Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A DEVOÇÃO AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, É SINAL DE PREDESTINAÇÃO AO CÉU.


“Como declara o Concílio de Trento1, na terra não se pode ter a certeza da própria Predestinação, a não ser por Revelação Especial. Nenhum dos justos, a não ser por Revelação Especial, sabe se perseverará nas boas obras e na oração...”.2

O Concílio de Trento iniciou as suas atividades em 1545 e as encerrou em 1563; e Nosso Senhor aparece a Santa Margarida Maria em 1674, numa sexta-feira pedindo a Hora Santa de Reparação nas quintas-feiras, e faz a Promessa que mais tarde terá a denominação de “A Grande Promessa”. 111 anos separam o grande Concílio de Trento da Grande Promessa do Sagrado Coração de Jesus.


Promessas Feitas a Todos que Honrarem
o Sagrado Coração de Jesus Cristo


  1. Dar-Lhes-ei todas as Graças necessárias ao seu estado.
  2. A paz reinará nas suas famílias.
  3. Consola-Los-ei em todas as suas aflições.
  4. Serei o seu refúgio seguro na vida e, sobretudo, na hora da morte.
  5. Derramarei abundantes bênçãos sobre todas as suas empresas.
  6. Os pecadores acharão sempre no Meu Coração a Fonte e o Oceano infinito de misericórdia.
  7. As almas tíbias, muda-Las-ei em fervorosas.
  8. As almas fervorosas, eleva-Las-ei em pouco tempo a um alto grau de perfeição.
  9. Abençoarei as casas em que se achar exposta e honrada a imagem do Meu Sagrado Coração.
  10. Darei aos Sacerdotes o dom de abrandarem os corações mais endurecidos.
  11. As pessoas que propagarem esta Devoção, terão os seus nomes escritos no Meu Coração, de onde jamais serão riscados.
  12. A Grande Promessa: Prometo, na excessiva misericórdia do Meu Coração, que o Meu Amor Todo-Poderoso concederá a todos os que comungarem nas Primeiras Sextas-feiras de nove meses consecutivos, a Graça da Penitência Final (a Graça da Boa Morte), fazendo que não morram em desgraça Minha, nem sem receber os Meus Sacramentos, e achando eles no Meu Divino Coração um asilo seguro nessa última hora.

Explicações das Promessas feitas
pelo Sagrado Coração de Jesus
a seus Devotos3




1ª Promessa

Darei a todos os devotos do Meu Coração
todas as graças necessárias
ao seu estado de vida”

I. Na sociedade humana existem diversos estados. Cada um deles tem suas satisfações, seus prazeres, como também seus deveres, trabalhos e afanos.

Antes de escolher um estado, é necessário consultar a Deus, examinar as nossas disposições e faculdades para cumprir com os deveres do estado a que aspiramos, a fim de não errar. Do contrário, a carga e as dificuldades do estado, que escolhermos, pesarão tanto sobre nossos ombros, que a vida se nos converterá em tormento.

É certo que Deus dá graças particulares aos diversos estados e vocações, para cumprir com os deveres inerentes a esses estados. Contudo, vemos frequentemente pessoas descontentes com sua sorte. E por que? É porque não sabem aproveitar as graças e auxílios que Deus lhes dá.

II. Que fazer nestas circunstâncias? Aguentar com paciência e resignação os trabalhos, e tratar de cumprir com o nosso dever sem desanimar.

Querer o que Deus quer, é nossa felicidade na terra; pois, Deus quer somente o nosso bem. “Seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no Céu”, rezamos todos os dias no Pai Nosso.

A Vontade de Deus manifesta-se-nos nas obrigações de nosso estado. Para melhor cumprir esta Vontade Divina, dirijamo-nos ao Sagrado Coração de Jesus, que prometeu aos Seus devotos todas as graças necessárias ao seu estado.

Provam esta verdade as páginas do “Mensageiro do Divino Coração”, que relatam as graças recebidas em diversas circunstâncias por várias classes de pessoas.

III. É preciso que compreendamos a necessidade de não esperar sermos devotos do Sagrado Coração, somente no momento ou nas circunstâncias que nos põem em apuros. Não, a promessa é para todos os que são devotos deste Divino Coração; quer dizer, para aqueles que nunca deixarem de praticar esta devoção.

A proteção de Jesus é o prêmio da nossa fidelidade, se nos recordamos d'Ele em todas as circunstâncias da nossa vida. Se nos momentos de felicidade não nos lembramos d'Ele, nos momentos difíceis como poderemos pretender que nos atenda? Devemos conduzir-nos de tal modo que possamos dizer, até com certo direito, esta súplica das ladainhas: “Coração de Jesus, rico para todos os que Vos invocam, tende piedade de nós”. Amém.

2ª Promessa

Concederei a paz às Famílias daqueles que
tiverem uma grande Devoção ao Meu Coração”

I. Coisa bem desejável é a paz; onde ela existe, está a bênção de Deus, e onde está Deus, não há tribulação.

“Et in terra pax hominibus, bonae voluntatis – e na terra paz aos homens de boa vontade”: assim cantaram os Anjos do Céu no Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

“Anjo de paz” se chama a uma pessoa pacífica, porque se assemelha a esses Anjos, e porque é ofício destes trazer a paz; enquanto, pelo contrário, trazer a discórdia, a desunião, foi o ofício do Demônio no Céu, desobedecendo a Deus, e no Paraíso terrestre, seduzindo a nossos antepassados.

Que estado lamentável apresentam a Família, a Sociedade e as Nações, se nelas não reinar a paz! As consequências da discórdias experimentamos atualmente. Ódios, suicídios, homicídios, vinganças, guerras e misérias de toda sorte, são o resultado da falta da paz e união nos povos.

II. A fraqueza e as paixões humanas, triste herança do Pecado Original, provocam discussões e contrariedades entre os homens. Porém, para um bom cristão há muitos meios de reconciliação.

Um deles é a palavra do Apóstolo São Paulo, que nos incita, dizendo: “Não deixeis pôr-se o sol, estando zangados com alguém”.4 E por que? Porque ignoramos a hora de nossa morte, que nos pode surpreender e levar-nos ante o Tribunal de Deus, para darmos contas de todas as nossas ações, palavras e pensamentos.

Outra ocasião que se nos apresenta para nos reconciliarmos com o próximo, é a assistência à Santa Missa nos Domingos e nas Festas, pois a Sagrada Escritura nos diz: “Se te lembrares que teu irmão tem uma coisa contra ti, vai primeiro reconciliar-te com ele, e então, vem e oferece o teu sacrifício”.5

Estas palavras significam que, as nossas orações não serão aceitas por Deus, se guardarmos ódio ou rancor ao nosso próximo. Antes do Santo Sacrifício da Missa devemos, pelo menos de coração, reconciliar-nos com ele.

Uma terceira ocasião se nos oferece pela recepção dos Santos Sacramentos da Confissão e Comunhão; pois, claro está que não podemos esperar perdão dos nossos pecados, se não perdoarmos a nosso próximo de todo coração, conforme no-lo ensinou nosso Divino Salvador, ao rezar o Padre Nosso: “Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

Recebendo depois a Santa Comunhão, abrigando em nosso coração o “Príncipe da Paz”, isto é, a Jesus Cristo, que desceu do Céu para trazer a paz, necessariamente temos de sentir em nós os efeitos de uma boa Comunhão, que são a caridade, a paz e a concórdia.

Quantas almas há, que deixam passar estas boas ocasiões, todas estas graças divinas que lhes facilitariam a reconciliação com os seus irmãos! Contudo, continuam em seu estado lastimável, levando ao sepulcro o ódio e o rancor em seus corações, que lhes merecem as penas eternas.

III. Ora, qual é então, o meio e remédio para manter em nós, nas Famílias e na Sociedade a paz e a concórdia?

É o Sagrado Coração de Jesus, que prometeu conceder a paz às Famílias daqueles que lhe tivessem uma grande devoção.

Devemos venerar ao Sagrado Coração não só por palavras e sentimentos, mas também por fatos, imitando-O; pois, nos exorta a isso, dizendo: “Aprendei de Mim, que Sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas”.6

Estejamos também prontos a fazer sacrifícios para manter a paz com o próximo, à semelhança de Nosso Senhor, que os fez imensos para nos reconciliar com Seu Eterno Pai. Então, poderemos esperar o cumprimento destas palavras: “Bem-aventurados os pacíficos, pois, serão chamados filhos de Deus”.7 Teremos o sublime título de “filhos de Deus” com Jesus Cristo, o verdadeiro Filho de Deus, que é o “Príncipe da Paz”. E para que se realize em nós esta preciosa promessa de Jesus, digamos-lhe: “Coração de Jesus, paz e reconciliação nossa, tende piedade de nós”. Amém.

3ª Promessa

Aqueles que tiverem uma grande devoção
ao Meu Coração, serão consolados,
por Mim, nas suas aflições”

I. É bem sabido que, nesta vida, todos os homens tem que passar por muitas tribulações, penas e trabalhos, que são a triste consequência do Pecado Original e da maldição de Deus sobre os nossos antepassados, Adão e Eva no Paraíso terrestre.

Estamos num “vale de lágrimas”, como dizemos na “Salve Rainha”.

Há homens perseguidos por tribulações até à morte; a dor os acompanha como a sombra ao corpo. Às vezes, assim como a sombra aumenta ao pôr-do-sol, assim também os sofrimentos crescem no ocaso da vida, na velhice.

