Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Carta de um Bom Pastor a um Sacerdote Caído


Foto de D. Vital 


(Que serviria a todos os Sacerdotes desviados,

ou, para aqueles, que ainda hão de desviar-se)





Mas voltemos ao Sr. Bispo D. Vital. Um rasgo muito para notar em sua fisionomia moral, tão desfigurada pelo sr. Barão de Penedo, e que vamos agora fazer sobressair, é a caridade terna, afetuosíssima deste virtuoso Prelado, para os mesmos que tanto o amarguravam e perseguiam. Era um coração que nunca se azedou contra ninguém, e que as mais desvairadas ovelhas tratou com mimos e afetos que lembram o Bom Pastor. Como este, soube repreender áspero a hipocrisia dos fariseus, enxotar a látego os profanadores do Templo; mas todo se desfazia em doçura e misericórdia com os pobres pecadores, para os reconduzir à penitência.



Eis aqui uma carta que ele escreveu de sua prisão a um Sacerdote caído. Não sabemos que haja nas vidas dos grandes Bispos nada mais comovente:



De minha prisão, a 16 de Maio de 1875.



Meu caro Padre e Irmão, com o coração dilacerado de mágoa, dirijo a V. Rvm. do fundo de minha prisão um conselho de amigo, uma súplica de irmão, uma afetuosa advertência de pai estremecido. Não bastavam já tantas e tão dolorosas angústias que torturam o coração terníssimo de nossa caridosa Mãe, a Santa Igreja de Deus? Não bastava que Ela fosse injustamente perseguida em todas as nações pelo poder das trevas? Não bastava a imensa dor de ver o seu Patrimônio Temporal usurpado, seu Augusto Chefe prisioneiro, suas Ordens Religiosas abolidas ou proscritas, seus Pastores encarcerados ou desterrados, seus filhos atormentados e oprimidos?



Ah! Como se fosse ainda pouco tudo isto, um novo golpe vem feri-lA, desfechado não por mão estranha ou inimiga, mas pela de um de seus filhos mais caros, pela de um de seus Ministros, pela sua!



Meu caro Irmão, que fez? Porque se revoltou contra a Autoridade da Igreja? Se se julga injustamente suspenso pelo governador do Bispado, porque em lugar de resistir-lhe em face, não se dirigiu ao seu humilde Prelado? Porque, se queria desconhecer a jurisdição de seu Bispo, não recorreu, como sempre é lícito, ao Sumo Pontífice, nosso Superior espiritual e Chefe supremo da Igreja Católica?



Ah! Nada tinha-me ainda tanto afligido, nem as injúrias e as calúnias da impiedade, nem a injusta sentença dos homens, nem os sofrimentos da prisão, nem a iniquidade cometida contra os heroicos governadores de minha Diocese, nem a violenta deportação dos inocentes Padres Jesuítas, nem a perseguição de meus Sacerdotes e leigos fiéis!



Não, nada disto abalou-me a coragem, pelo contrário, tudo me alegrava no Senhor. Eu lhe dava mil ações de graças; eu derramava doces lágrimas de consolação à vista da inabalável constância do rebanho fiel, cometido a minha ternura e vigilância; à vista da firmeza apostólica e união admirável do Clero de Olinda, que se serrava em torno de seu humilde Pastor, como as cordas estão unidas a lira, segundo a bela expressão de Santo Inácio, Mártir.



Mas, oh dor! O ato de V. Rvm. meu filho, é sem dúvida, efeito da humana fragilidade, fruto de um momento de irreflexão e de cólera. O dardo atirado justo e, vindo direto ao meu coração, enterrou-se em minha alma, feriu-me dolorosamente, fez-me mais profunda ferida que a rebeldia de um filho querido pode abrir no peito de um pai amante.



V. Rvm. saiu do caminho da verdade, para seguir o declive vertiginoso do erro! Vejo bem agora a gravidade de sua triste e perigosa posição!



Oh! Meu caro filho, do mais íntimo de minha alma, rogo a V. Rvm. com toda a veemência de que é capaz o coração de um Bispo, não fique neste declive escorregadio! Ah! Não vá mais longe, não desça até o fundo do abismo! Por piedade, poupe este golpe ao peito já tão aflito de nossa querida Mãe, a Igreja Católica! Poupe esta dor ao Vigário de Jesus Cristo, já saciado de tantas amarguras! Poupe esta angústia à infeliz Diocese de Olinda! Poupe este escândalo ao Brasil, nossa Pátria entristecida! Não aumente a aflição ao aflito, traspassando o coração de vosso Pai e Pastor.



Meu Irmão, é tempo, não vá mais longe; pare, volte a casa paterna. Lance-se contrito nos braços de nossa terna Mãe, que será indulgente e terá entranhas de misericórdia para o arrependido.



Oh! Pelo precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo amor da Imaculada Virgem Maria, pela salvação eterna de sua alma, não vá mais longe, eu lhe peço com as lágrimas nos olhos!



Sim, eu, seu Pastor, seu Pai, seu Bispo, rogo-lhe por quanto há de mais sagrado, não resista à vontade de Deus, não dispense o chamado do Céu, não feche os ouvidos à voz do Senhor que o exorta por minha boca. – Vinctus Christi Jesu.



