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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Um Sonho de São João Bosco, aos Jovens da Jornada Mundial da Juventude.




“Deixem-me sozinho: sofro muito”
(Sonho de 1867)


Na noite de 25 de junho de 1867 Dom Bosco narrou aos jovens um de seus sonhos mais sugestivos.

Pareceu-lhe que estava caminhando pelo caminho que levava até ------ (e nomeou a cidade), quando se sentiu chamado pelo nome por seu Guia. Acompanhou-o. Viajavam com a rapidez do pensamento, sem que seus pés tocassem no chão. Chegaram a um palácio de admirável estrutura, mas inacessível.

·         Entre nesse palácio – lhe disse o Guia.

·         De que jeito, se não há entrada?

·         Entre! Replicou imperiosamente o Guia. E, vendo que Dom Bosco não se mexia, disse:

·         Faça como faço eu: levante os braços e você subirá.

Assim dizendo, abriu os braços em direção ao Céu. Dom Bosco o imitou e sentiu que flutuava e subiu pelos ares, até que parou diante dos portais do palácio.

·         O que há aqui dentro? – Perguntou Dom Bosco.

·         Entre, visite e verá. Lá no fundo, numa sala, você encontrará quem o ensinará.

O Guia desapareceu. Dom Bosco percorreu muitas salas luxuosas com a rapidez do vento e, coisa admirável, suspenso no ar, com as pernas juntas, deslizava sem esforço algum, como se fosse sobre um chão liso de cristal, mas sem tocar o pavimento. Assim, passando de um apartamento a outro, chega a uma grande sala, mais esplêndida do que as outras.

Na sua extremidade, sobre um sofá, reparou, sentado majestosamente, um Bispo, em atitude de quem espera para dar uma audiência.

“Aproximei-me com respeito – narra Dom Bosco – e fiquei extremamente maravilhado ao reconhecer naquele prelado um íntimo amigo meu. Era Dom ------ (e citou o nome), Bispo de ------. Seu aspecto era flórido, afetuoso, de tal beleza que não se pode exprimir”.

·         Oh! Monsenhor! Vª. Excia. Aqui? – perguntei-lhe. Mas já não morreu?

·         Sim, que morri. E o sr., Dom Bosco, está vivo ou está morto?

·         Eu estou vivo: não vê que estou aqui em corpo e alma?

·         Aqui não se pode entrar com o corpo.

·         No entanto, aqui estou eu.

Em seguida, Dom Bosco fez ao Bispo muitas perguntas.

·         Diga-me, Monsenhor, está salvo?

·         Sim. Encontro-me em um lugar de salvação.

·         Mas já está no Paraíso gozando de Deus, ou está ainda no Purgatório?

·         Estou num lugar de salvação, mas a Deus, ainda não O vi e preciso que vocês rezem ainda por mim.

·         E por quanto tempo deve ainda ficar no Purgatório?

·         Olhe aqui.

E lhe entregou uma folha de papel, acrescentando:

·         Leia.

Dom Bosco examinou a folha e virou-a de todos os jeitos, mas não conseguiu ler nada. O Bispo observou-lhe que era necessário ler do avesso, porque os juízos de Deus são diferentes dos do mundo. Dom Bosco ousou insistir, pedindo uma resposta mais clara e perguntou:

·         E eu, me salvarei?

·         Tenha esperança.

·         Mas não me deixe angustiado: me diga claro se me salvarei.

·         Não o sei.

·         Ao menos me diga se estou na graça de Deus.

·         Não o sei.

·         E os meus jovens, se salvarão?

·         Não o sei.

·         Mas por favor, eu lhe suplico, mo diga!

·         Eis aqui: essas coisas o Senhor as dá a conhecer a quem Ele quiser, dá a licença para que sejam comunicadas aos que ainda estão vivos.

Aqui Dom Bosco diz que estava louco para saber tantas coisas; portanto, fez mais perguntas ao Bispo:

 
·         Agora me diga alguns pensamentos seus para transmiti-los aos meus jovens como lembrança sua.

·         Diga-lhes que salvem suas almas, pois o resto não serve para nada.

·         Mas já sabemos bem que devemos salvar a alma; mas como devemos fazer para salvá-la?

·         Diga aos jovens, que se tornem bons e obedientes.

·         E quem já não sabe de cor essas coisas?

·         Diga a eles que sejam puros e que rezem.

·         Mas, explique-se mais praticamente.

·         Diga-lhes que se confessem com frequência e façam boas comunhões.

·         Diga-me algo de mais particular ainda.

·         Eu lho direi, já que o quer. Diga-lhes que eles tem diante de seus olhos uma névoa; quando alguém chega a enxergar essa névoa, já chegou a um bom ponto.

·         Mas o que é essa névoa?

·         São as coisas do mundo, que impedem de ver, como elas são realmente, as coisas do Céu.

·         E como eles devem agir para acabar com essa névoa?

