Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 31 de maio de 2015

As Inesgotáveis Riquezas do Sagrado Coração de Jesus (Ensaio em Fase de Conclusão)

Novena em Honra
do Sagrado Coração de Jesus1

1º Dia

Consideração: A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem por objeto o Coração adorável do Divino Salvador, e o amor infinito, pelo qual se sacrificou por nós. Tem por fim a ação de graças por seus benefícios, e a reparação dos ultrajes que continuadamente recebe, especialmente no Santíssimo Sacramento dos nossos altares. Esta devoção foi revelada pelo próprio Jesus Cristo, como meio mais eficaz para reanimar entre os cristãos a fé que vacila e a caridade que esfria. Nenhuma devoção parece apropriar-se melhor às necessidades da sociedade moderna, ao egoísmo da nossa época, às suas tendências sensuais, à sua indiferença religiosa, à cobiça que divide os corações, e ao desalento que os amolece; ela opõe o culto e a divina influência do Coração o mais dedicado e mais puro, o mais terno e o mais compadecido.

É ao Santíssimo Sacramento do altar, que, segundo o espírito da Santa Igreja, devemos particularmente tributar o culto das nossas adorações, do nosso amor e dos nossos louvores ao Sagrado Coração de Jesus, pois a fé no-lo representa no Tabernáculo, animado dos mesmos sentimentos que manifestou durante a sua vida mortal.

Súplica: Ó Jesus, minha doce esperança, fazei que o vosso divino Coração já ferido por meu amor, e aberto para todos os pecadores, seja um asilo seguro para minha alma. (De Santa Gertrudes).

Prática: Mostrai-vos generosos no serviço do Senhor, a fim de honrardes o zelo do Coração de Jesus pela glória de seu Pai Celeste.

Jaculatórias: Ó Maria, dai-nos a conhecer o Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós.
São José, amigo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós. (Indulgenciada).

Resoluções: Entrarei para a Associação da Guarda de Honra ou Apostolado do Sagrado Coração de Jesus.

*Recitar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.

2º Dia

Consideração: A devoção ao Sagrado Coração de Jesus, não é o privilégio exclusivo de algumas almas piedosas. Nosso Senhor tem recomendado que ela fosse publicada e propagada em todo lugar. Não são todos os homens o objeto da sua ternura? Não são todos inundados de seu Sangue, e cheios dos seus benefícios? Não tem todos ferido este Coração adorável com os seus pecados? O Coração de Jesus é o tesouro de todos os homens; por todos foi aberto sobre a Cruz, e todos, ainda os mais culpados, tem parte em suas misericórdias e em seu amor. É, pois, um dever para todos pagar ao Coração de Jesus um tributo de amor, de ação de graças e reparação; é um direito que todos tem de procurar neste Coração divino um asilo e uma consolação. Assim exultou a piedade dos cristãos quando Pio IX decretou que a Festa do Sagrado Coração seria celebrada em toda a Igreja, e que seria colocada de então por diante entre as principais festas do ano.

Jesus Cristo tem presas ao seu Coração pela cadeia do seu amor as gerações que O amam.

Súplica: Ó Jesus, minha doce esperança, fazei que o vosso divino Coração já ferido por meu amor, e aberto para todos os pecadores, seja um asilo seguro para minha alma. (De Santa Gertrudes).

Prática: Exercitai-vos hoje na doçura e indulgência para com o próximo, a fim de honrardes a mansidão e a misericórdia infinita do Coração de Jesus.

Jaculatória: Doce Coração de Jesus, sede meu amor (Indulgenciada).

Resoluções: Direi muitas vezes, como reparação, a seguinte oração jaculatória: Meu Jesus, misericórdia!

*Recitar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.

3º Dia

Consideração: Para bem compreender a importância do lugar que ocupa a devoção ao Sagrado Coração entre o culto católico, basta considerar que Nosso Senhor em pessoa veio pedir o seu estabelecimento e propagação, foi quem determinou as suas práticas principais, tendo feito em benefício das pessoas que se lhe consagram as mais consoladoras promessas, tais como a união entre as famílias, o fervor no divino serviço, a consolação nos trabalhos, o bom resultado nos negócios, e a mais doce segurança na hora da morte. “Eu afirmo com toda segurança, escreve a Bem-aventurada Margarida Maria, que se os homens soubessem quanto esta devoção é agradável a Jesus Cristo, não haveria um só cristão por pouco amor que tivesse ao nosso amável Redentor que a não praticasse. Nosso Senhor reserva tesouros incompreensíveis para todos aqueles que se empregam em estabelecer esta devoção. Nosso Senhor me tem feito ver os nomes e número imenso de pessoas escritas em seu Coração, por causa do desejo que elas tem de o fazer amar e honrar, razão pela qual jamais serão dele riscados.

