Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Meditação Para o Mês de Junho


Coração de Jesus
Afligido por Causa dos
Pecado do Mundo

Parece que o Coração de Jesus nos convida ao pio exercício da Hora Santa, por estas palavras do Profeta Jeremias: Ó vós todos que passais pelo caminho, olhai-me e vede se há dor igual à minha dor.1 Para conceber toda a extensão e intensidade dessa aflição, é necessário que meditemos: de um lado, o amor que nos tinha o Coração de Jesus desejoso de nos salvar a todo preço, de outro, o horror que Ele tinha do pecado, causa de nossa perdição. Seria muito, alma fiel, consagrar cada mês uma hora a esta meditação tão salutar?

Jesus trazia todos os homens no seu Coração, por que Ele amava todos. Mas sendo eles todos pecadores, que eram para o Coração amante de Jesus, senão cruéis espinhos que O dilaceravam, segundo o pensamento de Santo Agostinho? É portanto, verdade que nós temos sido os algozes desse Coração amabilíssimo, e algozes mais cruéis do que aqueles que rasgaram o Corpo do Salvador.

Com efeito, procurai no Jardim das Oliveiras, e não achareis nem algozes para O flagelar, nem espinhos, nem cravos, e entretanto o Sangue Divino corre. Ele teve, diz São Lucas, um suor de sangue que corria na terra em forma de gotas de chuva.2 Qual pode ser a causa deste suor? É a previsão de seu suplício que O lança nestas agonias? Não, porque ele se ofereceu espontaneamente a padecê-lo.3 Ah! Não busquemos aqui outra causa que os nossos pecados. Da mesma sorte que o lagar faz correr o vinho da uva, assim nossos pecados fizeram correr o Sangue das veias sagradas de Jesus Cristo. Quantas vezes não temos contribuído para esta aflição aumentando o peso de nossas faltas? Ah! Pesemos aqui a malícia do pecado, a fim de maldizer para sempre o que tanto afligiu o Coração deste bom Senhor.

O pecador aflige o Coração de Jesus, porque desonra a Deus,4 cuja glória o Salvador veio restabelecer. Não renuncia, com efeito, à graça santificante e à amizade divina por uma indigna satisfação? Se o homem consentisse em perder a amizade divina para ganhar um reino, e até o mundo inteiro, certamente faria imenso mal, porque a amizade de Deus vale mais que o mundo e mil mundos. Mas porque o pecador ofende a Deus? Por um pouco de terra, por um movimento de cólera, por um prazer brutal, por um fumo, por um capricho. Quando o pecador se põe a deliberar se consentirá ou não no pecado, toma, digamos assim, a balança na mão, para ver o que pesa mais, o que é preferível, a graça de Deus, ou essa paixão, esse fumo, esse prazer; quando em seguida dá seu consentimento, declara, quanto o pode fazer, que essa paixão, esse prazer, valem mais que a amizade de Deus! Não é isto desonrar a Deus? O pecador aflige também o Coração de Jesus, porque entrega-se ao poder do Demônio, cujo império o Salvador veio destruir. Quando a alma consente no pecado, diz a Deus: Senhor, retirai-Vos de mim.5 Ela não o diz com a boca, mas de fato, porque sabe que Deus não pode ficar com o pecado: pecando, ela O obriga então a separar-se. E expulsando a Deus de seu coração, faz entrar nele imediatamente o Demônio para tomar-lhe posse. Pela mesma porta pela qual sai Deus, entra o Inimigo, que vem estabelecer-se como senhor em lugar de Deus. Quando se batiza um menino, o Coração de Jesus se regozija, porque o Padre intima ao Demônio a ordem de sair dessa alma e dar o lugar ao Espírito Santo. Mas quando o homem consente no pecado, o Coração divino se aflige, porque o pecador diz a seu Deus que saia de sua alma e ceda o lugar ao Demônio. Não é isto restabelecer o império de Satanás, destruído pela Redenção?

Enfim, o que aflige o Coração de Jesus, é que o pecador O obriga a pronunciar sobre sua cabeça a fatal sentença de condenação: Retira-te de Mim, maldito, vai para o fogo eterno.6 Desgraçado daquele que rejeita as graças que Jesus Cristo lhe granjeou por tantos trabalhos e dores! Ah! Seu maior tormento no Inferno, será pensar que Deus, para atraí-lo a Seu amor, deu Sua vida sobre uma Cruz, e que ele, de seu motu proprio, quis se perder, e de modo irreparável para sempre!… durante toda a eternidade!… Ó eternidade!…

Prática

Oferecerei muitas vezes ao eterno Pai as aflições do Coração de Jesus, em reparação de meus pecados e de todo o mundo.

Afetos e Súplicas

Assim, meu Jesus, não foi a vista dos açoites, dos espinhos e da Cruz, que Vos causaram tanta aflição no Jardim de Gethsemani, foi a vista de meus pecados, cada um dos quais acabrunhou Vosso Coração com tanta dor e tristeza, que Vos fez suar Sangue e Vos reduziu à agonia. Eis aqui como respondi ao amor que me testemunhastes morrendo por mim. Ah1 Dai-me parte da dor que sentistes por causa de meus pecados no Jardim das Oliveiras, a fim de que esta dor me conserve em aflição durante todo o resto de minha vida. Ó meu terno Redentor, pudesse eu agora Vos consolar, por meu arrependimento e amor, tanto quanto Vos tenho afligido! Do fundo de minha alma me arrependo, ó amor meu, de ter preferido satisfações miseráveis do que a Vós: disto me arrependo, ó meu Jesus, e amo-Vos sobre todas as coisas. Apesar de meus pecados, sei que me pedis meu amor: Amareis, dizeis, o Senhor Vosso Deus de todo vosso coração e de toda vossa alma.7 Sim, meu Deus, eu Vos amo de todo o meu coração, eu Vos amo de toda a minha alma: dai-me Vós mesmo todo o amor que de mim quereis. Se outrora procurei a mim mesmo, quero agora procurar somente a Vós: conhecendo que me tendes amado mais do que os outros, quero também Vos amar mais que os outros. Atraí-me sempre, meu Jesus, atraí-me cada vez mais a Vosso amor pelo odor de Vossos perfumes, isto é, pelos doces atrativos de Vossa graça. Dai-me, numa palavra, a força de corresponder à ternura de um Deus para com um verme da terra ingrato e infiel. Ó Maria, Mãe de misericórdia, assisti-me com Vossas orações.

