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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

As Núpcias de São José com a Virgem Maria.

 


Maria , após haver-se consagrado ao Senhor, com voto de virgindade, deseja certamente permanecer por toda a vida no Retiro do Templo, aplicar-se ao estudo e à meditação da Sagrada Escritura e desempenhar os encargos que Lhe confiavam as mestras.


Seus genitores haviam falecido e, se regressasse a Nazaré, estaria só em sua casinha. Mas, o que não pensava, pensaram e providenciaram os Sacerdotes do Templo e os seus parentes.


Não se conhecia então o preço da virgindade, e o uso dos hebreus não permitia que uma jovem permanecesse núbil. E, sendo filha única, para não permitir passasse a herança paterna a famílias estranhas, devia desposar um parente.


Maria contava então os seus dezesseis anos, razão pela qual o Sumo Sacerdote A convidou para passar ao estado matrimonial e, sendo filha única, a desposar um dos próprios parentes. Tendo Ela porém, manifestado o voto de virgindade, não quis decidir por si só uma questão de tanta importância; pois estava escrito que se deviam observar os votos feitos a Deus e, por outro lado, não queria autorizar um uso desconhecido na nação hebraica. Convocou, portanto, os doutores da lei, para decidir o que se devia fazer.


Todos concordaram ser necessário consultar o Senhor e, tendo eles entrado em oração, o Sumo Sacerdote dirigiu-se ao Santuário. Enquanto oravam todos, ouviu-se, do fundo do Propiciatório, uma voz que dizia ser a vontade de Deus fosse Maria dada por esposa, entre todos os descendentes de Davi aptos para o matrimônio, àqueles em cujas mãos florescesse o raminho, segundo a profecia de Isaías: “Do tronco de Jessé sairá um ramo e de sua raiz brotará uma flor”.1


Manifestada essa disposição do Céu, todos os jovens da família de Davi reuniram-se no Templo com um raminho na mão. Todos desejavam aparentar-se com Maria; somente São José, humilde e recolhido, de prudente juízo, de belo e gentil aspecto, achava-se confuso, julgando-se indigno de tamanho bem. Além disso, tendo feito voto de virgindade, estava decidido a observá-lo; todavia, abandonava-se ao divino querer.


Enquanto oravam todos e os Sacerdotes ofereciam a Deus o sacrifício, eis que o ramo de José, depositado com os outros sobre o altar, produz uma flor que se abre pouco depois num alvíssimo lírio, dando-lhe assim a preferência sobre todos os outros pretendentes; os quais por despeito terão quebrado seus ramos como apresenta magnificamente o pincel de Rafael no seu quadro dos esponsais.


Também os Padres e os Doutores da Igreja concordam em dizer que São José foi escolhido para esposo de Maria pelo próprio Deus. Narra São Jerônimo, que Deus falou ao Sumo Sacerdote, ordenando-lhe colocar na mão dos parentes de Maria um ramo seco; o jovem, cujo ramo brotasse, seria o esposo de Maria.



Esse fato explica o costume de representar o Santo com um bastão florido na mão.


A verdade da narrativa simbólica, é que esses esponsais tiveram um fim sacerdotal; que o autor da escolha foi Deus e que só o amor da virgindade uniu para sempre aqueles dois Corações Imaculados. Foi a virgindade, a pérola preciosa do anel que brilhou aos olhos de Maria, quando José o ofereceu para possuir a Sua mão; a virgindade solenizou essas núpcias, que sem ela jamais se teriam realizado.


O humilde Santo, ao ver-se tão claramente escolhido por Deus para Esposo da Virgem Maria, de preferência a muitos jovens ricos, sentiu-se muito comovido.


Avisada Maria, ainda prostrada diante da Majestade divina, exultou em Deus, sabendo que José era um espelho de pureza e de santidade. Descendo depois ao Templo, acompanhada por suas mestras, foi apresentada, pelos Sacerdotes, a José. Ali, pela primeira vez se viram de perto e se mostravam muito felizes, sabendo ser tudo possível a Deus, que conhecia o seu voto de pertencerem somente a Ele.


Foi tão afortunado e feliz esse matrimônio que a terra nunca viu nem verá jamais um igual. Nem a Maria podia tocar melhor esposo, nem melhor esposa podia aparecer a José. Eram dois Corações verdadeiramente dignos um do outro, plenos de virtudes e de graças.


Não foi o capricho ou a paixão, o interesse ou outro motivo humano que levou José e Maria a unirem suas existências em uma, mas exclusivamente a vontade de Deus, manifestada através da vontade dos parentes e através da lei mosaica, à qual não era lícito subtrair-se.