Oh! Quanto é doce morrer depois de haver-se tido uma terna e constante devoção ao Sagrado Coração de Jesus”.

Súplica: Coração de Jesus, fonte de amor, origem de graças, oceano de bondade, permiti-me que entre em vossa Chaga aberta para receber o perdão que nos tendes merecido sobre a Cruz. (Da Venerável Francisca dos Serafins).

Prática: Em vossas tentações, em vossas quedas e desalentos, oferecei a Deus o Sangue de Jesus Cristo e as penas do seu Divino Coração.

Jaculatórias: Doce Coração de Jesus, fazei que Vos ame sempre cada vez mais (Indulgenciada).

Resoluções: Todos os anos celebrarei com grande piedade a Festa do Sagrado Coração.

*Recitar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.

4º Dia

Consideração: Pode-se aplicar aos cristãos o que São João Batista dizia aos judeus, referindo-se a Jesus: “Existe um entre vós a quem não conheceis”. Na verdade, Jesus Cristo não é verdadeiramente conhecido, seu amor não é bem compreendido; sim, sabe-se que Ele é verdadeiro Deus, que morreu por nós, que está presente na Sagrada Eucaristia; porém, não com aquele conhecimento com o qual um filho conhece a ternura de seu Pai, um amigo o extremo do seu amigo: finalmente, não se conhece Jesus com aquela percepção de coração, da qual nascem a intimidade e a confiança. Ora, a devoção do Sagrado Coração nos fará conhecer e amar a Jesus, descobrindo-nos os mistérios da sua misericórdia, e fazendo-nos compreender mais e mais os sentimentos de amor de que é animado para conosco. “Se conhecêsseis o dom de Deus”, dizia Nosso Senhor à Samaritana! Ah! Se compreendêssemos o que Jesus nos têm dado, dando-nos o seu Coração... De que amor e confiança seríamos animados para com este Senhor!

Súplica: Ó preciosa Chaga do Lado de Jesus, princípio da nossa felicidade, atraída por vossa doçura, fixo em vós minha morada, e em vós deposito tudo o que possuo e tudo quanto espero (São Francisco de Borja).

Prática: Em honra das virtudes admiráveis do Coração de Jesus trabalharei com ardor na emenda dos meus defeitos.

Jaculatórias: Ó Maria, obtende-me uma grande confiança no Sagrado Coração de Jesus.

Resoluções: Rogarei muitas vezes ao Coração agonizante de Jesus, pelos agonizantes de cada dia.

*Recitar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.


5º Dia

Consideração: O Coração de Jesus foi formado para nós no seio de Maria, palpitou, orou, e sofreu pela nossa salvação, foi quem ditou as páginas tão tocantes do Evangelho, e também a origem dos Sacramentos; foi este Coração, por sua Chaga misteriosa, quem deu princípio à Igreja primitiva, como ensinam os Santos Padres; é este Coração quem do Santo Tabernáculo a sustenta, e dirige e a consola; é este Coração quem inspira toda a submissão que santifica as nossas dores, e gera todas as nossas virtudes; é este Coração quem nos perdoa os nossos pecados no Santo Tribunal da Confissão; quem nos fala pelas inspirações interiores da sua graça; é quem na Eucaristia tem suas delícias em habitar entre nós. É, finalmente, este Coração a origem ou canal de todos os dons celestes. De fato, o Verbo Divino, tendo tomado na Encarnação um Coração humano, para fazer dele o órgão do seu amor infinito, lhe confiou por esta razão todo o ministério de bondade e misericórdia; desde então não há uma só graça, um só dom divino, que não dimane do Coração de Jesus.

Súplica: Ó amor, ó amor soberano do Coração de Jesus, qual será o coração que assaz te bendiga devotamente?... Viva pois este Coração sempre em nossos corações (São Francisco de Sales).

Prática: Fazei todas as vossas ações em união com o Coração de Jesus, a fim de chegardes a uma grande pureza de intenção.

Jaculatórias: Doce Coração de Jesus, sede meu amor.

Resoluções: Nunca deixarei de fazer a Comunhão reparadora mensal.

*Recitar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.


6º Dia

Consideração: Nosso Senhor manifestou o desejo, que experimenta de ver seu infinito amor glorificado sob a forma de seu Coração ferido, rodeado das insígnias da sua Paixão, prometendo derramar abundantes bênçãos em todo lugar onde se achar esta Santíssima Imagem. E que poderá fazer o Coração de Jesus onde se achar, senão amar, perdoar, abençoar e consolar?

