Blog Católico, para os Católicos

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Suspiros de uma Alma Devota



(Preparação para a Santa Comunhão)


Deixai-me já, criaturas todas, que a nenhuma de vós busco nesta hora. Outra é a origem dos meus cuidados, e mais alto o motivo dos meus desvelos. Ao meu Deus busco; e, até O não lograr, não terá sossego o meu coração.

Oh! Onde estais, meu amoroso Deus? Onde Vos escondeis, desejado centro da minha alma?

Assim como o cervo deseja com ardor a fonte, assim a minha alma Vos deseja.

Quando será, ó meu Deus, que vireis ao meu coração, e me tirareis fora de mim num santo transporte que me faça esquecer todos os meus males, para não me lembrar senão de Vós, e para me unir só a Vós, como o meu único Bem!

Que tenho eu, Senhor, fora de Vós, ou seja, no Céu ou na terra? Ou, que posso desejar mais que a Vós, que Sois a minha ditosa herança?

Ó Deus meu, quanto me enternecem as Vossas memórias, quando Vos considero Sacramentado, por amor dos homens!

Ó Sabedoria infinita, que todas as coisas dispondes com suavidade, vinde a ensinar-me o caminho da vida eterna.

Ó Divino Esposo, se Sois todo para ser desejado, que assim Vos chamou a Vossa Esposa, como não Vos desejará muito a minha alma?

Ó Alegria dos que verdadeiramente Vos amam, para que me deixais estar tão triste e solitário sem a Vossa presença? Para que me prolongais tanto esta vinda? Se a esperança que se difere aflige a alma, para que me causais tanta aflição com tão dilatada demora?

Ó Fogo incriado, quando me abrasareis nos incêndios do Vosso amor? Quando consumireis em mim o que tenho de mim mesmo? Quando me unireis e transformareis em Vós perfeitamente?

Ó Jesus dulcíssimo, Jesus amabilíssimo, bem vedes a minha pobreza e desnudez de todas as virtudes: revesti-me de Vós mesmo, que Sois a virtude do Altíssimo.

Ó Luz de meu coração, ó Doce refrigério, não Vos demoreis mais; vinde a toda pressa, e enchei piedoso com a Vossa presença os seios da minha alma, que ansiosa suspira, e sem cessar Vos chama para Vos gozar.

Eia, Senhor, não Vos detenhais; vinde ao meu coração, que qualquer instante de demora são séculos para o meu desejo.

Oh! Quando Vos lograrei, Deus meu; e quando chegará aquele feliz ponto, em que, vendo-Vos meus olhos, Vos toque a minha língua, e Vos entesoure no meu peito!

Mas basta, alma minha, basta; respira nessas vivas ânsias; suspende estas sentidas saudades; que, se desejas o Esposo dado para ti, brevemente O terás dentro da tua morada.

Vinde já, Amor da minha vida, que a minha alma Vos espera, e com inexplicável prazer Vos deseja receber. Fazei nela morada, para que, purificada de culpas, abrasada em chamas do Vosso amor, Vos sirva na vida, e Vos louve na Glória. Assim seja.


Fonte: “Pequeno Livro da Missa e da Confissão e outras Devoções”, Edição feita sobre a do Prior d’Abrantes, pp. 112-116; LaPlace, Sanchez e Cª Editores, Paris, 1885.


domingo, 26 de fevereiro de 2017

Carnaval: Dias de Trevas e Escuridão, mas também, de Luz e Amor de Deus.



Domingo da Quinquagésima

Evangelho segundo São Lucas, XVIII, 31-43.