Oração Jaculatória

Eterno Pai, perdoai-me pelos merecimentos do Coração de Jesus.

Desposório Místico de Santa Rosa de Lima

Exemplo

Santa Rosa de Lima teve o feliz destino de tornar-se esposa do Coração de Jesus. Um dia em que ela estava cercada de algumas de suas companheiras, veio uma borboleta, que, voando algum tempo à sua esquerda, pousou sobre seu coração. Depois de ter estado aí alguns instantes numa atividade contínua, voou, deixando na roupa da virgem donzela um coração perfeitamente desenhado. Todas as pessoas presentes notaram com surpresa esta pintura misteriosa, mas sem compreenderem sua significação. Rosa também não compreendeu. Somente ouviu uma voz que lhe dizia: Rosa, dá-Me teu coração. Um dia Jesus Cristo lhe apareceu com Sua divina Mãe, e disse-lhe esta palavra, a mais suave e amável que um Deus pode dirigir à Sua criatura: Rosa de Meu Coração, sede para sempre Minha esposa fiel. Para não perder a lembrança de tão grande benefício, ela formou o desígnio de mandar fazer para si um anel nupcial. Rosa comunicou este projeto a seu irmão, sem lhe falar do que sucedera. Este bom irmão, desejando ver logo cumprida a vontade de Rosa, tirou medida no dedo dela e desenhou o anel num papel, ornando-o com um pequeno medalhão representando Jesus Cristo. Restava só tratar-se da divisa que devia cercá-lo. Rosa, com o olhar, consultava a seu irmão; este não fez esperar sua decisão: tomou a pena e escreveu estas palavras: Rosa de Meu Coração, sede Minha esposa. Grande foi o espanto desta santa donzela, vendo seu irmão reproduzir, sem o saber, as mesmas palavras que Jesus Cristo lhe dirigira na maravilhosa aparição com que a honrara. Ela foi esposa fiel, porque, não obstante ficar no mundo, amou a Jesus Menino, a Jesus nos tormentos, e a Jesus na Eucaristia, de um modo superior ao que nos é possível imaginar. Na idade de quatorze anos já ela comungava três vezes por semana. Rosa preparava-se para o Divino banquete, como se cada vez fosse a última de sua vida. “Não há neste mundo, dizia ela, prazer, nem gozo que possa dar uma ideia da alegria que sinto no delicioso festim, em que minha alma faminta come a Carne de meu Deus”. Por um efeito de sua devoção para com o Santíssimo Sacramento, ela assistia cada dia a todas as Missas que se diziam na igreja dos Dominicanos. Nos dias em que havia exposição do Santíssimo, ficava em adoração desde a manhã até a tarde. Quando se nomeava a Santíssimo Sacramento na conversação, ela inclinava a cabeça; um de seus mais deliciosos prazeres era ouvir exaltado pelos pregadores este inefável Mistério. Não contente de ornar os tabernáculos com flores naturais que ela cultivava no seu jardim, fazia artificiais de beleza surpreendente. Uma parte de suas noites era consagrada a esta ocupação, reservando o dia para trabalhar para sua família, que não tinha grande fortuna. A feliz esposa do Coração de Jesus deixou a terra para receber a coroa das Virgens, em 1617.


Fonte: O Sagrado Coração de Jesus, segundo Santo Afonso de Ligório, ou, Meditações para o Mês do Sagrado Coração, a Hora Santa e a Primeira Sexta-feira do Mês; coligidas das Obras do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, C.Ss.R., “Hora Santa” de Junho, pp. 238-243. 5ª Edição Portuguesa, Tipografia de Frederico Pustet, Impressores da Santa Sé. Ratisbona/Alemanha, 1926.

___________________
1Lam. 1, 12.
2Luc. 22, 44.
3Is. 58, 7.
4Rom. 2, 23.
5Jó 21, 14.
6Mat. 25, 41.
7Mat. 22, 37.

domingo, 31 de maio de 2020

Ao Deus Desconhecido e Misterioso


Como são felizes aquelas duas pessoas!” Comentavam, não sem inveja, os habitantes de uma pequena cidade, onde vivia um par de irmãos.

Ele era o chefe de uma grande filial, e quase não dispunha de tempo suficiente para as refeições. Chegasse, porém, à tarde, cansado e exausto de fadiga, encontrava a casinha feito um brinco. A irmã organizava tudo, com tanto asseio e carinho, que ele se sentia tão bem, a ponto de esquecer os aborrecimentos dos negócios. Nenhum sinal de poeira se encontrava sobre os móveis; ao contrário, ela guarnecia com um ramalhete, e no extremo inverno, ao menos com uma florzinha o aposento do irmão. Uma roupa agradável estava sempre reservada para o repouso dele. Enfim, tudo o que se possa imaginar em comodidade estava preparado.

