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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 20 de abril de 2019

O Redentor e a Co-Redentora, se Encontram num Prodígio de Amor e Dor.


Uma das dores mais cruciantes que suporta Jesus em Sua ida ao Calvário é, sem dúvida, o encontro com Sua Mãe Santíssima.1 Impelida pelo amor e acossada pela dor, vencendo todo obstáculo que lhe opõe a multidão de povo e os cordões dos legionários romanos,2 ei-la à porta da cidade, a espera que por lá passe o Filho querido. Chega-lhe aos ouvidos o clamor blasfemo do populacho embriagado de ódio; percebe o som baço das pancadas com que apressam a marcha dos condenados,3 até que O avista, curvo sob o peso da Cruz, cercado pelos ladrões, coroado de espinhos e arrastado pelos puxões e violentamente. Ah! Como, à tal vista Vossa Alma não separou-se do Vosso Corpo, ó Virgem Dolorosa?4 Encontram-se os olhos da Mãe e do Filho, mas não lhe sendo possível proferir palavras, pela pressa diabólica que tem os judeus de suprimir o Cordeiro inocente;5 falam-se na mudez eloquente dos Corações.

Querido Filho, meu único amor, diz Maria!6 Minha boa e terna Mãe, única consolação Minha! Responde Jesus.7

Neste tácito e silencioso diálogo, estreitamente unem-se os dois Corações, penetram-se mutuamente, formando Um, como único Coração pela intensidade da dor e pela veemência do amor.

Um veste o luto do outro, partilhando-se reciprocamente a onda amargosa da aflição; e enquanto esforçam-se para se aliviarem mutuamente, veem com isto, aumentar o Martírio e redobrarem os padecimentos.

Recebe Maria todo o mar de dor, que ameaça afogar Jesus; experimenta Jesus todas as agonias que lancinam a Alma de Sua Mãe querida. A vista de Maria, é para Jesus uma nova Cruz; a vista de Jesus, é para Maria, uma paixão adicionada às paixões do passado!

Assim sofrem os dois Corações mais puros, mais Santos e mais amáveis do Céu e da terra!


Sei, ó Jesus, que o Vosso Coração tem a amplitude do mar, mas sabendo ao mesmo tempo que ele está repleto, a transbordar de tristezas, como é possível que acheis lugar, para receber este novo caudal de amarguras?

Minha pobre mente vagueia trescalam-te nesta região do Amor Divino, impotente a solucionar este problema; por isto, humilho-me e limito-me, embora mesquinhamente, a oferecer-Vos o tributo da minha sincera compaixão; a Vós também recorro, ó Virgem das Dores, e vendo-Vos toda absorvida na Paixão do Filho;8 e sabendo ao mesmo tempo que ofereceis misericórdia e compassivamente todos os sofrimentos que espicaçam Vossa Alma, para regeneração dos pobres filhos de Eva,9 humildemente Vos rogo, enterneçais o meu duro coração, para que juntamente Convosco e ao Vosso lado, derrame ao menos uma lágrima de compaixão.10

Comunicai-me alguns dos sentimentos piedosos de que está embebida toda Vossa Alma; porquanto, homenagem mais agradável não poderia eu oferecer a Jesus, do que a minha compaixão santificada e valorizada pela Vossa. Por muito feliz me darei, se conseguir partilhar dos Vossos sofrimentos, a fim de aliviar os de Jesus, valendo mais uma gota das Vossas amarguras, do que todo o oceano espumejante das doçuras mundanas.

Sim, minha boa e terna Mãe, isto quereria eu fazer, se a isto não se opusesse o pensamento dos meus pecados.

Pois se Vós sofreis, se Jesus, Vosso Filho, sofre, é por minha causa;11 é que minhas iniquidades concorreram para os Vossos martírios. Ah! Mãe aflita, alcançai-me uma dor viva, uma contrição sincera, para destarte consolar-Vos e ao Vosso querido Jesus.

Propósito: Proponho ter devoção especial à Virgem das Dores;12 sendo esta eficacíssima para alimentar a contrição dos pecados e o amor de Deus.


Fonte: Pe. Caetano Maria de Bergamo, O.F.M.Cap., “Pensamentos e Afetos sobre a Paixão de Jesus Cristo para cada dia do ano – Extraídos da Sagrada Escritura e dos Santos Padres”, Vol. 2, Caps. CCCVII, pp. 856-859; Tradução de Frei Marcellino de Milão, O.F.M.Cap.; Escola Typographica Salesiana, Bahia, 1933.


Reminiscências

- O lugar do encontro também é indicado aos peregrinos da Terra Santa.

- “Não podendo a Mãe bendita suportar aquela vista de Seu Filho divino, em tal estado, desmaiou13 nos braços das piedosas mulheres, enquanto Jesus, amargurado por mais essa dor, teve de continuar o Seu caminho. À multidão e aos carniceiros pouco lhes importava os sofrimentos de um e de outro”.14

- “Quando o cortejo se pôs em movimento, Maria seguiu uma rua paralela e veio esperar Seu Filho na rua de Efraim.15 O encontro foi para Ela de horrível agonia”.16


_____________________
1S. Bern., de lament. Virg.
2S. Bonav., Stim. am., p. 1, c. 4.
3S. Brigit., Revel., cap. 10.
4S. Bonav., Medit., vit. Chr., c. 77.
5S. Bonav., Medit., loc. cit.
6S. Bonav., Stim., am., p. 1, c. 4; S. Ephr., de lament., b. Virg.; Cant., 8, 1.
7Cant., cap. 2 et 5.
8S. Bonav., Stim., am., p. 1, cap. 4.
9Idem. Ibid.
10Hymn., Eccl., de dolor. Virg., in offic.
11Ibid.
12S. Aug., Medit., c. 41.
13É a Tradição que no-lo diz. Ludulph. Cart: “Vita Christi”.
14Rev. Pe. Luiz de S. Carlos, C.P., “A Paixão de N. S. Jesus Cristo, narrada ao povo conforme os Santos Evangelhos e a Tradição”, pp. 145-146. Tipografia “O Calvário”, São Paulo/SP, 1952.
15A piedade dos fiéis aí construiu uma igreja, denominada, ainda hoje – Nossa Senhora do Espasmo.Ainda hoje lá se lhe veem as ruínas” (R.Pe. Berthe, C.Ss.R., “Jesus Cristo – Sua Vida, Sua Paixão, Seu Triunfo”, Cap. VI, pp. 389-390. Einsiedeln/Suíça, 1925).
16“A Paixão de Jesus Cristo”, pela Associação da Adoração Contínua a Jesus Sacramentado, pp. 167-169. Editora Vozes Ltda., Petrópolis/RJ, 1925.

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