Fr. Vital. Bispo de Olinda.





Quanto isto é belo! Quanto é sublime! Nada aqui de concertado. É uma ingênua expressão. É um grito eloquente, como o que escapa do peito da mãe ao ver o filho precipitar-se em medonha voragem!



 
Brasão de D. Vital

Fonte: D. Antônio de Macedo Costa, Bispo do Pará, “A Questão Religiosa – Perante a Santa Sé, ou, A Missão Especial a Roma em 1873, a Luz de Documentos Publicados e Inéditos”, Cap. VIII, pp. 139-141; Imp. na Tipografia da “Civilização”, Maranhão, 1886.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O Santo Rosário Torna o Impossível, Possível.



"Se você rezar o Rosário fielmente até a morte, eu lhe asseguro que, apesar das gravidades de seus pecados 'alcançareis a incorruptível coroa da glória' (I Ped. 5, 4). Mesmo que você esteja à beira da condenação eterna, mesmo que você já tenha um pé no Inferno, mesmo que você já tenha vendido sua alma ao Diabo como os feiticeiros fazem ao praticar a magia negra, e, mesmo que você seja um herege obstinado, como um diabo, inevitavelmente você se converterá, consertará sua vida e JESUS salvará sua alma. Guarde bem o que eu vou dizer: se você rezar o Santo Rosário devotamente cada dia até à morte, com o propósito do conhecimento da verdade, você obterá a graça do arrependimento e o perdão de seus pecados." 

Fonte: São Luís Maria Grignion de Montfort, "O Segredo do Rosário", Cap. "Uma Rosa Vermelha", pp. 5 - 6; tradução do inglês por Geraldo Pinto Faria Júnior, João Monlevade - MG, 1997.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Regina Sine Labe Originali Concepta


Rainha Concebida Sem Pecado Original



I



Os Livros Santos empenham-se em mostrar-nos a Deus Nosso Senhor, na madrugada da Criação, vendo-Se e revendo-Se complacente em cada obra do Seu poder criador à medida que iam saindo flamantes das Suas mãos onipotentes. E viu Deus que era bom tudo o que ia criando. Era boa no seu conjunto e nas suas particularidades toda a obra dos sete dias.[1]



A Criação! Os céus com miríades de astros, a terra com o tríplice reino: mineral, vegetal e animal, desde o átomo imperceptível da matéria até esse maravilhoso microcosmo que se chama o homem, que harpa imensa, vibrando a uníssono com mais imensa cítara, a do mundo angélico, no mesmo hino de glória ao Criador!



Mas, depressa viria o pecado introduzir a desarmonia no mundo material, como já antes a introduzira no mundo espiritual. Lúcifer vira confundido o seu orgulho, a sua ambição de ser como Deus, de ser mais do que Deus. Jurara vingar-se. E já que não pudera arrebatar-Lhe a Divindade, havia de Lhe arrebatar o que de mais esplendoroso sobressaia na criação material.



O homem contagiado por essa mesma ambição de ser como Deus, deixou-se iludir, e o que não se contentara com ser vassalo de Deus, presta a Satanás a vassalagem da sua escravidão. O que era de Deus por direito de criação, agora é de Satanás por traiçoeira conquista. O maldito veda a todas as almas a entrada na vida, dizendo a cada uma: “Hás de passar debaixo das minhas forcas caudinas e eu te marcarei com o estigma das minhas garras, com o selo do meu império”. Assim foi. Esse estigma, esse selo é o Pecado Original.



E eis a humanidade condenada a essa escravidão, de que Davi é o sublime intérprete quando diz: “Fui concebido na iniquidade e em pecado me concebeu minha mãe”.[2] Assim é. Com a vida do corpo recebemos a morte da alma, ou antes, uma alma já morta. Tal foi o triunfo do Dragão infernal. Passará ele agora a eternidade, saboreando a sua vingança e rindo-se para sempre do Criador, defraudado na Sua glória?




II



Não! Toda derrota reivindica desforra, e a glória de Deus não podia renunciar a ela, e ai de nós se renunciasse! Deus não podia ser eternamente ludibriado por Satanás. A reparação impunha-se de algum modo, fosse qual fosse. E o modo escolhido nos eternos arcanos da Sabedoria incriada impôs-se não à Sua Justiça, porque ela não estava obrigada a remir-nos, mas à Sua Misericórdia. Foi uma exigência do Coração de Deus. E havia de ser uma reparação que deixasse a Satanás eternamente confundido, a humanidade eternamente reabilitada e Deus eternamente glorificado.



O que por conquista havia passado para o domínio de Satanás, chegada a plenitude dos tempos, voltaria ao domínio de Deus por direito de reconquista. É o futuro drama da Redenção, entrevisto já no horizonte dos séculos por entre as sombras do Paraíso. E o primeiro ato desse drama ia ser a criação de uma nova Eva, como estirpe de nova geração, que vingaria a derrota de Eva pecadora e regeneraria a sua descendência.



