Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Vitória da Presença Real de Jesus Cristo na Eucaristia sobre os Demônios

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No século XVI, no auge das guerras de religião, houve um caso de possessão diabólica e de exorcismo que teve enorme repercussão em toda a França e mesmo em toda a Cristandade. Todos, católicos e protestantes, consideraram este caso como uma possessão absolutamente certa; o resultado, porém, veio a ser grande confusão e desmoralização para os protestantes e um triunfo para os católicos.



1º – Uma Aparição.



Uma senhora de Vervins, recém-casada e cercada de afeição pelo marido, rezando no túmulo da família, viu aparecer um fantasma, envolvido numa mortalha branca. Volta para casa, toda trêmula, e lá se lhe depara a mesma aparição. Deita-se e sente o fantasma pesar-lhe sobre o peito, asfixiando-a, a ponto de não poder gritar. Ela foi confessar-se; voltando, porém, a casa, encontra a mesma visão, não mais envolvida na mortaha, mas com o rosto descoberto. Não te confessaste bem”, disse a aparição; e acrescentou: “não tenhas medo, eu sou teu avô”. Nicole, era este o nome da pessoa, reconheceu perfeitamente seu avô, morto havia dois anos. Desmaiou e pensou que ia morrer. O fantasma afinal lhe diz os motivos de suas visitas: está no Purgatório e pede romarias, Missas, orações e esmolas.



Nicole, então, decide-se a falar e logo se celebram as Missas, dão-se as esmolas e fazem-se as romarias pedidas. Mas, enquanto se celebra a Missa, Nicole sente-se atormentada de um modo extraordinário, e quando os seus voltam da igreja, encontram-na escondida debaixo da cama de seu pai, enrijecida, sem sentidos, e com as mãos como que soldadas uma à outra. Chamado o Padre, lhe diz: “Espírito imundo, quem quer que sejas, eu te ordeno, em Nome de Deus, solta as mãos”. Soltou. Mas, desde então, a pobre mulher aparece, ora rija e dura como uma pedra, ora agitada por uma espécie de fúria, batendo com a cabeça contra as paredes, e como que querendo lançar-se ao fogo.



2º – Primeiro Exorcismo.



Naturalmente, já se conjecturava que se tratasse de alguma intervenção diabólica, quando chegou a Vervins, para pregar o Advento, um santo religioso da Abadia de Vally, Padre de la Motte. Este foi encarregado de fazer o exorcismo.



Na igreja, na presença do povo, diante da cruz e Santíssimo Sacramento, o religioso procede às conjurações rituais. O Demônio ruge e esbraveja. O Padre lança mão da Santa Hóstia. Nicole começa a inchar de um modo horrível; o rosto torna-se espantoso; ela dá gritos que se ouvem ao longe. Satanás, intimado a dizer quem é, declara com espanto da assistência que é Belzebu em pessoa. Saiu no mesmo instante do corpo da possessa, mas, apenas acabada a cerimônia, tornou a entrar. O Padre pede socorro, isto é, implora em toda parte orações para conseguir libertar a pobre mulher. “Ah, tu te fortificas contra mim, disse o Demônio, eu também me fortifico, chamarei todos os diabos para me ajudarem”. “E eu, disse o religioso, chamarei todos os Anjos para derrotar-te. Vai dizer a Lúcifer que, com Deus, não tenho medo de ti, nem de todos os Demônios”.



3º – Segundo Exorcismo.



A luta ia tomando proporções gigantescas. O Bispo de Laon, Mons. Bours, decide intervir pessoalmente. Chegou a Vervins com dois Padres, grandes teólogos. No dia seguinte, celebrou a Santa Missa na presença de uma grande multidão de pessoas. Nicole estava deitada em uma cama atrás do altar, donde podia assistir ao Santo Sacrifício. Depois da Missa, é trazida à presença do Bispo, este procedeu ao exorcismo.



Qual é o teu nome?

Belzebu.

Qual o número de teus companheiros?

Somos doze.

Eu te ordeno, pelo poder de Deus, que saias desta criatura com teu exército.

Sim, sairei, mas por enquanto não.



O Bispo, sem prestar atenção a estas palavras que compreenderá somente mais tarde, adjura Satanás, queima o seu nome, apresenta-lhe a cruz e a Hóstia Santa. O maldito foge, mas é para voltar pouco depois, como fizera com o religioso, Padre de la Motte. A saída e a volta de Satanás se deram várias vezes, de sorte que o Bispo voltou para sua cidade episcopal, deixando o povo sob a impressão penosa de insucesso.



4º – Os Protestantes Confundidos.



Numerosos, naquele tempo e naquela região, os protestantes quiseram aproveitar o ensejo para intervir. No entanto, não estavam nada satisfeitos com Belzebu e isto por dois motivos: primeiro, porque os católicos tiravam um argumento a favor da Presença Real de Jesus Cristo na Hóstia Sagrada, já que por duas vezes o Demônio tinha fugido diante dela; em segundo lugar, porque havia dois meses o Diabo não cessava de chamar os protestantes de “meus amigos, meus filhos, meus criados que fazem minha vontade”.



Que vitória para eles e que demonstração de não serem eles amigos do Diabo, se conseguissem expulsar Satanás de onde os Padres e o próprio Bispo não conseguiram alijá-lo. Vão, pois, atacar o Diabo, não com exorcismos, mas com textos da Bíblia, textos até em versos. O pastor Tournevèle se aproxima e começa a ler Salmos.



– “Pensas tu, lhe diz Belzebu, que um diabo pode expulsar outro Diabo?

