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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Retrato dos Pregadores do Anticristo




“O pregador do erro estima ajuntar-se com os ricos deste mundo, que ocupando-se todos nos seus negócios terrenos, não podem perceber os sofismas e finezas dos discursos que se lhes ostentam. A ambição que os fazem buscar as dignidades deste mundo, faz que se deixem apanhar facilmente nos laços da perversa pregação... Arrastam estes ímpios pregadores os fortes com o poder de sua malícia, quando com as finezas dos seus erros ganham os grandes do mundo... Este iníquo pregador inchado de orgulho, despreza todos os mais: e querendo fazer crer que é o único sábio, se incha à proporção do desprezo que faz de todos. Cheio de grande presunção de si mesmo, ignorando as Verdades Divinas, se aparta muito da ciência da Fé; e com tudo isso, se empenha por se fazer respeitar como pregador da mesma Fé...” (Sanctus Gregorius Magnus, Mor. In Job, Lib. 17, Cap. 3).

“Escolheu a Verdade Incarnada para pregar o Seu Evangelho, homens pobres, simples e sem letras: pelo contrário, o homem condenado, de quem o Anjo Apóstata se apoderará no fim do mundo, tomará por companheiros, homens astutos, artificiosos e cheios da ciência deste mundo, para pregarem a falsidade dele... Estes homens, que o seu orgulho levantará aos mais soberbos pensamentos, não farão soar nas suas pregações, senão as ideias do homem perverso... Será este condenado, tão excessivamente mau, que excederá os pecados de todos os pecadores... Espalhará os seus pregadores por todo o mundo...” (Ibidem, Mor. In Job, Lib. 13, Cap. 5).

“Estes maus, que farão tudo com hipocrisia, quererão arrogar-se a si a glória dos justos, e tomar um lugar que não lhes convém... tudo o que fizerem, não será mais do que para atrair louvores, que desejam; e pela fantástica vaidade das suas boas obras, não buscam senão, quem lhes fartem a sua avareza” (Ibidem, Mor. In Job, Lib. 14, Cap. 2).

“Protegerão, os Príncipes corruptos do século, a estes ímpios pregadores do Anticristo... Poderia na verdade a sua pregação ser facilmente desprezada pelos seus ouvintes; mas, sendo confirmada, como é, com o terror dos Príncipes do mundo, se levantará acima dos juízos dos homens... Muitos grandes, trabalharão em aterrar com a sua severidade aqueles, a quem estes pregadores quererão enganar com os seus terrores... Abaterão estes perversos pregadores a muitos, e os persuadirão; porque serão rodeados de pessoas, que arruinarão com os seus terrores as almas fracas... Qual seria o fraco, que não desprezaria estes pregadores, que são como os dentes deste leviatã, se não espalhassem terror em todas as partes com o medo dos Príncipes do mundo, que os ajudarão... Figurados nos cavalos, de que se falou no Apocalipse, cuja força está na sua boca, e na sua cauda... correm estes detestáveis pregadores a todas as partes arrebatados pelo impulso das suas paixões carnais: e enquanto se esforçam a insinuar os seus perversos dogmas nas suas pregações, sustentados pelos Poderes temporais, farão acreditar os seus erros por meio de caminhos inteiramente opostos aos do Céu; de sorte que, se não for a verdade quem faça respeitar as suas pregações depravadas, será o Poder temporal, o que as faça temer... Unindo-se os prudentes do século nos seus perversos conselhos à malícia do Anticristo, asseguram confiadamente que a noite do erro está, onde acharão a Fé em Jesus Cristo. Porque estes ímpios se jactam de que dissipam as trevas, e fazem brilhar a luz da verdade, com o esplendor das suas ilusões” (Ibidem, Mor. In Job, Lib. 33, Cap. 23).

“Está perfeitamente representada a sua hipocrisia no lugar, em que a Escritura a compara a uma acha de abeto (pinheiro alvar). Quando esta se acende, lança suave cheiro; mas a luz que dá, é quase morta. Deste modo, estes pregadores do Anticristo, porque se cobrem com a máscara de uma aparência vã de santidade, farão somente obras de iniquidade: parecerá que lançam suave cheiro; mas dão uma luz falsa e negra... Estes pregadores do Anticristo... em nada do que fazem tem uma reta intenção; porque não hão de olhar para a Pátria Celestial, mas o seu fim único será buscar o cume da glória temporal... Foram descritos naquela Besta, que São João no Apocalipse viu levantar-se da terra, e tendo duas pontas semelhantes às do Cordeiro, falava todavia como o Dragão. Porque esta Besta, que há de acompanhar o Anticristo, é a multidão de seus pregadores, que fazem consistir toda a sua glória na autoridade, que tem diante dos Soberanos temporais... Esta Besta, esta multidão de pregadores terá a semelhança do cordeiro para executar as obras do Dragão...” (Ibidem, Mor. In Job, Lib. 33, Cap. 26).


“O rei da soberba está a aparecer; e, se é lícito dizê-lo, o exército que prepara para se servir, é um exército de Sacerdotes; porque já combatem em defesa do reino do orgulho, tendo sido estabelecido para ensinar o Caminho da Humildade” (Sanctus Gregorius Magnus, Epist. 38, Lib. 4; cfr. S. Irineu, Lib. 5, Advers. Haeres., Cap. 30).