José encontrou em Maria um Coração ardente de virginal afeto, uma companheira ideal para a vida, um conforto e um suave sorriso nas fadigas e perigos. Maria encontrou em José o guarda fiel de sua virgindade, um Coração de esposo amantíssimo, um amparo e segura defesa para Si e para o Divino Infante.


Portanto, José possuía Maria, senhora escolhida como o sol e mais bela que a lua, que apareceu circundada por celestial majestade e resplandecente de maravilhosa beleza. Afirmam ainda antiquíssimas tradições, que Maria era a mais bela jovem hebreia, e não nos custa acreditá-lo, pois, pelo voto feito, era virgem no pensamento, no coração e no corpo; sua alma estava cheia de graça, era a privilegiada de Deus, de quem recebia dons extraordinários para a alma, dons que transpareciam exteriormente e Lhe formavam a beleza do corpo.


Eis o elogio do Espírito Santo à sua Esposa: “Toda és formosa, amada minha, e em ti não há mácula. Vem do Líbano, esposa minha, vem, e serás coroada. Feriste-Me o coração, esposa minha, com um só dos teus olhares, com um só cabelo do teu pescoço. Como é belo o teu amor, ó irmã, minha esposa! As tuas carícias são mais suaves do que o vinho, e o odor dos teus bálsamos excede o de todos os aromas. Mel destilam os teus lábios, ó esposa, mel e leite estão debaixo da tua língua, e o odor dos teus vestidos é como o odor do incenso. Jardim fechado és, irmã, minha esposa, fonte selada”.2


São José era artífice, escreve o Padre Huguet, e ganhava o pão com o suor da fronte na profissão de carpinteiro. Mas diante de Deus, que não julga o homem pelas aparências, e sim pelo coração, era justo, rico de bens espirituais e grande de verdadeira grandeza.


Escreveu São Epifânio: “Homem algum foi mais nobre e mais rico que José aos olhos de Deus; nenhum o igualou jamais em ciência, pureza e santidade”. Por isso, o Senhor o estabeleceu Chefe de sua Família, custódio do mais precioso de seus tesouros.


As palavras de Faraó a seu povo faminto: “Ide a José”, deveriam ser, nos séculos, a resposta de Deus a seus filhos desejosos de graça: “ide a meu fiel servo José”.


Ao celebrar-se esse matrimônio, que a Igreja comemora a 23 de Janeiro, Maria, segundo a opinião mais corrente, contava 16 anos e José cerca de 33. De fato, devendo ser ele o conforto e amparo da Esposa e do Menino Jesus na penosa fuga para o Egito, no regresso à pátria, e devendo também providenciar o sustento da Sagrada Família com o seu trabalho, era necessário que fosse de idade vigorosa e robusta; de outra forma, teria constituído um peso em vez de alívio.



Acrescenta Gérson que, se os antigos pintores o representaram velho, foi para mostrar a maturidade de sua mente e as cãs de seus virtuosos costumes; e também por parecer conveniente, naqueles tempos em que a virgindade de Maria não se achava ainda bem radicada nos corações, pintar o Seu Esposo um tanto velho, para subtrair toda ocasião de suspeita contra a ilibada virgindade de ambos os esposos.


Diz uma Santa, que José, ao ver a delicada donzela de olhos baixos, coberta de virginal rubor, permaneceu extático de admiração e percebeu no coração a voz de Deus que lhe dizia: “José, meu servo fiel, eis que te dou como esposa a mais cara criatura que existe na terra. A ti confio este tesouro, para que sejas o seu custódio. Esta puríssima pomba será a tua fidelíssima companheira; ambos vos conservareis virgens, sendo a virgindade o nó estreitíssimo de vossas núpcias. O vosso amor se unirá em um, que me será consagrado, sendo Eu o objeto de todos os vossos afetos e de todos os vossos desejos”.


Escrevia Bossuet: “Maria pertence a José e José a Maria, porque se deram um ao outro. Mas como se deram? Ó castidade, eis o teu triunfo! Dão reciprocamente sua virgindade e sobre esta virgindade, cedem, um ao outro, mútuo direito. Que direito? O de guardá-la um ao outro. Sim! Maria tem direito de guardar a virgindade de José e José o direito de guardar a virgindade de Maria. Deste direito, nem um nem outro podem dispor; e toda a fidelidade desse matrimônio consiste em conservar a virgindade. Eis a promessa que os une; eis o acordo que os liga. São duas virgindades que se unem para conservar-se eternamente de modo recíproco, com uma correspondência de castos desejos. Parece-me ver dois astros, que só entram em união pela luz que comunicam uma ao outro e que se unem reciprocamente”.