– “Tu és pior que eu, eu creio e tu não crês, (naturalmente faz alusão à Presença Real) e por isto, por não creres, eu te aprecio muito, a ti e a todos os meus bons amigos protestantes”. E Belzebu insinua ainda que Tournèvele é mais doente que Nicole, já que ele tem o espírito maligno na inteligência, enquanto ela só o tem no corpo; depois virando-se para o pastor Ribemont, zomba deles e lhes põe nomes.



Tournevèle replica:



– “Peço ao Senhor que assista a esta pobre criatura”.



E o Diabo acrescentou:



– “Peço a Lúcifer que não te largues, mas te traga sempre bem preso. Ide, ide, não farei nada em vosso favor, não me despejareis, porque sou vosso senhor, e vós sois todos meus escravos”. Para cúmulo de humilhação, os protestantes, tem de ver o Padre de la Motte acalmar com a Sagrada Comunhão a possessa, que também se pôs a zombar dos Salmos em versos. A Comunhão, sim, acalmava; mas era sempre uma calma provisória. Belzebu, apenas saído, voltava.



– Nossa Senhora.



Lembraram-se de recorrer a Nossa Senhora de Liesse. Poucos dias mais tarde, um carro levava àquele Santuário Nicole, mais atormentada que nunca, acompanhada da mãe, do marido e do Padre de la Motte. Sob o carro ouvem-se terríveis denotações. A possessa torna-se tão pesada que os cavalos não podem mais avançar. O Padre lhe dá a Comunhão; no mesmo instante, os cavalos lançam-se com tal ímpeto, que parecem voar e rapidamente chegam a Liesse.



No dia seguinte, Missa, sermão, procissão e exorcismo. Vinte e seis Demônios saem de Nicole com um barulho infernal. Era o socorro que Satanás havia pedido. Todos os esforços do exorcista são impotentes contra a resistência de Belzebu e três companheiros. Disse Satanás: “Tu podes ficar aqui e pelejar até meia-noite e durante cem anos, nenhum de nós sairá. Os vinte e seis que saíram mandei-os para Genebra (o centro do protestantismo ou calvinismo).



6º – Terceiro Exorcismo.



Decidem recorrer de novo ao Bispo e por isto tomam o caminho de Laon. Passando pelo Santuário de Pierrepont, célebre pelas suas relíquias, Nicole vê-se livre de um dos quatro Demônios que ainda a possuíam. O Bispo a exorciza na Catedral. O Diabo zomba, injuria, e à vista da Hóstia Santa, enfurece-se. Ouvem-se, então, como saindo dos tubos de um órgão, o grunhido de um porco (Astaroth), e o latido de um cachorro (Cerberes) e o mugido de um touro (Belzebu), e todos três, porco, cachorro e touro agitam-se no corpo de Nicole que seis homens mal podem segurar. Depois da Comunhão, ficou calma; mas, ainda uma vez calma transitória, já que o Demônio se obstina em voltar, após cada expulsão. Todavia, o prodígio produziu uma grande e salutar impressão. Parecia claramente que só o Deus dos católicos tinha poder sobre Satanás. Em toda a região só se falava nisto. Deram-se muitas conversões; os confessionários eram tomados de assalto. Os protestantes agitavam-se como Demônios. Procuraram fazer acreditar que tudo era embuste, que Nicole era adestrada pelos Padres e que era deles que aprendia as insânias que proferia nos exorcismos. Parece mesmo que procuraram envenená-la; o Diabo o disse em um dos exorcismos, como revelou também que os mesmos acabavam de cometer uma horrível profanação da Hóstia Consagrada. “Oh, acrescentou o Demônio, se Jesus Cristo ainda andasse neste mundo, eu, com os meus protestantes, lhe faríamos maior mal que os judeus”.



7º – A Libertação.



O Bispo não desanimou; multiplicou os jejuns, as orações e convidou as autoridades religiosas e civis da cidade para uma suprema e solene conjuração. Tanto a assistência como a cerimônia foram imponentes. Com os católicos, havia muitos protestantes. Belzebu rugia mais forte que nunca. Nicole não tinha mais figura humana: a boca excessivamente aberta, a língua pendente, a face inchada. Os protestantes tinham conservado o chapéu na cabeça. “Abaixo os chapéus”! Gritaram os católicos. Foi grande a briga. Feita a calma, o Bispo apresentou a Belzebu o Santíssimo Sacramento. Diante de Deus Todo-poderoso, enfim, Satanás assinala sua retirada definitiva por uma coluna de fumaça, dois raios e dois trovões.



A pobre mulher ficou para sempre liberta da horrível possessão de Satanás. Voltou para Vervins, onde viveu como boa e fervorosa católica. Só faltava transmitir à posteridade a relação destes fatos extraordinários. Foi obra de Jean Boulaire, Padre e professor de letras hebraicas. Publicou em dois volumes, em 1575 e em 1578, o resultado de suas pesquisas: “Tesouro da Vitória do Corpo de Deus sobre Belzebu”, e, “Manual da Admirável Vitória do Corpo de Deus sobre o espírito maligno”. Dá os depoimentos das testemunhas. Seu trabalho foi aprovado pelos Papas Pio V e Gregório XIII (Segundo o L'Ami du Clergè, 1909, pág. 167).



Fonte: Pe. Guilherme Vaessen, C.M., “Satanás – Sua Natureza, Existência e Atuação”, Cap. XV, pp. 107-113; Edições Paulinas, Caxias do Sul – RS, 1958.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

"Quem respeita o Bispo, é respeitado por Deus; quem faz algo às ocultas do Bispo, serve ao Diabo...” (Santo Inácio de Antioquia, “Carta aos Esmirniotas”).