A Imagem do Sagrado Coração é uma pregação simples, mas tocante e contínua, que nos exorta ao amor e à confiança para com um Deus que tanto tem amado aos homens.

  À alguns séculos, que Jesus Cristo tem manifestado este desejo; todavia, a quantas igrejas e quantas moradas cristãs falta ainda a Imagem do Sagrado Coração! Quantos enfermos, quantos pobres, quantas almas aflitas existem sem terem presente a seus olhos a Imagem deste grande Modelo de resignação! Oh! Quantas graças este divino Coração repartiria, se a sua divina Imagem estivesse patente durante o mês de Junho, e permanentemente em todas as igrejas, sobre um altar ricamente adornado, como sobre um trono de misericórdia, para nele receber nossas homenagens, e escutar nossos votos! Não é possível que nos achemos por muito tempo na presença do Coração de Jesus, sem nos sentirmos comovidos com a lembrança de todos os seus benefícios e sofrimentos, e sem experimentarmos um vivo desejo de lhe pagar amor com amor. Saudemos muitas vezes este Coração divino, e digamos com Santo Agostinho: “Ó Deus! Vossa lembrança faz as minhas delícias, tenho fome e sede de Vós”.

Súplica: Ó dulcíssimo Jesus, transformai meu pobre coração em vosso Sagrado Coração; sejam vossas dores que unam o vosso Coração ao meu e me o façam sempre amável e propício.

Prática: Esforçai-vos em reparar a indiferença dos homens para com Deus, por um grande fervor em vossos exercícios de piedade.

Jaculatórias: Sagrado Coração de Jesus, tende compaixão de nós (Indulgenciada).
Ó Maria, alcançai-nos um verdadeiro zelo, pelo culto do Coração de Jesus!

Resoluções: Terei na minha casa, no meu aposento uma Imagem do Sagrado Coração de Jesus.

*Recitar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.

7º Dia

Consideração: Santo Agostinho compara o Coração de Jesus à Arca de Noé, onde todos os que entraram foram salvos do naufrágio. Deste Coração aberto nasce, diz São Cipriano, a fonte que brota até a vida eterna.

O Coração de Jesus, diz São Bernardino, é a fornalha da mais ardente caridade, destinada a abrasar todo o universo. São Pedro Damião chama este Coração, o tesouro universal da sabedoria e da ciência. São Francisco de Sales, a origem de todas as graças, e São Boaventura, a origem de toda sorte de bens. São Francisco de Assis, Santa Clara, São Luís de Gonzaga, o invocam a todos os instantes como o foco do Divino Amor. Finalmente, este amável Coração foi dado a Santa Matilde como um lugar de refúgio durante a vida, e como a maior consolação na hora da morte.

Súplica: Ó Coração aberto do meu Redentor! Ó bendita morada das almas presas do celeste amor! Ah! Não recuseis receber também minha alma! (Santo Afonso M. de Ligório).

Prática: Imitai o zelo do Coração de Jesus pela salvação das almas, exercitando o tríplice apostolado da oração com o exemplo e conselho.

Jaculatórias: Ó Maria! Nós vos oferecemos o Sagrado Coração de Jesus! Recebei-O, ó terna Mãe, assim como os de todos os vossos filhos, dos quais seja sempre a única divisa: Tudo do Coração de Jesus pelo Coração de Maria.

Coração Imaculado de Maria, rogai por nós. (Indulgenciada).

Resoluções: Mostrar-me-ei zeloso pelo culto do Sagrado Coração, espalhando imagens, objetos e livros próprios para O fazer conhecido e amado.

*Recitar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.

8º Dia

Consideração: É fora de toda a dúvida, que não há meio mais eficaz para resolver alguém, a tomar a peito a prática de uma devoção, a não ser que a conhece útil e vantajosa. Ora, não há devoção tão útil e tão vantajosa como a devoção em honra do Sagrado Coração de Jesus.

O Pai Eterno que nos entregou o Seu próprio Filho, pode por ventura nos deixar de dar todas as coisas. Assim, podemos dizer também de Jesus; se Ele nos deu o seu Coração, não estará por ventura disposto a nos dar todos os mais bens! Jesus quando nos entregou o seu Coração, pôs em nossas mãos um penhor seguro de mais favores.

Ao povo hebreu atravessando o deserto a procura da terra da promissão, lhe faltou a água para matar a sede. Deus, movido à compaixão disse a Moisés: Bate sobre aquela pedra com a mesma varinha com que bateu sobre o mar vermelho, e dela sairá água para matar a sede do povo; e tendo Moisés cumprido à risca a ordem divina, saiu de repente rios de água daquela pedra, e os hebreus puderam matar a sua sede.

