Blog Católico, para os Católicos

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"Uma vez que, como todos os fiéis, são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm a OBRIGAÇÃO e o DIREITO, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra; esta obrigação é ainda mais presente se levarmos em conta que é somente através deles que os homens podem ouvir o Evangelho e conhecer a Cristo. Nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno efeito" (S.S. o Papa Pio XII, Discurso de 20 de fevereiro de 1946: citado por João Paulo II, CL 9; cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 900).

domingo, 15 de maio de 2016

SACRUM SEPTENÁRIUM.

Vitral del Espíritu Santo | by e domingo


O Profeta Isaías, anunciando a vinda do Messias,
declara que o Espírito Santo repousará sobre Ele,
'espírito de sapiência e de entendimento,
espírito de conselho e de fortaleza,
espírito de ciência e de temor'”.1


Relembremos apenas alguns pontos de Doutrina


► “Todos aqueles que tem a Graça Santificante recebem do Espírito Santo os seus sete Dons, quer dizer: sete aptidões da alma, que fazem com que a nossa alma se deixe facilmente esclarecer e mover pelo Espírito Santo.

O candelabro de sete ramos do templo de Jerusalém figurava os sete Dons do Espírito Santo. – Estes Dons completam as quatro Virtudes Cardeais. Estas removem simplesmente os obstáculos que nos afastam de Deus, submetendo ao império da razão as nossas paixões sensíveis (S. Tomás de Aquino), mas os sete Dons nos impelem para Deus. Aperfeiçoam, iluminam o nosso espírito, de sorte que o Espírito Santo pode facilmente influir sobre ele (iluminando a inteligência, movendo a vontade). Assim como a escola primária forma o espírito dos alunos, de modo que o torna capaz de aproveitar as lições de uma escola superior, assim os sete Dons tornam o homem capaz de receber mais facilmente o Espírito Santo. – Os sete Dons são sobrepujados pelas três Virtudes Teologais, porque os sete Dons não fazem mais do que conduzir a alma a Deus; ao passo que as Virtudes Teologais a unem a Ele. – Todo aquele que tem em si o Espírito Santo tem também os sete Dons, e quem quer que O perde pelo pecado mortal, perde ao mesmo tempo esses Dons. – Quanto mais progressos fazemos na perfeição, tanto mais abundantemente é a participação dos sete Dons. Estes aumentam também pela Confirmação.

Os sete Dons do Espírito Santo são: os Dons da Sabedoria, do Entendimento, da Ciência, do Conselho, da Fortaleza, da Piedade e do Temor de Deus. Os quatro primeiros iluminam a razão; os outros, fortificam a vontade. Estes sete Dons são enumerados por Isaías, que diz que o Messias futuro os possuiria (11, 3). Cristo possuía-os, é claro, no grau mais eminente.

O Dom da Sabedoria faz-nos reconhecer claramente que os bens temporais são passageiros e que só Deus é o nosso Supremo Bem.

O Dom do Entendimento faz-nos distinguir a verdadeira Doutrina Católica de qualquer outra e torna-nos capazes de a defender.

O Dom da Ciência faz-nos compreender claramente a Doutrina Católica sem estudo especial.

O Dom do Conselho faz-nos conhecer nas situações difíceis o que é conforme com a vontade de Deus.

O Dom da Fortaleza faz-nos suportar tudo para cumprir a vontade de Deus.

O Dom da Piedade leva-nos a honrar a Deus com fervor cada vez maior e a cumprir cada vez mais perfeitamente a sua Santa Vontade.

O Dom do Temor faz-nos temer a mínima ofensa a Deus como o maior mal do mundo…2



O homem justo, que vive da vida da graça
e opera por meio das virtudes
que nele desempenham o papel de faculdades,
necessita igualmente dos Sete Dons do Espírito Santo”.3


► “A Virtude é a facilidade de praticar o bem, adquirida pelo exercício constante, e a inclinação da vontade para o bem... Também se chama Virtude a simples aptidão para praticar ações virtuosas, infundida por Deus ou co-natural ao homem.