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A Submissão ao Bispo
é uma Bem-aventurança antecipada


Diante da ignorância, invencível ou culposa, de muitos católicos em relação da submissão dos leigos às Autoridades Eclesiásticas, passo a expor alguns lampejos de doutrina certa e segura sobre o assunto.

Eis a Doutrina do Novo Testamento:

► “O que vos ouve, a Mim ouve, e o que vos despreza, a Mim despreza. E quem Me despreza, despreza aquEle que Me enviou” (S. Luc. 10, 16).

► “O que vos recebe, a Mim recebe; e o que Me recebe, recebe aquEle que Me enviou” (S. Mat. 10, 40; S. Jo. 13, 20).

► “... E, se não ouvir a Igreja, considera-o como um gentio e um publicano...” (S. Mat. 18, 15-18).

► “Toda a alma esteja sujeita aos Poderes Superiores, porque não há poder que não venha de Deus; e os (poderes) que existem foram instituídos por Deus. Aquele, pois, que resiste à Autoridade, resiste à ordenação de Deus. E os que resistem, atraem sobre si próprios a condenação” (Rom. 13, 1-2; 16, 17-20; 1ª Cor. 5, 9-13).

► “Alexandre, o latoeiro, fez-me muitos males; o Senhor lhe pagará segundo as suas obras. Tu também guarda-te dele, porque opõe uma forte resistência às nossas palavras” (2ª Tim. 4, 14-15).

► “... Ninguém te despreze” (Tit. 2, 9-10.15).

► “Igualmente vós, ó jovens, obedecei aos Sacerdotes” (1ª S. Ped. 5, 5).

Caso alguns menos favorecidos não tenham ainda entendido, passo a expor com maior clareza.

► “É preciso glorificar de todos os modos a Jesus Cristo... a fim de que... reunidos na mesma obediência, submetidos ao Bispo e ao Presbítero, sejais santificados em todas as coisas... Convém caminhar de acordo com o pensamento de vosso Bispo... Está claro, portanto, que devemos olhar o Bispo como ao próprio Senhor...” (Santo Inácio de Antioquia, “Carta aos Efésios”).

► “Convém que não abuseis da idade do vosso Bispo, mas, pelo poder de Deus Pai, lhe tributeis toda reverência... Portanto, para honra daquEle que nos amou, é preciso obedecer sem nenhuma hipocrisia, porque não é ao Bispo visível que se engana, mas é ao invisível que se mente... É preciso não só levar o nome de cristão, mas ser de fato. Alguns falam sempre do Bispo, mas depois agem de modo independente. Estes não me parecem ter boa consciência... Por isso vos peço que estejais dispostos a fazer todas as coisas na concórdia de Deus, sob a presidência do Bispos, que ocupa o lugar de Deus... Que não haja nada entre vós que vos possa dividir, mas uni-vos ao Bispo e aos chefes como sinal e ensinamento de incorruptibilidade... Assim como o Senhor nada fez, nem por Si mesmo nem por meio de seus Apóstolos, sem o Pai, com O qual Ele é um, também vós não façais nada sem o Bispo e os Presbíteros. Não tenteis fazer passar por louvável coisa alguma que fizerdes sozinhos... Sejam submissos ao Bispo...” (Santo Inácio de Antioquia, “Carta aos Magnésios”; cfr. Carta do Beato João Paulo II a todos os Sacerdotes da Igreja por ocasião da 5ª Feira Santa de 1979).

► “Quando vos submeteis ao Bispo como a Jesus Cristo, demonstrais a mim que não viveis segundo os homens, mas segundo Jesus Cristo... Da mesma forma, todos respeitem... ao Bispo, que é a imagem do Pai... Sem eles (Bispos, Presbíteros e Diáconos), não se pode falar de Igreja... Aquele que age sem o Bispo, sem o Presbítero e os Diáconos, esses não tem consciência pura...” (Santo Inácio de Antioquia, “Carta aos Tralianos”).

► “Com efeito, todos aqueles que são de Deus e de Jesus Cristo, esses estão também com o Bispo... Foi o Espírito que me anunciou, dizendo: 'Não façais nada sem o Bispo...' ...” (Santo Inácio de Antioquia, “Carta aos Filadelfienses”).

► “Segui todos ao Bispo, como Jesus Cristo segue ao Pai... Sem o Bispo, ninguém faça nada no que diz respeito à Igreja... Onde aparece o Bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo que onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica... Tudo o que ele aprova, é também agradável a Deus... Quem respeita o Bispo, é respeitado por Deus; quem faz algo às ocultas do Bispo, servo ao Diabo...” (Santo Inácio de Antioquia, “Carta aos Esmirniotas”).

► “Atendei ao Bispo, para que Deus vos atenda...” (Santo Inácio de Antioquia, “Carta a São Policarpo”).

► “Devemos honrar não só nossos genitores, mas também os que merecem o nome de pais, como são os Bispos, Sacerdotes... Todos são dignos, uns mais e outros menos, de tirar proveito de nossa caridade, obediência, e fortuna.

Dos Bispos e outros Superiores Eclesiásticos está escrito: 'Sacerdotes, que desempenham bem seu ministério, são dignos de honra dobrada, principalmente os que se afadigam em pregar e ensinar' (1ª Tim. 5, 17). Na verdade, quantas provas de amor não deram os Gálatas ao Apóstolo? Ele próprio lhes rendeu grande preito de gratidão: 'Posso assegurar-vos que, se possível fosse, até os próprios olhos teríeis arrancado, para me fazerdes presente deles' (Gál. 4, 15)...