Quando se aproximava a hora da chegada, corria ela pressurosa da cozinha para a janela, a fim de recebê-lo com o sorriso nos lábios e uma palavra de saudação. O irmão de tal forma já se tinha acostumado a tudo isso, que o recebia com uma indiferença sem par. Nem sequer refletia que toda aquela atividade e gentileza da irmã eram dirigidas, unicamente, a ele. Ignorava que a mana, que o fazia viver como nobre, era miseravelmente pobre. Disposta a fazer qualquer sacrifício pelo irmão, nada mais recebia dele do que a moeda fria para as despesas da casa, e um ou outro presente, por ocasião do aniversário dela ou do Natal. Seu coração só pulsava para os negócios; que restava lá para uma irmã?

Não notava que ela se tornava sempre mais pálida, não sentia como depois de certo tempo, ela devia empregar todas as forças, para comparecer sempre alegre como antes; não reparava como cambaleava pelo quarto, amparando-se aqui e acolá.

E, quando um dia, não pode mais abandonar o leito, ele não deixou de externar um mal humor. O médico, que atestou ser bem sério o estado da doente, ele o reputou, interiormente, por um idiota.

Entretanto, quando depois de alguns dias, viu o cadáver pálido da irmã baixar ao ataúde, ficou abatido e prosternado como um ébrio.

Os dias seguintes mostraram-lhe, bem ao claro, que espírito bom tinha deixado a casa. Só agora ele reconhecia o amor grande e infatigável de sua irmã, amor que antes deixara despercebido e considerara-o tão natural. Ah! Se ela lhe aparecesse uma única vez, para de joelhos, dar-lhe os agradecimentos!

O que acabo de narrar, meu amigo, não é uma novidade. Tu mesmo já viveste este episódio. Ele se repete em todos os lugares, em todas as cidades, em quase todas as famílias. Não é lamentável? Mas, muito mais triste é o fato de não sentirmos aquele amor inflamado que desde o nascimento nos embala, nos protege, e nos acompanha, passo por passo, nesta vida; aquele amor, tão grande como Deus mesmo: refiro-me ao Amor personificado em Deus, – o Espírito Santo. É verdade que ainda pensamos Nele uma vez, na Festa de Pentecostes; talvez um lampejo de sua veneração nos inflamou, momentaneamente, ao recebermos o santo Crisma. Depois disso, tudo caiu no esquecimento. Até mesmo as orações que Lhe dirigimos não nos aquecem mais, nem sequer evocam à consciência a lembrança daquele infinito Amor.

Como aquele irmão “solícito”, que habitualmente presenteava a irmã em determinadas ocasiões, assim também nós, com os corações frios, de quando em vez jogamos uma palavra ao Divino Espírito Santo. Entretanto, Ele nos ama muito mais do que uma mãe nos pode amar. Pois, já nos amava desde toda a eternidade. Foi Ele que formou o nosso ser e nos insuflou o sopro da vida; é Ele a quem todos nós agradecemos os dotes do corpo e as faculdades do espírito. Foi Ele que nos transformou em Templos de Deus, e guarneceu esses Templos com admiráveis prerrogativas. Será possível que só nos lembremos disto tudo, quando Ele se separar de nós, e separar-se para sempre?

Não, seria a perdição eterna!

Por isso, esforcemo-nos por conhecer esse Divino Espírito, esse Espírito misterioso, infinito, eterno, esse Paráclito, que nos foi enviado por Jesus, a ser-nos Guia na encruzilhada desta vida.

A esse fim nos devem conduzir as leituras seguintes.

Quando o grande Apóstolo das Gentes na sua terceira viagem chegou à Éfeso, procurou alguns habitantes, entre os quais supunha, com grande perspectiva, encontrar compreensão para o seu Evangelho.

Encontrou, então, doze homens, mais ou menos, que, mui possivelmente, em uma viagem a Jerusalém, tinham conhecido São João Batista, ouvido suas pregações sobre o Messias vindouro, e recebido o batismo de suas mãos. Achou portanto, entre eles, um terreno favorável. Interrogou-os, então: “Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?”1 Eles responderam admirados: “Nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo”.2 Não tinham, pois, percebido a advertência de São João Batista, de que o futuro Messias havia de batizar em fogo e no Espírito Santo.3

A mesma coisa sucede, hoje, entre os católicos; a doutrina do Espírito Santo e a sua voz nos corações de muitos são ouvidas sem atenção.

Mas a principal solicitude de São Paulo foi, como atesta a sua pergunta aos discípulos do Batista, ministrar-lhes o conhecimento da Terceira Pessoa em Deus, toda sua força e superabundância.

E nomeadamente foi Saõ Paulo o instrumento predileto do Espírito Santo, que não se cansava de indigitar, sempre de novo, o Divino Paráclito, correspondendo ao exemplo do Divino Mestre, que timbrava em inclinar a atenção dos discípulos para o Espírito divino: O Espírito Santo será sempre o Vosso Guia. Quando titubeardes na Missão Divina de pregar, Ele inspirar-vos-á a palavra inflamada e verdadeira.

Será o Paráclito Divino que lhes esclarecerá, plenamente, os ensinamentos de Nosso Senhor, e preserva-los-á do erro. Até mesmo perante reis e príncipes não precisarão temer os pecadores iletrados; pois a autoridade soberana, a Terceira Pessoa do Deus Trino falará por eles.

Não sois vós que falais, mas o Espírito de Vosso Pai é que fala em vós”.4 Quando, em face das dificuldades apostólicas, o temor se acercar deles, ser-lhes-á a força invencível. Em seu nome devem batizar os convertidos, do mesmo modo que em nome do Pai e do Filho.

