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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 25 de agosto de 2013

Bispos Eméritos Querem Revitalizar o Concílio

D. Pedro Casaldáliga

D. José M. Pires
“Arcebispo emérito da Paraíba e Bispos eméritos de Goiás e São Félix do Araguaia (MT), Dom José Maria Pires, Dom Tomás Balduíno e Dom Pedro Casaldáliga, respectivamente, enviaram uma carta a todos os Bispos do País conclamando ao diálogo e pedindo que os princípios do Concílio Vaticano II, convocado pelo então Papa João XXIII e levado à frente pelo seu sucessor à época, Papa Paulo VI, sejam retomados pela Igreja Católica.

-        A primeira geração que teve contato com o Concílio tentou segui-lo com muito ardor. Gostaríamos de retomar este ardor, essa capacidade de nos reajustar à realidade das pessoas, de estar mais perto do povo, seja rico ou pobre – diz Dom José Maria Pires, que completa:


D. Tomás Balduíno
-        À época do Concílio, os Bispos deixaram os palácios e foram viver em casas. Quando viajavam, eles deixaram de ficar hospedados nas melhores casas e passaram a se aproximar mais das pessoas. Queremos que o diálogo sobre essas questões seja retomado e que, na Igreja, as pessoas sintam que não há distinção entre elas” (Trecho de Matéria publicada no Jornal, “O Globo”, em 23/08/2013).


Um Testemunho das Incertezas do Pós-Concílio

“Conceituada revista espanhola, conhecida pela seriedade e segurança de suas informações, a “CIO”, publica a carta que abaixo, com a devida vênia, transcrevemos, pois ilustra a maneira como se realiza na Igreja a palavra autorizada de Paulo VI, quando, falando ao Seminário Lombardo, lamentou sua auto-demolição (1969):

Uma Religiosa Secularizada: “A Revista de Teologia mística 'A vida sobrenatural', no seu último número, reproduz a seguinte carta de uma religiosa secularizada:

“Passei 17 anos como religiosa professa em uma Congregação de Ensino. Foram os anos mais felizes de minha vida. Amava a Congregação pelo muito que significava para mim. Um irmão meu é missionário na Austrália; e um tio, sacerdote numa diocese americana. A religião teve sempre um papel muito importante na nossa família; minha mãe era muito piedosa; e meu pai, converteu-se do protestantismo à nossa Religião, antes de casar-se. Tive uma infância baseada numa fé firme e vivida.

Sempre gostei da docência e, por isso, ingressei numa Congregação de Ensino. O noviciado, passei-o sem contratempo algum. A mestra de noviça me estimava muito”.

Reciclagem pós-Conciliar: “ Nos anos pós-conciliar, minhas superioras julgaram que eu devia adquirir um máximo de experiência. Tive que assistir a vários seminários, a muitas conferências e reuniões que me deixavam, cada vez, menos tempo para minhas rezas, a meditação e o Ofício divino. Fiz, no entanto, quanto pude para combinar o trabalho com a vida espiritual.

A mudança na minha vida começou como fruto de umas conferências que nos fez um jovem sacerdote, na Escola de Magistério. Pela primeira vez conheci noites de insônia, ao recordar constantemente as coisas ouvidas nessas conferências.

Senti dificuldade para desabafar-me com a Superiora. E eis que um dia encontrei uma religiosa chorando amargamente. Não era de nossa Congregação. Éramos amigas e ela confiou-me as angústias que estava atravessando. Eram iguais às minhas: seria Cristo Deus e Homem? Estaria Ele realmente na Eucaristia? Teria havido algum tempo algo como Pecado Original?

Estas e outras questões propôs o sacerdote à nossa consideração, para darmos uma resposta pessoal. Sempre pensei que todas estas respostas, já as havia dado a Igreja, de uma vez para sempre, sem deixar lugar à dúvida. Porém, o sacerdote insistia que os teólogos modernos tinham projetado novas luzes sobre estas doutrinas. E, ao final destas conferências, achei que nenhuma doutrina da Igreja oferecia segurança”.