O Bem é o que se conforma com a Vontade de Deus, isto é, o que agrada a Deus.

O Hábito é uma segunda natureza. Quando nos habituamos a uma coisa, não a deixamos facilmente (isto serve para as boas ou más ações).

Depois da morte só alcançarão prêmio as Virtudes sobrenaturais, com as quais fazemos o bem com os olhos postos em Deus... só serão premiadas com glória eterna se forem sobrenaturais, isto é, feitas em estado de Graça... A Virtude sobrenatural é uma participação da Vida Divina, e diviniza o homem que a possui.

A Virtude só se alcança vencendo-nos a nós mesmos e aumenta-se com os combates, pois, se lhe opõem obstáculos internos (as más inclinações) e externos (o desprezo e as perseguições)... A Virtude e o sofrimento estão indissoluvelmente unidos. Quem se esquiva ao sofrimento renuncia à Virtude. ‘Aquele que teme o mundo jamais cumprirá coisa digna de Deus; porque a obra de Deus não se pode fazer sem que o mundo se revolte’ (S. Inácio de Loyola). Progredindo na Virtude, tornamo-nos profundamente humildes, porque sentimos a nossa fraqueza, como se sente o peso do corpo ao subir uma montanha. Um homem é tanto mais verdadeiramente humilde, quanto mais virtuoso é.

A utilidade da Virtude consiste em nos tornar verdadeiramente felizes, nesta vida, e na outra... A Virtude nos enriquece e nos dá honra aos olhos de Deus... Aquilo que os milionários e os nobres são aos olhos dos mundanos, é o virtuoso aos olhos de Deus... A riqueza passa, a Virtude fica.

A Virtude torna-nos semelhantes a Deus, e, seus amigos. Jesus foi humilde, afável, generoso, etc.; se praticamos estas Virtudes tornamo-nos semelhantes a Deus (S. Bernardo), os nossos atos assemelham-se aos da Divindade (S. Tomás de Aquino)... O homem virtuoso é um amigo de Deus, porque Jesus disse: ‘Todo aquele que fizer a Vontade de Meu Pai que está nos Céus, esse é Meu irmão, irmã e mãe’ (S. Mat. 12, 50). Aliás, a amizade resulta da semelhança de duas almas. A Virtude constitui a suma beleza diante de Deus; a do corpo é vã e enganosa (Prov. 31, 30), a Virtude é a verdadeira, a mais sublime beleza (S. Agostinho), porque vem da alma (Salm. 44, 14): é invisível agora, mas um dia aparecerá... Só a Virtude faz de nós verdadeiros cristãos... ‘Não se tem o direito à designação de cristão quando não se praticam as Virtudes Cristãs em toda a medida das próprias forças’ (S. Cipriano). É em vão que nos chamamos cristãos, se não imitamos a Jesus Cristo (S. Leão Magno); o Cristianismo é a imitação da Natureza Divina (S. Gregório de Nissa)”.4




Quero que Jesus se apodere de tal modo de minhas faculdades,
que minhas ações não sejam ações humanas e pessoais,
mas divinas, inspiradas e dirigidas pelo Espírito de Amor”.5


► “Os Dons do Espírito Santo são conferidos à alma no Batismo com a Graça santificante.

Esses Dons não são conferidos às almas cristãs para permanecerem, como no maior número delas, inativos e estéreis, mas, ao contrário, para produzirem na alma o pleno desenvolvimento da vida da Graça.

Os Dons diferem das Virtudes, enquanto dispõe o cristão a receber diretamente de Deus, do Espírito Santo, o impulso que o fará agir e não a operar por si mesmo. Os Dons supõem as Virtudes sobrenaturais e as aperfeiçoam em seu exercício. É por eles que o cristão se torna plenamente cristão: isto é, age e vive divinamente.