Há aflições que não se pode, nem se quer confiar a outros, ou pelas quais não se encontra consolação nem compreensão, pelo contrário, às vezes só escárnios.

II. Porém, não devemos desesperar. Existe um coração que excede a todos em compaixão. É o Divino Coração de Jesus, que prometeu: “Eu vos consolarei em todas as aflições”. É o Coração que nas Ladainhas chamamos “cheio de bondade e amor”.

Quantas almas consolou o Divino Mestre na Sua vida mortal! Consolou a viúva de Naim, Maria Madalena, as mulheres piedosas que O seguiram na Via Sacra do Calvário.

Jesus cumpriu exatamente o que prometeu, dizendo: “Vinde a Mim todos os que estais aflitos e carregados, e Eu vos aliviarei”.8

Só a Seu povo não pode ajudar nem consolar, pois, o Povo de Israel não o quis conhecer. Jesus chorou sobre esse povo, manifestando assim a doçura e misericórdia de Seu Coração, sempre disposto a salvar e perdoar.

Foram lágrimas de um Rei sobre um povo pérfido, de um Pai sobre o filho desgraçado, de um Amigo sobre o amigo perdido.

Como então, assim também presentemente, Jesus vive entre nós. Nas Sagradas Hóstias dos nossos tabernáculos palpita o Coração Divino do nosso Amigo, do nosso Rei, do nosso Pai, sempre disposto a ajudar-nos e a aliviar-nos.

Corramos com toda a confiança, em nossas necessidades, a este Divino Coração, que há de enxugar as nossas lágrimas.

III. Observemos, contudo, que o Salvador não disse que os Seus devotos nunca padeceriam contradições nem tribulações. Ele disse: “Eu vos consolarei nas vossas aflições”.

Se abrirmos a história dos Santos, veremos confirmadas as palavras da Sagrada Escritura: “São muitas as tribulações que vem sobre os justos, mas de todas os salva o Senhor”.9

Dirigem-se a todos os homens as palavras que Deus disse a Adão e Eva no Paraíso terrestre: “Com o suor do teu rosto deves comer o teu pão... a terra te dará abrolhos e espinhos”.10

Por este motivo, todos os homens, tanto os justos como os pecadores, tem que sofrer o peso de enfermidades, raios, tempestades, terremotos, guerras e toda sorte de desgraças.

Parece estranho que os justos caiam sob esta lei das tribulações da vida.

Tem que ser assim por muitas razões: primeiro, por causa do Pecado Original; segundo, para expiar as próprias culpas; terceiro, para ter ocasião de praticar as virtudes; quarto, para mostrar e provar a Deus a nossa fidelidade, segundo o exemplo do paciente Jó.

Por isso, a súplica do Pai Nosso: “livrai-nos do mal”, a devemos entender, principalmente, do mal espiritual da nossa alma, isto é, do pecado, que é o maior mal que existe no mundo.

É certo, que Deus não livra os justos, nesta vida, de males temporais; porém, eles tem direito à realização desta promessa do Salvador: “Eu vos consolarei nas vossas aflições”.

IV. Para participar desta promessa, não devemos começar a devoção ao Sagrado Coração nos dias de tribulação; pois, a Sagrada Escritura nos diz: “Lembrai-vos do Criador no tempo da mocidade, antes que sobrevenham as tribulações”.11

Portanto, devemos venerar e amar o Sagrado Coração, sempre, em todos os tempos, em todas as circunstâncias da vida, sejam estas felizes ou adversas. Então, sim, teremos direito à promessa de Jesus: “Aqueles que tiverem uma grande devoção ao Meu Coração, serão consolados, por Mim, nas suas aflições”; e, a sermos ouvidos, quando nas Ladainhas dizemos: “Coração de Jesus, fonte de toda a consolação, tende piedade de nós”. Então, sim, poderemos exclamar com o Apóstolo São Paulo: “Superabundo de alegria em toda minha tribulação”.12 Amém.

4ª Promessa

Àqueles que tiverem uma grande devoção
ao Meu Coração, serei um asilo seguro
na vida e, principalmente,
na hora da morte”

A vida do homem sobre a terra é um combate contínuo”,13 diz a Sagrada Escritura.

Com efeito, nós mesmos bem experimentamos este combate. Temos de combater continuamente contra o tríplice inimigo de nossa salvação: a carne, o Demônio e o mundo.

Um deles está em nós mesmos; pois, como diz o Apóstolo: “A carne recalcitra contra o espírito”14; quer dizer, a concupiscência, as paixões, as más inclinações da nossa natureza corrupta querem dominar o espírito, arrastando-nos ao pecado e aos vícios.

O segundo inimigo é a mesma Serpente infernal que seduziu os nossos primeiros pais no Paraíso terrestre, e que, tendo inveja de nossa sorte, nos rodeia, conforme se expressa São Pedro, como um leão rugente, procurando devorar-nos.15

O terceiro inimigo é o mundo, que, com suas frivolidades, insinuações e maus exemplos, nos induz a transgredir os Mandamentos de Deus.

Vemos, pois que, em todos os lugares, tempos e idades temos de lutar contra este tríplice inimigo da nossa alma. Teremos descanso somente no sepulcro.

II. Não havemos de desanimar. Assim como no Antigo Testamento havia certas cidades para refúgio dos perseguidos e condenados, onde estes encontravam asilo para pôr-se a salvo, assim também nós encontraremos asilo seguro no Sagrado Coração de Jesus contra as tribulações, tentações e ataques do Demônio, do mundo e da carne. Isto nos prometeu Jesus, dizendo: “Ser-lhe-ei seguro asilo na vida, porém, especialmente na hora da morte”. Sim, na hora da morte, nessa hora tão terrível, da qual depende nossa eterna sorte, nesse transe difícil, o Demônio redobra seus esforços para nos perder.

Nos grandes hospitais, especialmente, se pode bem observar e presenciar os efeitos da devoção ao Sagrado Coração, na morte tranquila e serena de seus devotos, e na desesperada e triste dos que não creem.

Mesmo nosso Divino Salvador quis experimentar uma agonia dolorosa; cravado na Cruz, não tendo consolação nem do Seu Pai celeste, exclamou: “Meu Deus, por que Me abandonaste?”

Prevendo desde a Cruz a morte de todos os homens, e em todos os tempos, resolveu abrir-lhes um Fonte especial de graças para essa temida hora, um refúgio seguro dentro de Seu Divino Coração, aberto pela lança do soldado.

III. A promessa do Salvador tem importância especial para os nossos tempos, em que, pelas novas invenções, e pela atividade e comércio da via moderna, estamos expostos a tantos perigos, desgraças e a uma morte repentina. Os diários, continuamente, comentam as desgraças provocadas pela atividade, e os mil perigos que se encontram nas ruas da cidade. Verifica-se, a cada passo, a verdade destas palavras: “No meio da vida estamos rodeados pela morte”.

Daí a necessidade de vivermos sempre preparados. Sabemos, pela Doutrina Cristã, que, para obtermos a absolvição dos pecados mortais, precisamos do Sacramento da Confissão, feita, pelo menos, com atrição, ou arrependimento por termos merecido o Inferno. Porém, não nos podendo confessar, é necessário um ato de contrição perfeita ou de amor, isto é, sentirmos pena e dor por termos ofendido a um Deus tão bom e tão grande, a nosso Pai e Benfeitor.

Por isso, assegurarmo-nos de uma morte ditosa, temos de venerar e amar ao Divino Coração de Jesus. Ele não deixará morrer sem Sacramentos os Seus devotados filhos ou, pelo menos, sem ter a contrição perfeita; pois, é do Sagrado Coração, dessa Fonte de amor, que haurimos o amor.

“Oh! Quão suave e doce é a morte de quem, durante a vida, venerou o Coração d'Aquele que um dia nos há de julgar!” Assim exclamava Santa Margarida Maria Alacoque, e assim foi a morte desta esposa predileta do Divino Coração.

Para alcançarmos morte semelhante, digamos todos os dias: “Coração de Jesus, que padecestes a agonia, tende compaixão dos moribundos, e também de nós, quando estivermos para morrer”.

“Coração de Jesus, esperança dos que morrem em Vós, tende piedade de nós”. Amém.

5ª Promessa

Derramarei abundantes bênçãos sobre as
empresas dos devotos de Meu Coração”

I. Muitas vezes ouvimos dizer: “Este homem não tem sorte; fulano de tal não tem a bênção de Deus; aquele outro nasceu para ser desgraçado”.

Se bem que não alcancemos em nossa vida, tudo o que desejamos e pretendemos, isto ainda não é prova de que não temos a bênção de Deus; pois, Ele mesmo nos diz: “Os Meus pensamentos não são vossos pensamentos, e vossos caminhos não são Meus caminhos”.16

Acontece a muitos lhes correr a vida de modo bem diverso do que se imaginavam na mocidade; porém, isto lhes acontecem por sua própria ventura. Eles não o compreendem, e por isso desanimam.

Contam que um europeu queria partir para a América. Chegando ao porto, o vapor, no qual devia embarcar, já tinha partido. Aquele homem tornou-se triste e abatido. Ao final de alguns dias teve a notícia de que o vapor tinha naufragado.

De igual maneira acontece em nossa vida. Se fossemos dirigidos, exclusivamente, por nossa própria vontade, muitas vezes teríamos naufragado.