Tão grande é o Espírito da verdade, que pecados contra Ele não podem ser perdoados. “Quem proferir palavra contra o Filho do Homem será perdoado; mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado nem neste mundo, nem no futuro”.5 O Divino Salvador chega ao ponto de reputar por um bem a Sua separação dos Apóstolos, porque, por este meio se lhes possibilitará a chegada do Divino Consolador: “É-vos conveniente que Eu vá; porque, se Eu não for, não virá a vós o Consolador; mas, se Eu for, vo-lo enviarei”.6

Quão grande é a consideração em que o Divino Mestre tem o Espírito Santo, expressando estas e muitas palavras; e como soube com isto, acender nos corações dos Apóstolos uma grande ânsia pelo sublime Hóspede! Toda a confiança do Homem-Deus sobre a atividade dos Apóstolos e da Igreja repousa no Espírito Santo. E, realmente, foi em virtude do Espírito Santo que os discípulos renovaram a face da terra. Não é de admirar que São Paulo não se canse de mencioná-Lo em suas pregações e Epístolas.

Ao mesmo escopo devem servir as leituras que seguem. Enquanto os filhos do século são dominados pelo espírito do mundo, queiramos conhecer mais de perto a Terceira Pessoa misteriosa em Deus, e aprender a amá-La. Ela não nos deve mais parecer como uma coisa secundária. A palavra “Espírito Santo” deve encontrar um eco profundo em nossa alma. A oração dirigida a Ele deve tornar-se uma exigência do nosso coração. Sim, queiramos esforçar-nos por fazê-Lo no Amigo inseparável e Companheiro na travessia desta vida.

Quando São Paulo chegou à Atenas, a cidade dos filósofos antigos, encontrou altares, erigidos em honra das diversas divindades. Em um deles deparou com a curiosa inscrição: “Ao Deus desconhecido”. Os atenienses pagãos receavam ter esquecido alguma deidade, e com isso queria aplacar a sua cólera.

Para muitos católicos o Espírito Santo é também um “Deus desconhecido”. Ergamos-Lhe, pois, um Altar em nosso coração. Sim, temos obrigação de fazê-lo, pois somos “Templos do Espírito Santo”.7 É possível que queiramos deixar este Templo completamente vazio? Não, temos de edificar-Lhe um altar, conhecendo-O mais de perto, e tributando-Lhe assim, um culto de maior veneração e amor. Não queiramos unicamente ser portadores do nome de um templo, mas sê-lo na realidade. Rezemos, pois, diariamente ao Espírito Consolador, e pronunciemos o seu nome com muita devoção, para que possamos compreender as leituras seguintes, para que Ele nos ilumine e nos torne partícipes da Sua doutrina.



Ó Deus, que ilustrastes os corações dos Vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, concedei-nos que, no mesmo Espírito compreendamos o que é justo, e nos alegremos sempre com a Sua consolação”. Nós vo-Lo pedimos por Cristo, Nosso Senhor. Amém.



Fonte: Rev. Pe. Agostinho Kinscher, “Dem Unbekannten Gott – Ao Deus Desconhecido”, Cap. I, pp. 7-12. Editora Mensageiro da Fé Ltda. Salvador/BA, 1943.


_____________________
1At. 19, 2.
2At. 19, 2.
3Mat. 3, 11.
4Mat. 10, 20.
5Mat. 12, 32.
6Jo. 16, 7.
7I Cor. 6, 19-20.

sábado, 30 de maio de 2020

Como nos Devemos Aproveitar das Doenças, para o nosso Adiantamento Espiritual.


Quando tudo nos sorri no mundo, ligamo-nos a ele com facilidade, o enleio é muito poderoso e o encanto muito forte. Se Deus nos ama, crede que não consentirá que durmamos a nosso gosto neste lugar de exílio. Perturba-nos os nossos divertimentos vãos; interrompe o curso das nossas felicidades imaginárias, com receio de que nos deixemos arrastar pelos rios da Babilônia, isto é, pela torrente dos prazeres que passam. Crede com certeza, ó filhos da Nova Aliança, que quando Deus vos envia aflições, é para quebrar os laços que vos uniram ao mundo e para conduzir-vos à vossa pátria”.1

1. Mas, dir-me-eis vós, não posso meditar nos trabalhos que Nosso Senhor sofreu por nós, quando as dores me atormentam. Pois bem; não é preciso que o façais; mas que eleveis o mais que puderdes o vosso coração a este Salvador e que façais os seguintes atos:

1.º Aceitar essa dor, da Sua mão, como se O vísseis impô-la e insinuá-la em vós;

2.º Oferecendo-vos para ainda sofrer mais;

3.º Pedindo-Lhe, pelo mérito dos Seus tormentos, que aceite esses pequenos incômodos em união com as penas que sofreu na Cruz;

4.º Protestando que querereis não só sofrer, mas amar e estimar os vossos males como enviados por uma tão doce mão;

5.º Invocando os Mártires e tantos Servos e Servas de Deus, que gozam no Céu, por terem sido afligidos neste mundo.

Há muitas pessoas que estando doentes ou aflitas, seja pelo que for, não se queixam, nem se fazem delicadas, porque pensam com razão que isso seria uma fraqueza e covardia! Mas ao mesmo tempo desejam ardentemente que todos as lamentem e tenham delas grande dó e as consideram não só como aflitas, mas como pacientes e corajosas.