Naquele tempo, tomou Jesus à parte os Doze Apóstolos, e disse-lhes: “Eis, aqui vamos para Jerusalém, e tudo o que está escrito pelos Profetas tocante ao Filho do Homem, será cumprido: porque Ele será entregue aos gentios, e será escarnecido, açoitado, e cuspido; e depois de O açoitarem, tirar-lhe-ão a vida, e Ele ressurgirá ao terceiro dia”. Mas os Apóstolos nada disto compreenderam, e era para eles este discurso um segredo, e não penetravam coisa alguma do que se lhes dizia. Sucedeu porém que, quando Jesus ia chegando a Jericó, estava sentado à beira da estrada um cego pedindo esmola. E ouvindo o tropel da gente que passava, perguntou o que era aquilo. E responderam-lhe que era Jesus Nazareno, que passava. No mesmo instante se pôs ele a bradar, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem de mim piedade. E os que iam adiante repreendiam-no para que se calasse. Porém, ele cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem de mim piedade. Então Jesus parando, mandou que o trouxessem. E quando ele chegou, perguntou-lhe dizendo: “Que queres que te faça?” E ele respondeu: “Senhor, que eu veja”. E Jesus lhe disse: “Vê, a tua fé te salvou”. E logo imediatamente viu, e o foi seguindo, engrandecendo a Deus. E todo o povo assim que isto presenciou, deu louvor a Deus.

Meditações

Adoremos Jesus Cristo nos dois fatos de que nos fala o Evangelho deste dia. De uma parte, prediz a sua Paixão, da outra, restitui a vista a um cego de nascença. – A narração destes dois fatos é cheia de atualidade nestes dias de licença, que nos mostram, de um lado, a Paixão do Salvador renovada pelas desordens do Carnaval; de outro, o mundo tão cego a respeito das coisas de Deus e da eternidade. Façamos pública retratação a Jesus Cristo das desordens do mundo; e não deixemos decorrer estes santos dias sem lhe suplicar que nos ilumine e nos converta. Temamos, com Santo Agostinho, que ele passe sem nos tornarmos melhores – Time Jesusm transeuntem.


Primeiro Ponto

Estamos obrigados para com Jesus Cristo
a fazer destes três dias,
três dias de penitência e de mortificação.

Nunca imaginaremos todas as dores que tem causado ao Coração de Jesus as desordens do mundo durante estes três dias, quando do Horto das Oliveiras as viu distintamente no decurso dos séculos. Seria necessário, para imaginá-las, amar a Deus como Ele, compreender como Ele a enormidade do pecado, que despreza a onipotência de Deus, afronta a Sua justiça, ultraja a Sua santidade, menospreza a Sua bondade, desconhece os Seus benefícios: injuria atroz, que Ele vê multiplicar-se aos milhares, durante estes três dias; seria necessário amar os homens como Ele, compreender como Ele a desgraça dessas almas que não querem salvar-se, e se obstinam em perder-se, calcando o Seu Sangue aos pés, tornando inúteis os Seus tormentos, infrutuoso o Seu amor, para irem afoitamente lançar-se no Inferno. Ó dor acerba! A Sua Alma está numa tristeza mortal (Mat. XXVI, 38). Ora, não devem os amigos tomar parte nas angústias do amigo, que eles veem padecer, ir consolá-lO e visitá-lO? Jesus Cristo, exposto nos nossos altares, convida-nos a cumprir este grande dever. Não O amamos se, recusando acompanhá-lO nas Suas dores, O forçamos a repetir a queixa que Ele proferiu outrora pela boca do Profeta: “Estive esperando que alguém se entristecesse Comigo, mas não apareceu ninguém; estive esperando que alguém Me consolasse, mas não achei tal” (Ps. LXVIII, 20).


Segundo Ponto

Estamos obrigado para com o próximo
a fazer destes três dias,
três dias de penitência e de mortificação.

Ai! Esses homens, que se perdem, são nossos irmãos; e não devemos compadecer-nos deles? (Mat. XVIII, 33) Amamo-los, se a desgraça, em que caem, não nos fala ao coração, se não oramos e não fazemos penitência por eles? “Ainda que não se tratasse senão da perda de uma só alma, diz Santo Agostinho, não haveria coração de ferro, coração duro como o diamante, que pudesse ser a isso insensível”. Que será pois, principalmente nestes dias, em que um maior número do que de ordinário se alista debaixo da bandeira de Satanás? Oh! Se tivéssemos verdadeira caridade, se amássemos ao próximo como a nós mesmos, se o amássemos como Jesus Cristo nos amou, segundo o Seu Mandamento, quantas penitências e mortificações não nos imporíamos pelos pobres pecadores! Quais são as nossas disposições à entrada destes santos dias?