Deve-se-lhes também obediência, conforme ensina o Apóstolo: 'Obedecei a vossos Superiores, e sujeitai-vos a eles, pois estão vigilantes, como quem deve contas de vossas almas' (Heb. 13, 17). Cristo Nosso Senhor mandou até obedecer aos maus Pastores, quando declara: 'Na cadeira de Moisés estão sentados os escribas e fariseus. Respeitai, pois, e executai tudo o que vos disserem. Mas não façais de acordo com suas obras, porque eles falam e não praticam' (S. Mat. 23, 2-3)” (Catecismo Romano, Part. III, Cap. V, Art. 13-14).

► “Em relação aos Superiores Eclesiásticos, eis o que nos ensina o Espírito Santo: 'Teme ao Senhor com toda a tua alma, e venera os seus Sacerdotes. Honra a Deus de toda a tua alma e reverencia os Sacerdotes' (Eclo. 7, 31.33). Eles representam e ocupam o lugar de Deus (1ª Cor. 4, 1)” (Teól. Giuseppe Perardi, “Novo Manual do Catequista”, Part. II, Cap. I, Art. 2, N. 190, Pont. 3º).

► “Na própria Diocese, o Bispo é visível princípio e fundamento da unidade da Igreja formada à imagem da Igreja Universal, que surge como uma e única do conjunto das igrejas  particulares... É dever dos fiéis acatar, com religiosa submissão, o ensinamento do próprio Bispo, aderindo à sua doutrina, sempre que ensine, em nome de Jesus Cristo, verdades de Fé ou Costumes... Em virtude deste poder, tem os Bispos o direito e o dever sagrado, diante do Senhor, de legislar, de julgar e governar, em tudo quanto se refere ao bem de suas ovelhas, ao culto e ao apostolado... Como Pastores e moderadores da Igreja devem ser os Bispos honrados pelo povo fiel, com obediência, amor e reverencia. A situação singular que tem na Igreja justifica todo o aparato externo que circunda suas pessoas, especialmente nas cerimônias sagradas (D. Antônio de Castro Mayer, “Instrução Pastoral sobre a Igreja”, de 2 de março de 1965).

Não percam ocasião de inculcar verdadeira devoção ao Santo Padre o Papa, e, em grau menor, ao Bispo... (D. Antônio de Castro Mayer, “Carta Pastoral sobre Problemas do Apostolado Moderno”, Diretrizes, nº 7, de 6 de janeiro de 1953; cfr. “Por um Cristianismo Autêntico”, Editora Vera Cruz, São Paulo, 1971).

Estão, portanto, fora do reto caminho os que criticam, tentam desmoralizar e desprestigiar o Bispo, ou diminuir a sua autoridade...

Nem seria necessário lembrar-vos as terríveis ameaças com que Jesus quis proteger a missão dos seus Apóstolos e Sucessores: 'Se não vos receberem nem ouvirem as vossas palavras, ao sair daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade Vos digo: será menos punida no dia do juízo a terra de Sodoma e Gomorra do que aquela cidade' (S. Mat. 10, 14-15).

E todos ouvimos, na cerimônia da Sagração, em defesa do Bispo, a séria advertência da Igreja aos maledicentes: 'Quem falar mal dele seja amaldiçoado; quem dele disser bem seja cumulado de bênçãos!' (Pontifical Romano – Rito da Sagração Episcopal)” (D. Fernando Arêas Rifan, “Mensagem Pastoral sobre o Início do Ministério Episcopal do Novo Administrador Apostólico”, de 5 de janeiro de 2003).

Pastores do rebanho,
os Bispos sabem que podem contar
com uma graça divina especial
no cumprimento de seu ministério”
(Beato João Paulo II, Exortação Apostólica “Pastores Gregis”,
dirigida aos Bispos em 16 de outubro de 2003).

Se alguns não obedecerem às palavras que Cristo pronunciou por nossa boca, saibam que se tornam réus de culpa mortal, e incorrem em extremo perigo” (Papa S. Clemente de Roma, 59, 1). Ou ainda este outro:

Tudo o que é contra a consciência leva ao Inferno” (Papa Inocêncio III, Decret. Lib., II, Tit. 3, c. 3).

E, por fim, se apesar de todo este aparato doutrinal, na tentativa de formar uma boa consciência, ainda persistirem no erro, não resta mais nada a fazer do que rezar a Deus por todos, e deixar estas últimas palavras:

Neste ponto, faço minhas as palavras que um dia Santa Bernadete Soubirous dirigiu a alguém, que quis ouvir de seus lábios a história das aparições, mas que, depois de ouvi-la, declarou descortesmente: 'Não acredito'.

A esse alguém, disse Santa Bernadete à queima-roupa: 'Estou encarregada de contar-lhe o que lhe contei. Não estou, porém, encarregada de fazê-lo crer'.

Crer não é tarefa só do homem. É tarefa de dois: do homem e de Deus” (Rev. Pe. João José Cavalcante, “As Aparições de Lourdes, maravilha do século XIX”, p. 7).

Tratando da obediência devida à Hierarquia Eclesiástica,
assim ensinou o, então, Cardeal Albino Luciani:

Querida Santa Teresa, outubro é o mês da tua festa; pensei que me permitirias entreter-me contigo por escrito.

