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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Carnaval: Dias de Trevas e Escuridão, mas também, de Luz e Amor de Deus.



Domingo da Quinquagésima

Evangelho segundo São Lucas, XVIII, 31-43.


Naquele tempo, tomou Jesus à parte os Doze Apóstolos, e disse-lhes: “Eis, aqui vamos para Jerusalém, e tudo o que está escrito pelos Profetas tocante ao Filho do Homem, será cumprido: porque Ele será entregue aos gentios, e será escarnecido, açoitado, e cuspido; e depois de O açoitarem, tirar-lhe-ão a vida, e Ele ressurgirá ao terceiro dia”. Mas os Apóstolos nada disto compreenderam, e era para eles este discurso um segredo, e não penetravam coisa alguma do que se lhes dizia. Sucedeu porém que, quando Jesus ia chegando a Jericó, estava sentado à beira da estrada um cego pedindo esmola. E ouvindo o tropel da gente que passava, perguntou o que era aquilo. E responderam-lhe que era Jesus Nazareno, que passava. No mesmo instante se pôs ele a bradar, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem de mim piedade. E os que iam adiante repreendiam-no para que se calasse. Porém, ele cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem de mim piedade. Então Jesus parando, mandou que o trouxessem. E quando ele chegou, perguntou-lhe dizendo: “Que queres que te faça?” E ele respondeu: “Senhor, que eu veja”. E Jesus lhe disse: “Vê, a tua fé te salvou”. E logo imediatamente viu, e o foi seguindo, engrandecendo a Deus. E todo o povo assim que isto presenciou, deu louvor a Deus.

Meditações

Adoremos Jesus Cristo nos dois fatos de que nos fala o Evangelho deste dia. De uma parte, prediz a sua Paixão, da outra, restitui a vista a um cego de nascença. – A narração destes dois fatos é cheia de atualidade nestes dias de licença, que nos mostram, de um lado, a Paixão do Salvador renovada pelas desordens do Carnaval; de outro, o mundo tão cego a respeito das coisas de Deus e da eternidade. Façamos pública retratação a Jesus Cristo das desordens do mundo; e não deixemos decorrer estes santos dias sem lhe suplicar que nos ilumine e nos converta. Temamos, com Santo Agostinho, que ele passe sem nos tornarmos melhores – Time Jesusm transeuntem.


Primeiro Ponto

Estamos obrigados para com Jesus Cristo
a fazer destes três dias,
três dias de penitência e de mortificação.

Nunca imaginaremos todas as dores que tem causado ao Coração de Jesus as desordens do mundo durante estes três dias, quando do Horto das Oliveiras as viu distintamente no decurso dos séculos. Seria necessário, para imaginá-las, amar a Deus como Ele, compreender como Ele a enormidade do pecado, que despreza a onipotência de Deus, afronta a Sua justiça, ultraja a Sua santidade, menospreza a Sua bondade, desconhece os Seus benefícios: injuria atroz, que Ele vê multiplicar-se aos milhares, durante estes três dias; seria necessário amar os homens como Ele, compreender como Ele a desgraça dessas almas que não querem salvar-se, e se obstinam em perder-se, calcando o Seu Sangue aos pés, tornando inúteis os Seus tormentos, infrutuoso o Seu amor, para irem afoitamente lançar-se no Inferno. Ó dor acerba! A Sua Alma está numa tristeza mortal (Mat. XXVI, 38). Ora, não devem os amigos tomar parte nas angústias do amigo, que eles veem padecer, ir consolá-lO e visitá-lO? Jesus Cristo, exposto nos nossos altares, convida-nos a cumprir este grande dever. Não O amamos se, recusando acompanhá-lO nas Suas dores, O forçamos a repetir a queixa que Ele proferiu outrora pela boca do Profeta: “Estive esperando que alguém se entristecesse Comigo, mas não apareceu ninguém; estive esperando que alguém Me consolasse, mas não achei tal” (Ps. LXVIII, 20).


Segundo Ponto

Estamos obrigado para com o próximo
a fazer destes três dias,
três dias de penitência e de mortificação.

Ai! Esses homens, que se perdem, são nossos irmãos; e não devemos compadecer-nos deles? (Mat. XVIII, 33) Amamo-los, se a desgraça, em que caem, não nos fala ao coração, se não oramos e não fazemos penitência por eles? “Ainda que não se tratasse senão da perda de uma só alma, diz Santo Agostinho, não haveria coração de ferro, coração duro como o diamante, que pudesse ser a isso insensível”. Que será pois, principalmente nestes dias, em que um maior número do que de ordinário se alista debaixo da bandeira de Satanás? Oh! Se tivéssemos verdadeira caridade, se amássemos ao próximo como a nós mesmos, se o amássemos como Jesus Cristo nos amou, segundo o Seu Mandamento, quantas penitências e mortificações não nos imporíamos pelos pobres pecadores! Quais são as nossas disposições à entrada destes santos dias?


Terceiro Ponto

Estamos obrigados para conosco
a fazer destes três dias,
três dias de penitência e de mortificação

Com efeito, Nosso Senhor liga a esta prática uma promessa de salvação e um penhor de predestinação. “Já que vós, diz Ele aos seus Apóstolos, permaneceis fiéis a Mim nestes dias de tribulação e de provação, privando-vos dos prazeres do mundo para vos lembrardes da Minha Cruz, prometo-Vos dar-vos um reino, fazer-vos gozar as delícias do Céu, sentar-vos sobre tronos, donde julgareis as Doze tribos de Israel” (Luc. XXII, 28-30). E em outra parte, promete aos que se entristecem por seu amor, enquanto o mundo se alegra, que a sua tristeza há de converter-se em eterno gozo (Joan. XVI, 20.22). Palavras que nos mostram a sorte dos que seguem o mundo nestes dias de desordem, e a sorte dos que seguem Nosso Senhor. Uns passam o tempo nas diversões do século, outros nas lágrimas e na prática da penitência; mas logo essas lágrimas serão seguidas de uma alegria que nunca terá fim. Nesta alternativa, que decisão tomaremos? Podemos hesitar um só instante?