A Igreja não é Mestra da Verdade: “Depois de falar com aquela religiosa amiga, decidimos convidar aquele sacerdote a uma entrevista particular. Aceitou logo e, durante a conversa, demo-nos conta, com horror, de que ele não somente estava duvidando da doutrina da Igreja, mas mesmo de toda a autoridade desta como Mestra da verdade. Para ele, não existia pecado, pois o considerava como restos da idade do medo; era coisa que tinha passado com o Vaticano II, que havia mudado tudo.

Acrescentou que a verdade devia evoluir e mudar constantemente. Ao lhe perguntarmos de onde tinha tirado todas essas ideias e como as conciliava com o ensinamento da Igreja, respondeu: 'Elaborei minhas ideias estudando Teilhard de Chardin e Hans Küng'.

Dava grandíssima importância ao tema da instrução sexual, dizendo que, sem isso, não pode haver desenvolvimento da personalidade. Resisto a aduzir mais pormenores neste particular. Minha amiga perguntou-lhe que diria o Bispo se soubesse dessas coisas que ele ensinava. Sua resposta foi: 'Estou numa das Comissões que assessoram e informam o Bispo sobre o desenvolvimento da doutrina'.

Convento subvertido: ”Ao voltar ao convento, minha vida tinha mudado. Minha alegria e minha paz tinham-se evaporado. Tratei de confiar minhas inquietações à Superiora. Parece que não fez caso. No fim de três meses, trasladaram-me para outra casa. Vi que ali, várias religiosas já estavam infectadas com as novas doutrinas. Não por influência daquele sacerdote, mas de um outro que tinha as mesmas ideias.

Nesta nova Comunidade, ninguém observava a Regra. Cada uma fazia o que lhe desse na gana. Apenas umas poucas ainda se confessavam e faziam visita ao Santíssimo. A única ocupação depois das aulas era televisão. Pouco tempo depois de estar ali, um sacerdote jovem, que costumava visitar a Comunidade, casou-se no civil com uma religiosa, fato que todas ali julgaram a coisa mais natural do mundo. A Superiora não se atrevia a dar ordens a ninguém.

As coisas iam de mal a pior. Eu era a única que cuidava de observar a Regra e as companheiras riam-se de mim. Ao cabo de um ano, todas as religiosas, menos eu e uma irmã, já mais idosa, tinham abandonado o hábito.

O Abandono das Almas: “Ao expor, por carta, à Madre Provincial minhas dificuldades, respondeu-me muito secamente, dizendo-me que duvidava de minha vocação. Na minha angústia, decidi pedir conselho ao diretor espiritual que nos confessava. Ele me disse estas palavras textuais: 'as religiosas, hoje, devem amoldar-se às exigências do tempo e libertar-se da escravidão do passado'. Era Cônego e acrescentou que o Bispo me diria a mesma coisa. Perguntei-lhe se todos os anos de vida religiosa antes do Vaticano II – procedente do Espírito Santo – a Igreja reconhecia os erros do passado”. (Quer dizer que o Espírito Santo, antes do Vaticano II, teria, segundo este Cônego, abandonado sua Igreja!) [parêntese do Boletim Diocesano e D. Antônio].

“Então, pedi a dispensa dos Votos. Conheço a muitas que fizeram o mesmo (…). Conheço, agora, o poder de Satanás, que destruirá a Igreja se seguir por este caminho”. (N.N.)

(D. Antônio de Castro Mayer, Boletim Diocesano, nº 46, de Outubro/1975).

Fonte: Instrução Dominical para os Fiéis – 25 de Agosto de 2013 (Igreja de São José, da Administração Apostólica São João Maria Vianney, em Campos dos Goytacazes/RJ).

“Não será um dos benefícios da História
o ensinar-nos a não renovar
os erros do passado?”

(Régine Pernoud, “O Mito da Idade Média”, p. 22,
Coleção “Saber”, nº 125, Publicações Europa-América, Lisboa, 1978).
  

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