Quem olha para o famoso grupo de mármore no qual Bernini te representa ao seres transpassada pelo dardo de um Serafim, pensa nas tuas visões e êxtases. E faz bem: a Teresa mística dos arroubos é uma Teresa verdadeira.

Mas também verdadeira é a outra Teresa, a que mais me agrada: aquela mais chegada a nós, tal como se depara na Autobiografia e nas Cartas. É a Teresa da vida prática; que passa pelas mesmas dificuldades que nós e sabe superá-las com destreza; que sabe sorrir, rir e fazer rir; que se movimenta com desembaraço no meio do mundo e dos acontecimentos mais diversos, e tudo isso graças a numerosos dons naturais, mas sobretudo à sua constante união com Deus.

Explode a Reforma Protestante, a situação da Igreja na Alemanha e na França é crítica. Tu te preocupas e escreves: 'Nem que fosse para salvar uma só alma das muitas que lá se perdiam!'

Mulher! Mas que vale por vinte homens, que não deixa nenhum meio por experimentar, e consegue realizar uma reforma interna magnífica e, com sua obra e seus escritos, influi na Igreja inteira; a primeira e única mulher que – com Santa Catarina de Sena – haja sido proclamada Doutor da Igreja.

Mulher de linguajar sincero e de pena aparada e incisiva. Tinhas um altíssimo conceito da missão das religiosas, mas escreveste ao Padre Graciano: 'Pelo amor de Deus, atente bem ao que está fazendo! Não acredite jamais nas freiras, porque se elas querem uma coisa, recorrerão a todos os meios possíveis'. E, ao Padre Ambrósio, recusando uma postulante, dizes: 'O senhor me faz rir quando afirma que compreendeu aquela alma só de vê-la. Não é tão fácil conhecer as mulheres'.

É tua a lapidar definição do Demônio: 'Aquele pobre desgraçado que não pode amar'.

A Dom Sancho D'Ávila: 'Distrações na reza do Ofício Divino, eu também as tenho... confessei-me disso com o Padre Domingos (Bañez, teólogo famoso, N. do A.) e este me disse que não fizesse caso. O mesmo digo ao senhor, pois o mal é incurável'. Conselho espiritual é este, mas tu esparziste conselhos a mancheias e de todo o tipo; ao Padre Graciano, chegaste a aconselhar que, em suas viagens, montasse um burrinho mais manso, que não tivesse o vezo de atirar os frades no chão, ou então se deixasse amarrar no próprio burro para não cair!

Insuperável, todavia, te demonstras na hora da batalha. Nada menos que o Núncio ordena que te encerrem no convento de Toledo, chamando-te de 'mulher irrequieta, vagabunda, desobediente e contumaz...' Mas, do convento, os mensageiros que envias a Felipe II, a Príncipes e Prelados, resolvem toda a embrulhada.

Conclusão tua: 'Teresa sozinha não vale nada; Teresa mais um centavo valem menos do que nada; Teresa mais um centavo e Deus, podem tudo!'

A meu ver, és um caso notável de um fenômeno que se repete regularmente na vida da Igreja Católica.

E é que as mulheres, de per si, não governam – isto pertence à Hierarquia – mas elas muitas vezes inspiram, promovem e, às vezes, dirigem.

De fato, se por um lado o Espírito 'sopra onde quer', por outro, a mulher é mais sensível à religião e mais capaz de se consagrar generosamente às grandes causas. Daí o exército numerosíssimo de Santas, de místicas e de fundadoras surgidas na Igreja Católica.

Ao lado destas, seria mister recordar as mulheres que iniciaram movimentos ascético-teológicos cujo raio de ação foi vastíssimo.

A nobre Marcela, que dirigiu no Aventino uma espécie de convento formado de ricas e cultas patrícias romanas, colaborou com São Jerônimo na tradução da Bíblia.

Madame Acarie influenciou ilustres personagens, tais como o jesuíta Coton, o capuchinho de Canfelt, o próprio Francisco de Sales e muitos outros, influindo em toda a espiritualidade francesa do início do século XVII.

A princesa Amália de Gallitzin, desde o seu 'Círculo de Münster' estimado até por Goethe, difundiu em toda a Alemanha setentrional uma corrente de vida intensamente espiritual. Sofia Swetchine, russa convertida, surgiu na França no início do século passado como 'diretora espiritual' dos leigos e Sacerdotes mais representativos.

Eu poderia citar mais casos, mas torno a ti que, mais do que filha, foste mãe espiritual de São João da Cruz e das primeiras Carmelitas reformadas. Hoje, tudo está claro e aplainado a este respeito, mas no teu tempo houve o desencontro acima relatado.

De uma parte estavas tu, rica em carismas, energia ardente e luminosa, que te havia sido concedida em proveito da Igreja de Deus; da outra, estava o Núncio, isto é, a Hierarquia, a quem se impunha julgar da autenticidade dos teus carismas. Num primeiro momento, devido a informações distorcidas, o parecer do Núncio foi negativo. Uma vez de posse das devidas explicações e examinando melhor as coisas, estas se esclareceram: a Hierarquia aprovou tudo e os teus dons puderam, assim, expandir-se em prol da Igreja.

٭٭٭

Mas de carismas e de Hierarquia muito se ouve falar hoje também. Especialista que foste no assunto, tomo a liberdade de tirar das tuas obras os seguintes princípios:

1 – Acima de tudo, encontra-se o Espírito Santo. Dele provém tanto os carismas como os poderes dos Pastores; cabe ao Espírito realizar o acordo harmônico entre Hierarquia e carisma e promover a unidade da Igreja.