Ora, eu confesso-o; isto é paciência: mas uma paciência falsa, que afinal de contas, não passa de uma ambição fina e delicada e de uma vaidade sutil. Elas têm glória, diz o Apóstolo, mas não aos olhos de Deus. O verdadeiro paciente não se lamenta dos seus males, nem deseja que os outros os lamentem; fala com simplicidade, verdadeira e simplesmente, sem se lamentar, sem se irritar, sem se fingir mais doente do que está. Se o lamentam, sofre com paciência que o lamentem, a menos que o não lamentem de algum mal que não tem, porque então declara modestamente que não tem essa modéstia, e fica assim calmo, entre a verdade e a paciência narrando a sua enfermidade sem se queixar.

São Damião de Veuster (Molokai)

2. Nenhum perigo há em desejarmos o remédio; pelo contrário, convém procurá-lo com cuidado; porque Deus, que nos deu o mal, é também o Autor dos remédios.

É permitido dizer com S. Paulo: ‘Desejo estar separado, isto é, morrer, e estar com Jesus Cristo’. Mas não convém procurar a doença nem rejeitar os remédios”.2

Convém pois aplicá-los contudo com tal resignação que, se a Divina Majestade quer que a doença vença os remédios, acedei a isso; se quer que o remédio produza efeito, bendizei-O também.

Quanto aos motivos para conservardes a saúde, além do da obediência para que nos livre de todo o cuidado, deveis considerar o vosso corpo como templo do Espírito Santo, que vos é dado a guardar, e que não sendo vosso, tendes de dar conta dele ao seu Senhor. Fareis o mesmo que se tivésseis a responder por uma capela que caísse em ruínas e tivésseis obrigação de reparar. Além disso, o vosso corpo é membro de Jesus Cristo; cuidai pois dele como se Nosso Senhor se lamentasse do mau trato que de vós recebesse. Tratai-o ainda como de uma terceira pessoa, para quem usásseis de caridade. E lembrai-vos que como filho de Deus Pai sois da sua família, e Ele quer que Ela se conserve e mantenha. A nossa vida pertence-lhe; adquiriu-a pelo Sangue do seu Filho: tem direitos sobre ela e quer que a conservemos para dela usarmos em seu serviço”.3

Quanto sereis felizes se continuardes a estar debaixo do jugo de Deus, humilde, doce e simplesmente! Ah! Eu espero que as vossas dores aproveitem muito ao vosso coração.

É agora que mais do que nunca podereis dizer ao vosso doce Salvador com todo o afeto e devoção: “Viva Jesus! Viva Jesus! E reine sempre entre as nossas dores, visto que nós não podemos reinar nem viver pela Sua morte”.

Esperai pois Nele; e para esperardes Nele, pertencei-Lhe sempre. Imolai muitas vezes o vosso coração ao Seu amor no altar da Cruz, no qual imolou o Seu por amor de vós. A cruz é a porta real para entrar no templo da santidade. Procurando-se por outra porta, não se encontrará.

Se a inveja pudesse reinar no reino do eterno amor, os Anjos invejariam aos homens duas excelências que consistem em dois sofrimentos; uma, é que Nosso Senhor sofreu na Cruz por nós e não por eles, pelo menos tão inteiramente; a outra, é que os homens sofrem por Nosso Senhor; o sofrimento de Deus pelo homem e o sofrimento do homem por Deus.

A perfeição não consiste na consolação, mas na submissão de nossa vontade a Deus, sobretudo nas amarguras. Enfim, lembremo-nos de que a obediência de Jesus Cristo se tornou perfeita quando a sua língua e boca se abrasaram com o fel e vinagre, que lhe aumentou a sede cruel que O devorava e então lembrar-nos-emos de que devemos estimar mais a aridez e desolação de uma alma submissa do que a amorosa languidez e o encanto delicioso da devoção.

E, recordando-me desta cruz exterior que trazeis sobre o coração dir-vos-ei: “Amai a vossa cruz, porque é de ouro se a considerardes com olhos de amor; e embora vejais de uma parte o amor do vosso coração morto e crucificado entre cravos e espinhos, achareis de outra uma multidão de pedras preciosas para compor a coroa da glória que vos espera, se durante a vida levarmos amorosamente a de espinhos com o vosso Rei, que tanto quis sofrer para entrar na Sua felicidade”.

S. João Damasceno ensina que, o Filho de Deus pela sua Encarnação deixou todos os bens da vida e todos os males pela Sua Paixão; e que em certo modo os uniu hipostaticamente à Sua Divindade; de sorte que, assim como, nós veneramos tudo o que tocou no Corpo de Jesus Cristo, devemos venerar todos os males, seja de que natureza forem, por entrarem todos em Seu Coração e nenhum deixar de tocar o Seu Sagrado Corpo, ou deixar de ser abraçado pelos desejos de Sua Santa Alma. É pensando nisto, que Santo Anselmo dizia que “adorava todos os males desta vida como Sacramentos”. Os Sacramentos produzem a graça nos que os recebem e a cruz santifica todos os que a tocam: e como o Filho de Deus está sempre presente na Eucaristia, também podemos dizer que está presente em nossas aflições. Daqui nasceram as palavras cheias de fé e amor de um religioso prostrado aos pés de um enfermo: “Adoro a Jesus Cristo neste corpo enfermo; a minha fé mostra-o de uma maneira menos real, mas mais sensível do que na hóstia consagrada. Vejo-o aí presente, mas com uma presença de ação; não só de um médico com o doente, de um pai com um filho, de um amigo com seu amigo; mas como a alma com o corpo que anima, com a cabeça e com os seus membros”.

Santa Ludovina de Schiedam

3. O nosso querido Jesus crucificado seja sempre um ramalhete para o vosso peito, porque os seus cravos são mais desejáveis do que as flores, e os espinhos do que as rosas, Deus meu! Desejo que sejais santa e embalsamada com os aromas deste Salvador.