Profecia de Santa Hildegarda


“Levantar-se-ão uns homens sem cabeça, que se engrossarão, e se sustentarão com os pecados do  povo. Farão profissão de ser do número dos mendicantes...

Eles viverão como se não tivessem nem vergonha, nem pejo...

Estudarão em inventar novos meios de fazer o mal...

Será esta perniciosa Ordem amaldiçoada pelos Sábios e pelos que forem fiéis a Jesus Cristo...

Aplicar-se-ão com grande cuidado a resistir aos Doutores que ensinam a verdade...

Servir-se-ão do crédito que tiverem com os grandes, para perder os inocentes...

Arreigará, o Diabo, nos seus corações, quatro vícios principais: a lisonja, de que eles usarão para obrigar os homens a que lhes façam grandes liberalidades; a inveja, que fará que eles não possam sofrer que se faça o bem a mais ninguém, do que a eles; a hipocrisia, com a qual se contrafarão para agradar ao mundo; a maledicência, que não cessarão de empregar para se fazerem mais recomendáveis, dizendo mal de todos os outros...

Estimarão pregar continuamente diante dos Príncipes, mas sem devoção e sem se expôr ao perigo do Martírio; antes, para adquirir louvores dos homens e enganar os simples... roubarão aos verdadeiros Pastores os direitos, que tem de administrar os Sacramentos...

Tirarão as esmolas aos pobres, aos miseráveis e aos enfermos: atrairão a si a plebe...

Farão amizades com as mulheres, e lhes ensinarão a enganar seus maridos; e a lhes darem os seus bens às escondidas...

Tomarão uma infinidade de coisas mal adquiridas: receberão bens da mão dos ladrões de estradas públicas; dos extorquidores injustos; dos sacrílegos; dos usurários; dos devassos; dos adúlteros; dos hereges; dos cismáticos; dos apóstatas; das mulheres públicas; dos mercadores perjuros; dos juízes injustos; dos soldados mal procedidos; dos Príncipes, que vivem contra a Lei de Deus; e geralmente, de todos os maus, por persuasão do Diabo...

Levarão uma vida delicada e sensual (sem mortificações)...

Todas as coisas lhes sairão conforme os seus desejos...

Passarão esta vida em uma Sociedade ou Companhia, que os conduzirá à morte eterna...

Porém o povo, pouco a pouco, começará a esfriar para com eles: e tendo reconhecido pela experiência, que são uns enganadores, cessará de lhes dar; e então, andarão vagando ao redor das casas, como cães famintos e raivosos, os olhos baixos, voltado o pescoço  como abutres, buscando pão para se fartarem. Mas o povo lhes bradará: infelizes vós, filhos da desolação! O mundo vos enganou, o Diabo se fez senhor de vossos corações e de vossas línguas; o vosso espírito delirou em especulações vãs; vossos olhos se desfizeram em lágrimas nas vaidades do século; vossos ventres delicados buscaram vinhos agradáveis; vossos pés eram apressados e ligeiros para correr a toda a sorte de males. Lembrai-vos que não praticais bem algum...

Lembrai-vos que éreis devotos falsos, cheios de inveja e de emulação...

Vós vos fingíeis de pobres, ainda que na realidade fôsseis ricos...

Vós vos fingíeis de simples, sendo poderosíssimos...
 
Vós éreis devotos lisonjeiros...

Vós éreis hipócritas santos, mendicantes soberbos...

Homens que pedíeis, oferecendo...

Doutores ligeiros e inconstantes...

Mártires delicados...

Confessores cobiçosos de ganhos...

Humildes soberbos...

Piedosos endurecidos para com as aflições dos outros...

Caluniadores melífluos...

Benignos perseguidores...

Cheios de amor do mundo...
 
Mercadores de indulgências...

Diretores de comodidades...

Muito habilidosos para procurar as suas comodidades...

Fautores das desordens dos apetites...

Cheios de ambição das honras...

Mercadores, que tem casa, ou possuidores de casas de mercadorias...

Semeadores de discórdias...

Vós edificáveis sempre, elevando-vos; mas não pudestes chegar tão alto, como o desejáveis...

Então caístes como Simão Mago, a quem Deus quebrou os ossos, e feriu com uma ferida mortal à pedido dos Apóstolos. Assim será destruída a vossa Ordem por causa dos vossos enganos e iniquidades. Ide, Doutores do pecado e da desordem, Pais da corrupção, Filhos da maldade; não queremos seguir já a vossa direção, nem escutar as vossas máximas...” (Comentário sobre a Profecia de Santa Hildegardes feito pelo Venerável Jerônimo Batista de Lanuza, Bispo de Albarazem, e depois de Balbastro; cfr. “Theat. Jesuít.”, Part. 2, pág. 183, Mor. Prat., Tom. I).

Nota: Santa Hildegarda, Religiosa da Ordem de Sister e Abadessa do Monte de São Roberto. Morreu no ano de 1180. São Bernardo, que a respeitava muito, defendeu as suas revelações; que  foram julgadas verdadeiras, graves, santas, depois de um exame sério pelo Concílio de Rheims, no ano de 1148, onde presidia o Papa Eugênio III.


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