2 – Carismas e Hierarquia são ambos necessários à Igreja, mas de maneira diferente. Os carismas agem como acelerador, favorecendo o progresso e a renovação. A Hierarquia deve antes servir de freio, em proveito da estabilidade e da prudência.

3 – Por vezes, carismas e Hierarquia se entrelaçam e sobrepõem. Alguns carismas, de fato, são concedidos em especial aos Pastores, como os 'dons de governo' lembrados por São Paulo na 1ª Carta aos Coríntios. E vice-versa, tendo a Hierarquia obrigação de regular todas as principais fases da vida eclesiástica, os carismáticos não se podem subtrair à sua direção, a pretexto de que possuem carismas.

4 – Os carismas não são caça privilegiada de ninguém: podem ser concedidos a todos, Padres e leigos, homens e mulheres. Uma coisa, porém, é poder ter carismas, outra tê-los de fato.

No teu livro das Fundações, acho escrito o seguinte (c. VIII, n. 7): 'Uma penitente afirmava a seu Confessor que Nossa Senhora vinha visitá-la com frequência e com ela se entretinha a falar por mais de uma hora, revelando-lhe o futuro e muita coisa mais. E, visto que no meio de tanto dislate saía alguma coisa verdadeira, tudo se tinha em conta de verdade. Logo entendi do que se tratava... mas limitei-me a dizer ao Confessor que olhasse para o êxito das profecias, que se informasse do estilo de vida da penitente e exigisse outros sinais de santidade. Afinal... viu-se que tudo eram extravagâncias'.

Querida Santa Teresa, se voltasses hoje! A palavra 'carisma' anda num desperdício; distribuem-se diplomas de 'profeta' a mancheias, concedendo esse título até aos estudantes que enfrentam a polícia nas praças e aos guerrilheiros da América Latina. Pretende-se opor os carismáticos aos Pastores. Que dirias tu, que obedecias aos teus Confessores mesmo quando os conselhos deles contrastavam com os conselhos que Deus te outorgava na oração?

E não penses que eu seja pessimista. Isso de ver carismas por toda a parte, espero seja somente moda passageira. Por outro lado, bem sei que os dons autênticos do Espírito sempre são acompanhados de abusos e falsos dons; não obstante, a Igreja sempre progride de igual maneira.

Na jovem igreja de Corinto, por exemplo, havia grande florescimento de carismas, mas São Paulo ficou bastante preocupado com alguns abusos ali descobertos. O fenômeno repetiu-se depois em formas aberrantes mais vistosas.

Duas mulheres, Priscila e Maximila, que sustentavam e financiavam o Montanismo na Ásia, começaram pregando 'carismaticamente' uma renovação moral baseada em grande austeridade, na renúncia total ao Matrimônio, na prontidão absoluta para o Martírio. Acabaram contrapondo aos Bispos os 'novos profetas', homens e mulheres que, 'investidos do Espírito', pregavam, administravam sacramentos, aguardavam a Cristo que, de uma hora para outra, deveria vir inaugurar o reino milenar.

No tempo de Santo Agostinho, houve Lucila de Cartago, rica senhora que o Bispo Ceciliano repreendera porque, antes da Comunhão, costumava apertar ao peito um ossinho não se sabe de que Mártir. Irritada e ressentida, Lucila induziu um grupo de Bispos a se oporem ao seu Bispo; tendo perdido um processo perante o Episcopado africano, o grupo protestou sem sucesso perante o Papa, depois perante o Concílio de Arles, depois perante o próprio Imperador e deu início a uma nova igreja. Com isso, havia em quase todas as cidades africanas dois Bispos, duas catedrais, frequentadas por categorias antagônicas de fiéis que, ao se encontrarem, chegavam às vias de fato; dum lado os católicos e do outro os donatistas, seguidores de Donato e Lucila.

Os donatistas denominavam-se 'puros'; não se assentavam em lugar antes ocupado por um católico, sem primeiro limpá-lo com a manga; evitavam os Bispos católicos como pesteados; apelavam para o Evangelho contra a Igreja, que diziam estar amparada pela autoridade imperial; constituíram tropas de assalto. Certa vez, o santíssimo Bispo Agostinho foi forçado a enfrentá-los: 'Se tanto desejam o martírio, por que não tomam uma corda e não se enforcam?'

No século XVIII tivemos as religiosas de Port Royal. Uma sua abadessa, Madre Angélica, começara bem; tinha 'carismaticamente' reformado a si mesma e o convento, chegando a expulsar da clausura os próprios pais. Escudada por grandes dons, nascida para governar, tornou-se, porém, a alma da resistência jansenista, intransigente até o fim perante a Autoridade Eclesiástica. Dela e de suas religiosas costumava-se dizer: 'Puras como Anjos, soberbas como Demônios'.

Como tudo isso fica longe do teu espírito! Que abismo entre essas mulheres e tu! 'Filha da Igreja' era o nome de que mais gostavas. Murmuraste-o no leito de morte, ao passo que, durante a vida, tanto labutaste pela Igreja e com a Igreja, aceitando mesmo sofrer alguma coisa da parte da Igreja.

E se ensinasses um pouco o teu método às 'profetizas' de hoje?!

Outubro, 1974”.

(Cardeal Albino Luciani, “Ilustríssimos Senhores”, Cap. Teresa, um centavo e Deus, pp. 201-205; Edições Loyola, São Paulo, 1979).


domingo, 20 de setembro de 2015

Após ver o Inferno, atriz alemã desiste da carreira para se tornar Eremita.