Terminadas as cerimônias das núpcias, que em tais circunstâncias se faziam estre parentes e amigos, Maria e José, depois de voltarem ao Templo para agradecer ao Senhor e obsequiar os Sacerdotes e as mestras, encaminharam-se, em companhia de alguns parentes próximos, para Nazaré, à casa de Maria, que seus pais Lhe haviam deixado.


Explica São Francisco de Sales, no décimo nono entretenimento: “Oh! Que divina união entre Nossa Senhora e o glorioso São José; União que tornava José participante de todos os bens de sua cara Esposa e o fazia crescer maravilhosamente na perfeição pela contínua comunicação com Ela, que possuía todas as virtudes em grau tão alto, que nenhuma criatura o pôde atingir”.


São José era quem mais Lhe assemelhava. De fato, Maria era como um espelho polidíssimo exposto aos raios do sol divino, raios que Lhe traziam à alma todas as virtudes em sua perfeição. Estas refletiam-se depois tão bem em São José, que Ele parecia ser tão perfeito e possuir as virtudes em grau tão alto quanto sua Esposa.


Dizem os naturalistas, que duas flores, plantadas uma junto da outra, se de cores diversas, por exemplo, uma amarela, outra vermelha, permutam suas cores ao menos em parte; isto é, a amarela toma um pouco de vermelho e a vermelha um pouco de amarelo. Se, em vez de ser assim, são ambas da mesma cor, por exemplo, vermelhas, então sua cor se aperfeiçoa, tornam-se mais vermelhas.




Apliquemos esta propriedade das flores a Maria e José: Antes das núpcias eram dois lírios de virginal candor, colocados porém a distância: Maria em Jerusalém, José em Nazaré. Após o matrimônio, estes dois lírios foram colocados próximos, no mesmo jardim, pela mão de Deus. E essa proximidade, em vez de ofuscar, muito lhes aperfeiçoou o candor. Assim, se José e Maria antes das núpcias eram virgens ilibados, foram também virgens e mais nobres ainda após as núpcias. Tal convivência durou por toda a sua vida; e como em suas núpcias, a virgindade desposou a virgindade, na convivência após as núpcias, foi um anjo de pureza a viver com outro anjo de pureza. Foi a convivência de dois Corações êmulos no candor virginal.


Diz São Bernardo: “O privilégio de ter Maria por Esposa foi concedido a José, de preferência a todos os outros de sua nação, porque ele era verdadeiramente da casa real de Davi, isto é, não degenerado em relação a seu avô, antes seu verdadeiro filho, por estar ornado de tanta fé, santidade e devoção. Era e foi achado por Deus, como Davi, homem segundo o seu Coração, a quem podia confiar o Mistério sublime da Encarnação do Verbo no seio da Virgem Imaculada, que vigiaria diligentemente como depósito da Sabedoria divina; Mistério que nenhum outro príncipe da terra conheceu”.


Estamos na preparação próxima da vinda de Jesus ao mundo. A casa de Davi, em decadência, ergue-se de novo, e o Senhor, herdeiro de todas as promessas, pode entrar com honra. O Mistério, porém, por fins providenciais, não deve ainda manifestar-se e permanece oculto na sombra da união dos dois cônjuges virgens, abençoando assim o estado matrimonial com a abundância de suas graças.


Maria, nesse novo estado, ganha em José um testemunho incontestável de sua virgindade, superior a toda dúvida, um custódio amantíssimo e seguro, um conselheiro fiel, um amparo e conforto para a sua singular vocação.


Doravante, os dois Santos Esposos serão os poderosos padroeiros do Estado de Virgindade e do Matrimonial; as fadigas comuns, os cuidados e dificuldades da vida transformar-se-ão em méritos para o reino de Deus, e cooperarão na vida do Salvador para a redenção do mundo.



Fonte: Pe. Tarcísio M. Ravina, da Pia Sociedade de São Paulo, “São José – Na Vida de Jesus Cristo, na vida da Igreja, no Antigo Testamento, no Ensino dos Papas, na Devoção dos Fiéis, nas Manifestações Milagrosas”, 1ª Parte, PP. 26-33; Edições Paulinas, Recife, 1954.


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1Is., 11, 1.

2Cânt., 4, 7-14.


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