Grande foi este benefício que Deus fez em prol do povo hebreu, mas é maior sem comparação o benefício que nos faz a nós cristãos. Peregrinamos neste mundo, vale de lágrimas para a pátria celeste, Deus movido a compaixão de nós, faz rebentar da Viva Pedra, que é Cristo, e propriamente da Chaga do seu Lado, uma fonte inexaurível de graças, que nos levam a vida eterna.

Súplica: Coração do meu Jesus, fazei que eu descanse em vosso Coração para sempre.

Prática: Lembrai-vos um pouco durante o dia os principais benefícios recebidos do Coração de Jesus.

Jaculatória: Doce Coração de Jesus, sede meu amor.

Resoluções: Celebrarei devotamente a primeira sexta-feira de cada mês.

*Recitar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.

9º Dia

Consideração: Há por ventura na ordem natural alguma coisa mais luminosa e mais útil do que o sol? Quid lucidius sole? (Eccl., XVII, 30). Este grande planeta com a sua resplandecente luz dissipa as trevas, a fim de podermos andar seguros pelo caminho, com o seu calor faz brotar e crescer ervas, flores, e frutas, doura e esquenta os vales e montes, vivifica e fecunda a natureza toda, inspira-nos alegria e traz-nos abundância. Como também na ordem espiritual, o Coração de Jesus, que é o Sol divino, o Sol de justiça, O qual derrama luzes de verdade de uma parte a outra do mundo, sobre todos os homens que vem a este mundo, em todos os tempos. É por Ele que existimos, vivemos e obramos. Assim como para gozarmos dos benéficos influxos do sol material, basta que encaremos para ele, assim para que o Coração de Jesus derrame sobre nós os seus abundantes dons não carece outra coisa senão apresentar-mo-nos em sua presença e invocá-lO.

Súplica: Coração de Jesus, valei-me durante a vida, na morte e por toda a eternidade.

Prática: Neste último dia da novena, consagramos de um modo solene e irrevogável o nosso coração a Jesus Cristo.

Jaculatória: Misericórdia Divina incarnada no Sagrado Coração de Jesus, cobri o mundo e derramai-vos sobre nós. (Indulgenciada).

Resoluções: Não deixarei passar um dia sem fazer alguma coisa em honra do Coração de Jesus.

*Recitar a Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.


Ladainha do Sagrado Coração de Jesus2

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois Um só Deus, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, Filho do Pai eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente com o Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de Majestade infinita, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Templo santo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Casa de Deus e Porta do Céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Receptáculo de justiça e de amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Rei e Centro de todos os corações, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da Divindade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual o Pai pôs toda a complacência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós recebemos, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, o desejado das Colinas eternas, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, paciente e de muita misericórdia, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico para todos os que Vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, propiciação por nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, saciado de opróbrios, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esmagado de dor por causa de nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Fonte de toda a consolação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Vítima dos pecadores, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Salvação dos que em Vós esperam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Esperança dos que morrem em Vós, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Delícias e todos os Santos, tende piedade de nós.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. Jesus, manso e humilde de Coração.
R. Fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.

Oremos: Deus onipotente e sempterno, olhai o Coração do Vosso diletíssimo Filho, e os louvores e reparações que pelos pecadores Vos tem tributado; e aos que invocam Vossa misericórdia, Vós, aplacado, sede fácil no perdão, pelo Nome de Jesus Cristo, que conVosco vive e reina pelos séculos dos séculos. R. Amém.

Jaculatória Ao Coração Eucarístico de Jesus3

Louvado, adorado e amado seja a todo o momento o Santíssimo Coração Eucarístico de Jesus, em todos os tabernáculos do mundo, até a consumação dos séculos. Assim seja.

Jaculatória Ao Sagrado Coração de Jesus4

Doce Coração do meu Jesus, fazei que eu Vos ame sempre cada vez mais.


1“Manual das Missões e Devocionário Popular”, por um Padre das Missões, pp. 236-246; 1908.
2Missal Quotidiano e Vesperal, por Dom Gaspar Lefebvre, O.S.B., pp. 1954-1956; Abbaye de S. André, A.S.B.L. Bruges, Desclée de Brouwer & Cie, Bruges – Bélgica, 1951.
3Indulgência de 100 dias cada vez que se recitar esta jaculatória. Pio IX, Rescrito de 29 de Fevereiro de 1868.
4As mesmas indulgências que a oração antecedente. Pio IX, Decreto da Sagrada Congregação das Indulgências, de 26 de Novembro de 1876.

domingo, 24 de maio de 2015

A Igreja Católica da Alemanha no abismo.


