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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

segunda-feira, 31 de março de 2014

É a Doutrina ou o Caos.


Cardeal Walter Brandmüller
Cardeal Walter Brandmüller


O Cardeal Walter Brandmüller (nomeado por Bento XVI) contra a desordem causada pela “falta de clareza no ensino da doutrina católica.” Doutrina da fé e praxis pastoral podem ser distintos, sim, mas não separados”

 
Por Matteo Matzuzzi, Il Foglio | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com - ”É claro que a falta de clareza sobre a verdadeira Doutrina Católica por parte dos Bispos, pregadores, catequistas, e especialmente dos professores de teologia moral é a principal causa do caos atual em que nos encontramos”. Numa conversa com o Diário Il Foglio, o cardeal Walter Brandmüller, um eminente historiador da Igreja medieval e moderna e por muitos anos presidente do Pontifício Comitê de Ciências Históricas, falou no debate sobre o casamento e a família que será o tema dos dois sínodos agendados para outubro próximo e o próximo ano. Um “caos” alimentado mesmo por aqueles que nas fileiras do episcopado mundial andam dizendo que o ensinamento da Igreja Católica em termos de moralidade não é mais adaptado aos tempos e, assim, vão criando confusão entre os fiéis que ainda frequentam mais ou menos as missas dominicais e confessionais. É o caso, por exemplo, do jovem Bispo de Treviri, Mons. Stephan Ackermann. “Mas o que isso significa?” Questiona perplexo o Cardeal Brandmüller: “A afirmação do excelentíssimo Bispo de Treviri levanta um questionamento e eu acho que é necessário fazer uma distinção. O prelado fala simplesmente de ‘ensinamento’ e ele poderia até ter alguma razão se estivesse se referindo ao modo de motivar, explicar e ensinar a Doutrina da Igreja. No entanto, ele está errado se quer dizer que a Doutrina da Igreja não é mais apropriada aos tempos. Com efeito, mudam as perguntas e as questões de acordo com as mudanças sócio-culturais, mas a resposta da Igreja em cada momento da história não pode tocar no Depósito da fé que foi estabelecido de uma vez por todas como válido”. Afinal, ele é “o tesouro do qual o bom pai de família tira coisas novas e velhas”. Para atender às altas expectativas “enraizadas entre aqueles fiéis” que defendem atualizações no ensino moral católico, o cardeal Walter Kasper propôs uma solução que reafirma a inviolabilidade da Doutrina, mas que ao mesmo tempo permita intervenções sobre a praxis pastoral. Doutrina e praxis em dois trilhos separados, portanto, um esquema que já foi criticado pelo prefeito do ex-Santo Ofício, o Cardeal Gerhard Ludwig Müller e que não encontra aprovação nem por parte do nosso interlocutor.  Sim, “é necessário fazer a distinção entre a Doutrina da fé e a praxis pastoral. Distinguir sim, mas separar jamais”. Toda praxis pastoral, se quiser ser autêntica, tem que ser inspirada e regida pela a verdade da Fé. É verdade – cito ainda o estudo feito por Bento XVI 2010 – que a realidade sociológica da família não é mais a mesma dos nossos avós. Mas o que jamais poderá estar sujeito a mudança histórica é a própria natureza, a substância da família que nasce do matrimônio sacramental entre homem e mulher. A pastoral, diz ainda Brandmüller, deve responder às perguntas, explicar melhor essa realidade para garantir que possamos viver de modo autêntico no mundo de hoje. Dúvidas até mesmo sobre a corrente de pensamento segundo a qual a Igreja, no curso de sua história, sempre defendeu que, permanecendo firme o princípio una fides, há muitas maneiras de se vivê-la e experimentá-la: “É verdade, -afirma o presidente emérito do Pontifício Comitê de Ciências Históricas– existem muitas maneiras de se viver e experimentar a fé. Mas esses modos só podem ser considerados legítimos se não contradizem a Doutrina da Fé formulada pela Igreja. É sempre essencial a convergência entre a Doutrina e a vida. “O problema é a falta de clareza sobre o significado da Doutrina Católica”, o cardeal observou: “Em mais de vinte e cinco anos de trabalho pastoral – paralela à minha carreira universitária -, pois fui pároco de área rural, após o fatídico ano de 1968, eu não tive mais a necessidade de pronunciar até então a carta pastoral a respeito do ‘Sagrado Sacramento do Matrimônio’, como está prescrito para o segundo Domingo depois da Epifania”. Não era uma situação prevista, não era algo esperado e é o que torna mais emblemático para compreender a situação em que nos encontramos.”

 


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