Terceiro Ponto

Estamos obrigados para conosco
a fazer destes três dias,
três dias de penitência e de mortificação

Com efeito, Nosso Senhor liga a esta prática uma promessa de salvação e um penhor de predestinação. “Já que vós, diz Ele aos seus Apóstolos, permaneceis fiéis a Mim nestes dias de tribulação e de provação, privando-vos dos prazeres do mundo para vos lembrardes da Minha Cruz, prometo-Vos dar-vos um reino, fazer-vos gozar as delícias do Céu, sentar-vos sobre tronos, donde julgareis as Doze tribos de Israel” (Luc. XXII, 28-30). E em outra parte, promete aos que se entristecem por seu amor, enquanto o mundo se alegra, que a sua tristeza há de converter-se em eterno gozo (Joan. XVI, 20.22). Palavras que nos mostram a sorte dos que seguem o mundo nestes dias de desordem, e a sorte dos que seguem Nosso Senhor. Uns passam o tempo nas diversões do século, outros nas lágrimas e na prática da penitência; mas logo essas lágrimas serão seguidas de uma alegria que nunca terá fim. Nesta alternativa, que decisão tomaremos? Podemos hesitar um só instante?

Fonte: M. Hamon, “Meditações Para Todos os Dias do Ano”, Tomo II, Domingo da Quinquagésima, pp. 68-71; Traduzidas da terceira edição francesa pelo Pe. Francisco Luiz de Seabra, Livraria Lello & Irmão, Editores, Porto/Lisbôa, 1940.


Reparação para os Dias de Carnaval

Nestes dias, quantos cristãos, com pecados e devassidões, entristecem o Bom Jesus! Supliquemos ao Divino Salvador nos envie o seu Espírito Celestial que, iluminando as nossas inteligências e afervorando os nossos corações, nos auxilie para, nestes dias de carnaval, não nos afastarmos de nosso lugar de almas fiéis e reparadoras. Em espírito de reparação pelos pecados e pelas abominações que se perpetram nestes dias, façamos a Jesus Eucarístico a nossa visita, pedindo-lhe luz e misericórdia.

*Canta-se “A nós descei, divina luz”, ou outro cântico.

A nós descei, divina luz, a nós descei, divina luz,
E em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus.

Sem Vós, Espírito Divino, cegos só podemos errar.
E do mais triste desatino, e do mais triste desatino,
no mais profundo abismo, sem fim, sem fim penar.

O negro Inferno nos faz atroz guerra,
contra nós arma o mundo sedutor;
tudo é para nós perigo nesta terra,
sois Vós, sois Vós nosso libertador.
Sois Vós, sois Vós nosso libertador.

A nós descei, divina luz, a nós descei, divina luz,
E em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus.

Em seguida, acrescentam-se as seguintes súplicas de desagravo ao Divino Coração de Jesus:

Ato de Reparação

Clementíssimo e misericordiosíssimo Salvador nosso, cheios de confusão nos prostramos em Vossa presença e detendo a vista sobre o Tabernáculo solitário, onde estais prisioneiro por nosso amor, sentimo-nos oprimido o coração ao considerarmos o abandono e o desprezo em que Vos deixam tantos cristãos.

Aqui estamos, ó Deus de bondade, para Vos pedirmos perdão e misericórdia sobre nós e também sobre aqueles que, nestes dias, esquecidos de sua dignidade de criaturas feitas a Vossa Imagem e santificadas com a graça do Vosso Batismo, deixam-se enganar pelas tentações do Demônio e pelas vãs aparências do mundo e mancham sua alma com pecados e indignidades sem conta. Nós aqui choramos por aqueles que Vos abandonaram… Aceitai, ó Senhor, o clamor da expiação que um sincero pesar arranca de nossas almas angustiadas.