O Pater que vós preferis pelas vossas dores não é proibido; mas, oh! Meus Deus! Não me atreverei a pedir a Nosso Senhor pelas dores que sofreu em Sua sacrossanta Cabeça que me passem as minhas. Ah! Ele sofreu para que nós não sofrêssemos! Santa Catarina de Sena, vendo que o seu Salvador lhe apresentava duas coroas, uma de ouro, e outra de espinhos: “Oh!, disse ela, quero a coroa de dor para este mundo e a de ouro para o Céu”. Quereria empregar a coroação de Nosso Senhor para obter uma coroa de paciência em volta da minha cabeça.

Vivei entre os espinhos da coroa do Salvador e dizei sempre: “Viva Jesus!” Esta carne é admirável em não querer nada de picante, mas a repugnância que sentis não prova falta de amor, porque como julgo, se crêssemos que dilacerando-nos Ele nos amaria mais, dilacerar-nos-íamos, não sem repugnância, mas apesar de repugnância.

Não digais que quereis recobrar a saúde para amar e servir a Deus melhor, porque é pelo contrário, para servir o vosso gosto, que estimais mais do que o gosto de Deus.

A vontade de Deus está quase sempre melhor na doença do que na saúde. Se amamos mais a saúde, não digamos que é para amarmos e servirmos a Deus melhor: porque quem não vê que é a saúde que nós buscamos na vontade de Deus, e não na vontade de Deus a saúde?

Pobres e miseráveis criaturas, nenhum bem podemos fazer neste mundo senão sofrer alguma adversidade. Raras vezes servimos a Deus por uma parte, que não O desgostemos por outra. Se por uma ação procuramos unirmos a Ele, muitas vezes dEle nos separamos pelas más circunstâncias de que essa ação está revestida. É por isso, que convém deixá-lO nas Suas doçuras, e serví-lO humildemente nas Suas dores.

Tereza Neuman

4. Convém obrar com Nosso Senhor, servindo-O humildemente, quando temos saúde, e sofremos com Nosso Senhor, suportando com paciência as dores e as aflições quando Ele no-las envia.

Isto posto Teótimo, julgai se deveis chorar o tempo em que estivestes ralado pelo sofrimento, pois que em um só destes momentos podeis adquirir uma coroa de glória imortal. Quantas coroas em uma hora! Quantas em um dia! Quantas em um mês! Quantas em um ano! Estimaria mais um só destes dias, dizia um religioso, do que todos os trabalhos dos conquistadores”. Quando se pensa na grande eternidade, na qual nada sofreremos, onde nada poderemos dar a Deus, e onde Deus nos encherá de dons, todas as misérias desta vida parecerão muito amáveis e não há um momento que não seja momento de humilhação e cruz. Como é pois precioso o tempo desta vida e como é santa a obra, que se une à pena e amargura!

O verdadeiro tempo de expiar os nossos pecados e de experimentar a graça do perdão, é o da doença, enquanto este espinho nos atormenta e trespassa, quando a mão de Deus pesa sobre nós e que Ele próprio nos impõe a penitência segundo a Sua infinita misericórdia.

Santa Catarina de Sena

5. O coração que se une ao coração de Deus, não pode deixar de amar e aceitar suavemente os golpes que a mão de Deus descarrega sobre ele. Santa Blandina não encontrava alívio melhor para as feridas do seu Martírio do que a cogitação suave que exprimia, suspirando estas três palavras: “Eu sou cristã”. Bem-aventurado o coração que sabe empregar bem este suspiro!

O único remédio para a maior parte das nossas doenças espirituais e corporais, é a paciência e conformidade com a vontade de Deus, resignando-nos ao Seu gosto, sem exceção nem reserva, na saúde, na doença, no desprezo, na honra, na consolação, na desolação, no tempo e na eternidade, aceitando de bom grado de Sua amabilíssima mão, todos os trabalhos do corpo e do espírito, como se a víssemos presente, oferecendo-nos para ainda sofrermos mais se lhe agradar. Não podemos dizer quanto uma tal resignação e aceitação da vontade de Deus torna os nossos sofrimentos puros e meritórios, quando recebemos com doçura, paciência e amor o mel que nos faz sofrer, considerando que Deus o quis desde toda a eternidade para Lhe comprazermos e obedecer à Sua Providência. Logo que apareça o agrado de Deus, devemos logo sujeitar-nos a ele.

Sabeis que o fogo que Moisés viu sobre a montanha representava este Santo amor, e que, como as suas chamas se alimentavam entre espinhos, assim o exercício do amor sagrado, alimenta-se muito melhor entre as tribulações, do que entre as alegrias.

Que tem a esperar um soldado a quem o seu capitão não quer experimentar, mas, pelo contrário, quando o exercita nas empresas laboriosas, dá-lhe assunto para esperar. Oh! Piedade delicada que nunca experimentou aflições, piedade nutrida à sombra e no repouso! Ouço-te discorrer a respeito da eternidade, pretendes a coroa da mortalidade, mas não deves inverter a ordem do Apóstolo: “A paciência produz a prova, e a prova produz a esperança”. Se pois esperas a glória de Deus, submete-se às provas que Deus propôs aos servos. Eis uma tempestade que se levanta, eis uma perda de bens, um insulto, uma contrariedade, uma doença; que, pois, tu murmuras, pobre piedade desconcertada! Não te podes sustentar, piedade sem fundamento? Tu nunca merecestes o nome de piedade cristã; eras só um simulacro vão; eras um ouropel que brilha ao sol, mas que não resiste ao fogo e que se desvanece no cadinho; és própria para enganar os homens por uma aparência vã; mas não és digna de Deus, nem da pureza do século futuro.4

Tendes pois ocasião de conhecer que Nosso Senhor deseja que aproveiteis em Seu amor, por vos dar uma saúde vacilante e muitos outros exercícios. Oh! Meu Deus! Como é doce ver a Nosso Senhor coroado de espinhos na Cruz, e de glória no Céu! Porque isto anima-nos a recebermos amorosamente as contradições, sabendo que pela coroa de espinhos chegaremos à coroa de felicidade. Uní-vos sempre estreitamente a Nosso Senhor, e todos os males se reverterão em bens.