E Deus cria essa Mulher, a Obra-prima das Suas mãos; retrata-se nela com infinita complacência. Já não vê apenas que é boa, como a obra dos sete dias, agora, como se se deixasse extasiar diante desse prodígio de beleza, que é prodígio das Suas mãos, não se pode conter que não diga: Tota pulchra es – És toda bela e em Ti não há a mais leve mancha. Sine Labe, sem labéu.



Aí está o grande triunfo de Deus, aí está o grande triunfo da que vai ser Sua Mãe, confusão eterna para Satanás que, há vinte séculos, contorcendo-se de desespero, ruge impotente e desarmado diante da Nova Eva.



A Primeira Mulher fora ludibriada e por ela o homem e pelo homem toda a linhagem humana. Uma reparação digna de Deus exigia que surgisse Nova Mulher, com uma nova floração da sua fecundidade virginal e imaculada (sêmen illius).



A Serpente infernal conseguira com a sua mordedura envenenar o sangue de nossos Pais. E esse sangue envenenado ia contagiar toda a sua descendência. Toda? Não. Non pro te, sed pro omnibus haec lex constituta est.[3] A lei da transmissão do Pecado Original ia ter na nova Ester a sua única exceção.



E antes que o Dragão conseguisse atingir-Lhe o calcanhar, já Ela lhe havia esmagado a cabeça. Antes que o Sangue redentor de Cristo fosse derramado, já Ele por Sua virtude retroativa havia remido Sua Mãe. Antes que Ela tivesse podido contrair a mancha do pecado, já a Redenção a havia preservado dele, inefável vacinação da graça, que em Maria se antecipou ao vírus da culpa.



E desse modo dignum Filio tuo habitaculum praeparasti, ficou habilitada a conceber a própria Divindade quem sem a mancha original fora concebida.




III



Mas – inimicitias ponam – diz o Senhor. Eu estabelecerei eterna inimizade entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a dEla. Não terminou com a Conceição Imaculada de Maria o duelo entre Deus e Satanás. O reino de Deus e o de Satanás, são dois reinos em guerra aberta, sobretudo depois que interveio na contenda a Mulher entre todas bendita. Ela, com a Sua descendência, continuará através dos séculos a esmagar a cabeça ao Dragão e o Dragão teimará sempre (baldada tentativa!) em morder-Lhe o calcanhar.



Cada alma salva por intercessão de Maria é nova derrota infligida ao príncipe das trevas. E onde recebe ele mais derrotas destas do que em Fátima, ou em qualquer parte do mundo em que a Virgem de Fátima é invocada e venerada? Cada absolvição sacramental, cada conversão em que Ela intervenha, é novo golpe vibrado por Maria na Serpente infernal. Cada hino de louvor que, dentro ou fora da Cova da Iria, Lhe entoa o coro dos Seus devotos, é novo assomo de desespero, é renovada tortura para Satanás.



Judite falando aos seus concidadãos de Betúlia, apresenta-lhes no meio de ingente apoteose, suspensa dos próprios cabelos, a cabeça decepada de Holofernes. E as tribos de Israel, ébrias de alegria proclamam-na vitoriosa.



Do planalto de Fátima, Maria mostra ao mundo e ao Inferno a cabeça esmagada de um monstro mais temeroso do que o caudilho dos Assírios. Fátima, é o teatro de novas vitórias de Maria. E os troféus dessas vitórias, as almas arrancadas ao Dragão, ninguém já os pode contar.



A apoteose que Lhe prestam Seus devotos, deixará para sempre eclipsada, a que prestou Betúlia a Judite. É o eterno pregão da Sua Conceição Imaculada: Tota pulchra es, et macula non est in te. És toda bela, toda pura, tão bela como a mesma beleza, mais pura do que a mesma pureza.




Exemplo



Inédito Concurso de Beleza e… Rainha Eleita



Estavam reservados ao nosso século esses ridículos concursos de beleza, em que, em vez de formosura física, devia ser antes premiada a arte e artifícios com que, à força de pinturas e de vernizes, de frisagens de cabelos e depilações de sobrancelhas, e de mil ensaios ao espelho, se pretende corrigir a obra do Criador e se consegue ocultar o que se é, para parecer o que não se é.



Monstrengos que se batizam oficialmente com o nome de Miss Itália, Miss Canadá e  não sei que mais, eis outras tantas aberrações dos nossos dias, expressões coloridas de descerebração feminina, das que para não serem imagens autênticas de Deus, preferem ser caricaturas de si mesmas.



Mas que também o ridículo seja por vezes susceptível de sérias retificações, prova-o o seguinte exemplo, o primeiro que conhecemos no seu gênero.



O caso passou-se na pitoresca cidade brasileira de Botucatu, do Estado de São Paulo, no mês de Novembro de 1952, quando de Norte a Sul todo o Brasil vibrava de entusiasmo, ao sentir-se visitado por Nossa Senhora de Fátima.



Também ali chegou o frenesi dos concursos de beleza, e a cidade resolveu promover o seu. Afluem naturalmente as candidatas à realeza, pretendendo cada uma cingir o diadema da formosura!



Entre os estudantes de todas as escolas secundárias, lavra um contagiante entusiasmo para a escolha da sua Rainha. Tudo corre ordenadamente, sem as convulsões próprias das campanhas eleitorais.



