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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 2 de março de 2019

Predestinação de São José



São José predestinado a cooperador de nossa salvação.

Deus é infinitamente sábio e poderoso, e não é sem razão profunda que escolhe, para seus fins santíssimos, um meio de preferência a outro. Não nos cabe julgar a sua obra, mas antes, indagar quais os motivos que O induziram a tomar um caminho em vez de outro.

Poderemos agora perguntar: Por que Deus quis que o seu Divino Filho, Nosso Redentor e Salvador, nascesse de uma Virgem, desposada com São José? Antes de tudo, porque também ele devia concorrer, de certo modo, para a obra de nossa Redenção.

Estava decretado por Deus, que tal obra fosse realizada com o sacrifício voluntário do Divino Filho. Este devia tomar carne humana e, após uma vida cheia de padecimentos, morrer em uma Cruz como Vítima voluntária. Necessário se tornava pois, que a Vítima do sacrifício fosse gerada, nutrida, guardada e conservada para o solene sacrifício. Quem será o escolhido para esse nobilíssimo ofício? O escolhido será São José, que terá a ventura de estreitar ao coração e beijar o celeste Menino, fruto da Virgem sua Esposa. Vesti-lO-á, providenciará o alimento necessário, guarda-lO-á, cooperando de tal forma para a nossa salvação.

É doutrina de São Tomás que, ao escolher e destinar alguém para uma grande obra, Deus o prepara e dispõe de modo a ser apto para a obra a que se destina. São José tinha de entrar nessa economia da Providência. Escolhido para Esposo da Mãe de Deus, para Pai virginal e legal de Jesus, devia ser enriquecido com tais graças, a fim de tornar-se digno de sua missão.


Disse o Papa Leão XIII na Encíclica Quamquam pluries: De ser José Esposo de Maria e Pai putativo de Jesus, deriva toda a sua grandeza, graça, santidade e glória. É certo que a dignidade de Mãe de Deus, tão alto se eleva que nada pode existir de mais sublime. Mas, pois que, entre a Beatíssima Virgem e José estreitou-se o vínculo conjugal, não há de duvidar, de que ele se tenha aproximado, mais que qualquer outro, da altíssima dignidade pela qual a Mãe de Deus se acha infinitamente elevada acima de todas as criaturas.

São José destinado a ocultar, com a sua presença, a Concepção sobrenatural e o milagroso Nascimento de Jesus. – O Salvador devia ser isento de toda espécie de culpa, devia ser concebido no seio puríssimo de Maria por obra do Espírito Santo. Esse Mistério de amor não devia então ser manifestado aos hebreus, seja para salvar a honra da Virgem Mãe, seja porque eles, não compreendendo o Mistério, teriam duvidado da existência da humanidade de Cristo. A presença de José devia servir para ocultar, aos olhos dos incrédulos, o parto virginal da Mãe de Deus. Por isso, quis Deus que Maria, com um Matrimônio totalmente celeste, fosse Esposa do mais humilde, do mais ilibado, do mais santo dos homens. Assim, predestinou expressamente um Esposo Virgem a Maria, que fosse ao mesmo tempo o Pai Virginal e Legal de Jesus. Tal Mistério seria revelado aos fiéis somente quando preparados pela graça para compreendê-lo.

Outro admirável dom que São José recebeu de Deus, é o de ser predestinado para companheiro de Maria e testemunha de sua Virgindade. – Maria é, depois de Jesus, o primeiro objeto da complacência divina. Diz o Padre Suarez: Deus ama a Bem-aventurada Virgem, por Ela só, mais que a todos os outros Santos. Pelo amor que Lhe dedicava, escolheu-A entre todas as mulheres e A elevou à altíssima dignidade de Mãe do Verbo e de Corredentora dos homens. Mas, pelo próprio amor que Deus tinha por Maria, devia providenciar ao seu bem e honra. E para isso, serviu-se de São José, constituindo-se seu Esposo, a fim de Lhe ser companheiro inseparável, amparo, conforto, defensor, testemunha verdadeira, fiel custódio e assertor da Divina Maternidade e perfeita Virgindade de Maria.


São José ultrapassou em santidade os Patriarcas e os Profetas, os Santos, os Apóstolos e todos os Anjos do Céu. – Sendo São José elevado a mais alta dignidade existente após a da Mãe de Deus, era justo que Deus O predestinasse também a possuir na terra, tal abundância de graças que superasse a qualquer outro Santo, excetuando-se Maria, e a ocupar o primeiro lugar na glória do Céu, após o de sua Santíssima Esposa.

