Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Glorioso São Brás, Bispo e Mártir, Protetor dos Males da Garganta.


Brás, vem de blandus, “suave”, ou de belasíus, formado de bela, “costume”, e syor, “pequeno”. De fato, Brás foi suave em seus sermões, virtuoso em seus costumes e humilde em sua conduta.

Brás era de grande doçura e santidade, o que fez os cristãos o elegerem Bispo da cidade de Sebasta, na Capadócia. Por causa da perseguição de Diocleciano, após receber o Episcopado retirou-se para uma caverna onde passou a levar vida eremítica. Os passarinhos levavam-lhe de comer e juntavam-se em torno dele, só o deixando depois de ter sido abençoado por ele. Se algum deles estava doente, ia vê-lo e retornava perfeitamente curado.

O governador da região tinha mandado alguns guerreiros caçar, mas o esforço deles estava sendo em vão, até que por acaso passaram pela gruta de São Brás, onde encontraram grande quantidade de animais, que contudo não puderam pegar. Admirados, relataram o fato a seu senhor, que imediatamente mandou vários guerreiros com ordem de aprisionar São Brás e todos os cristãos que encontrassem. Mas naquela mesma noite Cristo apareceu ao santo três vezes, dizendo-lhe: “Levanta-te e ofereça-Me o sacrifício”. Quando os soldados chegaram e disseram: “Saia, o governador o chama”, São Brás respondeu: “Sejam bem-vindos, meus filhos, vejo que Deus não me esqueceu”. Durante o trajeto não cessou de pregar e, na presença deles, de realizar vários milagres.

Uma mulher levou até ele seu filho, que estava morrendo por causa de uma espinha entalada na gargante, e pediu-lhe em lágrimas a cura do menino. São Brás colocou as mãos sobre a cabeça dele e fez uma prece para que aquela criança, assim como todos os que pedissem o que quer que fosse em seu nome, tivesse saúde, e no mesmo instante o menino ficou curado.

Outra mulher, pobre, tinha apenas um porco, que foi roubado por um lobo, o que a levou a pedir a São Brás a restituição do animal. Sorrindo, o santo disse: “Mulher, não fique assim desconsolada, pois seu porco será devolvido”. Logo em seguida o lobo apareceu e devolveu o animal à viúva.

Chegando à cidade, Brás foi mandado para a prisão por ordem do príncipe. No dia seguinte, o governador mandou trazê-lo à sua presença. Ao vê-lo, cumprimentou-o, dirigindo-lhe palavras lisonjeiras: “Brás, amigo dos deuses, seja bem-vindo”. Brás respondeu: “Honra e alegria para você, ilustre governador, mas não chame de deuses os Demônios, porque eles serão entregues ao fogo eterno junto com aqueles que os honram”. Irritado, o governador mandou fustigá-lo e depois o enviou para a prisão. Brás disse: “Insensato, você espera com suplícios tirar do meu coração o amor ao meu Deus, que me fortalece?”.

Ora, a viúva à qual fora devolvido o porco ouviu isso, matou o animal e levou a São Brás uma vela, um pão, a cabeça e os pés do animal. Ele agradeceu, comeu e disse-lhe: “Todos os anos vá a uma igreja e ofereça uma vela em meu nome, e tudo correrá bem para você e aqueles que a imitarem”. Ela assim fez e conseguiu grande prosperidade. Depois disso o governador tirou Brás da prisão, mas como não conseguia fazê-lo honrar os deuses, mandou pendurá-lo numa árvore, rasgar sua carne com pentes de ferro e, em seguida, levá-lo de volta à prisão. Ao longo desse trajeto ele foi seguido por sete mulheres, que recolhiam gotas do seu sangue. Também elas foram presas e forçadas a sacrificar aos deuses. Então disseram: “Se vocês querem que adoremos seus deuses, mande levá-los com reverência ao lago, para que depois de lavados estejam mais limpos quando os adorarmos”. O governador ficou contente e mandou fazer o mais depressa possível o que elas pediam. Mas elas jogaram os deuses no meio do lago, dizendo: “Logo veremos se são deuses”. Ao ouvir isso, o governador ficou furioso e batendo no próprio peito disse a seus guardas: “Por que não seguraram nossos deuses para que não fossem jogados no fundo do lago?”. Eles: “Você foi enganado por estas mulheres que planejaram jogar as imagens no lago”. Elas explicaram: “O verdadeiro Deus não admite mentiras, e se aqueles realmente fossem deuses teriam previsto o que queríamos fazer com eles”.

