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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 9 de abril de 2017

Guerra ideológico-política visa destruir a família.



A absurda Ideologia de Gênero vem sendo imposta às crianças, sobretudo em certas escolas, erotizando os alunos e contribuindo para a destruição da instituição familiar. Nesta “contribuição” entra também o projeto para a legalização da maconha — porta de entrada para posterior legalização de outras drogas. 

Psicóloga clínica pós-graduada em Saúde Mental e Filosofias dos Direitos Humanos, com atendimento em casos de abuso sexual infantil, a Dra. Marisa Lobo estagiou no Hospital Monte Sinai de Nova York. Coordenadora do Movimento “Maconha, Não!” e ativista pró-família e pró-vida, presta serviços de consultoria de prevenção às drogas em políticas públicas sobre drogas e pedofilia. É também presidente da OBME-PR (Organização Brasileira das Mulheres Empresárias do Paraná), conferencista e autora dos livros A Ideologia de Gênero na Educação e Família em Perigo: O que todos devem saber sobre a ideologia de gênero.

A Dra. Marisa Lobo esteve no mês passado na capital paulista para proferir a palestra “Crítica às políticas públicas sobre drogas”, na Casa Hope, sobre os efeitos deletérios das drogas no organismo humano, ocasião em que concedeu esta entrevista, a Francisco Gomes Machado, para Catolicismo


Catolicismo — A senhora poderia resumir para nossos leitores em que consiste a Ideologia de Gênero? 

Dra. Marisa Lobo — É uma ideologia que apregoa a anulação do sexo de nascimento, afirmando que o ser humano ao nascer é um ser sem definição de identidade. Alega que o ser humano não nasce homem ou mulher, que o seu sexo não define sua identidade.

O ser humano para essa ideologia é um gênero discordante de seu sexo, com a possibilidade de ter centenas de gêneros. E ainda acusa a sociedade atual de obrigar a criança a ser concordante com o seu sexo de nascimento, ou seja, só é homem ou mulher porque a cultura vigente (proselitista-religiosa) a obrigou a ser homem ou mulher. Portanto, ser homem ou mulher não teria absolutamente nada a ver com sexo e sim com gênero construído cultural e socialmente.

Para essa “falácia” pode-se ter uma diversidade, uma multiplicidade de “gêneros” fluindo de um para o outro, conforme o desejo de cada pessoa, pois ninguém nasce homem ou mulher, mas torna-se… 

Catolicismo — Que efeitos negativos a Ideologia de Gênero pode causar nas crianças? Por que se insiste tanto na imposição de tal ideologia nas escolas? 

Dra. Marisa Lobo — Essa “ideologia” causa conflitos de identidade, patologias, como transtorno de identidade de gênero (disforia de gênero CID 10-F64), que hoje se tornou a maior preocupação de entidades que se ocupam deste mal. O Instituto de Disforia de Gênero do Reino Unido, por exemplo, emitiu em 2015 um alerta à sociedade mundial ao constatar o aumento de 1000% de casos devido à promoção dessa desconstrução da identidade sexual na sociedade e nas escolas. Por sua vez, a Associação de Pediatria americana também emitiu um documento pedindo que países não promovam a Ideologia de Gênero nas escolas, exatamente por se tratar de uma violência à integridade física e psíquica da criança.

A crença de uma pessoa de ser algo que ela não é, na melhor das hipóteses, representa um sinal de pensamento confuso. Quando um menino biologicamente saudável acredita ser uma menina, ou uma menina biologicamente saudável acredita ser um menino, existe um problema psicológico objetivo que está na mente, não no corpo, e deve ser tratado dessa forma.

Essas crianças sofrem de disforia de gênero, formalmente conhecida como transtorno de Identidade de Gênero, uma desordem mental reconhecida na edição mais recente do Manual Diagnóstico e Estatístico da American Psychiatric Association. A psicodinâmica e as teorias de aprendizagem social dessa desordem nunca foram refutadas. 


Catolicismo — No Gênesis está escrito: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher” (Gen. 1, 27). A Igreja Católica sacramenta a união entre um homem e uma mulher por meio da instituição do matrimônio. Desejar impor a Ideologia de Gênero, contrária à criação e aos ensinamentos da Igreja, não constitui um estado de guerra aberta contra os ensinamentos divinos, a Igreja e a instituição da família, alicerce da sociedade?

