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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 15 de novembro de 2014

A Excelsitude de Maria ou a Justíssima Veneração dos Católicos para com a Mãe de Deus




A exaltação de Maria por Deus

1. Como Mãe de Deus é Maria a criatura mais chegada ao Senhor. Necessário seria compreender quão sublime é grandeza de Deus, para também se compreender a altura a que foi Maria elevada. Bastará, pois, somente dizer que Deus fez desta Virgem sua Mãe, para entender com isso que não lhe era possível exaltá-la mais do que a exaltou. Apropriadamente afirma Arnoldo de Chartres que, em se fazendo Filho da Virgem, Deus a colocou numa altura superior a todos os Santos e Anjos. Exceto Deus, ela é sem comparação mais elevada do que todos os espíritos celestes, como dizem S. Efrém e S. André de Creta. Vulgato Anselmo escreve: Senhora, Vós não tendes quem vos seja igual, porque qualquer outro ou está acima, ou a abaixo de Vós; só Deus vos é superior, e todos os outros vos são inferiores. É tão grande, em suma, a grandeza da Virgem, conclui S. Bernardo, que só Deus pode e sabe compreendê-la.

Por isso, ninguém se maravilhe, adverte S. Tomás de Vilanova, se os Santos Evangelistas, tão prontos em registrar os louvores de João Batista, de Madalena, foram tão parcos em descrever as prerrogativas de Maria. Contentam-se em dizer que 'dela nasceu Jesus'. Baste-nos isso. Com tais palavras dizem tudo, resumem-lhe todas as excelências, sendo por isso desnecessário que as fossem descrevendo uma a uma”. E descrevê-las por quê? Maria é Mãe de Deus, e já não excede com isso a toda grandeza e dignidade que se pode exprimir ou imaginar depois de Deus? Pergunta Eádmero. Igualmente conclui Pedro Celense: Dai-lhe o nome que quiserdes, de Rainha do Céu, de Senhora dos Anjos, ou qualquer outro título de honra, jamais chegareis a honrá-la tanto, como chamando-lhe Mãe de Deus.

É evidente a razão do exposto. Pois S. Tomás ensina o seguinte: Quanto mais uma coisa se avizinha ao seu princípio, tanto mais recebe da sua perfeição. Ora, sendo Maria a criatura mais vizinha a Deus, do mesmo Deus ela participou mais graça, perfeição e grandeza, que todas as outras criaturas. Daqui deduz o Padre Suárez a razão por que a dignidade de Mãe de Deus é de ordem superior a toda outra dignidade criada. Pois de algum modo pertence à ordem da união de uma Pessoa Divina com a qual vai necessariamente conjunta. Assevera por isso Dionísio Cartuxo, que, depois da União Hipostática, nenhuma há mais próxima, que a da Mãe de Deus com seu Filho. É esta a união suprema que pode ter uma pura criatura com Deus, ensina S. Tomás. S. Alberto Magno afirma que ser Mãe de Deus, é a dignidade imediata depois da dignidade de ser Deus. Por isso, diz que Maria não pode ser mais unida a Deus, do que foi, senão fazendo-se Deus.

A Virgem devia ser Mãe de Deus. Precisou, portanto, na linguagem de S. Bernadino, ser exaltada a uma certa igualdade com as Pessoas Divinas, por meio de uma quase infinidade de graças. Moralmente falando, os filhos são reputados a mesma coisa com seus pais, de modo que comuns lhes são os bens e as honras. Daí deduz S. Pedro Damião que, se Deus habita em diversos modos nas criaturas, em Maria habitou com modo singular de idoneidade, fazendo a mesma coisa com Maria. Depois exclama com aquele célebre dito: Aqui trema e emudeça toda criatura, ousando apenas contemplar a imensidade de tão sublime dignidade! Deus habita no seio da Virgem, com ela mantém a identidade de uma natureza.

2. Como Mãe de Deus, é Maria portadora de uma dignidade quase infinita. Segundo S. Tomás, tendo Maria sido feita Mãe de Deus, em razão dessa união tão estreita com o Bem Infinito, recebeu uma certa dignidade infinita, a qual Suárez chama de infinita no seu gênero. Pois a dignidade de Mãe de Deus é a máxima que pode conferir-se a uma pura criatura. Ouçamos a explicação do Doutor Angélico: “A humanidade de Jesus Cristo podia receber de Deus maior graça habitual. Mas como assim? Porque a natureza limitada da graça, como coisa criada, é sempre capaz de aumento. Entretanto, não pode a humanidade de Cristo receber maior realce que o da União com uma Pessoa Divina. Assim, a Bem-aventurada Virgem não pode também ser constituída em maior dignidade, que ser Mãe do Infinito”. E S. Bernadino garante que o estado de sua Mãe, a que Deus exaltou Maria, foi sumo, de modo que a não pode exaltar mais. E o confirma S. Alberto Magno: Deus conferiu à Ss. Virgem o que há de mais alto possível para uma criatura: a Maternidade Divina.