Irado, o governador mandou preparar chumbo derretido, pentes de ferro e, de um lado, sete couraças incandescentes e, de outro, sete camisas de linho. Disse a elas que escolhessem o que preferiam. Uma delas, que tinha dois filhos pequenos, aproximou-se com audácia, pegou as camisas e jogou-as na fogueira. Os filhos disseram: “Mãe querida, não nos deixe viver sem você, e da mesma maneira que nos saciou com a doçura do seu leite, sacia-nos agora com a doçura do reino do Céu”. O governador mandou então pendurá-las e com os pentes de ferro rasgar sua carne em tiras. Carne que tinha a brancura ofuscante da neve, e em vez de sangue dela escorria leite.

Como os suplícios eram muito duros, um Anjo do Senhor foi até elas e animou-as dizendo: “Não temam, pois um operário que começa bem seu trabalho e completa sua obra, merece a bênção do amo e o salário, ficando feliz por ter cumprido seu dever”. O governador mandou então parar as torturas e jogá-las na fogueira, mas por intervenção divina o fogo apagou e elas nada sofreram. O governador ordenou-lhes: “Parem de empregar magia e adorem os deuses”. Elas replicaram: “Acabe o que começou, porque já somos chamadas ao reino celeste”. Ele sentenciou-as a ter a cabeça cortada. No momento em que iam ser decapitadas puseram-se de joelhos e adoraram a Deus, dizendo: “Ó Deus que nos tirou das trevas e nos trouxe a esta dulcíssima luz, que nos escolheu para sermos sacrificadas em sua honra, receba nossas almas e faça-nos alcançar a vida eterna”. Elas tiveram então as cabeças cortadas e passaram ao Senhor.

Depois disso o governador mandou trazer Brás à sua presença, dizendo: “Adore já nossos deuses, ou não os adorará jamais”. Brás respondeu: “Ímpio, não temo suas ameaças; faça o que quiser que entrego todo o meu corpo a você”. O governador mandou jogá-lo no lago, mas Brás fez o Sinal da Cruz sobre a água, que se solidificou imediatamente como se fosse terra seca, e disse: “Se os seus são deuses verdadeiros, mostre o poder deles e entre aqui”. Os 65 homens que se adiantaram foram imediatamente tragados pelo lago. Um Anjo do Senhor desceu e disse: “Saia, Brás, e receba a coroa que Deus preparou para você”. Quando ele saiu o governador perguntou: “Então você está determinado a não adorar os deuses?”. Brás: “Fique sabendo, miserável, que sou escravo de Cristo e não adoro os Demônios”.

No mesmo instante foi dada a ordem de decapitação. Brás pediu então ao Senhor que se alguém invocasse seu patrocínio contra dor de garganta ou qualquer outra enfermidade, fosse atendido. E uma voz do Céu respondeu-lhe, dizendo que assim seria. A seguir ele e os dois meninos foram decapitados por volta do ano do Senhor de 283.


Fonte: Beato Jacopo de Varazze, O.P., Arcebispo de Gênova, Legenda sanctorum, vulgo historia lombardica dicta” - Legenda Áurea: Vidas de Santos, Cap. 38 – São Brás, pp. 253-255. Tradução do latim, apresentação, notas e seleção iconográfica por Hilário Franco Júnior, Companhia das Letras, Editora Schwarcz Ltda., São Paulo/SP, 2003.

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