Faz-se a eleição, e, por maioria esmagadora aparece eleita… Nossa Senhora, e Nossa Senhora sob a invocação mais querida ao coração brasileiro, a Imaculada Virgem Aparecida!



Inspiração individual? Propaganda clandestina? Expressão espontânea de um ideal haurido da própria educação religiosa da mocidade botucatuense? Fosse como fosse, o certo é que Nossa Senhora ganhou o concurso, foi eleita Rainha, e à hora em que escrevemos está-se promovendo freneticamente a solene coroação da Rainha eleita.



E não é menos para aplaudir a atitude das ex-candidatas ao título de rainha, as quais surpreendidas pelo desfecho da eleição, e envergonhadas talvez de terem ousado competir, elas, simples filhas dos homens, com a beleza da Mãe de Deus, unanimemente depuseram as suas candidaturas aos pés da Rainha do Céu. Abrindo os olhos, viram que com esses briosos rapazes, votara também o Espírito Santo: Tota pulchra es… Una est perfecta mea…



Não podemos deixar de fazer nossas as palavras com que a 20 de Novembro de 1952, A Imprensa, órgão católico de São Paulo, se referia ao acontecimento:



“Nossa juventude estudantina ainda não está perdida. Talvez tenha chegado até a beira do abismo; mas ao sentir que seus pés pisavam no vácuo de ilusões e miragens, despertou do sono da mentira para a realidade dos ideais dignos da sua idade. Cansou-se e enfadou-se de rainhas escolhidas pelo único critério da beleza física, e decidiu-se a procurar uma Rainha que, sobre ser a mais bela das criaturas, fosse pura, imaculada, santa, amada de Deus e dos homens, uma rainha de verdade, soberana de todos os corações.



Parabéns à nossa juventude estudantina! Que a sua Rainha a conduza para as montanhas da virtude, do estudo, da nobreza de caráter…



Está vitoriosa a causa de Nossa Senhora Aparecida. Ela, a única candidata dos corações ardentes da juventude estudantina.



Parabéns aos estudantes de Botucatu. Estamos certos de que a coroação da Rainha não só será uma festa inédita, vibrante e solene, mas também será o marco inicial de uma estrada nova, aberta pela mocidade botucatuense em direção à Cidade da Paz, na união da Ciência e da Fé, da virtude e da felicidade”.




Fonte: Rev. Pe. José de Oliveira, S.J., “Florilégio Ilustrado de Fátima” - Novo Mês de Maria, Cap. “Regina Sine Labe Originali Concepta”, pp. 354-359; 3ª Edição, Edição da Sociedade Brasileira de Educação, 1952.



[1]     Gên. 1, 31.
[2]     Salm. 50, 7.
[3]     Ester 15, 13.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Cântico dos Louvores da Mãe admirável MARIA Santíssima Senhora Nossa

Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, Itália.




Louvai obras do Senhor a Senhora: porque Ela é a mais nobre, a mais excelente e perfeita obra do Senhor.



Louvai Sol e Lua a Senhora: porque a Senhora é escolhida como Sol e formosa como a Lua.



Louvai estrelas do Firmamento a Senhora: porque Ela é a radiante Estrela, que guia os navegantes do mar deste século.



Louvai nuvens do Senhor a Senhora: porque Ela é a Nuvem leve, em que desceu a nós o Verbo de Deus humanado.



Louvai orvalhos da manhã a Senhora: porque Ela é o Velo de Gedeão, que embebeu o celeste orvalho do Divino Verbo.



Louvai neves e geadas a Senhora: porque o candor de Sua pureza, é o refrigério dos incentivos de nossa carne.



Louvai raios e relâmpagos a Senhora: porque Ela é o resplendor claríssimo e eficacíssimo da luz da Divina Graça.



Louvai todas as fontes e mares do Senhor a Senhora: porque a Senhora é Fonte fechada com o selo de Deus, é o Poço de águas-vivas e o Mar de todas as Graças juntas.



Louvai plantas e flores do campo a Senhora: porque Ela é a Rosa de Jericó, o Lírio entre espinhos, a Palma de Cades, o Cedro do Líbano, a Árvore da Vida, que nos produziu o Fruto felicíssimo da vida eterna.



Louvai montes do Senhor a Senhora: porque a Senhora é o Monte Santo de Sião, onde se fundou o Templo Vivo da Humanidade de Cristo.



Louvai meninos inocentes a Senhora: porque de Seu intacto ventre se dignou Deus nascer Menino, para nos restituir à primeira inocência.



Louvai Sacerdotes do Senhor a Senhora: pois Ela foi a grande Sacerdotisa, que em Suas mãos tomou e ofereceu a Hóstia Viva e perene Sacrifício, que tira os pecados do mundo.



Louvai Profetas do Senhor a Senhora: porque Ela é a profetizada Profetisa, a quem chegou o Espírito Santo com Sua sombra, para conceber o Rei que tem por nome Apressa-te a vencer e despojar teus inimigos.



Louvai Mártires do Senhor a Senhora: porque Ela foi mais que Mártir, não só de Cristo, como vós o foste; mas no mesmo Cristo, cuja Cruz a crucificava.