São José predestinado acima dos Patriarcas e Profetas. – Tendo São José ultrapassado em santidade o antigo José, o mais santo dos Patriarcas, é, por conseguinte, o maior de todos os Profetas, maior que os Patriarcas e superior também a São João Batista.

Foi maior que o antigo José, por ser este apenas uma figura profética, e a figura é sempre inferior ao objeto figurado. Foi superior a todos os Profetas, pois nenhum teve uma vida tão íntima com Deus, como ele com o Verbo encarnado.

Desta divina predestinação, logo se compreende a excelsa dignidade de São José. Com efeito, na vida sobrenatural, podem considerar-se três ordens: a ordem dos Anjos, a dos Santos e a ordem da Encarnação. A ordem da Encarnação é superior às duas primeiras, pois tem por Autor, princípio e fim Jesus. E de Jesus, como Príncipe soberano, depende toda hierarquia, todo principado no Céu e na terra. E São José, por divina predestinação, acha-se justamente nesta ordem soberana. Ordem constituída somente por três pessoas: Jesus, José e Maria. Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem; José, verdadeiro Esposo de Maria e pai virginal e legal de Jesus; Maria, verdadeira Mãe de Deus e dos homens. Ora, quando se pensa que o último grau de uma ordem superior é sempre maior, em dignidade, que o primeiro grau de uma ordem inferior, compreende-se imediatamente que São José, embora o último em sua ordem, é todavia, superior em dignidade, a todos os Anjos e a todos os Santos do Paraíso.

São José predestinado acima de todos os Santos e acima dos Apóstolos. – O Novo Testamento é a Lei da graça por excelência. Aos primeiros promulgadores desta Lei, Deus concedeu graças especiais, em maior abundância que aos outros homens. Por isso, acredita-se na Igreja, que os Apóstolos tenham recebido graças mais abundantes que todos os outros. Com exceção, porém, de Maria e de seu castíssimo Esposo, o qual, tendo na obra da Redenção um encargo superior ao dos Apóstolos, devia certamente receber de Deus maiores graças, e um lugar mais distinto na glória. Era pois conveniente, que o glorioso Santo superasse tanto os outros predestinados, quanto sua dignidade de Pai de Jesus, de Esposo de Maria, de Padroeiro da Igreja universal, o constituía acima de todos os Santos e dos Apóstolos.

São José, predestinado acima dos Anjos do Céu. – No Céu não estão apenas os que entram após a prova desta vida, mas também a imensa multidão de Anjos, que se conservaram fiéis na grande prova. Os Anjos que não perseveraram no amor de Deus mas, unindo-se a Lúcifer, príncipe dos Anjos rebeldes, envaideceram-se de si mesmos, pereceram miseravelmente, deixando os lugares de glória dos quais se haviam tornado indignos.

E qual o afortunado a quem caberá o lugar vazio de Lúcifer, recebendo assim no Céu, o primado sobre todos os Anjos? Será São José. Ele, realmente, com seu admirável exemplo, convidou o mundo para seguir a Cristo com maior êxito que Lúcifer, excitando seus sequazes à rebelião.

O Papa Pio XI, de s. m., no Decreto de virtudes heroicas de um Venerável, no dia do Patrocínio de São José, disse: Entre São José e Deus, não vemos e não devemos ver senão Maria, por sua divina Maternidade. Portanto, São José, depois de Maria, é superior a todas as naturezas criadas, sem excluir os Anjos. Em 1928, a 19 de março, disse também estas palavras: São José teve a missão de guardar o Filho de Deus, o Rei do mundo, a missão de guardar a Virgem, a santidade de Maria, a missão de cooperar na Encarnação divina e na salvação do gênero humano.

E, na tarde do mesmo dia, recebendo os paroquianos da Igreja de Todos os Santos, disse-lhes: São José, depois de Maria, é o maior de todos os Santos.

Ó insigne santidade do Pai adotivo de Jesus! Não podemos deixar de admirar os altíssimos decretos da divina Providência, dispondo que os Mistérios sejam ocultos aos soberbos e revelados aos humildes e simples.


Fonte: Rev. Pe. Tarcísio M. Ravina, da Pia Sociedade de São Paulo, São José – na Vida de Jesus Cristo, na Vida da Igreja, no Antigo Testamento, no Ensino dos Papas, na Devoção dos Fiéis e nas Manifestações Milagrosas; 3ª Parte, pp. 139-144. Edições Paulinas, Recife, 1954.


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