II. Portanto, se o Coração Divino nos promete a bênção, isto significa que Ele governa e guia as nossas ações, empresas e vida, da maneira que nos é mais útil e vantajosa. Nosso Senhor encara, principalmente, o nosso bem-estar espiritual e a nossa salvação eterna.

A devoção ao Sagrado Coração não é meio seguro para adquirir bens terrestres. Contudo, no devoto do Coração de Jesus verifica-se a palavra de Santo Agostinho: “Deus ouve toda a prece, não sempre segundo nossa vontade, mas, sempre para nossa salvação”.

III. Contaremos com a bênção prometida sob estas condições: se venerarmos o Coração Divino sempre, e em todas as circunstâncias de nossa vida; se as nossas empresas não são pecaminosas; se mesmo nos desejos bons nos conformarmos com a Vontade Divina sem lhe impôr a nossa vontade, nem lhe prescrever em que a bênção há de consistir.

Havia uma mulher que experimentou a cruel dor de ver adoecer gravemente o seu filhinho. O estado do infeliz menor agravava-se e a mãe, cheia de angústia, correu a consultar um Sacerdote.

Este lhe aconselhou que se resignasse com a Vontade de Deus, porque só Ele sabia o motivo pelo qual o pequeno sofria tanto.

Ela, apesar das sábias insinuações do Ministro de Deus, exclamou: “Não, neste mundo, eu desejo unicamente a saúde de meu pobre filho”.

Voltou, pois, a dirigir suas preces ao Senhor, rogando-Lhe que tivesse piedade daquele inocentinho. Os rogos desta mãe aflita foram ouvidos. Deus, que é todo misericordioso, concedeu àquela mulher o prazer de ver o filho com saúde. Mal sabia ela que aquela criança tão inocente viria, mais tarde, ser a causa de suas desventuras, do seu muito grande sofrer!

Ao passo que o pequeno ia crescendo, suas tendências viciosas também se desenvolviam. Aos trinta anos de idade, cometeu um crime, sendo preso e condenado à morte!

Eis, pois, o triste exemplo de uma mulher que, não querendo sujeitar-se à Vontade de Deus, foi castigada pela má conduta de seu filho.

A fim de evitarmos castigos semelhantes a esse, devemos imitar a Jesus, quando no Horto das Oliveiras orava: “Pai, não se faça a Minha vontade, mas a Vossa”. Em seguida rezemos com todo o fervor estas palavras que Ele mesmo nos ensinou: “Seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no Céu”.

Se pedíssemos ao Divino Coração que nos concedesse esta disposição de entregarmo-nos, com confiança, à paternal Vontade de Deus, em todas as nossas ações e empresas, não tardaria em secundar a nossa vontade, de maneira que viríamos a experimentar quanto lhe pedimos com esta súplica das Ladainhas: “Coração de Jesus, rico para com todos os que Vos invocam, tende piedade de nós”. Veríamos cumprir-se em nós esta promessa: “Derramarei abundantes bênçãos sobre as empresas dos devotos de Meu Coração”.

6ª Promessa

Os Pecadores acharão em Meu Coração
a fonte e o mar imenso da misericórdia”

I. Quem é, nesta vida, o ser mais desgraçado? É, sem dúvida alguma, o pecador. E por que? Porque o pecado mortal é a maior desgraça que pode acontecer a um homem.

Perder a saúde é uma desgraça; porém, maior infelicidade ainda é perder a vida, principalmente a vida sobrenatural da alma pelo pecado mortal, perdendo assim a Graça Santificante, a amizade de Deus, a herança do Céu, expondo a alma à eterna condenação no fogo do Inferno. Isto sim, é o que chamamos verdadeira desgraça. Com toda a razão, pois, é o homem pecador o ser mais infeliz, mais desgraçado deste mundo.

Os Santos, porque possuíam um conhecimento mais nítido e perfeito da infinita Majestade de Deus e da fealdade do pecado, tinham a este verdadeiro horror.

Conta-se que São Bernardo preferia ser queimado num forno de cal do que cometer um pecado mortal.

Dona Branca, mãe de Luiz IX, rei da França, dizia a seu filho: “Ah, meu filho, preferiria ver-te morrer diante de mim, do que te ver manchado com pecado grave!”

II. Se o homem, pelo pecado mortal, perde a vida sobrenatural da alma e se expõe à eterna condenação, não deve desesperar. Há um remédio contra este mal: é o Divino Coração de Jesus. Ele mesmo no-lo oferece, dizendo: “Os pecadores acharão, no Meu Coração, uma fonte inesgotável de misericórdia”.

Jesus é a Fonte. Quer isto dizer que Ele é o Princípio e a Origem de perdão e misericórdia, não se podendo obter perdão sem a intervenção d'Ele. Jesus nos abriu esta Fonte de compaixão na Cruz sobre o Calvário, derramando ali todo o Seu Sangue, que, gota a gota, correu da Ferida feita pela lança cruel de um soldado.

Cumpriu-se, na morte do Salvador, o que dizemos nas Ladainhas: “Coração de Jesus, Fonte de vida e santidade, tende piedade de nós”.

Assim como no Egito os israelitas ficaram isentos da morte pelo sinal feito com o sangue do cordeiro nas portas de suas habitações, assim também nós nos tornaremos livres da morte eterna e alcançaremos perdão e misericórdia por intermédio do Preciosíssimo Sangue do Cordeiro Divino, derramado sobre nossas almas, as quais são respeitadas pelo Eterno Pai em atenção ao Preciosíssimo Sangue de Seu Filho.

O Divino Coração é a Fonte sagrada, cuja água é o Preciosíssimo Sangue que lava e purifica nossas almas de toda mancha.

Não só é a Fonte, mas também o imenso mar de misericórdia, quer por sua amplitude, quer por sua profundidade e extensão. Quer isto dizer que, por grandes e numerosos que sejam os nossos pecados, a Divina misericórdia os apaga e perdoa.

III. Deus, porém, não é só misericórdia, é também justo.

O homem não pode, impunemente, provocar a infinita Majestade de Deus. A Justiça Divina exige o castigo do pecado.

Portanto, todo pecador só terá direito à promessa do Sagrado Coração sob a condição de que não fique obstinado na sua malicia, mas se levante e procure o remédio dos Santos Sacramentos, que são as fontes da Graça Divina. Os que morrem no pecado mortal, não podem ter no Coração de Jesus uma fonte de misericórdia, pois, no outro mundo reina só a Justiça.

Para que se realize em nós a promessa de Jesus, digamos-lhe: “Coração de Jesus, paciente e misericordiosíssimo; Coração de Jesus, propiciação por nossos pecados; Coração de Jesus, atribulado por causa dos nossos pecados; Coração de Jesus, Vítima dos pecadores, tende compaixão de nós”. Amém.

7ª Promessa

As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas
pela devoção ao Meu Coração”

I. A tibieza é uma ociosidade e preguiça, é uma insensibilidade e indiferença para com a virtude e o pecado.

O cristão tíbio é como um paralítico que vive, mas não se move; é como o tísico, que não acredita na sua morte; é paciente só quando não tem que sofrer; é manso só até que se lhe não contradiga.

O tíbio deseja ser bom cristão, porém, sem que lhe custe sacrifícios; quer a virtude, porém, sem a mortificação, como quem quer a rosa sem espinhos; quer ganhar o Céu, porém, sem trabalhar.

Não lhe agradam as palavras de Jesus que diz: “Quem quer vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”.17 Nem se convence da verdade desta sentença: “O Céu padece violenta, e só aqueles que a fazem, o adquirem”.18

O tíbio, deixando a oração, a abnegação, os sacrifícios, e perdendo o sentimento do dever e os princípios sobrenaturais, aceita facilmente os axiomas mundanos e se interessa exclusivamente no bem-estar físico, nas comodidades terrenas e nas riquezas.

A tibieza ofusca a razão, pelo que o tíbio conhece muito dificilmente seu estado lastimoso, enfraquece a boa vontade e desponta a consciência, de modo que o tíbio não faz caso dos pecados, principalmente dos pecados veniais deliberadamente cometidas.

Compreende-se daí o estado perigoso da tibieza e as palavras severas que Deus dirige ao tíbio pela boca de São João no Apocalipse: “Porque não és nem frio nem quente, Eu te vomitarei da Minha boca”19; querendo com isto significar que o tíbio lhe é nauseabundo e tão repugnante como nos é a água tíbia ou tépida.

Disse São Beda, o Venerável, que os cristãos tíbios, mais dificilmente se convertem do que os pagãos. E São Pedro Damião: “Melhor é um penitente fervoroso que um inocente tíbio”.

II. A tibieza é uma doença espiritual, cuja raiz está no egoísmo exagerado com que o tíbio ama a si próprio, e procura só o que está de acordo com as suas comodidades.

Há, entretanto, um remédio contra esse mal, que consiste em combater esse egoísmo, fazendo ao mesmo tempo, aumentar o amor de Deus. A 7ª promessa de Jesus, nos oferece este remédio. De fato, nada é tão apropriado para excitar em nós este amor, como a devoção ao Sagrado Coração.

O coração é o símbolo do amor, de modo que as palavras amor e coração tem quase a mesma significação entre os homens.