Louvai Virgens do Senhor a MARIA: porque MARIA é da Virgindade a forma, a glória e o Magistério: inteira sem esterilidade, fértil sem lavoura e grávida sem gravame.



Todos os Santos, todos os Espíritos Bem-aventurados, todas as Criaturas do Céu e da terra, louvem, exaltem e magnifiquem a MARIA: porque MARIA é a digníssima Rainha e, absoluta Senhora dos Anjos e de todas as criaturas.



Glória a Deus Pai, de quem MARIA é Filha primogênita; glória a Deus Filho, de quem MARIA é Mãe verdadeira; glória a Deus Espírito Santo, de quem MARIA é Esposa escolhida; glória à Beatíssima TRINDADE, de quem MARIA é Sacrário animado. Agora, e sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém.

Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, Itália.


Oh, quem me dera ter estampada no fundo íntimo de minha alma, alguma imagem, alguma sombra ou vestígio da excelentíssima formosura desta grande Senhora! Oh, se por graciosa dignação da mesma Senhora, me acontecesse a ventura de lograr, ao menos por um abrir e fechar de olhos, Sua amabilíssima presença! Ou de ouvir o metal suavíssimo de Sua voz! Ou de ver o ar e majestade dos formosíssimos passos desta Filha do Príncipe! Gloriosíssimo Arcanjo São Gabriel, a quem coube a dita de ser Embaixador do Altíssimo a esta soberana e puríssima Donzela, e Paraninfo dos Desposórios entre o Verbo de Deus e a Natureza humana: dai-me (vos rogo pelo singular amor e reverência, que a esta Senhora tendes), dai-me a sentir e estimar dentro de minha alma, alguma partezinha do muito que conheceis de Suas perfeições, graças e excelências. Quando entrastes em Nazaré, no Seu aposento, e A saudastes por cheia de graça, dizei-me, admirou-vos Sua modéstia? Acendeu-vos Sua caridade? Recendeu-vos Sua pureza? Agradou-vos Sua turbação humilde? Sua prudência, Sua fé, e Sua obediência suspenderam-vos? Aqueles séculos imensos de virtude em quatorze anos de idade, por ventura não estavam graciosíssimos e poderosos para atrair a Si toda a Beatíssima Trindade? Que sentiu (dizei-me) Sua bendita Alma, quando conheceu que era escolhida para verdadeira Mãe de Seu Criador; e isto sem dispêndio de Sua virginal inteireza? Oh, maravilhas inefáveis do Altíssimo! Oh, Obra digna do braço do Onipotente! Se este Senhor é admirável em Seus Santos; na que é Rainha e Senhora de Todos os Santos, quanto será admirável? Ó MARIA Santíssima, dulcíssima, preciosíssima, piedosíssima. Mãe de meu Senhor Jesus Cristo, honra do Gênero Humano, glória, refúgio e amparo certo de toda a Igreja Católica; a Vós aponto as setas do meu arco; porque a Vós dirijo as ânsias e desejos de meu coração. Desejo servi-Vos, desejo imitar-Vos, desejo ser agradecido aos inumeráveis benefícios, que por Vossa mão tenho recebido de Vosso benditíssimo Filho: desejo, e de todo o meu coração o desejo, ver-Vos e louvar-Vos. Oh, que dita; oh, que extraordinária felicidade seria a minha, se a graça de Vosso Filho e meu Senhor Jesus Cristo, me fizesse digno de seguir de algum modo Vossos acertados caminhos, e copiar em minha alma, alguma, ainda que leve, sombra de Vossas excelentíssimas virtudes! Oh, se o servo pudesse ser agradável e aceito aos olhos de Sua Senhora! E, oh, se os piedosos e puríssimos olhos de minha Senhora, se me descobrissem ao menos por um ligeiro instante, dispensando Sua dignação com minha indignidade!


Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, Itália.

Fonte: Ven. Pe. Manoel Bernardez, Oratoriano, “Luz e Calor”, 2ª Parte, Opúsculo IV, Solilóquio XXII, Pontos 402-403, pp. 453-455; Nova Edição, Lisboa, 1871

terça-feira, 20 de novembro de 2018

"Conhecereis a Verdade" (Jo. 8, 32).



A Vida Exterior de Jesus e o seu Plano





1. A Vida exterior de Jesus – Divide-se em duas partes: a) na primeira foi operário até à idade de 30 anos; b) na segunda foi mestre cerca de 3 anos. Em ambas estas fases, excetuando as manifestações milagrosas dos últimos anos, foi a sua vida exterior, semelhantíssima à vida humana ordinária, sujeito como este a todos os acontecimentos ordinários, ora alegres, ora adversos, como costuma acontecer na vida dos homens.



Nasceu em Belém, na Judeia, onde, casualmente se achou sua Mãe, por motivo do recenseamento da população, ordenado por César Augusto.



Ainda menino, foi perseguido por Herodes o Grande, fugindo seus pais com Ele para o Egito, por alguns anos. Voltando e tornando-se adulto, trabalhou na oficina de seu pai putativo, em Nazaré na Galileia, pátria de sua Mãe. Todos os anos, como se presume, ia com seus pais a Jerusalém.