·         Considerem o mundo como ele é: mundus totus in maligno positus est (todo o mundo se acha debaixo do poder do Diabo), e, então sim, salvarão a própria alma; não se deixem enganar pelas aparências do mundo. Os jovens crêem que os prazeres, as alegrias, as amizades do mundo possam torná-los felizes e, portanto, não esperam senão o momento de gozar desses prazeres; mas recordem-se de que tudo é vaidade e aflição de espírito.

·         E essa névoa, por que coisa é principalmente produzida?

·         Pela imodéstia e pela impureza. É como se fosse uma nuvem negra, grande e densíssima, que tira a vista e impede que os jovens vejam o precipício para o qual se encaminham. Diga-lhes que conservem ciosamente a virtude da pureza, pois os que a possuem florebunt sicut lilium in civitate Dei (florescerão como lírios na cidade de Deus).

·         E o que é necessário para conservar a pureza?

·         São necessários: recolhimento, obediência, fuga do ócio e oração.

·         E que mais?

·         Oração, fuga do ócio, obediência e recolhimento.

·         Nada mais que isso?

·         Obediência, recolhimento, oração e fuga do ócio.

“Apenas o Bispo acabou de falar – continua Dom Bosco –, todo aflito em querer comunicar a vocês esses avisos, deixei apressadamente aquela sala e corri para o Oratório – Eu voava com a rapidez do vento e num instante me encontrei diante do portão do Oratório. Quando aqui cheguei, parei de repente e pensei: Por que não fiquei um pouco mais com o Bispo? Conseguiria ainda outros esclarecimentos. E imediatamente voltei para trás com a mesma rapidez com que eu tinha vindo. Entrei de novo naquele palácio e naquela sala.

Mas que mudança havia acontecido naqueles breves instantes! O Bispo, palidíssimo como cera, estava deitado em sua cama; parecia um cadáver; escorriam, nos cantos dos olhos, as últimas lágrimas: estava agonizando. Somente um imperceptível movimento do peito, sacudido de vez em quando pelos últimos anseios, indicava que ainda estava vivo. Aproximei-me dele, todo aflito:

·         Monsenhor, que foi que aconteceu?

·         Deixe-me – respondeu com um gemido.

·         Monsenhor, tenho ainda muitas coisas para lhe perguntar.

·         Deixe-me sozinho, estou sofrendo muito.

·         Que posso fazer pelo Sr.?

·         Reze e me deixe partir.

·         Para onde?

·         Para onde me conduz a onipotente mão de Deus.

·         Mas, Monsenhor, eu lhe suplico, diga onde é.

·         Estou sofrendo muito. Deixe-me.

·         Ainda uma só palavra: não tem nenhum recado para eu lhe resolver lá no mundo? Não me deixa nada para comunicar ao seu sucessor?

·         Dirija-se ao atual Bispo de ------ e transmita-lhe, de minha parte, isto e mais isto.

As coisas que ele disse não interessam a vocês, ó meus caros jovens, e por isso não as falarei. O Bispo continuo ainda:

·         E depois diga a tais e tais pessoas estas e outras coisas secretas”.

(Interrogado pelo Pe. Lemoyne se tinha levado a termo os recados recebidos daquele Bispo, respondeu: – Sim. Executei fielmente minha incumbência).

·         E nada mais? – continuei eu.

·         Diga a seus jovens que eu lhes quis sempre muito bem e que, até quando eu estava vivo, sempre rezei por eles e que ainda agora continuo a me lembrar deles. Que agora então rezem por mim.

·         Fique sossegado, eu lhes direi tudo isso e começaremos imediatamente a fazer nossos sufrágios pelo Sr. Apenas o Sr. Estiver no Paraíso, lembre-se de nós.

O Bispo, entretanto, apresentava um aspecto de maior sofrimento ainda. Causava dó vê-lo assim. Suportava uma agonia das mais angustiosas.

·         Deixe-me – me disse outra vez –, deixe que eu vá para onde o Senhor me chama.

·         Monsenhor!... Monsenhor!... – ia eu repetindo com um aperto de indizível compaixão.

·         Deixe-me! Deixe-me! – repetiu e desapareceu.

Eu, espantado e comovido diante de tanto sofrimento, me virei para retornar, mas topei em alguma coisa, acordei e me achei na minha cama” (MB VIII, 853).    

Obs.: O biógrafo Pe. Lemoyne escreve: “Dom Bosco não comentou nada sobre o estado daquele bom Bispo. De resto, por revelações digníssimas de fé e por testemunho dos Santos Padres, sabe-se que personagens de santidade, lírios de pureza virginal, ricos de merecimentos, realizadores de milagres e que hoje veneramos sobre os altares, por defeitos levíssimos, tiveram de passar um tempo, até mesmo longo, no Purgatório” (MB VIII, 859).

Fonte: “Os Sonhos de Dom Bosco”, coletânea organizada por Pietro Zerbino, sonho de número 25 desta coletânea; traduzido pelo Pe. Júlio Bersano; Editora Salesiana Dom Bosco, São Paulo, 1988.


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