Hedonismo generalizado



Por Mathias von Gersdorff – Junge Freiheit | Tradução: FratresInUnum.com* – Fazia parte da preparação do Sínodo sobre a família de outubro de 2015 que as dioceses do mundo inteiro consultassem a opinião dos fieis sobre o tema matrimonio e família.

As respostas do laicato alemão foram analisadas pela Conferencia Episcopal Alemã, que resumiu sua avaliação no documento intitulado “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo de hoje”.

Esse documento foi enviado a Roma e constitui, por assim dizer, a descrição da posição dos católicos alemães face ao matrimônio e à família. Com base nessas opiniões, o Sínodo deverá elaborar, no outono [europeu], perspectivas pastorais.

Faun é uma banda alemã de Gräfelfing, Munique,
que mistura música folclórica pagã com música medieval,
formada em 1998 por Oliver Pade, Birgit Muggenthaler, ...





No que diz respeito à Alemanha, a tomada de posição da Conferencia Episcopal Alemã revela uma situação desoladora. Se essa tomada de posição refletir de fato a realidade nacional, a Igreja não exerce mais qualquer influência sobre as opiniões de seus fiéis a respeito de casamento, família e moral sexual.

A respeito do divórcio, das famílias-mistas, das parcerias homossexuais, a julgar pelo documento dos bispos alemães, os fieis teriam adotado inteiramente as ideias difundidas por revistas como BRAVO, por filmes e novelas, ou por partidos políticos de esquerda como Bündnis 90/Die Grünen.

Segundo a Conferencia Episcopal Alemã, a revolução sexual fez uma obra devastadora na Alemanha e os bispos não têm mais qualquer influência sobre o que os católicos pensam a respeito de matrimônio e sexualidade.

Enquanto tal, o documento da Conferencia Episcopal Alemã constitui uma confissão do colossal fracasso do episcopado em defender neste País a Fé católica e o Magistério eclesiástico.
 
A delegação alemã para o Sínodo, composta por Cardeal Reinhard Marx (München-Freising) e pelos bispos Franz-Josef Bode (Osnabrück) e Heiner Koch (Dresden-Meißen), deveria se apresentar diante da assembleia sinodal e, de cinzas na cabeça, pedir perdão por seu fracasso.

Bispos de dioceses pobres do interior da Bolívia ou da Nigéria certamente lhes fariam as seguintes perguntas: como pode ser que uma Igreja tão rica tenha gasto tão pouco dinheiro no ensino da verdadeira doutrina católica a respeito do matrimônio e da sexualidade?

Por que o conteúdo das Encíclicas dos Papas Bento XVI, Joao Paulo II (Familiaris consortio) e Paulo VI (Humanae vitae) permanece desconhecido ou não é levado a sério?

Por que a Encíclica “Humanae vitae” foi colocada em questão pela “Declaração de Königstein” dos bispos alemães?

Quanto dinheiro a rica Igreja católica alemã gastou para combater as influências perniciosas da televisão, da internet e de outras mídias sobre as pessoas?

Que contramedidas catequéticas foram tomadas para manter viva a doutrina católica?

São Bonifácio derruba a árvore
estultamente cultuada pelos pagãos
 
Poder-se-iam colocar perguntas ainda mais incômodas, uma vez que o entendimento católico sobre matrimônio e sexualidade está intimamente ligado à cristologia católica.

Se, de fato, muito poucos alemães ainda seguem a moral matrimonial e sexual católica, deve-se perguntar até que ponto eles ainda aderem ao cerne da Fé católica, como, por exemplo, a divindade de Cristo, sua ação salvífica enquanto vítima expiatória e redentora, a ressurreição, etc.

Face a essa catástrofe, é de esfregar os olhos quando bispos alemães tem a triste coragem de apresentar exigências ao Sínodo.

A doutrina deveria ser, segundo eles, “mais desenvolvida”; dever-se-ia mostrar “apreço” pelas relações extra-matrimoniais e homossexuais, e assim por diante.

Afinal que resultados a delegação alemã pode mostrar, a fim de se atribuir autoridade para apresentar semelhantes exigências?

Não é de espantar que em muitos países os católicos balancem a cabeça a respeito da Alemanha.

Até mesmo Daniel Deckers, jornalista encarregado de assuntos ligados à Igreja Católica do Frankfurter Allgemeine Zeitung e muito longe de ser um conservador, escrevia em 21 de abril de 2015:
“Sob a impressão causada pelas respostas, (os bispos alemães) acentuam agora sua proposta do ano passado de permitir sob certas condições o acesso de católicos divorciados e recasados aos sacramentos da penitência e da eucaristia. Até o momento, a Conferencia Episcopal Alemã é a única no mundo que defende este ponto de vista”. De fato é de se perguntar o que, afinal, a Conferencia Episcopal Alemã pretende com o documento “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo de hoje”.