Eis a razão das conhecidíssimas palavras de Conrado da Saxônia: Deus pode fazer um mundo maior, um Céu mais extenso, mas não pode fazer uma criatura mais excelsa, do que fazendo-a sua Mãe. Melhor que todos, porém, a própria Mãe de Deus exprimiu a altura a que o Senhor a sublimou, quando disse: Maravilhas em Mim operou Aquele que é poderoso. E por que não especificou Ela quais eram essas maravilhas concedidas por Deus? Maria não as expôs, responde-nos S. Tomás de Vilanova, porque são tão grandes, que não se podem explicar.

Razão teve, pois, o autor da Salve Rainha de dizer que Deus criou o mundo por causa dessa Virgem que havia de ser a sua Mãe. S. Boaventura podia dizer que o mundo persiste por disposição de Maria. “Por vossa intercessão, ó Santa Virgem, é conservado o mundo, que no começo fundastes juntamente com Deus”. Essas palavras fazem alusão ao texto dos Provérbios, onde se lê: Estava eu com ela regulando todas as coisas (8, 30). Que, por amor de Maria, Deus não destruiu o homem depois do pecado de Adão, é sentença de S. Bernadino.

Motivadamente canta, portanto, a Santa Igreja que “Maria escolheu a melhor parte”. Porquanto, esta Mãe e Virgem não só elegeu a ótima parte, mas das ótimas coisas elegeu a ótima parte. É o que no-lo atesta S. Alberto Magno: Deus dotou-a em sumo grau de todas as graças, e dons gerais e particulares, conferidos a todas as outras criaturas.

3. Inefável riqueza de graças conferidas a Maria. Mas todo esse tesouro lhe foi dado em consequência da dignidade que lhe fora concedida de Mãe de Deus. De modo que Maria foi menina, mas desse estado teve unicamente a inocência, não o defeito de incapacidade. Pois, desde o primeiro instante de sua vida teve o uso perfeito da razão. Foi Virgem, mas sem a ignomínia de estéril. Foi Mãe, mas conservando sempre a glória da virgindade. Foi bela, mas belíssima até, como diz Ricardo de S. Lourenço, com Jorge de Nicodemia e o Pseudo-Dionísio Areopagita. O Senhor revelou a S. Brígida que a beleza de sua Mãe excedeu a de todos os Anjos e Santos. Foi belíssima, repito, mas sem perigo para os que a contemplavam, porque a sua beleza afugentava os movimentos impuros e inspirava pensamentos de pureza, como atestam S. Ambrósio e S. Tomás. Por isso, ela se chamou mirra, que impede a corrupção. “Espalhei como mirra escolhida suavidade de perfume” (Ecli. 24, 20). Levava a Senhora uma vida ativa, mas sem que o trabalho a distraísse da união com Deus. Na contemplativa estava recolhida em Deus, mas sem negligência do temporal e da caridade devida ao próximo. Tocou-lhe a morte, mas sem as suas angústias e sem a corrupção do corpo.

Concluamos, pois. Esta Divina Mãe é infinitamente inferior a Deus, mas é imensamente superior a todas as criaturas. E se é impossível achar um Filho mais nobre que Jesus, é impossível também achar uma Mãe mais nobre que Maria. Sirva tudo isto aos devotos de Maria, não só para se regozijarem das suas grandezas, como também para aumentar-lhes a confiança no seu poderosíssimo patrocínio. Pois, não diz o Padre Suárez que Maria, sendo Mãe de Deus, tem um certo direito sobre seus dons, em benefício dos que a servem? Além disso, na opinião de S. Germano, Deus não pode deixar de ouvir as súplicas de Maria, porquanto, precisa reconhecê-las como sua verdadeira e imaculada Mãe. Assim, pois, ó Mãe de Deus e nossa Mãe, não vos falta nem o poder nem a vontade para socorrer-nos. Sabeis, dir-vos-ei com o Abade de Celes, que Deus não vos criou para Si, mas que vos deu aos Anjos como sua restauradora, aos homens como sua reparadora, e aos demônios, como sua debeladora. Por meio de Vós recobraremos a graça divina, e por Vós o Inimigo é vencido e debelado.

Desejamos, porventura, dar um agrado à Divina Mãe? Saudemo-la, então, muitas vezes com a Ave Maria. Apareceu um dia a Virgem a S. Matilde e disse-lhe que ninguém a podia obsequiar melhor do que com esta saudação. Se assim o praticarmos, receberemos graças singulares desta Mãe de Misericórdia, como se verá pelo seguinte exemplo:

É célebre aquele acontecimento que refere o Padre Ségneri na sua obra intitulada: O cristão instruído. Foi confessar-se, em Roma, ao Padre Zucchi, um jovem carregado de pecados desonestos, e mal habituado. O confessor acolheu-o com caridade, e compadecendo-se das suas misérias lhe disse que a devoção a Nossa Senhora podia livrá-lo daquele desventurado vício. Portanto, impôs-lhe, por penitência, que até outra confissão recitasse pela manhã e à noite, ao levantar-se e deitar-se, uma Ave Maria a Virgem, oferecendo-lhe os olhos, as mãos e todo o seu corpo, e rogando-lhe que o defendesse como uma coisa sua. E, além disso, que beijasse três vezes a terra. O jovem praticou esta penitência, ao princípio com pouca emenda. Mas o Padre continuou a inculcar-lhe que jamais a deixasse, animando-o a que confiasse no patrocínio de Maria. Neste tempo partiu o penitente com outros companheiros, e levou muitos anos a rodar pelo mundo. Quando voltou a Roma, foi de novo ter com o confessor, o qual com grande júbilo e maravilha o achou completamente mudado, e livre das antigas torpezas. – Filho, perguntou-lhe, como obtiveste de Deus tão feliz transformação? Respondeu-lhe o jovem: Meu Padre, Nossa Senhora alcançou-me esta graça, por causa daquela prática de devoção que me ensinastes. – Mas não param aqui as maravilhas. Tendo o confessor narrado do púlpito o que acabamos de referir, foi ouvido por um capitão que entretinha, havia muitos anos, relações criminosas com uma mulher. Resolveu-se ele a praticar a mesma devoção para libertar-se daquela horrível cadeia, com que o Demônio o escravizava (esta intenção é necessária a todos os pecadores, para que a Virgem os possa socorrer). Por este meio conseguiu também deixar a má conduta, e mudou de vida.

Mas que aconteceu depois? Ao cabo de seis meses, o capitão, fiando-se loucamente nas próprias forças, quis ir um dia visitar aquela mulher, para ver se ela também tinha mudado de vida. Mas ao chegar à porta daquela casa, onde ia correr manifesto perigo de tornar a cair, sentiu-se puxado para trás por uma força invisível, e achou-se tão distante, no fim da rua, em frente a sua própria casa. Conheceu, então, claramente que Maria o livrara assim da sua perdição. De tudo isso se depreende quanto é solícita nossa boa Mãe, não só em arrancar-nos do pecado, se com este fim a Ela nos recomendamos, mas ainda em livrar-nos do perigo de novas recaídas.

Oração

Ó Virgem Imaculada e Santa, ó criatura a mais humilde e a mais excelsa diante de Deus! Fostes tão pequena aos vossos olhos, porém, tão grande aos olhos do Senhor, que ele vos exaltou a ponto de vos escolher para Sua Mãe e fazer-vos depois Rainha do Céu e da terra. Dou, pois, graças àquele Deus, que tanto vos sublimou, e me alegro convosco por ver-vos tão unida a Deus, que mais não é possível a uma pura criatura. Diante de vós que sois tão humilde, com tantos dotes, me envergonho de comparecer, eu, miserável, tão soberbo e tão carregado de pecados. Entretanto, mesmo assim, quero saudar-vos: Ave Maria, cheia de graça. Sois cheia de graça, impetrai também a graça para mim. O Senhor é convosco. Aquele Senhor que esteve sempre convosco desde o primeiro instante de vossa criação, uniu-se agora a vós mais estreitamente, fazendo-se vosso Filho. Bendita sois vós, entre as mulheres: Ó Mulher bendita entre todas as mulheres, alcançai-me também a divina bênção. E bendito é o fruto de vosso ventre: ó planta bem-aventurada, que destes ao mundo um fruto tão nobre e tão santo! Santa Maria, Mãe de Deus: ó Maria, confesso que sois verdadeiramente a Mãe de Deus, e por esta verdade estou pronto a dar mil vezes a vida. Rogai por nós, pecadores. Mas se vós sois a Mãe de Deus, sois também a Mãe de nossa salvação, e de nós pobres pecadores. Pois para salvar-nos foi que Deus se fez homem, e vos fez sua Mãe para que vossos rogos tenham a virtude de salvar qualquer pecador. Eia, pois, ó Maria, rogai por nós: agora e na hora de nossa morte. Rogai sempre; rogai agora, que estamos em vida no meio de tantas tentações e perigos de perder a Deus. Mas, sobretudo, rogai por nós na hora da nossa morte, quando estivermos a ponto de deixar este mundo, e sermos apresentados ao divino tribunal a fim de que, salvando-nos pelos merecimentos de Jesus Cristo, e pela vossa intercessão, possamos um dia, sem perigo de jamais nos perder, saudar-vos e louvar-vos com o vosso Filho no Céu, por toda a eternidade. Amém.

Fonte: Santo Afonso Maria de Ligório, “Glórias de Maria”, 2ª Parte, Tratado I, Cap. II, Tema IV, Ponto II, pp. 236-242; Versão da 11ª edição italiana, última revista pelo autor, de acordo com a novíssima edição crítica dos PP. Krebs e Litz, C.Ss.R. pelo Pe. Geraldo Pires de Sousa, C.ss.R., 6ª edição, Editora Vozes Ltda, Petrópolis-RJ, 1964.

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