Começando a vida do Magistério aos 30 anos, ia de vila em vila ensinar nas sinagogas, como costumava fazer também os outros mestres hebreus. No início de sua pregação assistiu a um banquete nupcial, em companhia de sua Mãe e de alguns de seus Discípulos e amigos. A princípio dirigiu-se a Jerusalém, centro religioso dos hebreus; mas, perseguido pela inveja da escola farisaica, voltou atrás e escolheu para centro das suas excursões Cafarnaum, junto do lago da Galileia, lugar oportuno para Judeus e Gentios. Não deixou, porém, de fazer frequentes viagens a Jerusalém. Aceitava hospedagem dos bons e às vezes mesmo dos Fariseus, seus inimigos, para ter ocasião de os instruir. Ensinava por toda a parte, mesmo fora das sinagogas: nas praças, nos campos, na margem do lago e até dentro de um barco, onde certa ocasião foi surpreendido pelo sono durante uma tempestade.



Foi amigo íntimo da família de Lázaro, em cuja casa de bom grado descansava dos seus trabalhos e onde Marta era solicita em preparar-lhe algum alimento, ao passo que Maria sentava-se perto dEle, desejosa de Lhe ouvir os ensinamentos. Numa viagem pela Samaria, cansado e cheio de sede, descansou junto de um poço e pediu de beber a uma Samaritana, aproveitando a ocasião para a instruir. Finalmente, crescendo a perseguição dos seus inimigos, Pilatos, governador romano, instigado pelos chefes dos Judeus, embora tivesse por muitas vezes reconhecido a Sua inocência, por fraqueza, condenou-O à morte.



2. O Plano de Sua obra – Jesus Cristo nos seus ensinamentos repetia com frequência que havia sido mandado por Deus para fazer uma Nova Aliança com os homens, reconciliá-los com Ele, torná-los seus filhos adotivos (João 1, 18) e reuni-los numa grande e única Família, obediente a Ele. Dizia em suma, que viera fundar uma nova Sociedade Religiosa, universal e extensa como o gênero humano. Escolheu para isso Doze homens, aos quais instruiu de modo especial e revelou os seus segredos. Eles, porém, estavam ao princípio, cheios de prevenções e não compreendiam bem de que se tratava. Quantas vezes lhes falou Jesus do Novo Reino, ora manifestamente, ora de modo velado! Disse-lhes (pois que os mais deles eram pescadores) que queria fazê-los pescadores de homens, que seriam a luz do mundo e suas testemunhas até aos confins da terra.







Vida Interior de Jesus



Preâmbulo – Na história narra-se a vida de alguns homens que foram chamados grandes; mas infelizmente a sua grandeza consistia muitas vezes em algum vício favorecido pela fortuna, como a ambição ou a vingança, ou mesmo em algum dote natural, como a força, o talento. A verdadeira grandeza, porém, não está nas qualidades exteriores, nem no bom êxito das empresas, mas sim: – 1º nas qualidades da mente e do coração; 2º nestas qualidades bem equilibradas entre si; – 3º nestas qualidades atuadas por meios que a natureza dá a todos.



Jesus Cristo é verdadeiramente grande, com esta soberana grandeza: é para todos, ou sejam grandes, ou sejam pequenos; é um protótipo único no mundo. E posto que exteriormente tenha tomado a condição dos humildes e dos operários, contudo a Sua vida interior resplandece de uma beleza maravilhosa. Basta examinar as Suas relações com Deus, com os homens e consigo mesmo: três pontos de que depende a verdadeira grandeza.



Para com Deus



Sumo respeito. Por exemplo no jardim das oliveiras…; nas respostas ao Tentador…; na resposta que deu a São Pedro: “Retira-te Satanás…”; nas respostas que deu a Seus pais: “Não sabíeis…?” Obediência. “O meu alimento...” “Não se faça a minha vontade” – Amor ao Pai. “Meu Deus, por que me abandonaste?” “Pai, nas tuas mãos...” Honra ao Pai. “A minha doutrina não é minha...” “O Pai dá testemunho de mim”. – Oração. Retirava-se a rezar sobre os outeiros… Orou antes do Batismo…, antes da escolha dos Apóstolos, etc.



Para com o próximo



Amor e beneficência. Corria de aldeia em aldeia para instruir… curava os enfermos… Uma vez descobriram um telhado, porque a multidão… A hemorroíssa… A cananeia. – E principalmente para com os pecadores. Exemplo da adúltera… de Maria Madalena… de Zaqueu. – Para com os inimigos. Aceitava-lhes a hospitalidade…; curou a orelha de Malco… censurou os Apóstolos: “Filhos do trovão”. - Para com as crianças. Acariciava-as e abençoava-as…; repreendeu os Apóstolos que as repeliam. – O povo ficava encantado com as Suas palavras. Uma vez ficou este três dias sem comer; os próprios beleguins, mandados para prendê-lo, ficaram cativos da Sua bondade.– Preceito da caridade. A parábola do Samaritano.