Sacerdote – Pelas infidelidades e sacrilégios.
Povo – Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
Sacerdote – Pelas libertinagens e escândalos públicos.
Povo – Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
Sacerdote – Pela falta de modéstia no trajar.
Povo – Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
Sacerdote – Pelos corruptores da infância e da juventude.
Povo – Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
Sacerdote – Pelos crimes dos lares cristãos, pelas faltas dos pais e dos filhos.
Povo – Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
Sacerdote – Ó Jesus! O mundo Vos despreza e procura rechassar-Vos… E que faria o mundo sem Vós? São muitos os que maldizem o Vosso nome, negam o Vosso Evangelho… mas são também muitos os que Vos amam, os que Vos querem sempre a seu lado, nas alegrias e nas horas tristes. Aqueles mesmos que Vos ferem com o pecado, dia virá em que hão de reconhecer que só Vós dissestes a verdade, só Vós ensinastes a justiça, só Vós prodigalizastes a verdadeira caridade! E por isso, em nome desses ingratos, nós Vos pedimos perdão: “Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!”

Sacerdote – São tantos os que lucram tolerando os pecados públicos, que traficam na profanação das consciências e dos sentidos!…
Povo – Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!
Sacerdote – São tantos os que despendem dinheiro e juventude nas dissipações mundanas ou prazeres que Vos ofendem!…
Povo – Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!
Sacerdote – São tantos os sedutores das almas, que pelos jornais e pelos livros se enriquecem, pervertendo seus irmãos!…
Povo – Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!
Sacerdote – São tantos os que exercem a deplorável profissão de excitar vícios e paixões, por meio de espetáculos onde tudo é permitido!…
Povo – Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!
Sacerdote – São tantos os fracos que, desatendendo os reclames da própria consciência, cooperam para o escândalo social das modas, teatros e cinemas!…
Povo – Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!

Oremos – Ó Deus eterno! Deus de bondade! Aceitai o nosso ato de desagravo: acolhei benigno as nossas súplicas, em consideração do Coração adorável de Vosso Divino Filho, que vela em nossos santuários, Vítima permanente por nossos pecados! Seja ouvida em favor de toda a humanidade pecadora a voz do Sangue preciosíssimo de Jesus!

Desça, Senhor, a Vossa graça sobre todos os homens, penetre todos os corações…, cessem as ofensas…, estabeleça-se Vosso Divino Amor: reine ele, e triunfe nos corações de todos os homens, a fim de que todos gozem um dia convosco no Céu! Assim seja!


Fonte: Manual de Orações – Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, pp. 108-111; Paróquia Pessoal do Senhor Bom Jesus Crucificado e do Imaculado Coração de Maria, Bom Jesus do Itabapoana – RJ, 2007.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Sobre o Carnaval: É artigo de Fé que o mundo é o irreconciliável Inimigo de Deus.



"... São tantas as almas 
que a Justiça de Deus condena por pecados, 
contra Mim cometidos, 
que venho pedir reparação: 
sacrifica-te por essa intenção e ora".

*Nossa Senhora de Fátima à Irmã Lúcia, 
em 13/6/1929, na Capela do Convento de Tuy, na Espanha 
(Extr. de "Documentos de Fátima", do Rev. Pe. Antônio M. Martins, S.J., Porto, LE, 1976).


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Não ter Devoção à Maria Santíssima é Sinal Certo de Perdição Eterna



“… Pobre das almas que deixam de ser devotas de Maria e de se recomendar a Ela em todas as ocasiões. Diz Santo Anselmo, que assim como aquele que se recomenda a Maria e por Ela é olhado com amor, não pode se perder, tampouco é possível que se salve o que não é devoto de Maria e por Ela protegido. – São Francisco de Borja perguntou certa vez a uns noviços, de que Santo eram mais devotos, e achando que alguns não tinham devoção especial a Maria, avisou ao Mestre dos Noviços que olhasse com mais atenção para aqueles desgraçados; e sucedeu que todos perderam miseravelmente a vocação, e quiçá com esta, também, a alma… Quem dera que todos os homens amassem esta benigníssima e amantíssima Senhora, e a Ela recorressem sempre e imediatamente no momento da tentação! Quem jamais havia de cair? Cai e perde-se quem não recorre a Maria”.1

