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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

sábado, 23 de abril de 2016

A Serpente e o Rosário


Em fevereiro de 1848, o Marquês Roberto d'Azeglio, amigo pessoal de Carlos Alberto e Senador do Reino, honrou o Oratório de Dom Bosco com uma sua visita. O Santo o acompanhou, fazendo-o visitar a Casa inteira. O Marquês exprimiu sua viva satisfação, mas com uma reserva. Definiu como tempo perdido o que era destinado para rezar o Rosário.

Deixe – disse ele – de mandar recitar essa velharia de 50 Ave Marias, enfiadas uma depois da outra.

Pois bem – respondeu Dom Bosco –, eu faço muita questão dessa prática de piedade; e poderia dizer, até que, sobre ela está baseada a minha Instituição; estaria disposto a deixar de lado tantas outras coisas, mesmo importantes, mas essa não!

E com a coragem que lhe era própria, acrescentou:

E até mesmo, se fosse necessário, estaria disposto a renunciar à sua preciosa amizade, mas nunca, jamais, à recitação do Santo Rosário (MB III, 294).

Para estimular os jovens a amarem o Rosário, ele era encorajado também pelos seus sonhos. Vamos citar um. Ele o teve na véspera da Assunção de 1862.

Sonhou que se encontrava em sua aldeia natal (hoje Colle Don Bosco), em casa do irmão, com todos os seus jovens. E eis que se lhe apresenta alguém (o Guia de sempre dos seus sonhos), que o convida a irem juntos até ao prado contíguo ao pátio e ali lhe mostra uma cobra enorme, de 7 – 8 metros de comprimento e de uma espessura extraordinária. Dom Bosco ficou horrorizado e quis fugir. Mas, o Guia o convida a não ter medo e a ficar lá mesmo. Em seguida vai pegar uma corda, volta para junto de Dom Bosco e lhe diz:

Pegue esta corda por uma ponta e a segure com muita força; eu vou pegar a outra ponta e esticaremos a corda por cima da cobra.

E depois?

Depois, dar-lhe-emos uma chicotada em seu dorso!

Ah! Isso não, por caridade! Ai de nós se fizermos isso. A cobra ficará furiosa, nos atacará e nos despedaçará.

Mas, o Guia insistiu – narra Dom Bosco – e me garantiu que a cobra não me faria nenhum mal; tanto falou que acabei consentindo em fazer como ele queria. Entretanto, ele levantou a corda e com ela vibrou uma chicotada sobre o dorso do réptil. A cobra deu um bote e virou a cabeça para trás, para abocanhar aquilo que a tinha golpeado, mas ficou enroscada como em um nó corrediço

Segure firme – grita o Guia – e não deixe escapar a corda.

E correu para amarrar a ponta da corda, que segurava na mão, numa pereira; depois, amarrou a ponta, que eu estava segurando, numa grade de ferro de uma janela da casa. Entretanto, a cobra se debatia furiosamente e batia no chão com a cabeça e suas enormes espirais com tal força, que suas carnes se dilaceravam e os pedaços eram atirados a grande distância. Assim continuou até que dela não ficou senão o esqueleto descarnado.

Morta a cobra, o Guia desamarrou a corda da árvore e da janela, recolheu-a e a fechou dentro de uma caixa. Depois de alguns momentos abriu-a. Com grande admiração minha e dos jovens que haviam acorrido, vimos que aquela corda se havia ajeitado de modo a formar as palavras: Ave Maria. O Guia explicou:

A cobra representa o Demônio e a corda a Ave Maria, ou melhor, o Rosário, que é uma sequência de Ave Marias, com as quais se podem bater, vencer, destruir todos os Demônios do Inferno.

Neste momento, aos olhos de Dom Bosco se apresentou uma cena bem dolorosa: viu jovens que recolhiam pedaços de carne da cobra, os comiam e ficavam envenenados.

Eu não conseguia ficar sossegado – conta Dom Bosco –, porque, não obstante os meus avisos, continuavam a comer. Eu gritava para este, berrava para aquele; dava tapas num deles, socos num outro, procurando impedir que comecem, mas inutilmente. Eu estava fora de mim, senão quando eis que vejo, ao derredor de mim, um grande número de jovens, estirados no chão, em um estado deplorável”.

Então, Dom Bosco se dirigiu ao Guia:

Mas, não existe um remédio para tão grande mal?

Sim, existe!

E qual seria ele?

Não há outro senão a bigorna e o martelo.

Como?! Será que os tenho que colocar em cima da bigorna e bater neles com o martelo?

Veja: – respondeu o Guia – o martelo significa a Confissão, a bigorna a Comunhão: é preciso usar esses dois meios (MB VII, 238).

Obs: Uma alegoria camponesa de muita eficácia. Os ferreiros das pequenas aldeias, para dar ao ferro inerte a forma de instrumentos agrícolas, usavam de recursos violentos: fogo, bigorna, martelo. Parece que se pode entrever, nessas palavras de Dom Bosco, que ele considerava a Confissão, não como um desabafo/conforto, nem a Comunhão, como uma piedosa cerimônia. Para ele, os dois Sacramentos eram instrumentos enérgicos, fortes, com os quais Jesus, através do Sacerdote, encaminha decididamente as pessoas, pelo caminho do bem, que nem sempre é fácil e cômodo.

Fonte: “Os Sonhos de Dom Bosco”, Coletânea organizada por Pietro Zerbino, pp. 66-69; Tradutor Pe. Júlio Bersano, Editora Salesiana Dom Bosco, São Paulo, 1988.

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