Não é só o símbolo, mas também, de alguma maneira, o órgão do amor e de todos os afetos, pois, quando amamos uma pessoa, sentimos e experimentamos em nós mesmos que o nosso coração é, por assim dizer, a sede e a fonte da qual brota a torrente do amor, que é como uma fogueira, onde arde o fogo do amor.

Como Jesus tinha um coração humano, como nós, aconteceu também a Ele o que nos acontece.

Nas aparições a Santa Margarida Maria Alacoque, Jesus se apresentou com o Seu Coração visível no peito, todo rodeado de chamas resplandecentes, como submerso num fogo ardente. Em cima do Coração via-se uma pequena Cruz, ao redor deste a coroa de espinhos e, ao lado, a Chaga aberta.

Com tudo isso, Jesus nos queria mostrar, de um modo perceptível, que o Seu Coração é cheio de bondade e amor, que é como uma fornalha ardente de caridade para conosco. Eis porque O invocamos nas Ladainhas: “Coração de Jesus, cheio de bondade e amor; Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós”.

A cruz colocada sobre o Coração, nos recorda o Seu amor infinito que o impeliu a submeter-se à morte no patíbulo da Cruz, para nos remir da escravidão do Demônio. A Chaga do Coração não é outra coisa senão a chaga do amor, a porta pela qual Ele quer que entremos, a fim de participarmos do Seu amor, da sua glória, da Sua Divindade.

Ao contemplarmos assim o Coração de Jesus, as chamas, a cruz, a coroa de espinhos, a chaga, reconhecemos que tudo isso nos revela amor, tudo nos clama amor infinito e divino.

“Com eterno amor te amei”, exclama Jesus, “e por isso na Minha misericórdia te atraí a Mim”.20 O Seu amor, porém, é esquecido, desprezado, rejeitado.

Contudo, Jesus suspira pelo nosso amor; pede-nos, reclama o nosso coração: “Meu filho, dá-Me teu coração”. Como somos ingratos! Quantas amarguras não experimenta o Seu Divino Coração! Esta dor se assemelha à de uma mãe que se vê esquecida por seu filho, à de uma esposa que é desprezada por seu esposo.

“Se alguém não amar a Nosso Senhor Jesus Cristo, seja anátema”, exclama São Paulo21, isto é, seja amaldiçoado, excluído da Comunidade da Igreja, privado das graças.

III. Ora, queremos saber se somos frios ou fervorosos, tíbios, talvez?

Queremos saber se amamos ao Divino Coração, não só por palavras e sentimentos, mas de fato?

Então examinemo-nos, se estamos prontos a fazer sacrifícios por amor de Jesus, observando os Mandamentos de Deus?

Se estamos prontos a perdoar ao próximo; a sofrer, com paciência, as contrariedades da vida; a evitar o pecado mortal e suas ocasiões, como também o pecado venial?

Se nos alegramos com o triunfo da Igreja e deploramos e choramos as perseguições que Ela sofre?

Se contribuímos com o nosso óbulo e zelo para que se estenda mais e mais, o Reinado de Cristo no mundo?

Se não tomamos a peito todos estes interesses do Divino Coração e se ficamos indiferentes, sinal certo será de nossa tibieza.

Se fosse assim, seria tempo para começar a venerar o Sagrado Coração para em nós realizar sua promessa: “As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas”.

IV. Depois que o Profeta Samuel tinha consagrado a Saul rei de Israel, lhe disse: “Virá ao teu encontro uma turba de Profetas que descerão do alto, e de repente, o Espírito do Senhor virá sobre ti e profetizarás com eles e serás mudado em outro homem”.22

Aquele que começa a devoção ao Sagrado Coração, virá também ao seu encontro uma turba de Santos, que são modelos desta devoção e que o ajudarão para que, por esta devoção, se mude em outro homem, e se torne fervoroso Cristão.

Sejam nossos Padroeiros especiais: Santa Gertrudes, Santa Margarida Maria Alacoque, São Bernardo, São Boaventura, São Francisco de Assis, São João Evangelista.

Peçamos a estes Santos que, intercedam diante do Divino Coração, para que nos faça surgir do leito da paralisia, da tibieza.

Invoquemos a Jesus, com esta súplica: “Coração de Jesus, vida e ressurreição nossa, tende piedade de nós”. Amém.

8ª Promessa

As almas fervorosas,
por meio desta devoção,
elevar-se-ão rapidamente
a uma grande perfeição”

I. Não só estamos obrigados à observância dos Mandamentos de Deus e da Igreja, senão também à prática das virtudes, conforme o nosso estado, para podermos alcançar a perfeição, e a glória que Deus, desde toda a eternidade, nos destinou.

Na Casa de Meu Pai há muitas moradas”23, disse Jesus. Estas moradas, que nos estão reservadas, são diferentes. Havemos de ocupar um dia aquela que corresponde ao grau de nossa santidade.

Os filhos devem parecer-se com o pai; por isso, o Salvador nos exorta, dizendo: “Sede perfeitos, assim como Vosso Pai celestial é Perfeito”.24

São João nos convida com estas palavras: “Quem é justo, justifique-se mais; quem é santo, santifique-se mais”.25

Embora não pretendamos alcançar a honra dos altares, “o espírito, onde quer, espira”26, isto é, a distribuição das graças depende de Deus; contudo, a nós compete cooperar às que recebemos.

II. Apesar de nossa boa vontade e de tantas graças recebidas, recaímos em nossas faltas e imperfeições, que aderem à nossa natureza corrupta, como a pele ao nosso corpo.

O caminho que conduz ao Céu é árduo e penoso.

Um meio eficacíssimo para nos livrar de nossas faltas, e progredir na prática das virtudes e na perfeição, nos oferece Jesus, por meio da 8ª promessa: “As almas fervorosas atingirão à mais alta perfeição”.

Com efeito, não poderia ser de outra maneira, sendo o Coração de Jesus um Coração Divino e, por conseguinte, o “abismo de todas as virtudes”, título que lhe dá a Igreja nas Ladainhas!

Basta haurir desta “fonte de vida e santidade”, as águas cristalinas das virtudes, para fartar a nossa sede de santidade.

A perfeição consiste no amor. “A caridade é o vínculo da perfeição”27, diz o Apóstolo São Paulo, e, “agora permanecem estas três virtudes: a Fé, a Esperança e a Caridade, porém, a maior é a Caridade”.28

“Deus é a Caridade, e quem permanece na caridade, permanece em Deus e Deus nele”29, diz São João.

O Coração de Jesus é o receptáculo e o centro sensível do amor, é a “fornalha ardente de caridade”, como o chamamos nas Ladainhas. Basta acercar-se às chamas desta fogueira celestial, para participar do fogo do Divino Amor, e, por conseguinte, de Sua santidade.

A devoção ao Sagrado Coração é um meio eficacíssimo para renovar e santificar não só o indivíduo, mas também as Famílias e a Sociedade em geral, dando-lhes um florescimento religioso. A história do Apostolado da Oração comprova o fato.

Para que se verifique em nós a 8ª Promessa de Jesus, digamos-lhe: “Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes; Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós”. Amém.

9ª Promessa

Abençoarei as casas nas quais
a imagem do Meu Coração
estiver exposta e venerada”

I. Por que, hoje em dia, não se encontra paz e concórdia nas famílias? Porque delas fugiu a piedade e o temor de Deus, e em seu lugar entraram o espírito mau e os seus companheiros: os diários irreligiosos, livros maus, conversações frívolas, companhias libertinas, modas indecentes, imagens e representações indecorosas.

Se a vista e todos nossos sentidos recebem impressões tais, que lisonjeiam a nossa concupiscência e excitam as paixões baixas de nossa natureza corrupta pelo Pecado Original, claro está que o Espírito puro e casto de Deus, que penetrou em nosso coração no Santo Batismo, há de sair por não poder morar com o espírito mau na mesma alma.

Com o Espírito de Deus sai necessariamente da alma e também da casa e da família a paz e a concórdia; pois, o Espírito de Deus é o Espírito de paz e de amor, ao passo que pelo contrário, o espírito do Demônio é o espírito de discórdia e de inveja.

II. Desejamos que em nosso lar reine a união, a caridade, a paz e a bênção de Deus? Expulsemos dele o mau espírito e os seus companheiros acima mencionados, e procuremos fazer tudo de modo que, em toda nossa vida e conduta, em todos os objetos de nossa casa resplandeça o Espírito de nossa Santa Religião, o Espírito de Jesus Cristo.

Como bons cristãos e discípulos de Cristo, não podemos reconhecer outro Rei e Chefe senão a Ele, e isto não só interiormente, mas também exteriormente.

Assim como os bons patriotas publicamente manifestam sua adesão e acatamento ao Chefe de Estado, expondo seu retrato no salão da casa, assim também nós, como bons Cristãos, faremos outro tanto com nosso Chefe e Senhor, o Sagrado Coração de Jesus.

Ele prometeu a Sua especial bênção para as casas, onde esteja exposta e venerada a Sua Sagrada Imagem.

Para facilitar a realização desta promessa, nossa Santa Igreja entroniza, com uma cerimônia solene e especial, a Imagem do Sagrado Coração nos lares daquelas famílias que se queiram consagrar ao Divino Coração, e tê-Lo por seu Chefe e Rei.

Sem dúvida alguma, aos se agruparem os membros dessas famílias ao redor do Coração de Jesus, “Rei e Centro de todos os corações”, como O invocamos nas Ladainhas, há de reinar entre eles a paz, a concórdia e a felicidade como efeito da especial bênção de Deus.