Cum metu et tremore vestram salutem operamini – ‘Com temor e tremor empenhai-vos na obra da vossa salvação’. Meu irmão, avivemos a nossa fé, que tanto o Inferno como o Céu são eternos; lembremo-nos que um ou outro nos caberá por sorte. Este grande pensamento nos encherá de medo e nos fará evitar as ocasiões de ofendermos a Deus e empregar os meios necessário para alcançarmos a salvação. Quem não treme pelo temor de se perder, não se salvará. – Façamos, sobretudo, por adquirir uma devoção verdadeira para com a Santíssima Virgem, e examinemos frequentes vezes se, porventura, nos tenhamos relaxado neste ponto. Oh, quantos cristãos estão ardendo no Inferno, por terem deixado de honrar a grande Mãe de Deus!”2

Que a prática de invocar aos Santos, a fim de nos alcançarem a divina graça, seja não somente lícita, mas também útil, é um ponto da fé. Entre os Santos, porém, que são amigos de Deus, e a Santíssima Virgem, que é sua verdadeira Mãe, há esta diferença, que a intercessão de Maria não é só utilíssima, mas também moralmente necessária, de modo que o Bem-aventurado Alberto Magno e São Boaventura chegam a afirmar, que todos os que se descuidam da devoção a Nossa Senhora, não a servem, e consequentemente não são por Ela protegidos, morrerão todos em pecado mortal e se condenarão: A gente que não Te servir, perecerá. É esta, diz Soares, a opinião universal da Igreja”.3 “… Assim como Holofernes, para conquistar a cidade de Betúlia, ordenou que se cortassem os aquedutos, também o Demônio faz quanto pode, a fim de que as almas percam a devoção à Mãe de Deus. Pela experiência o Espírito Maligno sabe que, tapado este canal das graças, depois fácil ou, antes, certamente consegue conquistá-las. Quantos cristão estão agora no Inferno, por terem se deixado iludir assim”.4

É tão liberal e grata a Rainha do Céu, que, no dizer de Santo André de Creta, recompensa com riquíssimos prêmios os pequenos obséquios de seus servos… Mas não te exorto tanto a praticar todos estes obséquios, como a praticares os que possas escolher ou já tenhas escolhido, com perseverança, temendo que, se te descuidares deles no futuro, percas a proteção da divina Mãe. Oh! Quantos daqueles que agora estão no Inferno, teriam sido Santos do Paraíso, se tivessem perseverado nos obséquios a Maria, uma vez escolhidos e principiados!”.5

Meu irmão, quando nos sentirmos culpados perante a justiça divina e já como que, condenados ao Inferno, por causa dos nossos pecados, não nos entreguemos à desesperação; recorramos a Maria, refugiemo-nos debaixo de seu manto, e Ela nos salvará. Tomemos a resolução de mudarmos de vida; tenhamos boa vontade e grande confiança no patrocínio de Maria e seremos salvos, porquanto, Ela é uma Advogada poderosa e uma Advogada piedosa… Quando a divina Mãe apareceu um dia a Santa Brígida e lhe falou de sua misericórdia para com os pecadores, disse: ‘É para lastimar, e sê-lo-á eternamente, aquele que, podendo em vida recomendar-se a Mim, que Sou tão benigna, para sua desgraça não recorre a Mim e se condena’. – Grande Deus! Se nos condenássemos, qual não seria a nossa pena no Inferno, ao pensar que nos podíamos salvar tão facilmente, recorrendo a Maria, mas que não o fizemos e em toda a eternidade não o poderemos mais fazer? Para que não nos aconteça tamanha desgraça, avivemos hoje a nossa devoção e coloquemo-nos novamente debaixo do patrocínio desta grande Advogada”.6