Da diocese de Essen – com aproximadamente 850.000 almas – chegaram 14 respostas individuais ao questionário.

De Mainz (740.000 almas) veio um total de 21 respostas.

De Magdeburg (86.000 almas) vieram 18.

Não é preciso haver estudado estatística para saber que tal pesquisa de opinião não vale nada.

O que a Conferencia Episcopal Alemã deveria ter informado ao Vaticano seria: “Infelizmente, não foi possível saber o que os fieis pensam a respeito de matrimonio e família, uma vez que não participaram da pesquisa”.
 
Ao contrário disso, A Conferência Episcopal redigiu um documento que recomenda a demolição da doutrina católica sobre matrimônio e sexualidade.

Vamos esperar o que o Cardeal Marx e companhia vão produzir até o Sínodo da Família.

Em todo caso, o Cardeal alemão Walter Brandmüller já deixou claro: “Quem quiser mudar o dogma é herege – ainda quando traja a Púrpura.”
 
* Nosso agradecimento a um caro amigo pela tradução fornecida.

http://fratresinunum.com/2015/05/16/a-igreja-catolica-da-alemanha-no-abismo/

 

domingo, 17 de maio de 2015

Nós criamos a Teologia da Libertação.


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Ex-espião da União Soviética Revela

ACI – Ion Mihai Pacepa foi general da polícia secreta da Romênia comunista antes de pedir demissão do seu cargo e fugir para os EUA no fim da década de 70. Considerado um dos maiores “detratores” de Moscou, Pacepa concedeu entrevista a ACIDigital e revelou a conexão entre a União Soviética e a Teologia da Libertação na América Latina.  A seguir, os principais trechos da sua entrevista:

Em geral, você poderia dizer que a expansão da Teologia da Libertação teve algum tipo de conexão com a União Soviética?

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Aleksandr Sakharovsky
Александр Сахаровский
Sim. Soube que a KGB teve uma relação com a Teologia da Libertação através do general soviético Aleksandr Sakharovsky, chefe do serviço de inteligência estrangeiro (razvedka) da Romênia comunista, que foi conselheiro e meu chefe até 1956, quando foi nomeado chefe do serviço de espionagem soviética, o PGU1; Ele manteve o cargo durante 15 anos, um recorde sem precedentes.

Em 26 de outubro de 1959, Sakharovsky e seu novo chefe, Nikita Khrushchev, chegaram à Romênia para as chamadas “férias de seis dias de Khrushchev”. Ele nunca tinha tomado um período tão longo de férias no exterior, nem foi sua estadia na Romênia realmente umas férias.

Khrushchev queria ser reconhecido na história como o líder soviético que exportou o comunismo à América Central e à América do Sul. A Romênia era o único país latino no bloco soviético e Khrushchev queria envolver os “líderes latinos” na sua nova guerra de “libertação”.

Eu me investiguei sobre Sakharovsky, vi os seus escritos, mas não pude encontrar nenhuma informação relevante sobre sua figura. Por que?

Sakharovsky era uma imagem soviética dos anos quentes da Guerra Fria, quando os membros dos governos britânico e israelense ainda não conheciam a identidade dos líderes do Mossad e do MI-6. Mas, Sakharovsky desempenhou um papel extremamente importante na construção da história da Guerra Fria. Ele ocasionou a exportação do comunismo a Cuba (1958-1961); ele manipulou de maneira perversa a crise de Berlim (1958-1961) criou o Muro de Berlim; a crise dos mísseis cubanos (1962) e colocou o mundo na beira de uma guerra nuclear.

A Teologia da Libertação foi de alguma maneira um movimento ‘criado’ pela KGB de Sakharovsky ou foi um movimento existente que foi exacerbado pela URSS?

Símbolo da KGB
O movimento nasceu na KGB e teve um nome inventado pela KGB: Teologia da Libertação. Durante esses anos, a KGB teve uma tendência pelos movimentos de “Libertação”. O Exército de Libertação Nacional da Colômbia (FARC –sic–), criado pela KGB com a ajuda de Fidel Castro; o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, criado pela KGB com o apoio de “Che” Guevara; e a Organização para Libertação da Palestina (OLP), criado pela KGB com ajuda de Yasser Arafat, são somente alguns movimentos de “Libertação” nascidos em Lubyanka – lugar dos quartéis-generais da KGB.

O nascimento da Teologia da Libertação em 1960 foi a tentativa de um grande e secreto “Programa de desinformação” (Party-State Dezinformatsiya Program), aprovado por Aleksandr Shelepin, presidente da KGB, e pelo membro do Politburo, Aleksey Kirichenko, que organizou as políticas internacionais do Partido Comunista.

