Blog Católico, para os Católicos

BLOG CATÓLICO, PARA OS CATÓLICOS.

"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Nossa Senhora das Neves (Basílica de Santa Maria Maior).



Manda aos ricos deste mundo
que pratiquem o bem,
que se façam ricos em boas obras
e repartam de boa vontade”.
(I Tim. VI, 18)


Pode afoitamente dizer-se que a devoção à Santíssima Virgem nasceu com a mesma Igreja, e os Santos Padres tiveram razão de dizer que fora a todos os fiéis que Jesus Cristo dissera da Cruz alguns momentos antes de expirar na pessoa de São João: Eis aí a tua Mãe; e que eram esses mesmos fiéis que tinha em vista quando disse à Mãe, falando de São João: Mulher, eis aí teu filho. É esta doce e consoladora qualidade de mãe em Maria, é este título tão glorioso e tão interessante de filho nos fiéis, que anima esta confiança e este amor, que inspira este profundo respeito e este culto singular para com a Santíssima Virgem, que a Igreja exige de todos os seus filhos, e que fez dizer a Santo Agostinho: Tu es spes unica peccatorum, Maria; in te nostrorum est expectatio premiorum. Vós sois Virgem Santa, a única esperança dos pecadores; é de Vós que esperamos o prêmio e a recompensa dos nossos trabalhos. São Germano, Patriarca de Constantinopla, dizia: “Não há ninguém, ó Bem-aventurada Virgem, que possa esperar a sua salvação, senão por Vossa proteção; ninguém que possa obter misericórdia senão por Vossa poderosa intercessão”.

É neste mesmo sentido que a Igreja, sempre conduzida pelo Espírito Santo, não se contenta de honrar a Santíssima Virgem, instituindo festas particulares para celebrar cada Mistério da Sua santíssima vida, Sua Conceição Imaculada, Sua Natividade, Sua Apresentação no templo, Sua Anunciação, Sua Purificação, Sua gloriosa Assunção; ela ordena hoje uma particular por ocasião da Dedicação do Seu Templo, sob o título de Santa Maria Maior ou de Nossa Senhora das Neves, para nos inculcar de todas as maneiras o seu zelo pela honra de Maria e o seu ardor pela salvação de todos os seus filhos. Eis o que deu lugar a esta festa singular:

Por meados do século quarto, no pontificado do Papa Libério e império de Constâncio, o patrício João, de uma das mais antigas e das maiores casas de Roma, quis dar um testemunho público da sua devoção à Virgem, à qual era singularmente dedicado. Como não tinha filhos, resolveu com o consentimento de sua mulher, que não lhe era inferior em nobreza e virtude, instituir herdeira de todos os seus bens Àquela que depois de Deus era tudo para ele. Tendo comunicado o seu desígnio a sua esposa, acordaram em preces particulares e esmolas para obter da Santíssima Virgem a graça de conhecerem em que desejaria Ela que empregassem os bens que lhe tinham consagrado. Esta Mãe do puro amor, e da santa esperança ouviu os votos destes pios oferentes, e na noite de cinco de Agosto apareceu a ambos separadamente e em sonho. Depois de lhes ter declarado quanto lhe fora grata a sua devoção, disse-lhes que a vontade de Seu Filho e a Sua era que empregassem os seus bens em edificarem uma igreja em Sua honra sobre o Monte Esquilino, e que encontrariam aí o lugar assinalado e o plano do Templo traçado pela neve miraculosa.

Como a visão foi comum não hesitaram em a reputar por miraculosa. Foram ter com o Papa Libério, que tivera igual visão, e que, pressentindo que o Céu falava, quis verificar o fato por si mesmo. Congregou o seu Clero e acompanhado também do patrício João, da mulher deste e do povo, dirigiu-se processionalmente ao lugar da maravilha. Tendo chegado ao Monte Esquilino, encontraram um sítio todo coberto de neve, posto estivessem na estação dos maiores calores. Um prodígio tão sensível impressionou todos os assistentes. À admiração sucederam os mais vivos sentimentos de reconhecimento, de ternura e de devoção para com a Santíssima Virgem. O projeto foi logo assentado consoante o plano que a neve miraculosa indicava; a igreja foi em seguida posta em construção a expensas do patrício. O milagre era muito visível para não excitar a devoção do público. Todo o mundo considera essa igreja um lugar singularmente privilegiado pela escolha que dela fez a Santíssima Virgem.

Posto haver já em Roma e por muitas outras partes do Orbe Cristão, oratórios consagrados e dedicados em honra da Virgem, foi esta a primeira igreja edificada em Roma sob o título da Mãe de Deus.

A princípio foi conhecida pelo nome de Basílica Liberiana, porque começou a ser no tempo do Papa Libério.

Depois teve ainda o nome de Santa Maria ad Praesepe, ou da Creche, porque o Presépio que serviu de berço ao Salvador do mundo para aí foi transportado de Belém e aí se conserva como preciosa relíquia. O Papa São Sisto III, um dos mais zelosos defensores da Maternidade divina da Santíssima Virgem, mandou reparar magnificamente esta igreja pelo ano 435; ofereceu-lhe presentes riquíssimos, um altar de prata, cálices, copos, coroas, candelabros, um turíbulo e vasos batismais do mesmo metal, além dos prédios que assinou para sua sustentação, e para subsistência dos Padres que nela celebravam Ofícios divinos.