Oh! Que belo Sinal de Predestinação têm os servos de Maria! A Santa Igreja aplica a esta Bem-aventurada Mãe as palavras da Sabedoria divina e lhe faz dizer: In omnibus requiem quaesivi et in haereditate Domini morabor7 ​– Em toda parte busquei repouso e morarei na herança do Senhor”. A Santíssima Virgem, pelo amor que tem para com os homens, procura fazer que em todos reine a sua devoção. Muitos, ou não a recebem, ou não a conservam; porque esta devoção habita em todos aqueles que são a herança do Senhor, isto é, que irão ao Céu louvá-lO eternamente”.8

É, pois, com razão que chamamos à Virgem a nossa esperança, esperando alcançar por sua intercessão o que não alcançaríamos só com as nossas orações. Oh, quantos soberbos, com a devoção a Maria, acharam a humildade! Quantos iracundos acharam a mansidão! Quantos cegos acharam a vista! Quantos desesperados acharam a confiança! Quantos perdidos acharam a salvação! Numa palavra, afirma Santo Antonino, que todo verdadeiro devoto de Maria pode dizer: Venerunt mihi omnia bona pariter cum illa9‘Com a devoção a Maria vieram-me, juntamente, todos os bens’.”10

Meu irmão, valhamo-nos sempre do excelente conselho que São Bernardo nos dá. Em todos os perigos de perder a graça divina, em todas as angústias, em todas as dúvidas, pensemos em Maria, e invoquemos o seu Nome, juntamente, com o Nome de Jesus, porque andam sempre juntos estes dois Nomes.11 Não se apartem nunca estes dois dulcíssimos e poderosíssimos Nomes, nem do nosso coração, nem da nossa boca. Com eles chegaremos seguros ao porto da eterna salvação. – Mas lembremo-nos que, para obter o socorro deste grande Nome de Maria, é necessário que imitemos os exemplos de suas virtudes: Et ut impetres eius orationis suffragium, non deseras conversationis exemplum”.12


________________________________ 
1“Meditações para todos os Dias e Festas do Ano, tiradas das Obras Ascéticas de Santo Afonso Maria de Ligório”, pelo Pe. Thiago Maria Cristini, CSsR, versão Portuguesa do Pe. João de Jong, CSsR, Tomo III, Cap. Maria Santíssima alcança a perseverança para seus devotos, pp. 57; Herder & Cia - Livreiros-Editores Pontifícios, Friburgo em Brisgau (Alemanha), 1922.
2Ob. cit., Cap. A perda da Salvação é um mal sem remédio, p. 180.
3Tom. 2 in 3 p., disp. 23, sect. 3.
4Ob. cit., Cap. Necessidade que temos da Intercessão de Maria Santíssima para nossa Salvação, pp. 205-206.
5Ob. cit., Cap. Prática da Devoção a Maria Santíssima, pp. 259-260.
6Ob. cit., Cap. Da Confiança no Patrocínio de Maria Santíssima, pp. 277-279.
7Eclo. 24, 11.
8Ob. cit., Cap. Maria Santíssima conduz os seus Servos ao Paraíso, p. 332.
9Sab. 7, 11.
10Ob. cit., Cap. Maria Santíssima é a Esperança de todos, p. 114.
11Invocação dos Nomes de Jesus e Maria é indulgenciada.
12Ob. cit., Cap. Festa do Santíssimo Nome de Maria, p. 359.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

Importante: Diocese de Frederico Westphalen divulga nota sobre Amoris Laetitia.




Nota Pastoral

sobre a interpretação

da Exortação Apostólica Amoris laetitia

na Diocese de Frederico Westphalen



A cada dia nós, Bispo e padres, pastores da Igreja, nos defrontamos com a realidade de católicos, nossos irmãos de fé, que vivem em situação matrimonial irregular, aqueles que contraindo validamente o Matrimônio, tendo-se divorciado, unem-se civilmente em um novo casamento, ou tão simplesmente convivem juntos. Tal realidade produz certamente, no caso de católicos conscientes, um grande sofrimento.