Santa Maria Madalena de Pazzi

6. Contemplai muitas vezes com os olhos interiores da alma a Jesus Cristo crucificado, blasfemado, caluniado, abandonado, cheio de tristeza, esfalfado de trabalhos; e lembrai-vos de que todos os vossos sofrimentos nada são comparados aos Seus, nem em qualidade, nem em quantidade, e que nunca sofrereis nada por Ele em comparação com o que por vós sofreu.

Considerai as penas que os Mártires outrora sofreram e as que tantas pessoas ainda hoje sofrem, maiores sem comparação do que as que vos afligem, e dizei: “Ah! Os meus trabalhos são consoladores, e as minhas penas rosas, se me comparo com os que sem socorro, assistência, nem alívio algum, vivem em uma morte contínua, ralados de aflições mil vezes maiores do que as minhas!”

Não pensamos na morte quando temos saúde, e vós estais obrigado a não pensar na vida. Evita-se a Cruz de Jesus Cristo, e é Ele mesmo que ali Vos coloca; não queremos sofrer; queremos ser justos sem paciência e nem virtude, e Nosso Senhor, que Vos ama mais do que vós mesmos, se ocupa até o fim em purificar-vos, ao passo que abandona os outros.

Oh! Como sois felizes em terdes que sofrer alguma coisa por Nosso Senhor, que tendo fundado a Igreja militante e triunfante na Cruz, favorece sempre os que a levam! Visto não terdes que ficar neste mundo; bom é que o tempo que nele estiverdes consagreis ao sofrimento.

Se eu tivesse alguma coisa a desejar, seria que a minha morte fosse precedida de uma doença prolongada; porque por este meio esfriaria o afeto dos meus amigos e não teriam tanto cuidado em me visitarem. O cuidado dos meus criados cansar-se-ia també a pouco, e receberiam alívio com a minha morte.



Fonte: “Pensamentos Consoladores de São Francisco de Sales”, extraídos dos seus escritos e coordenados segundo notas dos Mestres da Vida Espirituais, pelo Pe. P. Huguet, S. M., Liv. III, Cap. II, pp. 230-239. Versão Portuguesa, Livraria Salesiana Editora, São Paulo/SP, 1946.

_________________________
1Jacques-Bénigne Bossuet, Bispo de Meaux, na França.
2Jacques-Bénigne Bossuet, Bispo de Meaux, na França.
3J. J. Olier.
4Jacques-Bénigne Bossuet, Bispo de Meaux, na França.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Súplica a Santa Rita de Cássia


Para ser recitada no dia 22 de Maio –
Dia da sua Festa, ao meio-dia.


Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ó excelsa Taumaturga do mundo católico, ó gloriosa Santa Rita, como vos sobe fervente do nosso coração a prece neste dia consagrado pela Igreja à vossa festa.

Nesta hora solene na qual, milhares de corações se dirigem a vós cheios de fé e santa esperança de experimentarem sempre vossa celeste proteção, eu também uno minha prece ao Sacratíssimo Coração de Jesus, à sua Mãe, Maria Imaculada, para obter as graças de que tanto preciso.

Ó grande Santa da Igreja de Deus, não será possível que minha confiança em vosso patrocínio seja frustrada! Não sois vós aquela que o povo denomina a Santa dos impossíveis, a advogada dos casos desesperados? Eu justamente me acho em tão tristes condições por causa dos meus pecados! Não afasteis de mim o vosso olhar; não me fecheis o coração, eu estou certo de que experimentarei a vossa poderosa intercessão. Reconheço-me indigno por causa de meus gravíssimos pecados; pois bem, mostrai a vossa caridade, o vosso grande amor, obtendo-me a salvação para a minha alma.

Esta é a graça que principalmente peço a Deus, por vós, por este dia sagrado de vossa entrada no Paraíso, e com esta, as outras necessárias ao meu estado.

Ó boa Santa Rita, recebei os meus votos, ouvi os meus gemidos, enxugai as minhas lágrimas e eu também proclamarei ao mundo: quem desejar graças peça-as a Deus por meio de Santa Rita de Cássia, certamente será atendido.

Neste dia de glória, no qual se aumenta e mais viva se faz a confiança no vosso patrocínio, peço-vos, obtende de Deus a bênção que imploro para mim, para os presentes, para o Vigário de Jesus Cristo, o Episcopado Católico, o Sacerdócio, para os vossos Religiosos, Irmãos e Irmãs de hábito que formam a eleita progênie do grande Santo Agostinho, para os benfeitores do vosso Santuário e Mosteiro de Cássia, para os propagadores do vosso culto, para os enfermos, os pobres, os aflitos, os pecadores, para todos e para as Almas Santas do Purgatório.

Ó Santa Rita, esposa amabilíssima de Jesus Crucificado, de quem recebestes como dom um espinho de Sua sacratíssima coroa, neste dia de vosso triunfo, ajudai-me e com vossa proteção acompanhai-me até a hora da minha morte. Assim seja.

3 Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.