Foi como um troféu que erigiu este Santo Papa depois do célebre Concílio de Éfeso sobre a heresia de Nestório em honra da Mãe de Deus, como no-lo diz uma inscrição em verso que mandou gravar em uma pedra e que se conservou até nós. O Papa Adriano em uma Epístola a Carlos Magno observa que o Papa Sisto colocou nesta Basílica muitas imagens e pinturas sagradas de grande preço. Tudo isto faz ver que a devoção à Santíssima Virgem é de todas as idades da Igreja e que a prática desta Igreja desde a sua origem tem sido levantar altares a Deus e edificar templos magníficos em honra de sua Divina Mãe, como o prova o que havia em Éfeso, quando lá celebrou aquele famoso Concílio, e que tinha sido construído muitos anos antes da heresia de Nestório.

Por haver reparado São Sisto a igreja de Nossa Senhora das Neves, chamou-se a Basílica de São Sisto, até que, multiplicando-se as igrejas consagradas em Roma à Santíssima Virgem, para distinguir esta das demais, se lhe deu o nome de Santa Maria Maior, e este é o que conserva ainda hoje.

A esta Basílica dirigiu o Papa São Gregório Magno a procissão composta de todo o Clero e de todo o povo romano para conseguir de Deus que soltasse da mão o triste açoite da peste que assolava a Itália. A ela se dirigiu também uma outra no tempo do Papa Leão IV para que o Senhor livrasse o país de um famoso dragão que o assolava. No ano de 653, depois que o imperador Constante tirou cruelmente a vida aos generosos defensores da fé católica no Oriente, mandou ordem ao exarca de Ravena para que prendesse o Santo Papa Martinho, açoite dos hereges.

Achava-se o Santo Pontífice celebrando o Sacrifício da Missa na igreja de Santa Maria Maior, quando entrou nela o assassino enviado para lhe tirar a vida; mas, logo que pôs os pés na igreja, ficou repentinamente cego. Esta e outras maravilhas que obra continuamente o Senhor por intercessão da Virgem naquele templo que Ela mesma escolheu para ser nele reverenciada, tem-no tornado tão célebre na Cristandade, que de toda a parte se concorre a ele para lhe render cultos e oferecer-lhe fervorosos votos, pelo que não se deve estranhar, que depois da igreja de São Pedro seja reputada a de Santa Maria Maior, pela mais rica e magnífica de Roma.

Solícita sempre a Igreja Católica em render à Santíssima Virgem o culto que se deve à Augusta qualidade de Mãe de Deus, Mediadora entre Jesus Cristo e os homens, Rainha do Céu e da terra, Refúgio dos pecadores, Mãe da graça e da misericórdia, não é maravilha que em todas as partes se veja tanta multidão de templos consagrados a Deus debaixo da invocação e honra desta Senhora.

Só em Roma contam-se mais de 60 igrejas dedicadas em seu nome.

Não se mostrou menos magnífica Constantinopla tanto na suntuosidade, como na multidão de templos que lhe consagrou, pois por seu grande número chamou-se em algum tempo a cidade da Virgem. Não havia rua onde não se levantasse alguma, não havia palácio ou casa de consideração sem capela ou oratório consagrado à Virgem. O templo mais célebre de todos era o que se edificou extra-muros da cidade no sítio chamado Balquerna, à custa da imperatriz Pulquéria. As igrejas que se contavam no Oriente e na África em honra desta Senhora, antes de os turcos e sarracenos serem senhores destas vastas províncias, eram inumeráveis. São-no igualmente as que se veneram no Ocidente. Além das muitas que se veem em toda a Itália, quase todas as catedrais de Espanha e Portugal, veneram como Padroeira a Rainha dos Anjos. Em França passam de quarenta as matrizes e são oito as metrópoles consagradas à mesma Soberana Rainha, entre as quais a de Paris e a de Ruão cedem a poucas em antiguidade. Na Alemanha, nos Países Baixos, na Sicília, na Inglaterra, na Polônia, na Dinamarca e na Suécia, ainda hoje se registram frequentes monumentos, ilustres memórias da antiga devoção daqueles tempos à Mãe de Deus, sem que a guerra que lhe declarou sempre a heresia tenha podido apagar de todo aqueles brilhantes testemunhos que acreditam a piedade dos verdadeiros fiéis.

Mas, como entre todas as igrejas dedicadas em Sua honra, nenhuma há mais excelente que a de Nossa Senhora das Neves, quer por haver merecido a singular eleição, quer pelo milagre que autenticou a sua edificação, todos os anos se celebra a memória e a festa da sua Dedicação neste dia 5 de Agosto, assim como no dia nove de Novembro se celebra a Dedicação da Basílica do Salvador.