Este programa demandou que a KGB guardasse um controle secreto sobre o Conselho Mundial das Igrejas (CMI), com sede em Genebra (Suíça), e o utilizasse como uma desculpa para transformar a Teologia da Libertação numa ferramenta revolucionária na América do Sul. O CMI foi a maior organização internacional de fiéis depois do Vaticano, representando 550 milhões de cristãos de várias denominações em 120 países.

O nascimento de um novo movimento religioso é um evento histórico. Como foi construído este novo movimento religioso?

A KGB começou construindo uma organização religiosa internacional intermédia chamada “Conferência Cristã pela Paz”, cujo quartel general estava em Praga. Sua principal tarefa era levar a Teologia da Libertação ao mundo real. A nova Conferência Cristã pela Paz foi dirigida pela KGB e estava subordinada ao respeitável Conselho Mundial da Paz, outra criação da KGB, fundada em 1949, com seu quartel geral também em Praga.

Durante meus anos como líder da comunidade de inteligência do bloco soviético, dirigi as operações romenas do Conselho Mundial da Paz (CMP). Era estritamente KGB. A maioria dos empregados do CMP eram oficiais de inteligência soviéticos acobertados. Suas duas publicações em francês, “Nouvelles perspectives” e “Courier da Paix”, estavam também dirigidas pelos membros infiltrados da KGB –e da romena DIE2–. Inclusive o dinheiro para o orçamento da CMP chegava de Moscou, entregue pela KGB em dólares, em dinheiro lavado para ocultar sua origem soviética. Em 1989, quando a URSS estava à beira do colapso, o CMP admitiu publicamente que 90 por cento do seu dinheiro chegava através da KGB3.

Como começou a Teologia da Libertação?

Eu não estava propriamente envolvido na criação da Teologia da Libertação. Eu soube através de Sakharovsky, entretanto, que em 1968 a Conferência Cristã pela Paz criada pela KGB, apoiada em todo mundo pelo Conselho Mundial da Paz, foi capaz de manipular um grupo de bispos sul-americanos da esquerda dentro da Conferência de Bispos Latino-americanos em Medellín (Colômbia).

Communist Defector Says KGB Created "Liberation Theology"
Photo of the Lubyanka building, former KGB headquarters
O trabalho oficial da Conferência era diminuir a pobreza. Seu objetivo não declarado foi reconhecer um novo movimento religioso motivando os pobres a rebelar-se contra a “violência institucionalizada da pobreza”, e recomendar o novo movimento ao Conselho Mundial das Igrejas para sua aprovação oficial. A Conferência de Medellín alcançou ambos objetivos. Também comprou o nome nascido da KGB “Teologia da Libertação”.

A Teologia da Libertação teve líderes importantes, alguns deles famosas figuras “pastorais” e alguns intelectuais. Sabe se houve alguma participação do bloco soviético na promoção da imagem pessoal ou dos escritos destas personalidades? Alguma ligação específica com os bispos Sergio Mendes Arceo do México ou Helder Câmara do Brasil? Alguma possível conexão direta com teólogos da Libertação como Leonardo Boff, Frei Betto, Henry Camacho ou Gustavo Gutiérrez?

Resultado de imagem para gustavo gutiérrezTenho boas razões para suspeitar que havia uma conexão orgânica entre a KGB e alguns desses líderes promotores da Teologia da Libertação, mas não tenho evidência para comprová-la. Nos últimos 15 anos que morei na Romênia (1963-1978), dirigi a espionagem científica e tecnológica do país, e também as operações de desinformação destinadas a aumentar a importância de Ceausescu no Ocidente.

Recentemente vi o livro de Gutiérrez “Teologia da Libertação: Perspectivas” (1971) e tive a intuição de que este livro foi escrito em Lubyanka. Não surpreende que ele seja considerado agora como o fundador da Teologia da Libertação. Porém, da intuição aos fatos, entretanto, há um longo caminho.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

O BEBÊ E A ÁGUA DO BANHO




Tem havido ultimamente insultos à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que me atingem também, pois dela faço parte por ser Bispo católico, pela graça de Deus, em plena comunhão com a Santa Igreja. A CNBB é o conjunto dos Bispos do Brasil que, exercem conjuntamente certas funções pastorais em favor dos fiéis do seu território (CIC cân. 447).  Conforme explicou São João Paulo II na Carta Apostólica Apostolos suos, é “muito conveniente que, em todo o mundo, os Bispos da mesma nação ou região se reúnam periodicamente em assembleia, para que, da comunicação de pareceres e experiências, e da troca de opiniões, resulte uma santa colaboração de esforços para bem comum das Igrejas”. “O Espírito Santo vos constituiu Bispos para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue” (At 20, 28).
           