Para consigo mesmo



– Jesus Cristo não se fez centro e objeto das Suas ações, mas atribuiu-as a Deus. Ora, como a vida tem prazeres e dores, Ele dos prazeres só gozou, quando redundavam em glória de Deus, só logrou pouquíssimos. Quanto às dores: primeiro, sofreu-as com paciência, e tantas quantas aprouve ao Pai enviar-lhe; segundo, aos prazeres preferiu as dores, porque estas nos aproximam de Deus. Assim é que não havia nEle ambições de honras nem de riquezas; antes fugiu, quando o povo O quis proclamar Rei.



Outras Insignes Qualidades de Jesus Cristo



1. Paciência e Mansidão (diziam-lhe que não havia estudado… chamaram-no endemoniado… sedutor…; muitas vezes devia alterar as Suas viagens, pelas insídias que lhe armavam…; perdoava aos inimigos e os desculpava).



2. Não se queixava de Deus (a alçada da Sua missão era restrita, o efeito muito reduzido – ficar na oficina até os 30 anos).



3. Não usou do poder em Seu favor. Repreendeu a Pedro que à força se opunha à Sua prisão.



4. Sentia todos os afetos humanos. Por exemplo na morte de Lázaro… A amargura por ser atraiçoado por Judas…; a tristeza no jardim das oliveiras…; a terna amizade que dedicava à família de Lázaro.



5. Fidelidade na Sua missão. Resposta à Sua Mãe e à Cananeia.



6. Coração magnânimo. Repreendeu os Apóstolos por quererem que um tal não fizesse milagres.



7. Inteligência perspicaz. No caso da adúltera… da moeda de César…; da mulher curvada…; dos Fariseus que lhe perguntavam com que poder expulsava os profanadores…; do tributo ao templo.



8. Franqueza. No jantar em casa do Fariseu…; com Marta…; quando alguns queriam abandoná-lO… perante o Sinédrio.



9. Ódio a hipocrisia. “Sepulcros branqueados...”.



10. Prezava a virtude, a fé. Centurião…; A Cananeia…; as moedas da viúva.



11. Modo de ensinar. Simples, mas com autoridade, afirmando e não argumentando ou deduzindo. Ensinava com majestade e decisão, com facilidade e naturalidade, os mais profundos mistérios. Doutrinava por toda a parte: nas ruas, nos campos, nas margens do lago, nos outeiros, servindo-se das semelhanças mais óbvias, como da vida doméstica, dos rebanhos, da vermelhidão do ocaso, da pesca, da mulher que perde uma moeda, dos obreiros que vão à vinha.



12. Equilíbrio de todas as virtudes. As Suas virtudes estavam todas equilibradas de forma, que uma não sobrepujava a outra. Era grave, sem altivez nem dureza (Mat. 9, 15; 19, 21; Jo. 17, 15); modesto, sem afetação (Luc. 7, 38; Jo. 1, 42); resignado, sem abatimento (Mat. 26, 46; Jo. 16, 32); indignava-se, quando convinha, sem cólera (Mat. 23, 2; 9, 37; Luc. 4, 27; 19, 41; Jo. 6, 27); firme, sem obstinação (Mat. 12, 15); afetuoso, sem fraqueza (Mat. 16, 23; 17, 19; 20, 22); inspirava veneração e confiança (Luc. 10, 28; Jo. 4, 27; 21, 22); a Sua linguagem e a Sua fisionomia, tinham uma nobreza e um encanto que atraiam os povos (Mat. 7, 28; Luc. 2, 47; 4, 22; 7, 16; 10, 26; Jo. 7, 46; 8, 23; 13, 13; 18, 21).



Conclusão



Depois de tudo isto, já se sente no espírito um forte pressentimento de que Jesus Cristo deva ser o verdadeiro Enviado de Deus.





Fonte: Pe. Eugênio Polidori, S.J., “Curso de Religião”, 2ª Edição brasileira, 1ª Parte, Cap. III, Questão XI e XII, pp. 80-86; Livraria Salesiana Editora, S. Paulo/SP, 1915.

domingo, 11 de novembro de 2018

Consagração a Nossa Senhora do Carmo



Ó Maria, Rainha e Mãe do Carmelo, venho hoje consagrar-me a Vós.

Tudo o que sou e tudo o que tenho entrego em Vossas mãos!

Vós olhais com especial bondade os que estão revestidos do Vosso Escapulário.

Suplico-vos que fortaleçais com o Vosso poder a minha fraqueza, iluminai a escuridão da minha mente com a Vossa sabedoria.

Aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade, para que possa render-vos todos os dias a minha homenagem.

Que o Santo Escapulário atraia sobre mim o Vosso olhar misericordioso.

Traga-me a Vossa especial proteção nas lutas diárias, para que eu possa ser fiel a Vós e ao Vosso Divino Filho.

Possa o Santo Escapulário afastar-me de tudo que é pecaminoso e me lembre sempre o dever de imitar-vos e revestir-me com Vossas virtudes.

Desde já me esforçarei para viver em Vossa presença, ser na vida um espelho da Vossa humildade, caridade, paciência, mansidão e empenho!

Mãe querida, apoiai-me com Vosso constante amor, para que eu, Vosso filho pecador, possa um dia trocar o Vosso Escapulário pela veste celestial e viver convosco e os Santos do Carmelo no Reino do Vosso Filho. Amém!

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Por que Devemos Honrar a Santissima Virgem Mãe de Deus?