Já antes da celebração dos últimos Sínodos sobre a Família, não só falava-se sobre isto, mas em alguns lugares foi sendo introduzida a prática de se permitir o acesso destes irmãos católicos aos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia, com a justificativa de se aplicar nestes casos, uma solução pastoral emergencial, desde que se verificassem algumas condições: um tempo longo de convivência, “arrependimento” das falhas pessoais em relação ao casamento frustrado, a existência de filhos na segunda união, a estabilidade econômica e afetiva, a vida fundamentada na fé, a indicação da própria consciência, a autorização dada por um sacerdote e outras. Assim sendo, muitas das proposições apresentadas por alguns padres sinodais, na verdade são já praticas aceitas em certas realidades eclesiais. Nós pastores da Igreja, sejamos sinceros, cansamos de ouvir nestes últimos anos aqueles que sempre preconizaram mudanças na prática sacramental da Igreja usando o princípio da mudança “de baixo para cima” ou o bem conhecido princípio do fato consumado: adota-se uma prática pastoral e com o tempo a Igreja seria obrigada a aceitá-la, incorporando-a à sua doutrina e à sua prática.

Tendo sido entregue à Igreja, pelo Santo Padre o Papa Francisco, a Exortação Apostólica “Amoris Laetitia”, com a responsabilidade pastoral de bispo da Santa Igreja, entendo que tal Documento pós Sinodal deva ser lido e interpretado no quadro da chamada “hermenêutica da continuidade e do aprofundamento”, o que significa dizer que uma melhor compreensão da doutrina moral da Igreja, fruto da ação do Espírito Santo, gradualmente nos conduz ao conhecimento da verdade inteira e completa, sem jamais contradizer ou negar o magistério precedente.

De nenhuma maneira a doutrina tradicional da Igreja em relação ao Sagrado Matrimônio, à absolvição Sacramental e à recepção da Sagrada Comunhão podem ser modificadas por alguém, já que a mesma é imutável e não pode submeter-se a opiniões pessoais, muito menos a uma questão de práticas impostas de baixo para cima, de princípios fundados em uma falsa misericórdia que aceita a Doutrina, mas que a nega posteriormente na prática pastoral.

Assim sendo, é preciso ler e compreender a Exortação Apostólica “Amoris Laetitia” à luz do Magistério precedente, já que, como o Santo Padre, o Papa Francisco sabiamente escreve, é neste quadro que ela deve ser lida e compreendida.

Frente as interpretações divergentes em relação a esta questão tão importante, que envolve a salvação eterna das pessoas, penso que seja fundamental expor com clareza o que a Igreja ensina a respeito, e não poderá ensinar outra doutrina diferente desta, sob o risco de trair a Verdade que lhe foi confiada por Nosso Senhor Jesus Cristo para ser anunciada por todo o sempre.

Além de obscurecer a sua Missão de anunciar o Evangelho do Matrimônio e da Família, a tão decantada “misericórdia”, que alguns pretendem impor no que diz respeito a uma flexibilidade doutrinal e pastoral pedida e já praticada em alguns lugares para estes casos, seria um verdadeiro acinte à plêiade de santos da Igreja que derramaram seu sangue na defesa da Doutrina tradicional do Matrimônio; um escândalo para tantos casais que vivem a fidelidade matrimonial, mas que carregam, em muitos casos, a cruz de uma união sacramental marcada por dificuldades e um desrespeito àqueles homens e mulheres que por razões diversas vivem nesta situação irregular, oferecendo por si e pelos seus a cruz de não poderem aproximar-se da Sagrada Eucaristia.

A Doutrina que a Igreja ensinou, ensina e ensinará, especialmente sobre a questão da recepção dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia é clara: para se receber validamente o Sacramento da Penitência, além da confissão dos pecados e da satisfação, que é o cumprimento da penitência imposta pelo Confessor, é necessária a verdadeira contrição, que inclui em si o propósito de emenda. Sem essa condição, não é possível que alguém seja absolvido e possa receber a Sagrada Comunhão.