Dra. Marisa Lobo — Na verdade, os promotores dessa Ideologia de Gênero não acreditam que exista um Deus e a utilizam como um mecanismo de desconstrução de todas as religiões que têm como base a família e acreditam no criacionismo divino. Estamos vivendo, sim, uma guerra ideológico-política que visa destruir a família heterossexual como base, célula-mater da sociedade. 

Catolicismo — Querer impor a Ideologia de Gênero nas escolas não viola o Estatuto da Criança e do Adolescente destinado a proteger nossas crianças contra aberrações como essa? 

Dra. Marisa Lobo — No meu entender, sim, já que o Estatuto é para defender a criança e o adolescente de toda e qualquer violência e cabe aos pais a educação moral e sexual dos seus filhos. Também, como perita criminal de casos de abusos, entendo que a aplicação dessa ideologia pela via da doutrinação infantil erotiza crianças, ultrapassa limites e isso é uma violação dos direitos da criança.

Poderíamos citar inúmeros problemas vivenciados por crianças que estão sendo erotizadas na escola por conta dessa doutrinação. Mas, o que se vê é um discurso de “direitos humanos”, de luta por preconceito, de empoderamento da mulher, quando na verdade estão masculinizando meninas e efeminando meninos, já que a luta é desfazer todas as diferenças, para acabar com a violência contra a mulher.

No discurso dos “ideólogos de gênero”, parece ser uma boa intenção, quando na verdade desconstroem toda a identidade sexual do ser humano, promovendo inúmeros conflitos psicológicos, físicos, sociais e familiares. 


Catolicismo — Com frequência, a mídia utiliza de sua grande influência para propagar a Ideologia de Gênero e, muitas vezes, procurando apontar que aqueles que são contrários a tais ideologias absurdas são preconceituosos. O que a senhora poderia dizer a nossos leitores a respeito? 

Dra. Marisa Lobo — Recentemente, no programa “Encontro”, da Fátima Bernardes (17-2-17), a “TV GLOBO” promoveu mais uma vez a questão dos transgêneros, crianças transgênero. Foi mais uma tentativa de doutrinar a sociedade e mostrar que isso é “normal”. Procura-se impor que qualquer ser humano pode escolher um “gênero” independente do seu sexo de nascimento. Note que a emissora o faz, sem o contraditório científico. Prova o quanto é irresponsável e negligente.

Basta ler o que afirma todos os compêndios de psiquiatria, manual de diagnóstico estatístico, entre outros documentos científicos. Sou pesquisadora e já publiquei dois livros (registrados na Biblioteca Nacional) sobre a Ideologia de Gênero. Em minha opinião, essa doutrinação é irresponsável porque nega que seja um transtorno da infância e que na maioria dos casos não se consolida, como já provam os referidos documentos científicos.

Programas televisivos, como o que mencionei, tratam a questão de forma fantasiosa. Subtraem a consciência e minimizam riscos e futuros sofrimentos. Essa abordagem serve apenas para gerar conflitos, sobretudo se apresentada sem um contraponto. Creio que deveriam pelo menos buscar a opinião de institutos internacionais, que veem os casos raros com muito cuidado. Teríamos assim uma análise mais sóbria a respeito desta questão.

Mas a mídia — com raras exceções — promove tal doutrinação indiscriminadamente. Podemos falar a verdade sem preconceito? — Sim. Mas como falar, se a verdade já está estigmatizada como preconceituosa?

A “TV Globo” tenta acabar com o que acha ser preconceito e promove a disforia de gênero. Infelizmente, o que se vê é que estão fazendo irresponsavelmente malabarismo com a ciência. 


Catolicismo — A senhora tem se destacado também na luta em defesa da família e contrária à legalização das drogas, especialmente da maconha. Por quê? 

Dra. Marisa Lobo — Porque vejo a maconha sendo tratada como uma droga “inocente” e não é, conforme inúmeros estudos científicos atuais, inclusive realizados por países onde a droga foi legalizada.