10ª Promessa

Aqueles que trabalham pela salvação das almas,
obterão a graça de converter
os corações mais endurecidos”

I. Aqueles que trabalham pela salvação das almas são, em primeiro lugar, os Sacerdotes. Compete-lhes diretamente esta tarefa pelo seu Caráter Sacerdotal e mandato expresso do Salvador: “Ide e ensinai a todas as gentes, batizando-as em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.30

Os Sacerdotes hão de continuar a missão salvadora de Cristo, hão de ser à imitação de Seu Chefe: Pais, Médicos, Pastores e Mestres da Humanidade.

O amor às almas há de ser o móvel no Ministério Sacerdotal.

Ora, donde tirará o Sacerdote este amor senão do Divino Coração, Modelo do Ministério Sacerdotal? A devoção a este Coração lhe aumentará o amor, e o amor a união com Seu Divino Mestre. Quanto mais intima for esta união, tanto mais amor terá o Sacerdote e, por conseguinte, tanto mais poder e direitos obterá nos tesouros inefáveis do Divino Coração.

Eis todo o segredo do Sacerdote para converter os pecadores mais endurecidos.

II. Além dos Sacerdotes, trabalham em prol das almas os membros das Congregações religiosas e de outras instituições, os Zeladores do Apostolado da Oração, os Mestres de escola, os pais de família.

Todos acharão os meios necessários ao seu Apostolado no Sagrado Coração de Jesus.

Uma mãe de família talvez chore a incredulidade ou indiferença religiosa de seu filho ou esposo? Pois bem, dirija-se ao Sagrado Coração de Jesus, que “não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva”31, e a alma mais endurecida, pouco a pouco, derreter-se-á pelos raios da Graça Divina.

Queremos dar às nossas súplicas maior força? Ajuntemos-lhes sacrifícios, penitências e mortificações.

Jesus disse aos Seus Discípulos, quando estes lhe perguntaram por que não haviam podido expulsar o Demônio de certa pessoa: “Há espíritos que não podem ser expulsos senão pela oração e o jejum”.32

III. Tratando-se dos pecadores, há ainda outro meio eficaz para assegurar-se, em favor deles, dos tesouros e das graças do Divino Coração.

É o Imaculado Coração de Maria.

Foi por Maria que chegou o Filho de Deus, Autor e Fonte de todas as graças, e este mundo; e assim também nós mesmos não podemos acercar-nos de Jesus senão por Maria.

Ela é invocada nas Ladainhas como “refúgio dos pecadores e Mãe da Divina Graça”.

As conversões referidas nos Anais da Arquiconfraria do Imaculado Coração de Maria, estabelecida na igreja de Nossa Senhora das Vitórias, em Paris, comprovam a verdade e exatidão destes títulos atribuídos à Mãe de Deus.

Conforme se expressam os Teólogos e Santos Padres, sendo a Virgem Santíssima a dispensadora das graças divinas, não há dúvida que, pela Sua intervenção, se obtenha mais prontamente a conversão dos pecadores endurecidos.

O Coração de Maria é o coração de uma mãe, que tem compaixão das misérias de seus filhos, aplacando, pela Sua intercessão, a justiça e a ira da Divina Majestade.

Sejam, portanto, as nossas frequentes jaculatórias: “Coração de Jesus, tende piedade de nós”; “Doce Coração de Maria, sede minha salvação”. Amém.

11ª Promessa

As pessoas, que propagarem esta devoção,
terão os seus nomes inscritos
em Meu Coração, e
nunca serão dele
apagados”

Nas promessas anteriores, Jesus oferece as Suas graças àqueles que tenham devoção ao Seu Coração; porém, nesta, promete graças aos que propagarem esta devoção.

“Da abundância do coração fala a boca”.33

Quem estiver cheio de amor para com o Divino Coração, não poderá reter as chamas deste amor no seu coração, e tratará de inflamar neste amor, nesta devoção outros corações.

Os meios de propagar esta devoção são:

I. A oração. O próprio Salvador nos ensina a rezar, no Pai Nosso: “Venha a nós o Vosso Reino”.

Não devemos ser egoístas, pedindo só por nós. Devemos orar também para que se cumpram os desejos e a vontade de Deus: o Reinado do Sagrado Coração nas almas, o seu conhecimento em todo o mundo, e para que, em toda parte, se levante esta voz: “Louvado seja o Coração Divino, que nos deu a salvação”.

Entre os interesses mais íntimos do Divino Mestre, encontra-se a conversão dos gentios, hereges, cismáticos e judeus, como também os trabalhos dos Missionários e Sacerdotes, e a perfeição dos Religiosos. Devemos orar por todos esses interesses, e também pela extinção das Sociedade Secretas, a exaltação de nossa Santa Mãe, a Igreja, e para que, em breve, não haja mais do que “um só rebanho e um só Pastor”.

Inscrevendo-se no “Apostolado da Oração”, todos estes interesses do Coração de Jesus serão interesses nossos, visto que essa Associação tem por fim a extensão do Reinado do Divino Redentor.

A união dá a força. Nosso Senhor Senhor disse: “Onde estiverem duas ou três pessoas congregadas em Meu Nome, Eu estarei no meio delas”.34

Também a “Guarda de Honra” é uma instituição que defende os interesses do Sagrado Coração. Tem por fim dar glória, amor, reparação ao Divino Coração em certas e determinadas horas do dia.

II. O segundo meio para estender esta devoção ao Coração de Jesus são as obras e o bom exemplo.

O fiel cumprimento dos deveres católicos, a prática das virtudes que o Salvador nos ensina com estas palavras: “Aprendei de Mim, que Sou manso e humilde de Coração, e achareis descanso para vossas almas”35, nos levarão a conquistar almas para o Céu.

Nosso Senhor disse também: “Resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai, que está nos Céus”.36

As palavras ensinam, os exemplos arrastam.

Aos Zeladores do Apostolado da Oração compete alistar novos sócios; convidar as famílias a consagrar-se ao Divino Coração, entronizando-O em seus lares; encarecer a importância da Novena das 1ª sextas-feiras do mês; finalmente, devem ser os coadjutores dos Sacerdotes na propagação do Reino de Cristo sobre a terra.

III. O terceiro meio, o melhor e mais eficaz, é o sacrifício a que nos submetemos para que o Divino Coração seja conhecido, amado e imitado, e se estenda sempre mais o Reinado de Cristo sobre a terra.

O verdadeiro amor se manifesta pelos sacrifícios. O próprio Salvador no-lo provou com a Sua Morte na Cruz, e disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos”.37

Todos os dias Nosso Senhor está sacrificando-Se pelo mundo, por meio do Santo Sacrifício da Missa, que é a renovação incruenta do Sacrifício da Cruz. Ali Ele é o Holocausto e a Vítima perpétua pelos nossos pecados, ali se sacrifica pela salvação do mundo.

Sendo discípulos de Cristo, membros de Seu Corpo Místico, a Igreja, nós devemos ser também vítimas em união com Ele, oferecidas à Divina Majestade. Devemos oferecer-Lhe todos os sacrifícios, tribulações e dificuldades desta vida pela conversão dos pecadores, exaltação da Igreja Católica, santificação dos Sacerdotes e glória de Deus.

É por esta união que a nossa vida de sacrifícios participa do valor infinito do Sacrifício da Vítima Divina sobre os nossos altares, e, portanto, é de maior eficácia.

Ser “Alma-Vítima” é o mais alto grau a que pode chegar um devoto do Sagrado Coração, cujo desejo deve ser levar uma vida de imolação com Jesus Hóstia pela salvação do mundo.

A vida da “alma-vítima” está resumida nesta oração: “Ecce venio, eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus, Divino Cordeiro, perpetuamente imolado sobre os nossos altares pela salvação do mundo: eu quero unir-me a Vós, sofrer convosco, imolar-me, como Vós, em união com todas as almas-vítimas. Com este fim, ofereço-Vos as penas, as amarguras, as humilhações e as cruzes que a Vossa Providência semeou em meus passos; eu vo-las ofereço nas intenções pelas quais se oferece e se imola o Vosso dulcíssimo Coração.

Possa o meu fraco sacrifício recair em bênçãos sobre a Igreja, sobre o Sacerdócio, sobre a minha Pátria e os pobres pecadores, meus irmãos! Dignai-Vos aceitá-lo pelas mãos da Santíssima Virgem Maria e em união com as imolações do Seu Coração Imaculado. Amém”. (Do Manual da “Guarda de Honra”)

IV. Eis a oração, as obras e os sacrifícios, meios adequados e eficazes para nos tornarmos verdadeiros Apóstolos do Sagrado Coração de Jesus e dignos de que os nossos nomes sejam indelevelmente inscritos n'Ele.

12ª Promessa

A todos os que comungarem nas Primeiras Sextas-feiras 
de nove meses consecutivos,
concederei a Graça da Perseverança Final; 
não morrerão no Meu desagrado,
nem sem receber os Santos Sacramentos”

I. Esta promessa é chamada “Grande Promessa”, pois, oferece a graça da Perseverança Final, da qual depende a nossa salvação eterna.

Sendo revelada a São Francisco de Assis a certeza de sua glória celestial, foi tal a sua alegria, que não pode nem comer nem dormir durante três dias.