Segue-se daí que os Dons do Espírito Santo, e por conseguinte, as Graças atuais especiais que os põem em ação, não são absolutamente favores excepcionais, coisas extraordinárias (como por exemplo o Dom das Línguas) concedidas a algumas almas privilegiadas, mas Graças propostas, concedidas a toda alma cristã de boa vontade”.6




Esses Dons se infundem no homem justo,
para que mais facilmente receba
e siga o movimento do Espírito Santo,
pelo qual ele é impelido de muitos
e vários modos a fazer o bem”.7


► “O Dom da Sabedoria é a iluminação do Espírito Santo, mercê da qual a nossa inteligência contempla as verdades da fé a uma luz deslumbrante e experimenta nela indizível prazer”;

O Dom da Inteligência ilumina-nos, projetando sobre as verdades reveladas uma luz viva, penetrante, extraordinária, e dando-nos a certeza do sentido genuíno da Palavra de Deus;

O Dom do Conselho é uma luz do Espírito Santo pela qual a inteligência prática vê e julga, nos casos particulares, o que se deve fazer e os meios convenientes a empregar;

O Dom da Fortaleza é a virtude permanente com que o Espírito Santo informa a nossa vontade, para que, mediante ela, vençamos as dificuldades que nos desviam da prática do bem;

O Dom da Ciência é uma luz sobrenatural que o Espírito Santo infunde nas almas e que possui a prerrogativa de nos fazer ver que as verdades da fé são realmente dignas de ser admitidas mesmo à luz dos princípios da razão;

O Dom da Piedade imprime-nos na alma a inclinação e facilidade de honrarmos a Deus como Pai e esperarmos nEle com amor e confiança de filhos8;

O Temor de Deus é o fundamento dos outros dons. Defende-nos do pecado, porque nos faz considerar o respeito que devemos à justiça divina e à sua Majestade9(Rev. Pe. Meschler).10



______________________

1.  Is. 11, 1-3. O texto hebraico não menciona o dom de Piedade; mas os Setenta e a Vulgata fazem-no, e, desde o século III, a Tradição afirma este número septenário. Cfr. Adolfo Tanquerey, “Compêndio de Teologia Ascética e Mística”, Segunda Parte, Livro III, Art. I, § I, Cap. IV, nº 1320, p. 709; 5ª Edição, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1955. Cfr. S. Ambrósio, “De mysteriis”, 42; “De Sacramentis”, III, 8.

2.  R. Pe. Francisco Spirago, “Catecismo Católico Popular”, I Parte, 8º Art. do Símbolo, Cap. II, Art. III, pp. 301-305; 6ª Edição, União Gráfica, Lisboa, 1958.

3.  Leão XIII, Carta Encíclica “Divinum illud munus”, de 9 de Maio de 1897.

4.  Rev. Pe. Francisco Spirago, “Catecismo Católico Popular”, II Parte, B. “As Boas Obras, A Virtude, O Pecado, O Vício”, Cap. 2, Art. A Virtude, pp. 340-346; 4ª Edição, União Gráfica, Lisboa, 1944.

5.  Santa Teresinha do Menino Jesus; “Conselhos e Lembranças”, p. 290.

6.  Rev. Pe. Liagre, “Retiro com Santa Teresinha do Menino Jesus, Cap. VII, pp. 74-76; 2ª Edição, Cotia – São Paulo, 1963.

7.  Leão XIII, Carta Encíclica “Divinum illud munus”, de 9 de Maio de 1897; S. Thomaz, 1a. 2ae., q. 68, a. 3; S. Pedro Canísio, “De donis et fructibus Spiritus Sancti, III, B. Cfr. Cardeal Pedro Gasparri, “Catecismo Católico”, Terceiro Catecismo, Cap. X, Secção 3ª, Pergunta 545, p. 195; Ed. Gráfica Santa Teresinha, Porto Alegre, 1936.

8.  S. Thomaz, 2a. 2ae., q. 101, a. 3.

9.  S. Thomaz, 2a. 2ae., q. 7, a. 1.

10.  Dom Gaspar Lefebvre, O.S.B., “Missal Quotidiano e Vesperal”, pp. 705-726; Desclée de Brouwer & Cie, Bruges (Belgium), 1952.

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