Posso citar a Holanda, que se mostra arrependida, voltando atrás devido ao desastre social causado pela legalização das drogas. Agora estão impondo à sociedade holandesa uma regulamentação severa, para tentar minimizar os efeitos catastróficos de tal legalização naquele país, que é conhecido como a nação do turismo da maconha e da livre prostituição.
Aqui no Brasil, a maconha está servindo como porta de entrada para a legalização de todas as demais drogas. Recentemente, um ministro do STF defendeu em seu discurso a legalização da maconha. Esta entra como cobaia para a legalização de drogas ainda mais pesadas, como a cocaína, e, em seguida, todas as outras drogas.

A lei é uma das vias da prevenção, precisamos dela para apoiar as famílias que lutam com seus filhos dependentes. Já tive quase 600 pacientes em minha caminhada e 90% dos dependentes químicos começaram com a maconha.

Catolicismo — Poderia dar algumas razões dessa sua posição?  

Dra. Marisa Lobo — A maconha causa crise amotivacional e déficit de atenção; desencadeia esquizofrenia em pelo menos 20% dos jovens e surtos psicóticos. É uma droga perturbadora do sistema nervoso central, causa alguns tipos de câncer, enfisema pulmonar, entre inúmeras doenças que no início não são percebidas por ser uma droga progressiva e que nem a todos vicia. Por isso a falsa ideia de que é uma droga inocente. É uma desonestidade intelectual.

A maconha não vai resolver os graves problemas causados pelo tráfico de drogas e pela violência, apenas vai mudar o nome dos crimes, por exemplo, de tráfico para contrabando etc. 

Catolicismo — Como explicar que políticos e até ministro do STF se manifestem a favor da legalização das drogas, abstraindo de princípios morais, dos efeitos nocivos no organismo humano e da associação com a violência? 

Dra. Marisa Lobo — Como sempre digo, moral para essas pessoas é algo relativo. Acho irresponsável um ministro do STF — que teria o poder e a obrigação de proteger a sociedade — nos entregar nas mãos de viciados em drogas, que são doentes intelectuais com o senso crítico e a noção de julgamento rebaixados, podendo causar inúmeros danos à sociedade, como já tem acontecido. Inúmeros crimes, às vezes os mais violentos, são causados por pessoas após o uso de drogas; “drogas legais”, como o álcool, a cocaína, o crack, a maconha. Então, imagine quando isso for legalizado…

Creio que o referido ministro está sendo infeliz e irresponsável em sua militância ativista, negligenciando estudos científicos. Pior, quer colocar na sociedade o ônus do caos dos presídios, quando afirma que a superlotação se deve às prisões por tráfico de drogas. Lamentável essa posição. Ele anda com seguranças, carros blindados, mora bem, não precisa se preocupar com viciados na porta de sua casa, ou ainda, se seu filho usar drogas e se viciar, ele poderá interná-lo numa boa clínica. 

Catolicismo — Certos defensores da legalização das drogas afirmam que onde elas são legalizadas cai o consumo e os níveis de violência. 

Dra. Marisa Lobo — É falso dizer que a violência nada tem a ver com a legalização das drogas. Esse discurso é mentiroso. Em toda a legalização o consumo tende a aumentar. Portugal, por exemplo, que legalizou as drogas, sofre hoje com o aumento da violência e o tráfico paralelo em torno dos locais de uso. A Holanda sofre com o contrabando, com plantações ilegais e com a cidade dividida, uma parte presa dentro de casa. E pior! A Holanda hoje tem o maior problema de saúde pública, uma epidemia que é a esquizofrenia de jovens em decorrência do uso de drogas.


Catolicismo — O que a senhora como terapeuta sugere aos pais com filhos enfrentando esses problemas? 

Dra. Marisa Lobo — Que os pais dialoguem com seus filhos. Conversem mais. Amem mais suas crianças. Ensinem valores. Falem abertamente sobre as drogas. Sejam mais amigos. Monitorem com carinho seus filhos. Uma coisa é certa: pais que levam seus filhos à igreja, que tratam seus filhos com respeito e se fazem respeitar, que vivem em família, cada um com sua função em amor e respeito, raramente terão filhos usuários de drogas. Ensinem a seus filhos que as drogas fazem mal à saúde, tiram a alegria de viver, destroem sonhos e chegam a matar.



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