Entende-se bem isto, pois, a Sagrada Escritura nos diz que “não temos certeza absoluta de sermos dignos de amor ou de ódio da parte de Deus”.38 E o mesmo Apóstolo São Paulo, na Epístola aos Coríntios, confessa que, ainda que não lhe remorda a consciência de coisa alguma, não por isso se tem por justificado, sendo o Senhor quem o julga.

A esse respeito também a nossa Santa Mãe, a Igreja, pelo Concílio de Trento nos ensina: “Embora a nenhum cristão seja lícito duvidar da misericórdia de Deus, dos méritos de Cristo e do poder e da eficácia dos Sacramentos, contudo, cada um, considerando a si mesmo, a sua própria fraqueza e a sua preparação deficiente, pode temer e inquietar-se a respeito de seu estado de graça, pois que ninguém, com certeza de fé, pode saber se adquiriu a graça de Deus”.39

Se é, portanto, incerto o nosso atual estado de graça, muito mais incerto, sem dúvida, e se continuaremos e perseveraremos até ao fim de nossa vida na prática do bem e, por conseguinte, no estado da graça de Deus.

Há na história muitos exemplos de tais, que começaram bem, e acabaram mal.

Caim começou, sem dúvida, bem, porém, oferecendo a Deus os sacrifícios imperfeitos, acabou fratricida.

Saul, rei de Israel, eleito pelo próprio Deus, acabou por suicidar-se.

Salomão, rei sapientíssimo, tornou-se idólatra.

Judas, Apóstolo do Senhor, foi traidor e deicida, e acabou a sua vida enforcando-se.

Em vista da nossa fraqueza e da inconstância do nosso caráter e de tantos perigos e tentações a que estamos expostos, temos também nós que recear a recaída.

O Concílio de Trento anatematiza àquele que, a não ser por uma revelação especial, afirma, com certeza absoluta, que obterá esse “grande dom da perseverança final”.40

Mas a incerteza do nosso atual estado de graça e da perseverança final não deve diminuir a nossa esperança e confiança em Deus, nem paralisar a nossa assiduidade e os nossos esforços no caminho do dever, da virtude e da perfeição.

Pois, conforme se expressa muito acertadamente Santo Tomás: “A esperança não se baseia tanto sobre a graça que já possuímos, mas sobre a onipotência e misericórdia divina, pelas quais aquele que não está na graça a pode adquirir, para assim obter a vida eterna. Porém, da onipotência e da misericórdia divina cada um, que tem a fé, está certo”.41

Daí, por conseguinte, resulta a firmeza de nossa esperança.

Do mesmo parecer é o Concílio de Trento42 quando diz que, apesar da incerteza da perseverança final, devemos pôr toda a nossa firme esperança no auxílio de Deus, conforme nos exorta São Paulo, escrevendo aos Filipenses: “Eu tenho uma firme confiança que, quem começou em vós a boa obra da vossa salvação, a levará a cabo até o dia da vinda de Jesus Cristo”.43

São também a propósito as palavras que o mesmo Apóstolo escreve aos Hebreus: “Não é Deus injusto, para esquecer-se do que fizestes e da caridade que por respeito ao seu nome manifestastes,... porém, desejamos que cada um de vós mostre o mesmo fervor até o fim, para o cumprimento ou a perfeição de sua esperança”.44

Com toda a razão, pois, podemos firmemente confiar e esperar e esperar da misericórdia e bondade divina o grande dom da perseverança final, se continuarmos na prática da Religião, embora não tenhamos uma certeza infalível e absoluta de nossa salvação.

II. Para fortalecer e aumentar em nós ainda mais esta confiança e esperança, Jesus dignou-se fazer aos devotos de seu Coração a promessa seguinte: “A todos os que comungarem nas Primeiras Sextas-feiras de nove meses consecutivos, concederei a graça da perseverança final; não morrerão no meu desagrado, nem sem receber os Santos Sacramentos”.

Pela importância do grande dom da perseverança final, esta promessa é chamada “a Grande”. A misericórdia e bondade do Divino Coração nos oferece, com esta promessa, quase um penhor seguro da nossa salvação.

Em vista da condição desta promessa tão fácil para cumprir-se, quem não quereria assegurar-se deste penhor de nossa salvação?

Um empregado de estrada de ferro ouviu, um dia, falar, num sermão, desta promessa de Jesus. Então disse para consigo: “A garantia de uma boa morte vale tudo”. Resolveu assegurar-se desta promessa. Tinha que estar de serviço, precisamente, todas as sextas-feiras e a noite anterior. Não obstante fez o sacrifício de ficar em jejum, para poder comungar, na noite das Primeiras Sextas-feiras do mês.

Imitemos este exemplo de fé viva e amor para com Jesus, e de interesse pela nossa alma.

Compreende-se que, para ser eficaz esta Novena de comunhões, devemos continuar a vida de bom Cristão.

III. Outro meio para conseguirmos a graça desta promessa e dos seus efeitos é o cuidado em procurar que os moribundos recebam os Santos Sacramentos.

É o último e melhor serviço que podemos prestar ao próximo, tratando-se da sua salvação eterna.

A Sagrada Escritura diz: “Com a mesma medida com que medirmos, seremos medidos”.45

As dificuldades e incômodos, que encontremos neste serviço cristão, nos serão recompensados no Céu, e também na hora da nossa morte.

Quando chegará essa hora? Ignoramos o dia, a hora e as circunstâncias; porém, cumpramos, prontamente, o desejo de Jesus para termos parte na “Grande Promessa”, e digamos: “Coração de Jesus, esperança dos que morrem em Vós, tende piedade de nós”. Amém.



Outras Explicações sobre a Grande Promessa


“Por aqui se vê claramente que a Devoção ao Sagrado Coração de Jesus destina-se a todas as classes de pessoas: almas fervorosas ou pecadoras, Sacerdotes, seculares, Religiosos, todos, enfim.

A Promessa mais bela e mais importante é a última; ela comove profundamente o coração dos devotos. Qual de nós não tremeu, porventura, diante do pensamento terrível da nossa sorte na eternidade? Até os Santos mais insignes da Igreja, depois de haverem atingido tão altos píncaros de perfeição, que parecia que estivessem nos Umbrais do Céu, gelavam de temor, pensando nos Juízos divinos e na fragilidade do coração humano, que pode, num instante, perverter-se e faltar a Graça, como aconteceu com Judas Iscariotes, Tertuliano e outros infelizes apóstatas.

Abramos, porém, o coração à Esperança e entoemos um hino de louvor e agradecimento ao Divino Coração. Ele nos promete que, se comungarmos todas as primeiras sextas-feiras durante nove meses seguidos, e Lhe formos devotos, não morreremos em Sua desgraça. A Devoção ao Sagrado Coração de Jesus é, pois, um penhor (garantia) de Predestinação e quem a pratica imprime na sua alma o distintivo dos eleitos, recebendo sobre sua fronte um raio da eterna glória do Céu”.46


“O Mistério da Predestinação recorda-nos que, sem a Graça de Cristo, não podemos fazer nada em ordem à salvação.47 Mas, por outro lado, a Predestinação não torna supérfluo o trabalho da santificação, porque os adultos devem merecer a Vida Eterna; ninguém poderá entrar no Céu, se não morrer em Estado de Graça e ninguém irá para o Inferno, senão, por culpa sua”48.

“Conforme testemunho de J. Bainvel49, que se dedicou bastante ao estudo desta questão, 'tal Promessa encontra-se numa carta da Santa à Madre de Saumaise, que as editoras publicaram em Maio de 1688: Numa sexta-feira, durante a comunhão, o Senhor disse para a Sua indigna escrava, se não está em erro, estas palavras: Prometo-Te, na imensa misericórdia... nesse último momento'50.

J. Bainvel acrescenta precisamente: 'a Promessa é absoluta, supondo somente as comunhões feitas e bem feitas, evidentemente. Não se promete a Perseverança no bem durante toda a vida; nem a recepção dos Sacramentos à viva força. O que se promete é a Perseverança Final, compreendendo a Penitência e os últimos Sacramentos na medida em que forem necessários'. O que se promete é a Graça da Boa Morte e a Promessa absoluta refere-se mais aos pecadores do que às almas piedosas. Esta Grande Promessa do Coração de Jesus supõe que a Graça de fazer nove comunhões bem feitas, durante nove meses seguidos, na primeira sexta-feira de cada mês, constitui um dom que só se concede aos eleitos, que se arrependem sempre das suas faltas antes de morrerem”51.


“O Cardeal Richard, Arcebispo de Paris, no seu conhecido Catecismo do Sagrado Coração de Jesus, procurou dissipar as dúvidas que o conhecimento dessa extraordinária Promessa costumava suscitar no espírito dos que a ouvem pela primeira vez, formulando as perguntas e respostas que adiante reproduzimos.

1ª. É certa esta Promessa? Esta Promessa é certa quanto à origem e quanto aos efeitos. Foi certamente feita a S. Margarida Maria, como fazem crer os escritos autênticos da Serva de Deus, os quais foram examinados pela Santa Sé por ocasião da sua Beatificação. Cumprir-se-á, pois, certamente, em favor de todos aqueles que satisfizerem as condições a que está subordinada.

2ª. Como devemos interpretar esta Promessa? É preciso compreender esta Promessa no seu verdadeiro sentido e livrar-se de toda a interpretação falsa.