Uma experiência impressionante mudou radicalmente a vida de Katja Giammona. Saiba o que a fez abandonar as telas de cinema para entrar no silêncio e no escondimento da vida religiosa.

O novo livro do jornalista Antonio Socci, Avventurieri dell'eterno (Rizzoli, 2015), apresenta aos leitores o incrível testemunho de Katja Giammona, uma história que – assegura o autor – "tocará o fundo de sua alma". 

A entrevista da ex-atriz foi dada com a permissão específica de seu pai espiritual. Para ela, de fato, "retirada do mundo com toda a sua vaidade", os contatos com o mundo externo são extremamente reduzidos, quase inexistentes. A disponibilidade para a entrevista foi dada via e-mail e telefone. Benedita – como hoje se chama, na vida religiosa – só concordou em falar porque sabe que "o seu testemunho pode ajudar a muitos". 

Nascida em Wolfsburg, na Alemanha, a 11 de julho de 1975, em uma família de testemunhas de Jeová, Katja foi ensinada desde a infância a ler a Bíblia e acompanhar os pais em sua caminhada religiosa. Mas, ainda no começo de sua adolescência – graças a uma amiga católica e à ajuda de um pastor protestante –, a jovem sentiu o desejo de levar à perfeição o seu batismo, entrando plenamente na Igreja Católica (o batismo das testemunhas de Jeová, recorda Katja, não é considerado válido pela Igreja, porque não é ministrado em nome da Trindade, mas tão-somente em nome de Jesus). 

Nos anos 90, Katja trabalhou na televisão e no cinema, realizando o sonho de tornar-se uma atriz famosa, seja na Alemanha, seja na Itália. Mas a sua carreira foi definitivamente interrompida porque, como ela mesma explica, "Cristo me queria para si, e que eu vivesse e trabalhasse somente para Ele, e não para fazer carreira para a TV e para o inferno"

Em fevereiro de 2002, estando em Berlim para o Festival Internacional de Cinema, aconteceu algo que mudou radicalmente a sua vida. Em visita à casa de alguns amigos, ela caiu num sono profundo, talvez por um desmaio ou pelo cansaço, indo parar em um pequeno quarto escuro. Naquele lugar, ela viu em torno de si muitas chamas que se elevavam do chão e começou a correr desesperadamente, sem achar um saída. 

Foi uma experiência real e impactante do inferno, a qual, embora tenha durado alguns momentos, pareceu-lhe uma eternidade. Ali, Katja encontrou um demônio disfarçado de jovem, que ria dela, dizendo: "Pode correr, mas daqui você não sai". Mesmo com o corpo intacto, ela sentia dores de queimaduras, um "sofrimento terrível", durante o qual ela chegou a pensar que iria morrer:
Eram sobretudo os pecados contra a castidade que me tinham levado à perdição. (...) O demônio ria do fato de que a minha alma, que procurava o verdadeiro amor, que é Cristo, tinha sido afastada do caminho do seu Reino. Ele me mostrou os rapazes que passaram pela minha vida, ainda que apenas através de uma paquera ou de um pensamento. O nosso bom Senhor Jesus nos ensina, no Evangelho, que é possível pecar só com um olhar ou um pensamento (cf. Mt 5, 28). O ser humano quase sempre se esquece disso.

Sim, porque não entendemos quão loucamente somos amados por Deus, com um amor infinitamente maior que o de qualquer ser humano. Se considerássemos apenas isso, não poderíamos julgar insignificante 'um pensamento'. Quem ama é imensamente vulnerável, pode ser ferido pela pessoa que ama, ainda que só por uma palavra ou um pensamento. (...) Alguém que ama você não se sentiria profundamente ferido, sabendo do desejo que você tem por outra pessoa? E nós achamos que não ferimos o Senhor Deus?

É assim mesmo. Se apenas compreendêssemos quão imensamente somos amados...!
Também ficou profundamente gravado em sua memória o fato de que:
Esses homens, meus amigos, que caminhavam nas chamas, permaneciam ali. O demônio me disse que era ele quem tinha me seduzido através deles. Tinham sido usados por ele. Também notei que havia um ou outro que não ficava naquelas chamas. Isso significava que eles não estavam no inferno, talvez tivessem se confessado dos seus pecados. Mas aqueles outros permaneciam ali. Compreendi que eles já estavam no fogo e, depois, foram enviados a mim para atirar-me nas chamas. O demônio usa especialmente aqueles que já estão em pecado mortal para atirar outras almas no abismo.
A certa altura, através de uma fenda "aberta" no quarto, Katja viu a sua mãe, que sempre se levantava à noite para rezar. O relógio da sala da casa de seus pais marcava três horas da madrugada e ela suplicava inutilmente ajuda à sua mãe, que não podia escutá-la. Desesperada, Katja implorava ardentemente por oração (já que ela "não podia rezar a Deus por si mesma" naquele estado): " Mamma, prega per me! Ti scongiuro, prega per me! – Mamãe, reza por mim! Eu te imploro, reza por mim!" 

Benedita conta que a sua mãe sempre foi uma alma de muita penitência, tendo feito jejuns e vigílias por sete anos, até que Deus acolhesse a oferta dela pela sua conversão. Ela também lamenta o fato de que tantas pessoas ignorem ou se esqueçam de rezar pela conversão dos pecadores. "O Senhor me revelou – ela afirma – que, quando Ele salva uma alma, não o faz porque essa pessoa é especial, mas por pura misericórdia. Ele se comove com a oração, com os sacrifícios e com as lágrimas daqueles que imploram misericórdia e salvação para uma alma.