Quero deixar bem claro que, por ser Bispo da Santa Igreja Católica, dou minha adesão a tudo o que ensina o seu Magistério, nas suas diferentes formas e na proporção da exigência de suas expressões doutrinárias, sem restrições mentais ou subterfúgios.

Em matéria de política ou questões sociais, minha posição é a da Doutrina Social da Igreja. Por isso, defendo a subordinação da ordem social à ordem moral estabelecida por Deus, a dignidade da pessoa humana, a busca do bem comum, a atenção especial aos pobres, a rejeição do socialismo e do marxismo, nas suas diferentes formas, o direito de propriedade, o princípio da subsidiariedade e os legítimos direitos humanos, principalmente a defesa da vida desde a concepção até o seu término natural.

Ademais, ainda na questão agrária, compartilho com a posição de São João Paulo II quando ensinou: “É necessário recordar a doutrina tradicional de que a posse da terra ‘é ilegítima quando não é valorizada ou quando serve para impedir o trabalho dos outros, visando somente obter um ganho que não provém da expansão global do trabalho humano e da riqueza social, mas antes de sua repressão, da exploração ilícita, da especulação e da ruptura da solidariedade no mundo do trabalho’ (Centesimus Annus 43). Mas recordo, igualmente, as palavras do meu predecessor Leão XIII quando ensina que ‘nem a justiça, nem o bem comum consentem danificar alguém ou invadir a sua propriedade sob nenhum pretexto’ (Rerum Novarum, 30). A Igreja não pode estimular, inspirar ou apoiar as iniciativas ou movimentos de ocupação de terras, quer por invasões pelo uso da força, quer pela penetração sorrateira das propriedades agrícolas” (Discurso aos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, na sua visita ad limina, 21março de 1995).

Assim, quem quer que defenda partidos ou grupos que pregam a revolução social, a luta de classes, o igualitarismo total, a negação do direito de propriedade e a ideologia de gênero, não me representa nem pode falar em meu nome nem em nome da Igreja.

Ademais, conforme ensina a Igreja, como Bispo, quero ter sempre uma “prudente solicitude pelo bem comum” (Laborem exercens, 20), “não estou ligado a qualquer sistema político determinado” (Gaudium et Spes, 76), não me intrometo no trabalho político, “por este não ser competência imediata da Igreja”, “nem me identifico com os interesses de partido algum”, ensinando, porém, os grandes critérios e os valores irrevogáveis, orientando as consciências e oferecendo uma opção de vida que vai além do âmbito político” (Bento XVI, Aparecida, 13-5-2007, Disc. Inaug. do CELAM).

Defendo a mesma posição do Catecismo da Igreja Católica quando diz: “Não cabe aos pastores da Igreja intervir diretamente na construção política e na organização da vida social. Essa tarefa faz parte da vocação dos fiéis leigos, que agem por própria iniciativa com seus concidadãos” (n. 2442).

Compartilho também com a posição do Papa Bento XVI, hoje emérito, quando ensinou que “a Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende de modo algum imiscuir-se na política dos Estados, mas tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo...” (Caritas in Veritate, 9).

É claro que, na crise atual, há quem não siga nessa matéria o critério do Magistério da Igreja. Mas são vozes fora do caminho, mesmo que muitas. Não se pode apoiá-las.

Se há pessoas na Igreja que não seguem seus ensinamentos, temos a obrigação de não segui-las e, se tivermos ciência e competência para tal, de respeitosamente manifestar isso aos Pastores da Igreja (CIC cânon 212, §3), ressalvando a reverência que lhes é devida.  

É nesse último ponto que pecam gravemente alguns que se intitulam católicos. Na ânsia de defender coisas corretas, perdem o respeito devido às autoridades da Igreja e as desprestigiam, para alegria dos inimigos dela.

Junto com o combate ao erro, até querendo fazer o bem, acabam destruindo a autoridade, com ofensas, exageros, meias verdades e até mentiras, caindo assim em outro erro. A meia verdade pode ser pior do que a mentira deslavada.

Não quero dizer que não existam os erros que combatem. O que é preciso é evitar as generalizações, ampliações e atribuições indevidas e injustas, onde acontecem faltas ou excessos. A justiça e a caridade, mesmo no combate, são imprescindíveis. Qualquer pessoa não católica que lesse certos sites e postagens de alguns católicos críticos, injuriando os Bispos e autoridades da Igreja, certamente iria raciocinar: “é impossível que tais pessoas sejam católicas, pois não se fala assim da própria família!”.

Como diz o provérbio: “Não se pode jogar fora o bebê, junto com a água suja do banho!”.





 Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal

São João Maria Vianney





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