Nosso Senhor não disse que todos aqueles que cumprissem as condições estipuladas ficariam dispensados de uma atenta vigilância para evitar o pecado, de um combate corajoso para vencer as tentações e cumprir todos os Mandamentos, do emprego assíduo dos meios que reclama a vida cristã, sobretudo da oração e da penitência. Assegura somente que aqueles que fizerem estas nove comunhões obterão as graças necessárias para guardar perfeitamente os Preceitos e os Conselhos Evangélicos para carregar a cruz que lhes for destinada, todos os dias da vida, e para perseverar até à morte no caminho estreito que conduz ao Céu.

Examinando atentamente esta Promessa, percebemos o que se pode chamar a admirável tática do Amor Divino. Para ir ao Céu, é preciso que nossas almas vivam da vida de Jesus Cristo, que Lhes é comunicada pelos Sacramentos, sobretudo pela Eucaristia. Ora, desde muitos séculos, os homens afastaram-se em massa da Mesa Santa, e a maior parte daqueles que ainda são fiéis à Comunhão Pascal limitam-se sistematicamente a cumprir o Preceito: – Comungar uma vez por ano, ao menos, pela Páscoa da Ressurreição. A Sociedade Cristã está acometida de uma pavorosa languidez (desânimo) espiritual, definha por falta de comungar e nada pode despertá-la desta letargia (entorpecimento).

3ª. Que meio empregará Nosso Senhor, para tirar os homens desta invencível apatia, vizinha da morte? Ele vai servir-Se do desejo de salvar-se, que estes cristãos tão negligentes ainda conservam. Com o auxílio desta última centelha escondida sob a cinza da tibieza, vai procurar reanimar as chamas do amor dos homens, fazendo-os tornar ao caminho da Mesa Santa. Não lhes pedirá diretamente a Comunhão frequente, porque sabe que não seria atendido, mas, pede-lhes uma série de comunhões, transitórias, é verdade, mas bastante multiplicadas e acompanhadas de circunstâncias assaz difíceis para habituar, ao menos, à Comunhão mensal.

4ª. Quais são as condições necessárias para se ter direito aos frutos desta Grande Promessa?

Três:

1ª. A Comunhão deve ser feita numa sexta-feira, a primeira do mês, e não em outro dia.

2ª. Deve ser feita em nove meses consecutivos. A novena, porém, deverá ser recomeçada, se na série das primeiras sextas-feiras houver uma interrupção, salvo se esta interrupção for ocasionada pela Sexta-feira Santa: neste caso bastará prolongar por mais um mês a série das sextas-feiras.

3ª. Deve não somente ser feita em Estado de Graça, como também na intenção especial de honrar o Sagrado Coração. Essas condições, fáceis na aparência, apresentam dificuldades tais que é preciso o cristão amar verdadeiramente Nosso Senhor, para se sujeitar a elas.

5ª. Aqueles que, logo depois de terem feito com sincera piedade as nove comunhões, afastarem-se da frequência dos Sacramentos, ou pecarem, perderão o direito aos frutos da Promessa Divina?

Não, certamente, porque os benefícios de Deus não são suscetíveis de arrependimento. O Sagrado Coração saberá pelos efeitos de Seu Amor tirar do abismo do pecado esses pobres náufragos, e preservá-los do abismo do Inferno.

As graças obtidas pelas nove comunhões são, porém, tão abundantes, que esse esquecimento completo dos deveres essenciais à vida cristã só poderá ocorrer como rara exceção ou, pelo menos, será momentâneo.

Estas explicações devem impelir todos os cristãos a abraçar uma prática tão salutar. Podemos começá-la em qualquer mês. Aconselhamos, entretanto, começar na 1ª sexta-feira de Outubro, a fim de terminar na primeira de Junho, nas proximidades da Festa do Sagrado Coração. Que maior garantia de sucesso do que colocarmos nossos esforços sob a proteção da Virgem Santíssima? Ela é invocada sob o Título de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Os exercícios do mês do Rosário, fazendo-nos honrar a Mãe de Deus, serão um estimulante para nossa piedade; pelo Rosário bem meditado, penetraremos melhor nos segredos do Divino Coração de Jesus; pelo Rosário rezado com mais devoção obteremos a graça de ver nossas súplicas apresentadas por Maria a Seu Divino Filho”.52

Epílogo53

Depois de ter Jesus revelado a Santa Margarida Maria Alacoque estas promessas, acrescentou as seguintes palavras:



Anunciai e manda anunciar a todo o mundo, que não porei limites nem medida às Minhas graças, para com aqueles que as buscarem no Meu Coração”.

Sigamos, pois, este honroso convite e participaremos, neste mundo, destas promessas e graças, para que se verifique um dia, no Céu, o que pedimos nas Ladainhas: “Coração de Jesus, delícias de todos os Santos, tende compaixão de nós”. Amém.


 


Maria Santíssima
é o caminho que leva
ao Sagrado Coração de Jesus54

Quem quer o fruto deve ir à árvore; ora, Jesus é o fruto do seio de Maria; para chegar ao Coração de Jesus, ser-nos-á necessário ir a Maria. Ninguém pode vir a Mim, dizia o Divino Salvador, se Meu Pai não o trás55, a princípio por Sua graça, e também, parece ajuntar, se Minha Mãe não o atrai por Suas orações. Com muita razão esta doce Rainha é chamada por São Bernardo a roubadora dos corações, porque Ela arrebatou o Coração de Jesus para o dar aos homens, para os atrair ao Coração de Jesus.

Maria, com efeito, arrebatou o Coração de Seu Deus por Suas sublimes virtudes, principalmente por Sua fé, por Sua humildade e por Sua caridade.

A Ela é que se dirigia o Esposo divino, quando dizia à Sua esposa: Feristes o Meu Coração por um de Vossos olhos e por um de Vossos cabelos56. Este olho da esposa designa a fé da Santíssima Virgem, que A tornou tão agradável ao Coração do Filho de Deus; e este cabelo simboliza a humilde opinião que Ela tinha de Si, pois, nada mais insignificante que um cabelo. Esta humildade de Maria atraiu o Verbo Divino do Seio do Pai Eterno para o Seu seio virginal. Mas por Sua ardente caridade principalmente, Maria pareceu tão bela aos Olhos Divinos, que o Filho Unigênito de Deus quis descer ao Seu seio para se fazer homem; o que faz São Bernardo soltar dos lábios esta bela exclamação: Eis aqui então uma Virgem que, por Seu amor, feriu e cativou o Coração de Deus!

Maria conduz para este Coração Divino os corações dos homens, que seus atrativos maternais conquistam. O Senhor disse um dia à Santa Catarina de Sena: Eu criei Maria, esta filha muito amada, como um delicioso encanto para tomar e atrair a Mim os corações dos homens, e principalmente os dos pecadores. Este texto dos Provérbios: O coração de seu esposo confia nela, e não lhe faltarão despojos57, pode-se aplicar a Maria: porque Deus pôs o Coração de Jesus nas mãos desta Virgem bendita a fim de que se ocupe com esmero em O fazer amado dos homens; ora, desta maneira Ele não poderia deixar de conquistar despojos, isto é, almas, porque Maria O enriquece com todas as que Sua poderosa proteção arrebata ao Inferno. Oh! Quantos pecadores obstinados são atraídos todos os dias a Deus por este ímã dos corações, como a Si mesma se nomeou a Virgem Santíssima, falando a Santa Brígida: Como o ímã atrai o ferro, diz Ela, assim Eu atraiu os corações mais endurecidos para os reconciliar com Deus.


 

Nossa Senhora
do Sagrado Coração,
canal das Graças58

Ainda que o Coração de Jesus seja o reservatório universal das graças, e a oração o vaso destinado a recebê-las, contudo, só as obteremos por intermédio da Santíssima Virgem. Lemos no Gênesis, que Eliezer, servo de Abraão, chegou sequioso às bordas de um poço: Vindo Rebeca ao mesmo lugar, ele pediu-lhe de beber. Ela respondeu, que de boa vontade daria a água, não somente a ele, mas também a todos os seus camelos. Maria nos é admiravelmente representada aqui sob a figura de Rebeca; quanto ao poço, não poderia ele significar o Coração de Jesus? A Maria só pertence o cuidado de tirar as graças nesta Fonte de vida eterna: precioso privilégio que lhe mereceu o nome de Nossa Senhora do Sagrado Coração.

Neste poço divino, Ela pode tirar tanto quanto quiser por Suas orações. Maria tem um certo direito sobre todas as graças do Coração de Jesus, diz Suarez, por sua qualidade de Mãe. Também São Bernardo chama a Maria Onipotência Suplicante: Omnipotentia supplex. Quando Ela pede, é com certa autoridade de Mãe, suas orações tem alguma coisa de ordem, e é impossível que Ela não obtenha o que pede. Maria é tão poderosa, que se pode dizer, que nada existe acima do seu poder; tudo o que Ela quer, faz. Não é coisa digna do Filho de Deus honrar assim Sua Mãe, pois que Ele veio, não para ab-rogar, mas para cumprir a lei, que nos manda, entre outras coisas, honrar nossos pais? Ele quer por este meio satisfazer uma dívida de reconhecimento para com aqu'Ela que lhe deu o ser humano. Seu amor para com Maria é tão grande, que basta que Ela fale, para ser ouvida, diz Guilherme de Paris. Santa Brígida ouviu um dia Jesus dizer a Maria: Minha Mãe, pedi o que quiserdes, não Vos recusarei nada. Ó bondade admirável do Coração de Jesus! Ele se dignou nos dar por Advogada aqu'Ela que pode obter d'Ele por Suas súplicas tudo o que quer.