No caso de divorciados que voltaram a casar, e dos que simplesmente coabitam anteriormente validamente casados, enquanto os cônjuges são vivos, não é possível legitimar a segunda união civil através da celebração de um Matrimônio canônico.

Assim, a nova união marital constitui uma grave irregularidade, um verdadeiro pecado. Como consequência, para que um católico nessas circunstancias possa ser sacramentalmente absolvido, a condição indispensável é o propósito de não cometer mais este pecado, que neste caso, pressupõe o abandono da vida em comum ou então, seja pelo vínculo afetivo, seja pela idade avançada, seja pela presença de filhos que não podem ser deixados de lado, seja por qualquer outra razão, o continuarem a viver juntos, mas como irmãos ([1]). Só nestas condições é que alguém poderá receber a Sagrada Comunhão.

Este é o ensinamento tradicional da Igreja, expresso de forma cabal na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, que vale a pena recordar: “A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio.

A reconciliação pelo sacramento da penitência – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimônio. Isto tem como consequência, concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios – quais, por exemplo, a educação dos filhos – não se podem separar, «assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos atos próprios dos cônjuges»”([2]).

Portanto, o Santo Padre, na Exortação pós Sinodal Amoris Laetitia em nenhum momento propõe que simplesmente se permita a recepção dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia a pessoas que vivam em objetiva situação irregular em relação ao sacramento do Matrimônio, mas sim de discernir as situações em que, «por causa dos condicionalismos ou dos fatores atenuantes» (AL 305), possa alguém encontrar-se objetivamente em uma situação de pecado sem culpa grave correspondente. Portanto, contrariando aqueles que pretendem um abandono da prática tradicional da Igreja em relação a esta questão, não existe nenhuma mudança de rumo para estas situações, e a atenção pastoral individualizada nestas situações deve ser realizada sempre «evitando toda a ocasião de escândalo» (AL 299) e sem «nunca se pensar que se pretende diminuir as exigências do Evangelho» (AL 301).

Ao mesmo tempo, antes de tudo, se faz necessário reafirmar a Doutrina tradicional da Igreja. Mas segundo o Santo Padre, é preciso também, e bem situados neste quadro doutrinal, não esquecer o dever de se ajudar com misericórdia e caridade aos divorciados unidos em segunda união, ou aqueles que, após um casamento canônico, vivem maritalmente com outra pessoa, para que jamais se considerem abandonados, discriminados, diminuídos etc. em relação à Igreja. Tal auxílio espiritual e pastoral deve efetivar-se através do debruçar-se sobre esta sofrida realidade, como tão sabiamente recorda o Papa Francisco, através do anúncio da Palavra de Deus, do incentivo à participação na Santa Missa, da promoção da vida de oração, da vivência da caridade e da penitência, entre outras possibilidades.

Também, de forma concreta, de grande ajuda será o que estabeleceu o Santo Padre, através da reforma dos procedimentos nas causas matrimoniais. Aí está um caminho seguro e eficaz para certamente resolver muitas destas situações.

Ciente de que esta questão é de suma importância, como pastor da Igreja Diocesana de Frederico Westphalen, vou ainda oferecer aos padres desta Diocese um Documento oficial para a aplicação pastoral da Exortação pós Sinodal “Amoris Laetitia”, dentro desta hermenêutica de interpretação, fundamentada nos princípios da continuidade e do aprofundamento.

Invoquemos as luzes do Espírito Santo, para que possa iluminar a todos, pastores e rebanho, a fim de que este Documento pós Sinodal se transforme em um marco doutrinal e pastoral, no que diz respeito a esta questão tão importante para a vida da nossa Igreja Diocesana e para o bem de todos os fiéis.

Emitte Spiritum tuum et creabuntur et renovabis faciem terrae”.



+ Antônio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen



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[1] Carta Haec Sacra Congregatio, Congregação para a Doutrina da Fé, de 11-IV-1973.
[2] São João Paulo II, Exortação Apostólica Pós Sinodal Familiaris Consortio,n.84.



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