Enquanto estava no inferno, a mãe de Katja não a escutava, mas, mesmo assim, rezava pela filha, como sempre fazia, com devoção e amor maternal – uma oração que a própria filha recusava, porque, ela conta, "para mim eram orações de fanáticos que, em vez de fazer bem, traziam má sorte". Presa naquele quarto infernal, todavia, ela entendeu que não ter ninguém para rezar por ela era "uma verdadeira punição". 

Subitamente, então, ela caiu em si e se encontrou de novo em sua cama, imóvel, pálida, e com os lábios "ligeiramente azulados". Os seus amigos estavam ali, espantados, enquanto ela tentava em vão pronunciar alguma palavra – experiência típica de quem acorda de um coma, comenta Socci. O que parecia não passar de um pesadelo, porém, fez a vida de Katja mudar totalmente de rumo. 


A experiência do inferno mostrou a Katja a contradição de sua vida: enquanto se dizia católica, a atriz vivia afundada no pecado. Acreditava, pois, que o pecado não era algo tão sério e dava de ombros para a voz da sua consciência: "Eu era uma pecadora que sequer me dava conta da própria condição. Porque o mundo repete a você que pecados não existem". Mesmo se declarando católica "no papel", a atriz morava junto com o seu namorado, ignorando a gravidade do seu pecado e considerando o seu sentimento de culpa um "fanatismo" herdado das testemunhas de Jeová. A partir daquela noite, ela sentiu a exigência de uma mudança radical na própria vida: abandonou o seu namorado e fez uma peregrinação a Medjugorje, juntamente com sua mãe, com o propósito sincero de consagrar a sua vida ao serviço do Senhor. 

Entre as várias formas de vida consagrada, Katja sentiu que a sua vocação particular era o deserto. Depois de uma experiência na África, no deserto geográfico, entendeu que o verdadeiro deserto que Deus lhe havia preparado era aquele da alma. À essa altura, ela decidiu aposentar-se, "como Maria Madalena aos pés de Jesus", abraçando a vida eremítica e tomando para si o novo nome de Benedita.
Foi assim que Katja abandonou definitivamente sua antiga vida para colocar-se aos pés do Senhor – a exemplo de São Bento, Santo Arsênio e Santo Antão, os quais têm em comum o fato de "terem confiado em Cristo e se entregado completamente a Ele", sem pretensões, sem procurar títulos, riquezas ou fama, sem fazer muitos projetos e racionamentos, mas vivendo "dia após dia a vontade divina". 

Sua vocação, Katja explica tê-la apredindo da sua experiência pessoal: a primeira vocação é o batismo, mas, depois, "deve-se estar pronto a deixar tudo e todos, se Cristo chama, como chamou o jovem rico":
A mim, depois de sete anos de sacrifício e oração por parte de minha mãe, foi dada a graça de compreender que não basta ser batizada e ser católica 'no papel' [para salvar-se]. Descobri que Deus é católico, que a sua Igreja é a nossa querida Mãe, que devemos praticar a fé, que devemos observar os mandamentos e que o inferno existe!
"Deus nos conhece e conhece a nossa vocação", ela diz, e isso não é uma "coisa da cabeça ou do próprio gosto, mas algo sobrenatural". É o Espírito Santo que guia, não a razão ou os cálculos humanos. "Não tenhamos a pretensão de ter que entender tudo de Deus. Não devemos entender, mas amar". 

Ao fim da entrevista, Benedita lança um apelo: "Aventurar-se com Cristo, acreditem em mim, vale a pena. Abram as portas dos seus corações a Cristo e Ele se revelará a vocês em todo o seu esplendor". 

Com informações de Aleteia | Por Equipe CNP 


sábado, 19 de setembro de 2015

Quando o Aborto se Torna um Hino a Satã.



 

“Ave, Satanás”!” – gritavam os abortistas.


 


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Vídeo do Hino a Satã

Que há algo de demoníaco na defesa do assassinato de seres humanos inocentes e frágeis não há dúvida, mas isto sempre nos parece mais uma coisa simbólica do que efetivamente algo concreto sobre o pensamento da maioria dos abortistas. Porém, o que aconteceu recentemente no estado do Texas, nos EUA, onde o parlamento estadual está em discussão sobre limitações ao tempo de gestação permitido para o abortamento.

Do lado de fora do parlamento, tanto a militância pró-vida quanto a militância pró-aborto se mostraram presentes. Em dado momento, quando os militantes pró-vida entoavam “Amazing Grace” (“Sublime Graça”), um conhecido hino, os militantes abortistas responderam, em tom provocativo, com um côro de “Ave, Satanás!” (“Hail, Satan!”).

Que dizer disto? Apesar de achar que tudo não passou de uma encenação de péssimo gosto, é bom que se diga que um símbolo remete a uma realidade ou a uma idéia. E os próprios abortistas entoarem louvores a Satanás quando confrontados com um côro pró-vida dá bem a idéia do que se enfrenta nesta luta. Eles podem ter desejado apenas abafar o canto pró-vida, mas sua peculiar escolha de a quem louvar mostra muitíssimo bem a  quem, em última instância, servem com sua defesa do aborto.

O vídeo em que é mostrado os cristãos cantando e o côro de “Ave, Satanás” pode ser visto no blog “Cahnman´s Musings” (aqui). O blogueiro informa que os abortistas vêm fazendo isto há dias, mas esta foi a primeira vez que isto foi capturador em vídeo.

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