Está tão autorizada na Igreja a devoção para com a Santíssima Virgem, que todo o verdadeiro católico reconhece a sua utilidade e a grandíssima importância, considerando-se todos obrigados a considerar-se humildes e dedicados servos da Rainha dos Céus. Neste ponto são conformes as Igrejas grega e latina sem que o prejudicassem as divisões do Cisma.

Tanto no Oriente como no Ocidente, fazem-se orações públicas à Virgem, celebram-se festas em Sua honra, dedicam-se templos a Deus debaixo do Seu nome, expôem-se as Suas imagens nos altares, invoca-se incessantemente no Ofício divino e no Santo Sacrifício da Missa. Não obstante a decidida tendência para se separarem dos nossos dogmas e dos nossos ritos.

Eles e nós recebemos esta doutrina de nossos pais pela constante Tradição dos séculos, derivada dos Apóstolos. Quanto à devoção à Santíssima Virgem, os gregos dos nossos dias, seguem as mesmas opiniões que seguiram Santo Atanásio, São João Crisóstomo e São Cirilo. Da mesma maneira no-la transmitiu São Bernardo, tendo recebido de Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho e dos primeiros Padres da Igreja Latina. Ainda que outra prova não tivéssemos, diz este servo de Maria, do que esta Tradição vinda dos Apóstolos, além da muita autoridade que já tinha quando se celebrou o Concílio de Éfeso, quem poderia racionalmente duvidar dela? Aquela unânime conspiração dos sábios, do povo, dos Santos, da Cabeça visível da Igreja, de todos os Bispos católicos; aquele ardor de todos os ortodoxos, em exaltar mais e mais as grandezas e excelências da Virgem, quando o erro e a malignidade mais se empenhavam em abatê-las; em pronunciar cada dia mais frequentes panegíricos e em edificar-lhe novos templos até na própria Capital do império; todo esse vivo, eficaz, ardente e universalismo zelo, que outro fundamento poderia ter senão o da estabelecida e permanente Tradição? E como poderíamos hoje pô-la em dúvida, ainda mesmo que ignorássemos os canais por onde derivou até nós? Devotum tibi esse, diz São João Damasceno, est arma quaedam habere, quae Deus iis dat, quos vult salvos fieri. Professar-Vos, ó Bem-aventurada Virgem, uma particular e terna devoção, é ter já certas as armas defensivas que Deus só cinge aos seus predestinados. Que seria de nós, exclama São Germano, Bispo de Constantinopla, se Vós, ó Santíssima Mãe de Deus, nos desamparasseis, Vós, alma e vida de todos os cristãos! Si tu nos deserueris, quidnam de nobis fieret, ó sanctissima Deipara, spiritus et vita christianorum! Dediquemo-nos ao serviço desta Soberana Rainha, diz o Venerável Beda, que nunca abandona os que depois de Deus colocam Nela toda a sua confiança.



Fonte: Rev. Pe. Croiset, “Ano Cristão”, Vol. VIII, 5 de Agosto, pp. 70-74. Traduzido do Francês pelo Rev. Pe. Matos Soares; Tipografia “Porto Médico” Ltda, Porto, 1923.



Meditação Sobre
o Bom Uso das Riquezas

I. Se Deus nos deu riquezas, precisamos de fazer dela bom uso. Permite-nos empregar uma parte dessa riqueza para nos manter, segundo a nossa condição, e conforme às regras do Evangelho. Não a dissipemos em loucas despesas; não a empreguemos em satisfazer a vaidade, em alimentar o luxo, em satisfazer prazeres criminosos. Seria ir de encontro ao fim que Deus se propôs quando no-la deu.

II. Deus quer que consagremos uma parte dessa riqueza ao adorno dos templos e ao alívio dos pobres. Que melhor uso podemos fazer da riqueza, principalmente, se não tivermos filhos? E tendo filhos, não será justo que destinemos uma parte desses bens, amontoados com tanto trabalho, ao alívio da nossa alma, resgatando os pecados por meio da esmola? Estranha cegueira! Afadigamo-nos para deixar bens sobre a terra e não pensamos em fazer frutificar estes bens para a eternidade!

III. O apego aos bens da terra dá causa ao mau uso que deles se faz. Será preciso deixá-los na primeira ocasião; porque nos condenarão a ser infelizes até neste mundo, para favorecer herdeiros ingratos, que impacientemente esperam a nossa morte? Hão de rejubilar, enquanto nós estaremos ardendo por os ter enriquecidos; e se estivermos no Purgatório, hão de preferir deixar-nos ali, a sacrificar ao alívio das nossas almas, a mais pequena parte das riquezas, que tivermos a loucura de lhes deixar.

Oração: Dignai-Vos, Senhor, dar-nos saúde a alma e ao corpo e concedei-nos, pela intercessão da Bem-aventurada Maria, sempre Virgem, a graça de sermos livres dos males da vida presente e chegarmos a gozar da eterna felicidade do Céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.



Fonte: Rev. Pe. João Estevam Grossez, S.J., “Vida dos Santos com uma Meditação”, 2ª Parte, 5 de Agosto, pp. 77-78. Edição Portuguesa, União Gráfica, Lisboa, 1928.


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