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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Visões Celestiais (Sonho de S. João Bosco - 1867)



Lá pelos fins de Maio de 1867, Dom Bosco teve um sonho no qual teve a alegria de gozar de visões do Céu.

Pareceu-lhe estar numa planície que se estendia a perder de vista. Nela um número infinito de gordas ovelhas, divididas em rebanhos, pastavam em vastos prados. Dom Bosco dirigiu várias perguntas ao Pastor, que lhe respondeu:

Você não está destinado para elas; eu mesmo vou levar você para ver o rebanho do qual você deve cuidar.

Mas quem é você? – perguntou Dom Bosco.

Sou o Dono. Venha comigo.

E o levou a um outro ponto da planície onde estavam milhares e milhares de cordeirinhos, tão magros que andavam com muita dificuldade. O campo era seco, árido e arenoso, sem um fio de capim verde, sem nenhum regato. Toda a pastagem tinha sido inteiramente destruída pelos próprios cordeirinhos.

Via-se, à primeira vista, que aqueles pobres cordeirinhos, cobertos de feridas, já tinham sofrido muito e continuavam a sofrer ainda. Dom Bosco pediu explicações e o Pastor acedeu, dizendo:

Escute e você tudo saberá. Esta planície é o mundo. As pastagens verdes são a Palavra de Deus e a Graça. Os lugares estéreis e áridos são aqueles nos quais não se ouve a Palavra de Deus e se procuram os prazeres do mundo. As ovelhas são os homens adultos, os cordeirinhos são os jovens e para eles é que Deus mandou Dom Bosco. Esse lugar tão árido representa o estado de pecado.

Dom Bosco continua: “Enquanto eu escutava e observava cada particularidade, eis uma nova maravilha: Todos aqueles cordeirinhos mudaram de aspecto. Levantando-se sobre as pernas posteriores, todos tomaram a forma de outros tantos rapazinhos. Aproximei-me para ver se conhecia alguns deles. Eram todos jovens do Oratório. Muitíssimos eu jamais os havia visto, mas todos se declaravam filhos do nosso Oratório.

Enquanto eu observava com pesar aquela multidão, o Pastor me disse:

Venha comigo e verá outras coisas.

E me conduziu para um recanto remoto daquele vale, circundado por pequenas colinas, cercado por uma cerca viva de plantas viçosas, com um grande prado verdejante, cheio de toda a espécie de ervas perfumadas, todo recoberto por flores do campo, com amenos bosques e córregos de límpidas águas. Aqui encontrei um outro enorme número de jovens, todos alegres, os quais, com as flores do campo, tinham entretecido para si esplêndidas vestimentas.

Ao menos você tem esses aí que lhe causaram grandíssima consolação.

Quem são eles? – perguntei.

São os que estão na graça de Deus.

Ah! Posso deveras dizer que jamais vi pessoas tão lindas e resplandecentes. Nem teria podido imaginar um esplendor tão grande assim.

Estava-me, porém, reservado um espetáculo muito mais surpreendente.

Venha, venha comigo – me disse o Guia – e farei você contemplar uma cena que lhe dará uma alegria e uma consolação maior ainda.

E me conduziu a um outro prado, todo recoberto de flores, mais belas e perfumadas que as que eu vira antes. Tinha o aspecto de um jardim principesco. Aqui se via um número de jovens, não tão grande como de antes, mas eles eram de tão extraordinária beleza e esplendor, que ofuscavam os que eu havia admirado pouco antes. Uns estão atualmente no Oratório, outros virão para cá no futuro.

Esses aí – disse-me o Pastor – são os que conservaram o belo lírio da pureza. Eles ainda estão revestidos com a estola da inocência.

Eu olhava estático para eles. Quase todos traziam na cabeça uma coroa de flores de indescritível beleza. Essas flores eram formadas por outras pequeníssimas florinhas de uma delicadeza surpreendente e suas cores eram de uma vivacidade e variedade encantadoras. Mais de mil cores numa só flor e em uma só flor se viam mais de mil flores. Descia até seus pés uma túnica de uma brancura ofuscante, também ela toda entretecida por grinaldas de flores, semelhantes às das coroas. A luz encantadora que emanava dessas flores, semelhantes às das coroas. A luz encantadora que emanava dessas flores iluminava toda a pessoa e espelhava nela a própria beleza.

