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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Não Estamos Obrigados a Dizer Sempre Toda a Verdade



Deveres dos cristãos em geral:

Para todos os bons cristãos vale afinal o Preceito divino de sempre falarem sinceramente a verdade, em suas reuniões e conversas; de não dizerem nada que possa lesar a fama de outrem, nem sequer daqueles que, como é de seu conhecimento, os ofendem e perseguem. Não devem esquecer que entre eles e os outros se interpõe a mais íntima ligação, por serem membros do mesmo Corpo”.1

Pode-se, contudo, ocultar a verdade oportunamente:

As palavras têm sido instituídas, diz S. Agostinho, para os homens comunicarem por elas os seus pensamentos. Servir-se, pois, das palavras para comunicar pensamentos que não se tem, é sempre uma coisa má. Fundado S. Tomás no mesmo princípio, diz: ‘que sendo as palavras pela sua natureza ninais dos pensamentos, é contra a natureza das palavras significar com elas pensamentos que não há’. Segue-se daqui, que se o mundo inteiro tivesse que se salvar por uma só mentira, esta mentira não deixaria de ser pecado, ainda que o mundo se salvasse por ela.

Apesar desta verdade incontestável, multiplicam-se as desculpas da mentira. Diz-se que, não pode ser mau mentir em alguns casos, como para conservar a paz de uma família, a fama de uma pessoa ou coisa semelhante; porém, nem a paz das famílias, nem a fama das pessoas, nem outro qualquer bem, pode fazer que seja bom o que por natureza é mau, como o é a mentira. O que pode fazer-se quando há inconveniente em dizer a verdade, é procurar ocultá-la, porque, como ensina o mesmo Santo Agostinho, uma coisa é dizer a mentira e outra é ocultar a verdade. Pode-se evitar a resposta, variando a conversação, chamando a atenção de quem pergunta para outras coisas, respondendo um despropósito, ou não respondendo, e desta maneira ficará oculta a verdade e mortificada a curiosidade”.2

O Ensino Catequético:

Segundo o Catecismo Maior de São Pio X, “nem sempre é necessário dizer tudo conforme se pensa (ou seja, toda a verdade), especialmente quando quem pergunta não tem o direito de saber o que pergunta”.3

Explicação do Catecismo Maior:

O 8º Mandamento proíbe-nos toda a espécie de mentira e, por isso mesmo, ordena-nos que digamos a verdade, pois a palavra deve ser a manifestação do pensamento. Mas a verdade, como nos ensina o catecismo, deve-se dizer oportunamente, ou por outra: a mentira nunca se deve dizer; porém, a verdade não se diz sempre, mas na devida oportunidade. Há circunstâncias em que a verdade pode não se dizer e outras em que não se deve dizer. Por exemplo, se me perguntam uma coisa; sei que, dizendo a verdade, aquele que me interroga faria mau uso dela. Que devo fazer? Não devo dizer a verdade, mas também não devo dizer a mentira; o meu dever é calar-me, ou falar de outro assunto, ou usar daquelas palavras que não dizem coisa alguma”.4

A Moral nos ensina que:

Deus nos deu o dom de podermos comunicar nossos pensamentos para que manifestemos sempre a verdade. De cada vez que, por palavras ou obras, divulgamos uma falsidade, abusamos de um dom divino e pecamos.

Daí se segue que, não existem as ‘mentirinhas brancas’ nem as mentiras inócuas. Um mal moral, mesmo o mal moral de um pecado venial, é maior que qualquer mal físico. Não é lícito cometer um pecado venial, nem mesmo para salvar da destruição o mundo inteiro. No entanto, deve-se também mencionar que posso não dizer a verdade sem pecar, quando injustamente procuram averiguar por meu intermédio alguma coisa sobre mim. O que venha a dizer neste caso poderá ser falso, mas não é uma mentira: é um meio lícito de autodefesa quando não resta alternativa.

Também não há obrigação de dizer sempre toda a verdade. Infelizmente, há muitos xeretas neste mundo, que perguntam o que não têm o direito de saber. É perfeitamente legítimo dar a tais pessoas uma resposta evasiva. Se alguém me pergunta quanto dinheiro trago comigo (e suspeito de que se trata de uma “facada”), e eu lhe respondo que trago mil cruzeiros, quando na realidade tenho dez mil, não minto. Tenho mil cruzeiros, mas não menciono os outros nove mil que também tenho. Mas seria uma mentira, é claro, afirmar que tenho dez mil cruzeiros quando só tenho mil.

Há frases convencionais que aparentemente são mentiras, mas não o são na realidade, porque toda pessoa inteligente sabe o que significam. “Não sei” é um exemplo dessas frases. Qualquer pessoa de inteligência média sabe que dizer “não sei” pode significar duas coisas: que realmente desconheço aquilo que me perguntam, ou que não estou em condições de revelá-lo. É a resposta do Sacerdote – do médico, do advogado ou do parente –, quando alguém procura tirar-lhe uma informação confidencial. Outra frase similar é: “não está em casa”. “Não estar em casa” pode significar que a pessoa saiu efetivamente, ou que não recebe visitas. Se a menina, ao abrir a porta, diz ao visitante que mamãe não está em casa, não mente; não há por que dizer que mamãe está no banho ou corando a roupa. Quem se engana com frases como esta (ou outras parecidas de uso corrente) não é enganado: engana-se a si mesmo”.5



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1Catecismo Romano, Parte Terceira – Dos Mandamentos, Cap. IX - 8º Mandamento, III Ponto, Art. 18, p. 421; 2ª Edição Refundida, Editora Vozes Ltda, Petrópolis/RJ, 1962.
2D. Santiago José Garcia Mazo, “Catecismo da Doutrina Cristã Explicado ou Explicações do Catecismo de Astete”, Segunda Parte, Pergunta LXIV, pp. 200-201; 6ª Edição, Livraria Chardron de Lello & Irmão – Editores, Porto, 1905.
3Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã, Terceira Parte, Cap. III, Quest. 462, pp. 89-90; Editora Vera Cruz Ltda. São Paulo, 1976.
4Teólogo Giuseppe Perardi, “Novo Manual do Catequista – Explicação Literal do Catecismo da Doutrina Cristã, publicado por ordem do Papa S. Pio X”, II Parte, Cap. I, 8º Mandamento, Art. 207, pp. 347-348; 5ª Edição, União Gráfica, Lisboa, 1958.
5Rev. Pe. Leo J. Trese, “A Fé Explicada”, Segunda Parte, Cap. XXI, pp. 212-213; 5ª Edição, Quadrante, São Paulo, 1990.

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