompensa e glória no céu. Agora ele pode gozar das delícias e alegrias celestes numa medida superabundante e permanecer junto do seu muito amado Senhor e Mestre e da sua Mãezinha do céu , da sua “Mamma”, como ele chamava a Santíssima e Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus.

O santo estigmatizado passou 50 anos em sofrimentos indizíveis, num martírio diário que ele experimentava durante a Santa Missa, num ilimitado sacrifício de amor.

O Pe. Pio não nos abandonou, pelo contrário, ele está mais perto de nós, do que então, pois não carrega mais o pesado fardo dum corpo mortal; ele apenas nos precedeu para ser um intercessor mais poderoso junto ao trono de Deus*.

Nós queremos, de agora em diante, testemunhar-lhe o nosso amor por meio duma vida exemplar, para que, um dia, estejamos unidos com ele na morte e depois com ele também possamos louvar, exaltar, adorar e glorificar a Deus por toda a eternidade.

Pe. Pio, fiel servo de Deus, rogai por nós!




A aldeia perto da qual está o convento em que viveu o Pe. Pio (Nota do Tradutor).
* Segundo o parecer dos médicos. A Igreja, porém, é muitíssimo mais rigorosa em reconhecer milagres. A seu juízo, eles só chegam a 100 (Nota do Tradutor).
* A respeito deste fato pouco conhecido, ao menos no Brasil, se devem usar os critérios mencionados acima (N. d. T.).
* Max Planck, célebre físico alemão, prêmio Nobel, 1928 (N. d. T.).
* O santo estigmatizado recebeu as honras da beatificação a 2 de maio deste ano e, muito provavelmente, será canonizado dentro de não muito tempo (N. d. T.).


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