Outra que não Rebeca teria podido dar água do poço ao servo de Abraão; mas Jesus, diz São Bernardo, fez um Decreto pelo qual Ele não quer nos conceder seus favores senão por meio de Sua Mãe. Ele encheu Maria de todas as graças, a fim de que recebamos por Ela, como por um canal, todos os bens que podemos esperar. Por este canal salutar é que os dons celestes descem continuamente sobre nós. Holofernes, querendo reduzir a cidade de Betulia, ordenou que seus aquedutos fossem cortados. Assim procede o Demônio: ele se esforça o mais que pode, para conseguir que as almas percam a devoção a Maria, porque, uma vez desviado este benéfico canal, as graças do Coração de Jesus não podem mais chegar até nós. Consideremos, pois, ajunta São Bernardo, com que afetuosa devoção Jesus quer que honremos Sua Mãe, recorrendo à Sua proteção, pois, Ele pôs n'Ela a plenitude de todos os bens, de sorte que nenhuma graça nos vem do Coração de Jesus sem passar por Maria.

Eliezer foi feliz por ter encontrado Rebeca; mil vezes mais felizes seremos nós se achamos a Maria. Achando Maria, achamos todos os bens, diz o abade de Celles; n'Ela temos todas as graças, todas as virtudes, pois que, por Sua poderosa intercessão, do Coração de Seu Filho, obtemos tudo o que nos é necessário para sermos ricos dos dons celestes. Ela mesma nos diz que tem entre Suas mãos todas as riquezas do Céu, isto é, as graças divinas, para as distribuir àqueles que A amam59. Rebeca era tão boa, que, apenas o servo de Abraão falou, obteve água no mesmo instante. Quem poderá nos dizer a bondade de Maria? Não basta dizer que Ela é nossa Mãe? Ah! Para compreender o abismo de amor deste Coração maternal, seria preciso compreender o abismo do Coração de Jesus. Sim, é necessário conhecer o Coração de nosso Salvador, para conhecer de nossa Mãe: porque, tendo o amor tornado inseparáveis os Corações de Jesus e Maria, eles buscam, com acordo comum, nossa felicidade e salvação. Se a lembrança de nossos pecados nos separa de Deus, porque ofendemos nele uma Majestade infinita, aproximemo-nos de Maria, em que nada achamos de terrível. Sem dúvida, Ela é Imaculada, a Rainha do Universo, a Mãe de Deus; mas, tem a mesma origem que nós, é filha de Adão como nós; n'Ela tudo é bondade, tudo é doçura; Ela se faz tudo para todos; por Sua grande caridade, Ela se tornou devedora para com os justos e pecadores, abre a todos Seu Coração cheio de misericórdia, a fim de que todos vão haurir dele. Maria tem para nós Coração de Mãe, coração formado de propósito para nos amar, coração no qual Seu Divino Filho derramou Sua bondade, misericórdia, amor, e de alguma sorte Seu Coração mesmo. E temeríamos recorrer a Ela? Mas que pode sair de uma Fonte de bondade, senão bondade? Diz São Bernardo. Por isso, é que Ela é comparada à oliveira60, porque, se do fruto da oliveira não sai outra coisa que óleo, símbolo da misericórdia, do Coração de Maria não podem sair senão graças e misericórdias.

Mas, dirá alguém, eu sou tão grande pecador! Maria quereria ainda se interessar em meu favor? – Sim; se Rebeca se apressou a dar água aos camelos de Eliezer, que felicidade não experimenta o Coração de nossa Mãe, quando pode socorrer algum pobre pecador? Maria é chamada Rainha de misericórdia, diz São Bernardo, porque abre o abismo de Sua misericórdia (que é o Coração de Seu Filho), para quem Ela quer, quando quer, como quer. Nenhum pecador pode então perecer se Maria o protege. Ah! Como Ela deseja salvar todos os homens, ainda os mais criminosos! Os homens Me dão o nome de Mãe de misericórdia, dizia Ela a Santa Brígida, e nisto vão bem: o Coração todo misericordioso de Meu Filho Me fez toda misericordiosa para com os pecadores. Ó clemência admirável do Coração de Jesus! Não querendo que tenhamos que temer muito a sentença que Ele deve pronunciar na nossa causa, destinou-nos uma Advogada que é Sua Mãe e nossa, de sorte que Ela é bastante poderosa para o dobrar, bastante compassiva para procurar salvar-nos. Oh! Que motivo de confiança! Minha salvação depende do Coração de Jesus, o mais terno dos irmãos, e do Coração de Maria, a mais amável e misericordiosa das mães!

Que é que Maria exige do pecador para o salvar? Uma só coisa: que a invoque com o desejo de se corrigir. Aquele que põe sua confiança n'Ela, nunca será confundido. Eu convido, nos diz Ela, todos os homens a recorrerem a Mim, com paciência os espero e tenho vivo desejo de os socorrer; estou pronta sempre a lhes obter as graças, o perdão, a salvação; porque o Coração todo misericordioso de Meu Filho Me fez toda misericordiosa.

Confiança, pois, em Maria, diz Ubertino de Casal; se queremos achar lugar no Coração de Jesus, dirijamo-nos para Ele com esta boa Mãe. Ainda que fôssemos os maiores pecadores do mundo, Ela nos convida com o Profeta Isaías a nos aproximarmos d'Ele: Vinde, diz Ela, vinde pecadores, ao Coração de Meu Jesus61; Ele está sempre aberto para vos receber; vinde arrependidos, e Ele vos acolherá.


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1. Denz., 805 e 826.

2. Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, O.P., “L'éternelle vie et la profondeur de l'ame – O homem e a eternidade”, Parte V, p. 308; Tradução de Januário Nunes, Editorial Aster – Lisboa / Editora Flamboyant – São Paulo, 1959.

3. “As Promessas do Sagrado Coração de Jesus, feitas aos Seus devotos por meio de Santa Margarida Maria Alacoque, explicadas pelo Pe. Erasmo Raabe, P.S.M.”, pp. 7-39; Ed. Vozes, Petrópolis, 1931.

4. Ef. 4, 26.

5. Mat. 5, 23.

6. Mat. 11, 29.

7. Mat. 5, 9.

8. Mat. 11, 28.

9. Salm. 33, 20.

10. Gên. 3, 19.

11. Ecles. 12, 1.

12. II Cor. 7, 4.

13. Jó 7, 1.

14. Gál. 5, 17.

15. I Ped. 5, 8.

16. Is. 55, 8.

17. Marc. 8, 31.

18. Mat. 11, 12.

19. Apoc. 3, 16.

20. Jer. 31, 3.

21. I Cor. 16, 22.

22. I Rs. 10, 6.

23. Jo. 14, 2.

24. Mat. 5, 48.

25. Apoc. 22, 11.

26. Jo. 3, 8.

27. Col. 3, 14.

28. I Cor. 13, 13.

29. I Jo. 4, 16.

30. Mat. 28, 19.

31. Ezeq. 33, 11.

32. Mat. 17, 20.

33. Luc. 6, 45.

34. Mat. 18, 20.

35. Mat. 11, 29.

36. Mat. 5, 16.

37. Jo. 15, 13.

38. Ecle. 9, 1.

39. Sess. 6, 9.

40. Sess. 6, can. 16.

41. 2, 2, q. 19, a. 4.

42. Sess. 6, cap. 13.

43. Fil. 1, 6.

44. Heb. 6, 10.

45. Mat. 7, 2.

46. “S. Margarida M. Alacoque – A Esposa do Sagrado Coração de Jesus”, pelo Servo de Deus Pe. André Beltrami, S.D.B., Cap. XXV; 3ª Edição Brasileira, Escolas Profissionais do Liceu Coração de Jesus, São Paulo, 1945.

47. Cfr. Jo. 15, 5; I Cor. 4, 7.

48. Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, O.P., ob. cit., Part. V, p. 309.

49. Dict. Théol. Cath., art. Sagrado Coração de Jesus, Col. 331.

50. Carta 82, in Vida e Obras, T. II; Carta 83, p. 176.

51. Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, O.P., ob. cit., Part. III, p. 157.

52. Frei José Agostinho (Terceiro dos Menores Franciscanos), “A Grande Promessa”, pp. 7-10; 5ª Edição, Ed. Vozes, 1954.

53. “As Promessas do Sagrado Coração de Jesus, feitas aos Seus devotos por meio de Santa Margarida Maria Alacoque, explicadas pelo Pe. Erasmo Raabe, P.S.M.”, ob. cit., p. 40.

54. Pe. Saint-Omer, C.Ss.R., “O Sagrado Coração de Jesus segundo Santo Afonso de Ligório”, Introdução, 3º Dia, pp. 25-26; 5ª Edição, Typographia de Frederico Pustet, Ratisbona, 1926.

55. Jo. 6, 44.

56. Cânt. 9, 4.

57. Prov. 31, 11.

58. Pe. Saint-Omer, C.Ss.R., ob. cit., “A 1ª Sexta-feira do Mês de Maio”, pp. 25-26.

59. Prov. 8, 18.

60. Eclo. 24, 19.

61. Is. 46, 8.


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