 
A própria Trindade adorável deu-nos o exemplo das homenagens a prestar a mais pura, santa e sublime das criaturas.

O Pai celeste, tratando-A como sua Filha predileta, dotou-A, desde a sua Conceição Imaculada, de dons, de prerrogativas, de favores imensamente superiores aos dos Santos Anjos e dos Eleitos reunidos.

Deus Filho, escolhendo-A para sua Mãe querida, consagrou-lhe inteira obediência e amor filial; cada dia saudava-A, agradecia-lhe, honrava-A com o respeito mais sincero e a mais terna afeição. Que belo Modelo a seguir!

O Espírito Santo, predestinando Maria para sua Esposa puríssima, entregou-lhe todos os bens da Redenção, a fim de que, enriquecida além de toda medida, pudesse fornecer a todos os homens o necessário e o superabundante na ordem da salvação. Ah! Não pode haver maior honra, confiança e ternura por parte do Criador para com uma simples criatura.

Também a Igreja, inspirada por seu divino Fundador, nunca julgou exorbitar, elevando o culto de Maria à altura em que A colocou. Cada ano consagra-lhe dois meses inteiros: Maio e Outubro, e celebra grande número de festas em memória da sua Conceição, do seu Nascimento, da sua Vida, de sua Morte, de seus Privilégios e de suas Virtudes. Todas as semanas reserva-lhe o Sábado; e três vezes ao dia convida os fiéis a saudá-lA ao som do Angelus, recordando-nos assim o Mistério inefável em que Maria, tornando-se Mãe de Deus, se tornou também nossa Mãe e nossa Advogada Onipotente junto ao Todo-poderoso. E quantos Santuários são dedicados a essa gloriosa Rainha, e sob quantos títulos é Ela invocada em todo o Orbe Católico! A Igreja Universal confirma assim o que os Doutores e os Santos têm escrito sobre o poder e a bondade de Maria.

Rainha e Mãe nossa, considerando o que a adorável Trindade, a Santa Igreja e todos os verdadeiros discípulos de Jesus têm feito por Vós, cubro-me de confusão ao pensar em minha tibieza em Vosso serviço. Obtende-me a graça:

1º de honrar-Vos como a Virgem Imaculada, a Mãe do Verbo Encarnado, a Soberana do Céu e da terra, a mais perfeita imagem criada do Ser incriado;

2º de amar-Vos como a mais pura, a mais Santa das criaturas e a Cooperadora do Salvador na nossa Restauração espiritual;

3º de suplicar-Vos e invocar-Vos como a Dispenseira dos Dons celestes e a Medianeira da nossa salvação. Qui me invenerit inveniet vitam et hauriet salutem a Domino.



Dos Bens que nos Advêm da Devoção a Maria Santíssima

Se é desnaturado o filho que não ama a sua mãe, que nome nos darão os Anjos se não amarmos a Maria? Não foi Ela que gerou para a graça e para a glória no excesso da Sua dor? E depois disso não se tornou Ela a nossa nutriz na ordem da salvação? Quem a invocou jamais sem ser por Ela socorrido? Todos os pecadores, quebraram as cadeias de sua escravidão, pela intercessão de Maria. Todas as almas inocentes que perseveraram no bom caminho devem esse privilégio as Suas preces.

Os Santos que hoje se acham na glória, um S. Efrém, um S. Bernardino de Sena, um S. Filipe Néri, um S. Afonso e tantos outros, reconhecem que, depois de Jesus, devem a sua coroa à divina Mãe. Os Doutores prestam-lhe homenagens e proclamam-nA, com S. Cirilo, a Lâmpada Inextinguível e a Rainha da Fé Católica. As Virgens atribuem-lhe a honra da sua virgindade, os Mártires, a da sua paciência, e Todos os Santos, a das suas virtudes. “Por Ela, diz ainda S. Cirilo, o Céu inteiro triunfa, os Anjos e os Arcanjos se alegram, os Demônios são banidos, e todo o Gênero Humano se coloca no caminho que o leva à eterna beatitude”.

Como poderás então, alma presumida, atribuir aos teus méritos e à tua fidelidade o pouco de bem que operaste? Donde te vêm o perdão dos pecados e a vitória nas tentações, e a paz interior que gozas? Não é daquela a quem dás o doce nome de Mãe, e que é a Dispenseira dos Bens celestes? Dize-lhe, pois, com humilde reconhecimento:

Ó Mãe da divina graça! Se recebi a verdadeira fé, uma educação cristã, se escapei do contágio do século e não fui, como tantos outros, a triste vítima das ciladas de Satanás e dos suplícios eternos, devo-o, depois de Jesus, a Vossa proteção e ao Vosso amor maternal. Quisera ter a linguagem dos Anjos e dos Bem-aventurados para vo-lO agradecer. Ao menos proponho-me por gratidão: ler e meditar muitas vezes as Vossas alegrias, as Vossas dores e as Vossas glórias; saudar-Vos e implorar-Vos, a exemplo de S. Afonso, todos os quartos de hora; trabalhar na minha santificação, na intenção de agradecer-Vos e sob a Vossa doce e eficaz direção. Amém.

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