As flores se refletiam umas nas outras e as das coroas se refletiam sobre as das grinaldas, cada flor reverberando os raios emitidos pelas outras flores. Um raio de uma cor, incidindo sobre um raio de cor diferente, formava novos, diversos e cintilantes raios; portanto, de cada raio se originavam sempre novos raios, de modo que eu jamais teria podido imaginar que existisse no Paraíso um encanto tão variado.

Isso não é tudo. Os raios e as flores das coroas de uns reverberavam seus raios nas flores das coroas de todos os outros; da mesma forma as grinaldas e as riquezas das vestes de uns reverberavam nas grinaldas e vestes de todos os outros.

Os esplendores do rosto de um jovem se refletiam sobre os dos rostos dos outros jovens e se fundiam em novos resplendores e reverberando centuplicadamente sobre todos aqueles redondos e inocentes rostos, produziam tanta luz, a ponto de ofuscar a vista e impedir de fixar aí os olhares.

Assim, em um só se acumulavam as belezas de todos os companheiros, com uma harmonia inefável de luzes. Era a glória dos Santos. Não há nenhuma imagem humana para descrever, mesmo que palidamente, quanto se tornava belo cada um daqueles jovens em meio àquele oceano de esplendores. Entre esses jovens, notei alguns em particular que, atualmente estão aqui no Oratório, e estou certo que, se pudessem ver ao menos a décima parte de sua atual beleza, estariam prontos para se deixar queimar, para se deixar cortar em pedacinhos, para ir de encontro, afinal, ao mais atroz martírio, antes que perdê-la.

Apenas eu pude me reaver um pouco do estupor daquele espetáculo celestial, voltei-me para o Pastor e lhe perguntei:

Mas, então, entre tantos jovens meus, tão poucos assim são os inocentes? Tão poucos assim os que jamais perderam a graça de Deus?

Ele me respondeu:

Não lhe parece bem grande esse número? De resto, todos os que tiveram a desgraça de perder o belo lírio da pureza e, com ele, a inocência, podem seguir os próprios colegas pela penitência. Está vendo ali? Naquele prado se acham ainda muitas flores; pois bem, com elas, eles podem tecer para si uma coroa, uma túnica belíssima e seguir os inocentes na glória.

Sugira-me ainda – acrescentei eu – algo para dizer aos jovens.

Repita aos seus jovens que se eles conhecessem quão preciosas e belas são, aos olhos de Deus, a inocência e a pureza, estariam dispostos a fazer qualquer sacrifício para conservá-las. Digam que tenham coragem de praticar essa cândida virtude, porque os castos são os que crescunt tamquam lilia in conspectu Domini (crescem como lírios diante de Deus)”.

Dom Bosco conclui sua narrativa dizendo que, atraído pelo esplendor daqueles jovens, quis sair correndo para o meio deles, mas tropeçou no chão e acordou (MB: Memorie Biografiche di Don Giovanni Bosco, VIII, 840; Torino, 1898-1939).

________________

Dois dias depois, voltou a falar do sonho e, entre outras coisas, disse: “Alguém me perguntou se ele se encontrava entre os inocentes e eu lhe disse que não. Perguntou-me, também, se estava recoberto de feridas, e eu disse que sim.

E o que significam essas feridas? – perguntou ele.

Não tenha medo – respondi – elas já estão cicatrizadas e vão desaparecer: essas feridas agora não são mais motivo de vergonha, assim como não são desonrosas as cicatrizes de um ex-combatente, o qual, não obstante tantos ferimentos e os insistentes ataques do inimigo, soube superar e conseguir a vitória. São, portanto, cicatrizes honrosas!… Mas, é mais honroso que, combatendo valorosamente no meio dos inimigos, não traz no corpo nenhuma cicatriz. Sua incolumidade provoca a maravilha de todos” (MB: Memorie Biografiche di Don Giovanni Bosco, VIII, 844; Torino, 1898-1939).


Fonte: “Os Sonhos de Dom Bosco”, Sonho 26 – Visões Celestiais, pp. 110-114; Coletânea organizada por Pietro Zerbino, traduzido pelo Pe. Júlio Bersano, Editora Salesiana Dom Bosco, São Paulo, 1988.

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