Fonte: M. Hamon, “Meditações Para Todos os Dias do Ano”, Tomo II, Domingo da Quinquagésima, pp. 68-71; Traduzidas da terceira edição francesa pelo Pe. Francisco Luiz de Seabra, Livraria Lello & Irmão, Editores, Porto/Lisbôa, 1940.


Reparação para os Dias de Carnaval

Nestes dias, quantos cristãos, com pecados e devassidões, entristecem o Bom Jesus! Supliquemos ao Divino Salvador nos envie o seu Espírito Celestial que, iluminando as nossas inteligências e afervorando os nossos corações, nos auxilie para, nestes dias de carnaval, não nos afastarmos de nosso lugar de almas fiéis e reparadoras. Em espírito de reparação pelos pecados e pelas abominações que se perpetram nestes dias, façamos a Jesus Eucarístico a nossa visita, pedindo-lhe luz e misericórdia.

*Canta-se “A nós descei, divina luz”, ou outro cântico.

A nós descei, divina luz, a nós descei, divina luz,
E em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus.

Sem Vós, Espírito Divino, cegos só podemos errar.
E do mais triste desatino, e do mais triste desatino,
no mais profundo abismo, sem fim, sem fim penar.

O negro Inferno nos faz atroz guerra,
contra nós arma o mundo sedutor;
tudo é para nós perigo nesta terra,
sois Vós, sois Vós nosso libertador.
Sois Vós, sois Vós nosso libertador.

A nós descei, divina luz, a nós descei, divina luz,
E em nossas almas acendei o amor, o amor de Jesus.

Em seguida, acrescentam-se as seguintes súplicas de desagravo ao Divino Coração de Jesus:

Ato de Reparação

Clementíssimo e misericordiosíssimo Salvador nosso, cheios de confusão nos prostramos em Vossa presença e detendo a vista sobre o Tabernáculo solitário, onde estais prisioneiro por nosso amor, sentimo-nos oprimido o coração ao considerarmos o abandono e o desprezo em que Vos deixam tantos cristãos.

Aqui estamos, ó Deus de bondade, para Vos pedirmos perdão e misericórdia sobre nós e também sobre aqueles que, nestes dias, esquecidos de sua dignidade de criaturas feitas a Vossa Imagem e santificadas com a graça do Vosso Batismo, deixam-se enganar pelas tentações do Demônio e pelas vãs aparências do mundo e mancham sua alma com pecados e indignidades sem conta. Nós aqui choramos por aqueles que Vos abandonaram… Aceitai, ó Senhor, o clamor da expiação que um sincero pesar arranca de nossas almas angustiadas.

Sacerdote – Pelas infidelidades e sacrilégios.
Povo – Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
Sacerdote – Pelas libertinagens e escândalos públicos.
Povo – Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
Sacerdote – Pela falta de modéstia no trajar.
Povo – Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
Sacerdote – Pelos corruptores da infância e da juventude.
Povo – Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
Sacerdote – Pelos crimes dos lares cristãos, pelas faltas dos pais e dos filhos.
Povo – Perdão! Perdão, ó Divino Coração!
Sacerdote – Ó Jesus! O mundo Vos despreza e procura rechassar-Vos… E que faria o mundo sem Vós? São muitos os que maldizem o Vosso nome, negam o Vosso Evangelho… mas são também muitos os que Vos amam, os que Vos querem sempre a seu lado, nas alegrias e nas horas tristes. Aqueles mesmos que Vos ferem com o pecado, dia virá em que hão de reconhecer que só Vós dissestes a verdade, só Vós ensinastes a justiça, só Vós prodigalizastes a verdadeira caridade! E por isso, em nome desses ingratos, nós Vos pedimos perdão: “Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!”

Sacerdote – São tantos os que lucram tolerando os pecados públicos, que traficam na profanação das consciências e dos sentidos!…
Povo – Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!
Sacerdote – São tantos os que despendem dinheiro e juventude nas dissipações mundanas ou prazeres que Vos ofendem!…
Povo – Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!
Sacerdote – São tantos os sedutores das almas, que pelos jornais e pelos livros se enriquecem, pervertendo seus irmãos!…
Povo – Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!
Sacerdote – São tantos os que exercem a deplorável profissão de excitar vícios e paixões, por meio de espetáculos onde tudo é permitido!…
Povo – Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!
Sacerdote – São tantos os fracos que, desatendendo os reclames da própria consciência, cooperam para o escândalo social das modas, teatros e cinemas!…
Povo – Misericórdia para eles, ó Sagrado Coração!

Oremos – Ó Deus eterno! Deus de bondade! Aceitai o nosso ato de desagravo: acolhei benigno as nossas súplicas, em consideração do Coração adorável de Vosso Divino Filho, que vela em nossos santuários, Vítima permanente por nossos pecados! Seja ouvida em favor de toda a humanidade pecadora a voz do Sangue preciosíssimo de Jesus!

Desça, Senhor, a Vossa graça sobre todos os homens, penetre todos os corações…, cessem as ofensas…, estabeleça-se Vosso Divino Amor: reine ele, e triunfe nos corações de todos os homens, a fim de que todos gozem um dia convosco no Céu! Assim seja!


Fonte: Manual de Orações – Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, pp. 108-111; Paróquia Pessoal do Senhor Bom Jesus Crucificado e do Imaculado Coração de Maria, Bom Jesus do Itabapoana – RJ, 2007.

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