V. Signasti, Domine, famulam tuam Ritam – Alleluia.
R. Signo charitatis et passionis tuae – Alleluia.

Oremus: Deus, qui Sanctae Ritae tantam gratiam confere dignatus es, ut inimicos diligeret, et in corde atque fronti caritatis et passionis tuae signa portaret, da nobis, quaesumus, eius intercessione et méritis, inimicis nostris sie parcere, et passionis tuae dolores contemplari, ut promissa mitibus ac lugentibus praemia consequamur.

Per Christum Dominum Nostrum. Amen.



Fonte: Rev. Pe. Agostinho Ruelli, Agostiniano, “Notas Biográficas de Santa Rita de Cássia”, Apêndice I, pp. 194-196. Tradução autorizada pelo Autor e pelo Mosteiro de Santa Rita, em Cássia. Pap. E Tip. Marquez Araújo & C. – Rio de Janeiro/RJ, 1929.


quarta-feira, 20 de maio de 2020

Maria… Maria… Maria!…


[Um sonho de São João Bosco]1

Em Fevereiro de 1884, Dom Bosco, enfraquecido por decênios de trabalho titânico, caiu numa prostração de forças tão grave que não aguentava mais ficar em pé. Um início de bronquite deu a rasteira em sua excepcional resistência, de modo que no dia 12 foi obrigado a ficar de cama.

Imobilizado, assim, fisicamente, já estão consumido pelas vigílias e fadigas, todavia, seu espírito se expandia livre em direção ao reino do amor e da alegria: o Paraíso. Nesse estado, durante a noite de 12 para 13, ele assim sonhou:

Pareceu-lhe encontrar-se em uma casa onde teve dois encontros muito especiais: São Pedro e São Paulo. Vestiam sobre a túnica um manto que chegava até um pouco abaixo dos joelhos e usavam um turbante oriental. Eles sorriam para Dom Bosco. Este lhes perguntou, se tinham algum recado para ele; nada responderam, mas começaram a falar do Oratório e dos jovens. Nisso, eis que chega um amigo de Dom Bosco.

Olhe um pouco essas duas pessoas – disse ao recém-chegado.

Olhem só quem que estou vendo! – exclamou o amigo – É possível? São Pedro e São Paulo aqui?

Dom Bosco então renovou a pergunta feita um pouco antes aos dois Apóstolos que, mesmo se mostrando muito afáveis, continuaram a falar de outras coisas. Depois, improvisamente, São Pedro lhe pergunta:

E a vida de São Pedro?

Igualmente São Paulo:

E a vida de São Paulo?

Dom Bosco se escusou humildemente, confessando que tinha esquecido a decisão de reimprimir as duas biografias.

Se você não o fizer logo, não terá mais tempo – avisou-o São Paulo.

Entretanto, tendo São Pedro retirado seu turbante, apareceu sua cabeça calva com dois tufos de cabelos nas têmporas: tinha realmente o aspecto de um velhinho simpático e bem conservado. Retirando-se um pouco à parte, ele se colocou em atitude de oração. Dom Bosco queria acompanhá-lo, mas:

Deixe-o rezar – ordenou-lhe São Paulo.

Queria ver – respondeu Dom Bosco – diante do que ele se ajoelhou.

Foi para perto dele e viu que estava ajoelhado diante de uma espécie de altar, mas diferente dos altares comuns. E perguntou a São Paulo:

Mas não há os candelabros?

Não há necessidade de candelabros lá onde resplandece o sol eterno – respondeu o Apóstolo.

Não estou vendo nem sequer a mesa.

A Vítima não se sacrifica mais, pois vive eternamente.

Mas, afinal, então não há altar?

O altar é para todos, o Monte Calvário.

Então São Pedro, com voz alta e harmoniosa, mas sem cantar, rezou assim:

Glória a Deus Pai Criador, a Deus Filho Redentor, glória a Deus Espírito Santo Santificador. Só a Deus sejam dadas honra e glória por todos os séculos dos séculos. Louvor seja dado a Ti, ó Maria. O Céu e a terra Te proclamam sua Rainha. Maria… Maria… Maria!…”

Pronunciava esse Nome com uma pausa entre uma exclamação e outra, e com tal expressão de afeto e com um aumento tão grande de emoção, que não sou capaz de descrever, de modo que lá se chorava de ternura.

Logo que São Pedro acabou, se levantou e voltou, São Paulo foi se ajoelhar no mesmo lugar e, com voz clara, dedicou-se também à oração, rezando assim:

Ó profundidade dos divinos arcanos! Grande Deus, os teus segredos são inacessíveis aos mortais. Somente no Céu eles poderão penetrar a sua profundidade e a sua majestade, acessível aos celestes compreensores. Ó Deus Uno e Trino, a Ti sejam dadas honra, salvação e ação de graças de todas as partes do Universo. Teu nome, ó Maria, seja louvado e abençoado por todos. Cantamos no Céu a tua glória; e na terra sejas sempre o Auxílio, o conforto, a salvação. Regina Sanctorum omnium, alleluia, alleluia”.

Dom Bosco concluiu:

Essa oração, pelo modo de proferir as palavras, produziu em mim tal comoção que comecei a chorar copiosamente e acordei. Depois disso, permaneceu na minha alma uma indizível consolação”.



Fonte: “Os Sonhos de Dom Bosco”, Cap. 61, pp. 263-265. Coletânea organizada por Pietro Zerbino, traduzida por P. Júlio Bersano, Editora Salesiana Dom Bosco, São Paulo/SP, 1988.


_____________________
1MB – Memorie Biografiche di Don Giovanni Bosco, XVII, 27. Torino 1898-1939.


Redes Sociais

Continue Acessando

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...